John Fletcher · O Último Freio ao Antinomianismo · Seção XVI

Pecados e fraquezas inocentes

O sr. Hill objeta que a distinção entre pecados e fraquezas [falando segundo o evangelho] inocentes é uma distinção licenciosa, derivada da Igreja de Roma. O autor mostra que ela é verdadeiramente bíblica e que os calvinistas judiciosos e a Igreja da Inglaterra a sustentam. Ele traça a linha entre pecados e fraquezas inocentes. Uma visão dos extremos a que os rígidos perfeccionistas pelagianos e os rígidos imperfeccionistas calvinistas correram, para leste e para oeste, afastando-se da linha evangélica de uma perfeição sem pecado no sentido evangélico. Resposta ao grande argumento do sr. Henry em favor da continuação do pecado que habita em nós. Conclusão da parte argumentativa deste Ensaio.

PROVAMOS na seção anterior que a doutrina de uma perfeição sem pecado no sentido evangélico é verdadeiramente bíblica, pois está inseparavelmente ligada aos maiores e mais excelentes preceitos do Antigo e do Novo Testamento e às mais evangélicas e temíveis sanções de Moisés e de Jesus Cristo. Isso bastaria para mostrar que a nossa doutrina da perfeição não pode ser chamada de papista ou pelagiana com mais candura do que a doutrina da Trindade poderia ser marcada com esses epítetos porque Pelágio e o papa a abraçam. Se, para sermos bons protestantes, fôssemos obrigados a renunciar a tudo o que os judeus, os turcos e os infiéis sustentam, teríamos de renunciar ao Antigo Testamento, porque os judeus o reverenciam; teríamos de renunciar à unidade de Deus, porque os maometanos a defendem; e até teríamos de renunciar à simples humanidade, porque todos os infiéis a aprovam. Peço licença, porém, para me deter mais um momento na objeção do sr. Hill de que o papa sustenta a nossa doutrina.

Quando este cavalheiro esteve em Roma, há de se lembrar de que o seu cicerone lhe mostrou, na antiga igreja de São Paulo Extramuros [se me lembro bem do nome], os retratos de todos os papas, desde são Pedro, Lino, Cleto e Clemente até o papa que então ocupava o que se chama “a cadeira de são Pedro”. Segundo esta visão do papado, o sr. Hill certamente tem razão; pois, se ele voltar à Seção V, verá que Pedro, o primeiro papa [assim chamado], era um perfeccionista completo; e, se Clemens, ou são Clemente [cooperador de Paulo], foi realmente o quarto papa, é certo que ele também sustentava a nossa doutrina, tanto quanto Pedro e Cristo; pois escreveu aos coríntios: “Pelo amor foram todos os eleitos de Deus aperfeiçoados. Os que foram aperfeiçoados no amor estão na morada dos justos e aparecerão na glória. Felizes, pois, somos nós, se cumprirmos os mandamentos de Deus na unidade do amor. Seguindo os mandamentos de Deus, eles não pecam.” São Clemente, Epístola aos Coríntios. Este glorioso testemunho que são Clemente dá à doutrina da perfeição poderia ser apoiado por muitas citações correspondentes dos outros Pais. Mas, como isso incharia demais este Ensaio, apresentarei apenas uma, que é tanto mais notável por ser tirada do terceiro Diálogo de são Jerônimo contra Pelágio, o perfeccionista rígido e exagerado: “Hoc et nos dicimus, posse hominem non peccare, si velit, pro tempore, pro loco, pro imbecillitate corporea, quamdiu intentus est animus, quamdiu chorda nullo vitio laxatur in cithara.” Isto é: Também nós [que nos opomos às noções de Pelágio sobre a perfeição adâmica] sustentamos que, considerando o nosso tempo, o lugar e a fraqueza corporal, podemos evitar o pecado, se quisermos, enquanto a nossa mente estiver aplicada a isso e a corda da nossa harpa [isto é, da nossa resolução cristã] não for afrouxada por nenhuma falta voluntária.

Quando leio estes benditos testemunhos em favor da verdade que defendemos, a minha mente, satisfeita, voa para Roma, e estou pronto a dizer: Salve, santos papas e Pais, perfeitos servos do meu perfeito Senhor! Ambiciono partilhar com vocês os nomes de “arminiano, pelagiano, papista, monstro temporário e ateu mascarado”. Publico ao mundo a minha firme resolução de seguir vocês e qualquer dos seus sucessores que tenham praticado e ensinado os mandamentos de Cristo (cf. Mt 5.19). E lavro o meu protesto contra os erros dos ministros que ensinam que a lei de Cristo é impraticável, que o pecado deve habitar em nosso coração enquanto vivermos e que devemos continuar a quebrar os preceitos do Senhor no nosso íntimo até a morte.

