Irineu de Lião · Contra as Heresias, Livro V

Prefácio e capítulos 1 a 7: Cristo nos redime e a carne é capaz de salvação

O prefácio do Livro V; Cristo, o único mestre, nos redime com o seu sangue; a Eucaristia; a carne é capaz de receber a vida de Deus.

Contra as heresias: livro v

Prefácio

Nos quatro livros anteriores, meu caríssimo amigo, que lhe enviei, todos os hereges foram desmascarados, as suas doutrinas foram trazidas à luz e foram refutados esses homens que inventaram opiniões ímpias. [Fiz isso apresentando] algo da doutrina própria de cada um deles, que deixaram nos seus escritos, e também usando argumentos de natureza mais geral, aplicáveis a todos eles.1 Depois mostrei a verdade e apresentei a pregação da Igreja, que os profetas proclamaram (como já demonstrei), mas que Cristo levou à perfeição e os apóstolos transmitiram; deles a Igreja, recebendo [essas verdades] e sendo a única em todo o mundo a conservá-las na sua integridade (bene), as transmitiu aos seus filhos. E agora, tendo resolvido todas as questões que os hereges nos propõem, tendo explicado a doutrina dos apóstolos e exposto com clareza muitas das coisas que o Senhor disse e fez por meio de parábolas, procurarei, neste quinto livro da obra inteira, que trata do desmascaramento e da refutação do conhecimento falsamente assim chamado, apresentar provas tiradas do restante da doutrina do Senhor e das epístolas apostólicas. [Assim] atendo à sua solicitação, como você me pediu (visto que de fato me foi designado um lugar no ministério da palavra), e me esforço, por todos os meios ao meu alcance, para lhe fornecer amplo auxílio contra as contradições dos hereges, bem como para reconduzir os desviados e convertê-los à Igreja de Deus, e ao mesmo tempo firmar o ânimo dos neófitos, a fim de que conservem inabalável a fé que receberam, guardada íntegra pela Igreja, e de modo algum sejam pervertidos pelos que procuram ensinar-lhes falsas doutrinas e afastá-los da verdade. Caberá a você, porém, e a todos os que vierem a ler este escrito, percorrer com grande atenção o que já disse, para que conheça os assuntos contra os quais estou lutando. Pois é assim que você poderá refutá-los de modo legítimo e estará preparado para receber as provas apresentadas contra eles, rejeitando as suas doutrinas como imundícia por meio da fé celestial, e seguindo o único Mestre verdadeiro e firme, o Verbo de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, que, por seu amor transcendente, se tornou o que nós somos, para nos levar a ser até mesmo o que ele próprio é.

Capítulo I. Somente Cristo é capaz de ensinar as coisas divinas e de nos redimir: ele mesmo tomou carne da virgem Maria, não só em aparência, mas realmente, pela operação do Espírito Santo, a fim de nos renovar. Críticas às fantasias de valentino e de ebião

1. Pois de nenhum outro modo poderíamos ter aprendido as coisas de Deus, se o nosso Mestre, existindo como o Verbo, não se tivesse feito homem. Pois nenhum outro ser tinha o poder de nos revelar as coisas do Pai, senão o seu próprio Verbo. Pois quem mais “conheceu a mente do Senhor”? Ou quem mais “foi o seu conselheiro”?2 Além disso, de nenhum outro modo poderíamos ter aprendido, senão vendo o nosso Mestre e ouvindo a sua voz com os nossos próprios ouvidos, para que, tornando-nos imitadores das suas obras e praticantes das suas palavras, tenhamos comunhão com ele, recebendo crescimento daquele que é perfeito e que é anterior a toda a criação. Nós, que fomos criados há pouco pelo único Ser sumamente bom, por aquele que também tem o dom da imortalidade, formados segundo a sua semelhança (predestinados, conforme a presciência do Pai, para que nós, que ainda não existíamos, viéssemos a existir) e feitos primícias da criação,3 recebemos, nos tempos conhecidos de antemão, [as bênçãos da salvação] segundo o ministério do Verbo, que é perfeito em todas as coisas, como Verbo poderoso e verdadeiro homem. Ele, redimindo-nos com o seu próprio sangue de maneira conforme à razão, deu a si mesmo como resgate pelos que tinham sido levados ao cativeiro. E, visto que a apostasia nos tiranizou injustamente e, embora fôssemos por natureza propriedade do Deus onipotente, nos alienou contra a natureza, fazendo de nós os seus próprios discípulos, o Verbo de Deus, poderoso em todas as coisas e sem falha quanto à sua justiça, voltou-se com justiça contra essa apostasia e resgatou dela o que lhe pertencia, não por meios violentos, como a [apostasia] tinha obtido domínio sobre nós no princípio, quando arrebatou insaciavelmente o que não era seu, mas por meio da persuasão, como convinha a um Deus de conselho, que não usa meios violentos para obter o que deseja; de modo que nem a justiça fosse violada, nem a antiga obra das mãos de Deus fosse à destruição. Visto, pois, que o Senhor nos redimiu com o seu próprio sangue, dando a sua alma pelas nossas almas e a sua carne pela nossa carne, e derramou também o Espírito do Pai para a união e a comunhão de Deus e do homem, comunicando Deus aos homens por meio do Espírito e, por outro lado, unindo o homem a Deus pela sua própria encarnação, e concedendo-nos na sua vinda a imortalidade de modo duradouro e verdadeiro, por meio da comunhão com Deus, todas as doutrinas dos hereges caem em ruínas.

