Irineu de Lião · Contra as Heresias, Livro V (continuação)
Os dons do Espírito como penhor da incorruptibilidade; o sentido de "carne e sangue não podem herdar o reino"; a ressurreição.
1. Mas agora recebemos uma certa porção do seu Espírito, que tende para a perfeição e nos prepara para a incorruptibilidade, acostumando-nos pouco a pouco a receber e a levar Deus. A isso o apóstolo também chama “penhor”, isto é, uma parte da honra que nos foi prometida por Deus, quando diz na Epístola aos Efésios: “Nele também vocês, depois que ouviram a palavra da verdade, o evangelho da sua salvação, crendo no qual fomos selados com o Espírito Santo da promessa, que é o penhor da nossa herança”.1 Esse penhor, portanto, habitando assim em nós, torna-nos espirituais já agora, e o mortal é absorvido pela imortalidade.2 “Vocês, porém”, declara ele, “não estão na carne, mas no Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês.”3 Isso, contudo, não acontece por um despojamento da carne, mas pela comunicação do Espírito. Pois aqueles a quem escrevia não estavam sem carne, mas eram os que tinham recebido o Espírito de Deus, “por meio do qual clamamos: ‘Aba, Pai'”.4 Se, portanto, agora, tendo o penhor, clamamos “Aba, Pai”, que será quando, ressuscitados, o contemplarmos face a face; quando todos os membros irromperem num hino contínuo de triunfo, glorificando aquele que os ressuscitou dentre os mortos e lhes deu o dom da vida eterna? Pois, se o penhor, recolhendo o homem em si mesmo, já agora o faz clamar “Aba, Pai”, que fará a graça completa do Espírito, que será dada aos homens por Deus? Ela nos tornará semelhantes a ele e realizará a vontade5 do Pai; pois fará o homem à imagem e semelhança de Deus.
2. Aqueles, então, que possuem o penhor do Espírito, e não são escravizados pelas concupiscências da carne, mas estão sujeitos ao Espírito e em todas as coisas andam segundo a luz da razão, a esses o apóstolo chama com propriedade “espirituais”, porque o Espírito de Deus habita neles. Ora, os homens espirituais não serão espíritos incorpóreos; mas a nossa substância, isto é, a união da carne e do espírito, recebendo o Espírito de Deus, constitui o homem espiritual. Mas os que de fato rejeitam o conselho do Espírito, são escravos das concupiscências carnais, levam uma vida contrária à razão e se lançam sem freio nos seus próprios desejos, sem nenhum anseio pelo Espírito divino, vivem à maneira dos porcos e dos cães; a esses homens, [digo], o apóstolo chama muito propriamente “carnais”, porque não pensam em outra coisa senão nas coisas carnais.
3. Pela mesma razão também os profetas os comparam aos animais irracionais, por causa da irracionalidade da sua conduta, dizendo: “Tornaram-se como cavalos enfurecidos pelas fêmeas; cada um deles relincha atrás da mulher do seu próximo”.6 E também: “O homem, quando estava em honra, tornou-se semelhante aos animais”.7 Isso indica que, por sua própria culpa, ele é comparado aos animais, imitando a sua vida irracional. E também nós, como é costume, chamamos os homens dessa espécie de gado e de bestas irracionais.
4. Ora, a lei predisse figuradamente todas essas coisas, retratando o homem por meio dos [diversos] animais:8 todos os que, diz [a Escritura], têm o casco fendido e ruminam, ela os proclama puros; mas todos os que não possuem uma ou outra dessas [propriedades], ela os separa como impuros. Quem são, então, os puros? Os que caminham pela fé com firmeza em direção ao Pai e ao Filho, pois isso é indicado pela firmeza dos que têm o casco fendido; e meditam dia e noite nas palavras de Deus,9 para serem adornados de boas obras, pois esse é o sentido dos ruminantes. Os impuros, por sua vez, são os que nem têm o casco fendido nem ruminam; isto é, as pessoas que não têm fé em Deus nem meditam nas suas palavras; e tal é a abominação dos gentios. Quanto aos animais que ruminam, mas não têm o casco fendido, e são eles mesmos impuros, temos neles uma descrição figurada dos judeus, que certamente têm as palavras de Deus na boca, mas não fixam a sua firmeza enraizada no Pai e no Filho; por isso são uma geração instável. Pois os animais que têm o casco inteiriço escorregam com facilidade; mas os que o têm fendido têm o passo mais seguro, sucedendo-se as partes do casco fendido à medida que avançam, e uma parte apoiando a outra. Do mesmo modo são impuros os que têm o casco fendido, mas não ruminam: isso é claramente um sinal de todos os hereges e dos que não meditam nas palavras de Deus nem se adornam de obras de justiça; a esses também o Senhor diz: “Por que vocês me chamam ‘Senhor, Senhor!’, e não fazem o que eu mando?”10 Pois os homens dessa espécie dizem, sim, que creem no Pai e no Filho, mas nunca meditam como deveriam nas coisas de Deus, nem se adornam de obras de justiça; mas, como já observei, adotaram a vida dos porcos e dos cães, entregando-se à imundícia, à glutonaria e a toda sorte de desregramento. Com justiça, portanto, o apóstolo chamou a todos esses “carnais” e “animais”,11 [isto é, todos] os que, por sua própria incredulidade e luxúria, não recebem o Espírito divino e, nas suas diversas fases, expulsam de si o Verbo que dá a vida e andam estupidamente segundo as suas próprias concupiscências. Também os profetas falaram deles como animais de carga e feras; o costume igualmente os considerou como gado e criaturas irracionais; e a lei os declarou impuros.