Encerrarei a minha resposta a este argumento do sr. Hill com uma citação das Observações sobre o Exame, do sr. Wesley: “Ela [a nossa doutrina da perfeição cristã] foi condenada pelo papa e por todo o seu conclave, ainda neste século. Na famosa bula Unigenitus, eles condenam totalmente o ato ininterrupto [de fé e amor de que alguns falavam, de alegrar-se, orar e dar graças continuamente] como terrível heresia.” Se temos Pedro e Clemente do nosso lado, estamos dispostos a deixar o sr. Hill abrigar a sua doutrina por trás do papa que expediu a bula Unigenitus e, se ele quiser, também por trás do papa atual.

Contudo, diz o sr. Hill: “A distinção entre pecados e fraquezas inocentes é derivada da igreja romana.”

Resposta. (1) Alegramo-nos se a igreja de Roma nunca foi tão irracional, nem tão iludida por papas antinomianos, a ponto de confundir um pensamento involuntário e errante, um engano não intencional e um lamentado acesso de sonolência durante a oração com o adultério, o homicídio e o incesto, a fim de apresentar a lei mediadora de Cristo como absolutamente impraticável e de insinuar que os crentes caídos que de fato cometem os crimes acima mencionados são filhos queridos de Deus, tanto quanto os crentes obedientes que padecem das fraquezas acima descritas.

(2) Entendemos que o sr. Hill e os teólogos que abraçaram os erros do dr. Crisp estão entre as últimas pessoas do mundo por quem possamos, com decência, ser acusados de sustentar doutrinas “licenciosas”. E lamentamos sinceramente que alguns protestantes se dediquem a corromper aquela parte do evangelho que (se crermos no sr. Hill) o próprio papa modestamente poupou.

(3) O sr. Hill poderia, com muito mais propriedade, ter objetado que a nossa distinção é derivada da igreja judaica; pois “o velho patife”, como alguns solifidianos temerariamente chamaram Moisés, fazia evidentemente distinção entre pecado e fraquezas. Ele punia com a morte, com morte imediata, com a mais terrível espécie de morte, um ousado profanador do sábado e um rebelde audacioso. A linguagem do seu zelo ardente parecia ser a de Davi: Não te compadeças de nenhum dos que traiçoeiramente praticam a iniquidade (Sl 59.5). Mas aos que contraíam acidentalmente alguma impureza involuntária ele não infligia outro castigo senão o de ficarem separados da congregação até a tarde (cf. Dt 23.10-11). Se o sr. Hill considerar a diferença entre esses dois castigos, terá de dar lugar à perversidade ou confessar que os pecados voluntários e as fraquezas involuntárias não eram confundidos, à maneira calvinista, pelo Mediador da antiga aliança; e que o próprio Moisés fez uma distinção racional e evangélica entre a mancha dos filhos de Deus e a mancha da geração perversa e deformada (Dt 32.5). [N. do T.: a edição de 1792 imprime “Dt 32.4”. A NAA traduz o versículo de outro modo: “já não são seus filhos, e sim suas manchas; é geração perversa e deformada”.]

(4) Que Cristo, o equitativo e gracioso Mediador da nova aliança, não foi menos misericordioso que o severo Moisés quanto à distinção que defendemos, parece-nos evidente pela grande diferença que ele fez entre a sonolência quase involuntária dos onze discípulos no Getsêmani e a vigilância maliciosa do traidor Judas. Sobre a falta daqueles, disse: O espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca (Mt 26.41); e, quanto ao crime deste, declarou: Melhor seria para ele se nunca tivesse nascido! (Mt 26.24).

(5) Davi e Paulo seguiram nisso exatamente a doutrina de Moisés e de Cristo. O salmista diz: Também da soberba guarda o teu servo; que ela não me domine. Então serei irrepreensível; [ou antes, como a palavra significa literalmente no original] serei perfeito e ficarei livre de grande transgressão (Sl 19.13). Daí se vê com evidência que algumas transgressões são incompatíveis com a perfeição pela qual Davi orava, e que alguns erros, ou algumas faltas ocultas [despercebidas, involuntárias], não o são (cf. Sl 19.12).

