Justino Mártir, Diálogo com Trifão · Diálogo com Trifão
O encontro com Trifão; como Justino passou pelos filósofos e foi levado aos profetas e a Cristo; a lei antiga e a nova aliança.
#T01
Certa manhã, enquanto eu passeava pelas alamedas do Xisto,1 um homem, acompanhado de outros, veio ao meu encontro e disse: “Salve, ó filósofo!” E, logo depois de dizer isso, deu meia-volta e pôs-se a caminhar comigo; os seus amigos também o seguiram. E eu, por minha vez, dirigindo-lhe a palavra, disse: “O que há de importante?”
E ele respondeu: “Fui instruído”, disse ele, “por Corinto, o socrático, em Argos, a não desprezar nem tratar com indiferença os que se vestem com este traje,2 mas a mostrar-lhes toda a cortesia e a conviver com eles, pois talvez dessa convivência resulte algum proveito, seja para um homem assim, seja para mim mesmo. Além disso, é bom para ambos que um ou outro seja beneficiado. Por esse motivo, sempre que vejo alguém com essa vestimenta, aproximo-me dele de bom grado; e agora, pela mesma razão, foi com prazer que me dirigi a você. E estes me acompanham na expectativa de ouvir eles mesmos de você alguma coisa proveitosa.”
“Mas quem é você, homem excelentíssimo?” Assim lhe respondi, por gracejo.3
Então ele me disse francamente tanto o seu nome como a sua família. “Chamo-me Trifão”, disse ele, “e sou hebreu da circuncisão; escapei da guerra4 travada há pouco por lá e estou passando os meus dias na Grécia, sobretudo em Corinto.”
“E em que”, disse eu, “a filosofia lhe seria tão proveitosa quanto o seu próprio legislador e os profetas?”
“Por que não?”, respondeu ele. “Os filósofos não dedicam todo o seu discurso a Deus? E não lhes surgem continuamente questões sobre a unidade e a providência dele? Não é este, de fato, o dever da filosofia, investigar a divindade?”
“Certamente”, disse eu, “assim também nós temos crido. Mas a maioria5 não se preocupou com isto, se há um só deus ou muitos, e se eles cuidam de cada um de nós ou não, como se esse conhecimento em nada contribuísse para a nossa felicidade. Pelo contrário, procuram ainda nos persuadir de que Deus cuida do universo, com os seus gêneros e espécies, mas não de mim e de você, nem de cada um individualmente, pois do contrário com certeza não precisaríamos orar a ele noite e dia. Não é difícil, porém, perceber aonde isso leva; pois daí resultam o destemor e a licença no falar para os que sustentam essas opiniões, que fazem e dizem tudo o que querem, sem temer castigo nem esperar de Deus benefício algum. E como poderiam? Afirmam que as mesmas coisas sempre hão de acontecer e, além disso, que eu e você havemos de viver de novo do mesmo modo, sem nos tornarmos nem melhores nem piores. Mas há alguns outros6 que, supondo que a alma é imortal e imaterial, creem que, embora tenham praticado o mal, não sofrerão castigo (pois o que é imaterial é insensível), e que a alma, por ser imortal, nada precisa receber de Deus.”
E ele, sorrindo com brandura, disse: “Diga-nos a sua opinião sobre esses assuntos, que ideia você faz de Deus e qual é a sua filosofia.”
“Vou lhe dizer”, disse eu, “o que me parece. A filosofia é, de fato, o maior dos bens e o mais honroso diante de Deus,7 a quem ela nos conduz e a quem só ela nos recomenda; e verdadeiramente santos são os homens que se dedicaram à filosofia. O que é a filosofia, porém, e por que razão foi enviada aos homens, escapou à percepção da maioria; pois, se não fosse assim, não haveria nem platônicos, nem estoicos, nem peripatéticos, nem teoréticos,8 nem pitagóricos, já que esse conhecimento é um só.9 Quero lhe dizer por que ela passou a ter muitas cabeças. Aconteceu que aqueles que primeiro se ocuparam dela [isto é, da filosofia], e que por isso foram tidos por homens ilustres, tiveram como sucessores homens que não fizeram nenhuma investigação acerca da verdade, mas apenas admiraram a perseverança e a disciplina dos primeiros, bem como a novidade das suas doutrinas; e cada um tinha por verdadeiro aquilo que aprendera do seu mestre. Depois, esses últimos transmitiram aos seus sucessores tais coisas e outras semelhantes; e o sistema passou a ser chamado pelo nome daquele que era tido como o pai da doutrina. Desejando, a princípio, conversar pessoalmente com um desses homens, entreguei-me a certo estoico; e, depois de passar com ele um tempo considerável, como não havia adquirido nenhum conhecimento a mais sobre Deus (pois ele mesmo não o conhecia e dizia que tal instrução era desnecessária), deixei-o e fui procurar outro, chamado peripatético, e que se julgava perspicaz. Este, depois de me receber nos primeiros dias, pediu-me que acertássemos os honorários, para que a nossa convivência não fosse sem proveito. Também