Walker, História da Igreja Cristã · Período V
XII. Wyclif e Huss; XIII. Os concílios reformadores.
A oposição inglesa às usurpações do papado de Avignon já foi assinalada (ver Período V, seção XI). Outras forças também agiam na ilha. Entre elas, a de Thomas Bradwardine (?-1349) foi uma das mais poderosas no campo intelectual. Bradwardine, que por longo tempo foi teólogo eminente em Oxford e morreu arcebispo de Cantuária, esteve à frente do renascimento do estudo de Agostinho, que marcou o declínio da escolástica e haveria de crescer em influência até afetar profundamente a Reforma. Ensinou a predestinação em sua forma mais categórica; como Agostinho, concebia a religião sobretudo como uma relação pessoal entre Deus e a alma, e enfatizava a graça em contraste com o mérito. Havia, portanto, na Oxford dos tempos de estudante de Wyclif, outras tradições intelectuais além das da escolástica nominalista tardia.
João Wyclif (?-1384) nasceu em Hipswell, no Yorkshire. Poucos pormenores de sua juventude são conhecidos. Ingressou no Balliol College, em Oxford, do qual veio a ser, por breve tempo, “mestre”. Em Oxford alcançou grande distinção acadêmica, dando aulas a turmas numerosas, e era tido como o mais capaz teólogo de sua faculdade. Em filosofia era realista, em contraste com o nominalismo predominante em sua época. Foi profundamente influenciado por Agostinho e, por meio de Agostinho, por concepções platônicas. Wyclif foi aos poucos se tornando conhecido fora de Oxford. Em 1374 recebeu, por nomeação régia, a reitoria paroquial de Lutterworth e, no mesmo ano, foi um dos comissários do rei (provavelmente como conselheiro teológico) encarregados de buscar em Bruges, com os representantes do papa Gregório XI, um acordo na disputa a respeito dos “provisores” (ver Período V, seção XI). Até que ponto essas nomeações se deveram ao poderoso filho do rei Eduardo III, João de Gaunt, duque de Lancaster, é incerto, embora ele provavelmente visse em Wyclif alguém que lhe poderia ser útil em seus desígnios sobre os bens da igreja; mas as opiniões de Wyclif, se já as tinha em 1374, não podiam ser então amplamente conhecidas. Não há prova de que o papa já o olhasse com desconfiança, e investigações recentes mostraram que sua obra reformadora não começou em 1366, como antes se supunha.
Por volta de 1376, porém, eram a riqueza da igreja e a interferência clerical na vida política, sobretudo a dos papas, que despertavam sua oposição. Naquele ano deu em Oxford preleções Sobre o Domínio Civil. A concepção de Wyclif sobre o cargo e o privilégio eclesiásticos era curiosamente feudal. Deus é o grande suserano. Ele concede todas as posições, civis e espirituais, como feudos, a serem mantidos sob a condição de serviço fiel. São senhorios, não propriedade. Deus dá o uso, mas não a posse. Se o usuário abusa da confiança, perde o direito ao feudo. Daí que um eclesiástico mau perde todo direito ao cargo, e os bens temporais do clero indigno podem muito bem ser-lhe tirados pelos governantes civis, a quem Deus deu o senhorio das coisas temporais, assim como deu à igreja o das coisas espirituais. Essa doutrina, proposta com toda a simplicidade e sinceridade, agradava sem dúvida a João de Gaunt e ao seu bando faminto de nobres, que esperavam enriquecer com a espoliação da igreja. Não era menos satisfatória para muitos plebeus, que havia muito criticavam a riqueza, as pretensões e, com demasiada frequência, a falta de caráter do clero. Nem desagradava às ordens mendicantes, que sempre haviam defendido, ao menos em teoria, a “pobreza apostólica”.
O ensino de Wyclif despertou a oposição do alto clero, das ordens proprietárias e do papado. Em 1377 foi intimado a responder perante o bispo de Londres, William Courtenay. A proteção de João de Gaunt e de outros nobres fez fracassar o processo. No mesmo ano o papa Gregório XI expediu cinco bulas ordenando a prisão e o exame de Wyclif.1 Ele, contudo, gozava da proteção de um partido forte na corte e de muito favor popular, de modo que novos procedimentos contra ele por parte do arcebispo de Cantuária e do bispo de Londres foram frustrados em 1378.
Wyclif desenvolvia agora rapidamente sua atividade reformadora numa torrente de tratados em latim e em inglês. As Escrituras, ensinava ele, são a única lei da igreja. A própria igreja não está centrada, como imaginava o homem comum, no papa e nos cardeais. Ela é todo o conjunto dos eleitos. Sua única cabeça certa é Cristo, uma vez que o papa pode não ser um dos eleitos. Wyclif não rejeitou o papado. A igreja pode muito bem ter um líder terreno, se ele for semelhante a Pedro e se esforçar pelas condições simples do cristianismo primitivo. Um papa assim seria presumivelmente um dos eleitos. Mas um papa que se agarra ao poder mundano e é ávido de tributos é, por presunção, não eleito e, portanto, anticristo. Com seu conhecimento mais profundo da Bíblia, Wyclif atacou então as ordens mendicantes, que o haviam apoiado em sua defesa da pobreza apostólica, considerando-as sem fundamento nas Escrituras e os principais pilares do papado existente. Ele combatia agora as condições eclesiásticas vigentes em toda a linha.