(6) Isso, a nosso ver, é evidente pelas suas próprias palavras: Bem-aventurado é aquele a quem o Senhor não atribui iniquidade e em cujo espírito não há engano [ainda que possa haver algumas impropriedades nas suas palavras e ações] (Sl 32.2). O sentido de Davi pode ser ilustrado pelo conhecido caso de Natanael. Filipe lhe disse: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na Lei [prova clara, diga-se de passagem, de que a lei muitas vezes significa o evangelho judaico, que dá testemunho do Cristo que havia de vir]: Jesus, o Nazareno. Então Natanael perguntou: De Nazaré pode sair alguma coisa boa? (Jo 1.45-46). Eis aqui uma falta involuntária, uma citação imprópria de uma expressão proverbial; e, no entanto, como ele a citou com boa intenção e para abrir caminho a uma investigação louvável sobre a notícia que ouvira, o seu erro era compatível com a perfeição: ele continuou livre de grande [voluntária] transgressão. Provo-o: (1) Pela sua conduta. Filipe respondeu: Venha ver! E ele foi imediatamente, sem mostrar o menor grau da rigidez presunçosa, do orgulho carrancudo e da resistência rabugenta que sempre acompanham o preconceito sem amor pelo qual se transgride a lei de Cristo. E (2) Pelo testemunho de nosso Senhor: Jesus viu Natanael se aproximar e disse a respeito dele: Eis um verdadeiro israelita, em quem não existe fingimento algum! (Jo 1.47), isto é, nenhuma mistura de pecado que habita em nós. A palavra que nosso Senhor usa, no original, para fingimento é dolos, a mesma palavra que, unida também a uma partícula negativa, forma o epíteto adolos, com que são Pedro designa a pureza sem adulteração da palavra de Deus, que ele compara ao leite genuíno, ou perfeitamente puro (1Pe 2.2). Daí concluo que, sendo testemunha o próprio Cristo, [falando segundo o evangelho] não havia mais pecado que habita em nós em Natanael do que há na pura palavra de Deus; e que este é o feliz estado de todos os que merecem plenamente o glorioso título de verdadeiro israelita, que nosso Senhor concedeu publicamente a Natanael. Mas voltemos ao assunto.

(7) Se fazer distinção entre pecados e fraquezas torna alguém meio papista, é evidente que são Paulo não estava menos tingido de papismo [assim chamado] do que Davi, Moisés e Jesus Cristo; pois ele escreve a Timóteo: Quanto aos que vivem no pecado, repreenda-os na presença de todos, para que também os demais temam (1Tm 5.20). E, no entanto, escreve aos romanos: Nós que somos fortes temos de suportar as debilidades dos fracos (Rm 15.1). [N. do T.: onde a NAA diz “debilidades”, a versão inglesa usada por Fletcher diz “infirmities”, a palavra que nesta obra se traduz por “fraquezas”.] Eis aqui duas ordens claras: a primeira, não tolerar os pecados; a segunda, suportar as fraquezas. Demonstração esta de que há uma diferença essencial entre pecados e fraquezas, e de que essa diferença é perceptível aos outros, e muito mais a nós mesmos. Mais ainda: na maioria dos casos, ela é tão discernível aos que têm os sentidos espirituais devidamente dispostos que eles podem distinguir entre pecados [propriamente ditos] e fraquezas com a mesma facilidade com que um juiz sábio distingue entre morte acidental e homicídio voluntário; ou entre passar sem saber um guinéu falso, com a bondosa intenção de socorrer os pobres, e cunhá-lo traiçoeiramente, com o desígnio velhaco de fraudar o público. A diferença entre o sol e a lua não é mais notável no mundo natural do que a diferença entre pecados e fraquezas no mundo moral. Ainda assim, o preconceito cego provavelmente continuará a confundi-los, para obscurecer o conselho (cf. Jó 38.2) e levantar uma nuvem de poeira lógica, a fim de que o antinomianismo [a Diana dos imperfeccionistas] possa escapar e salvar o pecado que habita em nós, que é a garra do leão infernal, o dente do velho dragão, o anzol de Satanás e o ferrão mortal do rei dos terrores.

(8) Calvinistas judiciosos viram a propriedade da distinção pela qual somos apresentados como protestantes de doutrina duvidosa. Dentre muitos que eu poderia mencionar, citarei apenas um que, pela sua piedade, sabedoria e moderação, é uma honra para o calvinismo: refiro-me ao rev. sr. Newton, ministro de Olney. Nas suas Cartas sobre assuntos religiosos, p. 199, ele faz esta franca confissão: “A experiência dos anos passados me ensinou” [e espero que algum dia ensine também os nossos outros opositores] “a distinguir entre ignorância e desobediência. O Senhor é gracioso para com a debilidade do seu povo: muitos enganos involuntários não interromperão a comunhão deles com ele. Ele se compadece da sua fraqueza e os ensina a fazer melhor. Mas, se eles contestarem a sua vontade conhecida e agirem contra os ditames da consciência, certamente sofrerão por isso. O pecado voluntário embaraça e retarda tristemente o nosso progresso.” Aqui está, se não me engano, uma distinção clara, feita por um verdadeiro protestante, entre a desobediência ou pecado voluntário e a debilidade, os enganos involuntários ou a fraqueza.