1. Entre as outras [verdades] proclamadas pelo apóstolo, há também esta: “a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus”.12 Esta é [a passagem] que todos os hereges alegam em apoio da sua loucura, tentando importunar-nos e mostrar que a obra modelada por Deus não é salva. Não levam em conta o fato de que há três coisas das quais, como mostrei, se compõe o homem completo: carne, alma e espírito. Uma delas conserva e dá forma [ao homem]: é o espírito; outra é unida e formada: é a carne; depois [vem] aquela que está entre essas duas: é a alma, que às vezes, quando segue o espírito, é elevada por ele, mas outras vezes simpatiza com a carne e cai nas concupiscências carnais. Os que, portanto, por mais numerosos que sejam, não têm aquilo que salva e forma [a nós] para a vida [eterna] serão, e serão chamados, [mera] carne e sangue; pois estes são os que não têm em si o Espírito de Deus. Por isso os homens dessa espécie são chamados pelo Senhor “mortos”; pois ele diz: “Deixe que os mortos sepultem os seus mortos”,13 porque não têm o Espírito que vivifica o homem.
2. Por outro lado, todos os que temem a Deus e confiam na vinda do seu Filho, e que pela fé estabelecem o Espírito de Deus no seu coração, esses homens serão chamados com propriedade tanto “puros” como “espirituais” e “os que vivem para Deus”, porque possuem o Espírito do Pai, que purifica o homem e o eleva à vida de Deus. Pois, assim como o Senhor testemunhou que “a carne é fraca”, assim [diz também] que “o espírito está pronto”.14 Pois este é capaz de realizar as suas próprias sugestões. Se, portanto, alguém mistura a pronta inclinação do Espírito, para que seja como um estímulo, à fraqueza da carne, segue-se inevitavelmente que o que é forte prevalecerá sobre o fraco, de modo que a fraqueza da carne será absorvida pela força do Espírito; e o homem em quem isso acontece não pode, nesse caso, ser carnal, mas espiritual, por causa da comunhão do Espírito. É assim, portanto, que os mártires dão o seu testemunho e desprezam a morte, não segundo a fraqueza da carne, mas por causa da prontidão do Espírito. Pois, quando a fraqueza da carne é absorvida, ela mostra o Espírito poderoso; e, por sua vez, quando o Espírito absorve a fraqueza [da carne], possui a carne como herança em si mesmo, e de ambos se forma um homem vivo: vivo, sim, porque participa do Espírito, mas homem, por causa da substância da carne.
3. A carne, portanto, quando destituída do Espírito de Deus, está morta, sem ter vida, e não pode possuir o Reino de Deus: [é como] sangue irracional, como água derramada no chão. E por isso ele diz: “Como foi o homem terreno, assim também são os demais que são feitos do pó da terra”.15 Mas onde está o Espírito do Pai, ali há um homem vivo; [ali está] o sangue racional, guardado por Deus para a vingança [contra os que o derramam]; [ali está] a carne possuída pelo Espírito, esquecida, sim, do que lhe é próprio e adotando a qualidade do Espírito, feita conforme ao Verbo de Deus. E por isso ele (o apóstolo) declara: “E, assim como trouxemos a imagem do homem terreno, traremos também a imagem do homem celestial”.16 Que é, portanto, o terreno? Aquilo que foi modelado. E que é o celestial? O Espírito. Assim, pois, como ele diz, quando estávamos destituídos do Espírito celestial, andávamos outrora na velhice da carne, sem obedecer a Deus; assim agora, recebendo o Espírito, andemos em novidade de vida, obedecendo a Deus. Visto, portanto, que sem o Espírito de Deus não podemos ser salvos, o apóstolo nos exorta a conservar o Espírito de Deus pela fé e por um procedimento casto, para que, tornando-nos não participantes do Espírito divino, não percamos o Reino dos céus; e exclama que a carne por si mesma, e o sangue, não podem possuir o Reino de Deus.
