J. A. Wood · Amor Perfeito · Seções XXIII a XXVI
A acusação de fazer da santidade uma mania, o uso de joias e de roupas caras, o uso do tabaco e as manifestações nos cultos (entusiasmo, brados e quedas).
Fazer da santidade uma mania
187. Como a oposição à santidade costuma manifestar-se entre os professantes?
Muitas vezes, por zombarias e provocações contra os que a defendem e a testemunham. “Ele é um dos santificados.” “Ele faz da santidade uma mania.” Quantas vezes ouvimos essas declarações e outras semelhantes a respeito dos que testemunham e pregam a santidade e insistem com os crentes apenas parcialmente santificados para que avancem em busca da “plenitude da bênção de Cristo” (Rm 15.29). É tão comum ouvir os defensores e as testemunhas da santidade acusados de fazer dela uma mania, e essa acusação me parece tão censurável, que exige um breve comentário.
Admitimos que alguns podem chegar a um extremo injustificável quanto ao assunto da santidade cristã, e cremos que isso é motivo de tristeza para todos os verdadeiros amigos da santidade. A ação inoportuna, insensata e exagerada, pensamos, é prejudicial a qualquer causa. Mesmo assim, creio plenamente que, para cada um que mereça essa acusação nesse assunto, há cinquenta que deixam de obter a bênção e vivem abaixo do seu privilégio e do seu dever. Penso que há sérias objeções a essa acusação, tal como se costuma fazê-la contra os amigos da santidade; e convido você a considerar as seguintes:
1. Fazer da santidade uma mania é, na verdade, algo racional e bíblico. O dr. Webster, que é uma boa autoridade, define “hobby” assim: “Qualquer objeto favorito de busca.” “Aquilo que uma pessoa busca com zelo ou prazer.” No sentido da definição do sr. Webster, todo cristão deveria fazer da santidade a sua mania. Mas esse está longe de ser o sentido em que a palavra costuma ser usada entre nós. No seu sentido próprio, seria antes um elogio do que uma provocação.
2. Dizer que um homem faz da santidade uma mania é o mesmo que dizer que ele faz da religião uma mania. O que é a inteira santificação, ou santidade, senão a religião na plena medida do evangelho? Os que acusam os seus irmãos de fazer da santidade uma mania não querem dizer isso, e deveriam dizer o que querem dizer. Negam estar desferindo golpes contra a santidade e dizem que não se opõem a ela; mas “o Senhor conhece os que lhe pertencem” (2Tm 2.19).
3. Essa acusação respira um espírito de oposição aos ensinos da Disciplina da igreja. A Disciplina diz: “Que o seu lema seja: Santidade ao Senhor.” Isso vai direto ao ponto e é uma boa autoridade.
4. Ela se opõe claramente à declaração dos bispos da Igreja Metodista Episcopal. Eles dizem: “Cremos que o propósito de Deus, ao levantar os pregadores chamados metodistas na América, foi reformar o continente e espalhar a santidade bíblica por estas terras.” Isso foi subscrito por todos os nossos bispos, de Asbury até hoje.
5. Ela é sinal de um coração hostil à teoria wesleyana e à doutrina bíblica da inteira santificação como bênção distinta, a ser recebida depois da regeneração. Que alguém pregue a doutrina wesleyana da perfeição “constante, vigorosa e explicitamente”, e incorrerá na censura desses acusadores dos irmãos.
6. Se não me engano, essa acusação costuma ser feita por aqueles cuja experiência quanto à bênção da inteira santificação é indefinida, incerta e ambígua. Ela vem dos que não andam na luz do amor perfeito e que nem o testemunham nem dão provas de desfrutá-lo.
7. Essa acusação zombeteira serve para silenciar as convicções e os gemidos de muitos que veem e sentem que precisam de um coração puro. É de temer que o grito de “mania” afaste multidões da busca da santidade.
8. O ponto de grande perigo, neste assunto, não é que os homens deem importância demais a ele e exagerem (embora isso possa acontecer), mas que deixem de alcançar o padrão bíblico do privilégio e do dever cristãos. Embora se encontre de vez em quando alguém que exagera, a grande massa o negligencia por completo. E o excesso de ação neste assunto é menos prejudicial do que nenhuma ação a respeito dele, ou do que a oposição a ele. “Mais vale um cão vivo do que um leão morto” (Ec 9.4).
9. Essa acusação é feita hoje principalmente por pessoas de dentro da própria igreja metodista. Houve tempo em que os primeiros pregadores metodistas receberam bastante tratamento desse tipo de fora da igreja metodista. Eram acusados de fazer da “graça livre” e da “plena salvação” uma mania pelos opositores dessas doutrinas em outras igrejas. Agora, enquanto esse tipo de oposição de fora quase cessou, temos oposição em abundância dentro de casa. É assim que deveria ser?
10. A santidade cristã e os seus amigos encontram oposição em abundância nos corações depravados dos não convertidos e nos cristãos professantes que rejeitam inteiramente a doutrina, sem precisar de um fogo de emboscada desse tipo da parte dos que se dizem seus amigos.
Permita-me perguntar, com as palavras de John Wesley: “Por que os seus pregadores têm sido vaiados como cães raivosos, até por homens que temem a Deus, e, mais ainda, por alguns dos seus próprios filhos, alguns dos quais eles, sob Deus, geraram por meio do evangelho?”
O rev. Abel Stevens diz: “Os ministros que testemunham e pregam a santidade têm de enfrentar suspeita, denúncia, ostracismo teológico e eclesiástico.” E pergunta: “Não é tempo de que isso não só seja abandonado, mas encarado com vergonha e arrependimento?”
