Basílio, Sobre o Espírito Santo · Capítulos 1 a 5

O valor das palavras; as preposições e a doxologia

Por que examinar até as menores palavras da teologia; a sutileza dos hereges sobre as preposições; a Escritura não distingue "de quem", "por meio de quem" e "em quem" como eles pretendem.

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Capítulo I. Observações preliminares sobre a necessidade de investigar com exatidão até as menores partes da teologia

1. Louvo muito o seu desejo de aprender, meu amadíssimo e respeitabilíssimo irmão Anfilóquio, e não menos a sua diligente energia. Alegrei-me imensamente com o cuidado e a vigilância que você mostrou ao manifestar a opinião de que, de todos os termos que se referem a Deus, em qualquer modo de falar, nenhum deve ficar sem exata investigação. Você aproveitou bem a leitura da exortação do Senhor: “Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra” (Lc 11.10); e, com a sua diligência em perguntar, seria capaz, creio eu, de mover até os mais relutantes a repartir com você o que possuem. E isto em você me causa ainda mais admiração: que não proponha as suas perguntas, à maneira da maior parte dos homens do nosso tempo, como simples prova, mas com o honesto desejo de chegar à verdade real. Não faltam nestes dias ouvintes e questionadores capciosos; mas encontrar um caráter desejoso de aprender, que busque a verdade como remédio para a ignorância, é muito difícil. Assim como no laço do caçador ou na emboscada do soldado o ardil costuma estar engenhosamente escondido, assim acontece com as perguntas da maioria dos questionadores, que apresentam argumentos não tanto com a intenção de tirar deles algum proveito, mas para que, caso não consigam arrancar respostas que concordem com os seus próprios desejos, pareçam ter bom motivo para a controvérsia.

2. Se “ao insensato que pede sabedoria, sabedoria lhe será imputada” (Pv 17.28), quão alto preço daremos ao “ouvinte sábio”, que o Profeta menciona no mesmo versículo que o “conselheiro admirável” (Is 3.3)? É justo, creio eu, julgá-lo digno de toda aprovação e incentivá-lo a progredir ainda mais, partilhando o seu entusiasmo e trabalhando em tudo ao seu lado enquanto ele avança rumo à perfeição. Considerar de primeira importância os termos usados na teologia e esforçar-se por descobrir o sentido oculto em cada frase e em cada sílaba é uma característica que falta aos que são preguiçosos na busca da verdadeira religião, mas que distingue todos os que conhecem “o alvo” “da nossa vocação” (Fp 3.14); pois o que nos é proposto é tornar-nos semelhantes a Deus, tanto quanto é possível à natureza humana. Ora, sem conhecimento não pode haver semelhança, e o conhecimento não se adquire sem lições. O princípio do ensino é a fala, e as sílabas e as palavras são partes da fala. Segue-se, então, que investigar sílabas não é errar o alvo; nem se deve julgar as questões levantadas indignas de atenção só porque a alguns possam parecer insignificantes. A verdade é sempre uma caça difícil de apanhar, e por isso devemos procurar os seus rastros por toda parte. A aquisição da verdadeira religião é exatamente como a dos ofícios: ambas crescem pouco a pouco; os aprendizes nada devem desprezar. Se alguém desprezar os primeiros elementos como pequenos e insignificantes, jamais chegará à perfeição da sabedoria.

Sim e Não são apenas duas sílabas; contudo, muitas vezes estão envolvidos nestas pequenas palavras, ao mesmo tempo, o melhor de todos os bens, a Verdade, e aquilo além do qual a maldade não pode ir, a Mentira. Mas por que mencionar o Sim e o Não? Já houve mártir que, dando testemunho de Cristo, foi julgado ter pago por inteiro o que a verdadeira religião lhe exigia apenas com um aceno de cabeça.1 Se é assim, que termo da teologia é tão pequeno que o efeito do seu peso na balança, conforme seja usado bem ou mal, não seja grande? Da Lei nos é dito que “nem um i ou um til jamais passará” (Mt 5.18); como, então, poderíamos com segurança deixar passar despercebido o mínimo que seja? Os próprios pontos que você quis ver minuciosamente examinados por nós são, ao mesmo tempo, pequenos e grandes. O seu uso é questão de um instante, e talvez por isso sejam tidos em pouca conta; mas, quando calculamos a força do seu sentido, são grandes. Podem ser comparados à planta da mostarda, que, embora seja a menor das sementes de arbustos, quando bem cultivada e desenvolvidas as forças latentes nos seus germes, se eleva à altura que lhe é própria.