(9) Se o sr. Hill não fizer caso da autoridade do sr. Newton, peço-lhe que mostre algum respeito pela autoridade da nossa igreja e pelo sentido das suas próprias orações. Se não há absolutamente nenhuma diferença entre pecados voluntários, negligências involuntárias e ignorâncias inevitáveis, por que a nossa igreja os distingue, quando nos manda orar na ladainha que seja do agrado de Deus perdoar-nos todos os nossos pecados, negligências e ignorâncias? Se essas três palavras têm um só significado, não deveria o sr. Hill omitir as duas últimas, como tautologia ridícula? Ou, pelo menos, para afastar da nossa igreja a suspeita de papismo, não deveria ele orar todos os domingos para que Deus nos perdoe todos os nossos pecados, pecados e pecados!

Das nove observações e citações precedentes se vê, se não me engano, que a nossa importante distinção entre pecado voluntário e fraquezas, ou ofensas involuntárias, recomenda-se à razão e à consciência; que é sustentada pela lei de Moisés e pelo evangelho de Cristo, pelos salmos de Davi e pelas epístolas de são Paulo, pelos escritos de calvinistas judiciosos e pela liturgia da nossa igreja. Portanto, é tão absurdo chamá-la de distinção papista, porque os papistas não são insensatos a ponto de rejeitá-la, quanto seria absurdo chamar a doutrina da divindade de Cristo de ensino de demônios (cf. 1Tm 4.1), porque os demônios o reconheceram como o Filho de Deus e o seu Senhor onipotente.

Se o sr. Hill replicar que, se essa distinção não pode com propriedade ser chamada papista, merece ser chamada “antinomiana” e “licenciosa”, porque favorece todos os que dão aos seus pecados mais grosseiros o nome suave de fraquezas inocentes, respondemos: (1) Ficou provado que Moisés e Jesus Cristo sustentaram essa distinção; portanto, chamá-la antinomiana e licenciosa é chamar não só Cristo, o Santo de Deus, mas até o “legalista” Moisés, de antinomiano e defensor da licenciosidade. Vejam a que levam esses refinamentos calvinistas! (2) Os que abusam da doutrina da distinção entre pecados e fraquezas abusam igualmente da doutrina da misericórdia de Deus e da importante distinção entre os dias de trabalho e o dia do Senhor. Mas será isso prova de que as doutrinas da misericórdia de Deus e da distinção entre o dia do Senhor e os outros dias são “princípios licenciosos, contra os quais todos os que querem bem à causa do protestantismo deveriam protestar em bloco”?

Se o sr. Hill tentar embaraçar-nos dizendo: “Onde vocês traçarão a linha entre os pecados voluntários e as [falando segundo o evangelho] fraquezas inocentes?”, respondemos sem o menor embaraço: onde Moisés e os Profetas a traçaram no Antigo Testamento; onde Cristo e os apóstolos a traçaram no Novo; e onde nós a traçamos, depois deles, nestas páginas. E, devolvendo a pergunta para mostrar a sua frivolidade, perguntamos: Onde o sr. Hill traçará a linha entre a observância livre e evangélica do dia do Senhor e a guarda supersticiosa e farisaica do sábado; ou entre a fé fraca, que salva, e a incredulidade voluntária? Mais ainda: segundo os seus princípios, onde ele a traçará até mesmo entre uma obra boa e uma obra má, se todas as nossas boas obras são de fato esterco, escória e trapos de imundícia (cf. Fp 3.8; Is 64.6)?

Contudo, como a questão é importante, darei a ela uma resposta mais particular. Uma fraqueza é uma transgressão da lei de perfeição paradisíaca dada a Adão, que o nosso Deus da aliança não exige de nós agora; e [falando segundo o evangelho] um pecado, para os cristãos, é uma transgressão da lei evangélica de Cristo, a lei da perfeição cristã: perfeição esta que Deus exige de todos os crentes cristãos. Uma fraqueza [considerada com o erro que ela ocasiona] é compatível com o amor puro a Deus e ao homem; mas um pecado é incompatível com esse amor. Uma fraqueza é livre de engano e tem a sua raiz na nossa constituição animal; mas um pecado vem acompanhado de engano e tem a sua raiz na nossa constituição moral, brotando ou da corrupção habitual do nosso coração ou da perversão momentânea das nossas disposições. Uma fraqueza resulta inevitavelmente das nossas circunstâncias infelizes e das desventuras necessárias do nosso estado presente; mas um pecado procede da escolha evitável e perversa da nossa própria vontade. Uma fraqueza tem o seu fundamento numa falta involuntária de poder; e um pecado, num abuso voluntário da luz e do poder que temos no presente. Aquela nasce da ignorância e da fraqueza involuntárias e vem sempre acompanhada de uma boa intenção, intenção sem mistura de nenhum desígnio mau nem de preconceito perverso; mas este tem a sua fonte na perversidade e na presunção voluntárias e vem sempre acompanhado de uma intenção inteiramente má ou, quando muito, de uma boa intenção fundada em preconceitos perversos. Se a esta linha o leitor imparcial acrescentar a linha que traçamos [Seção VI.] entre a perfeição de um gentio, a de um judeu e a de um cristão, não se enganará facilmente ao julgar entre os pecados voluntários, que são incompatíveis com uma perfeição sem pecado no sentido evangélico, e as fraquezas inocentes, que são compatíveis com essa perfeição.

