J. A. Wood · Amor Perfeito · Seções XXI e XXII
Conselhos aos que testemunham o amor perfeito e a primeira parte das perguntas sobre temas diversos.
Conselhos aos que testemunham o amor perfeito
112. Que conselhos você daria aos que testemunham a santidade?
1. Mantenha uma consagração diária, ou melhor, perpétua, de tudo a Deus. Examine e entregue, e torne a examinar e entregue de novo, e mantenha todo vestígio do eu sobre o altar, debaixo da chama que consome e destrói o pecado. A santificação não pode existir um só momento sem que tudo seja mantido sobre o altar. “Portanto, sujeitem-se a Deus” (Tg 4.7).
2. Lembre-se de que a vida do cristão é uma vida de fé. Você foi justificado pela fé, foi santificado pela fé e precisa permanecer firme pela fé. É preciso um ato contínuo de fé. A fé da alma santificada se torna, em certo sentido, um estado da sua mente, um hábito da sua alma. Você precisa abandonar toda ideia de resistir à tentação, ou de prestar de modo aceitável qualquer serviço a Cristo, pela simples força das suas próprias resoluções. Esta há de ser a sua vitória: “a nossa fé” (1Jo 5.4). “Esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus” (Gl 2.20).
3. Você precisa adquirir o hábito de viver minuto a minuto. Cuide do momento presente. Confie em Deus agora; faça a vontade de Deus agora; não ofenda a Deus agora. Você deve agir tendo em vista o futuro, mas agir minuto a minuto. “Não fiquem preocupados com coisa alguma, mas, em tudo, sejam conhecidos diante de Deus os pedidos de vocês, pela oração e pela súplica, com ações de graças” (Fp 4.6).
4. Viva no uso constante de todos os meios de graça, os comuns e os instituídos: a oração, a meditação, o estudo das Escrituras, o sacramento. “Os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam” (Is 40.31).
5. Faça tudo o que fizer em nome do Senhor Jesus e para a glória de Deus. O Salvador espera que você coma, beba, se vista, gaste o seu tempo, os seus talentos e os seus bens, e conduza os seus negócios, tendo em vista os mesmos objetivos pelos quais você ora, lê a sua Bíblia e adora a Deus. “Portanto, se vocês comem, ou bebem ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31).
6. Evite a leviandade e a frivolidade pecaminosas, de um lado, e o mau humor, de outro. Seja alegre, mas não frívolo e vaidoso; entristecido, mas não azedo nem sombrio. Preserve a dignidade, a pureza e a santidade do caráter cristão. Sejam “moderados, respeitáveis, sensatos, sadios na fé, no amor” (Tt 2.2).
7. Cultive a mais profunda reverência ao se aproximar de Deus e ao dirigir-se a ele. Nunca se permita usar expressões levianas ou irreverentes a respeito de Deus ou da sua grande obra, por mais alegre ou extasiado que você esteja. Você é “santuário do Espírito Santo” (1Co 6.19); portanto, tenha cuidado e ande com humildade diante de Deus. “Eu sou o Deus Todo-Poderoso; ande na minha presença e seja perfeito” (Gn 17.1).
8. Estude a Bíblia. Seja um cristão bíblico. Que a sua santidade seja uma santidade bíblica na teoria, na experiência e na prática. Faça com que a sua honestidade, a sua justiça, a sua veracidade e a sua abnegação estejam em harmonia com o ensino da Bíblia. Evite encorajar os outros a buscar, ou buscar você mesmo, qualquer experiência mística que não seja explicitamente ensinada na Bíblia. Contente-se com o aumento do amor, do poder e da comunhão com Deus, e evite todas aquelas coisas místicas e todos os “ismos” não bíblicos que agiram desastrosamente contra a doutrina da santidade. “Vocês examinam as Escrituras, porque julgam ter nelas a vida eterna” (Jo 5.39).
“Bendita Bíblia! Como eu a amo!
Como ela alegra o meu peito!