Wyclif passou então a esforços mais construtivos. Convencido de que a Bíblia é a lei de Deus, decidiu dá-la ao povo na língua inglesa. Entre 1382 e 1384 as Escrituras foram traduzidas da Vulgata. Que parte Wyclif teve no trabalho propriamente dito é impossível dizer. Pensou-se em geral que o Novo Testamento saiu de sua pena e o Antigo da de Nicholas of Hereford. Seja como for, a tradução do Novo Testamento era viva, legível e vigorosa, e prestou um serviço de importância fundamental à língua inglesa, para não falar da piedade inglesa. O conjunto foi revisto por volta de 1388, possivelmente pelo discípulo de Wyclif, John Purvey. Sua circulação foi grande. Apesar da severa repressão no século seguinte, sobrevivem pelo menos cento e cinquenta manuscritos.
Para levar o evangelho ao povo, Wyclif começou a enviar seus “padres pobres”. Em pobreza apostólica, descalços, vestidos de longas túnicas e de cajado na mão, andavam dois a dois, como os primeiros pregadores valdenses ou franciscanos. Diferentemente destes, não estavam presos a nenhum voto permanente. Seu êxito foi grande.
Mas os acontecimentos logo tolheram o movimento lolardo, como popularmente se chamava o grupo de seguidores de Wyclif. Convencido de que os eleitos são um verdadeiro sacerdócio e de que todas as pretensões episcopais são contrárias às Escrituras, Wyclif viu no poder sacerdotal de agente humano exclusivo no milagre da transubstanciação um dos principais esteios daquilo que julgava uma pretensão sacerdotal errônea. Por isso atacou essa doutrina em 1381. Sua própria concepção da presença de Cristo parece ter sido essencialmente a que mais tarde se conheceu como consubstanciação. Não foram, porém, suas afirmações positivas, mas o seu ataque, que despertou ressentimento, pois opor-se à transubstanciação era tocar numa das crenças mais caras ao povo na Baixa Idade Média. Esse ataque custou a Wyclif muitos seguidores e levou as autoridades eclesiásticas a nova ação. Essa maré de oposição foi reforçada por acontecimentos de 1381, pelos quais Wyclif não tinha nenhuma responsabilidade. A inquietação das classes inferiores, que vinha crescendo desde a desorganização do mercado de trabalho causada pela “peste negra” de 1348-1350, culminou em 1381 numa grande revolta camponesa, reprimida com dificuldade. Esse episódio sangrento fortaleceu o partido conservador. Em 1382 o arcebispo de Cantuária reuniu em Londres um sínodo que condenou vinte e quatro opiniões wyclifitas.2 Wyclif já não pôde lecionar em Oxford. Seus “padres pobres” foram presos. Ele era, contudo, forte demais no apoio popular e da corte para ser atacado pessoalmente, e morreu ainda de posse de sua paróquia em Lutterworth, no último dia de 1384.
Elemento não pequeno do poder de Wyclif era que o julgavam sem igual, como escolástico, na Inglaterra de seu tempo. Os homens hesitavam em cruzar espadas intelectuais com ele. Igualmente notáveis eram seu intenso patriotismo e sua profunda piedade. Ele deu voz ao ressentimento popular contra a tributação e a cobiça papais estrangeiras, e ao anseio popular por uma fé mais simples e mais bíblica. Foi sua infelicidade não ter deixado nenhum seguidor de capacidade notável que levasse adiante sua obra na Inglaterra. Ainda assim, durante todo o reinado de Ricardo II (1377-1399) o movimento lolardo continuou a crescer. Com a ascensão da casa usurpadora de Lancaster na pessoa de Henrique IV (1399-1413), o rei, ansioso por aplacar a igreja, deixou-se persuadir a obter em 1401 a aprovação do estatuto De haeretico comburendo,3 em virtude do qual vários lolardos foram queimados. Henrique IV poupou os lolardos de alta posição leiga. Não assim seu filho, Henrique V (1413-1422). Sob ele, o mais destacado dos líderes lolardos, Sir John Oldcastle, lorde Cobham, homem dos mais severos princípios religiosos, a quem a tradição e a licença dramática transformaram na figura de Falstaff, foi condenado, levado à rebelião e executado em 1417. Com sua morte chegou ao fim o significado político do lolardismo na Inglaterra, embora houvesse adeptos em segredo até a Reforma. A principal influência de Wyclif haveria de se exercer antes na Boêmia do que na terra de seu nascimento.