Se alguém rir ao ver a nossa sutileza, para usar as palavras do salmista (Sl 119.85),2 a respeito de sílabas, saiba que colhe o fruto infrutífero do riso; e nós, sem ceder às censuras dos homens nem nos deixar vencer pelo seu desdém, prossigamos a nossa investigação. Longe de me envergonhar destas coisas por serem pequenas, eu, mesmo que pudesse alcançar uma fração mínima da sua dignidade, me felicitaria por ter conquistado grande honra e diria ao meu irmão e companheiro de investigação que dela lhe tinha resultado um ganho nada pequeno.

Ciente, portanto, de que a controvérsia contida em pequenas palavras é muito grande, não fujo do trabalho, na esperança do prêmio, convencido de que a discussão será proveitosa para mim mesmo e de que os meus ouvintes serão recompensados com benefício nada pequeno. Por isso agora, com a ajuda, se assim posso dizer, do próprio Espírito Santo, passarei à exposição do assunto e, se você quiser, para que eu seja posto no caminho da discussão, voltarei por um momento à origem da questão que temos diante de nós.

3. Recentemente, orando com o povo e usando a doxologia completa a Deus Pai nas duas formas, ora “com o Filho, juntamente com o Espírito Santo”, ora “por meio do Filho, no Espírito Santo”, fui atacado por alguns dos presentes, sob a alegação de que eu introduzia termos novos e, ao mesmo tempo, contraditórios entre si.3 Você, porém, principalmente com a intenção de beneficiá-los, ou, se forem de todo incuráveis, para a segurança dos que possam vir a ter contato com eles, manifestou a opinião de que se deveria publicar algum ensino claro sobre a força que está por trás das sílabas empregadas. Escreverei, portanto, do modo mais conciso possível, procurando estabelecer algum princípio reconhecido para a discussão.

Capítulo II. A origem da observação minuciosa das sílabas pelos hereges

4. A mesquinha exatidão desses homens a respeito de sílabas e palavras não é, como se poderia supor, simples e sincera; nem é pequeno o mal a que ela tende. Está envolvido aí um desígnio profundo e oculto contra a verdadeira religião. O que eles sustentam com obstinação é que a menção do Pai, do Filho e do Espírito Santo é dessemelhante, como se daí lhes fosse fácil demonstrar que há diferença de natureza. Eles têm um velho sofisma, inventado por Aécio, o campeão desta heresia, em uma de cujas cartas há uma passagem segundo a qual as coisas dessemelhantes por natureza são expressas em termos dessemelhantes e, inversamente, as coisas expressas em termos dessemelhantes são dessemelhantes por natureza. Como prova dessa afirmação, ele arrasta as palavras do Apóstolo: “um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas … e um só Senhor, Jesus Cristo, por meio de quem todas as coisas existem” (1Co 8.6). “Qualquer que seja, então”, prossegue ele, “a relação desses termos entre si, tal será a relação das naturezas por eles indicadas; e, assim como o termo ‘de quem’ é dessemelhante do termo ‘por meio de quem’, assim o Pai é dessemelhante do Filho”.4 Desta heresia depende a vã sutileza desses homens a respeito das expressões em questão. Por isso atribuem a Deus Pai, como se fosse a sua porção e herança distintiva, a expressão “de quem”; ao Deus Filho restringem a expressão “por meio de quem”; ao Espírito Santo, a expressão “em quem”; e dizem que esse uso das sílabas nunca se intercambia, para que, como eu já disse, a diferença de linguagem indique a diferença de natureza.5 Na verdade, é bastante evidente que, com as suas sutilezas sobre as palavras, eles se esforçam por sustentar a força do seu argumento ímpio.

Pelo termo “de quem” eles querem indicar o Criador; pelo termo “por meio de quem”, o agente subordinado6 ou instrumento;7 pelo termo “em quem” ou “no qual”, pretendem mostrar o tempo ou o lugar. O objetivo de tudo isso é que o Criador do universo8 seja considerado de dignidade não superior à de um instrumento, e que o Espírito Santo pareça não acrescentar às coisas existentes nada além da contribuição que vem do lugar ou do tempo.

Capítulo III. A discussão sistemática das sílabas deriva da filosofia pagã

5. Eles foram levados a esse erro, porém, pelo estudo atento dos escritores pagãos, que aplicaram respectivamente os termos “de quem” e “por meio de quem” a coisas distintas por natureza. Esses escritores supõem que pelo termo “de quem” ou “do qual” se indica a matéria, ao passo que o termo “por meio de quem” ou “por meio do qual”9 representa o instrumento ou, de modo geral, a ação subordinada.10 Ou antes (pois não parece haver razão para não retomarmos todo o argumento deles e expormos brevemente, ao mesmo tempo, a sua incompatibilidade com a verdade e a sua incoerência com o próprio ensino deles), os estudiosos da vã filosofia, ao exporem a natureza múltipla da causa e distinguirem os seus significados particulares, definem algumas causas como principais,11 outras como cooperantes ou concausais, enquanto outras têm o caráter de “sine qua non”, ou indispensáveis.12

