J. A. Wood · Amor Perfeito · Seção XXII (conclusão)

Temas diversos (continuação)

A continuação das perguntas sobre temas diversos da vida de santidade.

Devemos tomar Deus pela palavra, apoiar-nos na sua verdade e dar-lhe a mesma confiança que lhe daríamos se ela fosse proclamada do céu pelo próprio Deus, com voz de trovão.

151. É possível conservar a santidade sem crescer na graça?

Ela só pode ser conservada por um progresso constante na vida divina. As condições para obter a santidade e para conservá-la são as mesmas; e as condições para obtê-la e conservá-la são aquelas pelas quais a alma deve crescer e amadurecer em santidade. Por isso, violar as condições de aumento e crescimento em santidade é perder o próprio estado de santidade.

Além disso, nossas capacidades e faculdades podem ser aperfeiçoadas e ampliadas, e precisamos crescer em santidade na mesma proporção, ou nos tornaremos culpados e cairemos da graça.

152. O que se entende por sermos feitos coparticipantes da natureza divina?

É sermos feitos participantes da sua santidade e nos tornarmos moralmente semelhantes a Deus. Isso envolve ser criado de novo em Cristo Jesus, em justiça e verdadeira santidade, de modo a trazer a imagem divina e possuir o Espírito Santo.

“Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele” (1Jo 4.16).

Este é o único sentido em que algum ser inteligente pode participar da natureza divina. “Deus, porém”, diz o apóstolo, “nos disciplina para o nosso próprio bem, a fim de sermos participantes da sua santidade” (Hb 12.10). Ser “participantes da sua santidade” é o mesmo que ser “coparticipantes da natureza divina” (2Pe 1.4).

153. Se, ao sermos feitos coparticipantes da natureza divina, nos tornamos semelhantes a Deus, não nos tornamos deuses?

Não mais do que um raio de luz forma o sol. Um raio de luz é semelhante ao sol, e no entanto não é o sol. Uma gota de água não é o oceano, e no entanto é semelhante ao oceano. A qualidade é a mesma.

O cristão pode ser semelhante a Deus sem ser Deus, assim como uma gota é semelhante ao oceano e, no entanto, não é o oceano.

154. Qual é o grande requisito e a única preparação para o céu?

Nada além de um estado de santidade, a pura e simples pureza. “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mt 5.8). Amor perfeito, sem mistura, simples, presente; perfeito não em grau ou desenvolvimento, mas em caráter ou qualidade. Um único grão de trigo perfeito é tão bom em qualidade quanto um navio carregado.

155. Qual é a grande tarefa de todos os regenerados?

É alcançar e conservar um estado de inteira santificação. Esta é a grande questão entre eles e Deus, de um lado, e Satanás, de outro. É extremamente importante que todo crente mantenha essa questão resolvida, de modo completo e constante.

156. Quais são os frutos da convicção quanto à bênção da regeneração?

A renúncia ao pecado; a confissão do pecado; o sincero pesar pelo pecado; o afastamento das vaidades do mundo; a busca resoluta de Deus; um forte anseio por fazer a sua vontade; e a oração por perdão e salvação.

157. Quais são os frutos da convicção quanto à bênção do amor perfeito?

Profundo rebaixamento de si e humildade de espírito; renúncia a si mesmo e submissão a Deus; aversão a si mesmo, e fome e sede de justiça; e disposição para sofrer qualquer coisa, ser qualquer coisa ou fazer qualquer coisa para agradar a Deus e obter um coração puro.

158. Acontece de almas santificadas perderem a bênção antes de se firmarem nela?

O sr. Wesley diz: “É algo extremamente comum que as pessoas a percam mais de uma vez antes de se firmarem nela.” . . . “É um milagre se não a perderem, visto que toda a terra e todo o inferno estão tão enfurecidos contra elas, enquanto, ao mesmo tempo, pouquíssimos, mesmo entre os filhos de Deus, procuram com habilidade fortalecer-lhes as mãos.”

159. Qual é o caminho que leva da graça ao pecado?

1. “Surge uma tentação, venha ela do mundo, da carne ou do diabo, não importa.

2. “Ele cede, em algum grau, à tentação, que agora começa a lhe parecer agradável.

3. “O Espírito Santo é entristecido; a fé do crente se enfraquece, e o seu amor a Deus esfria.

4. “O Espírito o repreende com mais severidade e diz: ‘Este é o caminho; andem nele’ (Is 30.21).

5. “Ele se desvia da voz dolorosa de Deus e dá ouvidos à voz agradável do tentador.

6. “O mau desejo começa e brota em sua alma, até que a fé e o amor desaparecem; então ele se torna capaz de cometer pecado exterior, pois o poder do Senhor se afastou dele.” Wesley.

160. Como um cristão perfeito pode “entristecer o Espírito Santo de Deus” (Ef 4.30)?

1. “Por uma conversa que não é proveitosa, que não serve para edificação, que não é própria para transmitir graça aos que ouvem.

2. “Por recair na amargura ou na falta de bondade.

3. “Pela ira, pelo desagrado duradouro ou pela falta de compaixão.

4. “Pela raiva, por mais depressa que passe; pela falta de perdão imediato uns aos outros.

5. “Pela gritaria ou pela altercação, pelo falar alto, áspero e rude.

6. “Pela maledicência, pela murmuração às escondidas, pelo mexerico; por mencionar sem necessidade a falta de uma pessoa ausente, ainda que da maneira mais branda.” Wesley.