a ele, por esse motivo, abandonei, crendo que não era filósofo de modo algum. Mas, como a minha alma desejava ardentemente ouvir a filosofia singular e mais seleta, fui ter com um pitagórico muito célebre, homem que tinha grande opinião da sua própria sabedoria. E então, quando fui falar com ele, desejoso de me tornar seu ouvinte e discípulo, ele disse: ‘Como assim? Você conhece música, astronomia e geometria? Espera perceber alguma das coisas que conduzem a uma vida feliz sem antes ter sido instruído nos pontos que afastam a alma dos objetos sensíveis e a tornam apta para os objetos que pertencem ao intelecto, de modo que ela possa contemplar aquilo que é honroso em sua essência e aquilo que é bom em sua essência?’ Depois de elogiar muitos desses ramos do saber e de me dizer que eram necessários, despediu-me quando lhe confessei a minha ignorância. Fiquei, por isso, bastante contrariado, como era natural, vendo frustrada a minha esperança, tanto mais porque eu julgava que o homem tinha algum conhecimento. Mas, considerando de novo o espaço de tempo que eu teria de gastar com aqueles ramos do saber, não fui capaz de suportar uma demora maior. Nessa situação de desamparo, ocorreu-me procurar os platônicos, pois a fama deles era grande. Passei então o máximo de tempo possível com um que havia pouco se estabelecera na nossa cidade,10 homem sagaz, que ocupava posição elevada entre os platônicos; e fui progredindo e fazendo os maiores avanços a cada dia. A percepção das coisas imateriais me arrebatava inteiramente, e a contemplação das ideias dava asas à minha mente,11 de modo que em pouco tempo supus ter-me tornado sábio; e tamanha era a minha estupidez que eu esperava contemplar a Deus em seguida, pois esse é o fim da filosofia de Platão.
“Estando eu nessa disposição, numa época em que desejava encher-me de grande tranquilidade e fugir do caminho dos homens, costumava ir a certo campo não longe do mar. E, quando um dia me aproximava daquele lugar, onde pretendia ficar sozinho, um ancião de aparência nada desprezível, de maneiras mansas e veneráveis, seguia-me a pouca distância. E, quando me voltei para ele, tendo parado, fixei nele os olhos com bastante atenção.
“E ele disse: ‘Você me conhece?’
“Respondi que não.
“‘Por que, então’, disse-me ele, ‘você me olha assim?’
“‘Estou admirado’, disse eu, ‘de você estar por acaso comigo no mesmo lugar; pois eu não esperava ver ninguém aqui.’
“E ele me diz: ‘Estou preocupado com alguns da minha casa. Eles me deixaram, e por isso vim procurá-los pessoalmente, para ver se por acaso aparecem em algum lugar. Mas por que você está aqui?’, disse-me ele.
“‘Tenho prazer’, disse eu, ‘em passeios como este, em que a minha atenção não se distrai, pois a conversa comigo mesmo não é interrompida; e lugares assim são os mais apropriados para a filologia.’12
“‘Então você é um filólogo’,13 disse ele, ‘mas não amante das obras nem da verdade? E não procura ser antes um sofista do que um homem prático?’
“‘Que obra maior’, disse eu, ‘alguém poderia realizar do que esta: mostrar a razão que governa todas as coisas e, tendo-se apoderado dela e montado sobre ela, olhar do alto os erros dos outros e as suas ocupações? Sem a filosofia e a reta razão, porém, a prudência não estaria presente em homem algum. Por isso é necessário que todo homem filosofe e considere essa a maior e mais honrosa obra, e as demais coisas apenas de segunda ou terceira importância; essas, na verdade, se dependem da filosofia, têm valor moderado e são dignas de aceitação, mas, privadas dela e sem a sua companhia, são vulgares e grosseiras para os que se ocupam delas.’
“‘A filosofia, então, produz a felicidade?’, disse ele, interrompendo.
“‘Certamente’, disse eu, ‘e só ela.’
“‘O que é, então, a filosofia?’, diz ele; ‘e o que é a felicidade? Diga-me, por favor, se nada o impede de dizer.’
“‘A filosofia’, disse eu, ‘é o conhecimento daquilo que realmente existe e a clara percepção da verdade; e a felicidade é a recompensa desse conhecimento e dessa sabedoria.’
“‘Mas o que você chama de Deus?’, disse ele.
“‘Aquilo que conserva sempre a mesma natureza, e do mesmo modo, e é a causa de todas as outras coisas: isso, de fato, é Deus.’ Assim lhe respondi; e ele me escutou com prazer e de novo me interrogou desta maneira:
“‘O conhecimento não é um termo comum a diferentes matérias? Pois nas artes de todo tipo, quem conhece qualquer uma delas é chamado igualmente de hábil, na arte da estratégia, do governo ou da medicina. Nas coisas divinas e humanas, porém, não é assim. Existe um conhecimento que proporciona a compreensão das coisas humanas e divinas e, além disso, um conhecimento profundo da divindade e da justiça delas?’