Que tem a terra como esta para cobiçar?
Ah, que tesouros de riqueza há aqui!
“Sim, doce Bíblia! Eu te esconderei
Fundo, sim, mais fundo neste coração;
Por toda a minha vida tu me guiarás,
E na morte não nos separaremos.”
9. Aproveite bem o seu tempo. Imite o exemplo de Cristo: levante-se cedo, de manhã, e, enquanto outros dormem ao seu redor, ore, “examine as Escrituras” (Jo 5.39) e tenha comunhão com Deus. Faça com que cada dia, cada hora, cada momento conte a favor dos seus melhores interesses e da causa de Deus, “aproveitando bem o tempo, porque os dias são maus” (Ef 5.16).
10. Adquira o hábito de vigiar constantemente contra o pecado. O tentador é um inimigo vigilante e traiçoeiro, sempre alerta e cheio de artimanhas. Num momento de descuido você pode perder o que lhe custou anos de esforço e o que talvez nunca consiga recuperar. “Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios” (1Ts 5.6).
11. Você precisa recusar-se terminantemente a ceder à tentação, em quaisquer circunstâncias ou em qualquer grau. Nas maiores tentações, um Não resoluto e um único olhar para Cristo bastarão para vencer o maligno. Na força de Deus, você precisa dizer Não ao tentador todas as vezes. Tenha cuidado e distinga entre tentação e pecado.
1. Uma impressão ou sugestão pecaminosa, resistida até desaparecer, é tentação, e só tentação, não pecado.
2. Uma sugestão pecaminosa acolhida ou tolerada, ou por fim consentida, é pecado. “Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês” (Tg 4.7).
12. Esforce-se por preservar uma perfeita coerência entre o seu testemunho e a sua prática. O seu testemunho despertará expectativas razoáveis que você precisa atender. Seja exemplar em todas as coisas. Tenha cuidado com as pequenas coisas e abstenha-se “de toda aparência do mal” (1Ts 5.22). O sr. Wesley diz: “Quem negligencia as pequenas coisas cairá pouco a pouco.” “Por isso eu, o prisioneiro no Senhor, peço que vocês vivam de maneira digna da vocação a que foram chamados” (Ef 4.1).
13. Certifique-se de que o seu testemunho de santidade seja confirmado na sua vida por todo “o fruto do Espírito”. Como ele não pode ser aceito apenas por sua própria força, de nada valerá sem “o fruto do Espírito”. “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gl 5.22-23).
14. Tenha cuidado ao considerar impulsos e impressões como ensinos do Espírito. Devemos ser “guiados pelo Espírito” (Rm 8.14), mas isso se dá principalmente pelas suas iluminações. O homem guiado pelo Espírito está cheio, não de impulsos e impressões, mas de luz. No mínimo, nunca permita que algum impulso o leve a um caminho que não esteja em perfeita harmonia com a Bíblia.
O sr. Wesley diz: “Alguns atribuem à vontade de Deus as suas próprias imaginações, e uma vontade não escrita, mas impressa em seus corações. Se essas impressões forem recebidas como regra de ação, em vez da palavra escrita, não conheço nada tão perverso ou absurdo em que não possamos cair, e isso sem remédio.” “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8.14).
15. Leia os melhores autores sobre a santificação. Mencionamos Wesley, Fletcher, Mahan, Finney, os drs. George e Jesse T. Peck, Foster, McDonald, Lady Maxwell e a sra. Phoebe Palmer, o Guide to Holiness e o Beauty of Holiness. Mas a bendita Bíblia deve vir em primeiro lugar, em último lugar, sempre. “Dedique-se à leitura pública das Escrituras, à exortação, ao ensino” (1Tm 4.13).
16. Não deixe que o adversário o leve a se deter num só assunto, com exclusão dos demais, como a fé, o vestuário, o orgulho, o formalismo, a escravidão etc. Não faça de nenhuma coisa em particular a sua mania, mas sim de uma santidade simétrica em geral. Siga a Bíblia; ela não tem outra mania senão a santidade.
