John Fletcher · O Último Freio ao Antinomianismo · Seção XI

Os privilégios do evangelho e a lei

Por que os privilégios dos crentes sob o evangelho de Cristo não podem ser medidos com justiça pela experiência dos crentes sob a lei de Moisés. Exame das passagens em que os inimigos da perfeição cristã fundam a esperança de que Salomão, Isaías e Jó tenham sido imperfeccionistas convictos.

SE o sr. Hill tivesse citado Salomão em vez de são João, e santos judeus em vez de santos cristãos, poderia ter atacado com mais êxito a gloriosa liberdade cristã dos filhos de Deus. Pois, durante o tempo em que o herdeiro é menor de idade [na menoridade judaica], em nada difere de um escravo, mas está sob tutores [e preceptores] até o tempo predeterminado pelo pai. Assim, também nós, quando éramos menores, estávamos escravizados. Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos, e permanecêssemos firmes na [peculiar] liberdade para a qual Cristo nos [cristãos] libertou (Gl 4.1-5; 5.1). [N. do T.: a edição de 1792 imprime “Gl 3.1; 4.1”.] Mas essa mesma passagem, que mostra que os judeus estão [comparativamente falando] em escravidão, mostra também que a dispensação cristã e os seus altos privilégios não podem ser medidos pelos privilégios inferiores da dispensação judaica, sob a qual Salomão viveu. Porque a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma (Hb 7.19), no sentido cristão da palavra; e aquilo que a lei não podia fazer, Deus fez, enviando o seu próprio Filho, e assim condenou o pecado na carne, a fim de que a exigência da lei se cumprisse em nós [crentes cristãos], que vivemos segundo o Espírito (Rm 8.3-4), dotados daquela larga medida do Espírito que começou a ser derramada sobre os crentes no dia de Pentecostes. Pois essa medida do Espírito não tinha sido dada antes, porque Jesus ainda não havia sido glorificado (Jo 7.39). Mas, depois que ele subiu às alturas (cf. Ef 4.8) e obteve para os crentes o dom do Consolador que neles habita, eles obtiveram, diz são Pedro, o alvo dessa fé, a saber, a salvação cristã da alma [salvação esta que são Paulo, com razão, chama tão grande salvação quando a compara com os privilégios judaicos (Hb 2.3)]. Foi a respeito desta salvação [cristã] que os profetas [judeus] indagaram e investigaram. Eles profetizaram a respeito da graça destinada a vocês [cristãos], investigando qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas que eram indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava [segundo a dispensação deles], ao predizer os sofrimentos que Cristo teria de suportar e as glórias [a gloriosa dispensação] que viriam depois [da sua volta ao céu e acompanhariam o derramamento do seu Espírito]. A eles [os profetas judeus] foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós [cristãos], ministravam as coisas que, agora, foram anunciadas a vocês, pelo Espírito Santo enviado do céu (1Pe 1.9-12). E, entre essas coisas, a Escritura inclui a chegada do Reino espiritual de Cristo com poder (cf. Mc 9.1) ao coração dos crentes, e o batismo de fogo (cf. Mt 3.11), ou o amor perfeito, que queima a palha do pecado, limpa por completo a eira de Deus (cf. Mt 3.12) e faz do coração dos crentes perfeitos morada de Deus no Espírito (Ef 2.22), e não um ninho para o pecado que habita em nós.