“‘Certamente’, respondi.
“‘E então? Conhecemos o homem e Deus do mesmo modo que conhecemos a música, a aritmética, a astronomia ou qualquer outro ramo semelhante?’
“‘De modo algum’, respondi.
“‘Então você não me respondeu corretamente’, disse ele; ‘pois alguns [ramos do conhecimento] chegam até nós pelo estudo ou por alguma prática, ao passo que de outros temos conhecimento pela vista. Ora, se alguém lhe dissesse que existe na Índia um animal de natureza diferente de todos os outros, mas de tal e tal espécie, multiforme e variado, você não o conheceria antes de vê-lo; e também não seria capaz de dar nenhuma explicação sobre ele, a menos que ouvisse de alguém que o tivesse visto.’
“‘Certamente que não’, disse eu.
“‘Como, então’, disse ele, ‘os filósofos poderiam julgar corretamente acerca de Deus ou dizer alguma verdade, se não têm conhecimento dele, nunca o tendo visto nem ouvido?’
“‘Mas, pai’, disse eu, ‘a divindade não pode ser vista simplesmente pelos olhos, como os outros seres vivos, mas é perceptível somente à mente, como diz Platão; e eu creio nele.’
“‘Existe, então’, diz ele, ‘tal e tão grande poder na nossa mente? Ou não percebe o homem antes pelos sentidos? Verá a mente humana a Deus em algum momento, se não for instruída pelo Espírito Santo?’
“‘Platão, de fato, diz’, respondi, ‘que o olho da mente é de tal natureza, e nos foi dado para este fim, que possamos ver aquele mesmo Ser, quando a própria mente está pura, o qual é a causa de tudo o que a mente discerne, sem cor, sem forma, sem grandeza, sem nada, enfim, daquilo que o olho do corpo contempla; mas é algo deste tipo, prossegue ele, que está além de toda essência, indizível e inexplicável, unicamente honroso e bom, e que vem de repente às almas bem dispostas, por causa do seu parentesco com ele e do seu desejo de vê-lo.’
“‘Que parentesco há, então’, replicou ele, ‘entre nós e Deus? Será a alma também divina e imortal, e uma parte daquela mente soberana? E, assim como aquela vê a Deus, também nos será possível conceber a divindade em nossa mente e, por isso, tornar-nos felizes?’
“‘Certamente’, disse eu.
“‘E todas as almas de todos os seres vivos o compreendem?’, perguntou ele; ‘ou as almas dos homens são de uma espécie e as dos cavalos e dos jumentos são de outra?’
“‘Não; as almas que estão em todos são semelhantes’, respondi.
“‘Então’, diz ele, ‘tanto os cavalos como os jumentos verão a Deus, ou já o viram em algum momento?’
“‘Não’, disse eu; ‘pois nem a maioria dos homens o verá, a não ser os que viverem justamente, purificados pela justiça e por todas as demais virtudes.’
“‘Não é, portanto’, disse ele, ‘por causa do seu parentesco que o homem vê a Deus, nem porque tem mente, mas porque é temperante e justo?’
“‘Sim’, disse eu; ‘e porque tem aquilo por meio de que percebe a Deus.’
“‘E então? As cabras ou as ovelhas fazem mal a alguém?’
“‘A ninguém, em coisa alguma’, disse eu.
“‘Logo, segundo o seu raciocínio, esses animais verão [a Deus]’, diz ele.
“‘Não; pois o corpo deles, sendo de tal natureza, é um obstáculo para eles.’
“Ele replicou: ‘Se esses animais pudessem falar, tenha certeza de que com mais razão ridicularizariam o nosso corpo. Mas deixemos agora esse assunto, e conceda-se a você que é como diz. Diga-me, porém, isto: a alma vê [a Deus] enquanto está no corpo ou depois de ter sido separada dele?’
“‘Enquanto está na forma de homem, é possível a ela’, continuo eu, ‘alcançar isso por meio da mente; mas sobretudo quando é libertada do corpo e, estando à parte, por si mesma, toma posse daquilo que costumava amar contínua e inteiramente.’
“‘E ela se lembra disso [da visão de Deus] quando está de novo no homem?’
“‘Não me parece’, disse eu.
“‘Que proveito, então, têm os que viram [a Deus]? Ou que tem a mais aquele que viu do que aquele que não viu, se não se lembra deste fato, de que viu?’
“‘Não sei dizer’, respondi.
“‘E o que sofrem os que são julgados indignos dessa visão?’, disse ele.
“‘Ficam aprisionados nos corpos de certos animais selvagens, e esse é o seu castigo.’