Para cada uma delas, eles têm um uso de termos distinto e próprio, de modo que o fabricante é indicado de maneira diferente do instrumento. Para o fabricante, pensam que a expressão própria é “por quem”, sustentando que o banco é produzido “pelo” carpinteiro; e, para o instrumento, “por meio do qual”, visto que é produzido “por meio” da enxó, da verruma e do resto. Da mesma forma, reservam “do qual” para a matéria, visto que a coisa feita é “de” madeira, ao passo que “segundo o qual” mostra o desenho, ou o modelo posto diante do artesão. Pois ele ou primeiro faz um esboço mental e assim aplica a imaginação àquilo que está fazendo, ou então olha para um modelo que lhe foi posto diante antes e organiza o seu trabalho de acordo com ele. A expressão “por causa do qual” eles querem que se restrinja ao fim ou propósito, sendo o banco, como dizem, produzido para o uso do homem, ou por causa dele. “No qual” supostamente indica o tempo e o lugar. Quando foi produzido? Neste tempo. E onde? Neste lugar. E, embora o lugar e o tempo nada contribuam para o que está sendo produzido, sem eles, contudo, a produção de qualquer coisa é impossível, pois os agentes eficientes precisam tanto de lugar como de tempo. São essas distinções minuciosas, derivadas de uma filosofia sem utilidade e de um vão engano,13 que os nossos oponentes primeiro estudaram e admiraram, e depois transferiram para a doutrina simples e sem artifícios do Espírito, para o rebaixamento de Deus Verbo e o desprezo do Espírito divino. Até a expressão reservada pelos escritores não cristãos para o caso dos instrumentos inanimados14 ou do serviço manual da espécie mais vil, refiro-me à expressão “por meio do qual” ou “mediante o qual”, eles não hesitam em transferi-la ao Senhor de todas as coisas; e cristãos não sentem vergonha de aplicar ao Criador do universo a linguagem própria de um martelo ou de uma serra.

Capítulo IV. Não há distinção no uso destas sílabas na Escritura

6. Reconhecemos que a palavra da verdade fez uso dessas expressões em muitos lugares; negamos, porém, absolutamente, que a liberdade do Espírito esteja escravizada à mesquinhez do paganismo. Ao contrário, sustentamos que a Escritura varia as suas expressões conforme a ocasião exige, segundo as circunstâncias do caso. Por exemplo, a expressão “do qual” nem sempre e de modo absoluto, como eles supõem, indica a matéria;15 antes, é mais conforme ao uso da Escritura aplicar esse termo ao caso da Causa suprema, como nas palavras “um só Deus, de quem são todas as coisas” (1Co 8.6) e ainda “tudo vem de Deus” (1Co 11.12). Contudo, a palavra da verdade usou muitas vezes esse termo no caso da matéria, como quando diz: “Farás uma arca de madeira incorruptível” (Êx 25.10);16 e “Faça também um candelabro de ouro puro” (Êx 25.31); e “O primeiro homem é da terra, terreno” (1Co 15.47); e “Tu foste formado do barro, assim como eu” (Jó 33.6). Mas esses homens, a fim de estabelecer, como já observamos, a diferença de natureza, decretaram que essa expressão convém somente ao Pai. Essa distinção eles a tiraram originalmente de autoridades pagãs, mas aqui não mostraram nenhuma exatidão fiel na imitação. Ao Filho, em conformidade com o ensino dos seus mestres, deram o título de instrumento, e ao Espírito o de lugar, pois dizem “no Espírito” e “por meio do Filho”. Mas, quando aplicam “de quem” a Deus, já não seguem o exemplo pagão, mas passam, como dizem, ao uso apostólico, conforme está dito: “Mas vocês são dele, em Cristo Jesus” (1Co 1.30) e “tudo vem de Deus” (1Co 11.12). Qual é, então, o resultado dessa discussão sistemática? Uma é a natureza da Causa; outra, a do Instrumento; outra, a do Lugar. Assim, o Filho é por natureza distinto do Pai, como a ferramenta do artesão; e o Espírito é distinto na medida em que o lugar ou o tempo se distinguem da natureza das ferramentas ou da natureza dos que as manejam.

Capítulo V. “por meio de quem” se diz também no caso do Pai, e “de quem” no caso do Filho e do Espírito

7. Depois de assim descrever o resultado dos argumentos dos nossos adversários, passaremos agora a mostrar, como nos propusemos, que o Pai não toma primeiro o “de quem” para depois abandonar o “por meio de quem” ao Filho; e que não há verdade alguma na regra desses homens segundo a qual o Filho se recusa a admitir o Espírito Santo à participação no “de quem” ou no “por meio de quem”, conforme a delimitação da sua nova partilha de expressões. “Há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas, e um só Senhor, Jesus Cristo, por meio de quem todas as coisas existem” (1Co 8.6).