A Boêmia passara por notável desenvolvimento intelectual e político no século XIV. O Sacro
Imperador Romano, Carlos IV (1346-1378), era também rei da Boêmia e fez muito por aquela terra. Em 1344 obteve a elevação de Praga a arcebispado, libertando a Boêmia da dependência eclesiástica de Mainz. Quatro anos depois conseguiu a fundação de uma universidade em Praga. Em nenhum país da Europa a igreja era em tão larga medida proprietária de terras, nem o clero mais mundano, do que na Boêmia. Carlos IV não era hostil à reforma moral. Durante seu reinado e depois dele, uma série de pregadores vigorosos agitou a Boêmia, atacando a secularização da igreja. Tais foram Conrado de Waldhausen (?-1369), Milicz de Kremsier (?-1374), Matias de Janov (?-1394) e Tomás de Stitny (1331-1401). Todos eles se opuseram à corrupção clerical, enfatizaram as Escrituras como regra de vida e buscaram uma participação mais frequente na Ceia do Senhor. Milicz e Matias ensinavam que o anticristo estava próximo e se manifestava num clero indigno. Esses homens tiveram pouca influência direta sobre Huss, mas despertaram na Boêmia a disposição de aceitar os seus ensinos.
A Boêmia estava, além disso, dilacerada por intensa rivalidade entre os elementos germânico e eslavo (tcheco) da população. Este último se distinguia por um forte desejo de supremacia racial e de autonomia boêmia.
Curiosamente, também, a Boêmia, até então tão pouco ligada à Inglaterra, entrou em contato com aquele país pelo casamento da princesa boêmia Ana com o rei Ricardo II, em 1383. Estudantes boêmios foram atraídos a Oxford e dali levaram as doutrinas e os escritos de Wyclif para sua terra natal, especialmente para a Universidade de Praga. O grande propagador do wyclifismo boêmio haveria de ser João Huss, em quem também todas as aspirações nacionais tchecas teriam um defensor ardoroso. Foi essa combinação de zelo religioso e patriótico que deu a Huss seu notável poder de liderança.
João Huss nasceu de pais camponeses em Husinecz, de onde tirou seu nome por abreviação, por volta do ano de 1373. Concluiu seus estudos na Universidade de Praga, onde se tornou bacharel em teologia em 1394 e mestre em artes dois anos depois. Em 1401 foi ordenado sacerdote, mantendo ainda vínculo docente com a universidade, da qual foi “reitor” em 1402. Entrementes Huss travara conhecimento íntimo com os tratados filosóficos de Wyclif, com cujo “realismo” simpatizava. As obras religiosas de Wyclif, conhecidas de Huss com certeza desde 1402, conquistaram sua aprovação, e daí em diante Huss foi, teologicamente, discípulo de Wyclif. Mais conservador que o mestre, não negou a transubstanciação; mas, como ele, sustentava que a igreja se compõe somente dos predestinados, cuja verdadeira cabeça não é o papa, mas Cristo, cuja lei é o Novo Testamento e cuja vida é a da pobreza semelhante à de Cristo. Embora a publicação do comentário de Huss às Sentenças de Pedro Lombardo tenha levado a uma estima mais alta de seus dons acadêmicos do que antes prevalecia, é certo que em seus sermões e tratados Huss em geral reproduzia não só os pensamentos, mas a própria linguagem de Wyclif.
Em 1402 Huss tornou-se pregador da capela de Belém, em Praga, e logo ganhou imenso séquito popular com seus sermões inflamados em língua boêmia. Embora as ideias wyclifitas tenham sido condenadas pela maioria da universidade em 1403, a pregação de Huss teve a princípio o apoio do arcebispo Zbynek (1403-1411); mas suas críticas ao clero foram aos poucos convertendo esse favor em oposição, que aumentava à medida que a concordância essencial de Huss com Wyclif se tornava cada vez mais evidente. Novas causas de dissensão logo surgiram. No cisma, a Boêmia se mantivera fiel ao papa romano, Gregório XII (1406-1415). Como passo para sanar a ruptura, o rei Venceslau da Boêmia passou então a favorecer uma política de neutralidade entre os papas rivais. Huss e o elemento boêmio da universidade apoiaram Venceslau. O arcebispo Zbynek, o clero alemão e a porção alemã da universidade ficaram com Gregório XII. Venceslau, por isso, em 1409, alterou arbitrariamente a constituição da universidade, dando à maioria estrangeira um voto em suas decisões e aos boêmios três, invertendo assim por completo a proporção anterior. O resultado imediato foi a retirada dos elementos estrangeiros e a fundação, em 1409, da Universidade de Leipzig. Huss participou plenamente dessa vitória nacionalista boêmia, de valor e direito duvidosos a longo prazo. Suas consequências imediatas foram que ele se tornou o primeiro “reitor” da universidade reorganizada e gozou de alto grau de favor na corte. Suas ideias se espalhavam agora amplamente pela Boêmia.