“‘E elas sabem, então, que é por essa razão que estão em tais formas e que cometeram algum pecado?’
“‘Penso que não.’
“‘Então, ao que parece, essas almas não tiram nenhum proveito do seu castigo; e eu diria ainda que nem são castigadas, se não têm consciência do castigo.’
“‘De fato, não.’
“‘Portanto, as almas nem veem a Deus nem transmigram para outros corpos; pois saberiam que assim estão sendo castigadas e teriam medo de cometer depois até o mais leve pecado. Mas que podem perceber que Deus existe e que a justiça e a piedade são honrosas, também nisso concordo plenamente com você’, disse ele.
“‘Você tem razão’, respondi.
“‘Esses filósofos, então, nada sabem sobre essas coisas, pois não sabem dizer o que é a alma.’
“‘Não parece que saibam.’
“‘Tampouco se deve chamá-la de imortal; pois, se é imortal, evidentemente é também não gerada.’
“‘Ela é tanto não gerada como imortal, segundo alguns que se chamam platônicos.’
“‘Você diz que também o mundo é não gerado?’
“‘Alguns dizem. Eu, porém, não concordo com eles.’
“‘Você tem razão; pois que motivo alguém tem para supor que um corpo tão sólido, dotado de resistência, composto, mutável, que se desgasta e se renova a cada dia, não tenha surgido de alguma causa? Ora, se o mundo é gerado, também as almas são necessariamente geradas; e talvez em algum tempo não existissem, pois foram feitas por causa dos homens e dos outros seres vivos, se você disser que foram geradas inteiramente à parte, e não juntamente com os seus respectivos corpos.’
“‘Isso parece correto.’
“‘Então elas não são imortais?’
“‘Não, uma vez que o mundo nos pareceu ser gerado.’
“‘Mas também não digo que todas as almas morram; pois isso seria, na verdade, uma sorte para os maus. E então? As almas dos piedosos permanecem num lugar melhor, enquanto as dos injustos e maus ficam num lugar pior, à espera do tempo do juízo. Assim, algumas, que se mostraram dignas de Deus, nunca morrem; outras, porém, são castigadas enquanto Deus quiser que existam e sejam castigadas.’
“‘O que você diz, então, é semelhante ao que Platão insinua no Timeu a respeito do mundo, quando afirma que ele está de fato sujeito à corrupção, por ter sido criado, mas que não será dissolvido nem terá o destino da morte, por causa da vontade de Deus? Parece-lhe que exatamente o mesmo se pode dizer da alma e, de modo geral, de todas as coisas? Pois as coisas que existem depois14 de Deus, ou que hão de existir em algum tempo,15 têm natureza corruptível e são tais que podem ser apagadas e deixar de existir; pois só Deus é não gerado e incorruptível, e por isso ele é Deus, ao passo que todas as outras coisas depois dele são criadas e corruptíveis. Por essa razão as almas tanto morrem como são castigadas; pois, se fossem não geradas, nem pecariam, nem se encheriam de insensatez, nem seriam covardes e, por outro lado, ferozes; nem se transformariam de bom grado em porcos, serpentes e cães; e na verdade não seria justo forçá-las a isso, se fossem não geradas. Pois o não gerado é semelhante, igual e idêntico ao não gerado; e nem em poder nem em honra um deveria ser preferido ao outro; por isso não há muitas coisas não geradas. Pois, se houvesse entre elas alguma diferença, você não descobriria a causa dessa diferença, por mais que a procurasse; mas, depois de deixar a mente vagar sem cessar até o infinito, acabaria por fim, cansado, firmando-se num único Não Gerado e dizendo que este é a Causa de todas as coisas. Teria isso escapado à percepção de Platão e de Pitágoras, aqueles sábios’, disse eu, ‘que foram para nós como muro e fortaleza da filosofia?’
“‘Pouco me importa’, disse ele, ‘se Platão ou Pitágoras, ou, em suma, qualquer outro homem sustentou tais opiniões. Pois a verdade é esta, e você a perceberá pelo seguinte. A alma certamente ou é vida, ou tem vida. Se, então, é vida, faria viver alguma outra coisa, e não a si mesma, assim como o movimento move outra coisa que não a si mesmo. Ora, que a alma vive, ninguém o negaria. Mas, se vive, não vive como quem é vida, e sim como quem participa da vida; e aquilo que participa de alguma coisa é diferente daquilo de que participa. Ora, a alma participa da vida porque Deus quer que ela viva. Assim, portanto, deixará até de participar [da vida] quando Deus não quiser que ela viva. Pois viver não é atributo seu, como é de Deus; mas, assim como o homem não vive para sempre, e a alma não está para sempre unida ao corpo, porque, sempre que essa harmonia tem de ser desfeita, a alma deixa o corpo e o homem já não existe, assim também, sempre que a alma tem de deixar de existir, o espírito de vida se retira dela, e já não há alma, mas ela volta ao lugar de onde foi tirada.’