161. Deus às vezes aflige os seus filhos para levá-los a buscar a santidade?

O dr. Stephen Olin escreve: “Eu tinha dificuldades quanto às nossas próprias concepções teóricas da doutrina do amor perfeito. Cheguei a ingressar na Conferência com ressalvas a ela, e expus minhas objeções quando era candidato, diante de todo o plenário. Mesmo assim fui admitido, e a Conferência expressou a esperança de que novos estudos corrigissem minhas opiniões.

“Passaram-se anos, porém, sem que minhas opiniões se modificassem. Mas aprouve a Deus conduzir-me à verdade. Minha saúde falhou, tive de abandonar minhas funções oficiais, perdi meus filhos, minha esposa morreu, e eu andava sozinho pelo mundo, quase sem nada que me restasse além de Deus. Perdi o apego a todas as outras coisas e fiquei, por assim dizer, perdido em Deus. Meus afetos se concentraram nele. Minha vontade foi absorvida na dele. Afundei, por assim dizer, na bênção do amor perfeito e encontrei em minha própria consciência a realidade da doutrina de que eu havia duvidado em teoria.”

162. Não há na igreja muita indiferença e apatia quanto a este assunto?

Há, e ela se manifesta em toda a igreja de Cristo. Onde está a prova de que a massa da igreja tem “fome e sede de justiça” (Mt 5.6)? Se Deus diz: “Ai dos que andam à vontade em Sião” (Am 6.1), que multidão na igreja deve estar debaixo do seu desagrado! Há milhares, nas várias igrejas, que vivem numa segurança imaginária e não têm nenhuma inquietação incômoda quanto à própria alma ou à alma dos outros; julgam-se realmente seguros. “Venha, ó espírito, e sopre sobre estes mortos, para que vivam” (Ez 37.9).

163. Quanto devo jejuar?

O seu corpo é “santuário do Espírito Santo” (1Co 6.19), e você deve governá-lo, mas não prejudicá-lo. Você deve jejuar o bastante para que o jejum seja um meio de graça, mas não tanto que ele se torne instrumento de tentação. O estado da sua saúde ajudará você a decidir essa questão.

164. Por que a inteira santificação não é recebida no momento do perdão e da regeneração?

O dr. Foster responde a essa pergunta da seguinte maneira: “Todo o esforço deles [dos pecadores] se dirige a obter o perdão e a reconciliação. É por isso que oram, choram e se lamentam. O clamor do coração deles é: ‘Ó Deus, tem pena de mim, que sou pecador!’ (Lc 18.13); ‘Salva-me, ou pereço!’ A fé deles se mantém fixa nesse único objetivo. Admitindo, portanto, como admitimos, que a inteira santificação é uma obra distinta, e admitindo que a sua condição é a fé, não admira que ela não seja obtida simultaneamente com o perdão. Ela não foi pedida; não se creu para recebê-la; e, naturalmente, não foi concedida.”

165. Se eu perder a bênção, devo contar isso aos outros?

Eu diria que, em geral, isso seria muito impróprio. Enfraqueceria os de mente fraca e abalaria os que estão buscando. Corra diretamente para Cristo. Receba-o de novo, pela fé simples, como Salvador presente. Clame: Senhor, aqui estou; eu me arrependo; entrego tudo; sou inteiramente teu. Tu és o meu Salvador. Eu quero crer, eu creio. Você poderia contar a um ou dois amigos íntimos; eles o ajudariam com suas orações.

166. Que caminho segue a maioria dos professantes em relação à santidade?

Como os antigos israelitas, em vez de irem diretamente para Canaã, seguem um caminho em ziguezague, vagando pelo deserto. Sua incredulidade e desobediência os impedem de entrar na Canaã espiritual e os sujeitam à necessidade de voltar ao Egito ou de vagar sem fim pelo deserto, quase à vista das belas colinas daquela terra que mana leite e mel. Eram apenas doze dias de viagem de Horebe até Canaã. O sr. Wesley fala de alguns que passaram para Canaã “uns dez dias, outros sete, outros quatro e outros três dias” depois de serem libertados da escravidão do diabo.

167. Quais são as consequências desse caminho, por parte da igreja?

As consequências são semelhantes às que sobrevieram aos antigos israelitas. Com a recusa deles em obedecer a Deus e passar para Canaã, começaram suas apostasias e suas aflições.

1. Os dez espias covardes, incrédulos e rebeldes foram mortos ali mesmo. E que o Senhor tenha misericórdia dos ministros que, seguindo o exemplo dos dez espias incrédulos, trazem um mau relatório da terra. Até alguns ministros que já percorreram a terra e provaram os seus frutos preciosos voltaram para o deserto e deixaram de insistir com o povo para que passe para o outro lado. É de temer que, quando Jesus vier, esses ministros sejam achados em falta.

2. Os israelitas receberam ordem de voltar para o deserto; assim também os cristãos começam a desviar-se quando sentem que é seu dever, e veem que é seu privilégio, buscar a santidade, e se recusam a fazê-lo. Assim como Israel não podia ficar nas fronteiras da terra prometida sem passar para o outro lado, também os crentes se desviarão se não avançarem para a perfeição.

3. O pecado mudou o semblante de Deus em relação aos israelitas e os colocou sob uma disciplina terrível. O mesmo se aplica, de modo impressionante, aos que conhecem o seu dever quanto a buscar a santidade e não o cumprem.