4. Se, porém, devemos falar com rigor, [diríamos que] a carne não herda, mas é herdada; como também declara o Senhor: “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra”,17 como se no Reino [futuro] a terra, de onde provém a substância da nossa carne, devesse ser possuída por herança. Esta é a razão de ele querer que o santuário (isto é, a carne) seja limpo, para que o Espírito de Deus nele se deleite, como o noivo com a noiva. Assim, pois, como não se pode [dizer] que a noiva desposa, mas que é desposada, quando o noivo vem e a toma, assim também a carne não pode, por si mesma, possuir por herança o Reino de Deus; mas pode ser tomada como herança para o Reino de Deus. Pois uma pessoa viva herda os bens do falecido; e uma coisa é herdar, outra é ser herdado. Aquele governa, exerce poder e dispõe à sua vontade das coisas herdadas; mas estas estão em estado de sujeição, sob ordens, e são governadas por aquele que obteve a herança. Que é, portanto, o que vive? O Espírito de Deus, sem dúvida. E quais são, por sua vez, os bens do falecido? As diversas partes do homem, certamente, que apodrecem na terra. Mas estas são herdadas pelo Espírito quando são trasladadas para o Reino dos céus. Por essa causa também Cristo morreu, para que a aliança do evangelho, manifestada e conhecida no mundo inteiro, libertasse em primeiro lugar os seus escravos e depois, como já mostrei, os constituísse herdeiros dos seus bens, quando o Espírito os possui por herança. Pois quem vive herda, mas a carne é herdada. Para que não percamos a vida perdendo o Espírito que nos possui, o apóstolo, exortando-nos à comunhão do Espírito, disse com razão, nas palavras já citadas, “que a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus”. É como se dissesse: “Não se enganem; pois, se o Verbo de Deus não habitar com vocês e o Espírito do Pai não estiver em vocês, e se viverem de modo frívolo e descuidado, como se fossem só isto, a saber, mera carne e sangue, não podem herdar o Reino de Deus”.
1. Esta verdade, portanto, [ele declara], para que não rejeitemos o enxerto do Espírito enquanto mimamos a carne. “Mas você”, diz ele, “sendo oliveira brava, foi enxertado na oliveira boa e se tornou participante da seiva da oliveira.”18 Assim, pois, como a oliveira brava, depois de enxertada, se permanece na sua condição anterior, a saber, de oliveira brava, “é cortada e jogada no fogo”;19 mas, se aceita bem o enxerto e se transforma em oliveira boa, torna-se uma oliveira frutífera, plantada como que num parque real (paradiso); assim também os homens, se de fato progridem pela fé para as coisas melhores, recebem o Espírito de Deus e produzem o seu fruto, serão espirituais, como plantados no paraíso de Deus. Mas, se expulsam o Espírito e permanecem na sua condição anterior, desejando ser antes da carne do que do Espírito, então com toda a justiça se diz a respeito de homens dessa espécie “que a carne e o sangue não herdarão o Reino de Deus”;20 como se alguém dissesse que a oliveira brava não é recebida no paraíso de Deus. Admiravelmente, portanto, o apóstolo expõe a nossa natureza e toda a disposição de Deus no seu discurso sobre a carne e o sangue e sobre a oliveira brava. Pois, assim como a oliveira boa, se for descuidada por algum tempo, se for deixada a crescer brava e a virar só lenha, torna-se ela mesma oliveira brava; ou, por outro lado, se a oliveira brava for cuidadosamente tratada e enxertada, volta naturalmente à sua antiga condição frutífera; assim também os homens, quando se tornam descuidados e produzem como fruto as concupiscências da carne, como produção lenhosa, tornam-se, por sua própria culpa, infrutíferos na justiça. Pois, enquanto os homens dormem, o inimigo semeia a matéria do joio;21 e por essa causa o Senhor ordenou aos seus discípulos que vigiassem.22 E, por outro lado, os que não estão produzindo os frutos da justiça e estão como que cobertos e perdidos entre os espinheiros, se usarem de diligência e receberem a palavra de Deus como um enxerto,23 chegam à natureza original do homem, aquela que foi criada à imagem e semelhança de Deus.