“‘De que mestre, então, alguém há de se valer?’, digo eu; ‘ou de onde pode receber ajuda, se nem neles está a verdade?’
“‘Existiram, muito antes deste tempo, certos homens mais antigos que todos os que são tidos por filósofos, justos e amados por Deus, que falaram pelo Espírito divino e predisseram acontecimentos que haveriam de se dar e que agora estão se dando. São chamados profetas. Somente eles viram a verdade e a anunciaram aos homens, sem reverenciar nem temer homem algum, sem se deixar levar pelo desejo de glória, mas dizendo apenas aquilo que viram e ouviram, cheios do Espírito Santo. Os seus escritos ainda existem, e quem os lê recebe grande ajuda no conhecimento do princípio e do fim das coisas e das matérias que o filósofo deve conhecer, contanto que tenha crido neles. Pois eles não usaram demonstração nos seus escritos, visto que eram testemunhas da verdade acima de toda demonstração e dignas de fé; e os acontecimentos que já se deram e os que estão se dando obrigam você a dar assentimento às palavras ditas por eles, embora, de fato, eles já merecessem crédito por causa dos milagres que realizaram, uma vez que glorificaram o Criador, o Deus e Pai de todas as coisas, e anunciaram o seu Filho, o Cristo [enviado] por ele. Isso os falsos profetas, cheios do espírito mentiroso e imundo, nunca fizeram nem fazem; antes, atrevem-se a operar certos prodígios para espantar os homens e glorificam os espíritos e demônios do erro. Mas ore para que, acima de tudo, as portas da luz se abram para você; pois estas coisas não podem ser percebidas nem compreendidas por todos, mas somente por aquele a quem Deus e o seu Cristo concederam sabedoria.’
“Depois de dizer essas e muitas outras coisas, que não há tempo de mencionar agora, ele foi embora, recomendando-me que as levasse em conta; e não o vi mais desde então. Mas logo se acendeu uma chama em minha alma, e apoderou-se de mim o amor pelos profetas e por aqueles homens que são amigos de Cristo; e, revolvendo as palavras dele em minha mente, descobri que só esta filosofia é segura e proveitosa. É assim, e por essa razão, que sou filósofo. Além disso, eu desejaria que todos, tomando uma resolução semelhante à minha, não se mantivessem afastados das palavras do Salvador. Pois elas possuem em si mesmas um poder tremendo e são suficientes para infundir temor aos que se desviam do caminho da retidão, ao passo que proporcionam o mais doce descanso aos que as praticam com diligência. Se, então, você se preocupa consigo mesmo, se busca com ardor a salvação e se crê em Deus, pode, já que não é indiferente ao assunto,16 conhecer o Cristo de Deus e, depois de iniciado,17 viver uma vida feliz.”
Quando eu disse isso, meus amados amigos,18 os que estavam com Trifão riram; mas ele, sorrindo, diz: “Aprovo as suas outras observações e admiro o ardor com que você estuda as coisas divinas; mas seria melhor que você continuasse ainda na filosofia de Platão ou de algum outro, cultivando a perseverança, o domínio próprio e a moderação, do que se deixar enganar por palavras falsas e seguir as opiniões de homens sem reputação. Pois, se você permanecesse naquele modo de filosofia e vivesse de maneira irrepreensível, ainda lhe restaria a esperança de um destino melhor; mas, tendo abandonado a Deus e posto a sua confiança num homem, que salvação ainda o espera? Se, então, quiser me ouvir (pois já o considero um amigo), primeiro circuncide-se; depois observe as ordenanças estabelecidas a respeito do sábado, das festas e das luas novas de Deus; e, numa palavra, faça tudo o que está escrito na lei: e então talvez alcance misericórdia de Deus. Quanto ao Cristo, se é que de fato já nasceu e está em algum lugar, ele é desconhecido, nem sequer conhece a si mesmo e não tem poder algum, até que Elias venha ungi-lo e torná-lo manifesto a todos. E vocês, tendo aceitado um boato sem fundamento, inventam para si mesmos um Cristo e por causa dele estão perecendo insensatamente.”
“Eu o desculpo e o perdoo, meu amigo”, disse eu. “Pois você não sabe o que diz, mas foi persuadido por mestres que não entendem as Escrituras; e fala, como um adivinho, tudo o que lhe vem à mente. Mas, se estiver disposto a ouvir uma explicação a respeito dele, de como não fomos enganados e não deixaremos de confessá-lo, ainda que os insultos dos homens se amontoem sobre nós, ainda que o mais terrível tirano nos obrigue a negá-lo, provarei a você, aqui mesmo onde está, que não cremos em fábulas vazias nem em palavras sem nenhum fundamento, mas em palavras cheias do Espírito de Deus, carregadas de poder e florescentes de graça.”