Como essa doutrina talvez pareça nova ao sr. Hill, peço licença para confirmá-la com o testemunho de dois teólogos tão eminentes quanto os melhores que a Inglaterra produziu nos últimos tempos. O primeiro é o sr. Baxter, que, no seu comentário a estas palavras, um testamento só é confirmado depois da morte de quem o fez etc. (Hb 9.17), observa com muita justeza: “A aliança dele (de Cristo) tem a natureza de um testamento, que supõe a morte do testador e só então tem eficácia para dar pleno direito àquilo que ele lega. Note-se que o eminente reino evangélico do Mediador, na sua última e plena edição, chamado o reino de Cristo e dos céus, distinto do estado obscuro de promessa anterior à encarnação de Cristo, começou com a ressurreição de Cristo, a sua ascensão e o envio do eminente dom do Espírito Santo, e antes disso não passava de um embrião.” A minha outra testemunha é o reverendo sr. Whitefield, que propõe e responde à seguinte pergunta: “Por que o Espírito Santo não foi dado antes que Jesus Cristo fosse glorificado? Porque até então ele próprio estava na terra e ainda não tinha assumido o ofício de rei, nem apresentado os méritos da sua morte diante do seu Pai celestial, morte pela qual nos comprou essa bênção inestimável.” Ver as suas Obras, vol. IV, p. 362. Daí concluo que, como a plena medida do Espírito, que aperfeiçoa os crentes cristãos, não foi dada antes da ascensão do nosso Senhor, é tão absurdo julgar a perfeição cristã pelas experiências dos que morreram antes desse acontecimento notável quanto medir as forças de uma criança de peito pelas de um embrião.

Isso bastaria para tirar a força de todos os argumentos que os nossos opositores apresentam do Antigo Testamento contra a perfeição cristã. Contudo, estamos dispostos a considerar por um momento as passagens com que eles defendem a permanência necessária do pecado em todos os crentes cristãos e protegem os muros da Jericó interior, essa maldita cidade de refúgio dos cananeus e diabolonianos espirituais. [N. do T.: cf. Bunyan, A Guerra Santa.]

I. 1Rs 8.46 etc. Salomão ora e diz: Se [os judeus] pecarem contra ti (pois não há ninguém que 1 não peque), e tu te indignares contra eles e os entregares às mãos do inimigo, a fim de que os leve cativos, e se caírem em si e se converterem, e te suplicarem, e se converterem a ti de todo o seu coração e de toda a sua alma, ouve tu a sua prece (1Rs 8.46-49). Nenhuma pessoa sem preconceito que, ao ler essa passagem, tome o parêntese (pois não há ninguém que não peque) em ligação com o contexto pode, a meu ver, deixar de perceber que o reverendo sr. Toplady, que, se bem me lembro, cita esse texto contra nós, entende mal Salomão, tanto quanto o sr. Hill entende mal são João. O sentido é evidentemente que não há ninguém que não esteja sujeito a pecar, e que um homem peca de fato quando de fato se afasta de Deus. Ora, a pecabilidade, ou sujeição ao pecado, não é pecado que habita em nós; pois os anjos, Adão e Eva estavam todos sujeitos a pecar no seu estado sem pecado. E é indubitável que há alguns homens que não pecam de fato. (1) Isso se vê pela frase hipotética do contexto, se alguém pecar, que mostra que o seu pecar não é inevitável. (2) Vê-se pela indignação de Deus contra os que pecam, que é mencionada logo em seguida. Daí se conclui que, tão certo quanto Deus não está irado com todo o seu povo, alguns do seu povo não pecam, no sentido em que o sábio emprega a palavra. E (3) vê-se pela indicação de Salomão de que esses mesmos homens que pecaram, ou que de fato se afastaram de Deus, podem cair em si, converter-se e voltar-se para Deus de todo o seu coração e de toda a sua alma, isto é, podem alcançar a perfeição da sua dispensação; pois os dois polos não são mais opostos um ao outro do que pecar o é a converter-se, e afastar-se de Deus o é a voltar-se para ele de todo o nosso coração e de toda a nossa alma. Tome, portanto, a passagem inteira em conjunto, e você terá uma demonstração de que, onde aumentou o pecado, ali pode aumentar muito mais ainda a graça (cf. Rm 5.20). E que é isso, senão uma demonstração de que a nossa doutrina não é quimérica? Porque, se judeus [sendo juiz o próprio Salomão], em vez de pecar e se afastar de Deus, podem converter-se e voltar-se para ele de todo o coração, quanto mais os cristãos, cujos privilégios são tão maiores!