2. Mas, assim como a oliveira brava enxertada certamente não perde a substância da sua madeira, mas muda a qualidade do seu fruto e recebe outro nome, não sendo mais oliveira brava, mas oliveira frutífera, e assim é chamada; assim também o homem, quando é enxertado pela fé e recebe o Espírito de Deus, certamente não perde a substância da carne, mas muda a qualidade do fruto [produzido, isto é,] das suas obras, e recebe outro nome,24 mostrando que foi mudado para melhor, não sendo mais [mera] carne e sangue, mas homem espiritual, e assim é chamado. E, por outro lado, assim como a oliveira brava, se não for enxertada, permanece inútil para o seu dono por causa da sua natureza lenhosa, e é cortada como árvore que não dá fruto e lançada no fogo; assim também o homem, se não recebe pela fé o enxerto do Espírito, permanece na sua velha condição e, sendo [mera] carne e sangue, não pode herdar o Reino de Deus. Com razão, portanto, declara o apóstolo: “a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus”;25 e: “os que estão na carne não podem agradar a Deus”;26 não repudiando [com essas palavras] a substância da carne, mas mostrando que nela deve ser infundido o Espírito.27 E por essa razão diz: “é necessário que o corpo mortal se revista da imortalidade e que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade”.28 E declara outra vez: “Vocês, porém, não estão na carne, mas no Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês”.29 E expõe isso ainda mais claramente quando diz: “O corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o Espírito é vida, por causa da justiça. Se em vocês habita o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou Cristo dentre os mortos vivificará também o corpo mortal de vocês, por causa do seu Espírito, que habita em vocês”.30 E diz ainda, na Epístola aos Romanos: “Porque, se vocês viverem segundo a carne, morrerão”.31 [Ora, com essas palavras] ele não os proíbe de viver a sua vida na carne, pois ele mesmo estava na carne quando lhes escrevia; mas corta as concupiscências da carne, as que trazem a morte ao homem. E por essa razão diz em seguida: “Mas, se pelo Espírito mortificarem as obras da carne, viverão. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8.13-14).
1. [O apóstolo], prevendo os discursos perversos dos incrédulos, especificou as obras que chama carnais; e explica-se a si mesmo, para que não reste margem de dúvida aos que desonestamente distorcem o seu pensamento, dizendo assim na Epístola aos Gálatas: “Ora, as obras da carne são manifestas, e são: adultérios, fornicações, impureza, luxúria, idolatrias, feitiçarias,32 ódios, contendas, ciúmes, iras, rivalidades, animosidades, palavras irritadas, dissensões, heresias, invejas, embriaguez, orgias e coisas semelhantes; a respeito das quais eu os previno, como também já os preveni, que os que praticam tais coisas não herdarão o Reino de Deus”.33 Assim mostra aos seus ouvintes, de modo mais explícito, o que [quer dizer quando declara]: “A carne e o sangue não herdarão o Reino de Deus”. Pois os que praticam essas coisas, visto que de fato andam segundo a carne, não têm o poder de viver para Deus. E então ele passa a nos dizer quais são as ações espirituais que vivificam o homem, isto é, o enxerto do Espírito, dizendo assim: “Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, bondade, benignidade, fé, mansidão, continência, castidade: contra estas coisas não há lei”.34 Assim, pois, como aquele que avançou para as coisas melhores e produziu o fruto do Espírito é salvo inteiramente por causa da comunhão do Espírito, assim também aquele que permaneceu nas mencionadas obras da carne, sendo considerado verdadeiramente carnal, porque não recebeu o Espírito de Deus, não terá poder para herdar o Reino dos céus. Como também testemunha o mesmo apóstolo, dizendo aos coríntios: “Vocês não sabem que os injustos não herdarão o Reino de Deus? Não se enganem”, diz ele: “nem os que praticam a fornicação, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem os que se deitam com homens, nem ladrões, nem avarentos, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o Reino de Deus. E isso vocês de fato foram; mas foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus”.35 Ele mostra do modo mais claro por que coisas o homem vai à destruição, se continuou a viver segundo a carne; e depois, por outro lado, [indica] por que coisas ele é salvo. Ora, ele diz que as coisas que salvam são o nome de nosso Senhor Jesus Cristo e o Espírito do nosso Deus.
2. Visto, portanto, que naquela passagem ele enumera as obras da carne que estão sem o Espírito, as quais trazem a morte [aos que as praticam], exclamou no fim da sua Epístola, de acordo com o que já tinha declarado: “E, assim como trouxemos a imagem do homem terreno, traremos também a imagem do homem celestial. Com isto quero dizer, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus”.36 Ora, isto que ele diz, “assim como trouxemos a imagem do homem terreno”, corresponde ao que foi declarado: “E isso vocês de fato foram; mas foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome de nosso Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus”. Quando, então, trouxemos a imagem do homem terreno? Sem dúvida, quando as ações chamadas “obras da carne” eram praticadas em nós. E quando, por sua vez, [trazemos] a imagem do celestial? Sem dúvida, quando ele diz: “Vocês foram lavados”, crendo no nome do Senhor e recebendo o seu Espírito. Ora, o que lavamos não foi a substância do nosso corpo, nem a imagem da nossa formação [primeira], mas o antigo procedimento vão. Nestes membros, portanto, nos quais caminhávamos para a destruição praticando as obras da corrupção, nestes mesmos membros somos vivificados praticando as obras do Espírito.