Sim; mas essas são as palavras de um escritor que não está estabelecendo uma regra, mas distinguindo cuidadosamente as hipóstases.17

O objetivo do apóstolo, ao escrever assim, não era introduzir a diversidade de natureza, mas apresentar a noção de Pai e de Filho sem confusão. Que as expressões não se opõem uma à outra e não lançam em conflito mútuo as naturezas a que se aplicam, como esquadrões em guerra dispostos uns contra os outros, fica perfeitamente claro pela passagem em questão. O bem-aventurado Paulo aplica as duas expressões a um só e mesmo sujeito, nas palavras: “dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas” (Rm 11.36). Que isto se refere claramente ao Senhor, admitirá até o leitor que preste pouca atenção ao sentido das palavras. O apóstolo acabara de citar a profecia de Isaías: “Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?” (Rm 11.34; Is 40.13), e então prossegue: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas” (Rm 11.36). Que o profeta fala de Deus Verbo, o Autor de toda a criação, pode-se aprender do que precede imediatamente: “Quem na concha de sua mão mediu as águas e tomou a medida dos céus a palmos? Quem recolheu o pó da terra numa medida e pesou os montes em balanças e as colinas numa balança? Quem guiou o Espírito do Senhor? Ou, como seu conselheiro, o ensinou?” (Is 40.12-13). Ora, a palavra “quem” nesta passagem não significa impossibilidade absoluta, mas raridade, como na passagem “Quem se levantará a meu favor contra os perversos?” (Sl 94.16), e “Quem é o homem que deseja a vida?” (Sl 34.12), e “Quem subirá ao monte do Senhor?” (Sl 24.3). Assim é na passagem em questão: “Quem guiou [LXX: conheceu] o Espírito do Senhor, ou, como seu conselheiro, o conheceu?”. “Porque o Pai ama o Filho e lhe mostra tudo” (Jo 5.20). Este é aquele que sustenta a terra e a segurou com a mão, que trouxe todas as coisas à ordem e ao ornamento, que equilibrou18 as colinas nos seus lugares e mediu as águas, e deu a todas as coisas do universo a posição que lhes é própria; que abarca todo o céu com apenas uma pequena parte do seu poder, a que o profeta, em figura, chama palmo. Com razão, pois, o apóstolo acrescentou: “Dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas” (Rm 11.36). Pois dele, a todas as coisas que existem, vem a causa do seu ser, segundo a vontade de Deus Pai. Por meio dele todas as coisas têm a sua permanência19 e a sua consistência (cf. Cl 1.16-17), porque ele criou todas as coisas e distribui a cada uma, separadamente, o que é necessário para a sua saúde e preservação. Por isso, todas as coisas se voltam para ele, olhando com anseio irresistível e afeição indizível para o “Autor” (At 3.15) e mantenedor “da” sua “vida”, como está escrito: “Em ti esperam os olhos de todos” (Sl 145.15); e ainda: “Todos esperam de ti” (Sl 104.27); e “Abres a mão e satisfazes os desejos de todos os viventes” (Sl 145.16).

8. Mas, se os nossos adversários se opuserem a esta nossa interpretação, que argumento os livrará de cair na sua própria armadilha?

Pois, se não admitirem que as três expressões “dele”, “por meio dele” e “para ele” se dizem do Senhor, elas não podem deixar de ser aplicadas a Deus Pai. Então, sem dúvida alguma, a regra deles cairá por terra, pois encontramos aplicado ao Pai não só o “de quem”, mas também o “por meio de quem”. E, se esta última expressão nada indica de depreciativo, por que razão haveria de ser restringida ao Filho, como se transmitisse a ideia de inferioridade? Se ela sempre e em toda parte implica ministério, digam-nos a que superior está subordinado o Deus da glória (Sl 29.3; At 7.2) e Pai do Cristo.

Assim eles são derrubados por si mesmos, enquanto a nossa posição ficará assegurada dos dois lados. Suponha-se provado que a passagem se refere ao Filho: “de quem” se verificará aplicável ao Filho. Suponha-se, por outro lado, que se insista em que as palavras do profeta se referem a Deus: então se concederá que “por meio de quem” se usa com propriedade de Deus, e as duas expressões têm igual valor, visto que ambas se usam com igual força a respeito de Deus. Em qualquer das alternativas, os dois termos, empregados a respeito de uma só e mesma Pessoa, se mostrarão equivalentes. Mas voltemos ao nosso assunto.

9. Na sua Epístola aos Efésios, o apóstolo diz: “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem-ajustado e consolidado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio crescimento” (Ef 4.15-16).