11. Ela é claramente incompatível com a vida e os princípios dos primeiros metodistas. Como soaria uma provocação dessas nos lábios de John Fletcher, ou de William Bramwell, ou de John Nelson, ou daquele grande e bom homem, John Wesley, que disse: “Portanto, todos os nossos pregadores devem fazer questão de pregar a perfeição aos crentes, constante, vigorosa e explicitamente; e todos os crentes devem dedicar-se a esta única coisa e lutar constantemente por ela”?
Quem jamais leu ou ouviu falar de Wesley ou Fletcher acusando ou repreendendo alguém por fazer da santidade uma mania? Wesley disse a todos os seus pregadores: “Que o seu lema seja: Santidade ao Senhor.” Encerrou a sua seção da Disciplina sobre o “Conteúdo e a Maneira de Pregar” da seguinte forma: “Insistamos vigorosa e cuidadosamente na santidade interior e exterior, em todos os seus ramos.”
Declarou que a santidade é “a doutrina peculiar confiada à nossa guarda”, e por isso sofreu o maior opróbrio. Por essa peculiaridade, o metodismo sempre foi considerado censurável por várias das nossas denominações irmãs.
Wesley nunca acusou nem mesmo George Bell de fazer da santidade uma mania. Repreendeu Bell e outros por extravagâncias danosas, mas nunca por fazer do amor perfeito uma mania.
12. Ela tende a impedir que o assunto da santidade receba no trabalho ministerial o destaque que a sua causa e a sua importância exigem. Muitos dos nossos pregadores sabem que, se seguirem a orientação de Wesley, pregarem uma dúzia de sermões por ano sobre a santidade e insistirem com os crentes para que a busquem, serão vistos como gente que cavalga a mania da santidade. Só Deus sabe se isso leva alguns a pregar sobre o assunto menos do que deveriam e menos do que pregariam de outro modo.
13. A Bíblia dá destaque ao assunto da santidade. Todas as obras normativas do metodismo, a Disciplina e o Hinário, dão destaque a ele. Por que, então, é censurável que um ministro lhe dê destaque no púlpito e no trabalho pastoral? É inegável que multidões no nosso ministério raramente pregam um sermão especificamente sobre o assunto da santidade, embora milhares na igreja estejam apenas parcialmente santificados e a igreja esteja sofrendo por falta de pureza e de poder.
Creio que há uma classe de ministros contemporizadores, que mascam tabaco e fumam charuto, entrando no púlpito, que nem pregam nem desfrutam muita religião, mas estão sempre prontos a lançar essa acusação contra quem quer que testemunhe ou pregue a santidade cristã. Esse fato evidente e infeliz não pode ser atenuado nem escondido pelo grito batido, tolo e vazio de “Agourento!”.
Se me dirijo a alguém assim, permita-me sugerir-lhe as seguintes perguntas:
1. Qual é o grande objetivo do cristianismo? A santidade.
2. Para que Jesus derramou o seu precioso sangue? “Ele deu a si mesmo por nós, a fim de nos remir de toda iniquidade” (Tt 2.14).
3. Qual é a grande necessidade atual da igreja e do mundo? A santidade.
4. O que preparará plenamente os homens para as responsabilidades, provações e deveres do tempo de prova? A santidade.
5. O que constitui o grande requisito para o céu? A santidade.
6. Desfruto eu a bênção da santidade cristã?
7. Quando fui ordenado para a obra do ministério, declarei que estava gemendo por ela. Meus gemidos se transformaram em brados de vitória? Ou ainda estou gemendo? Ou meus gemidos deram lugar à indiferença ou à oposição?
8. Quantas vezes, no ano passado, preguei especificamente sobre o assunto da santidade?
9. Quantos crentes foram conduzidos à luz do amor perfeito sob o meu ministério?
10. Estou seguindo o conselho do sr. Wesley? Faço de “Santidade ao Senhor” (Êx 28.36) o meu lema e “prego a perfeição aos crentes constante, vigorosa e explicitamente”?
11. Se eu e tantos outros não a desfrutamos e quase nos calamos sobre o assunto, devo criticar os que seguem a Disciplina e o conselho de Wesley e procuram fazer o melhor que podem para dar ao assunto o destaque devido e conduzir a igreja de Deus ao seu glorioso privilégio e ao seu dever solene?
12. É certo que ministros de Cristo apresentem todos os anos uma longa série de sermões ou palestras sobre “a Vida de Cristo”, ou “os Profetas”, ou “os Apóstolos”, ou “o Livro de Romanos”, ou “as Epístolas” etc.? Se é, é errado que um pregador metodista fiel apresente de seis a doze sermões por ano sobre o assunto da santidade pessoal? É certo, num caso, considerar o ministro um pregador equilibrado e, no outro, acusá-lo de fazer da santidade uma mania e de ser homem de uma ideia só? Julguem vocês! (Veja Seção XIV.)
O uso de joias e de roupas caras
188. Há algum mal em pôr ou usar joias ou roupas caras?
Como milhares na igreja de Deus, e muitos ministros e suas famílias, estão se afastando dos antigos marcos neste assunto, você me permitirá responder com certa extensão. Apresentamos as seguintes objeções a essa prática:
1. Ela é positiva e claramente proibida nas Escrituras.
“Da mesma forma, que as mulheres, em traje decente, se enfeitem com modéstia e bom senso, NÃO com tranças no cabelo, ouro, pérolas ou roupas caras, porém com boas obras, como convém a mulheres que professam ser piedosas” (1Tm 2.9-10). “Que a beleza de vocês não seja exterior, como tranças nos cabelos, joias de ouro e vestidos finos” (1Pe 3.3). “Não amem o mundo nem as coisas que há no mundo” (1Jo 2.15). “Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, os desejos da carne, os desejos dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo” (1Jo 2.15-16).
“Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus, peço que ofereçam o seu corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Este é o culto racional de vocês. E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.1-2).
Procure obedecer e agradar a Deus, leitor, e todos os seus enfeites, se você os tem, cairão de uma vez.
2. Ela não pode ser praticada em nome do Senhor Jesus nem para a glória de Deus.
A ordem de Deus é: “E tudo o que fizerem, seja em palavra, seja em ação, façam em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Cl 3.17). Pode alguém pôr joias em nome do Senhor Jesus e dar graças a Deus por isso? “Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor e não para as pessoas” (Cl 3.23).
3. Ela viola a Disciplina da igreja.
“Pergunta. Devemos insistir nas regras sobre o vestuário?”
“Resposta. Sem dúvida. Este não é tempo de incentivar o supérfluo no vestir. Portanto, que todo o nosso povo seja exortado a conformar-se ao espírito do preceito apostólico, de não se enfeitar ‘com ouro, pérolas ou roupas caras’ (1Tm 2.9).” Um dos itens de proibição das “Regras Gerais” é “pôr ouro e roupas caras”.
4. Ela viola os votos batismais e sacramentais.
“Pergunta. Renuncias ao diabo e a todas as suas obras, à vã pompa e glória do mundo, com todos os desejos cobiçosos dela, de modo que não os seguirás nem te deixarás levar por eles?
“Resposta. Renuncio a todos eles.” Disciplina. Ela viola os votos mais solenes, feitos na conversão, no batismo e ao redor da mesa do Senhor.
5. Ela leva o professante a desmentir a sua profissão de fé.
Os cristãos declaram que “não são do mundo” (Jo 17.16); que são “peregrinos e forasteiros” (1Pe 2.11); que aguardam “a cidade que tem fundamentos” (Hb 11.10); que o mundo está crucificado para eles, e eles “para o mundo” (Gl 6.14); que estão “mortos para o pecado, mas vivos para Deus” (Rm 6.11); que ajuntam “tesouros no céu” (Mt 6.20); que não são cúmplices “nas obras infrutíferas das trevas” (Ef 5.11); e que não vivem “conforme os padrões deste mundo”, mas são transformados “pela renovação da mente” (Rm 12.2). O uso de ouro e de “roupas caras” contradiz, na prática, tudo isso.
6. Ela é ao mesmo tempo sinal e fruto do orgulho.
Uma senhora perguntou certa vez a um clérigo “se ele considerava tal prática uma prova de orgulho”. Ele respondeu, com tanta sabedoria quanto agudeza: “As ovelhas nunca aparecem em pele de lobo, e quem veste a pele do lobo é lobo.”
7. Ela viola a regra do decoro cristão. Não há nenhuma lei física do nosso ser, nem da beleza, da modéstia, da utilidade ou da felicidade, que a exija. Ela esfria a compaixão, endurece o coração, degrada a mente e é prova ou de um gosto viciado, ou de uma mente rasa, ou de um coração vaidoso e corrupto.
8. Ela desperdiça os recursos que Deus deu para fins melhores, e pelos quais ele pedirá a cada um a mais rigorosa prestação de contas.
Os homens são mordomos dos tesouros do Senhor e não têm nada, absolutamente nada, por direito próprio. Cada xelim que você economiza deixando de lado enfeites de ouro, pérolas ou roupas caras você pode gastar vestindo os nus e socorrendo os pobres, que “estarão sempre com vocês” (Mt 26.11). Portanto, cada xelim que você gasta sem necessidade em adornos é, na prática, roubado de Deus e dos pobres.
9. Ela serve para gerar orgulho e despertar paixões profanas e o amor pelas bugigangas douradas de um mundo depravado. O dr. Adam Clarke diz: “Mesmo que a religião estivesse fora de questão, o bom senso diria: Seja decente, seja moderado e modesto.”
Ela não só cultiva e desenvolve a paixão pela ostentação, mas também desperta inveja, ciúme, maledicência, cobiça, hipocrisia, ódio e descontentamento. Aumenta assustadoramente o amor ao mundo. Toda ação tende a fazer você amar mais o mundo ou amar mais a Cristo; e nenhuma ação pode aumentar o nosso amor por ambos. O uso de ouro ou aumenta ou diminui a nossa piedade. Qual dos dois ele faz?
10. Ela ajuda a estabelecer um padrão de gosto falso e pernicioso.
Os cristãos não têm o direito de se conformar aos costumes irracionais e pecaminosos de um mundo enlouquecido; devem ser modelos de asseio, economia e simplicidade.
11. Ela leva à extravagância, à desonestidade, à dissipação juvenil e às brigas domésticas. “Não siga a multidão para fazer o mal” (Êx 23.2). Esse pecado é uma marca distintiva da multidão que se aglomera no caminho do inferno.
12. Ela desperdiça o tempo.
Toda pessoa que se curva diante da deusa da moda gasta a cada ano tempo suficiente para levar, pela oração, uma dúzia de almas ao céu. Essa prática perverte o juízo, cria hábitos de complacência pecaminosa e corrói toda a vitalidade espiritual de multidões de cristãos professantes.
