Capítulo VI

Cristo

Páginas 108 a 126 da edição de 1835

A divindade de Cristo. Quatro coisas são afirmadas em Colossenses 1.16-17:

1. Que Jesus Cristo é o Criador do universo: de todas as coisas visíveis e invisíveis, de todas as coisas que tiveram princípio, quer existam no tempo, quer na eternidade.

2. Que tudo o que foi criado foi criado para ele mesmo; que ele foi o único fim da sua própria obra.

3. Que ele existia antes de toda a criação, antes de todos os seres, quer do mundo visível, quer do invisível.

4. Que ele é o Preservador e o Governador de todas as coisas, pois “nele tudo subsiste”.

Ora, admitindo que São Paulo entendia os termos que usava, ele tinha de considerar Jesus Cristo verdadeira e propriamente Deus:

1. A criação é obra própria de um Ser infinito, ilimitado e sem origem, que possui todas as perfeições no seu grau mais alto, capaz de conhecer, querer e agir de modo infinito, ilimitado e sem nenhum controle. E, como a criação significa a produção do ser onde tudo era absoluto não ser, ela implica necessariamente que o Criador agiu de si e a partir de si mesmo. Pois, como antes dessa criação não havia ser algum, ele não podia ser movido por nenhum motivo, razão ou impulso fora de si mesmo, o que suporia a existência de algum ser que produzisse o motivo ou o impulso, ou que desse a razão. A criação, portanto, é obra daquele que é sem origem, infinito, ilimitado e eterno. Mas Jesus Cristo é o Criador de todas as coisas. Logo, Jesus Cristo tem de ser, segundo o sentido claro das palavras do apóstolo, verdadeira e propriamente Deus.

2. Como antes da criação não havia nenhum ser além de Deus, a grande Causa Primeira, ao exercer a sua energia criadora, só podia ter em vista a si mesma. Pois não podia ter em vista aquilo que não existia, assim como não podia ser movida pelo não ser a produzir o ser, ou a criação. O Criador, portanto, tem de fazer tudo para si mesmo. Se alguém objetar que Cristo criou por ofício, ou por delegação, respondo que isso é impossível. Como a criação requer um poder absoluto e ilimitado, ou onipotência, só pode haver um Criador, porque é impossível que haja dois ou mais Seres onipotentes, infinitos ou eternos. Fica evidente, portanto, que a criação não pode ser realizada por ofício ou por delegação. Isso suporia um Ser que conferisse o ofício e delegasse esse poder, e suporia que o ser a quem o poder fosse delegado seria um ser dependente e, por consequência, não seria sem origem nem eterno. Mas a natureza da criação prova que isso é absurdo. 1. A coisa é impossível em si mesma, porque nenhum ser limitado poderia produzir uma obra que requer necessariamente a onipotência. 2. É impossível porque, se a onipotência fosse delegada, aquele a quem fosse delegada não a teria antes, e aquele que a delegasse deixaria de tê-la e, por consequência, deixaria de ser Deus; e o outro, a quem fosse delegada, se tornaria Deus, porque os atributos de que se supõe que ele foi revestido são essenciais à natureza de Deus. Nessa suposição, Deus deixaria de existir, embora infinito e eterno, e outro, que não é naturalmente infinito e eterno, se tornaria tal. Assim, um Ser infinito e eterno seria produzido no tempo e teria um começo, o que é absurdo. Portanto, sendo Cristo o Criador, ele não criou por delegação nem de modo oficial. Além disso, se tivesse criado por delegação ou por ofício, teria sido para o Ser que lhe deu esse ofício e lhe delegou o poder necessário. Mas o texto diz que “tudo foi criado por meio dele e para ele”, o que demonstra que o apóstolo entendia que Jesus Cristo era o fim da sua própria obra e verdadeira e essencialmente Deus.

3. Como toda a criação existe necessariamente no tempo e teve um começo, e houve uma duração infinita em que ela não existia, tudo o que existia antes dela não pode ser parte da criação. E o Ser que existia antes da criação, e “antes de todas as coisas”, antes de toda existência de qualquer espécie, tem de ser o Deus eterno e sem origem. Mas São Paulo diz que Jesus Cristo “é antes de todas as coisas”. Logo, o apóstolo concebia Jesus Cristo como verdadeira e essencialmente Deus.

4. Como todo efeito depende da sua causa e não pode existir sem ela, a criação, que é efeito do poder e da habilidade do Criador, só pode existir e ser preservada pela continuação da mesma energia que primeiro lhe deu o ser. Por isso Deus, como Preservador, é tão necessário à continuação de todas as coisas quanto Deus, como Criador, foi necessário à sua produção original. Mas esse poder de preservar ou fazer continuar é atribuído aqui a Cristo, pois o apóstolo diz: “Nele tudo subsiste”. Assim como todo ser procedeu dele como sua causa, todo ser tem de subsistir por ele, como o efeito subsiste pela sua causa e por meio dela. Essa é outra prova de que o apóstolo considerava Jesus Cristo verdadeira e propriamente Deus, já que lhe atribui a preservação de todas as coisas criadas, propriedade que pertence somente a Deus. Logo, Jesus Cristo é, segundo o sentido claro e óbvio de cada expressão deste texto, verdadeira, própria, independente e essencialmente Deus.