4. Os israelitas foram abandonados por Deus, derrotados por seus inimigos, visitados por anjos destruidores, por serpentes abrasadoras, lepra, pragas e terremotos. Murmuraram, rebelaram-se e se tornaram covardes, dissolutos, idólatras, e só um Deus misericordioso sabe o que mais. Os cadáveres de três milhões deles caíram naquilo que foi para eles um deserto de uivos. Análogos a tudo isso são os terríveis resultados espirituais da recusa, por parte da igreja, em avançar para a perfeição. Entre esses resultados estão o abandono por parte de Deus, a derrota no combate espiritual, provações de fogo, dúvidas, temores e covardia, frieza e torpor moral, mundanismo, dissolução e idolatria. Se essas coisas não forem encontradas de forma assustadoramente generalizada nas várias igrejas da cristandade, ficarei tão agradecido e contente quanto qualquer outro homem.

168. Por que muitos que desejam a santidade, e leem, oram, tomam resoluções, choram e lutam, fazem tão pouco progresso no caminho da santidade?

É principalmente porque se recusam a cumprir as condições das quais, como logo percebem, a bênção depende. Um homem percebe que, se quiser ser santo, terá de adotar um novo sistema de generosidade. Outro percebe, à medida que se aproxima da luz clara do amor perfeito, um provável chamado ao ministério, caso siga adiante. Outro vê uma grande quantidade de deveres, até então negligenciados, que precisam ser cumpridos. Uma irmã percebe que, se obtiver e conservar a santidade, terá de se conformar à simplicidade do evangelho de Cristo e passar por uma mudança considerável em seus adornos e em seu vestuário. Muitos deixam de buscar a santidade quando a faca do corte é posta sobre o coração para amputar os seus ídolos.

169. Não entendo como uma alma santificada pode ser tentada.

Você consegue entender como o Salvador foi tentado, ou como Adão, sem pecado, foi tentado? Lembre-se de que, embora o homem interior do pecado tenha sido morto e lançado fora, o diabo ainda não foi morto, nem tirado do mundo, nem trancado no inferno.

A alma santificada tem cinco sentidos, que são vias de contato com o mundo. Esses sentidos devem ser guardados “com toda a diligência” [N. do T.: a NAA traz “De tudo o que se deve guardar, guarde bem o seu coração” (Pv 4.23)], enquanto estivermos num mundo cheio de mal, no qual “o diabo anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar” (1Pe 5.8).

170. Se um crente cede à tentação e cai em pecado, isso prova que ele nunca foi purificado do pecado inato?

Não. A santidade não eleva os homens acima de Adão no paraíso ou dos anjos no céu. Adão cedeu ao tentador e caiu em pecado; mas isso não provou que ele tivesse pecado inato antes da queda. A santidade não torna ninguém impecável; e não devemos confundir a possibilidade de pecar com o pecado, nem o poder de pecar com o uso efetivo desse poder. Se cometer pecado demonstrasse necessariamente que o coração já era corrupto antes do ato pecaminoso, seguir-se-ia que Adão e Eva estavam caídos antes de pecar.

171. A alma santificada deve buscar, esperar ou desejar alguma coisa além de mais santidade, como dons, novas revelações etc.?

De modo nenhum. O coração cheio de amor já encontrou “um caminho ainda mais excelente” (1Co 12.31) do que esses.

O sr. Wesley diz: “O próprio desejo de ‘crescer na graça’ (2Pe 3.18) pode, às vezes, ser uma porta de entrada para o entusiasmo [N. do T.: no século XVIII, fanatismo de quem se julga movido por revelações diretas]. Como esse desejo nos leva continuamente a buscar nova graça, pode levar-nos, sem que percebamos, a buscar alguma outra coisa nova, além de novos graus de amor a Deus e ao próximo. Assim, levou alguns a buscar dons de um novo tipo, depois de um novo coração, e a imaginar que os haviam recebido.

“Outra causa desses e de mil outros erros é não considerar profundamente que o amor é o dom mais elevado de Deus, o amor humilde, manso e paciente; que todas as visões, revelações e manifestações, quaisquer que sejam, são coisas pequenas comparadas ao amor; e que todos os dons acima mencionados ou são o mesmo que ele ou lhe são infinitamente inferiores.

“É bom que você esteja plenamente consciente disto: o céu dos céus é amor. Não há nada mais elevado na religião; não há, de fato, nada mais. Se você procura qualquer coisa que não seja mais amor, está mirando longe do alvo; está saindo do caminho real.

“E, quando você pergunta aos outros: ‘Você recebeu esta ou aquela bênção?’, se quer dizer qualquer coisa que não seja mais amor, você está errado; está desviando-os do caminho e pondo-os sobre uma pista falsa. Firme, portanto, no seu coração que, desde o momento em que Deus o salvou de todo pecado, você não deve visar a nada mais senão a mais daquele amor descrito no capítulo treze de Coríntios. Você não pode subir mais alto do que isso até ser levado para o seio de Abraão.

“Digo outra vez: cuidado com o entusiasmo, como imaginar que você tem o dom de profecia ou de discernimento de espíritos, o qual não creio que nenhum de vocês tenha; não, nem nunca teve.”

172. A obra da regeneração e a da santificação, entre pecadores e crentes, devem avançar juntas?

Cremos que essa é a verdadeira ordem de Deus. A salvação deve sair de Sião. A igreja deve obter vida e comunicá-la. A santificação dos crentes na igreja e a conversão dos pecadores fora dela devem avançar simultaneamente.

O sr. Wesley acreditava, e dizia, que para cada crente santificado dez pecadores seriam convertidos. Nada dá tanta força a um avivamento quanto ter crentes santificados enquanto pecadores estão sendo convertidos.