E ainda, na Epístola aos Colossenses, aos que não têm o conhecimento do Unigênito, faz-se menção daquele que retém “a cabeça”, isto é, Cristo, “da qual todo o corpo, suprido e bem-vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que vem de Deus” (Cl 2.19). E que Cristo é a cabeça da igreja, aprendemos em outra passagem, quando o apóstolo diz: “para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja” (Ef 1.22); e: “todos nós temos recebido da sua plenitude” (Jo 1.16). E o próprio Senhor diz: “vai receber do que é meu e anunciar isso a vocês” (Jo 16.15). Em suma, o leitor diligente perceberá que “de quem” se usa de diversas maneiras.20 Por exemplo, o Senhor diz: “senti que de mim saiu poder” (Lc 8.46).21 Do mesmo modo, temos observado com frequência “de quem” usado a respeito do Espírito. “Quem semeia para o Espírito”, diz-se, “do Espírito colherá vida eterna” (Gl 6.8). João também escreve: “nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo (ek) Espírito que nos deu” (1Jo 3.24). “O que nela foi gerado”, diz o anjo, “é do Espírito Santo” (Mt 1.20); e o Senhor diz: “o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6). Assim é, pois, a questão até aqui.

10. Deve-se mostrar agora que a expressão “por meio de quem” é admitida pela Escritura igualmente no caso do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Seria realmente enfadonho apresentar provas disso no caso do Filho, não só porque é perfeitamente conhecido, mas porque esse mesmo ponto é sustentado pelos nossos oponentes. Mostramos agora que “por meio de quem” se usa também no caso do Pai. “Fiel é Deus”, diz-se, “por meio de quem (di’ hou) vocês foram chamados à comunhão de seu Filho” (1Co 1.9); e “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo pela (dia) vontade de Deus”; e ainda: “Assim, você já não é mais escravo, porém filho; e, sendo filho, também é herdeiro por meio de Deus” (Gl 4.7).22 E: “como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela (dia) glória de Deus Pai” (Rm 6.4).23 Isaías, além disso, diz: “Ai dos que fazem conselho profundo, e não por meio do Senhor” (Is 29.15); e muitas provas do uso desta expressão no caso do Espírito poderiam ser apresentadas. “Deus revelou isso a nós”, diz-se, “por meio do (dia) Espírito” (1Co 2.10); e em outro lugar: “Guarde o bom tesouro que lhe foi confiado, por meio do (dia) Espírito Santo” (2Tm 1.14); e ainda: “a um é dada, mediante o (dia) Espírito, a palavra da sabedoria” (1Co 12.8).

11. Do mesmo modo, também se pode dizer da palavra “em” que a Escritura admite o seu uso no caso de Deus Pai. No Antigo Testamento está dito que em (en) Deus faremos proezas (Sl 108.13); e: “O meu louvor estará continuamente em (en) ti” (Sl 71.6); e ainda: “Em teu nome me alegrarei” (Sl 89.16).24 Em Paulo lemos: “em Deus, que criou todas as coisas” (Ef 3.9); e: “Paulo, Silvano e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses, em Deus, nosso Pai” (2Ts 1.1); e: “se, enfim, de algum modo, pela (en) vontade de Deus, eu tiver próspera viagem para ir até vocês” (Rm 1.10); e: “você se gloria em Deus” (Rm 2.17). Os exemplos são, na verdade, numerosos demais para contar; mas o que queremos não é tanto exibir abundância de provas quanto demonstrar que as conclusões dos nossos oponentes não se sustentam. Omitirei, portanto, qualquer prova desse uso no caso do nosso Senhor e do Espírito Santo, visto que é notório. Mas não posso deixar de observar que “o ouvinte sábio” encontrará prova suficiente da proposição que tem diante de si seguindo o método dos contrários. Pois, se a diferença de linguagem indica, como nos dizem, que a natureza mudou, então que a identidade de linguagem obrigue os nossos adversários a confessar, envergonhados, que a essência não mudou.

12. E não é só no caso da teologia que o uso dos termos varia;25 mas, sempre que um dos termos assume o sentido do outro, encontramo-los com frequência transferidos de um sujeito para o outro. Assim, por exemplo, Adão diz: “Adquiri um homem por meio de Deus” (Gn 4.1),26 querendo dizer o mesmo que “da parte de Deus”; e em outra passagem: “Moisés deu ordem … a Israel por meio da palavra do Senhor” (Nm 36.5); e ainda: “Não é por meio de Deus a interpretação?” (Gn 40.8). José, discorrendo sobre sonhos com os presos, em vez de dizer “da parte de Deus”, diz claramente “por meio de Deus”. Inversamente, Paulo usa o termo “de quem” em vez de “por meio de quem”, quando diz “feito de uma mulher” (A.V.: “of“, em vez de “por meio de uma mulher”) (Gl 4.4). E isto ele distinguiu claramente em outra passagem, onde diz que é próprio da mulher ser feita do homem, e do homem ser feito por meio da mulher, nas palavras: “Porque, assim como a mulher procede do [A.V.: of] homem, assim também o homem vem por meio da [A.V.: by] mulher” (1Co 11.12). Contudo, na passagem em questão, o apóstolo, ao mesmo tempo que ilustra a variedade do uso, corrige de passagem o erro dos que supunham que o corpo do Senhor era um corpo espiritual27 e, para mostrar que a carne portadora de Deus28 foi formada da massa29 comum da natureza humana, deu preferência à preposição mais enfática.