17. Tenha cuidado para não depreciar a bênção da justificação. Isso às vezes é feito sem querer e produz resultados prejudiciais. A graça justificadora deve sempre ser muito estimada e nunca deve ser depreciada. “Vivendo de forma irrepreensível em todos os preceitos e mandamentos do Senhor” (Lc 1.6). (Veja a Seção XXIII.)
18. Evite o extremo injustificável de deixar que este único assunto se torne inteiramente absorvente. Os seguintes são alguns dos indícios desse extremo:
1. Desgosto por qualquer outro tema, ou pelos assuntos que acompanham a santidade.
2. Desejo de evitar ouvir os sermões que tratam de outros temas bíblicos.
3. Aversão consciente à experiência que fica aquém do mais alto padrão do evangelho.
4. Desconfiança da religião dos que não fazem esforços especiais pela promoção da santidade.
5. Sentimentos de inaptidão e incapacidade para o trabalho que visa diretamente à conversão de almas. “Dessa maneira, poderão viver de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus” (Cl 1.10).
19. Ao testemunhar a santidade, evite toda ostentação, exibição e afetação. Que o seu testemunho seja sem artifício, simples, natural; que exalte a Cristo e humilhe você. Cultive um justo senso da sua indignidade, e que cada pensamento, cada olhar e cada palavra participem do espírito de humildade. “Que a palavra dita por vocês seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibam como devem responder a cada um” (Cl 4.6).
20. Não procure chamar a atenção. Não busque destaque pela sua cultura, pelos seus talentos, pela sua piedade, pela sua pessoa ou pelos seus bens. Evite toda exibição; tenha um olhar sincero. O seu grande negócio é glorificar a Deus. Que o seu vestuário sirva ao seu conforto, à sua conveniência, à decência e à modéstia. Revistam-se “de humildade”, “porque ‘Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.’ Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, os exalte” (1Pe 5.5-6).
21. Por outro lado, não deixe (por desejo de evitar chamar a atenção) de “levantar-se por Jesus”. Wesley diz: “A sua santidade o tornará tão visível quanto o sol no meio do céu.” Se, de um lado, você não deve buscar isso, do outro, não pense que poderá evitá-lo. “Vocês são a luz do mundo” (Mt 5.14). Quem ama a Deus e aos homens de modo santo, ativo e zeloso será visto pelos homens. Levante-se por Deus; fale, ore e viva para agradá-lo. “Saiamos, pois, a ele, fora do acampamento, levando a mesma desonra que ele suportou” (Hb 13.13).
22. Evite toda maledicência. Nunca fale das faltas de uma pessoa ausente. Esse pecado nos cerca por todos os lados, e corremos grande perigo de ser arrastados pela correnteza. Vigie os seus lábios e “não difame ninguém” (Tt 3.2). “Irmãos, não falem mal uns dos outros” (Tg 4.11).
23. Não se permita falar muito da oposição que você encontra da parte de pastores e cristãos. Não ore por você mesmo ou por outros como se você ou eles fossem perseguidos. Sobretudo, não faça isso em público. Não deixe a sua mente se deter na oposição que você encontra, para que você não se deixe “vencer pelo mal” (Rm 12.21). “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o pensamento de vocês” (Fp 4.8).
24. Evite um espírito censurador e criticador. Ele azedará e arruinará a sua alma. Você pode se entristecer, mas nunca se irritar. Pode lamentar o estado das coisas, mas não ralhe. Embora precise ser claro, verdadeiro e penetrante, seja paciente, bondoso e tolerante. “Admoestem os que vivem de forma desordenada, consolem os desanimados, amparem os fracos e sejam pacientes com todos” (1Ts 5.14).