Os melhores, mais fáceis, mais proveitosos, mais amplos e mais duradouros avivamentos são aqueles que começam com o “aperfeiçoamento dos santos” (Ef 4.12). Avivamentos assim avançam com facilidade e poder, e penetram fundo e por inteiro na salvação das almas. Isso se deu nos mais poderosos e amplos avivamentos sob os trabalhos de Wesley, Bramwell, Hunter, Carvosso, Stoner, Abbott, Hibbard, Garrettson, Caughey, Finney e da sra. Phoebe Palmer.

A santificação dos crentes é a melhor preparação possível que a igreja pode ter para receber os convertidos em seu seio. É de temer que muitos, muitíssimos, convertidos genuínos tenham sido arruinados ao se unirem a igrejas frias, mundanas e não santificadas. A igreja de Deus tem uma responsabilidade tremenda nesse assunto.

173. Qual foi a definição de Arvid Gradin da “plena certeza de fé” (Hb 10.22), dada ao sr. Wesley e aprovada por ele?

“Um repouso no sangue de Cristo, uma confiança firme em Deus e a convicção do seu favor, a mais alta tranquilidade, serenidade e paz de espírito, com a libertação de todo desejo carnal e a cessação de todos os pecados, mesmo os interiores.”

174. O batismo do Espírito Santo, ou ser cheio do Espírito, é a bênção da santidade?

Ele a inclui. Estar “cheio do Espírito Santo” (At 7.55), “cheio de fé e do Espírito Santo” (At 6.5), “cheio de fé e de poder” [N. do T.: a NAA traz “cheio de graça e de poder” (At 6.8)] e ficar “cheios de toda a plenitude de Deus” (Ef 3.19) é possuir a plena salvação, ou o amor perfeito. Ficar “cheios de toda a plenitude de Deus”, porém, é muito mais do que simplesmente ser santificado; envolve ampliação e crescimento em amor, poder e santidade.

Os discípulos, antes do Pentecostes, eram cristãos. Tinham sido escolhidos do mundo; eram servos e companheiros de Cristo; tinham pregado Jesus e a ressurreição; tinham expulsado demônios; amavam o Salvador, haviam negado a si mesmos, tomado a sua cruz e o seguido.

Mas não estavam inteiramente santificados. O Salvador achou necessário, por vezes, repreendê-los por incredulidade, instabilidade, egoísmo, espírito mundano e secular, espírito de revide e espírito covarde e vacilante.

O Salvador viu os seus corações não santificados e orou para que todos fossem santificados na verdade e se tornassem um com ele e com o Pai. Antes da sua ascensão, ordenou-lhes que voltassem a Jerusalém e fizessem uma reunião de oração, com a garantia de que enviaria sobre eles “a promessa do Pai” (At 1.4), o batismo do Espírito Santo. Durante o seu ministério, ele havia predito que alguns dos seus ouvintes não passariam pela morte até que o Reino de Deus chegasse com poder. Esse Reino chegou com poder na manhã de Pentecostes e consistia em “justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17).

Os cento e vinte reunidos no cenáculo “ficaram cheios do Espírito Santo” (At 2.4). Aquele batismo, sem dúvida, santificou cada um deles. Tirou toda a incredulidade de Tomé. Preparou Estêvão para o martírio. Curou Pedro por completo, de modo que ele nunca mais se acovardou diante dos inimigos do Senhor, nem amaldiçoou, nem jurou, nem negou outra vez o seu Senhor. Viveu como herói e morreu como mártir. Foi crucificado de cabeça para baixo, porque não quis morrer como o seu Senhor.

Cada um dos cento e vinte foi feito firme como uma forte coluna de ferro; e, embora o pequeno grupo se visse lançado na maior empreitada jamais assumida por mortais, e enfrentasse oposição a cada passo de homens perversos e de demônios, nunca ouvimos falar de um único caso de apostasia entre eles.

O poder que caiu sobre eles se espalhou por toda parte, e o primeiro sermão de Pedro foi um verdadeiro trovão do começo ao fim e provocou um clamor geral por misericórdia, de modo que três mil almas se converteram antes do anoitecer.

Que os discípulos foram todos santificados no dia de Pentecostes é o que ensinam quase todas as autoridades e obras normativas do metodismo. O dr. Jesse T. Peck diz: “Somente o derramamento especial do Espírito Santo é um batismo de santidade; a santidade da igreja é deficiente; portanto, a grande necessidade da igreja é um batismo do Espírito Santo.”

“Vem, Espírito Santo, inspira o meu coração;
confirma que nasci de novo;
vem e batiza-me agora com fogo,
e não deixes que teus dons anteriores sejam vãos.
Não posso descansar em pecados perdoados;
onde está o penhor do meu céu?”

175. A santificação dos crentes deve ocupar lugar de destaque nos cultos dos nossos acampamentos?

Deve; e, entre outras, pelas seguintes razões:

1. Trabalhar pelo “aperfeiçoamento dos santos” (Ef 4.12) é apropriado em qualquer lugar, e especialmente onde há uma convocação geral deles.

2. É um dos dois grandes objetivos dos acampamentos. Essas reuniões são marcadas para o benefício especial da igreja e dos impenitentes, isto é, para a santificação dos crentes e a conversão dos pecadores. Essas duas obras devem avançar simultaneamente. (Veja Seção XXII, pergunta 172.)

3. Os acampamentos oferecem uma oportunidade muito favorável para buscar o amor perfeito. A ausência das preocupações do mundo, os cultos religiosos seguidos e prolongados, a pregação poderosa e incisiva, o relato de ricas e variadas experiências religiosas, as influências celestiais e cheias de graça e todos os exercícios agradáveis de um bom acampamento são particularmente favoráveis à busca da santidade.