II. “Mas Salomão também diz: Não há nenhum justo sobre a terra que faça o bem e que não peque (Ec 7.20).”

(1) Não temos certeza de que seja Salomão quem o diz; pois ele pode estar introduzindo aqui o mesmo homem que, quatro versículos antes, diz: Não seja demasiadamente justo etc. (Ec 7.16); e o sr. Toplady pode entender mal o sentido do interlocutor num texto, como o dr. Trap o entendeu no outro. [N. do T.: Joseph Trapp, que em 1739 pregou contra os metodistas sermões sobre esse versículo.] Mas (2) suponhamos que seja Salomão quem fala. Não pode ele afirmar, em termos gerais, o que são Paulo afirma: todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm 3.23), sem excetuar os justos? Não é esse exatamente o sentido que Canne (calvinista como era) dá às palavras do sábio, quando remete o leitor a essa afirmação do apóstolo? [N. do T.: John Canne publicou uma Bíblia com referências marginais.] E alguma vez falamos contra essa doutrina verdadeira? (3) Se você tomar a palavra original pecar no sentido mais fraco que ela comporta, se ela significar em Ec 7.20 o que significa em Jz 20.16, a saber, errar o alvo, não teremos divergência; pois sustentamos que, segundo o padrão da perfeição paradisíaca, não há nenhum justo sobre a terra que faça o bem e que não erre o alvo dessa perfeição, isto é, que não diminua o bem que faz por algum defeito involuntário e, portanto (falando segundo o evangelho), sem pecado. (4) É ousadia pretender derrubar a gloriosa liberdade dos filhos de Deus, afirmada em cem passagens claras do Novo Testamento, apresentando um texto tão vago como Ec 7.20. E medir as conquistas espirituais de todos os crentes, em todas as épocas, por esse padrão obscuro parece-nos tão ridículo quanto afirmar que, de mil homens crentes, 999 são indubitavelmente canalhas, e que, de mil mulheres cristãs, não há uma só que não seja prostituta, porque Salomão diz poucas linhas abaixo: entre mil homens achei um, mas entre tantas mulheres não achei nem sequer uma (Ec 7.28). [N. do T.: a edição de 1792 imprime “Ec 8.28”.]

III. Se alguém objetar: “Salomão pergunta: Quem pode dizer: ‘Purifiquei o meu coração; estou limpo do meu pecado’? (Pv 20.9)”, respondemos:

(1) O pai de Salomão não pergunta: Quem poderá morar no teu santo monte? (Sl 15.1). Uma pergunta dessa natureza implica sempre um absurdo ou uma impossibilidade? Não se poderia responder à pergunta de Salomão segundo o evangelho, assim? “O homem em quem é atendida a oração de Davi, teu pai: Cria em mim, ó Deus, um coração puro (Sl 51.10). O homem que atendeu à orientação de são Tiago aos solifidianos primitivos: vocês que são indecisos, purifiquem o coração (Tg 4.8). O homem que obedeceu à ordem solene de Deus: Lave a maldade do seu coração, ó Jerusalém, para que você seja salva! (Jr 4.14). Ou o homem que tem parte na sexta bem-aventurança: Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus (Mt 5.8). Esse homem, digo, pode testificar, para honra do sangue que purifica de todo pecado (1Jo 1.7), que purificou o seu coração.”

(2) Contudo, se Salomão, como é mais provável, censura nessa passagem a presunção de um fariseu perfeito e jactancioso, a resposta é óbvia: nenhum homem desse tipo pode dizer com alguma verdade: Purifiquei o meu coração; pois a lei da fé exclui toda jactância orgulhosa, e, se dissermos, com a disposição do fariseu, que não temos pecado nenhum, a nós mesmos enganamos, e a verdade não está em nós (1Jo 1.8); pois temos orgulho, e orgulho farisaico ainda por cima, que aos olhos de Deus é talvez o maior de todos os pecados. Se os nossos opositores tomarem a pergunta do sábio em qualquer dos dois sentidos bíblicos acima, verão que ela concorda perfeitamente com a doutrina da perfeição judaica e cristã.