2. Vãos, de fato, são os que alegam que ele apareceu só em aparência. Pois essas coisas não aconteceram apenas na aparência, mas em realidade efetiva. Se ele apareceu como homem quando não era homem, nem o Espírito Santo poderia ter repousado sobre ele (fato que realmente aconteceu), já que o Espírito é invisível; nem, [nesse caso], haveria nele grau algum de verdade, pois ele não seria aquilo que parecia ser. Já observei que Abraão e os outros profetas o contemplaram de modo profético, predizendo em visão o que haveria de acontecer. Se, então, um tal ser apareceu agora com um aspecto exterior diferente do que era em realidade, o que houve foi uma espécie de visão profética concedida aos homens, e é preciso esperar outra vinda sua, na qual ele seja tal como agora foi visto de modo profético. E já provei que é a mesma coisa dizer que ele apareceu só em aparência exterior e [afirmar] que nada recebeu de Maria. Pois ele não teria possuído verdadeiramente carne e sangue, pelos quais nos redimiu, se não tivesse recapitulado em si mesmo a antiga formação de Adão. Vãos, portanto, são os discípulos de Valentino que apresentam essa opinião, a fim de excluir a carne da salvação e rejeitar o que Deus modelou.

3. Vãos também são os ebionitas, que não recebem pela fé na sua alma a união de Deus e do homem, mas permanecem no velho fermento do nascimento [natural], e não querem entender que o Espírito Santo veio sobre Maria e o poder do Altíssimo a envolveu com a sua sombra;4 por isso também o que foi gerado é santo, e é o Filho do Deus Altíssimo, o Pai de todos, que realizou a encarnação desse ser e manifestou uma geração de [espécie] nova, para que, assim como pela geração anterior herdamos a morte, assim por esta nova geração herdássemos a vida. Por isso esses homens rejeitam a mistura do vinho celestial5 e querem que haja somente a água do mundo, não recebendo Deus de modo a ter união com ele; mas permanecem naquele Adão que foi vencido e expulso do Paraíso. Não consideram que, assim como no princípio da nossa formação em Adão o sopro de vida que procedeu de Deus, unido ao que tinha sido modelado, animou o homem e o manifestou como ser dotado de razão, assim também, nos [tempos do] fim, o Verbo do Pai e o Espírito de Deus, unidos à antiga substância da formação de Adão, tornaram o homem vivo e perfeito, capaz de receber o Pai perfeito, para que, assim como no [Adão] natural todos estávamos mortos, assim no espiritual todos sejamos vivificados.6 Pois em tempo algum Adão escapou das mãos7 de Deus, a quem o Pai, falando, disse: “Façamos o ser humano à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1.26). E por essa razão, nos últimos tempos (fine), não pela vontade da carne nem pela vontade do homem, mas pelo beneplácito do Pai,8 as suas mãos formaram um homem vivo, para que Adão fosse criado [de novo] à imagem e semelhança de Deus.

Capítulo II. Quando Cristo nos visitou na sua graça, não veio ao que não lhe pertencia: além disso, derramando por nós o seu verdadeiro sangue e apresentando-nos a sua verdadeira carne na eucaristia, conferiu à nossa carne a capacidade da salvação

1. E vãos igualmente são os que dizem que Deus veio a coisas que não lhe pertenciam, como se cobiçasse a propriedade alheia, a fim de entregar aquele homem, criado por outro, a um Deus que nada fez nem formou, mas que além disso foi privado desde o princípio de uma formação de homens que fosse propriamente sua. A vinda, portanto, daquele que esses homens representam como vindo às coisas alheias não foi justa; nem ele nos redimiu verdadeiramente com o seu próprio sangue, se não se fez realmente homem, restaurando à sua própria obra o que [dela] foi dito no princípio, que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus; não arrebatando com astúcia a propriedade alheia, mas tomando posse do que era seu de modo justo e gracioso. No que diz respeito à apostasia, ele nos redime dela com justiça pelo seu próprio sangue; mas, no que diz respeito a nós, que fomos redimidos, [ele o faz] graciosamente. Pois nada lhe demos antes, nem ele deseja coisa alguma de nós, como se tivesse necessidade dela; mas nós é que temos necessidade da comunhão com ele. E foi por isso que ele graciosamente se derramou a si mesmo, para nos reunir no seio do Pai.