25. Tenha o cuidado de tratar com a máxima bondade os que ainda não chegaram a este estado elevado. Não se desentenda com eles por causa da lentidão deles para aprender, ou da demora deles em crer e buscar a santidade. Evite toda aspereza de expressão e toda severidade excessiva, ainda que eles contradigam e levantem objeções mesquinhas. Tenha paciência e não desanime. “Ora, nós que somos fortes na fé temos de suportar as debilidades dos fracos e não agradar a nós mesmos” (Rm 15.1).
26. Aprenda a explicar da maneira mais caridosa a oposição que você encontra. Considere por quanto tempo você esteve na escravidão do pecado e foi escravo do preconceito. Lembre-se: a oposição que você sofre pode nascer de engano ou de má compreensão da parte dos seus opositores. Dê a tudo a interpretação melhor e mais caridosa. “O amor é paciente e bondoso; não busca os seus interesses; não se ressente do mal; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Co 13.4-7).
27. Nunca se retire da igreja a que você pertence por causa de alguma oposição que nela encontre. A igreja é exatamente o lugar onde você deve deixar a sua luz brilhar e trabalhar para Deus. Não se separe dos que estão nas trevas a respeito desta gloriosa doutrina. É verdade que, se você se “levantar por Jesus” e testemunhar a santidade em algumas das nossas igrejas populares, orgulhosas e formalistas, encontrará pouca solidariedade e talvez tenha de ficar sozinho. Segundo o seu dia, assim será a sua força. Lembre-se: o céu inteiro está em sintonia com a santidade. Viva na igreja; cumpra todo o seu dever com o espírito certo e no momento adequado; e, se você for excomungado, como alguns já foram, que a responsabilidade fique com os outros, e não com você. “Todos odiarão vocês por causa do meu nome; aquele, porém, que ficar firme até o fim, esse será salvo” (Mt 10.22).
28. Evite a controvérsia. Poucas pessoas conseguem entrar nela sem, mais cedo ou mais tarde, cair num mau espírito. Evite exaltar-se e adotar um modo de falar ralhador e vociferante. Evite todas as condenações generalizadas ao falar da igreja. “O servo do Senhor não deve andar metido em brigas, mas deve ser brando para com todos, apto para ensinar, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem a ele, na expectativa de que Deus lhes conceda o arrependimento para conhecerem a verdade” (2Tm 2.24-25).
Temas diversos
113. Qual foi o traço distintivo da grande reforma wesleyana?
“A reforma wesleyana foi, de modo eminente, um movimento a favor da santidade. A verdadeira doutrina da perfeição cristã foi talvez ensinada com mais clareza e defendida com mais vigor do que em qualquer época anterior desde os dias da pureza primitiva. E, enquanto a grande massa dos convertidos fazia dela o seu alvo, grande número deles avançou até a experiência real e a demonstração viva do poder de Cristo para purificar de todo pecado. E observem o resultado: ‘Nenhuma arma forjada contra eles pôde prosperar’ (cf. Is 54.17). Desde os mais fracos começos, sem riqueza, sem poder, em meio às perseguições mais violentas, eles avançaram numa carreira de utilidade sem igual desde os dias dos apóstolos.” J. T. Peck, D.D.
114. Qual é a grande necessidade essencial da igreja agora?
Cremos que a grande necessidade presente da igreja é um poderoso batismo do Espírito Santo, na inteira santificação de um milhão de crentes. Isso daria à igreja uma visão espiritual clara e um poder moral onipotente, e a impulsionaria na sua gloriosa missão de reformar este continente e “espalhar a santidade bíblica por estas terras”.
A igreja tem números, riqueza, talentos e influência; mas precisa de algo mais que isso: o poder do Espírito Santo, o evangelho pregado em demonstração do Espírito, a santa unção do CÉU.
115. O fato de que apenas uma pequena parte da igreja está purificada de todo pecado não deveria ser motivo de alarme para os cristãos?
Sim; e é, para todos aqueles cujos olhos e corações estão despertos para esse fato.