Entrementes, o malfadado Concílio de Pisa seguira seu curso (1409) (ver Período V, seção XIII). Zbynek passou então a apoiar o papa desse concílio, Alexandre V (1409-1410), a quem se queixou da difusão das opiniões wyclifitas na Boêmia e de quem recebeu a incumbência de extirpá-las. Huss protestou e foi excomungado por Zbynek em 1410. O resultado foi grande tumulto popular em Praga, onde Huss era mais do que nunca um herói nacional. O rei Venceslau o apoiou. Em 1412 o sucessor de Alexandre V, o papa João XXIII (1410-1415), prometeu indulgência a todos os que tomassem parte numa cruzada contra o rei Ladislau de Nápoles. Huss opôs-se, sustentando que o papa não tinha direito de usar a força física, que pagamentos em dinheiro não produziam nenhum perdão verdadeiro e que, a menos que o homem fosse dos predestinados, a indulgência não lhe podia ter valor algum. O resultado foi um alvoroço. A bula do papa foi queimada pela população. Huss, porém, perdeu muitos apoiadores fortes na universidade e em outros lugares, e foi mais uma vez excomungado, enquanto Praga era posta sob interdito papal. Venceslau persuadiu então Huss, no fim de 1412, a exilar-se de Praga. A esse período de retiro se deve a composição de sua obra principal, essencialmente uma reprodução de Wyclif, o De Ecclesia (Sobre a Igreja). Em 1413 um sínodo em Roma condenou formalmente os escritos de Wyclif.
O grande Concílio de Constança (ver Período V, seção XIII) se aproximava, e a confusão na Boêmia certamente exigiria sua atenção. Huss foi convidado a apresentar-se perante ele e recebeu do Sacro Imperador Romano, Sigismundo, a promessa de um “salvo-conduto”, que depois lhe foi entregue. Huss, embora sentisse a vida em grave perigo, decidiu ir, em parte por crer ser seu dever dar testemunho do que julgava a verdade, em parte convencido de que poderia trazer o concílio à sua maneira de pensar. Pouco depois de chegar a Constança foi encarcerado. Sigismundo desrespeitou o salvo-conduto prometido. Seus inimigos boêmios lançaram contra ele acusações amargas. Em 4 de maio de 1415 o concílio condenou Wyclif e mandou queimar seu corpo, sepultado havia muito. Huss não podia esperar audiência favorável. Contudo, no fim, a luta se reduziu a um conflito de princípios. O concílio sustentava que todo cristão estava obrigado a submeter-se às suas decisões. Só assim poderia esperar pôr fim ao cisma papal, que era o escândalo da cristandade. Insistiu na submissão completa de Huss. O reformador boêmio era de têmpera heroica. Não faria jogos com a própria consciência. Algumas das acusações ele declarou falsas. Outras posições não podia modificar, a menos que o convencessem de seu erro. Não submeteria sua consciência ao juízo soberano do concílio. Em 6 de julho de 1415 foi condenado e queimado, enfrentando a morte com a mais firme coragem.
Enquanto Huss estava preso em Constança, seus seguidores em Praga começaram a dar o cálice aos leigos na Ceia do Senhor, prática que Huss aprovou e que logo se tornou o distintivo do movimento hussita. A notícia da morte de Huss despertou o maior ressentimento na Boêmia, e mais lenha se lançou ao fogo quando o Concílio de Constança proibiu o uso do cálice pelos leigos e fez queimar, em 1416, o discípulo de Huss, Jerônimo de Praga. A Boêmia estava em revolução. Dois partidos logo se formaram ali: um aristocrático, com sede principal em Praga, conhecido como os utraquistas (comunhão em ambas as espécies, pão e vinho), e outro radical e democrático, chamado, por causa de sua fortaleza, de taboritas.
Os utraquistas proibiriam apenas as práticas que julgavam vedadas pela “lei de Deus”, isto é, a Bíblia. Exigiam a livre pregação do evangelho, o cálice para os leigos, a pobreza apostólica e uma vida clerical rigorosa. Os taboritas repudiavam todas as práticas para as quais não se pudesse achar autorização expressa na “lei de Deus”. Havia entre essas facções uma discórdia feroz, mas ambas se uniram para resistir às repetidas cruzadas dirigidas contra a Boêmia. Sob a liderança do general taborita cego João Zizka, todas as tentativas de esmagar os hussitas foram sangrentamente derrotadas. Os bens da igreja foram em grande parte confiscados. Nem tiveram mais êxito os adversários dos hussitas depois da morte de Zizka, em 1424. Sob Procópio, o Grande, os hussitas levaram a guerra além das fronteiras da Boêmia. Algum compromisso parecia inevitável. O Concílio de Basileia (ver Período V, seção XIII), depois de longa negociação, atendeu por isso em parte aos desejos dos utraquistas em 1433, concedendo o uso do cálice e, em certa medida, as outras exigências acima expostas. Os taboritas resistiram e foram quase aniquilados pelos utraquistas, em 1434, na batalha de Lipan, em que Procópio foi morto. Os utraquistas triunfantes chegaram então a um acordo com o Concílio de Basileia, em 1436, e nesses termos receberam nominalmente lugar na comunhão romana. Contudo, em 1462, o papa Pio II (1458-1464) declarou nulo esse acordo. Os utraquistas, apesar disso, mantiveram sua posição, e o Parlamento boêmio, em 1485 e 1512, declarou-os em plena igualdade com os católicos. Na Reforma, uma parte considerável acolheu as ideias novas; outros voltaram então à Igreja Romana.