2. Mas vãos em todos os aspectos são os que desprezam toda a economia de Deus, negam a salvação da carne e tratam com desprezo a sua regeneração, sustentando que ela não é capaz de incorruptibilidade. Ora, se a carne não alcança a salvação, então nem o Senhor nos redimiu com o seu sangue, nem o cálice da Eucaristia é a comunhão do seu sangue, nem o pão que partimos é a comunhão do seu corpo.9 Pois o sangue só pode vir das veias e da carne e de tudo o mais que compõe a substância do homem, tal como o Verbo de Deus realmente se fez. Com o seu próprio sangue ele nos redimiu, como também declara o seu apóstolo: “Em quem temos a redenção por meio do seu sangue, a remissão dos pecados”.10 E, como somos membros dele, somos também nutridos por meio da criação (e ele mesmo nos concede a criação, pois faz nascer o seu sol e manda a chuva quando quer11). Ele reconheceu o cálice (que é parte da criação) como o seu próprio sangue, com o qual umedece o nosso sangue; e estabeleceu o pão (também parte da criação) como o seu próprio corpo, com o qual dá crescimento aos nossos corpos.

3. Quando, portanto, o cálice misturado e o pão fabricado recebem o Verbo de Deus, e se faz a Eucaristia do sangue e do corpo de Cristo,12 e destas coisas a substância da nossa carne é aumentada e sustentada, como podem afirmar que a carne é incapaz de receber o dom de Deus, que é a vida eterna, essa [carne] que é nutrida pelo corpo e pelo sangue do Senhor e é membro dele? É o que declara o bem-aventurado Paulo na sua Epístola aos Efésios: “somos membros do seu corpo, da sua carne e dos seus ossos”.13 Ele não diz essas palavras acerca de algum homem espiritual e invisível, pois um espírito não tem ossos nem carne;14 mas [refere-se] àquela economia [pela qual o Senhor se tornou] homem real, composto de carne, nervos e ossos, àquela [carne] que é nutrida pelo cálice, que é o seu sangue, e recebe crescimento do pão, que é o seu corpo. E assim como o ramo da videira, plantado na terra, frutifica no seu tempo, e como o grão de trigo, caindo na terra e decompondo-se, se levanta multiplicado pelo Espírito de Deus, que contém todas as coisas, e depois, pela sabedoria de Deus, serve ao uso dos homens e, recebendo o Verbo de Deus, se torna a Eucaristia, que é o corpo e o sangue de Cristo, assim também os nossos corpos, nutridos por ela, depositados na terra e ali sofrendo a decomposição, ressuscitarão no seu tempo determinado, concedendo-lhes o Verbo de Deus a ressurreição para a glória de Deus Pai, que gratuitamente dá a este corpo mortal a imortalidade e a este corruptível a incorruptibilidade,15 porque o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza.16 Isso para que nunca nos ensoberbeçamos, como se tivéssemos a vida por nós mesmos, nem nos exaltemos contra Deus, tornando-se ingrata a nossa mente; mas, aprendendo pela experiência que possuímos a duração eterna pelo poder supremo deste Ser e não pela nossa própria natureza, não deixemos de estimar a glória que envolve Deus tal como ele é, nem ignoremos a nossa própria natureza, mas saibamos o que Deus pode realizar e que benefícios o homem recebe, e assim nunca nos desviemos da verdadeira compreensão das coisas como elas são, isto é, tanto a respeito de Deus como a respeito do homem. E não seria talvez, como já observei, que foi para esse fim que Deus permitiu a nossa dissolução no pó comum da mortalidade,17 a fim de que, instruídos por todos os modos, sejamos exatos em todas as coisas para o futuro, sem ignorar nem a Deus nem a nós mesmos?

Capítulo III. O poder e a glória de Deus resplandecem na fraqueza da carne humana, pois ele fará o nosso corpo participante da ressurreição e da imortalidade, ainda que o tenha formado do pó da terra; ele lhe concederá também o gozo da imortalidade, assim como lhe concede esta vida breve em comum com a alma