O dr. J. T. Peck diz: “Na verdade, a mera suspeita de que a massa dos cristãos é santificada apenas em parte deveria despertar o espírito de investigação em toda a extensão e largura de Sião; e o conhecimento positivo do fato deveria mobilizar a solidariedade e empenhar as energias da igreja, até que possamos dizer, com verdade e santo triunfo: os cristãos, em geral, estão inteiramente santificados.”
116. A igreja não está sujeita a muitos e grandes perigos?
Está, e, diante disso, precisa da santidade como cota de malha e torre forte, para garantir a sua segurança. Ela corre perigos assustadores na sua prosperidade exterior. Corre perigos no acúmulo de riqueza e de membros, e no seu crescente poder popular e secular. E, a menos que a sua pureza e o seu poder moral sejam mantidos claros e fortes, ela inevitavelmente sofrerá tristes e deploráveis reveses.
A Igreja Metodista corre grande perigo de se afastar da sua simplicidade, espiritualidade e saudável disciplina primitivas. Muitos creem que, enquanto ela cresce em número e se torna rica e popular, há sinais tristes e inconfundíveis de que, em muitos lugares, está perdendo o seu zelo original, o seu espírito de sacrifício e o seu poder espiritual.
Quando a Igreja Metodista, ou qualquer outra igreja, confia para o seu êxito em qualquer coisa que não seja uma piedade profunda, vital e prática, inevitavelmente fracassará no cumprimento da sua grande missão. Números, riqueza, cultura, posição ou popularidade jamais podem ocupar o lugar da piedade. Esta é indispensável e precisa estar em primeiro lugar, em último lugar e sempre.
117. Por que tão poucos desfrutam esta bênção entre os metodistas, que dizem crer que ela é uma doutrina bíblica e alcançável?
1. Uma razão é que tantos no ministério deixam de obtê-la eles mesmos e, por consequência, deixam de pregá-la à igreja de modo claro, explícito e forte. Em muitos lugares ela não é pregada de forma alguma. Em outros, apenas um ou dois sermões por ano são pregados especificamente sobre o assunto; e em pouquíssimos lugares os crentes são constantemente exortados a “ocupar-se desta única coisa e lutar continuamente por ela”. (Veja a Seção XIII.)
2. William Bramwell diz: “A razão pela qual os metodistas em geral não vivem nesta salvação é que há sono demais, comida e bebida demais, jejum e abnegação de menos, conversa com o mundo demais, pregação e audição de sermões demais, e exame de si mesmo e oração de menos.”
118. O amor perfeito lança fora todo medo servil?
Sim. “Quem teme não é aperfeiçoado no amor” (1Jo 4.18). O amor perfeito faz aparecer de modo mais pleno e claro as evidências da nossa regeneração, justificação e salvação. Ele capacita a alma a perceber mais de perto e mais plenamente a presença e a bem-aventurança de Cristo. Dá à grande, vital e consoladora verdade de Deus um acesso e um poder mais diretos sobre o coração do que ela poderia ter de outro modo.
Ele exclui do coração não santificado todos aqueles elementos em guerra que provocam um medo angustiante e servil. Desprende os afetos de todos os objetos proibidos e destrói todo gosto pelas coisas carnais e mundanas. Comunica impulsos santos, desperta aspirações celestiais e leva a alma a uma intensa fome e sede de Deus. Destrói o pecado, o aguilhão da morte, e dá à alma que parte o triunfo na hora em que a natureza se desfaz. Sob o seu poder gracioso, imensas multidões têm
“Se alegrado e cantado até o último suspiro,
Livres de todo o seu medo;
Pois Jesus morreu e venceu a morte
Para alentar o santo que morre.”
119. Apresentar a inteira santificação como uma obra distinta não deprecia a obra da justificação e da regeneração?
Não; quando apresentada de modo inteligente e adequado, não deprecia. O rev. W. McDonald diz: “Se a santificação, como ensinada nos nossos padrões de doutrina cristã, é verdadeira, deve ser pregada, ainda que depreciasse outras doutrinas. Mas não é esse o caso. A justificação não é mais depreciada por uma apresentação fiel da santificação do que a santificação o é por uma apresentação exclusiva da justificação.