A expressão “por meio de uma mulher” facilmente daria lugar à suspeita de mera passagem na geração, ao passo que a expressão “da mulher” indicaria satisfatoriamente que a natureza era partilhada pela mãe e pelo filho. O apóstolo de modo algum se contradizia, mas mostrou que as palavras podem, sem dificuldade, ser intercambiadas. Visto, portanto, que o termo “de quem” é transferido para os mesmos sujeitos a cujo respeito se decide que “por meio de quem” é usado com propriedade, com que coerência se podem distinguir sempre essas expressões uma da outra, para acusar falsamente a verdadeira religião?

Notas

1. Isto é, confessou ou negou ser cristão. Os editores beneditinos e os que os seguem parecem ter perdido a força do original, tanto gramatical como historicamente, ao referi-lo ao tempo em que São Basílio escreve; ede ekrithe não significa “nos dias de hoje é julgado”, mas “já foi julgado”. E no ano 374 não havia perseguição aos cristãos como a que parece estar em vista, embora Valente tentasse esmagar os católicos.

2. “Os iníquos descreveram para mim sutilezas, mas não segundo a tua lei, ó Senhor”; em lugar do que a A.V. e a R.V. trazem: “Os soberbos abriram covas para mim, os quais não andam segundo a tua lei”. A palavra adoleschia é usada em mau sentido para significar tagarelice; em bom sentido, agudeza, sutileza.

3. É impossível transmitir em inglês a força exata das preposições usadas. “Com” representa meta, cujo sentido original é “no meio de”; “juntamente com”, syn, cujo sentido original é “ao mesmo tempo que”. O latim da edição beneditina traduz a primeira por cum e a segunda por una cum. “Por meio de” corresponde a dia, que, com o genitivo, se usa do instrumento; “em”, a en, “em”, mas também comumente usado do instrumento ou meio. Na conhecida passagem de 1Co 8.6, a A.V. traduz di’ hou ta panta por “through whom are all things” (por meio de quem são todas as coisas); a R.V., por “by whom” (pelo qual).

4. A história, tal como a conta Teodoreto (História eclesiástica 2.23), é a seguinte: “Constâncio, ao voltar do Ocidente, passou algum tempo em Constantinopla” (isto é, em 360, quando se realizou o sínodo de Constantinopla, pouco depois do de Selêucia da Isáuria, no qual “substância” e “hipóstase” foram declarados termos inadmissíveis e o Filho foi proclamado semelhante ao Pai segundo as Escrituras). Instava-se com o imperador para que “Eudóxio fosse condenado por blasfêmia e transgressão da lei. Constâncio, porém, … respondeu que primeiro se devia chegar a uma decisão sobre as questões de fé e que depois se examinaria o caso de Eudóxio. Basílio (de Ancira), confiando na antiga intimidade, ousou objetar ao imperador que ele estava atacando os decretos apostólicos; mas Constâncio levou isso a mal e mandou Basílio calar-se, pois a você, disse ele, se deve a perturbação das igrejas. Silenciado Basílio, interveio Eustácio (de Sebaste) e disse: Já que, senhor, desejas que se chegue a uma decisão sobre o que diz respeito à fé, considera as blasfêmias proferidas por Eudóxio contra o Unigênito; e, enquanto falava, apresentou a exposição de fé, na qual, além de muitas outras impiedades, se encontravam as seguintes expressões: As coisas de que se fala em termos dessemelhantes são dessemelhantes em substância; há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas, e um só Senhor, Jesus Cristo, por meio de quem são todas as coisas. Ora, o termo ‘de quem’ é dessemelhante do termo ‘por meio de quem’; logo, o Filho é dessemelhante de Deus Pai. Constâncio mandou ler essa exposição de fé e desagradou-se da blasfêmia que ela continha. Perguntou, então, a Eudóxio se a havia redigido. Eudóxio repudiou imediatamente a autoria e disse que fora escrita por Aécio. Ora, Aécio … estava naquele tempo associado a Eunômio e Eudóxio; e, como achara Eudóxio, à semelhança de si mesmo, sibarita no luxo e herege na fé, escolheu Antioquia como a morada mais conveniente, e tanto ele como Eunômio eram presenças fixas nos divãs de Eudóxio. … O imperador tinha sido informado de tudo isso e mandou então que Aécio fosse trazido à sua presença. Quando ele apareceu, Constâncio mostrou-lhe o documento em questão e passou a indagar se ele era o autor da sua linguagem. Aécio, totalmente ignorante do que se passara e sem perceber o rumo da investigação, esperou ganhar louvor confessando, e admitiu ser o autor das expressões em questão. Então o imperador percebeu a grandeza da sua iniquidade e imediatamente o condenou ao exílio e a ser deportado para um lugar da Frígia”. São Basílio acompanhou Eustácio e o seu homônimo a Constantinopla nessa ocasião, sendo então apenas diácono (Filostórgio, História eclesiástica 4.12). Basílio de Ancira e Eustácio, por sua vez, sofreram o desterro. Basílio, o diácono, voltou para Cesareia da Capadócia.