1. Além disso, o apóstolo Paulo mostrou da maneira mais clara que o homem foi entregue à sua própria fraqueza, para que não se afastasse da verdade por se ensoberbecer. Assim diz ele na segunda [Epístola] aos Coríntios: “E, para que eu não ficasse orgulhoso com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear. Três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então ele me disse: ‘A minha graça é o que basta para você, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.’ De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo”.18 Como assim? (talvez alguém exclame.) Quis então o Senhor que os seus apóstolos fossem assim esbofeteados e que ele suportasse tal fraqueza? Assim foi; a palavra o diz. Pois o poder se aperfeiçoa na fraqueza, tornando melhor aquele que, por meio da sua fraqueza, chega a conhecer o poder de Deus. Pois como poderia o homem ter aprendido que ele mesmo é um ser fraco e mortal por natureza, mas que Deus é imortal e poderoso, se não tivesse aprendido pela experiência o que há em ambos? Pois não há mal algum em aprender as próprias fraquezas suportando-as; antes, isso tem até o efeito benéfico de impedir que ele forme uma opinião indevida acerca da sua própria natureza (non aberrare in natura sua). Mas o exaltar-se contra Deus e tomar para si a glória dele, tornando o homem ingrato, trouxe-lhe muito mal. [E assim, digo, o homem precisa aprender ambas as coisas pela experiência], para que não fique destituído de verdade e de amor, nem para consigo mesmo nem para com o seu Criador.19 A experiência de ambas as coisas lhe confere o verdadeiro conhecimento acerca de Deus e do homem e aumenta o seu amor para com Deus. Ora, onde há aumento de amor, ali uma glória maior é produzida pelo poder de Deus para os que o amam.

2. Esses homens, portanto, deixam de lado o poder de Deus e não consideram o que a palavra declara, quando se detêm na fraqueza da carne, mas não levam em conta o poder daquele que a ressuscita dentre os mortos. Pois, se ele não vivifica o que é mortal e não reconduz o corruptível à incorruptibilidade, não é um Deus poderoso. Mas que ele é poderoso em todos esses aspectos, devemos percebê-lo pela nossa origem, visto que Deus, tomando pó da terra, formou o homem. E certamente é muito mais difícil e incrível, partindo de ossos, nervos, veias e do restante da organização do homem, que ainda não existiam, fazer que tudo isso existisse e fazer do homem uma criatura animada e racional, do que reintegrar de novo aquilo que tinha sido criado e depois se decompôs em terra (pelas razões já mencionadas), tendo assim passado àqueles [elementos] dos quais o homem, que antes não existia, foi formado. Pois aquele que no princípio fez existir, quando quis, quem ainda não existia, muito mais restabelecerá os que já tinham existido, quando for da sua vontade [que herdem] a vida concedida por ele. E aquela carne será também achada apta e capaz de receber o poder de Deus, a qual no princípio recebeu os toques hábeis de Deus, de modo que uma parte se tornou o olho para ver; outra, o ouvido para ouvir; outra, a mão para apalpar e trabalhar; outra, os tendões estendidos por toda parte, que mantêm unidos os membros; outra, as artérias e as veias, passagens para o sangue e para o ar;20 outra, os diversos órgãos internos; outra, o sangue, que é o vínculo de união entre a alma e o corpo. Mas para que [continuar nesse tom]? Faltariam números para exprimir a multiplicidade das partes do corpo humano, que não foi feito de outro modo senão pela grande sabedoria de Deus. Ora, as coisas que participam da habilidade e da sabedoria de Deus participam também do seu poder.

3. A carne, portanto, não está destituída [de participação] na sabedoria e no poder construtores de Deus. Mas, se o poder daquele que concede a vida se aperfeiçoa na fraqueza, isto é, na carne, que eles nos digam, quando sustentam a incapacidade da carne para receber a vida concedida por Deus, se dizem essas coisas como homens que agora estão vivos e participam da vida, ou se reconhecem que, não tendo parte alguma na vida, são no momento presente homens mortos. E, se realmente são homens mortos, como é que se movem, falam e realizam as demais funções que não são ações de mortos, mas de vivos? Mas, se agora estão vivos e todo o seu corpo participa da vida, como podem ousar afirmar que a carne não está habilitada a participar da vida, quando confessam que têm vida no momento presente? É como se alguém tomasse uma esponja cheia de água, ou uma tocha acesa, e declarasse que a esponja não pode de modo algum participar da água, nem a tocha do fogo. Desse mesmo modo esses homens, alegando que estão vivos e levam a vida nos seus membros, contradizem-se depois, quando representam esses membros como incapazes de [receber] a vida. Mas, se a presente vida temporal, que é de natureza tão inferior à vida eterna, consegue ainda assim vivificar os nossos membros mortais, por que a vida eterna, que é muito mais poderosa do que esta, não vivificaria a carne, que já conviveu com a vida e se acostumou a sustentá-la? Pois que a carne pode realmente participar da vida, mostra-se pelo fato de estar viva; pois ela continua vivendo enquanto for o propósito de Deus que viva. É manifesto também que Deus tem o poder de lhe conferir a vida, visto que concede a vida a nós que existimos. E, portanto, visto que o Senhor tem poder para infundir vida no que modelou, e visto que a carne é capaz de ser vivificada, o que resta para impedir que ela participe da incorruptibilidade, que é a vida bem-aventurada e sem fim concedida por Deus?