IV. O pretenso testemunho de Salomão contra a perfeição cristã é muitas vezes reforçado por duas frases de Isaías, consideradas fora do contexto: uma diz respeito à imundícia da nossa justiça (cf. Is 64.6), e a outra, à impureza dos nossos lábios (cf. Is 6.5). Já provei [Quarto Freio, carta VIII] que a justiça que Isaías compara a trapos imundos, e são Paulo a lixo (cf. Fp 3.8), é apenas a justiça antievangélica e farisaica dos professos não humilhados; justiça esta que se pode chamar justiça do orgulho impenitente, antes que justiça da fé humilde. Por isso, a excelência da justiça da fé não pode, com nenhuma propriedade, ser atingida por essa passagem.

V. “Mas Isaías, falando sem dúvida de si mesmo, diz: Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros (Is 6.5).”

É verdade; mas dê-se ao trabalho de ler os dois versículos seguintes, e você o ouvirá declarar que o poder do Espírito de Deus, aplicando o sangue da aspersão (poder representado por uma brasa viva, tirada do altar), tocou os seus lábios, de modo que a sua iniquidade foi tirada, e o seu pecado, perdoado (Is 6.6-7). Essa passagem, portanto, considerada com o contexto, em vez de refutar a doutrina da perfeição cristã, prova fortemente a doutrina da perfeição judaica.

Se Isaías for dispensado do serviço para o qual é recrutado de modo tão injustificável, os nossos opositores trarão da terra de Uz o próprio Jó, a quem o Senhor declara perfeito segundo a sua dispensação (cf. Jó 1.8), apesar dos duros juízos que os seus amigos faziam a respeito dele. [N. do T.: aqui e em Jó 9.20, citado a seguir, Fletcher segue a KJV, que traz perfect (perfeito); a NAA traz “íntegro”, e em Jó 9.20 tem outra redação.]

VI. Absurdamente se põe o perfeito Jó a demolir a perfeição cristã, porque ele diz: Se eu me justificar, a minha boca me condenará; se eu disser (com espírito farisaico, que justifica a si mesmo) que sou perfeito, ela me declarará perverso (Jó 9.20). Mas (1.) que afirma Jó aqui além do que Salomão afirma nas palavras a que Canne, comentando esse texto, judiciosamente remete os leitores: Deixe que outros o louvem, e não a sua própria boca; um estranho, e não você mesmo (Pv 27.2)? E nem mesmo essa regra deixa de ter exceção: testemunhem-no as circunstâncias que levaram são Paulo ao que ele chama confiança de gloriar-me (2Co 11.17). (2.) Que professar a perfeição da nossa dispensação com um espírito que nos humilha e exalta Cristo não é prova de perversidade, fica evidente pela declaração que o humilde Paulo fez de ser um dos cristãos perfeitos do seu tempo (Fp 3.15) [N. do T.: a NAA traz “maduros”], e pela declaração de são João de que o seu amor foi aperfeiçoado (1Jo 4.17). Pois, quando temos o Espírito que dá testemunho, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente (cf. 1Co 2.12), podemos, e até devemos, nos momentos oportunos, reconhecer os seus dons para glória dele, embora não para a nossa. (3.) Se o próprio Deus tinha declarado Jó perfeito segundo a sua dispensação, o modesto receio de Jó de declarar-se a si mesmo perfeito de modo algum derruba o testemunho divino. Essa timidez só mostra que, quanto mais avançamos na graça, mais aversão temos a tudo o que tem aparência de ostentação, e mais profundamente sentimos o que Jó sentiu quando disse: Sou indigno. Que te responderia eu? Ponho a mão sobre a minha boca (Jó 40.4).