1. Pois, assim como a carne é capaz de corrupção, também o é de incorruptibilidade; e, assim como o é de morte, também o é de vida. Essas duas coisas cedem lugar uma à outra, e ambas não podem permanecer no mesmo lugar, mas uma é expulsa pela outra, e a presença de uma destrói a da outra. Se, então, quando a morte se apodera do homem, expulsa dele a vida e o mostra morto, muito mais a vida, quando obteve poder sobre o homem, expulsa a morte e o restitui vivo para Deus. Pois, se a morte traz a mortalidade, por que a vida, quando vem, não vivificaria o homem? Como diz o profeta Isaías: “A morte, tendo prevalecido, devorou”.37 E também: “Deus enxugou toda lágrima de todo rosto”. Assim aquela vida anterior é expulsa, porque não foi dada pelo Espírito, mas pelo sopro.
2. Pois uma coisa é o sopro de vida, que também tornou o homem um ser animado, e outra o Espírito vivificante, que também o fez tornar-se espiritual. E por essa razão Isaías disse: “Assim diz o Senhor, que fez o céu e o firmou, que fundou a terra e o que nela há, e deu sopro ao povo que nela está e Espírito aos que andam nela”;38 dizendo-nos assim que o sopro é dado em comum a todos os povos sobre a terra, mas que o Espírito pertence somente aos que calcam aos pés os desejos terrenos. E por isso o próprio Isaías, distinguindo as coisas já mencionadas, exclama outra vez: “Pois o Espírito sairá de mim, e eu fiz todo sopro”.39 Assim ele atribui como próprio de Deus o Espírito, que nos últimos tempos ele derrama sobre o gênero humano pela adoção de filhos; mas [mostra] que o sopro era comum em toda a criação e o indica como algo criado. Ora, o que foi feito é coisa diferente daquele que o faz. O sopro, portanto, é temporal, mas o Espírito é eterno. O sopro também cresce [em força] por um breve período e permanece por certo tempo; depois disso se retira, deixando sem sopro a sua antiga morada. Mas, quando o Espírito penetra o homem por dentro e por fora, visto que permanece ali, nunca o abandona. “Mas não é primeiro o espiritual”, diz o apóstolo, falando disso como que em referência a nós, seres humanos, “mas primeiro o animal, depois o espiritual”,40 de acordo com a razão. Pois era necessário que, em primeiro lugar, fosse modelado um ser humano, e que o que foi modelado recebesse a alma; e depois disso, que recebesse assim a comunhão do Espírito. Por isso também “o primeiro Adão foi feito” pelo Senhor “alma vivente, o segundo Adão, espírito vivificante”.41 Assim, pois, como aquele que foi feito alma vivente perdeu a vida quando se desviou para o mal, assim, por outro lado, o mesmo indivíduo, quando volta ao bem e recebe o Espírito vivificante, achará a vida.
3. Pois não é uma coisa a que morre e outra a que é vivificada, assim como não é uma coisa a que se perde e outra a que se acha; mas o Senhor veio buscar aquela mesma ovelha que se tinha perdido. Que era, então, o que estava morto? Sem dúvida, a substância da carne; a mesma que tinha perdido o sopro de vida e se tornara sem sopro e morta. Era isso mesmo, portanto, o que o Senhor veio vivificar, para que, assim como em Adão todos morremos, por sermos de natureza animal, em Cristo todos vivamos, por sermos espirituais, deixando de lado não a obra das mãos de Deus, mas as concupiscências da carne, e recebendo o Espírito Santo. Como diz o apóstolo na Epístola aos Colossenses: “Façam morrer, portanto, os seus membros que estão sobre a terra”. E ele mesmo explica quais são: “imoralidade sexual, impureza, paixões, maus desejos e a avareza, que é idolatria”.42 O abandono dessas coisas é o que o apóstolo prega; e declara que os que praticam tais coisas, por serem mera carne e sangue, não podem herdar o Reino dos céus. Pois a alma deles, tendendo para o pior e descendo às concupiscências terrenas, tornou-se participante da mesma designação que pertence a essas [concupiscências, isto é, “terrenas”]; e o apóstolo, quando nos manda abandoná-las, diz na mesma Epístola: “Despojem-se do velho homem com os seus atos”.43 Mas, quando disse isso, não afasta a antiga formação [do homem]; pois nesse caso nos caberia livrar-nos da sua companhia cometendo suicídio.