“No princípio era o Verbo” (Jo 1.1): isto é, antes que qualquer coisa fosse formada, antes que Deus começasse a grande obra da criação. Na boca de um escritor inspirado, essa expressão prova plenamente que Jesus Cristo não fazia parte da criação, pois existia quando nenhuma parte dela existia; e que, por consequência, ele não é criatura, já que toda a natureza criada foi formada por ele. Ora, como aquilo que existia antes da criação tem de ser eterno, e como aquilo que deu o ser a todas as coisas não pode ter tomado emprestado nem derivado o seu ser de coisa alguma, Jesus, que existia antes de todas as coisas e fez todas as coisas, tem de ser necessariamente o DEUS ETERNO.

Em Gênesis 1.1 se diz que Deus criou todas as coisas; em João 1.3 se diz que Cristo criou todas as coisas. O mesmo Espírito infalível falou em Moisés e nos evangelistas. Portanto, Cristo e o Pai são Um. Dizer que Cristo fez todas as coisas por um poder delegado por Deus é absurdo, porque a coisa é impossível. Criar significa fazer existir aquilo que antes não tinha ser, e isso é evidentemente uma obra que só a Onipotência pode realizar. Ora, Deus não pode delegar a sua onipotência a outro. Se isso fosse possível, aquele a quem essa onipotência fosse delegada se tornaria Deus, e aquele de quem foi delegada deixaria de sê-lo, porque é impossível que haja dois seres onipotentes.

Pela primeira impressão causada pelos milagres de Cristo que lhe foram relatados, Nicodemos pôde dizer: “Ninguém pode fazer estes sinais que o senhor faz, se Deus não estiver com ele” (Jo 3.2). E toda pessoa razoável, diante das mesmas evidências, tiraria a mesma conclusão. Mas certamente podemos ir muito mais longe, quando o vemos, por sua própria autoridade e poder, sem invocar nenhuma ajuda de fora, com uma palavra ou um toque, e num instante, restituir a vista aos cegos, a fala aos mudos, a audição aos surdos e a saúde aos doentes, purificar os leprosos e ressuscitar os mortos. São obras que só a Onipotência de Deus poderia realizar. Isso é incontestável. Portanto, enquanto a purificação dos leprosos e a alimentação, até a fartura, de tantos milhares de homens e mulheres com cinco pães de cevada e dois peixinhos estiverem apoiadas num testemunho tão irrefutável quanto o dos quatro evangelistas, Jesus Cristo há de aparecer, aos olhos da razão sem preconceito, como o Autor da natureza, o verdadeiro e único Soberano, o Deus Todo-Poderoso e eterno.

“Quero, sim. Fique limpo!” (Mt 8.3). Nessas palavras do nosso bendito Senhor se assume a autoridade mais soberana. QUERO: não há aqui nenhuma súplica a um poder superior ao seu, e o resultado provou, com a convicção mais plena e a demonstração mais clara, que a sua autoridade era absoluta e o seu poder ilimitado.

Que manifestação espantosa de energia criadora e todo-poderosa deve ter sido a reconstituição de uma mão, de um pé etc. pela palavra ou pelo toque de Jesus! Como isso era um simples ato de poder criador, como o de multiplicar o pão, os que admitem que é esse o sentido da palavra dificilmente tentarão duvidar da divindade própria de Cristo. [N. do T.: trecho tirado do comentário de Clarke a Mt 15.30-31, onde ele entende a palavra grega traduzida por “aleijados” como pessoas que tinham perdido uma mão ou um pé.]

Como este deve ser superior aos homens! Eles são submetidos pelos espíritos imundos; ele submete os espíritos imundos a si mesmo (Lc 4.36).

Se Jesus Cristo não fosse igual ao Pai, poderia ele ter reivindicado essa igualdade de poder sem ser culpado de impiedade e blasfêmia? Certamente não. E não afirma ele, da maneira mais completa, a sua divindade e a sua igualdade com o Pai ao reivindicar e possuir toda a autoridade no céu e na terra (Mt 28.18)?

“Ali estou no meio deles” (Mt 18.20). Ninguém senão Deus poderia dizer essas palavras com verdade, porque só Deus está presente em toda parte, e essas palavras se referem à sua onipresença. “Onde”: suponha-se que milhões de assembleias se reunissem no mesmo momento, em lugares diferentes da criação (o que é perfeitamente possível); esta promessa declara que Jesus está em cada uma delas. Pode alguém, portanto, dizer essas palavras, a não ser o Deus que enche o céu e a terra? Mas Jesus diz essas palavras. Logo, Jesus é Deus.