4. A santificação dos crentes oferece a melhor preparação possível para trabalhar pela conversão dos pecadores. Um dos primeiros e grandes objetivos de todos os crentes é obter uma preparação completa para trabalhar com eficácia para Deus. Os crentes devem estar sempre prontos para trabalhar para Deus; e, se não estiverem, devem preparar-se antes de ir ao acampamento. Mas isso está muito longe de acontecer; e, enquanto continuar tão evidente que a massa, a maioria, dos crentes que frequentam a nossa festa dos tabernáculos está apenas parcialmente santificada e mal preparada para trabalhar com eficácia para Deus, será apropriado e importante dar ao assunto do amor perfeito o destaque devido.

Começar os trabalhos de uma reunião desse tipo diretamente e principalmente pela conversão de alguns poucos pecadores dispersos, que talvez estejam no local nas horas de pregação, enquanto há centenas de crentes não santificados presentes, que deveriam ser conduzidos à Canaã do amor perfeito, é desviar-se da ordem de Deus, entristecer o Espírito Santo e travar o carro da salvação.

Os resultados de um bom acampamento devem ser procurados mais em nossos vários campos de trabalho depois da reunião do que na conversão de alguns pecadores durante a reunião. A conversão de cem almas no local, admitimos, é uma obra grande e desejável; mas sustentamos que lançar um alicerce profundo e sólido (na santificação dos crentes pelo batismo do Espírito Santo) para avivamentos em toda a região ao redor, resultando na conversão de centenas de almas, é uma obra muito maior e com probabilidade de ser muito mais permanente.

Mas o caminho certo para garantir a conversão de pecadores no acampamento, ou em qualquer outro lugar, é os crentes se humilharem aos pés de Jesus e buscarem o amor perfeito de Deus, que sempre assegura o poder do Espírito Santo que convence do pecado, persuade, regenera e justifica.

176. Você acha que a causa e a obra da santidade estão progredindo na igreja?

Acho. Dá-se hoje mais atenção do que nunca à circulação de livros e periódicos dedicados à sua promoção, e a atenção da igreja, de modo mais geral, está sendo dirigida às suas reivindicações e à sua importância. Os que no ministério a desfrutam e a pregam fielmente aumentam constantemente, e as testemunhas do amor perfeito entre os membros crescem de ano para ano.

As obras ricas e competentes de Wesley, Fletcher, dos drs. George e Jesse T. Peck e da sra. Phoebe Palmer fizeram, e estão fazendo, muito para promover essa obra bendita. O Guide to Holiness e o Beauty of Holiness estão sendo espalhados por toda a igreja e estão realmente fazendo uma grande obra para Deus e para a verdade. A verdade tem de prevalecer, e prevalecerá. Um dia mais claro está raiando sobre a igreja.

Mas é preciso lembrar que ainda há muito a fazer, pois vastas multidões do nosso povo nunca leram os excelentes livros e periódicos que a igreja oferece sobre o assunto. Muitos dos nossos pregadores não desfrutam o amor perfeito; alguns raramente o pregam; e, por mais dolorosa que seja a admissão, não podemos fugir à convicção de que alguns rejeitam inteiramente as opiniões do sr. Wesley. Muitos, muitíssimos, dos nossos membros vivem sem um conhecimento experimental do seu poder salvador e da sua bem-aventurança. Alguns, receamos, se contentam em continuar assim.

Enquanto, pois, nos alegramos, reconhecemos e damos graças a Deus pelo que foi feito e pelo que está sendo feito, devemos também ser estimulados a orar e trabalhar para alcançar uma obra de amor perfeito mais ampla e geral em todo o nosso ministério e em todos os nossos membros. Que o Senhor apresse o dia em que a igreja, de modo geral, passará para a Canaã do amor perfeito.

“Ah, se eles subissem de uma vez!
Que não parassem mais deste lado do Jordão,
mas possuíssem agora a terra;
que neste momento terminassem seus anos sob a lei,
tristezas, pecados, dúvidas e temores,
um deserto de uivos.”

177. O sr. Wesley pregava com frequência sobre o assunto da santidade?

Pensamos que sim, e pelas seguintes razões:

1. O sr. Wesley era um homem coerente, e não se pode supor que ele, na conferência, em particular e por carta, insistisse com seus pregadores e os pressionasse a pregar constante, vigorosa e explicitamente sobre o assunto, enquanto ele mesmo não lhes dava o exemplo a seguir.

2. Nos diários do dr. Adam Clarke, de Bramwell, de Carvosso, da sra. Hester Ann Rogers e de Lady Maxwell, em que se registra grande número de sermões e textos do sr. Wesley, você verá que grande parte deles trata do assunto da plena salvação ou perfeição. Quem duvidar, que examine. Mais da metade dos hinos compostos pelo sr. Wesley tratava do assunto da santidade.

O fato de poucos dos seus sermões publicados serem dedicados especificamente ao assunto da perfeição cristã não é argumento contra o fato de ele ter pregado muito sobre ele. Os sermões que publicou destinavam-se a apresentar um panorama geral da teologia cristã. Mesmo assim, há mais deles dedicados especificamente ao assunto da santidade do que a qualquer outro tema.

Lembre-se de que temos apenas cerca de cento e quarenta dos seus sermões, enquanto ele pregou mais de setecentas vezes por ano durante o seu ministério e, ao longo da vida, mais de quarenta e dois mil sermões.