Confundir o que Deus dividiu e dividir o que o Deus da verdade uniu são os dois principais estratagemas do deus do erro. O primeiro ele usou sobretudo para eclipsar ou obscurecer a doutrina da perfeição cristã. Por meio dos seus instrumentos, confundiu continuamente a lei sem Cristo, de perfeita inocência, dada a Adão antes da queda, e a lei mediadora e evangélica da fé penitente, sob a qual os nossos primeiros pais foram postos quando Deus lhes prometeu o descendente da mulher (cf. Gn 3.15): o manso Legislador, o Príncipe da paz, o brando Rei dos judeus, que não esmaga a cana quebrada, nem apaga o pavio que fumega (Mt 12.20), mas compassivamente tempera as doutrinas da justiça com as doutrinas da graça e, em lugar da lei da inocência [que ele guardou e tornou gloriosa por nós], pôs a sua própria lei evangélica de arrependimento, fé e obediência ao evangelho. Essa lei é de fato guardada, segundo uma ou outra das suas várias edições, por todos os justos aperfeiçoados (Hb 12.23), isto é, por todas as virgens prudentes, que estão preparadas para o clamor da meia-noite e para as bodas do Cordeiro (cf. Mt 25.6-10).

Daí se vê que Pelágio e Agostinho tinham ambos razão em algumas coisas e erravam num ponto capital. Pelágio, o pai dos perfeccionistas rígidos e dos defensores rígidos do livre-arbítrio, afirmava que a lei de Cristo podia ser guardada e que guardar essa lei era toda a perfeição que ela exige. Até aí Pelágio tinha razão, pois tinha do seu lado a razão, a consciência e a Escritura. Mas enganou-se grosseiramente, se confundiu a lei mediadora de Cristo com a lei de perfeição paradisíaca. Este foi o seu erro capital, que o levou a negar o pecado original e a exaltar as forças humanas de modo tão excessivo que chegou a insinuar que, pelo uso fiel e diligente delas, o homem pode ser tão inocente e tão perfeito quanto Adão era antes da queda.

Por outro lado, Agostinho, o pai dos imperfeccionistas rígidos e dos defensores rígidos da vontade cativa, sustentava que, estando as nossas forças naturais muito enfraquecidas e depravadas pela queda, não podemos, com todos os auxílios que o evangelho oferece, guardar a lei da inocência; isto é, pensar, falar e agir sempre com aquela exatidão e propriedade que convinham ao homem imortal, quando Deus o declarou muito bom no paraíso (cf. Gn 1.31). Ele afirmava que toda impropriedade de pensamento, de linguagem ou de comportamento é uma transgressão da lei de perfeição sob a qual Deus pôs o homem inocente no jardim do Éden; e provava que toda transgressão dessa lei é pecado e que, por conseguinte, não pode haver nesta vida perfeição adâmica e paradisíaca. Até aí Agostinho tinha toda a razão; até aí a razão e a Escritura apoiam a sua doutrina; e até aí a igreja lhe deve gratidão por ter feito frente a Pelágio. Mas enganou-se muito quando aboliu a diferença essencial que há entre a lei de estrita justiça do nosso Criador e a lei mediadora do nosso Redentor, lei de justiça temperada com graça e misericórdia. Daí concluiu que não há absolutamente como guardar a lei e, por conseguinte, como prestar nenhuma obediência perfeita nesta vida, e que temos de pecar enquanto permanecermos no corpo. Assim, enquanto Pelágio tornava os cristãos adultos tão perfeitamente sem pecado quanto Adão era no paraíso, Agostinho os tornava tão completamente pecadores que cada um deles teria necessariamente de passar por um purgatório da morte, clamando: “Vejo nos meus membros outra lei que me faz prisioneiro da lei do pecado (Rm 7.23). O pecado habita em mim (Rm 7.17). Segundo a carne, sou escravo da lei do pecado (Rm 7.25). Sou carnal, vendido à escravidão do pecado (Rm 7.14). Miserável homem que sou! Quem me livrará? (Rm 7.24)”