13. Ela fornece ao mundo um argumento contra o cristianismo.
O mundo sabe como os cristãos devem viver. Consegue ver uma triste incoerência em cristãos que se enfeitam com os adornos extravagantes da moda moderna. Sabe que a aparência exterior de muitos cristãos professantes marca a sua profissão de fé com o selo da hipocrisia.
Os cristãos devem vestir-se de modo a mostrar que a sua mente está ocupada com objetivos mais nobres. A sua aparência exterior deve revelar seriedade, simplicidade, decência e modéstia. Devem vestir-se com asseio, com simplicidade e de modo adequado a pessoas que professam a piedade.
Embora afirmemos que as joias e os trajes vistosos são incompatíveis com os sinais da piedade genuína, não afirmamos que a simplicidade no vestir e a ausência de adornos exteriores constituam o cristão.
14. Tome, para concluir, o seguinte trecho do sermão do sr. Wesley sobre o vestuário:
“Chamo hoje o céu e a terra por testemunhas de que não é culpa minha. A trombeta não deu ‘som incerto’ (1Co 14.8) durante quase cinquenta anos. Ó Deus, tu sabes que dei um testemunho claro e fiel. Pela imprensa, na pregação, nas reuniões com as sociedades, não deixei de anunciar todo o plano de Deus. Estou, portanto, limpo do sangue dos que não querem ouvir; ele cai sobre a cabeça deles.
“Suplico a todos vocês que têm alguma consideração por mim: mostrem-me, antes que eu parta daqui, que não trabalhei em vão, nem mesmo neste aspecto, durante quase meio século.”
Ah, se os ministros e suas famílias que se entregam a essa prática, e ainda assim levam o nome de metodistas, tivessem respeito suficiente pelo seu venerável e piedoso fundador para seguir o conselho da sua idade madura e não se entregassem mais a essas loucuras proibidas!
A igreja corre grande perigo de se afastar da sua simplicidade e espiritualidade primitivas e de se conformar ao mundo, e não deve receber nenhuma licença para isso dos lábios ou da prática do seu ministério.
O uso do tabaco
189. Há objeções ao hábito de mascar e fumar tabaco?
Há; e apresento as seguintes:
1. Temos a ordem divina de “negar a nós mesmos” (Lc 9.23), de reduzir o corpo “à escravidão” (1Co 9.27), de nos abster “de toda forma de mal” (1Ts 5.22) e de nos purificar “de toda impureza, tanto da carne como do espírito” (2Co 7.1). O corpo do cristão é “santuário do Espírito Santo” (1Co 6.19), e ele não tem o direito de poluí-lo com nada imundo ou venenoso.
2. É um hábito inconveniente, sujo, antinatural, desnecessário, prejudicial à saúde, ofensivo e desagradável.
Polui a própria terra e a atmosfera da América, acostumando os nossos rapazes, cedo e eficazmente, a curvar o pescoço ao jugo penoso do mundo, da carne e do diabo.
3. As coisas que geralmente o acompanham são tudo menos boas. Costuma estar associado a garrafas de uísque, botequins ordinários, palavrões e toda espécie de arruaça. Imagine só! Ver ministros do santo evangelho de Deus, durante a Conferência, ou em seus campos de trabalho, ou em outro lugar, entrando numa taberna ordinária e infecta, ou chegando ao balcão de uma hospedaria, para encher uma caixa de tabaco malcheirosa ou comprar charutos!
Como teriam parecido o santo Jesus, ou o apóstolo Paulo, ou o grande Wesley, ou o santo Fletcher, com uma caixa de tabaco no bolso ou um charuto na boca?
4. A voz geral dos que são profundamente piedosos sempre foi contra ele, como uma prática imunda, baixa, degradante e perversa.
1. A Conferência de Ohio, uma das maiores e mais influentes da nossa igreja, aprovou em sua última sessão o seguinte: “Considerando que o uso do tabaco é um grande mal e conduz a outros males, fica resolvido pela Conferência de Ohio que, depois da presente sessão, não receberemos em plena conexão nenhuma pessoa que persista no uso do tabaco.”
2. A Conferência de West Wisconsin, em sua última sessão, adotou o seguinte:
“Resolvido: que saudamos como um triunfo os numerosos casos, em nossas próprias Conferências e igrejas e nas irmãs, de posição firme contra este mal clamoroso, crendo que ela é a expressão de um sentimento cristão justo e elevado, que, se seguido com fidelidade, expulsará o hábito da sociedade.
“Resolvido: que suplicamos com seriedade e afeto a todos os nossos pregadores e ao nosso povo que se abstenham dessa prática impura.
“Resolvido: que pedimos às Conferências Trimestrais, aos presbíteros presidentes e aos pregadores responsáveis que não recomendem para a conexão itinerante nenhum homem que tenha o hábito de usar tabaco, a menos que ele primeiro dê prova satisfatória de que o abandonará imediatamente.
“Resolvido: que todos os nossos irmãos que estão agora em período de prova na conexão itinerante e têm o hábito de usar tabaco sejam solenemente exortados e, com muito afeto, mas com firmeza, obrigados a renunciar ao hábito antes de serem recebidos em plena conexão.”
3. A Conferência Geral da Igreja Wesleyana, numa sessão recente, dá o seu testemunho da seguinte maneira: “Consideramos o uso comum do tabaco pernicioso em grau eminente e, em muitos dos seus efeitos nocivos sobre a família humana, pouco inferior ao próprio uso do álcool.
“Estamos convencidos de que não se tem permitido que o evangelho de Jesus Cristo exerça toda a medida das suas influências purificadoras e enobrecedoras sobre o professante enquanto ele continua o uso comum desse narcótico imundo e venenoso.