Como é exata a presciência de Jesus Cristo! Até as circunstâncias mais miúdas estão compreendidas nela!

Adorar qualquer criatura é idolatria. Cristo deve ser honrado assim como o Pai é honrado (Jo 5.23). Portanto, Cristo não é criatura, e, se não é criatura, é por consequência o Criador. Jesus Cristo não pode ser criatura, do contrário os anjos que o adoram seriam culpados de idolatria, e Deus, que ordenou a esses anjos que adorassem a Cristo (Hb 1.6), seria o autor dessa idolatria. Tire-se a divindade de qualquer ato redentor de Cristo, e a redenção está arruinada.

A encarnação de Cristo. Devemos distinguir cuidadosamente as duas naturezas em Cristo, a divina e a humana. Como HOMEM, ele trabalhou, desfaleceu, teve fome e sede, comeu, bebeu, dormiu, sofreu e morreu. Como DEUS, criou todas as coisas, governa tudo, operou os milagres mais estupendos, é onisciente, onipresente e é tanto o Juiz quanto o Criador de toda a raça humana. Como Deus e homem, unidos numa só pessoa, sofreu pelo ser humano, morreu pelo ser humano e ressuscitou pelo ser humano; faz pregar no mundo, em seu nome, o arrependimento e a remissão dos pecados; perdoa a iniquidade; distribui os dons e as graças do Espírito Santo; é Mediador entre Deus e a humanidade; e é o único Cabeça e Governador da sua igreja.

Era necessário que se dessem as provas mais completas não só da divindade do nosso Senhor, mas também da sua humanidade. Os seus milagres atestaram suficientemente a primeira; a sua fome, o seu cansaço e a sua agonia no jardim, assim como a sua morte e o seu sepultamento, foram provas da segunda.

Ele foi homem para que pudesse sofrer e morrer pelas ofensas do ser humano, porque a justiça e a razão exigiam que a natureza que pecou sofresse pelo pecado. Mas foi Deus para que o sofrimento fosse marcado com um valor infinito.

Que Deus manifestado na carne é um grande mistério (1Tm 3.16), ninguém pode duvidar. [N. do T.: Clarke segue a King James, God was manifest in the flesh; a NAA traz “Aquele que foi manifestado na carne”.] Mas é algo que o próprio Deus afirmou da maneira mais positiva (Jo 1.1-14), e é o grande assunto do Novo Testamento. Como isso pode ser, não sabemos dizer. Na verdade, a união da alma com o corpo não é menos misteriosa; compreendemos tão facilmente uma quanto a outra. E como os crentes podem se tornar “morada de Deus no Espírito” (Ef 2.22) nos é igualmente insondável. No entanto, todos esses são fatos atestados de modo suficiente e inequívoco, sobre os quais quase nenhum crente racional ou filósofo cristão sensato tem dúvida. Essas coisas são assim; mas como são assim, só a Deus cabe compreender. E, como o modo não é explicado em parte alguma da revelação divina, embora os fatos em si sejam claros, as provas e evidências das razões desses fatos, e o modo como operam, estão além da esfera do conhecimento humano.

Em relação à encarnação, a razão pode ao menos proceder assim: “Tenho um espírito imortal; ele habita o meu corpo mortal e o move. Assim como a minha alma pode habitar o meu corpo, a Divindade poderia habitar o homem Cristo Jesus”.

Quem pode crer que Isaías, ou qualquer dos profetas, falou por inspiração, isto é, “movidos pelo Espírito Santo” (2Pe 1.21), tem de crer na possibilidade da encarnação de Cristo. E quem pode crer que é possível Cristo habitar no coração dos seus seguidores pode crer com a mesma facilidade que o Messias, ou o Logos, que no princípio estava com Deus e era Deus, “se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). A razão diz: se uma coisa é possível, a outra também é; e, como uma é fato, a outra também pode ser. A possibilidade da coisa é evidente. Deus diz: o fato aconteceu. Aquilo que a fé antes via como possível e provável, agora vê como certo, porque o testemunho de Deus, quando se acrescenta, põe em fuga todas as dúvidas. O Senhor Jesus, o Companheiro do Todo-Poderoso (Zc 13.7), foi encarnado pelo Espírito Santo e se fez homem; e, sendo Deus e homem, estava plenamente habilitado para ser Mediador entre Deus e a humanidade (1Tm 2.5).