Capítulo IV. Enganam-se os que inventam outro Deus Pai além do criador do mundo; pois esse teria de ser fraco e inútil, ou então maligno e cheio de inveja, se não pode ou não quer estender a vida eterna aos nossos corpos

1. Os que inventam a existência de outro Pai além do Criador, e o chamam o Deus bom, enganam a si mesmos; pois o apresentam como um ser fraco, inútil e negligente, para não dizer maligno e cheio de inveja, visto que afirmam que os nossos corpos não são vivificados por ele. Pois, quando dizem que as coisas que manifestamente a todos permanecem imortais, como o espírito, a alma e outras semelhantes, são vivificadas pelo Pai, mas que outra coisa [isto é, o corpo], que não é vivificada de outro modo senão concedendo-lhe Deus [a vida], é abandonada pela vida, [têm de confessar] que isso prova que o Pai deles é fraco e impotente, ou então invejoso e maligno. Pois, visto que o Criador já aqui vivifica os nossos corpos mortais e lhes promete a ressurreição pelos profetas, como mostrei, quem [nesse caso] se mostra mais poderoso, mais forte ou verdadeiramente bom? É o Criador, que vivifica o homem inteiro, ou é o Pai deles, falsamente assim chamado? Este finge ser o vivificador das coisas que são imortais por natureza, às quais a vida está sempre presente pela sua própria natureza; mas não vivifica benevolamente as coisas que precisavam do seu auxílio para viver, e as deixa cair descuidadamente sob o poder da morte. Será, então, que o Pai deles não lhes concede a vida tendo o poder de fazê-lo, ou será que não possui esse poder? Se, por um lado, é porque não pode, então, nessa suposição, ele não é um ser poderoso, nem é mais perfeito do que o Criador; pois o Criador concede, como devemos perceber, o que aquele é incapaz de proporcionar. Mas se, por outro lado, [é que ele não concede isso] tendo o poder de fazê-lo, então fica provado que ele não é um Pai bom, mas invejoso e maligno.

2. Se, além disso, alegam alguma causa pela qual o Pai deles não comunica vida aos corpos, então essa causa terá necessariamente de parecer superior ao Pai, já que o impede de exercer a sua benevolência; e a sua benevolência se mostrará assim fraca, por causa da causa que eles apresentam. Ora, todos devem perceber que os corpos são capazes de receber a vida. Pois vivem na medida em que agrada a Deus que vivam; e, sendo assim, os [hereges] não podem sustentar que [esses corpos] sejam totalmente incapazes de receber a vida. Se, portanto, por necessidade ou por qualquer outra causa, aqueles [corpos] que são capazes de participar da vida não são vivificados, o Pai deles será escravo da necessidade e dessa causa, e não, portanto, um agente livre, que tem a sua vontade sob o seu próprio controle.

Capítulo V. A vida prolongada dos antigos, a trasladação de Elias e de Enoque nos seus próprios corpos, bem como a preservação de jonas, de sadraque, mesaque e abede-nego em meio a perigo extremo, são demonstrações claras de que Deus pode ressuscitar os nossos corpos para a vida eterna

1. [Para aprenderem] que os corpos continuaram existindo por um período prolongado, enquanto foi do agrado de Deus que florescessem, leiam [esses hereges] as Escrituras, e verão que os nossos antepassados passaram dos setecentos, oitocentos e novecentos anos de idade, e que os seus corpos acompanharam a extensão prolongada dos seus dias e participaram da vida enquanto Deus quis que vivessem. Mas por que me refiro a esses homens? Pois Enoque, quando agradou a Deus, foi trasladado no mesmo corpo em que lhe agradou, indicando de antemão a trasladação dos justos. Também Elias foi arrebatado [estando ainda] na substância da forma [natural], mostrando assim em profecia a assunção dos que são espirituais, e que nada impedia que o seu corpo fosse trasladado e arrebatado. Pois foi por meio das mesmíssimas mãos pelas quais foram modelados no princípio que receberam essa trasladação e assunção. Pois em Adão as mãos de Deus se tinham acostumado a ordenar, a governar e a sustentar a sua própria obra, e a levá-la e colocá-la onde quisessem. Onde, então, foi colocado o primeiro homem? No paraíso, certamente, como declara a Escritura: “E Deus plantou um jardim [paradisum] no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado”.21 E depois, quando [o homem] se mostrou desobediente, foi expulso dali para este mundo. Por isso também os presbíteros, discípulos dos apóstolos, nos dizem que os que foram trasladados foram transferidos para aquele lugar (pois o paraíso foi preparado para os homens justos, os que têm o Espírito; e nesse lugar também o apóstolo Paulo, quando foi arrebatado, ouviu palavras que são indizíveis para nós na nossa condição presente22), e que ali os que foram trasladados permanecerão até a consumação [de todas as coisas], como prelúdio da imortalidade.