“Por isso, pedimos com insistência a todos os nossos ministros e membros que são escravos dessa prática tão comum e degradante que abandonem, de uma vez por todas, essa ‘impureza da carne’ (2Co 7.1) e esse ‘acúmulo de maldade’ (Tg 1.21) e alcancem a dignidade, a utilidade e a plenitude da estatura de homens e mulheres em Cristo Jesus.”
5. Ele acarreta despesa grande e desnecessária.
A produção anual atual de tabaco é estimada em 4.000.000.000 de libras. Tudo isso é fumado, mascado ou aspirado. O Anti-Tobacco Journal, de Trask, afirma que o clero dos Estados Unidos custa anualmente 6.000.000 de dólares; o tabaco, 40.000.000 de dólares; e o rum, 100.000.000 de dólares.
Calcula-se que 10.000 dólares em charutos são fumados na cidade de Nova York todos os dias. Se esse cálculo estiver correto, e se o restante dos Estados Unidos gastar com tabaco, em todas as suas formas, apenas a metade do que gasta Nova York, a perda anual de todos os Estados Unidos não é inferior a 100.000.000 de dólares. A 7 dólares o barril de farinha, isso compraria 14.285.714 barris de farinha. Se o homem pudesse viver só de pão, isso sustentaria toda a população da União. Compare a despesa com o tabaco com a quantia levantada para fins missionários e beneficentes por toda a igreja protestante da América, e o resultado é revoltante.
6. Concluiremos este assunto desagradável com o seguinte trecho da pena daquele grande e bom homem, Adam Clarke, doutor em Direito, membro da Sociedade de Antiquários etc.:
1. “Todo médico sabe bem que a saliva, tão copiosamente desperdiçada pelo infame rolo de mascar e pelo escandaloso cachimbo, é o primeiro e maior agente que a natureza emprega na digestão do alimento.
2. “Uma única gota do óleo químico do tabaco, posta na língua de um gato, produziu convulsões violentas e o matou no espaço de um minuto. Um fio molhado no mesmo óleo e passado por uma ferida feita com uma agulha num animal o matou no espaço de sete minutos.
3. “Não tenho dúvida de que é pecado usá-lo como a maioria o usa, se destruir a saúde e desperdiçar vilmente o tempo e o dinheiro que Deus deu para outros fins pode ser chamado de ‘pecado’. Pode alguém que se chame cristão justificar a sua conduta nesse aspecto?
4. “A impiedade que muitos manifestam no uso dessa erva merece a mais cortante repreensão. Quando muitos dos consumidores de tabaco se veem em dificuldade, ou debaixo de alguma cruz ou aflição, em vez de buscar apoio em Deus, recorrem ao cachimbo, à caixa de rapé ou ao fumo de rolo com fervor quadruplicado, de modo que nessas ocasiões se consome quatro vezes (eu poderia dizer, em alguns casos, dez vezes) a quantidade habitual. Que consolo é essa erva no tempo da tristeza! Que apoio no tempo da angústia! Numa palavra: que deus!
5. “Lamento ter de dizer que esse costume ocioso e vergonhoso prevalece muito, atualmente, entre ministros da maioria das denominações. Podem essas pessoas pregar contra a complacência desnecessária consigo mesmas, a destruição do tempo ou o desperdício de dinheiro?
6. “A perda de tempo nessa ocupação vergonhosa é um mal sério. Conheci alguns que, por estranho que pareça, fumavam três ou quatro horas por dia, segundo a própria confissão; e outros que gastavam seis horas na mesma ocupação. Como essas pessoas poderão responder por isso diante do tribunal de Deus?
7. “Considere como o seu costume é desagradável para os que não o seguem. Uma atmosfera de emanações de tabaco envolve você aonde quer que vá. Tudo o que está à sua volta cheira a ele: os seus aposentos, as suas roupas e até o seu próprio hálito.
8. “Aos que ainda não se incorporaram à companhia da moda dos consumidores de tabaco, eu diria: ‘Nunca entrem.’ Aos que já entraram, eu diria: ‘Desistam, primeiro, por causa da sua saúde, que será seriamente prejudicada, se não destruída, por ele; segundo, por causa dos seus bens, que, se você for pobre, serão consideravelmente reduzidos por ele; terceiro, por causa do seu tempo, grande parte do qual se perde irreparavelmente, sobretudo no fumo; quarto, por causa dos seus amigos, que não podem deixar de sofrer na sua companhia, pelas razões já apresentadas; por último, por causa da sua alma. Você não pensa que Deus lhe pedirá contas pela perda de tempo, pelo desperdício de dinheiro e pela complacência desnecessária consigo mesmo?”
Entusiasmo, confusão, brados, quedas etc
190. Temos razão para crer que o mundo um dia verá o padrão bíblico de religião de outra forma que não como fanatismo desvairado?
Não; este mundo cego e ímpio sempre considerou a religião loucura e frenesi. Os apóstolos foram chamados de “tagarela” (At 17.18) e de “loucos” (1Co 4.10), e deles se disse: “Você está louco” (At 26.24), “Estão bêbados!” (At 2.13) e que estavam fora de si. Cristo foi acusado de estar possuído por demônios. Lutero foi chamado de herege. Wesley, Whitefield e seus colaboradores foram chamados de tolos, fanáticos e entusiastas.