Então os que estavam em sua companhia riram de novo e gritaram de modo inconveniente. Levantei-me, então, e estava para ir embora; mas ele, segurando-me pela veste, disse que eu não faria isso19 antes de cumprir o que havia prometido. “Que os seus companheiros, então, não sejam tão barulhentos nem se comportem de modo tão vergonhoso”, disse eu. “Se quiserem, que escutem em silêncio; ou, se alguma ocupação melhor os impede, que se retirem; enquanto nós, depois de nos recolhermos a algum lugar e descansarmos ali, poderemos terminar a conversa.” Pareceu bem a Trifão que fizéssemos assim; e, tendo concordado, retiramo-nos para o espaço central do Xisto. Dois dos seus amigos, depois de ridicularizar o nosso zelo e zombar dele, foram embora. E, quando chegamos àquele lugar, onde há bancos de pedra dos dois lados, os que estavam com Trifão, tendo-se sentado de um lado, conversavam entre si, depois que um deles lançou uma observação sobre a guerra travada na Judeia.
E, quando eles se calaram, dirigi-me novamente a eles assim:
“Há alguma outra coisa, meus amigos, pela qual somos censurados, a não ser esta, que não vivemos segundo a lei, não somos circuncidados na carne como os seus antepassados e não guardamos os sábados como vocês? Também a nossa vida e os nossos costumes são caluniados entre vocês? E pergunto isto: vocês também acreditaram, a nosso respeito, que comemos homens e que, depois do banquete, apagadas as luzes, nos entregamos a uniões promíscuas? Ou nos condenam somente por isto, por aderirmos a tais ensinos e crermos numa opinião que, segundo vocês pensam, não é verdadeira?”
“É isto o que nos espanta”, disse Trifão; “mas as coisas de que a multidão fala não merecem crédito, pois são extremamente contrárias à natureza humana. Além disso, sei que os preceitos de vocês no chamado Evangelho são tão admiráveis e tão grandes que suspeito que ninguém consiga cumpri-los; pois eu os li com atenção. Mas o que mais nos deixa perplexos é isto: vocês, que professam ser piedosos e se julgam melhores que os outros, não se separam deles em coisa alguma, nem mudam o seu modo de viver em relação ao dos gentios, pois não observam festas nem sábados e não praticam o rito da circuncisão; e, além disso, pondo as suas esperanças num homem que foi crucificado, ainda esperam obter de Deus algum bem, embora não obedeçam aos seus mandamentos. Vocês não leram que será eliminada do seu povo a alma que não tiver sido circuncidada no oitavo dia (Gn 17.14)? E isso foi ordenado tanto para os estrangeiros como para os escravos. Mas vocês, desprezando temerariamente esta aliança, rejeitam os deveres que dela decorrem e procuram convencer-se de que conhecem a Deus, quando, no entanto, não praticam nenhuma das coisas que fazem os que temem a Deus. Se, portanto, você puder se defender nesses pontos e mostrar de que modo espera qualquer coisa que seja, mesmo sem observar a lei, ouviremos isso de você com muito prazer, e faremos outras investigações semelhantes.”
“Não haverá outro Deus, ó Trifão, nem houve desde a eternidade nenhum outro” (assim lhe falei), “senão aquele que fez e ordenou todo este universo. Nem pensamos que haja um Deus para nós e outro para vocês, mas que só é Deus aquele que tirou os seus pais do Egito com mão forte e braço erguido. Nem confiamos em nenhum outro (pois não há outro), mas naquele em quem também vocês confiaram, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Não confiamos, porém, por meio de Moisés ou por meio da lei; pois então faríamos o mesmo que vocês. Mas agora20 (pois li que haverá uma lei definitiva e uma aliança, a principal de todas, que agora todos os homens têm o dever de guardar, todos os que buscam a herança de Deus. Pois a lei promulgada no Horebe já está velha e pertence somente a vocês; esta, porém, é para todos, universalmente. Ora, uma lei estabelecida contra outra lei ab-rogou a que lhe era anterior, e uma aliança que vem depois pôs fim, do mesmo modo, à anterior; e uma lei eterna e definitiva, a saber, Cristo, nos foi dada, e a aliança é digna de confiança, depois da qual não haverá lei, nem mandamento, nem ordenança. Vocês não leram isto que Isaías diz: ‘Ouçam-me, ouçam-me, meu povo; e vocês, reis, deem-me ouvidos; porque de mim sairá uma lei, e o meu juízo será luz para as nações. A minha justiça se aproxima depressa, a minha salvação sairá, e as nações confiarão no meu braço’ (Is 51.4-5)? E por meio de Jeremias, a respeito desta mesma nova aliança, ele fala assim: ‘Eis aí vêm dias, diz o Senhor, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não segundo a aliança que fiz com os seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito’ (Jr 31.31-32).) Se, portanto, Deus anunciou uma nova aliança que havia de ser instituída, e isso como luz das nações, vemos e estamos convencidos de que os homens se achegam a Deus, deixando os seus ídolos e as outras injustiças, por meio do nome daquele que foi crucificado, Jesus Cristo, e permanecem fiéis à sua confissão até a morte, e guardam a piedade. Além disso, pelas obras e pelos milagres que as acompanham, todos podem compreender que ele é a nova lei, a nova aliança e a expectativa dos que, de todos os povos, esperam os bens de Deus. Pois o verdadeiro Israel espiritual, e descendência de Judá, de Jacó, de Isaque e de Abraão (o qual, na incircuncisão, foi aprovado e abençoado por Deus por causa da sua fé e chamado pai de muitas nações), somos nós, que fomos conduzidos a Deus por meio deste Cristo crucificado, como se demonstrará no decorrer da conversa.