“Não é depreciação de um alicerce que o edifício levantado sobre ele seja mais estimado, quando se entende claramente que o edifício tira grande parte da sua permanência do alicerce sobre o qual repousa.
“O mesmo se dá com a justificação e a santificação. Não é depreciação da justificação que a santificação ocupe na experiência religiosa um lugar que Deus nunca atribuiu à justificação. Uma está para a outra como o alicerce está para o edifício, como o alfabeto está para a língua. A santificação completa o que a justificação começa de modo tão glorioso, como o edifício completa o que foi tão bem começado com o alicerce.”
120. O “Caminho Santo” (Is 35.8) não é muito estreito e, por isso, difícil de trilhar?
1. Respondemos que o “Caminho Santo” é, sem dúvida, um caminho estreito.
2. O “Caminho Santo” tem as suas dificuldades próprias, na forma de provações, lutas e cruzes.
3. Pensamos, porém, que é menos difícil viver em estado de inteira santificação do que andar na luz da justificação e conservar a cada momento o testemunho do Espírito. A alma apenas regenerada tem menos luz e menos força que a santificada. O apenas regenerado tem inimigos no próprio peito, adversários e traidores dentro de casa. Tem restos de orgulho, incredulidade, corrupções interiores e diversos desejos maus, além dos seus inimigos exteriores. A alma santificada não tem inimigos no próprio peito; a sua armadura está completa, a sua luz é clara e a sua fé é forte. A santidade oferece à alma a melhor posição de vantagem possível e o lugar de maior segurança que há fora do céu.
4. O caminho da justificação não é um caminho largo. Não há caminho largo na religião. Ninguém pode viver em qualquer estado de graça sem se manter consagrado a Deus até onde vai a sua luz, e o estado de justificação não pode ser conservado quando se comete algum pecado conhecido ou se negligencia algum dever conhecido.
5. Não pode alguém viver a religião, fazer a vontade de Deus e viajar para o céu com mais facilidade tendo um coração puro e bom, cheio de luz, poder e amor, do que tendo menos religião e um coração não santificado? Julguem vocês!
“Vem, ó meu Josué, faze-me entrar;
Expulsa o teu inimigo, o pecado inato;
Remove a mente carnal;
Reparte o que a tua morte comprou;
E, ah, com todos os santificados
Dá-me uma herança de amor.”
121. Como e com que finalidade devemos ser cheios do Espírito Santo?
1. Devemos recebê-lo como a vela recebe a luz: para dissipar as trevas ao redor, brilhar sobre a mente, iluminar a alma e comunicar o conhecimento das coisas divinas. “Mas o Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse ensinará a vocês todas as coisas” (Jo 14.26).
2. Devemos receber o Espírito Santo como o ferro recebe o calor. O calor o penetra, enche, amolece e purifica. Torna-o apto para qualquer marca que se deseje imprimir nele. Assim devemos receber o Espírito Santo e ser penetrados, cheios, amolecidos, purificados, selados e marcados com a imagem divina. Devemos ser cheios dele como o ramo é cheio da seiva da videira, ou como o corpo é cheio do fluido vital. “Deixem-se encher do Espírito” (Ef 5.18).
3. Devemos receber o Espírito Santo como o estômago recebe o alimento. Ele o acolhe e o distribui pelo sangue, pela carne, pelos ossos, pelo cabelo e por todo o organismo. O Espírito Santo deve vivificar, revigorar e infundir vida espiritual em todas as partes da alma. Leitor, “você recebeu o Espírito Santo depois que creu?” (At 19.2) [N. do T.: a NAA traz “Vocês receberam o Espírito Santo quando creram?”.]
