Capítulo IV

A Trindade

Páginas 78 a 80 da edição de 1835

Em Deus há Três Pessoas, que não existem separadamente, mas numa unidade infinita, e que são chamadas Pai, Filho e Espírito, ou DEUS PAI, DEUS FILHO e DEUS ESPÍRITO SANTO. Todas existem na única DIVINDADE infinita e eterna, nenhuma antes ou depois da outra, nenhuma maior ou menor que a outra. Essas Três Pessoas divinas são frequentemente chamadas pelos cristãos de A TRINDADE.

Esta passagem, Mateus 3.16-17, oferece uma prova nada pequena da doutrina da Trindade. Que aqui são representadas três Pessoas distintas, não pode haver discussão: 1. A Pessoa de Jesus Cristo, batizado por João no Jordão. 2. A Pessoa do Espírito Santo em forma corpórea, como uma pomba. 3. A Pessoa do Pai: uma voz veio do céu, dizendo: “Este é o meu Filho amado” etc. A voz é representada aqui como vinda de um lugar diferente daquele em que se manifestaram as Pessoas do Filho e do Espírito Santo, e isso, penso eu, simplesmente para marcar com mais força essa Personalidade divina.

Os apóstolos receberam a missão de ensinar e fazer discípulos de todas as nações, batizando-os em nome da Santíssima Trindade (Mt 28.19). O batismo, propriamente falando, seja ministrado por imersão, seja por aspersão, significa uma consagração plena e eterna da pessoa ao serviço e à honra do Ser em cujo nome é ministrado. Mas essa consagração nunca pode ser feita a uma criatura. Portanto, o Pai, o Filho e o Espírito Santo não são criaturas. Além disso, o batismo não é ministrado em nome de uma qualidade ou atributo da natureza divina. Portanto, o Pai, o Filho e o Espírito Santo não são qualidades ou atributos da natureza divina. Os ortodoxos, como são chamados, em geral consideraram este texto uma prova decisiva da doutrina da Santíssima Trindade. E que outra coisa podem tirar dele? É possível que palavras transmitam um sentido mais claro do que estas? E não levam todo leitor a considerar o Pai, o Filho e o Espírito Santo como três Pessoas distintas? “Mas nisso eu nunca poderei crer.” Não posso fazer nada quanto a isso. Você não será perseguido por mim por discordar da minha opinião. Eu não posso passar para o seu lado; tenho de permanecer naquilo que creio ser o sentido das Escrituras.

Efésios 2.18: “Porque, por meio dele”, Cristo Jesus, “ambos”, judeus e gentios, “temos acesso ao Pai”, o Deus Todo-Poderoso, “em um só Espírito”, pela influência do Espírito Santo. Este texto é uma prova clara da Santíssima Trindade. Judeus e gentios devem ser apresentados a Deus Pai; o Espírito de Deus age no coração deles e os prepara para essa apresentação; e o próprio Jesus Cristo os introduz. Ninguém pode ter acesso a Deus senão por Jesus Cristo, e ele não introduz ninguém senão os que recebem o seu Espírito Santo.

Até a doutrina da eterna Trindade na Unidade pode ser recolhida de inúmeros fenômenos da natureza. Diz-se que a observação de um trevo foi o meio que convenceu plenamente o erudito Erasmo da verdade da afirmação “Estes três são um”, e, ainda assim, três distintos. [N. do T.: a frase “estes três são um” é o final de 1Jo 5.7 na versão King James. O trecho não está nos manuscritos gregos antigos e não aparece na NAA. O próprio Clarke, no seu Comentário, considerava esse texto de autenticidade duvidosa.] Ele viu a mesma raiz, as mesmas fibras, a mesma substância polposa, a mesma película, a mesma cor, o mesmo sabor e o mesmo cheiro em todas as partes, e no entanto as três folhas distintas, mas cada uma e todas elas uma continuação do caule, procedendo da mesma raiz. Um fato como esse pode ao menos ilustrar a doutrina. Conta-se que um pastor de ovelhas inteligente, que ele encontrou nas montanhas, lhe mostrou a planta e a ilustração enquanto conversavam sobre certas dificuldades da fé cristã. Quando eu era criança, ouvi um homem culto relatar esse fato.

Que Deus Pai me adote plenamente como seu filho. Que Deus Filho habite no meu coração pela fé (Ef 3.17). Que Deus Espírito Santo limpe a minha consciência das obras mortas (Hb 9.14) e purifique a minha alma de toda injustiça (1Jo 1.9)! Que a santa, bendita e gloriosa TRINDADE tome a mim e aos meus e nos sele como seus, no tempo e na eternidade!

Ó Jeová incompreensível, Verbo eterno, Espírito que permanece para sempre e tudo penetra: Pai! Filho! Espírito Santo! Na plenitude da tua eterna Divindade, na tua luz, eu te vejo em certa medida; e, na tua proximidade condescendente da minha natureza, posso te amar, porque tu me amaste. Na tua força, que eu comece, continue e termine todo projeto e toda obra, de modo a te glorificar, mostrando o quanto tu amas o ser humano e o quanto o ser humano pode ser enobrecido e beatificado amando-TE! Aqui estou firmado, aqui estou perdido, e aqui encontro o meu DEUS, e aqui encontro a mim mesmo!

Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello.
Texto original em domínio público: Adam Clarke, Christian Theology, selecionada e organizada por Samuel Dunn (Londres, Thomas Tegg and Son, 1835), exemplar digitalizado pelo Google (Universidade de Illinois). Citações bíblicas na Nova Almeida Atualizada (NAA).