Citei também outra passagem em que Isaías exclama: “‘Ouçam as minhas palavras, e a alma de vocês viverá; e farei com vocês uma aliança eterna, as fiéis misericórdias de Davi. Eis que o dei como testemunha ao povo: nações que não te conhecem te invocarão; povos que não te conhecem se refugiarão em ti, por causa do teu Deus, o Santo de Israel, porque ele te glorificou’ (Is 55.3-5). Esta mesma lei vocês desprezaram, e a sua nova e santa aliança vocês desdenharam; e agora nem a recebem, nem se arrependem das suas más obras. ‘Pois os seus ouvidos estão fechados, os seus olhos estão cegos, e o coração está endurecido’, clamou Jeremias;21 e nem assim vocês escutam. O Legislador está presente, e vocês não o veem; aos pobres é anunciado o Evangelho, os cegos veem, e vocês não entendem. Vocês precisam agora de uma segunda circuncisão, embora se gloriem muito na carne. A nova lei exige que vocês guardem um sábado perpétuo; e vocês, por ficarem ociosos um dia, julgam-se piedosos, sem discernir por que isso lhes foi ordenado; e, se comem pão sem fermento, dizem que a vontade de Deus foi cumprida. O Senhor nosso Deus não se agrada de tais observâncias: se há entre vocês algum perjuro ou ladrão, que deixe de sê-lo; se há algum adúltero, que se arrependa; então terá guardado os doces e verdadeiros sábados de Deus. Se alguém tem as mãos impuras, que se lave e fique puro.
“Pois Isaías não os mandou a um banho, para ali lavarem o homicídio e os outros pecados, que nem toda a água do mar seria suficiente para purificar; mas, como era de esperar, este era aquele banho salvador dos tempos antigos que acompanhava22 os que se arrependiam e que já não eram purificados pelo sangue de bodes e de ovelhas, nem pela cinza de uma novilha, nem pelas ofertas de flor de farinha, mas pela fé, por meio do sangue de Cristo e por meio da sua morte, ele que morreu justamente por isso, como o próprio Isaías disse, ao falar assim: ‘O Senhor desnudará o seu santo braço à vista de todas as nações, e todas as nações e os confins da terra verão a salvação de Deus. Saiam, saiam, saiam,23 retirem-se de lá e não toquem em coisa impura; saiam do meio dela, purifiquem-se, vocês que levam os utensílios do Senhor, porque24 vocês não sairão às pressas. Porque o Senhor irá adiante de vocês; e o Senhor, o Deus de Israel, os reunirá. Eis que o meu servo procederá com prudência; ele será exaltado e grandemente glorificado. Assim como muitos se espantaram de ti, assim a tua aparência e a tua glória serão desfiguradas mais do que as dos homens. Assim muitas nações se espantarão dele, e os reis fecharão a boca; porque verão aquilo que não lhes foi anunciado a respeito dele, e considerarão aquilo que não tinham ouvido. Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? Nós o anunciamos diante dele como uma criança, como raiz em terra seca. Ele não tem forma nem formosura, e, quando o vimos, não tinha forma nem beleza; mas a sua aparência é desonrada e mais desfalecida que a dos filhos dos homens. É homem em aflição e que sabe o que é suportar a enfermidade, porque o seu rosto foi desviado; foi desprezado, e dele não fizemos caso. Ele carrega os nossos pecados e sofre por nós; e nós o considerávamos como alguém em fadiga, em aflição e em maus-tratos. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele; pelas suas feridas fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho; e o Senhor fez cair sobre ele as nossas iniquidades, e, por causa da sua opressão, ele não abre a boca. Como ovelha foi levado ao matadouro e, como cordeiro mudo diante do seu tosquiador, assim ele não abre a boca. Na sua humilhação foi-lhe tirado o direito. E quem contará a sua geração? Porque a sua vida é tirada da terra. Por causa das transgressões do meu povo ele chegou à morte. E darei os ímpios pela sua sepultura e os ricos pela sua morte, porque ele não cometeu iniquidade, e nenhum engano foi encontrado em sua boca. E o Senhor quer purificá-lo da aflição. Se ele foi dado pelo pecado, a alma de vocês verá uma descendência de longa vida. E o Senhor quer livrar a sua alma da angústia, mostrar-lhe a luz, formá-lo no entendimento e justificar o Justo que serve bem a muitos. E ele levará os nossos pecados; por isso herdará muitos e repartirá o despojo dos fortes, porque a sua alma foi entregue à morte; e foi contado com os transgressores, e levou os pecados de muitos, e foi entregue por causa da transgressão deles. Cante, ó estéril, você que não dá à luz; exulte e grite, você que não sente dores de parto; porque os filhos da desamparada são mais numerosos do que os filhos da casada. Pois o Senhor disse: Alargue o espaço da sua tenda e das suas cortinas; firme-as, não poupe; alongue as cordas e reforce as estacas; estenda-se para a direita e para a esquerda; e a sua descendência herdará os gentios, e você fará com que as cidades desoladas sejam herdadas. Não tema por estar envergonhada, nem se confunda por ter sido insultada; porque você se esquecerá da vergonha eterna e não se lembrará mais do opróbrio da sua viuvez, porque o Senhor fez para si um nome, e aquele que a resgatou será chamado em toda a terra o Deus de Israel. O Senhor chamou você como25 uma mulher abandonada e de espírito abatido, como26 uma mulher odiada desde a mocidade’ (Is 52.10-54.6).