4. Mas o próprio apóstolo, sendo alguém que fora formado num ventre e dele saíra, escreveu-nos e confessou na sua Epístola aos Filipenses que “viver na carne era o fruto do [seu] trabalho”;44 assim se expressou. Ora, o resultado final da obra do Espírito é a salvação da carne.45 Pois que outro fruto visível há do Espírito invisível, senão tornar a carne madura e capaz de incorruptibilidade? Se, então, [ele diz]: “Viver na carne, este é para mim o resultado do trabalho”, certamente não desprezou a substância da carne naquela passagem em que disse: “Despojem-se do velho homem com as suas obras”;46 mas mostra que devemos abandonar o nosso antigo procedimento, aquele que envelhece e se corrompe; e por essa razão continua dizendo: “E revistam-se do novo homem, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou”. Nisto, portanto, que diz, “que se renova para o conhecimento”, demonstra que ele, o mesmíssimo homem que no passado estava na ignorância, isto é, na ignorância de Deus, é renovado por aquele conhecimento que diz respeito a Deus. Pois o conhecimento de Deus renova o homem. E, quando diz “segundo a imagem do Criador”, apresenta a recapitulação do mesmo homem, que no princípio foi feito à semelhança de Deus.
5. E que ele, o apóstolo, era a mesmíssima pessoa que tinha nascido do ventre, isto é, da antiga substância da carne, ele mesmo o declara na Epístola aos Gálatas: “Mas, quando aprouve a Deus, que me separou desde o ventre de minha mãe e me chamou pela sua graça, revelar o seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios”.47 Não era, como já observei, uma pessoa a que tinha nascido do ventre e outra a que pregava o evangelho do Filho de Deus; mas o mesmo indivíduo que antes estava na ignorância e perseguia a Igreja, quando lhe foi feita a revelação do céu e o Senhor conversou com ele, como mostrei no terceiro livro,48 pregou o evangelho de Jesus Cristo, o Filho de Deus, que foi crucificado sob Pôncio Pilatos, sendo a sua ignorância anterior expulsa pelo conhecimento posterior. Assim também os cegos que o Senhor curou certamente perderam a sua cegueira, mas receberam perfeita a substância dos seus olhos e obtiveram o poder da visão nos mesmíssimos olhos com os quais antes não viam; as trevas foram simplesmente expulsas pelo poder da visão, enquanto a substância dos olhos foi conservada, para que, por meio daqueles olhos com os quais não tinham visto, exercendo de novo o poder visual, dessem graças àquele que lhes restituíra a vista. E assim também aquele cuja mão ressequida foi curada, e todos os que foram curados em geral, não mudaram as partes do corpo que ao nascer tinham saído do ventre, mas simplesmente as obtiveram de novo em estado sadio.
6. Pois o Criador de todas as coisas, o Verbo de Deus, que também desde o princípio formou o homem, quando achou a sua obra danificada pela maldade, realizou nela toda espécie de cura. Às vezes [o fez] em relação a cada membro separadamente, tal como se encontra na sua própria obra; e outras vezes restaurou de uma vez por todas o homem são e inteiro em todos os aspectos, preparando-o perfeito para si mesmo para a ressurreição. Pois que objetivo tinha ele ao curar [diversas] partes da carne e restituí-las à sua condição original, se essas partes curadas por ele não estivessem em condições de alcançar a salvação? Pois, se foi [apenas] um benefício temporário que conferiu, nada de importante concedeu aos que foram objeto da sua cura. Ou como podem sustentar que a carne é incapaz de receber a vida que flui dele, quando recebeu dele a cura? Pois a vida é produzida pela cura, e a incorruptibilidade pela vida. Aquele, portanto, que confere a cura, esse mesmo confere também a vida; e aquele [que dá] a vida também envolve a sua própria obra de incorruptibilidade.
1. Que os nossos adversários, isto é, os que falam contra a sua própria salvação, nos informem [sobre este ponto]: a filha falecida do sumo sacerdote;49 o filho morto da viúva, que estava sendo levado [para ser sepultado] perto da porta [da cidade];50 e Lázaro, que jazia havia quatro dias no túmulo:51 em que corpos ressuscitaram? Naqueles mesmos, sem dúvida, nos quais também tinham morrido. Pois, se não foi nos mesmíssimos corpos, então certamente não ressuscitaram aqueles mesmos indivíduos que tinham morrido. Pois [a Escritura] diz: “O Senhor tomou a mão do morto e lhe disse: Jovem, eu lhe digo: levante-se! E o morto sentou-se, e ele mandou que lhe dessem algo de comer; e o entregou à sua mãe”.52 Também chamou Lázaro “em alta voz, dizendo: Lázaro, venha para fora! E aquele que tinha morrido saiu, tendo os pés e as mãos amarrados com ataduras” (Jo 11.43-44). Isso era símbolo daquele homem que tinha sido amarrado nos pecados. E por isso o Senhor disse: “Desamarrem-no e deixem que ele vá” (Jo 11.44). Assim, pois, como os que foram curados ficaram sãos naqueles membros que antes tinham sido afligidos, e os mortos ressuscitaram nos mesmos corpos, recebendo os seus membros e corpos a saúde e a vida concedida pelo Senhor, que prefigura as coisas eternas pelas temporais e mostra que é ele mesmo que pode estender à sua obra tanto a cura como a vida, para que também se creia nas suas palavras acerca da ressurreição [futura] dela; assim também no fim, quando o Senhor fizer ouvir a sua voz “pela última trombeta”,53 os mortos ressuscitarão, como ele mesmo declara: “Vem a hora em que todos os mortos que se acham nos túmulos ouvirão a voz do Filho do Homem e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo”.54
2. Vãos, portanto, e verdadeiramente miseráveis são os que não querem ver o que é tão manifesto e claro, mas fogem da luz da verdade, cegando-se a si mesmos como o Édipo da tragédia. E, assim como os que não estão treinados na luta, quando lutam com outros, agarrando com teimosia alguma parte do corpo [do adversário], caem realmente por causa daquilo que agarram, e contudo, quando caem, imaginam que estão vencendo, porque mantiveram obstinadamente a pegada naquela parte que seguraram no início, e, além de cair, se tornam objeto de riso; assim acontece com aquela expressão [favorita] dos hereges: “A carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus”. Tomando duas expressões de Paulo, sem ter percebido o pensamento do apóstolo nem examinado criticamente a força dos termos, mas agarrando-se às meras expressões tomadas em si mesmas, eles morrem por causa delas (peri autas), subvertendo, no que deles depende, toda a economia de Deus.