Lemos nas Escrituras sobre ser ungido “com o Espírito Santo” (At 10.38), sobre “o consolo do Espírito Santo” (At 9.31), sobre “a alegria que vem do Espírito Santo” (1Ts 1.6), sobre “a comunhão do Espírito Santo” (2Co 13.13), sobre “o poder do Espírito Santo” (Rm 15.13), sobre ficar “cheios do Espírito Santo” (At 4.31), sobre ser santificado “pelo Espírito Santo” (Rm 15.16), sobre orar “no Espírito Santo” (Jd 20) e sobre ser “santuário do Espírito Santo” (1Co 6.19).
122. O que você entende por salvação presente de todo pecado?
1. “Entendemos por ser salvo, em primeiro lugar, ser salvo de todo pecado exterior, isto é, de todas as violações das exigências da lei do amor que se referem à nossa conduta exterior.
2. “E, em segundo lugar, de todo pecado interior, isto é, de todas as violações da lei do amor que se referem ao intelecto, à sensibilidade e à vontade.” G. Peck, D.D.
123. Como as almas santificadas se distinguem das que não estão inteiramente santificadas?
Por serem mais profundamente humildes; por maior simplicidade e doçura de espírito; por maior força de fé; e por viverem mais “neste mundo de forma sensata, justa e piedosa” (Tt 2.12); em suma, por serem mais semelhantes a Cristo.
124. Que fim tiveram os pecados e os inimigos interiores dos inteiramente santificados?
Não só foram vencidos, mas mortos e exterminados. Na alma santificada o pecado não está apenas vencido ou acorrentado, mas foi lançado fora. A alma está purificada, de modo que, quando o diabo vem, não encontra nela nada que não esteja em harmonia com a vontade de Deus. O Salvador disse: “Satanás vem, e nada tem em mim” (Jo 14.30). [N. do T.: a NAA traz “aí vem o príncipe do mundo, e ele não tem poder sobre mim”.] E: “assim como ele é, também nós somos neste mundo” (1Jo 4.17).
125. Testemunhar a santidade como bênção distinta não produz naturalmente ciúme e discórdia entre os irmãos?
Não, se ela for testemunhada com palavras adequadas, de maneira apropriada e no espírito certo. Um testemunho apropriado não produzirá ciúme nem discórdia entre os verdadeiros cristãos. Pode produzi-los entre certa classe de desviados e de professantes mortos ou duvidosos. O sr. Wesley diz: “Nem há coisa alguma debaixo do céu que mais avive os anseios dos que estão justificados do que conversar com aqueles que eles creem ter experimentado uma salvação ainda mais elevada.”
126. Não há grande perigo de testemunhar esta bênção sem possuí-la?
Pode haver algum perigo disso, mas não maior (se é que igual) do que há em relação à justificação. Pensamos que há mais perigo de não reconhecer tudo o que Deus faz por nós do que de testemunhar mais do que ele de fato realizou em nós. Embora alguns possam ter testemunhado esta bênção quando estavam desprovidos dela, muitos sem dúvida a perderam por deixarem de reconhecê-la, temendo dar um humilde testemunho dela. (Veja a Seção X, Pergunta 78.)
127. O estado de justificação envolve o desejo de ser santo?
Sim. Se alguém é cristão e está em estado de justificação, terá o coração de um filho de Deus e desejará prestar-lhe uma obediência presente, plena e sem reservas. Isso está implícito na própria natureza da verdadeira religião.
O dr. Jesse T. Peck diz: “A regeneração, mesmo no seu estado mais baixo, ama a santidade e anseia por estar cheia dela.”
O sr. Caughey diz: “O desejo sincero de pureza é a joia mais brilhante que resplandece na verdadeira justificação. Se ela é genuína, esse desejo está sempre ligado a ela, como o peso ao chumbo, como o calor ao fogo, como a fragrância à rosa, como o verde à folha sadia: inseparável.”