5. Veja a forma do credo ariano dada por Eunômio na sua Apologia (Migne, XXX, 840): “Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, de quem são todas as coisas; e em um só Filho unigênito de Deus, Deus Verbo, nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de quem são todas as coisas; e em um só Espírito Santo, o Consolador, em quem se faz a cada um dos santos a distribuição de toda graça, na proporção que for mais conveniente”.

6. Veja Eunômio, Apologia 27, onde ele diz do Filho hypourgos (ajudante, subordinado).

7. Sobre a palavra organon, ferramenta, aplicada ao Verbo de Deus, veja Nestório em Mário Mercator (Migne, p. 761) e Cirilo de Alexandria, Cartas 1 (Migne, X, 37): “A criatura não deu à luz o incriado, mas deu à luz o homem, órgão da divindade”. Veja Thomasius, Dogmática cristã I, 336. O Sr. Johnston cita Fílon (Sobre os querubins 35; I, 162) quando fala de organon de logon Theou di’ hou kateskeuasthe (subentende-se ho kosmos: “e, como instrumento, o Verbo de Deus, por meio do qual o mundo foi feito”).

8. Aqui, evidentemente, se refere ao Filho.

9. A ambiguidade de gênero em ex hou e di’ hou só pode ser expressa dando as alternativas em inglês.

10. Há quatro causas, ou espécies de causa: 1. A essência ou quididade (forma): to ti en einai. 2. As condições necessárias (matéria): to tinon onton ananke tout’ einai. 3. O motor próximo ou estimulador da mudança (eficiente): he ti proton ekinese. 4. Aquilo em vista de que (causa final ou fim): to tinos heneka. Grote, Aristóteles I, 354. As quatro causas aristotélicas são, portanto: 1. Formal. 2. Material. 3. Eficiente. 4. Final. Veja Aristóteles, Analíticos posteriores II, 11; Metafísica I, 3; e Física II, 3. As seis causas de Basílio podem ser referidas às quatro de Aristóteles do seguinte modo. Aristóteles: 1. to ti en einai; 2. to ex hou ginetai ti; 3. he arche tes metaboles he prote; 4. to hou heneka. Basílio: 1. kath’ ho, isto é, a forma ou ideia segundo a qual uma coisa é feita; 2. ex hou, isto é, a matéria da qual é feita; 3. hyph’ hou, isto é, o agente, que usa meios; di’ hou, isto é, os meios; 4. di’ ho, isto é, o fim. En ho, ou sine qua non, aplica-se a todas.

11. prokatarktike. Veja Plutarco, Moralia 1056 B-D: prokatarktike aitia he heimarmene.

12. Veja Clemente de Alexandria, Stromata VIII, 9: “Das causas, umas são principais, outras conservadoras, outras cooperantes, outras indispensáveis; por exemplo, da educação, a causa principal é o pai; a conservadora, o mestre-escola; a cooperante, a disposição do aluno; a indispensável, o tempo”.

13. ek tes mataiotetos kai kenes apates. Veja mataiotes mataioteton, “vaidade de vaidades”, Ec 1.2, LXX. Em Aristóteles, Ética I, 2, diz-se de um desejo que é kene kai mataia quando vai ao infinito, desejando-se cada coisa por causa de outra; isto é, kene, vazio, como o desejo da lua, e mataia, inútil, como o desejo do império da China. No texto, mataiotes parece significar a filosofia pagã, um vão engano, em distinção da filosofia cristã.

14. apsycha organa. Um escravo, segundo Aristóteles, Ética a Nicômaco VIII, 7, 6, é empsychon organon (instrumento animado).