O rev. William Burkitt diz: “Os homens ímpios e carnais consideram e apresentam os santos servos de Deus como uma espécie de loucos. As operações da graça às vezes estão tão acima da razão que parecem estar sem razão. Há vários atos de santidade que o mundo profano considera loucura, como a abnegação eminente, a grande seriedade na religião, o zelo ardente dos santos, a sua santa singularidade, o fervor da sua devoção, a sua paciência e mansidão nos sofrimentos e nas afrontas. Todos esses atos de santidade fazem os santos parecerem loucos ao homem carnal.”
191. Qual foi o destino dos que apresentaram o cristianismo em sua pureza primitiva e imaculada?
Para preparar o caminho para uma obra de sangue, este mundo ímpio primeiro assassinou cruelmente o inocente e amável Filho de Deus; expulsou-o do mundo.
1. Supõe-se que Mateus tenha sofrido o martírio pela espada numa cidade da Etiópia.
2. Marcos foi arrastado pelas ruas de Alexandria, no Egito, até expirar.
3. Lucas foi enforcado numa oliveira na Grécia.
4. João foi posto num caldeirão de óleo fervente, em Roma, e escapou da morte. Depois morreu de morte natural em Éfeso, na Ásia.
5. Tiago, o Maior, depois de sofrer grande perseguição, foi decapitado em Jerusalém.
6. Tiago, o Menor, foi lançado do pináculo, ou ala, do templo e depois espancado até a morte com um porrete de pisoeiro.
7. Filipe foi enforcado numa coluna em Hierápolis, cidade da Frígia.
8. Bartolomeu foi esfolado vivo por ordem de um rei bárbaro.
9. André foi amarrado a uma cruz, onde pregou ao povo até expirar.
10. Tomé foi traspassado por uma lança perto de Malipar, nas Índias Orientais.
11. Judas foi morto a flechadas.
12. Simão, o Zelote, foi crucificado na Pérsia.
13. Matias foi primeiro apedrejado e depois decapitado.
14. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo.
15. Paulo, o último e o principal dos apóstolos, também teve morte violenta. Foi decapitado em Roma.
192. O que é o verdadeiro fanatismo?
É esperar determinados resultados sem usar os meios adequados. É agir às cegas. Deus uniu o fim e os meios, e é fatalmente fanático esperar perdão, santidade e céu sem oração, arrependimento, fé e obediência.
Fanatismo é ser governado pela imaginação, e não pelo juízo. Procede de um coração satânico ou enganado e muitas vezes vem acompanhado de um zelo cego e extravagante. Costuma estar impregnado de erro, intolerância e furor partidário. Isso é fanatismo; o diabo é o seu pai; e os que imaginam ser cristãos sem o ser são os seus piores súditos.
193. A Bíblia aprova o brado e o louvor ao Senhor em alta voz?
A Bíblia diz: “Exultem os que habitam em Sela e clamem do alto dos montes” (Is 42.11). “E todo o povo jubilou com altas vozes, louvando o Senhor por terem sido lançados os alicerces da Casa do Senhor. Quando, diante de seus olhos, foram lançados os alicerces deste templo, muitos choraram em alta voz; muitos, no entanto, levantaram as vozes com gritos de alegria. E assim não se podiam distinguir as vozes de alegria das vozes do choro do povo; pois o povo gritava tão alto, que as vozes se ouviam de longe” (Ed 3.11-13).
“Toda a multidão dos discípulos começou, com muita alegria, a louvar a Deus em alta voz” (Lc 19.37). “Se eles se calarem, as próprias pedras clamarão” (Lc 19.40). “Batam palmas, todos os povos; aclamem a Deus com vozes de júbilo” (Sl 47.1).
Muitas passagens semelhantes poderiam ser citadas; mas nenhuma em que Deus o condene ou o proíba.
Não sei como alguns dos nossos modernos amantes da boa ordem vão receber isto, mas é uma permissão para bradar vinda do quartel-general. Deus diz: “Ergam a voz as aldeias habitadas por Quedar” (Is 42.11). E: “Clamem do alto dos montes” (Is 42.11). Ele não diz quando esses pobres filhos do deserto ouvirão as alegres notícias da vida, morte e ressurreição do Salvador e firmarão os seus pés errantes na Rocha Eterna; mas dá permissão para que, quando isso acontecer e o coração deles começar a se dilatar de amor pelo Senhor Jesus, eles bradem.
O brado não é um som vazio, mas uma profunda alegria espiritual que brota das profundezas oceânicas da alma. É a expressão exterior de vitórias interiores maiores do que as que Alexandre jamais alcançou. Ele nunca venceu a si mesmo.
Não defendo a doutrina de que todos devem bradar. Digo apenas o que Deus diz: “Exultem os que habitam em Sela” (Is 42.11). Quem tem autoridade para impedi-los? Os soldados bradam, os marinheiros bradam, os políticos bradam, e os anjos bradam; por que o cristão não pode bradar? Não tem ele motivo para bradar?
Admito que há muitos cristãos excelentes que nunca bradam. Suponho, porém, que muitos deles com frequência sentem vontade de bradar e o fariam de vez em quando, se ousassem, ou se não soubessem que isso seria considerado intoleravelmente fora de ordem.
É de temer que haja muitos professantes que não têm motivo nenhum para bradar; e, se bradassem, seria apenas um som vazio, como “o bronze que soa ou como o címbalo que retine” (1Co 13.1). Há tanta diferença entre um brado e outro quanto em qualquer outra coisa; tanta quanto entre o chacoalhar de uma carroça vazia e os tons profundos e cheios de um órgão. É preciso bastante religião para dar um brado sincero.