Mas, embora distingamos as duas naturezas em Jesus Cristo, não devemos supor que os escritores sagrados sempre expressam essas duas naturezas por nomes distintos e apropriados. Os nomes dados ao nosso bendito Senhor são usados indistintamente para expressar a sua natureza inteira. Jesus, Cristo, Jesus, o Cristo, o Messias, Filho do Homem, Filho de Deus, Filho amado, Filho unigênito, nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador etc. são todos usados repetidamente e sem distinção para designar a sua pessoa inteira, como Deus e homem, em relação à grande obra da salvação humana, que, pela sua natureza, não poderia ser realizada senão por essa união.

Os ofícios de Cristo. Nenhuma pessoa jamais nascida pôde se gloriar, em linha direta, de uma ascendência mais ilustre que a de Jesus Cristo. Entre os seus antepassados existiram, em toda a sua glória e esplendor, os ofícios de rei, de sacerdote e de profeta.

Só Cristo foi Profeta, Sacerdote e Rei, e possuiu e exerceu esses ofícios num grau tão sobre-eminente como nenhum ser humano jamais exerceu nem poderia exercer.

Jesus é Profeta, para revelar a vontade de Deus e instruir nela as pessoas. É Sacerdote, para oferecer sacrifício e fazer expiação pelo pecado do mundo. É Senhor, para governar sobre a alma dos filhos dos homens e dentro dela. Numa palavra, ele é Jesus, o Salvador: para livrar do poder, da culpa e da contaminação do pecado; para alargar e vivificar pela influência do seu Espírito; para preservar na posse da salvação que comunicou; para selar os que creem como herdeiros da glória; e, por fim, para recebê-los na plenitude da bem-aventurança, na sua glória eterna.

Jesus estava sempre fazendo o papel de Filósofo, de Mestre de moral e de Teólogo, assim como o de Salvador dos pecadores. Nas suas mãos, cada acontecimento da providência e cada objeto da natureza se tornava meio de instrução. As pedras do deserto, os lírios do campo, as aves do céu, os animais das florestas, as árvores frutíferas e as estéreis, com todos os acontecimentos comuns, eram outros tantos grandes textos, a partir dos quais ele pregava os sermões mais luminosos e impressionantes, para a instrução e a salvação dos seus ouvintes. Essa sabedoria e essa condescendência nunca serão suficientemente admiradas.

É digno de nota que no quarto dia da criação o sol foi formado e então

Original Tradução
“First tried his beams athwart the gloom profound;” “ensaiou pela primeira vez os seus raios através da escuridão profunda”;

e que, ao fim do quarto milênio desde a criação, segundo o texto hebraico, o Sol da Justiça brilhou sobre o mundo, tão mergulhado na escuridão mental produzida pelo pecado quanto o mundo antigo estava enquanto a escuridão fecunda dominava, até que o sol foi criado como distribuidor da luz. O que seria o mundo natural sem o sol? Um deserto desolado, em que nem a vida animal nem a vegetal poderiam subsistir. E o que seria o mundo moral sem Jesus Cristo e sem a luz da sua palavra e do seu Espírito? Exatamente o que são hoje as regiões onde a sua luz ainda não brilhou: “lugares tenebrosos da terra”, que “estão cheios de moradas de violência” (Sl 74.20), onde o erro reina sem fim e a superstição, gerando falsas esperanças e falsos medos, degrada e avilta a mente humana.

Cristo é chamado Príncipe da Paz (Is 9.6) porque, pela sua encarnação, pelo seu sacrifício e pela sua mediação, ele obtém e estabelece a paz entre Deus e o ser humano; cura as brechas e discórdias entre o céu e a terra, reconciliando os dois; e produz glória a Deus nas maiores alturas e, na terra, paz e boa vontade entre os homens (Lc 2.14). A sua morada é paz, repouso e segurança para sempre (Is 32.17), em todo coração que crê e é reto.

Em todos os seus milagres, Jesus mostrou a mais terna misericórdia e bondade. Não só a cura, mas também a maneira como ele a realizava, o tornava querido daqueles que eram objeto do seu olhar compassivo.

Leitor, tome-o por seu Rei, e não apenas por seu Sacerdote. Ele salva somente os que se submetem à sua autoridade e tomam o seu Espírito como regulador do coração e a sua palavra como guia da conduta. Quantos encontramos, entre os que ficariam ofendidos se fossem classificados apenas como cristãos nominais, que falam de Cristo como seu Profeta, Sacerdote e Rei, mas não são ensinados pela sua palavra e pelo seu Espírito, não buscam a redenção no seu sangue e não se submetem à sua autoridade! Leitor, aprenda esta verdade profunda e importante: “Onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará” (Jo 12.26).

O reino de Cristo é verdadeiramente espiritual e divino; tem por objetivo a santidade presente e a felicidade futura da humanidade. A pompa mundana, assim como as máximas mundanas, deviam ser excluídas dele. O cristianismo proíbe todas as expectativas mundanas e promete a bem-aventurança somente aos que carregam a cruz, levando uma vida de mortificação e renúncia.