178. Existe em certa medida, na igreja metodista, um espírito de oposição à doutrina, à experiência e ao testemunho da santificação?

Admite-se que a doutrina, como item da teologia metodista, é geralmente aceita. Mas é crença bastante geral entre os que obtiveram a bênção, a testemunham e se esforçam por defendê-la e justificá-la que há mais oposição a ela na igreja do que muitos estão dispostos a admitir.

O mesmo acontecia no tempo do sr. Wesley; alguns dos seus pregadores e membros não aceitavam a doutrina, e ele muitas vezes não sabia mais o que fazer para impedi-los de abandoná-la de vez.

Ninguém pode pretender ser metodista neste assunto se rejeita Wesley, Fletcher, Watson e Clarke, que são as obras normativas da igreja sobre o tema.

Não podemos fugir à convicção de que, na nossa própria e amada comunhão, há alguns, tanto no ministério quanto entre os leigos, que rejeitam inteiramente as opiniões do sr. Wesley. Muitos que dizem crer na doutrina e deixam de buscá-la vão se opor a ela e rejeitá-la quando as suas reivindicações lhes forem apresentadas com insistência e de modo pessoal.

Enquanto ela fica nas obras normativas, em nossas estantes, ou enquanto é pregada apenas como item do credo metodista, de forma indefinida e genérica, encontra pouca oposição. Mas, quando é apresentada com insistência aos crentes como dever e privilégio presentes, a ser buscada agora e não negligenciada, em muitas das nossas igrejas encontra oposição severa tanto no ministério quanto entre os membros.

A doutrina da regeneração pode ser apresentada de tal modo que não leve um único pecador por ano a buscá-la e que nunca perturbe os pecadores a respeito dela. Assim também a doutrina da santidade pode ser apresentada de tal modo que, por um lado, não desperte nenhuma oposição contra ela e, por outro, não leve nenhum crente a buscá-la.

Sempre que é apresentada de modo claro, vigoroso, explícito e urgente, a ponto de perturbar os que a negligenciam e de levar alguns a buscá-la, obtê-la e testemunhá-la, encontra mais ou menos oposição tanto no ministério quanto entre os leigos. O amor a Deus, à igreja e a esta doutrina bendita deve levar todo verdadeiro metodista a encarar esse fato sinistro. Não é papel da caridade ignorar fatos evidentes. E não é maneira de acabar com os males fechar os olhos para eles, ou passar por cima deles e permanecer indiferente a respeito deles.

Nossos pais não faziam assim: embora cheios de caridade, eram diretos, espirituais, penetrantes, fervorosos, incisivos e severos com o pecado.

179. Quem são os opositores mais virulentos da inteira santificação?

Os professantes que receberam mais luz sobre o assunto, que muitas vezes foram convencidos de que precisavam dela e, mesmo assim, deixaram de buscá-la. Há uma grande classe dessas pessoas que estão há uma longa série de anos na igreja e, no entanto, não têm nenhum conhecimento experimental da inteira santificação como bênção distinta da regeneração. Como seria de esperar (em consequência de não buscarem a santidade), muitas delas se tornaram frias, indiferentes e desviadas. São essas, em geral, as pessoas da igreja que se opõem à inteira santificação.

O sr. Wesley disse: “Os que amam a Deus de todo o coração devem esperar muita oposição de professantes que seguiram durante vinte anos uma velha trilha batida e imaginam ser mais sábios que todo o mundo. Esses são os que MAIS se opõem, sempre, à obra da santificação.”

Se o sr. Wesley teve motivo para dizer isso no seu tempo, que linguagem usaria se visitasse as igrejas formais, orgulhosas e populares de hoje, em centenas das quais não há uma única testemunha da inteira santificação?

180. O espírito da santidade e o espírito do mundo são antagônicos?

São. A virtude e o vício, a verdade e o erro, a luz e as trevas não o são mais do que eles. O Espírito de Deus e o espírito do mundo jamais podem harmonizar-se. O pecado é algo ofensivo e abominável, que Deus odeia, e “a inclinação da carne é inimizade contra Deus” (Rm 8.7). Não há afinidade entre o pecado e a santidade, nem terreno intermediário que alguém possa ocupar. Jesus disse: “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6.24); “Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha” (Mt 12.30).

As duas grandes divisões quanto ao caráter moral, o “santo” e o “pecador”, o “crente” e o “incrédulo”, o “reto” e o “perverso”, o “justo” e o “injusto”, o “piedoso” e o “ímpio”, continuam hoje tão enfaticamente fiéis aos seus nomes e à sua natureza quanto sempre foram.

Deus nunca pode transigir com os ímpios, e, por natureza e por necessidade, os ímpios não têm afinidade com Deus. Deus, em sua infinita misericórdia, instituiu um caminho de salvação pelo qual os ímpios podem ser redimidos do pecado, mas nunca no pecado. Os que Deus salvou odeiam o pecado e amam a santidade. Um estado de salvação envolve afinidade com Deus, e um estado de pecado envolve afinidade com o mundo.

O espírito do mundo está em antagonismo direto com o Espírito de Deus. Os homens do mundo não têm afinidade com Deus e estão cheios de afinidade com o mundo. “Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo se torna inimigo de Deus” (Tg 4.4).

Quanto mais plenamente os filhos de Deus são possuídos pelo Espírito de Cristo, mais vigoroso é o seu combate com o mundo, e vice-versa. A oposição de espírito entre os cristãos e os homens do mundo nunca pode cessar. “Não se admirem”, disse Jesus, “se o mundo odeia vocês” (1Jo 3.13); “antes de odiar vocês, odiou a mim” (Jo 15.18). “Se vocês fossem do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas vocês não são do mundo, e, por isso, o mundo odeia vocês” (Jo 15.19).