Os verdadeiros representantes dos princípios wyclifitas foram os taboritas, e não os utraquistas. Do movimento hussita em geral, com elementos tirados dos taboritas, dos utraquistas e dos valdenses, e não exclusivamente dos taboritas, surgiu, a partir de cerca de 1453, a Unitas Fratrum, que absorveu muito do que havia de mais vital no movimento hussita e se tornou a ancestral espiritual dos posteriores morávios (ver Período VII, seção VI).
Wyclif e Huss foram muitas vezes chamados precursores da Reforma. A designação é verdadeira se se tiver em vista seu protesto contra a corrupção da igreja, sua exaltação da Bíblia e sua contribuição para a soma total da agitação que acabou resultando em reforma. Quando, porém, se examinam suas doutrinas, eles parecem pertencer antes à Idade Média. Sua concepção do evangelho era a de uma “lei”. O lugar que davam à fé não era maior que o da comunhão romana. Seu pensamento sobre a igreja era um desenvolvimento unilateral do agostinianismo. Sua concepção da relação do clero com a propriedade é a mesma dos valdenses e dos fundadores das grandes ordens mendicantes. Seu fervor religioso inspira profunda admiração, mas, apesar de Lutero ter reconhecido muitos pontos de concordância com Huss, a Reforma pouco deveu aos seus esforços.
O cisma papal era o escândalo da cristandade, mas pôr-lhe fim não era fácil. A lógica do desenvolvimento medieval era que não existe na terra poder algum perante o qual o papado tenha de responder. Contudo, homens de bem em toda parte sentiam que o cisma precisava acabar e que a igreja devia ser reformada “na cabeça e nos membros”, isto é, no papado e no clero. As reformas desejadas eram morais e administrativas. Modificações doutrinárias ainda não eram desejadas pela cristandade como um todo. Um Wyclif podia proclamá-las na Inglaterra, mas era geralmente tido por herege. À frente dos que se aplicaram seriamente à tarefa de sanar o cisma estavam os mestres da época, especialmente os da Universidade de Paris. Marsílio de Pádua ali proclamara a supremacia de um concílio geral em seu Defensor Pacis, de 1324. As necessidades da situação, mais do que os argumentos dele, conduziam rapidamente à mesma conclusão. Ela foi apresentada com clareza pela primeira vez por um doutor em direito canônico que estava então em Paris, Conrado de Gelnhausen (1320?-1390), o qual aconselhou o rei Carlos V da França (1364-1380), em tratados escritos de 1379 e 1380, a unir-se a outros príncipes para convocar um concílio, se necessário sem o consentimento dos papas rivais. Conrado não foi além de sustentar que tal concílio se justificava pelas necessidades de uma situação anômala. A proposta de Conrado foi reforçada, de modo a roubar-lhe o crédito popular de tê-la originado, pelo tratado de outro erudito alemão da Universidade de Paris, Henrique de Langenstein (1340?-1397), publicado em 1381.
A ideia de um concílio geral como o melhor meio de sanar o cisma, assim lançada, logo ganhou adeptos, não só na Universidade de Paris, mas também na grande escola de direito canônico de Bolonha, e até entre os cardeais. Convocar um concílio apresentava, porém, muitas dificuldades, e os líderes de Paris, Pedro de Ailli (Pierre d’Ailli) (1350-1420) e João Gerson (Jean Charlier de Gerson) (1363-1429), famosos por seu domínio da teologia nominalista, e o segundo eminente entre os místicos cristãos, demoraram a adotar o plano conciliar. Durante anos se fizeram esforços vãos para induzir os papas rivais a renunciar. A França retirou sua obediência ao papa de Avignon, sem reconhecer o de Roma, de 1398 a 1403, e de novo em 1408; mas seu exemplo encontrou pouco seguimento em outras partes. Por volta de 1408 d’Ailli e Gerson haviam chegado a ver num concílio a única esperança, e foram apoiados por Nicolau de Clémanges (1367-1437), antigo mestre da universidade parisiense que fora secretário papal em Avignon de 1397 a 1405, e a quem uma grande fonte de males na igreja parecia ser o descaso geral pelas Escrituras.