O nome desse reino deve lembrar a vocês a sua natureza. 1. O Rei é celestial. 2. Os seus súditos têm a mente voltada para o céu. 3. A pátria deles é celestial, pois são estrangeiros e peregrinos na terra. 4. O governo desse reino é inteiramente espiritual e divino.

Cristo nunca acomodará a sua moral aos tempos, nem às inclinações humanas.

Tudo o que o nosso bendito Senhor fez, fez ou como nosso Modelo ou como nosso Sacrifício.

Poder-se-ia supor que a encarnação de Cristo bastaria para cumprir todos os propósitos de reconciliar os seres humanos com Deus. Poder-se-ia imaginar que o Deus bom e benevolente olharia com indiferença para aqueles que eram representados por uma pessoa tão augusta? Uma pessoa que partilhava a natureza deles, que a assumiu justamente para recomendá-los a Deus, e que, ao mesmo tempo que sentia as simpatias e as afeições da humanidade, zelava igualmente pela honra e pela justiça de Deus; e que, pela perfeição da sua natureza, não podia ter parcialidades, nem sustentar ou defender os interesses de um contra a honra do outro! Creio que a razão humana não poderia ter ido além disso. Se a revelação tivesse parado aqui, a razão teria pensado que a encarnação era suficiente e que nem a Justiça divina poderia negar favor algum a tal Intercessor. Até isso teria parecido um meio nobre, digno da benevolência de Deus, e razão suficiente para que ele recebesse no seu favor os seres que, por essa encarnação, estavam unidos àquele que desde a eternidade estava no seio do Pai e em quem ele sempre se agradou. Mas os caminhos de Deus não são os nossos caminhos, nem os seus pensamentos os nossos pensamentos (Is 55.8). Se o ser humano nunca tivesse pecado e precisasse apenas ser recomendado à atenção divina para receber favores, ou mesmo para obter a vida eterna, isso poderia ter bastado. Mas, depois que pecou e se tornou rebelde e traidor contra o seu Criador e Soberano, o caso era muito diferente. A expiação da ofensa era indispensável; sem ela, a pena, que ele conhecia plenamente antes da ofensa, teria de ser cobrada: “No dia em que dela comer, você certamente morrerá” (Gn 2.17), pois “a pessoa que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4). Por isso a encarnação sozinha não poderia bastar, nem aconteceu em vista disso, mas em vista de ele sofrer a pena devida ao ser humano pela sua transgressão. Pois, sem se encarnar, ele não poderia ter sofrido nem morrido.

Parece-me absolutamente necessário crer na divindade própria e essencial de Cristo para se convencer de que o sacrifício oferecido é um sacrifício suficiente. Nada menos que um sacrifício de mérito infinito pode expiar as ofensas do mundo inteiro e comprar para a humanidade uma glória eterna. E, se Jesus não é própria, essencial e eternamente Deus, ele não ofereceu, e não poderia ter oferecido, tal sacrifício. Os escritores sagrados são vigorosos e incisivos neste assunto. E não vejo como algum pecador, profundamente convencido do seu estado caído e culpado, possa confiar no mérito do sacrifício dele para a salvação, se não tiver plena convicção dessa verdade tão gloriosa e tão decisiva. Como a glória eterna há de ter valor infinito, se ela foi comprada por Cristo, ou é dada como consequência da sua morte meritória, essa morte tem de ter mérito infinito, do contrário não poderia obter o que tem valor infinito. De modo que, mesmo que pudéssemos supor a possibilidade do perdão do pecado sem tal mérito, não poderíamos de forma alguma crer que a glória eterna pudesse ser obtida sem ele. Tem de se admitir que, se Cristo é um simples homem, como alguns pensam, ou a mais alta e primeira de todas as criaturas de Deus, como outros supõem, sejam quais forem as suas ações e os seus sofrimentos, eles são apenas a obediência e os sofrimentos de um ser que teve origem e é limitado, e não podem ter mérito infinito e eterno.

Deus destrói os contrários pelos contrários. Pelo orgulho e pela autoconfiança o ser humano caiu, e foi preciso a humilhação de Cristo para destruir esse orgulho e essa autoconfiança e levantá-lo da queda. Deve haver no pecado uma malignidade indescritível, já que foi preciso o mais profundo rebaixamento do Ser mais alto para removê-lo e destruí-lo. A humilhação e a paixão de Cristo não foram acidentais; foram absolutamente necessárias, e, se não fossem necessárias, não teriam acontecido. Pecador, veja quanto custou ao Filho de Deus salvar você! E, depois de considerar isso, você vai imaginar que o pecado é coisa pequena? Sem a humilhação e o sacrifício de Cristo, nem a sua alma poderia ser salva. Não despreze, portanto, as misericórdias do seu Deus, subestimando a culpa das suas transgressões e a malignidade do seu pecado.