2. Se, porém, alguém imagina que é impossível que homens sobrevivam por tanto tempo, e que Elias não foi arrebatado na carne, mas que a sua carne foi consumida no carro de fogo, considere que Jonas, depois de ter sido lançado ao abismo e engolido no ventre da baleia, foi pela ordem de Deus lançado de novo, são e salvo, em terra.23 E também, quando Ananias, Azarias e Misael foram lançados na fornalha de fogo aquecida sete vezes mais, não sofreram dano algum, nem se sentiu neles o cheiro de fogo. Se, portanto, a mão de Deus estava presente com eles, realizando coisas maravilhosas no caso deles, [coisas] impossíveis [de realizar] pela natureza humana, que admira se também no caso dos que foram trasladados ela realizou algo maravilhoso, agindo em obediência à vontade de Deus Pai? Ora, este é o Filho de Deus, como a Escritura representa o rei Nabucodonosor dizendo: “Não lançamos três homens amarrados na fornalha? E eis que vejo quatro andando no meio do fogo, e o quarto é semelhante ao Filho de Deus”.24 Nem a natureza de coisa criada alguma, portanto, nem a fraqueza da carne podem prevalecer contra a vontade de Deus. Pois Deus não está sujeito às coisas criadas, mas as coisas criadas a Deus; e todas as coisas obedecem à sua vontade. Por isso também o Senhor declara: “O que é impossível para o ser humano é possível para Deus”.25 Assim como, portanto, aos homens de hoje, que ignoram a disposição de Deus, poderia parecer coisa incrível e impossível que alguém vivesse tantos anos, e contudo os que viveram antes de nós viveram [até essa idade], e os que foram trasladados vivem como penhor da futura extensão dos dias; e [assim como também poderia parecer impossível] que do ventre da baleia e da fornalha ardente saíssem homens ilesos, e contudo saíram, conduzidos como que pela mão de Deus, para declarar o seu poder; assim também agora, ainda que alguns, não conhecendo o poder e a promessa de Deus, se oponham à sua própria salvação, julgando impossível que Deus, que ressuscita os mortos, tenha poder para lhes conferir a duração eterna, a incredulidade de homens dessa espécie não anulará a fidelidade de Deus.

Capítulo VI. Deus concederá a salvação a toda a natureza do homem, que consiste de corpo e alma em estreita união, visto que o verbo a assumiu e a adornou com os dons do Espírito Santo, de quem os nossos corpos são, e são chamados, os santuários

1. Ora, Deus será glorificado na obra das suas mãos, ajustando-a de modo a ser conforme ao seu próprio Filho e modelada segundo ele. Pois pelas mãos do Pai, isto é, pelo Filho e pelo Espírito Santo, o homem, e não [apenas] uma parte do homem, foi feito à semelhança de Deus. Ora, a alma e o espírito são certamente uma parte do homem, mas certamente não são o homem; pois o homem perfeito consiste na mistura e na união da alma, que recebe o espírito do Pai, com a natureza carnal que foi modelada segundo a imagem de Deus. Por essa razão o apóstolo declara: “Falamos sabedoria entre os perfeitos”,26 chamando “perfeitos” os que receberam o Espírito de Deus e que, pelo Espírito de Deus, falam em todas as línguas, como ele mesmo também costumava falar. Do mesmo modo ouvimos27 também muitos irmãos na Igreja que possuem dons proféticos e que, pelo Espírito, falam toda espécie de línguas, trazem à luz para o bem comum as coisas ocultas dos homens e declaram os mistérios de Deus; a esses o apóstolo chama também “espirituais”, sendo eles espirituais porque participam do Espírito, e não porque a sua carne tenha sido despojada e retirada e eles se tenham tornado puramente espirituais. Pois, se alguém retira a substância da carne, isto é, da obra modelada [por Deus], e entende aquilo que é puramente espiritual, tal coisa já não seria um homem espiritual, mas seria o espírito de um homem, ou o Espírito de Deus. Mas, quando o espírito, aqui misturado à alma, se une à obra modelada [por Deus], o homem se torna espiritual e perfeito por causa da efusão do Espírito, e este é o que foi feito à imagem e semelhança de Deus. Se, porém, falta o Espírito à alma, aquele que assim é tem de fato uma natureza animal e, ficando carnal, será um ser imperfeito, possuindo, sim, a imagem [de Deus] na sua formação (in plasmate), mas não recebendo a semelhança por meio do Espírito; e assim esse ser é imperfeito. Do mesmo modo, se alguém retira a imagem e deixa de lado a obra modelada, já não pode entender isso como um homem, mas ou como alguma parte de um homem, como já disse, ou como alguma outra coisa que não um homem. Pois a carne que foi modelada não é, por si mesma, um homem perfeito, mas o corpo de um homem e parte de um homem. Nem a alma, considerada à parte por si mesma, é o homem; mas é a alma de um homem e parte de um homem. Nem o espírito é um homem, pois é chamado espírito e não homem; mas a mistura e a união de todos eles constitui o homem perfeito. E por essa causa o apóstolo, explicando-se, deixa claro que o homem salvo é um homem completo, além de ser um homem espiritual, dizendo assim na primeira Epístola aos Tessalonicenses: “O Deus da paz os santifique perfeitos (perfectos); e o espírito, a alma e o corpo de vocês sejam conservados íntegros e sem queixa para a vinda do Senhor Jesus Cristo”.28 Ora, que objetivo tinha ele ao orar para que esses três, isto é, a alma, o corpo e o espírito, fossem conservados até a vinda do Senhor, senão porque sabia da [futura] reintegração e união dos três, e [de que seriam herdeiros de] uma só e mesma salvação? Por essa causa declara também que são “os perfeitos” os que apresentam ao Senhor sem ofensa as três [partes componentes]. Perfeitos, então, são os que tiveram o Espírito de Deus permanecendo neles e conservaram irrepreensíveis a alma e o corpo, mantendo firme a fé de Deus, isto é, a fé [dirigida] a Deus, e guardando a justiça no trato com o próximo.