Os cardeais de ambos os papas estavam agora convencidos da necessidade de um concílio. Reunidos em Livorno, em 1408, expediram em seu próprio nome a convocação de tal assembleia em Pisa, para 25 de março de 1409. Ali ela se reuniu com a presença não só de cardeais, bispos, superiores das grandes ordens e abades importantes, mas também de doutores em teologia e direito canônico e de representantes de soberanos leigos. Nenhum dos papas compareceu nem reconheceu sua legitimidade. Ambos foram declarados depostos. Isso foi uma afirmação prática de que o concílio era superior ao papado. Sua ação, porém, foi precipitada demais, pois em vez de verificar, como aconselhava d’Ailli, se a pessoa do novo papa proposto seria geralmente aceitável, os cardeais elegeram então Pedro Philarges, arcebispo de Milão, que tomou o nome de Alexandre V (1409-1410). O concílio então se dissolveu, deixando a questão da reforma para um concílio futuro.
Em alguns aspectos a situação ficou pior do que antes de reunir-se o Concílio de Pisa. Roma, Nápoles e partes consideráveis da Alemanha se apegaram a Gregório XII. Espanha, Portugal e Escócia apoiaram Bento XIII. Inglaterra, França e algumas partes da Alemanha reconheceram Alexandre V. Havia três papas onde antes houvera dois. Contudo, embora mal conduzido, o Concílio de Pisa foi um sinal de progresso. Mostrara que a igreja era una e aumentara a esperança de que um concílio melhor pudesse pôr fim ao cisma. Essa assembleia fora convocada pelos cardeais. Para semelhante convocação a história não tinha precedente. Uma convocação pelo imperador, se possível com o consentimento de um ou mais dos papas, estaria de acordo com a prática da igreja antiga. Para esse fim trabalhavam agora os que apoiavam a ideia conciliar.
O novo imperador eleito do Sacro Império Romano, Sigismundo (1410-1437), estava convencido da necessidade de um concílio. Reconhecia como papa João XXIII (1410-1415), um dos ocupantes menos dignos desse ofício, que fora escolhido sucessor de Alexandre V na linhagem de Pisa. Sigismundo aproveitou as dificuldades de João com o rei Ladislau de Nápoles para obter dele uma ação conjunta, pela qual o imperador eleito e o papa convocaram um concílio a reunir-se em Constança em 1º de novembro de 1414. Ali se congregou a assembleia mais brilhante e mais concorrida da Idade Média. Como em Pisa, incluía não só cardeais e bispos, mas doutores em teologia e representantes de monarcas, embora os delegados leigos não tivessem voto. Sigismundo esteve presente em pessoa, assim como João XXIII.
João XXIII esperava obter a aprovação do concílio. Para isso trouxera consigo muitos bispos italianos. Para neutralizar os votos deles, o concílio se organizou por “nações”, a inglesa, a alemã e a francesa, às quais os italianos foram obrigados a juntar-se como quarta. Cada “nação” tinha um voto, e atribuiu-se também um aos cardeais. Desesperando da aprovação do concílio, João XXIII tentou dissolver suas sessões pela fuga, em março de 1415. Sob a vigorosa liderança de Gerson, porém, o concílio declarou, em 6 de abril de 1415, que, “representando a Igreja Católica militante, [ele] tem seu poder imediatamente de Cristo, e todos, qualquer que seja sua posição ou categoria, ainda que seja a própria dignidade papal, estão obrigados a obedecer-lhe em todas as coisas que dizem respeito à fé, à cura do cisma e à reforma geral da Igreja de Deus”.4 Em 29 de maio o concílio declarou João XXIII deposto. Em 4 de julho Gregório XII renunciou. O concílio livrara a igreja de dois papas pela afirmação bem-sucedida de sua autoridade suprema sobre todos na igreja. É fácil ver por que seus líderes insistiam na submissão completa de Huss, cujo processo e martírio foram contemporâneos desses acontecimentos (ver Período V, seção XII).
Bento XIII mostrou-se mais difícil. Por isso o próprio Sigismundo viajou à Espanha. Não conseguiu persuadir Bento a renunciar, e esse pontífice obstinado afirmou-se até a morte, em 1422 ou 1423, como o único papa legítimo. O que Sigismundo não conseguiu com Bento, conseguiu com os reinos espanhóis. Eles e a Escócia repudiaram Bento. Os espanhóis juntaram-se ao concílio como quinta “nação” e, em 26 de julho de 1417, Bento, ou Pedro de Luna, como de novo era chamado, foi formalmente deposto. A ação cuidadosa do concílio, em contraste com a pressa de Pisa, tornara certo que nenhuma parte considerável da cristandade apoiaria os antigos papas.