A agonia e a angústia de Cristo não podem receber nenhuma explicação coerente senão esta: “Cristo padeceu, o justo pelos injustos, para conduzir vocês a Deus” (1Pe 3.18). Ó gloriosa verdade! Ó sofrimento infinitamente meritório! E, acima de tudo, ó amor eterno, que o levou a passar por tais sofrimentos por causa dos pecadores!

Há muitas coisas na pessoa, na morte e no sacrifício de Cristo que não conseguimos nem explicar nem compreender. Tudo o que devemos dizer aqui é: “É por este meio que o mundo foi redimido; por este sacrifício as pessoas são salvas. Agradou a Deus que fosse assim, e não de outro modo”.

A morte de Cristo foi ordenada de tal forma que fosse testemunhada por milhares; e, se a sua ressurreição acontecesse, teria de ser demonstrada, e não poderia acontecer sem ser incontestável. Tais são as precauções tomadas aqui para impedir toda impostura.

Quanto mais se examinam as circunstâncias da morte de Cristo, mais espantoso tudo parece. A morte é incomum, a pessoa é incomum, o propósito é incomum, e o conjunto é grandioso, majestoso e tremendo. A própria natureza é lançada numa atividade fora do comum, por meios e causas inteiramente sobrenaturais. Em cada parte, o dedo de Deus aparece com a maior evidência.

Como Cristo aparece glorioso na sua morte! Se não fossem a sua sede, o seu clamor na cruz e o lado traspassado, teríamos dificuldade em crer que tal pessoa pudesse algum dia ter entrado no império da morte. Mas a divindade e a humanidade aparecem igualmente, e assim a certeza da expiação fica estabelecida sem nenhuma dúvida.

O medo da morte era em Cristo algo muito diferente do que é nos seres humanos. Eles temem a morte por causa do que há além do túmulo: pecaram e têm medo de se encontrar com o seu Juiz. Jesus não podia ter medo por esses motivos. Ele estava sofrendo pelos seres humanos e se sentia como a Vítima expiatória deles. E só Deus pode dizer, e talvez nem seres humanos nem anjos possam conceber, quão grande deve ter sido o sofrimento e a agonia que, aos olhos da Justiça infinita, eram necessários para fazer essa expiação. A morte, temporal e eterna, era a porção do ser humano; e agora Cristo vai destruir a morte agonizando e morrendo! As torturas e os tormentos necessários para realizar essa destruição só Jesus Cristo podia sentir, só Jesus Cristo podia suportar, só Jesus Cristo pode compreender.

Ele morreu por toda alma humana, por todos os que participam da mesma natureza que ele assumiu. O mérito e os benefícios da sua morte têm de se estender necessariamente a toda a humanidade, porque ele assumiu a natureza que é comum a todos. Nem o mérito da sua morte poderia ser limitado a alguma parte, nação, tribo ou indivíduos da vasta família humana. Não foi a natureza de uma nação, tribo, família ou indivíduo particular que ele assumiu, mas a natureza de toda a raça humana. E Deus fez “de um só sangue todas as nações, para habitarem sobre a face da terra” (At 17.26), para que todos pudessem ser redimidos por “um só sangue”, porque ele é o Parente próximo de todos. [N. do T.: Clarke segue a King James, que traz “de um só sangue”; a NAA diz “de um só homem”. O argumento dele depende dessa expressão.] O mérito da sua morte tem de se estender, portanto, a todo ser humano, a menos que encontremos indivíduos ou famílias que não procedam do tronco do qual ele se encarnou. A sua morte tem de ser infinitamente meritória e estender os seus benefícios a todos os que participam da mesma natureza, porque ele era Deus manifestado na carne. E restringir ou limitar esse mérito, de modo que se aplique só a poucos, ou mesmo a qualquer multidão que não seja toda a raça humana, é uma daquelas coisas impossíveis ao próprio Deus, porque envolve uma contradição moral. Ele não poderia limitar o mérito dessa morte mais do que poderia limitar a sua própria eternidade, ou estreitar o amor que o levou a empreender a redenção de um mundo perdido.