VII. “Mas o próprio Jó, longe de mencionar a sua perfeição, diz: Agora os meus olhos te veem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza (Jó 42.5-6).” E isso refuta a nossa doutrina? Não afirmamos que a nossa perfeição admite um crescimento contínuo, e que o arrependimento perfeito e a humildade perfeita são partes essenciais dela? Essas palavras de Jó, portanto, longe de derrubar a nossa doutrina, provam que a perfeição do homem paciente cresceu, e que, do alto da perfeição do gentilismo, ele viu o dia da perfeição cristã e provou um pouco daquilo por que o sr. Wesley ora quando canta:

Original Tradução
O let me gain perfection’s height, &c. Ó, que eu alcance a altura da perfeição! etc.
Confound, o’erpow’r me with thy grace; Confunde-me, domina-me com a tua graça;
I would be by myself abhorr’d; quisera ser por mim mesmo abominado;
All might, all majesty, all praise, todo poder, toda majestade, todo louvor,
All glory be to Christ my Lord! toda glória seja a Cristo, meu Senhor!

[N. do T.: Charles Wesley, Hymns for Those to Whom Christ is All in All (1761), hino LIV, estrofes 7 (primeiro verso) e 6.]

VIII. Quanto às palavras: As estrelas não são puras; nem os céus são puros aos seus olhos; aos seus anjos atribui imperfeições (Jó 25.5; 15.15; 4.18) [N. do T.: a edição de 1792 imprime “Jó 23.5”], devemos considerá-las uma prova de que a perfeição absoluta pertence só a Deus; verdade esta que nós ensinamos tanto quanto os nossos opositores. Além disso, se tais passagens derrubassem a doutrina da perfeição, derrubariam principalmente a doutrina da perfeição angélica, que o sr. Hill sustenta tanto quanto nós. Para concluir:

IX. Quando Jó pergunta: Que é o homem, para que seja puro? (Jó 15.14); Como pode ser puro aquele que nasce de mulher? (Jó 25.4); Quem poderá tirar coisa pura daquilo que é impuro?, e quando responde: Ninguém! (Jó 14.4), quer dizer ninguém que fique aquém do poder infinito. Se ele excluísse Emanuel, Deus conosco (Mt 1.23), eu apontaria imediatamente para aquele que disse: Quero, fique limpo! (Mt 8.3); e para os crentes que declaram: Tudo podemos em Cristo, que nos fortalece (cf. Fp 4.13), e que, de acordo com isso, se purificam de toda impureza, tanto da carne como do espírito (2Co 7.1), para que ele os encontre sem mácula e sem culpa (2Pe 3.14). Sim, eu apontaria para o pobre leproso que tem fé bastante para dizer: “Senhor, se quiseres, podes me purificar (Mt 8.2). Dizem-me que a minha lepra deve apegar-se a mim até que a morte derrube esta morada de barro; mas a fé fala outra língua: dize somente a palavra: Fica limpo, e eu serei purificado (cf. Mt 8.8; 8.3). Purifica-me com hissopo (Sl 51.7), asperge água pura sobre mim, e ficarei limpo de todas as minhas impurezas (cf. Ez 36.25).”

Se essas observações são justas, não fica evidente que é tão absurdo apunhalar a perfeição cristã pelos flancos de Jó, de Isaías e de Salomão quanto pôr Pedro, Paulo, Tiago e João a “cortá-la pela raiz e pelos ramos”?

Notas de Fletcher

1. Se o sr. Hill consultar o original, verá que a palavra traduzida por peque está no tempo futuro, que muitas vezes se usa por um tempo indefinido do modo potencial, porque os hebreus não têm esse modo nem esse tempo. Por isso os nossos tradutores apenas teriam feito justiça ao original, e também ao contexto, se tivessem traduzido a oração inteira assim: Não há ninguém que não possa pecar; em vez de: Não há ninguém que não peque.

Tradução para o português a partir de John Fletcher, The Last Check to Antinomianism. A Polemical Essay on the Twin Doctrines of Christian Imperfection and a Death Purgatory, 4ª edição, Londres, 1792 (exemplar digitalizado no Internet Archive), conferida com a edição das Obras de Fletcher publicada em Nova York; domínio público. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.