1. Este Xisto, segundo a autoridade de Eusébio (iv. 18), ficava em Éfeso. Ali, como menciona Filóstrato, Apolônio costumava travar debates. (Otto)
2. Eusébio (iv. 11): “Justino, em traje de filósofo, pregava a palavra de Deus.”
3. Por gracejo, sem dúvida, porque cita um verso de Homero, Ilíada, vi. 123: tis de su essi, pheriste, katathneton anthropon.
4. A guerra instigada por Bar Kokhba.
5. As opiniões dos estoicos. (Otto)
6. Os platônicos.
7. Alguns omitem ho e colocam theo da oração anterior nesta oração, lendo assim: “A filosofia é o maior dos bens e o mais honroso, e nos conduz a Deus” etc.
8. Marano pensa que se chamam teoréticos os que são diferentes dos mestres da filosofia prática. Não sei se seria melhor designá-los céticos ou pirronistas. (Otto)
9. Juliano, Discursos, vi, diz: “Que ninguém divida a nossa filosofia em muitas partes, nem a corte em muitas partes, e sobretudo que não faça de uma muitas; pois, assim como a verdade é uma, assim também a filosofia.”
10. Indica-se ou Flávia Neápolis, ou Éfeso. (Otto)
11. Narrando o seu progresso no estudo da filosofia platônica, ele emprega com elegância esta conhecida expressão de Platão. (Otto)
12. Filologia, usada aqui para designar o exercício da razão.
13. Filologia, usada aqui para designar o exercício da palavra. É preciso ter em vista o duplo uso de logos, como oratio e como ratio. O ancião o usa no primeiro sentido; Justino, no segundo.
14. “Ao lado de.”
15. Otto diz: se o ancião começa a falar aqui, então é preciso ler echei em vez de echein. O texto recebido faz parecer que Justino continua uma citação de Platão, ou a substância dela.
16. Segundo uma interpretação, esta oração se aplica a Deus: “Se você crê em Deus, visto que ele não é indiferente ao assunto” etc. Marano diz que o sentido é este: um judeu que lê tanto acerca de Cristo no Antigo Testamento não pode ser indiferente às coisas que dizem respeito a ele.
17. Literalmente: tendo-se tornado perfeito. Alguns referem as palavras à perfeição do caráter; outros, à iniciação pelo batismo.
18. Versão latina: “amado Pompeu”.
19. Segundo outra leitura, “não fui embora”.
20. Os editores supõem que Justino insere aqui um longo parêntese, de “pois” até “Egito”. É mais natural entender isto como um anacoluto. Justino ia dizer: “Mas agora confiamos por meio de Cristo”, mas sente que tal afirmação exige uma explicação preliminar.
21. Não está em Jeremias; alguns poriam, em lugar de Jeremias, Isaías ou João.
22. 1Co 10.4. Otto lê: o qual ele mencionou e que era para os que se arrependiam.
23. Três vezes em Justino, não na Septuaginta.
24. Afastando-se ligeiramente da Septuaginta, com a omissão de uma oração.
25. Septuaginta: “não como” etc.
26. Septuaginta: “não como” etc.
Tradução para o português a partir da versão inglesa de Marcus Dods e George Reith (Ante-Nicene Fathers, vol. 1, Buffalo, 1885), conferida com as imagens das páginas; domínio público. É, portanto, tradução de tradução. As notas são dos tradutores ingleses; as do editor americano da coleção foram omitidas. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando Justino cita o texto bíblico tal como o conhecemos; quando cita pela Septuaginta ou de memória, segue-se a redação dele. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.