3. Pois assim alegarão que essa passagem se refere à carne propriamente dita, e não às obras carnais, como mostrei, representando desse modo o apóstolo como contradizendo-se a si mesmo. Pois logo em seguida, na mesma Epístola, ele diz de modo conclusivo, falando assim em referência à carne: “Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: ‘Tragada foi a morte pela vitória.’ ‘Onde está, ó morte, o seu aguilhão? Onde está, ó morte, a sua vitória?'”55 Ora, estas palavras serão ditas com propriedade no tempo em que esta carne mortal e corruptível, que está sujeita à morte e também é oprimida por um certo domínio da morte, levantando-se para a vida, se revestir de incorruptibilidade e imortalidade. Pois então, de fato, a morte será verdadeiramente vencida, quando a carne que é retida por ela sair de debaixo do seu domínio. E outra vez diz aos filipenses: “Mas a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus, que transfigurará o corpo da nossa humilhação, conforme ao corpo da sua glória, assim como ele pode (ita ut possit), segundo a eficácia do seu próprio poder”.56 Que é, então, este “corpo de humilhação” que o Senhor transfigurará, [de modo a ficar] conforme ao “corpo da sua glória”? É claramente este corpo composto de carne, que de fato é humilhado quando cai na terra. Ora, a sua transformação [se dá assim]: sendo mortal e corruptível, torna-se imortal e incorruptível, não segundo a sua própria substância, mas segundo a poderosa operação do Senhor, que pode revestir o mortal de imortalidade e o corruptível de incorruptibilidade. E por isso diz:57 “para que o mortal seja absorvido pela vida. Aquele que nos aperfeiçoou para isto mesmo é Deus, que também nos deu o penhor do Espírito”.58 Ele usa essas palavras de modo manifestíssimo em referência à carne; pois a alma não é mortal, nem o espírito. Ora, o que é mortal será absorvido pela vida quando a carne já não estiver morta, mas permanecer viva e incorruptível, cantando louvores a Deus, que nos aperfeiçoou para isto mesmo. Para que, portanto, sejamos aperfeiçoados para isso, diz ele com acerto aos coríntios: “glorifiquem a Deus no corpo de vocês”.59 Ora, Deus é aquele que dá origem à imortalidade.
4. Que ele usa essas palavras a respeito do corpo de carne, e de nenhum outro, ele o declara aos coríntios de modo manifesto, indubitável e livre de toda ambiguidade: “Levando sempre no corpo o morrer de Jesus,60 para que também a vida de Jesus Cristo se manifeste em nosso corpo. Pois, se nós, que vivemos, somos entregues à morte por causa de Jesus, é para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal”.61 E que o Espírito se apodera da carne, ele o diz na mesma Epístola: “Que vocês são carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração”.62 Se, portanto, no tempo presente, corações de carne se tornam participantes do Espírito, que há de espantoso se, na ressurreição, receberem a vida que é concedida pelo Espírito? Dessa ressurreição fala o apóstolo na Epístola aos Filipenses: “Tornando-me conforme à sua morte, para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos”.63 Em que outra carne mortal, portanto, se pode entender que a vida se manifesta, senão naquela substância que também é entregue à morte por causa da confissão que se faz de Deus? Como ele mesmo declarou: “Se, como homem, lutei em Éfeso contra feras,64 qual foi o meu proveito, se os mortos não ressuscitam? Pois, se os mortos não ressuscitam, então Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e é vã a fé que vocês têm. Além disso, somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos testemunhado que ele ressuscitou a Cristo, ao qual [nessa suposição] ele não ressuscitou.65 Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a fé que vocês têm, e vocês ainda permanecem nos seus pecados. E ainda mais: os que adormeceram em Cristo estão perdidos. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos as pessoas mais infelizes deste mundo. Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem; pois, assim como por um homem [veio] a morte, também por um homem [veio] a ressurreição dos mortos”.66
5. Em todas essas passagens, portanto, como já disse, esses homens terão de alegar que o apóstolo expressa opiniões contraditórias consigo mesmo a respeito daquela afirmação, “A carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus”; ou, por outro lado, serão forçados a fazer interpretações perversas e tortuosas de todas as passagens, de modo a subverter e alterar o sentido das palavras. Pois que coisa sensata podem dizer, se tentam interpretar de outro modo isto que ele escreve: “Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade”;67 e: “para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal”;68 e todas as outras passagens nas quais o apóstolo declara manifesta e claramente a ressurreição e a incorruptibilidade da carne? E assim serão obrigados a dar uma interpretação falsa a passagens como essas os que não querem entender uma só corretamente.