2. Por isso também diz que esta obra modelada é “o santuário de Deus”, declarando assim: “Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês? Se alguém, pois, profanar o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus é sagrado, e esse [santuário] são vocês”.29 Aqui ele declara manifestamente que o corpo é o santuário em que o Espírito habita. Como também o Senhor diz a respeito de si mesmo: “Destruam este santuário, e em três dias eu o levantarei”; “ele, porém”, diz-se, “se referia ao santuário do seu corpo”.30 E ele (o apóstolo) não reconhece os nossos corpos apenas como santuário, mas até como santuário de Cristo, dizendo assim aos coríntios: “Vocês não sabem que o corpo de cada um de vocês é membro de Cristo? E será que eu tomaria os membros de Cristo e os faria membros de uma prostituta?”31 Ele não diz essas coisas em referência a algum outro homem espiritual; pois um ser de tal natureza nada poderia ter que ver com uma prostituta. Mas declara que “o nosso corpo”, isto é, a carne que permanece em santidade e pureza, é “membros de Cristo”; mas que, quando se torna uma só com uma prostituta, se torna membros de uma prostituta. E por essa razão disse: “Se alguém profanar o santuário de Deus, Deus o destruirá”. Como, então, não é a suprema blasfêmia alegar que o santuário de Deus, no qual habita o Espírito do Pai, e os membros de Cristo não participam da salvação, mas são reduzidos à perdição? Além disso, que os nossos corpos não ressuscitam pela sua própria substância, mas pelo poder de Deus, ele o diz aos coríntios: “Porém o corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor, para o corpo. Deus ressuscitou o Senhor e também nos ressuscitará pelo seu poder”.32

Capítulo VII. Visto que Cristo ressuscitou na nossa carne, segue-se que também nós ressuscitaremos nela; pois a ressurreição que nos foi prometida não deve ser referida a espíritos naturalmente imortais, mas a corpos em si mesmos mortais

1. Do mesmo modo, portanto, que Cristo ressuscitou na substância da carne e mostrou aos seus discípulos a marca dos cravos e a abertura do seu lado33 (e esses são os sinais daquela carne que ressuscitou dentre os mortos), assim “também nos ressuscitará”, diz-se, “pelo seu poder”.34 E outra vez diz aos romanos: “Se em vocês habita o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou Cristo dentre os mortos vivificará também o corpo mortal de vocês”.35 Que são, então, os corpos mortais? Podem ser as almas? Não, pois as almas são incorpóreas, quando comparadas aos corpos mortais; pois Deus “soprou no rosto do homem o fôlego de vida, e o homem se tornou alma vivente” (Gn 2.7). Ora, o fôlego de vida é coisa incorpórea. E certamente eles não podem sustentar que o próprio fôlego de vida seja mortal. Por isso Davi diz: “Também a minha alma viverá para ele”,36 como se a sua substância fosse imortal. Nem, por outro lado, podem dizer que o espírito seja o corpo mortal. Que resta, portanto, a que possamos aplicar o termo “corpo mortal”, senão aquilo que foi modelado, isto é, a carne, da qual também se diz que Deus a vivificará? Pois é ela que morre e se decompõe, e não a alma nem o espírito. Pois morrer é perder a força vital e ficar dali em diante sem fôlego, sem vida e sem movimento, e desfazer-se naquelas [partes componentes] das quais também recebeu o começo da [sua] substância. Mas isso não acontece nem à alma, pois ela é o fôlego de vida, nem ao espírito, pois o espírito é simples e não composto, de modo que não pode decompor-se, e é ele mesmo a vida dos que o recebem. Devemos, portanto, concluir que é em referência à carne que se fala da morte; essa [carne], depois da partida da alma, fica sem fôlego e sem vida e se decompõe pouco a pouco na terra da qual foi tirada. Isto, então, é o que é mortal. E é disto que ele também diz: “vivificará também o corpo mortal de vocês”. E por isso, em referência a ela, diz na primeira [Epístola] aos Coríntios: “Pois assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se na corrupção, ressuscita na incorrupção”.37 Pois declara: “O que você semeia não é vivificado, se primeiro não morrer”.38