Se muitos, isto é, toda a humanidade, morreram pela ofensa de um só, certamente o dom pela graça, que é abundante sobre muitos por meio de Jesus Cristo, tem de se referir a todo ser humano (Rm 5.15). Se as consequências da encarnação e da morte de Cristo se estendem só a poucos, ou a um número seleto da humanidade, que, embora possam ser considerados muitos em si mesmos, são poucos em comparação com toda a raça humana, então as consequências do pecado de Adão se estenderam só a poucos, ou ao mesmo número seleto. E, se apenas muitos, e não todos, caíram, só esses muitos precisavam de um Redentor. Pois é evidentíssimo que as mesmas pessoas são referidas nas duas partes do versículo. Se o apóstolo cresse que os benefícios da morte de Cristo se estendiam só a um número seleto da humanidade, nunca poderia ter usado a linguagem que usou aqui. Embora, na primeira parte, pudesse ter dito, sem nenhuma restrição do termo, “Pela ofensa de um só, muitos morreram”, na segunda parte, para ser coerente com a doutrina da redenção particular, teria de dizer: “A graça de Deus e o dom pela graça foram abundantes sobre alguns. Assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os seres humanos para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre alguns para a justificação. Como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, alguns se tornarão justos. Assim como, em Adão, todos morrem, assim também alguns serão vivificados em Cristo”. Mas nem essa doutrina nem essa coisa jamais entraram na alma desse homem divinamente inspirado. [N. do T.: Clarke reescreve Rm 5.15-19 e 1Co 15.22 trocando “todos” e “muitos” por “alguns”, para mostrar o que o texto teria de dizer se a redenção fosse limitada.]

Assim como a luz e o calor do sol não são negados a nenhuma nação nem a nenhum indivíduo, assim também a graça do Senhor Jesus brilha sobre todos. E Deus quer que toda a humanidade seja beneficiada por ela, em relação à alma, tão igualmente quanto é beneficiada, em relação ao corpo, pelo sol que brilha no firmamento. Mas, assim como nem todas as partes da terra são iluminadas de imediato, mas entram na luz do sol sucessivamente, não só por causa da rotação diária da terra em torno do seu eixo, mas também da sua translação anual por toda a sua órbita, assim também esse Sol da Justiça, que já brilhou, vai trazendo cada parte do globo habitável para a sua luz divina. Essa luz vai brilhando mais e mais até ser dia claro (Pv 4.18), de modo que, gradual e sucessivamente, ele vai iluminando cada nação e cada pessoa. E, quando o seu grande ano estiver completo, cada nação da terra terá sido trazida à luz e ao calor desse Sol da Justiça e da Verdade, imaculado, sem eclipse e eterno. Onde quer que o evangelho chegue, ele traz salvação; oferece libertação de todo pecado a toda alma que o ouve ou lê. Tão livremente quanto o sol distribui a sua influência benfazeja a cada habitante da terra, Jesus Cristo distribui os méritos e as bênçãos da sua paixão e morte a cada alma humana. Nenhuma alma é reprovada, isto é, excluída da influência desse Sol espiritual, assim como nenhuma é excluída da influência do sol natural. Nos dois casos, só ficam privados do benefício gracioso os que fecham voluntariamente os olhos e se escondem nas trevas. Não é objeção a essa maneira de ver o assunto o fato de nem todas as nações terem recebido ainda essa luz divina. Quando a terra e o sol foram criados, nem todas as partes do globo entraram imediatamente na luz. Para que isso se realizasse plenamente, era preciso uma revolução completa, como se notou acima, e ela não podia se completar enquanto a terra não tivesse não só girado em torno do seu eixo, mas também passado sucessivamente por todos os signos do zodíaco. Quando o seu ano se completou, e não antes, cada parte teve a sua devida porção de luz e calor. Deus pode, na sua sabedoria infinita, ter determinado os tempos e as épocas para a plena manifestação do evangelho às nações do mundo, como fez em relação à luz do sol. E, quando os judeus forem trazidos com a plenitude dos gentios (Rm 11.25), então, e não antes, poderemos dizer que a grande revolução do ano importante do Sol da Justiça se completou. Mas, enquanto isso, as partes da terra não iluminadas não estão deixadas em trevas totais. Assim como houve luz

Original Tradução
“ere the infant sun “antes que o sol menino
Was roll’d together, or had tried his beams se formasse ou tivesse ensaiado os seus raios
Athwart the gloom profound,” através da escuridão profunda”,

pois a luz foi criada, e em certa medida espalhada, pelo menos três dias inteiros antes que o sol fosse formado (já que a criação dele foi parte da obra do quarto dia), assim também, antes da encarnação de Cristo, havia luz espiritual no mundo, porque ele espalhava os seus raios enquanto o seu disco ainda não se via. E mesmo agora, onde ele ainda não se manifestou pela pregação do seu evangelho, ele é a verdadeira luz que, vinda ao mundo, ilumina toda a humanidade (Jo 1.9). De modo que o mundo moral, onde o evangelho ainda não foi pregado, não está mais entregue a trevas absolutas do que estava a terra nos quatro dias que precederam a criação do sol, ou do que estão as partes do mundo onde o evangelho ainda não foi pregado. O grande ano segue o seu curso, e todas as partes da terra vão entrando sucessivamente, e agora depressa, na luz. A vasta revolução parece estar quase completa, e o mundo inteiro está para se encher da luz e da glória de Deus. Apressa o tempo, ó Deus dos séculos! Assim seja. Amém. Vem, Senhor Jesus! (Ap 22.20).