1. Ef 1.13 etc.
2. 2Co 5.4.
3. Rm 8.9.
4. Rm 8.15.
5. Isto é adotar a emenda de Harvey, “voluntatem” em lugar de “voluntate”.
6. Jr 5.8.
7. Sl 49.20.
8. Lv 11.2; Dt 14.3 etc.
9. Sl 1.2.
10. Lc 6.46.
11. 1Co 2.14; 1Co 3.1 etc.
12. 1Co 15.50.
13. Lc 9.60.
14. Mt 26.41.
15. 1Co 15.48.
16. 1Co 15.49.
17. Mt 5.5.
18. Rm 11.17.
19. Mt 7.19.
20. 1Co 15.50.
21. Mt 13.25.
22. Mt 24.42; Mt 25.13; Mc 13.33.
23. Tg 1.21.
24. Ap 2.17.
25. 1Co 15.50.
26. Rm 8.8.
27. O latim tem: “sed infusionem Spiritus attrahens”.
28. 1Co 15.53.
29. Rm 8.9.
30. Rm 8.10 etc.
31. Rm 8.13.
32. Ou “envenenamentos”.
33. Gl 5.19 etc.
34. Gl 5.22.
35. 1Co 6.9-11.
36. 1Co 15.49 etc.
37. Is 25.8, LXX.
38. Is 42.5.
39. Is 57.16.
40. 1Co 15.46.
41. 1Co 15.45.
42. Cl 3.5.
43. Cl 3.9.
44. Fp 1.22.
45. Seguindo a explicação de Harvey para uma passagem um tanto obscura.
46. Cl 3.10.
47. Gl 1.15-16.
48. Veja-se Contra as Heresias, Livro III, 12.9 e 15.1.
49. Mc 5.22. Irineu confunde o chefe da sinagoga com o sumo sacerdote.
50. Lc 7.12.
51. Jo 11.17.
52. Os dois milagres da ressurreição do filho da viúva e da filha do rabino estão aqui fundidos.
53. 1Co 15.52.
54. Jo 5.28.
55. 1Co 15.53.
56. Fp 3.20 etc.
57. O texto grego original está conservado aqui, como acima; o tradutor latino insere “in secunda ad Corinthios”. Harvey observa: “A interpretação da referência bíblica pelo tradutor sugere a suspeita de que a maior parte dessas referências veio da margem”.
58. 2Co 5.4.
59. 1Co 6.20.
60. Concordando com a versão siríaca em omitir “o Senhor” antes da palavra “Jesus” e em ler aei como ei, o que Harvey considera o texto verdadeiro.
61. 2Co 4.10 etc.
62. 2Co 3.3.
63. Fp 3.11.
64. A tradução siríaca parece tirar desta passagem um sentido literal: “Se, como um dentre os homens, fui lançado às feras em Éfeso”.
65. Isto está de acordo com o siríaco, que omite a oração eiper ara nekroi ouk egeirontai.
66. 1Co 15.13 etc.
67. 1Co 15.53.
68. 2Co 4.11.
Tradução para o português a partir das versões inglesas de J. Armitage Robinson (The Demonstration of the Apostolic Preaching, Londres, SPCK, 1920, traduzida do armênio) e de Alexander Roberts e W. H. Rambaut (Against Heresies, Livro V, Ante-Nicene Fathers, vol. 1, Buffalo, 1885), conferidas com as imagens das páginas; domínio público. É, portanto, tradução de tradução. As notas são dos tradutores ingleses; as do editor americano da coleção foram omitidas. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando Irineu cita o texto bíblico tal como o conhecemos; quando cita pela Septuaginta ou de memória, segue-se a redação dele. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.