2. Mas que é aquilo que, como um grão de trigo, é semeado na terra e se decompõe, senão os corpos que são depositados na terra, na qual também se lançam as sementes? E por essa razão ele disse: “Semeia-se em desonra, ressuscita em glória”.39 Pois que há de mais desprezível do que a carne morta? Ou, por outro lado, que há de mais glorioso do que essa mesma carne quando se levanta e participa da incorruptibilidade? “Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder”:40 na sua própria fraqueza, certamente, porque, sendo terra, vai para a terra; mas [é vivificada] pelo poder de Deus, que a ressuscita dentre os mortos. “Semeia-se corpo animal, ressuscita corpo espiritual.”41 Ele ensinou, sem sombra de dúvida, que essa linguagem não foi usada por ele nem em referência à alma nem ao espírito, mas aos corpos que se tornaram cadáveres. Pois estes são corpos animais, isto é, [corpos] que participam da vida e que, quando a perdem, sucumbem à morte; depois, ressuscitando pela ação do Espírito, tornam-se corpos espirituais, de modo que, pelo Espírito, possuem uma vida perpétua. “Pois agora”, diz ele, “conhecemos em parte e profetizamos em parte, mas então face a face.”42 E isto é o que foi dito também por Pedro: “A quem, sem o terem visto, vocês amam; em quem, não o vendo agora, vocês creem; e, crendo, exultarão com alegria indizível”.43 Pois o nosso rosto verá o rosto do Senhor44 e exultará com alegria indizível, isto é, quando contemplar o seu próprio Deleite.

Notas

1. Ex ratione universis ostensionibus procedente. As palavras são muito obscuras.

2. Rm 11.34.

3. “Initium facturæ”, que Grabe pensa dever ser traduzido assim, com referência a Tg 1.18.

4. Lc 1.35.

5. Alusão à mistura de água no cálice eucarístico, tal como se praticava naqueles tempos primitivos. Os ebionitas e outros costumavam consagrar somente o elemento da água.

6. 1Co 15.22.

7. Isto é, o Filho e o Espírito.

8. Jo 1.13.

9. 1Co 10.16.

10. Cl 1.14.

11. Mt 5.45.

12. O texto grego, do qual resta aqui uma porção considerável, daria: “e a Eucaristia se torna o corpo de Cristo”.

13. Ef 5.30.

14. Lc 24.39.

15. 1Co 15.53.

16. 2Co 12.9.

17. Esta é a tradução livre que Harvey dá da passagem, que no grego (tal como conservado na Catena de João Damasceno) é: kai dia touto enescheto ho Theos ten eis ten gen hemon analusin. No latim: Propter hoc passus est Deus fieri in nobis resolutionem. Veja-se Contra as Heresias, Livro III, 20.2.

18. 2Co 12.7-9.

19. Adotamos aqui a explicação de Massuet, que considera a frase anterior meramente parentética. Tanto Grabe quanto Harvey, porém, fariam emendas conjecturais no texto, que nos parecem inadmissíveis.

20. Os antigos supunham erroneamente que as artérias eram vasos de ar, porque esses órgãos, depois da morte, aparecem inteiramente vazios, já que todo o sangue se estagna nas veias quando sobrevém a morte.

21. Gn 2.8.

22. 2Co 12.4.

23. Jn 2.10.

24. Dn 3.19-25.

25. Lc 18.27.

26. 1Co 2.6.

27. O latim antigo tem “audivimus”, “ouvimos” (no passado).

28. 1Ts 5.23.

29. 1Co 3.16.

30. Jo 2.19-21.

31. 1Co 6.15.

32. 1Co 6.13-14.

33. Jo 20.20, 25-27.

34. 1Co 6.14.

35. Rm 8.11.

36. Sl 22.31, LXX.

37. 1Co 15.42.

38. 1Co 15.36.

39. 1Co 15.43.

40. 1Co 15.43.

41. 1Co 15.44.

42. 1Co 13.9, 12.

43. 1Pe 1.8.

44. Grabe, Massuet e Stieren preferem ler “o rosto do Deus vivo”; Harvey, porém, adota a leitura acima, lendo simplesmente “Domini”, e não “Dei vivi”.

Tradução para o português a partir das versões inglesas de J. Armitage Robinson (The Demonstration of the Apostolic Preaching, Londres, SPCK, 1920, traduzida do armênio) e de Alexander Roberts e W. H. Rambaut (Against Heresies, Livro V, Ante-Nicene Fathers, vol. 1, Buffalo, 1885), conferidas com as imagens das páginas; domínio público. É, portanto, tradução de tradução. As notas são dos tradutores ingleses; as do editor americano da coleção foram omitidas. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando Irineu cita o texto bíblico tal como o conhecemos; quando cita pela Septuaginta ou de memória, segue-se a redação dele. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.