A doutrina da Escritura que defendemos fica a igual distância desses extremos de Pelágio e de Agostinho. Rejeita, com Agostinho, a perfeição adâmica que Pelágio absurdamente defendia; e repudia, com Pelágio, a permanência necessária do pecado que habita em nós e da escravidão carnal, que Agostinho não menos absurdamente sustentava. Assim, os crentes adultos ainda são pecadores, ainda são imperfeitos, segundo a justa lei da inocência e da perfeição paradisíacas; e, no entanto, são verdadeiramente santos e perfeitos segundo a graciosa lei da justificação e da perfeição evangélicas: lei esta que considera retos e perfeitos todos os pagãos, judeus e cristãos piedosos que são sem engano nos seus respectivos apriscos, ou sob as suas várias dispensações. Assim, defendendo ainda as várias edições da lei mediadora de Cristo, que às vezes ficou quase sepultada sob montes de erros farisaicos e antinomianos, defendemos ainda a religião prática. E, assim como em As Balanças da Escritura, provando o casamento evangélico da GRAÇA LIVRE com o LIVRE-ARBÍTRIO, reconciliamos Zelotes e Honesto quanto à fé e às obras, assim neste Ensaio, provando a união evangélica das doutrinas da graça e da justiça na lei branda e justa do nosso Redentor, reconciliamos Agostinho e Pelágio e os obrigamos a abandonar a razão e a Escritura ou a renunciar aos erros monstruosos que os mantêm separados. Refiro-me aos erros profundos e antinomianos de Agostinho quanto ao pecado que habita em nós e a um purgatório da morte; e aos erros altivos e farisaicos de Pelágio quanto à perfeição adâmica e a uma completa libertação da degeneração original.

O método que usamos para realizar essa reconciliação é muito simples e uniforme. Mantivemos equilibradas as nossas Balanças da Escritura e usamos sem preconceito todos os pesos do santuário, especialmente aqueles que os moralistas lançam fora como calvinistas e antinomianos, e aqueles que os solifidianos rejeitam como mosaicos e legalistas. Assim, equilibrando por igual os dois axiomas do evangelho, reunimos as doutrinas da graça e da justiça, que o exaltado Agostinho e o exaltado Pelágio separaram; e distinguimos a lei evangélica do nosso Redentor da lei paradisíaca do nosso Criador, duas leis distintas que esses ilustres antagonistas confundiram. E lisonjeamo-nos de que, por este meio sem artifício, se dá mais um passo para trazer os dois evangelhos parciais do nosso tempo ao antigo padrão do único e completo evangelho de Jesus Cristo.

Terminei de expor o nosso plano de reconciliação; mas os discípulos de Agostinho, reunidos sob Calvino, não terminaram de atacá-lo. Espero ter respondido às objeções do sr. Hill, do sr. Toplady e do sr. Martin contra a perfeição evangélica que defendemos; mas outro teólogo notável da mesma persuasão vem em socorro deles. É o reverendo sr. Matthew Henry, que merecidamente alcançou grande nome entre os calvinistas pela sua valiosa Exposição da Bíblia em cinco volumes in-fólio. Essa enorme peça de artilharia carrega uma bala pesada, que ameaça o próprio coração do nosso evangelho sem pecado. É tarde demais para tentar uma fuga brusca e silenciosa. Que o sr. Henry dispare, então. Se a nossa doutrina de uma perfeição sem pecado no sentido evangélico está fundada sobre a rocha, ela ficará de pé; a bala pesada, que parece prestes a demoli-la, ricocheteará contra a doutrina do pecado que habita em nós; e o estandarte da liberdade cristã que agitamos será mais respeitado do que nunca.

“A corrupção [diz esse ilustre opositor] é deixada no coração dos bons cristãos para que aprendam a guerra, conservem vestida toda a armadura de Deus e estejam continuamente em guarda.” “Assim a corrupção é expulsa do coração dos crentes pouco a pouco. A obra da santificação é levada adiante gradualmente; mas esse juízo será, por fim, conduzido a uma vitória completa.” Isto é, quando a morte vier em auxílio do sangue expiatório e do poder do Espírito. Que essa é a doutrina do sr. Henry fica evidente pelo seu comentário sobre Gl 5.17: “Num homem renovado, onde há algo de um bom princípio, há uma luta entre etc. os restos do pecado e os começos da graça; e os cristãos devem esperar que esse seja o seu exercício enquanto continuarem neste mundo”; ou, para falar de modo mais inteligível, até que entrem no purgatório da morte.

Sem mencionar aqui novamente Gl 5.17 etc., o sr. Henry constrói essa doutrina desconsoladora sobre o seguinte texto: O Senhor, seu Deus, expulsará estas nações, pouco a pouco, de diante de vocês. Vocês não poderão destruí-las todas de uma só vez, para que as feras do campo não se multipliquem contra vocês (Dt 7.22). E nos dá a entender que “o orgulho, a falsa segurança e outros pecados” são “inimigos mais perigosos do que as feras do campo, os quais tenderiam a se multiplicar” contra nós, se Deus nos livrasse do pecado que habita em nós, isto é, dos restos do orgulho, da segurança carnal e de outros pecados. Essa exposição é reforçada por um apelo ao seguinte texto: São estas as nações que o Senhor deixou ficar para, por meio delas, pôr Israel à prova… para saber se [os israelitas] dariam ouvidos aos mandamentos do Senhor (Jz 3.1,4). Veja a Exposição do sr. Henry sobre essas passagens.