181. Como costuma manifestar-se um espírito de transigência com o mundo?

Ele se manifesta de muitas maneiras, entre as quais as seguintes:

1. Em esforços para tornar o cristianismo popular diante do mundo, procurando aumentar desse modo a influência da igreja.

2. Em esforços para rebaixar o padrão bíblico de piedade, a fim de torná-lo menos repulsivo à mente dos homens carnais.

3. Em esforços para regulamentar o pecado, em vez de combatê-lo e proibi-lo.

4. Em atos que favorecem os vícios dos ímpios ou que aprovam, direta ou indiretamente, a prática do pecado.

5. No abandono dos termos bíblicos, no relato da experiência religiosa, a fim de agradar aos homens.

6. No polimento e no abrandamento daquelas verdades que Deus deixou ásperas e duras.

7. Em fazer a prosperidade da igreja depender da sua riqueza e popularidade, ou da erudição, dos talentos e da eloquência dos seus ministros, em vez de depender do batismo do Espírito Santo e de um nível sólido e elevado de piedade no seu ministério e entre os seus membros.

182. Como o apóstolo Paulo honrou o seu apostolado?

Ele nos diz que em tudo se recomendou como ministro de Deus: “nas aflições”, “nas angústias”, “nos açoites”, “nas prisões”, “nos tumultos”, “nos trabalhos”, “nas vigílias”, “nos jejuns”, “na muita paciência”, “por desonra”, “por infâmia”, “como desconhecidos”, “como se estivéssemos morrendo”, “como castigados”, “como entristecidos”, “como nada tendo” (2Co 6.4-10); “em trabalhos, muito mais; em prisões, muito mais; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes” (2Co 11.23).

Recebeu dos judeus, em cinco ocasiões diferentes, “quarenta açoites menos um”; “três vezes foi açoitado com varas”; “uma vez foi apedrejado”; “três vezes naufragou”; “ficou uma noite e um dia boiando em alto mar”; “em viagens, muitas vezes”; “em perigos de rios”, “de assaltantes”, “entre patrícios”, “entre gentios”, “na cidade”, “no mar” e “entre falsos irmãos” (2Co 11.24-26). Esteve em “trabalhos e fadigas”, em “fome e sede”, em “frio e nudez” (2Co 11.27).

Leitor, aqui você tem um breve resumo dos trabalhos, sofrimentos e sacrifícios do principal dos apóstolos.

183. O fato de muitas pessoas perderem várias vezes o amor perfeito antes de se firmarem nele não é um argumento contra buscá-lo?

No mínimo, não é mais do que o mesmo fato, em relação à justificação, é um argumento contra buscar essa bênção. É comum que os convertidos percam muitas vezes o testemunho da justificação antes de se firmarem plenamente nela. Não há, porém, necessidade de perder nenhuma das duas; e pensamos que há muito menos perigo de perder o amor perfeito (sendo iguais as demais circunstâncias) do que a justificação.

Sem dúvida, se a luz da justificação fosse mais geral e mais clara na igreja, os convertidos estariam menos sujeitos a perder a justificação no começo da sua experiência; e, se a bênção do amor perfeito fosse mais geralmente buscada e obtida pelo ministério e pelos membros, e mais clara e fielmente pregada e exemplificada no púlpito, os que a buscam e obtêm estariam menos sujeitos a perdê-la no começo da sua experiência.

É de admirar que uma pessoa perca o testemunho do amor perfeito se estiver num lugar onde encontra pouca simpatia por ele e onde não ouve mais do que um ou dois sermões por ano sobre o assunto, e esses feitos de generalidades indefinidas, como as que costumam pregar os que não o desfrutam ou não o buscam com seriedade? Os que possuem o amor perfeito precisam de encorajamento e do “pão da vida” (Jo 6.35) vindo do púlpito, tanto quanto os outros.

Que a simpatia da igreja se torne tão geral a favor dele quanto é a favor da justificação, e que as testemunhas claras da santificação se tornem tão numerosas no ministério e entre os membros quanto deveriam ser, e você ouvirá falar de pouquíssimos que perdem a bênção. (Veja Seção XXII, pergunta 120.)

184. A ideia de que os crentes são inteiramente santificados quando são justificados e convertidos traz dificuldades?

Traz; e as seguintes são algumas delas:

1. Se a santificação é completa na justificação, então todo homem que desfruta a religião está inteiramente santificado.

2. Se a santificação é completa na conversão, então todo cristão, para ser verdadeiro, deveria testemunhar a inteira santificação.

3. Se todos os que se convertem estão inteiramente santificados, então todas as instruções da palavra de Deus para buscar a santidade, a santificação e o amor perfeito são dirigidas exclusivamente aos pecadores.

4. Se a santificação é completa na justificação, então os convertidos não devem buscar nenhuma purificação adicional.

5. Se a santificação é completa na justificação, os ministros não têm o direito de insistir com os cristãos para que avancem “para o que é perfeito” (Hb 6.1), ou busquem a santidade, ou se purifiquem “de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2Co 7.1).

6. Se a justificação e a inteira santificação são inseparáveis, então todos os que sentem os frutos da carne estão em estado de condenação.

