Capítulo XXII

Patrões e criados1

Páginas 312 a 313 da edição de 1835

A justiça e a equidade exigem que os criados tenham alimentação adequada, roupa adequada, o devido descanso e não mais que um trabalho moderado. Esta é uma lição que todos os patrões do universo deveriam aprender com cuidado. Não tratem os seus criados como se Deus os tivesse feito de um sangue inferior ao de vocês.

O sr. Samuel Wesley Júnior gozava não só da amizade de Lorde Oxford, mas também da sua intimidade, e jantava com frequência na sua casa. Mas essa era uma honra pela qual era obrigado a pagar um imposto pesado, pouco compatível com a estreiteza dos seus recursos. As gorjetas aos criados, essa vergonha suprema dos seus patrões, eram então muito comuns e, em alguns casos, parecem ter ocupado o lugar do salário. Uma fileira inteira de lacaios de libré costumava ficar no vestíbulo, com ansiosa expectativa e voracidade, quando algum cavalheiro saía de jantar à mesa de um nobre, de modo que ninguém que não fosse rico podia dar-se ao luxo desse privilégio. Certo dia, ao voltar da mesa de sua senhoria e ver a costumeira fileira de ávidos à espera, o sr. Wesley lhes disse: “Meus amigos, tenho de fazer com vocês um acordo adequado à minha bolsa: distribuirei tanto (e disse a quantia) uma vez por mês, e mais nada”. Isso, tornando-se conhecido, não só serviu para conter aquela importunação incômoda, mas também para corrigir o mal; pois o patrão deles, cuja honra estava em jogo, ordenou-lhes que “ficassem atrás nas suas fileiras quando um cavalheiro se retirasse” e proibiu que pedissem! [N. do T.: Samuel Wesley Júnior (1690-1739), irmão mais velho de John e Charles; “Lorde Oxford” pode ser Robert Harley, 1º conde de Oxford, ou o seu filho Edward Harley, 2º conde; ambos foram patronos de Samuel Wesley Júnior.] Muitos homens eminentes procuraram trazer esse costume vil ao merecido descrédito, como Dryden, Addison, Swift etc.; mas ele ainda continua, embora sob outra forma. Deixando de lado as tavernas (onde o mais humilde serviçal espera ser pago se se digna responder a uma pergunta educada), cozinheiras, arrumadeiras, garçons, mensageiros etc. etc., todos esperam dinheiro se você se hospeda na casa do patrão deles uma única noite! E esperam ser pagos também na proporção do tratamento que você recebeu do patrão, e da reputação e respeitabilidade dele, e não segundo os seus meios ou a sua bolsa. A fidalguia do país deveria levantar-se como um só homem contra esse costume vergonhoso, como fez a Junta do Imposto de Consumo contra as propinas recebidas pelos seus funcionários. Que o criado, ao ser contratado, ouça: “O salário que combinamos será pago pontual e fielmente; não pedirei a ajuda dos meus amigos para cobrir o que falta aos meus criados. No dia em que eu souber que você recebeu alguma coisa dos meus hóspedes, será despedido do meu serviço”. Se todos concordarem em agir assim, esse imposto pesado sobre os nossos amigos logo será abolido. Há poucos casos em que a visita amigável não custe a quem a faz cinco vezes mais do que lhe custaria o seu sustento na própria casa.

É possível que um criado infiel prejudique e defraude o patrão de muitas maneiras sem ser descoberto. Mas que todos esses se lembrem do que se diz aqui: “Quem fizer injustiça receberá em troca a injustiça feita” (Cl 3.25). Deus o vê e o castigará pela sua quebra de honestidade e de confiança. Desperdiçar os bens do patrão, ou não cuidar deles devidamente, é uma injustiça que Deus tomará como ofensa. Quem é infiel no pouco será infiel no muito, se tiver oportunidade (cf. Lc 16.10); e só Deus é a defesa contra um criado infiel.

Um bom criado nunca discute, fala pouco e está sempre no seu trabalho.

Notas de Samuel Dunn

1. “Como encontrei muito pouco sobre este assunto nos escritos do Dr. Clarke, talvez me desculpem se remeter o leitor a uma pequena obra publicada recentemente, cujo título é Um presente para as criadas, ou o segredo de conseguir e conservar boas colocações. S. D.” ↩

Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello.
Texto original em domínio público: Adam Clarke, Christian Theology, selecionada e organizada por Samuel Dunn (Londres, Thomas Tegg and Son, 1835), exemplar digitalizado pelo Google (Universidade de Illinois). Citações bíblicas na Nova Almeida Atualizada (NAA).