Um dos principais propósitos do concílio fora a reforma moral e administrativa. Aqui os ciúmes dos diversos interesses impediram qualquer realização de real importância. Os cardeais não desejavam mudanças que diminuíssem sensivelmente suas rendas. A Itália, de modo geral, lucrava com a situação existente. A Inglaterra já tinha relativo autogoverno nos assuntos eclesiásticos, graças a seus reis. A França estava em guerra com a Inglaterra e pouco disposta a unir-se àquele país. E assim por diante, com o resultado de que o concílio acabou remetendo a questão das reformas ao próximo papa, “em conjunto com este santo concílio ou com os delegados das diversas nações”, isto é, cada nação ficou entregue a fazer o melhor acordo que pudesse. O concílio enumerou uma lista de assuntos para discussão da reforma, que se referem quase inteiramente a questões de nomeação, tributação ou administração.5 Como instrumento de reforma, o Concílio de Constança foi uma amarga decepção. Sua única grande realização foi pôr fim ao cisma. Em novembro de 1417, os cardeais, com seis representantes de cada nação, elegeram papa um cardeal romano, Otto Colonna. Ele tomou o nome de Martinho V (1417-1431). A cristandade romana tinha de novo uma só cabeça. Em abril de 1418 o concílio terminou, prometendo o novo papa convocar outro dentro de cinco anos, em cumprimento do decreto do concílio.6
O Concílio de Constança foi uma experiência eclesiástica das mais interessantes. Conseguiu a transformação do papado de monarquia absoluta em monarquia constitucional. O papa continuaria a ser o executivo da igreja, mas seria regulado por um corpo legislativo que se reuniria a intervalos frequentes e representaria todos os interesses da cristandade.
Parecia que essa grande mudança constitucional fora de fato realizada. Martinho V convocou o novo concílio para reunir-se em Pávia em 1423. A peste impediu qualquer comparecimento considerável. O papa de bom grado não teria mais concílios. As guerras hussitas, porém, afligiam a Europa (ver Período V, seção XII), e tal pressão se exerceu sobre ele que em janeiro de 1431 Martinho V convocou um concílio para reunir-se em Basileia e nomeou o cardeal Giuliano Cesarini seu legado para dirigi-lo. Menos de dois meses depois Martinho V estava morto e Eugênio IV (1431-1447) era papa. O concílio abriu-se em julho de 1431, mas em dezembro Eugênio ordenou que fosse adiado, para reunir-se em Bolonha em 1433. O concílio recusou-se e renovou a declaração de Constança de que era superior ao papa. Assim, quase desde o início, houve animosidade entre o Concílio de Basileia e o papado. Ciente de que os ciúmes entre as “nações” haviam frustrado os planos de reforma em Constança, o concílio rejeitou esses agrupamentos e, em seu lugar, organizou quatro grandes comissões: de reforma, de doutrina, de paz pública e de questões gerais. Começou seus trabalhos com grande vigor e promessa de êxito. Fez uma aparente reconciliação com os hussitas moderados em 1433 (ver Período V, seção XII). A unidade romana parecia restaurada. O papa encontrou pouco apoio e, antes do fim de 1433, reconheceu formalmente o concílio. Seu futuro parecia assegurado.
O Concílio de Basileia passou então às reformas administrativas e morais que não se haviam conseguido em Constança. Ordenou a realização de um sínodo em cada diocese anualmente, e em cada arquidiocese a cada dois anos, nos quais os abusos seriam examinados e corrigidos. Previu um concílio geral a cada dez anos. Reafirmou os antigos direitos da eleição canônica contra as nomeações papais. Limitou as apelações a Roma. Fixou o número de cardeais em vinte e quatro e determinou que nenhuma nação tivesse mais de um terço do colégio. Suprimiu inteiramente as anatas e os outros tributos papais mais opressivos. Tudo isso era bom, mas o espírito com que se fazia era cada vez mais uma atitude vingativa para com o papa Eugênio. Os tributos com que o papado se mantivera até então foram em grande parte abolidos, mas não se proveu em seu lugar nenhum sustento honroso para o papado. Essa falha não só aumentou a ira do papado como causou divisão no próprio concílio. Nesse ponto apresentou-se uma grande oportunidade, de que Eugênio IV tirou pleno proveito, e a respeito da qual o concílio se colocou de tal modo em erro que arruinou suas perspectivas.
O Império do Oriente estava agora em grande aperto em suas lutas finais com os turcos conquistadores. Na esperança de obter ajuda do Ocidente, o imperador João VIII (1425-1448), com o patriarca de Constantinopla, José II (1416-1439), e Bessarion (1395-1472), o talentoso arcebispo de Niceia, estavam prontos a entrar em negociações para a união das igrejas grega e latina. Tanto o papa quanto o concílio estavam dispostos a usar essa aproximação em proveito próprio. A maioria do concílio queria que os gregos viessem a Avignon. O papa ofereceu uma cidade italiana, que os gregos naturalmente preferiram. O concílio dividiu-se sobre a questão em 1437, retirando-se a minoria, que incluía Cesarini. O papa anunciou então a transferência do concílio para Ferrara, para encontrar-se com os gregos. Para lá foi a minoria, e lá chegou, em março de 1438, o imperador do Oriente, com muitos prelados orientais. O papa praticamente vencera. Um acontecimento tão promissor quanto a reunificação da cristandade tirou ao Concílio de Basileia, que ainda continuava, grande parte de seu interesse.