A isso respondemos: (1) É absurdo construir a imponente doutrina de um purgatório da morte sobre uma alusão histórica. Se tais alusões fossem provas, poderíamos facilmente multiplicar os nossos argumentos. Poderíamos dizer que o pecado há de ser totalmente destruído, porque Moisés diz: O Senhor entregou em nossas mãos Ogue e todo o seu povo; lutamos contra ele, até que não sobrasse ninguém (cf. Dt 3.3); porque Josué derrotou Horão, rei de Gezer, e o seu povo, sem deixar nem sequer um (Js 10.33) [N. do T.: a edição de 1792 imprime “Dt 3.33”.]; porque Saul recebeu ordem de destruir totalmente esses pecadores, os amalequitas (cf. 1Sm 15.18), e perdeu a coroa por poupar o rei deles; porque, quando Deus derrubou Faraó e todo o seu exército, nem ao menos um deles escapou com vida (Êx 14.28); porque, quando Deus fez chover fogo sobre Sodoma e Gomorra, destruiu todos os [ímpios] moradores das cidades (Gn 19.25); e porque Moisés diz: Peguei o pecado de vocês, aquele bezerro que vocês tinham feito, o queimei e o esmaguei, moendo-o bem, até que se desfez em pó; e o pó eu joguei no ribeiro (Dt 9.21). Mas nos envergonharíamos de construir a doutrina da perfeição cristã sobre um fundamento tão absurdo e tão frágil. E, no entanto, tal fundamento seria muito mais sólido do que aquele sobre o qual o sr. Henry constrói a doutrina da imperfeição cristã e da permanência necessária do pecado nos crentes mais santos; pois

(2) Antes de permitir que os cananeus ficassem na terra, Deus tinha dito: “Quando vocês tiverem passado o Jordão, devem expulsar da frente de vocês todos os moradores da terra, destruir todas as pedras com figura…; porque eu lhes dei esta terra, para que vocês tomem posse dela… Porém, se não expulsarem os moradores da terra, então os que vocês deixarem ficar serão para vocês como espinhos nos olhos e como aguilhões nas costas e eles os perturbarão na terra em que vocês irão morar. E farei com vocês o que pensei fazer com eles” (Nm 33.51-56). Daí se vê que o fato de os cananeus terem sido poupados foi um castigo infligido aos israelitas, bem como um favor concedido aos cananeus, alguns dos quais [como Raabe e os gibeonitas] provavelmente se converteram ao Senhor e, como criaturas de Deus, gozaram da sua misericórdia salvadora na terra prometida. Mas será o pecado que habita em nós uma das criaturas de Deus, para que Deus lhe mostre algum favor e recuse o seu auxílio aos crentes fiéis que estão decididos a não lhe dar trégua? Pode o pecado que habita em nós converter-se a Deus, como podiam os cananeus que habitavam a terra, e como alguns deles sem dúvida se converteram?

(3) Mas as falhas capitais do argumento do sr. Henry são, a meu ver, duas suposições cujo absurdo salta aos olhos. “A corrupção [diz ele] é deixada no coração dos bons cristãos para que aprendam a guerra, conservem vestida toda a armadura de Deus e estejam continuamente em guarda.” Como se Cristo não tivesse aprendido a guerra, conservado vestida a couraça da justiça e estado continuamente em guarda sem a ajuda do pecado que habita em nós! Como se o mundo, o diabo, a fraqueza da carne e a morte, o nosso último inimigo (cf. 1Co 15.26), contra os quais o nosso Senhor lutou tão duramente, não fossem adversários bastante poderosos para nos pôr à prova, para nos levar a aprender a guerra e para nos fazer conservar vestida e usar toda a armadura de Deus (Ef 6.11) até o fim da nossa vida! A outra suposição absurda é que “o orgulho, a falsa segurança e outros pecados” [que se supõe serem prefigurados pelas feras mencionadas em Dt 7.22] se multiplicarão contra nós pela destruição do pecado que habita em nós. Mas não é tão ridículo supor isso como dizer: “O orgulho se multiplicará contra nós pela destruição do orgulho; e a segurança carnal ganhará força pela extirpação da segurança carnal e pela implantação da vigilância constante, que é um ramo da perfeição cristã pela qual lutamos”?