Há uma bela variedade no mundo natural: montanhas e vales, a brisa suave e o tornado devastador, os raios de sol e os clarões dos relâmpagos, o canto dos pássaros e o ribombar do trovão.
Há uma variedade igualmente grande no mundo espiritual. Quando a graça de Deus alcança alguns corações, mostra o seu poder por brados de vitória. Alguns choram, alguns riem, alguns saltam, e alguns se sentem tão tranquilos que mal querem respirar. Há grande variedade de operações pelo mesmo Espírito, e todas as nossas convenções devem ceder à vontade e ao poder de Deus. Não podemos seguir uma regra de ferro no louvor a Deus.
Vê-se uma variedade notável e bela nos efeitos dos milagres de Cristo e dos apóstolos. O cego Bartimeu, depois de curado, seguiu Jesus glorificando a Deus. A sogra de Simão Pedro, depois de curada, foi cuidar dos seus afazeres domésticos. O homem que vivia nos sepulcros, possuído pelo diabo, depois de curado, sentou-se aos pés de Jesus, vestido e em perfeito juízo. Na transfiguração de Cristo, Pedro e João caíram com o rosto em terra e declararam que era bom estarem ali. Depois que o pobre aleijado deitado junto à porta chamada Formosa foi curado, ele saltou e louvou a Deus. Pedro não o impediu, mas deixou que experimentasse a sua nova força; ele tinha sido um pobre aleijado a vida inteira. Assim deve ser com a alma convertida.
194. A Bíblia aprova respostas da congregação no culto?
Aprova. “Esdras louvou o Senhor, o grande Deus, e todo o povo respondeu: Amém! Amém!” (Ne 8.6). “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, de eternidade a eternidade; e todo o povo diga: Amém!” (Sl 106.48). “Como o não instruído poderá dizer o ‘amém’ depois da oração de agradecimento que você fez? Porque ele não entende o que você diz” (1Co 14.16).
São João declara que os ouviu bradando e respondendo no céu, “dizendo: Amém! O louvor, a glória, a sabedoria, as ações de graças, a honra, o poder e a força sejam ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém!” (Ap 7.12). Tudo o que se faz no céu é de bom gosto, em boa ordem e correto.
195. A Bíblia aprova a prostração física e aquilo que aos homens carnais pode parecer confusão?
Paulo e Silas foram acusados de pôr o mundo de pernas para o ar, e suponho que nunca negaram a acusação. Quando Deus se encontrou com Abraão e lhe fez a grande promessa, “Abraão se prostrou com o rosto em terra, e riu” (Gn 17.17). Ele “se prostrou com o rosto em terra, e riu”; mesmo assim, o apóstolo diz: “Não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus” (Rm 4.20).
O salmista diz: “Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo” (Sl 126.1-2).
Quando Moisés e Arão se aproximaram e ficaram diante do Senhor, e a glória do Senhor apareceu a todo o povo, todo o povo “deu gritos de alegria e se prostrou com o rosto em terra” (Lv 9.24).
Jó “se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça, prostrou-se em terra e adorou” (Jó 1.20). Sem dúvida isso foi considerado um culto desvairado; e, no entanto, não havia ninguém como ele em toda a terra, “um homem íntegro e reto” (Jó 1.8).
Davi, certa vez, diz que as suas forças físicas lhe faltaram: “Faltam-me as forças, e a luz dos meus olhos, até essa me deixou!” (Sl 38.10); “debilita-se a minha força, por causa da minha iniquidade” (Sl 31.10).
Pedro caiu aos pés de Jesus (Lc 5.8); a mulher grega fez o mesmo; também Maria, irmã de Lázaro, caiu aos pés do bendito Jesus. Quando o Senhor se encontrou com Paulo no caminho de Damasco, ele perdeu as forças e ficou prostrado no chão, clamando, trêmulo e atônito, dizendo: “Senhor, o que devo fazer?” (At 22.10).
Os remidos se prostram diante do trono no céu e adoram a Deus em alta voz, como o som de muitas águas e de fortes trovões.
196. Há alguma religião na prostração do corpo ou nas manifestações físicas?
O rev. Charles G. Finney diz: “É muito claro que as prostrações e agitações do corpo não fazem parte da religião. Mas é igualmente claro que podem ser o efeito natural de descobertas da verdade religiosa. Vários casos de prostração e agitação do corpo estão registrados na Bíblia como resultado de tais descobertas.
“Como eu disse, elas não fazem parte da religião, mas são efeitos muito naturais de um grau muito elevado de afetos e emoções religiosos. Nem é verdade, como alguns parecem supor, que só as pessoas chamadas nervosas sejam afetadas dessa maneira.
“Mas também é verdade que há na verdade religiosa, quando claramente revelada à mente pelo Espírito Santo, o suficiente para derrubar a estrutura física do homem mais forte da terra.
“Que há de admirável em que as coisas infinitamente solenes, importantes e terríveis da eternidade, quando trazidas com clareza à mente dos homens, produzam grandes tremores, estremecimentos, agitações e prostrações do corpo, com ‘gemidos inexprimíveis’ (Rm 8.26)? Não, na verdade, isso não é nada estranho. A única coisa admirável é que a humanidade não seja cem ou mil vezes mais afetada dessa maneira do que realmente é.”
197. Você poderia apresentar as opiniões do venerável presidente Edwards sobre este assunto?
O presidente Edwards, em erudição, piedade e agudeza filosófica, teve poucos que o superassem neste país. O seu trabalho ministerial foi abençoado com um dos mais poderosos avivamentos e derramamentos do Espírito Santo que já ocorreram neste continente.