O Concílio de Ferrara, transferido para Florença em 1439, presenciou longas discussões entre gregos e latinos, nas quais, como resultado final, a primazia do papa foi aceita em termos vagos, que pareciam preservar os direitos dos patriarcas orientais; os gregos conservaram suas peculiaridades de culto e o casamento dos sacerdotes, ao passo que a disputada cláusula filioque do credo foi reconhecida pelos gregos, embora com o entendimento de que não a acrescentariam ao antigo símbolo. Marcos, o vigoroso arcebispo de Éfeso, recusou o acordo, mas o imperador e a maior parte de seu séquito eclesiástico aprovaram, e a reunificação das duas igrejas foi proclamada com júbilo em julho de 1439. Um acontecimento tão feliz aumentou grandemente o prestígio do papa Eugênio IV. A inconsistência da realização não se tornou logo evidente. Uniões com os armênios e com certos grupos de monofisitas e nestorianos foram também anunciadas em Florença ou pouco depois do concílio. A reconciliação dos armênios, em 1439, foi ocasião de uma famosa bula papal que definiu a doutrina medieval dos sacramentos. Contudo, desde o início os monges orientais se opuseram. No regresso dos gregos, Marcos de Éfeso tornou-se o herói do momento. Bessarion, a quem Eugênio fizera cardeal, teve de fugir para a Itália, onde haveria de ter uma carreira distinta de serviço literário e eclesiástico. Nenhuma ajuda militar eficaz chegou do Ocidente aos gregos, e a tomada de Constantinopla pelos turcos em 1453 frustrou para sempre as esperanças políticas que haviam inspirado os esforços de união de 1439.
Entrementes, a maioria em Basileia passou a uma ação mais radical sob a liderança de seu único cardeal remanescente, o capaz e excelente, porém autoritário, Luís d’Allemand (1380?-1450). Em 1439 votou a deposição de Eugênio IV e escolheu como seu sucessor um leigo meio monástico, o duque Amadeu de Saboia, que tomou o nome de Félix V. A essa altura, porém, o Concílio de Basileia perdia rapidamente a influência que lhe restava. Eugênio IV vencera e teve como sucessor em Roma Nicolau V (1447-1455). Félix V depôs seu papado impossível em 1449. O concílio procurou disfarçar a derrota escolhendo Nicolau V como sucessor dele e encerrou sua carreira atribulada. Embora a ideia conciliar ainda vivesse e viesse a ser poderosa na época da Reforma, o fiasco de Basileia arruinara de fato a esperança de transformar o papado numa monarquia constitucional ou de realizar a reforma necessária por meio da ação conciliar.
Contudo, se o concílio assim fracassou, nações em particular lucraram com sua disputa com o papado, notadamente a França, onde a monarquia ganhava novo poder graças à resistência eficaz à Inglaterra, sob impulsos iniciados por Joana d’Arc (1410?-1431). Em 1438 o rei Carlos VII (1422-1461), com o clero e os nobres, adotou a “pragmática sanção” de Bourges, pela qual a maior parte das reformas tentadas em Basileia foi convertida em lei para a França. A França obteve, portanto, alívio dos tributos e interferências papais mais pesados, e essa liberdade teve não pouca relação com a atitude do país antes da época da Reforma.
Não teve tanta sorte a Alemanha. Ali os nobres, na Dieta de Mainz de 1439, adotaram uma “aceitação” muito semelhante à “pragmática sanção” francesa; mas as divisões e a fraqueza do país deram espaço às intrigas papais, de modo que suas disposições foram praticamente limitadas pela Concordata de Aschaffenburg de 1448. Certos privilégios foram concedidos a príncipes em particular; mas a Alemanha, como um todo, continuou sob o peso da tributação papal.
Durante todo o período dos concílios manifestava-se uma força nova: a da nacionalidade. O Concílio de Constança votara por nações. Autorizara as nações a fazer acordos com o papado. A Boêmia tratara de sua situação religiosa como nação. A França afirmara seus direitos nacionais. A Alemanha tentara fazê-lo. Com o fracasso dos concílios em realizar a reforma administrativa, os homens começaram a perguntar se aquilo que haviam buscado não poderia ser obtido pela ação nacional. Foi um sentimento que haveria de crescer até a Reforma e de influenciar grandemente o curso daquela luta.
1. Gee e Hardy, pp. 105-108.
2. Gee e Hardy, pp. 108-110.
3. Ibid., pp. 133-135.
4. Robinson, 1:511.
5. Ibid., 1:513.
6. Robinson, 1:512.
Tradução para o português a partir de Williston Walker, A History of the Christian Church (Nova York, Charles Scribner’s Sons, 1918), 1ª edição, conferida com as imagens das páginas; domínio público. As notas são de Walker; as que eram só referência bíblica passaram para o texto. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.