7. Se um estado de inteira santificação é compatível com as lutas do orgulho, da incredulidade, da impaciência, do ciúme e da ira (a experiência comum dos crentes recém-justificados), não devemos concluir que essas coisas terão de ir conosco para o céu? Afinal, é preciso admitir que a inteira santificação prepara a alma para o céu.

8. Se a santificação é completa na conversão, então todo homem que não está inteiramente santificado é filho do diabo.

9. Se a inteira santificação é completa na justificação, isso contraria a experiência de toda a igreja de Deus, e, com pequenas exceções, toda a massa do mundo cristão esteve seriamente enganada durante dois mil anos.

10. Se todos os regenerados estão inteiramente santificados, então quem se sente convencido da necessidade da plena salvação e geme por ela deve concluir de imediato que nunca foi convertido ou que agora está desviado. Assim, essa heresia, se aceita, deixaria perplexos e atormentaria com dificuldades e desânimos perpétuos justamente os membros da igreja que estão mais profundamente empenhados em possuir todo o modo de pensar que havia em Cristo.

Um sistema que envolve tais dificuldades não pode ser aceito como verdade de Deus; deve ser evitado como antibíblico e antiwesleyano e considerado uma heresia perigosa.

185. Qual é o grande segredo de uma vida santa?

É obter e conservar a presença perpétua, a plenitude e a iluminação do Espírito Santo. Ele há de estar “com vocês para sempre” (Jo 14.16).

1. Ele subjugará os seus desejos e as suas inclinações. “Vivam no Espírito e vocês jamais satisfarão os desejos da carne” (Gl 5.16).

2. Ele concederá liberdade. “Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2Co 3.17).

3. Ele revela as coisas de Cristo. “Vai receber do que é meu e anunciará isso a vocês” (Jo 16.14). “Esse dará testemunho de mim” (Jo 15.26).

4. Ele apresenta à mente a verdade de Deus e as coisas de Deus. “A espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Ef 6.17). “Assim, ninguém conhece as coisas de Deus, a não ser o Espírito de Deus” (1Co 2.11). “Deus, porém, revelou isso a nós por meio do Espírito” (1Co 2.10).

5. Ele concede luz e sabedoria. “Ele os guiará em toda a verdade” (Jo 16.13).

6. Ele sustenta na hora da aflição. “E ele lhes dará outro Consolador, a fim de que esteja com vocês para sempre” (Jo 14.16).

7. Ele concede as virtudes de um caráter santo. “O fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gl 5.22-23).

8. Ele dá o testemunho da adoção e da salvação. “O próprio Espírito confirma ao nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16).

9. Ele imprime na alma a imagem divina, o selo celestial. Vocês “receberam o selo do Espírito Santo da promessa” (Ef 1.13).

10. Ele é a fonte e o autor de todo amor a Deus. “O amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi dado” (Rm 5.5).

11. Ele é a fonte da força e do êxito. “‘Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito’, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6).

12. A sua presença e a sua obra fazem da alma um templo, consagrado ao serviço de Deus. “Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá. Porque o santuário de Deus, que são vocês, é sagrado” (1Co 3.16-17).

Tenha cuidado, meu caro leitor, e não entristeça o Espírito, mas “desenvolva a sua salvação com temor e tremor, porque Deus é quem efetua em você tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.12-13).

“Vem, Espírito Santo, fogo que tudo vivifica,
vem e tem prazer em repousar em mim;
atraído pelo apelo de um forte desejo,
ó vem, e consagra o meu peito.
Prepara o templo da minha alma
e fixa ali a tua sagrada presença.”

186. Você poderia dar algumas perguntas que ajudem no autoexame?

1. Levantei-me esta manhã com um sentimento de gratidão pela bondade de Deus?

2. Ofereci-me de novo a ele em consagração?

3. Nego a mim mesmo em todo o tempo e tomo a minha cruz, conforme o Espírito do Senhor me conduz?

4. A vida que vivo é pela fé no Filho de Deus, de modo que Cristo habita em mim?

5. Sinto algum orgulho? Ou sou participante do modo de pensar manso e humilde que havia em Jesus?

6. Sou firme e resoluto no dever? Alguma parte do meu tempo se desperdiça?

7. Tenho sempre a presença de Deus? Estou livre do medo dos homens?

8. Aproveito todas as minhas oportunidades de fazer o bem ou de receber o bem?

9. Sou justo, fazendo em todas as coisas aos outros o que eu gostaria que me fizessem?

10. Entrego-me, em alguma medida, à maledicência? Menciono as faltas de alguém na sua ausência?

11. Estou me tornando mais escrupuloso? Ouço fielmente os sussurros da consciência?

12. Amo os meios de graça que sondam o coração? A franqueza no púlpito encontra acolhida no meu coração?

13. Tenho mansidão? Sou pobre de espírito? Sou moderado em todas as coisas?

14. Examino diariamente as Escrituras? A leitura das Escrituras me tem sido proveitosa?

15. Estou agora inteiramente consagrado a Deus? Estou agora confiando nele para uma salvação presente e plena?

16. Tenho o testemunho do Espírito, que dá testemunho da santificação da minha alma?

17. Tenho os frutos do Espírito sem mistura? Estou agora exalando amor, gratidão e louvor?

18. Tenho agora uma comunhão doce e sensível com Deus? A minha alma está agora descansando em Jesus?

O presidente Edwards diz: “A preguiça no serviço de Deus é tão condenável quanto a rebelião aberta.”

Tradução para o português a partir de J. A. Wood, Perfect Love; or, Plain Things for Those Who Need Them (Filadélfia, Samuel D. Burlock, 1861), conferida com as imagens das páginas; domínio público. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.