1. Falando dele, diz: “Era muito frequente ver uma casa cheia de gritos, desmaios, convulsões e coisas semelhantes, tanto de angústia como de admiração e alegria. Houve alguns casos de pessoas que ficaram numa espécie de transe [o que os metodistas chamam de “receber o poder”], permanecendo talvez vinte e quatro horas inteiras imóveis e com os sentidos fechados, mas, enquanto isso, sob fortes imaginações, como se fossem ao céu e ali tivessem uma visão de objetos gloriosos e deleitosos.
2. “Houve alguns casos de pessoas que tiveram um senso do seu perigo e da sua miséria tão grande quanto a sua natureza podia suportar, de modo que um pouco mais provavelmente as teria destruído.
3. “Algumas pessoas tiveram desejos tão ardentes por Cristo, que chegaram a tal grau que lhes tiraram as forças naturais. Algumas ficaram tão dominadas pelo senso do amor de Cristo, que morreu por pobres miseráveis e criaturas indignas como elas, que o corpo se enfraqueceu. Várias pessoas tiveram um senso tão grande da glória de Deus e da excelência de Cristo, que a natureza e a vida pareceram quase sucumbir; e, com toda a probabilidade, se Deus lhes tivesse mostrado um pouco mais de si mesmo, isso teria desfeito a sua estrutura.
4. “É notável, considerando em quantos casos, e em que grau tão elevado, a estrutura do corpo tem sido dominada ultimamente, que, mesmo assim, a vida das pessoas tenha sido preservada.
5. “Essas coisas não começaram”, diz ele, no seu tempo. “Não são novas em sua espécie, mas são coisas da mesma natureza que já foram encontradas e bem aprovadas na igreja de Deus, de tempos em tempos.”
6. Ele diz, falando de um avivamento na Escócia em 1625, que “era então frequente que muitos fossem tão extraordinariamente tomados de terror ao ouvir a palavra, pelo Espírito de Deus que os convencia do pecado, que caíam e eram carregados para fora da igreja; e depois se mostraram cristãos muito sólidos e vivos.
7. “Muitos na Irlanda, no tempo de um grande derramamento do Espírito ali, em 1628, ficaram tão cheios de consolações divinas e de um senso de Deus que pouco precisavam de comida, bebida ou sono, e declaravam que não sentiam necessidade disso.”
8. O presidente Edwards afirma “que, onde quer que essas coisas mais apareçam, ali há sempre a obra maior e mais profunda”.
Como John Wesley, o presidente Edwards, o presidente Finney, Christmas Evans, J. B. Finley e George Whitefield, devemos aprovar todas as manifestações espirituais genuínas, por mais extraordinárias que sejam, como prostrações, gritos de terror e brados de louvor, e condenar todos os que se opõem a elas e as ridicularizam. Não condeno ninguém por se opor ao que é falso ou contrafeito, contanto que o seu ardor e zelo contra o falso não desacreditem o verdadeiro.
Para concluir, eu remeteria o leitor à History of the Methodist Episcopal Church, de Bangs, à pregação de Wesley, Fletcher, Whitefield, Bramwell, Abbott, Cartwright, Asbury e Lee, e a quase todos os nossos livros de biografia.
198. É certo orar por manifestações físicas, ou por sonhos, ou por visões?
É nosso dever orar pelo poderoso poder purificador do Espírito Santo e deixar que Deus opere à sua maneira. Ele não vai operar segundo os nossos planos. Pensamos ser perigoso desejar, esperar ou orar por prostrações do corpo ou por visões. Se elas acompanharem a poderosa descida do Espírito Santo, muito bem; se não, não devem ser buscadas.
199. Qual é a nossa grande salvaguarda contra ilusões, imaginações e impulsos satânicos?
A Bíblia. Ela é o nosso único padrão de doutrina e de experiência. Devemos ser cristãos da Bíblia.
O dr. Jesse T. Peck diz: “Contra todos os esquemas visionários de salvação, contra todas as impressões enganosas vindas de espíritos adversos, a revelação divina é a única proteção segura. A ela a alma que busca o que é certo deve apelar e submeter-se, e nas suas instruções explícitas há perfeita segurança.”
Devemos nos manter perto da palavra de Deus e nunca supor que alguma medida do Espírito Santo que possamos obter neste mundo venha a substituir os ensinos da bendita Bíblia.
A palavra revelada de Deus é a voz do Espírito; e quanto mais completamente o nosso coração estiver cheio do Espírito, dominado e guardado nele, tanto mais perfeitamente entenderemos a Bíblia e seremos capazes de viver segundo a sua letra e o seu espírito.
200. Quais eram as extravagâncias que o sr. Wesley repreendeu com tanta força em alguns que testemunhavam a santidade?
“Imaginar que não podiam ser tentados; que não sentiriam mais dor; que tinham o dom de profecia e de discernimento de espíritos.” “Uns cinco ou seis entusiastas sinceros predisseram que o mundo acabaria em poucos dias.” Wesley.
Com essas pessoas o sr. Wesley teve não pouco trabalho, sobretudo pelo receio de que os seus extremos levassem outros a negligenciar inteiramente a santidade. O sr. Wesley nunca se queixou de alguém por dar importância demais ao assunto da santidade, mas sim por se desviar do assunto da santidade para imaginações desvairadas e extravagâncias.
Tradução para o português a partir de J. A. Wood, Perfect Love; or, Plain Things for Those Who Need Them (Filadélfia, Samuel D. Burlock, 1861), conferida com as imagens das páginas; domínio público. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.