(4) Quanto à conclusão que o sr. Henry tira destas palavras: Vocês não poderão destruí-las todas de uma só vez; o Senhor as expulsará de diante de vocês pouco a pouco (cf. Dt 7.22), não é também altamente absurda? Dá ele a sombra de um argumento para provar que esse versículo foi dito acerca das corrupções que habitam em nós? E, supondo que fosse, provaria isso que a doutrina do purgatório da morte é verdadeira? Você diz a uma pessoa gulosa: “Você precisa comer o seu jantar pouco a pouco; não pode engoli-lo de um só bocado.” Um lavrador ensina o filho a arar e diz: “Não podemos arar este campo de uma só vez, mas podemos ará-lo pouco a pouco”, isto é, abrindo um sulco depois do outro, até terminarmos o último sulco. Daí tiro as seguintes conclusões: comemos as nossas refeições e aramos os nossos campos pouco a pouco; portanto, nenhum jantar pode ser comido e nenhum campo arado antes da morte. Um cirurgião diz que a cura de uma ferida “é levada adiante gradualmente”; daí o seu ajudante, cheio de preconceito, conclui às pressas que nenhuma ferida pode ser curada enquanto o paciente estiver vivo. Quem não vê a falha dessas conclusões?

(5) Mas o maior absurdo, a meu ver, ainda está por vir. Sem observar que não nos lembramos de ter lido na nossa Bíblia nenhuma ordem de não destruir o pecado de uma só vez, nem nenhuma declaração de que Deus o expulsará somente “pouco a pouco”, perguntamos: que espaço de tempo você supõe que Deus tem em vista? Você o faz dizer que ele acabará com o pecado que habita em nós pouco a pouco; você pensa que ele se refere a quatro dias, quatro anos ou oitenta anos? Se você diz que Deus não pode ou não quer purificar inteiramente os pensamentos do nosso coração em menos de oitenta anos, manda para o inferno todos os que morrem antes dessa idade, ou para algum purgatório onde terão de esperar até que se completem os oitenta anos do seu conflito com o pecado que habita em nós. Se você diz que Deus pode ou quer fazê-lo em quatro dias, mas não em menos, supõe absurdamente que o ladrão arrependido ficou pelo menos três dias no paraíso cheio de pecado que habita em nós, visto que a sua santificação devia ser “levada adiante gradualmente” no espaço de quatro dias pelo menos. Se você é obrigado a admitir que, quando as palavras pouco a pouco se aplicam à destruição do pecado que habita em nós, podem significar quatro horas [o tempo que o ladrão arrependido provavelmente viveu depois da sua conversão] tanto quanto quatro dias, não começa você a se envergonhar do seu sistema? E, se você responde que só a morte extirpa plenamente o pecado que habita em nós, esse seu dogma favorito não derruba a doutrina do sr. Henry sobre a necessidade da destruição lenta e “gradual” do pecado que habita em nós? Não pode um pecador crer num momento, quando Deus o ajuda a crer? E não pode um crente [que você supõe necessariamente cheio do pecado que habita em nós enquanto estiver neste mundo] morrer num momento? Se você responde negativamente, nega a morte súbita de João Batista, de são Tiago e de são Paulo, cujas cabeças foram cortadas num momento; numa palavra, nega que algum crente possa morrer de repente. Se responde afirmativamente, cede o ponto e admite que o pecado que habita em nós pode ser destruído instantaneamente. E agora, que fim leva o argumento do sr. Henry, que supõe que a santificação nunca pode ser completa sem um processo longo e gradual, e que a extirpação do pecado não pode acontecer senão “pouco a pouco”?

Pus diante de você, leitor, as luzes e as sombras da nossa doutrina: apresentei os nossos argumentos e os dos nossos opositores; e agora diga quais deles trazem a marca da imperfeição. Se você declarar que o Urim e o Tumim (Êx 28.30), a Luz e a Perfeição, pertencem aos argumentos do sr. Hill, do sr. Toplady, do sr. Martin e do sr. Henry, terei de pôr de lado a minha pena e lamentar a infelicidade de termos uma razão que desdiz no meu peito o que diz no seu. Mas, se você achar, depois de madura deliberação, que os nossos argumentos são luz no Senhor (cf. Ef 5.8), por serem mais condizentes com os ditames da razão sem preconceito do que os dos nossos antagonistas, mais conformes às declarações claras dos escritores sagrados, mais aptos a encorajar os crentes no caminho da santidade, mais adequados à natureza da religião imaculada e mais apropriados para manifestar a glória do Redentor, terei o duplo prazer de abraçar a Verdade e de abraçá-la junto com você. Enquanto isso, encerrando aqui a parte argumentativa deste Ensaio, peço apenas que você continue a me dar a sua atenção favorável, enquanto me dirijo de modo prático aos fariseus perfeitos, aos imperfeccionistas preconceituosos, aos crentes imperfeitos e aos cristãos perfeitos.

Tradução para o português a partir de John Fletcher, The Last Check to Antinomianism. A Polemical Essay on the Twin Doctrines of Christian Imperfection and a Death Purgatory, 4ª edição, Londres, 1792 (exemplar digitalizado no Internet Archive), conferida com a edição das Obras de Fletcher publicada em Nova York; domínio público. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.