15. Hyle, em latim materies, da mesma raiz que mater, de onde vêm os termos ingleses material e matter. (Hyle, hylFa, é a mesma palavra que sylva, bosque. Com materies compare-se Madeira, do português “madeira”, isto é, madeira de construção.) “A palavra hyle em Platão tem o mesmo significado que na linguagem comum: significa bosque, madeira e, às vezes, de modo geral, material. A aplicação filosófica posterior da palavra para significar a concepção abstrata de substrato material é expressa por Platão, na medida em que ele tem esse conceito, de outras maneiras.” E. Zeller, Platão e a Academia antiga II, 296. Basílio usa hyle do mesmo modo. Como termo filosófico técnico para a matéria abstrata, é usado pela primeira vez por Aristóteles.

16. A.V.: “shittim“; R.V.: “acácia”. Santo Ambrósio (Sobre o Espírito Santo II, 9) parece, dizem os editores beneditinos, ter entendido mal aqui o argumento de São Basílio. São Basílio não acusa os pneumatômacos de remontar todas as coisas a Deus como à matéria “da qual”, mas de limitar indevidamente ao Pai somente o uso do termo “do qual”.

17. Se a teologia católica não deve a São Basílio a distinção entre as conotações de ousia e hypostasis, que logo prevaleceu sobre a identificação vigente no tempo do Concílio de Niceia, de qualquer modo a dele é a primeira e mais famosa afirmação e defesa dessa distinção. Em Niceia, em 325, falar de São Paulo como “distinguindo as hipóstases” teria sido considerado ímpio. Uns quarenta e cinco anos depois, São Basílio escreve a seu irmão Gregório de Nissa (Cartas 38), receoso de que Gregório caísse no erro de não distinguir entre hipóstase e ousia, entre pessoa e essência. Veja Teodoreto, Diálogos I, 7, e a minha nota à sua História eclesiástica 1.3.

18. isorropia. Veja Platão, Fédon 109 A.

19. diamone. Veja Aristóteles, Sobre o espírito I, 1.

20. polytropoi. Veja o advérbio cognato em Hb 1.1.

21. ex emou. A leitura em São Lucas (8.46) é ap’ emou. Na passagem paralela, Mc 5.30, as palavras são: “Jesus, percebendo em si mesmo que dele saíra poder”, ex autou, que o códice D insere em Lc 8.45.

22. A A.V. traz “herdeiro de Deus por meio de Cristo”; assim também ℵ, C e D. A R.V., com o exemplar usado por Basílio, concorda com A e B.

23. O Rev. C. F. H. Johnston, na sua edição do Sobre o Espírito Santo, observa que, entre as citações do Novo Testamento sobre o ponto em questão, São Basílio omitiu Hb 2.10: “convinha que aquele por causa de quem (di’ hon) são todas as coisas e por meio de quem (di’ hou) são todas as coisas”, “onde o Pai é descrito como causa final e causa eficiente de todas as coisas”.

24. Em lugar de “eles se alegrarão”.

25. Segundo o uso patrístico, a palavra “teologia” diz respeito a tudo o que se refere à natureza divina e eterna de Cristo, em distinção da oikonomia, que se refere à encarnação e à consequente redenção da humanidade. Veja o bispo Lightfoot, Os Pais Apostólicos, parte II, vol. 2, p. 75, e Newman, Os arianos, cap. 1, seção 3.

26. A A.V. traduz “ela concebeu e deu à luz Caim, e disse”, e aqui São Basílio foi acusado de citar de memória. Mas no grego da LXX o sujeito de eipen não está expresso, e uma construção possível da frase é referi-lo a Adão. Na sua obra Contra Eunômio II, 20, São Basílio refere de novo a exclamação a Adão.

27. A alusão é aos docetas. Veja Lc 24.39.

28. A nota dos editores beneditinos observa que o teólogo francês Fronton du Duc (Ducaeus) acusa Teodoreto (sobre o sétimo anátema de Cirilo) de citar mal São Basílio, como se ele escrevesse aqui “homem portador de Deus” em vez de “carne portadora de Deus”, termo de significado diferente e menos aberto a uma interpretação nestoriana. “Portador de Deus”, theophoros, era um epíteto aplicado a simples homens, como, por exemplo, Santo Inácio. Assim Clemente de Alexandria, Stromata I, p. 318, e Gregório de Nazianzo, Discursos 37, p. 609. São Basílio usa, sim, a expressão Jesus Cristo anthropon Theon (homem Deus) na Homilia sobre o Salmo 49.

29. phyrama. Veja Rm 9.21.

Tradução para o português a partir da versão inglesa de Blomfield Jackson (Nicene and Post-Nicene Fathers, 2ª série, vol. 8, Nova York, 1895), conferida com as imagens das páginas; domínio público. É, portanto, tradução de tradução. Os sumários no começo de cada capítulo e as notas são do tradutor inglês. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando Basílio cita o texto bíblico tal como o conhecemos; quando cita de outro modo, segue-se a redação dele. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.