“Os discípulos dele vieram de noite” (Mt 28.13). Isso era tão absurdo quanto falso. De um lado, o medo dos discípulos, o seu pequeno número (só onze) e a sua quase total falta de fé; de outro, o grande perigo de uma empresa tão ousada, o número de homens armados que guardavam o túmulo, a autoridade de Pilatos e do Sinédrio tornam uma impostura dessas completamente indigna de crédito. “Enquanto estávamos dormindo, […] roubaram o corpo”: eis aqui um amontoado de absurdos. 1. É provável que tantos homens adormecessem todos ao mesmo tempo, ao ar livre? 2. É de algum modo provável que uma guarda romana fosse encontrada fora do seu posto, e muito menos dormindo, quando ser encontrado nesse estado era morte imediata, segundo as leis militares romanas? 3. Poderiam eles dormir tão profundamente que não acordassem com todo o barulho que necessariamente se faria ao remover a grande pedra e levar o corpo? 4. É de algum modo provável que esses discípulos tivessem tido tempo suficiente para fazer tudo isso, e para vir e voltar, sem ser percebidos por ninguém? E 5. Se eles estavam dormindo, como poderiam saber que foram os discípulos que o roubaram, ou mesmo que alguém o roubou? Pois, estando dormindo, não podiam ver ninguém. Pelo próprio testemunho deles, portanto, a ressurreição pode ser provada tão plenamente quanto o roubo.

A ressurreição de Cristo é motivo de terror para os servos do pecado e motivo de consolo para os filhos de Deus, porque é uma prova da ressurreição de ambos: uns para vergonha e horror eterno, outros para glória e alegria eternas (Dn 12.2).

Cristo, tendo feito expiação pelo pecado do mundo, subiu à direita do Pai e ali comparece por nós diante de Deus (Hb 9.24). Ao nos aproximarmos do trono da graça, temos Jesus continuamente em vista, como nossa Vítima sacrificial. As nossas orações devem ser dirigidas ao Pai por meio dele, e, convencidos de que a sua paixão e morte compraram para nós toda bênção possível, devemos pedir com humilde confiança as bênçãos de que precisamos. E, como nele o Pai sempre se agrada, devemos esperar com toda confiança as bênçãos que ele comprou. Podemos considerar também que esse seu comparecimento diante do trono, no seu caráter sacrificial, constitui o grande princípio da mediação ou intercessão. Ele levou a nossa natureza para o céu e, nela, comparece diante do trono. Isso, sem voz, fala alto em favor da raça pecadora de Adão, por quem essa natureza foi assumida e por causa de quem foi sacrificada. Por isso toda alma arrependida e toda alma que crê pode pedir e receber, para que a sua alegria seja completa (Jo 16.24). Pelo sacrifício de Cristo, nós nos aproximamos de Deus; pela mediação de Cristo, Deus desce até o ser humano.

Tão importante é a oferta sacrificial de Cristo aos olhos de Deus que ele ainda é representado como estando no próprio ato de derramar o seu sangue pelas ofensas humanas (Ap 5.6). Isso dá grandes vantagens à fé. Quando alguma alma vem ao trono da graça, encontra ali um Sacrifício providenciado para ela oferecer a Deus. Assim, todas as gerações sucessivas descobrem que têm o Sacrifício contínuo à disposição e o sangue recém-derramado para oferecer.

Não devemos ao nosso Senhor Jesus Cristo apenas o perdão livre e pleno que recebemos. A nossa permanência no estado de justificados depende da sua influência graciosa no nosso coração e da sua intercessão diante do trono de Deus.

Assim como não podemos contemplar a humilhação e a morte de Cristo sem considerá-la um sacrifício, uma oblação e uma expiação suficientes pelo pecado, e pelo pecado do mundo inteiro, também não podemos contemplar o seu poder e a sua glória ilimitados, no seu estado de exaltação, sem nos convencermos de que ele pode salvar totalmente os que por ele se aproximam de Deus (Hb 7.25). O que pode resistir ao mérito do seu sangue? O que pode resistir à energia da sua onipotência? O poder do pecado? O seu contágio? A sua malignidade? Não! Ele pode dizer a um coração impuro “Fique limpo!”, e ele ficará limpo, tão facilmente quanto pôde dizer ao leproso “Fique limpo!”, e imediatamente a sua lepra foi purificada. Leitor, tenha fé nele, pois tudo é possível ao que crê (Mc 9.23).

JESUS! Sê tu o Centro para o qual a minha alma gravite sem cessar! Mais ainda: que ela entre em contato mais íntimo contigo e descanse em ti para todo o sempre! Amém.

Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello.
Texto original em domínio público: Adam Clarke, Christian Theology, selecionada e organizada por Samuel Dunn (Londres, Thomas Tegg and Son, 1835), exemplar digitalizado pelo Google (Universidade de Illinois). Citações bíblicas na Nova Almeida Atualizada (NAA).