128. Não se objeta muitas vezes aos que testemunham a santidade que eles se entregam a um espírito censurador?
Objeta-se, sim, e não duvidamos de que sempre se objetará, enquanto houver tantos professantes mundanos, formalistas e desviados na igreja. Não negamos que alguns possam ter dado motivo a essa objeção; mas, se qualquer cristão, do ministério ou do laicato, cumprir todo o seu dever para com a igreja e o mundo no estado em que se encontram hoje (se lhes falar e falar deles como de fato são), naturalmente incorrerá na acusação de ser censurador. Quem sofreu isso mais que o sr. Wesley?
O rev. Charles G. Finney diz: “A inteira santificação implica o cumprimento de todo o nosso dever. Mas, para cumprir todo o nosso dever, precisamos repreender o pecado nos lugares altos e nos lugares baixos. Pode-se fazer isso com toda a severidade necessária sem, em muitos casos, ofender e incorrer na acusação de ser censurador? Não, é impossível; e sustentar o contrário seria pôr em dúvida a sabedoria e a santidade do próprio Jesus Cristo.”
Para algumas pessoas é coisa comum, quando um irmão não tem “caridade” suficiente para desculpar o pecado e encobrir “as obras do diabo” (1Jo 3.8), acusá-lo de “espírito censurador”, de “piedade azeda” etc. Não pode haver santidade que não tenha repreensão para o pecado nem oposição a Satanás. Olhem para o Grande Exemplo, o Filho de Deus. Olhem para o rev. John Wesley: quem jamais sofreu mais desse tipo de ofensa do que ele? O Espírito de Deus e o espírito do mundo nunca podem se harmonizar; são antagonismos perfeitos.
129. Quem são os melhores amigos da igreja?
Os que têm mais do Espírito de Cristo e que, sob Deus, mais fazem para levar os pecadores a buscar o perdão e os crentes a buscar a pureza. Quem mais ama a igreja, sendo iguais as demais circunstâncias, mais fará por ela e vigiará a sua pureza, a sua utilidade e os seus interesses com o mais profundo zelo piedoso. Os seus verdadeiros amigos nunca curarão superficialmente a ferida do seu povo.
Ser fiel à igreja e apontar os seus deveres, as suas faltas e os seus perigos é uma das provas mais fortes de amor por ela. “Quem me aponta as minhas faltas é meu amigo.” Apontar fielmente os deveres, os defeitos e os pecados da igreja está muito longe de “apunhalar”, “sangrar” ou “maltratar” a igreja, como alguns parecem crer.
Um homem oportunista e contemporizador, que procura mais agradar aos homens e tornar a igreja popular diante do mundo do que levar os pecadores a Deus e os crentes à santidade, está muito longe de ser o melhor amigo da igreja. E o pastor que mantém estrita fidelidade a Deus e que, como Wesley e os seus colaboradores, trata com fidelidade (embora com bondade) a igreja e o mundo, e não dá trégua a pecado de espécie alguma, dentro ou fora da igreja, está muito longe de ser inimigo da igreja.
Os piores inimigos que a igreja tem são alguns que estão dentro dos seus próprios limites. Um pastor transigente, interesseiro, de mente mundana e desviado fará mais para arruinar a piedade dela, matar os seus convertidos e espalhar desolação espiritual por todas as suas fronteiras do que todos os seus inimigos de fora juntos.
Robert Hall diz: “OS FALSOS PROFETAS SÓ SE IMPORTAM EM AGRADAR“; e o bispo George diz: “UM ESPÍRITO CONTEMPORIZADOR TEM SIDO A MALDIÇÃO DA IGREJA EM TODAS AS ÉPOCAS.”
130. Há dois tipos de santidade entre os homens, uma santidade doce, amorosa e pacífica, e outra combativa?
A santidade é da mesma natureza em Deus, nos anjos e nos homens. Ela invariavelmente produz uma paz, uma mansidão e um amor tão doces quanto o céu. Mas esses mesmos elementos fazem os homens odiar o diabo e se opor ao pecado com todas as suas forças. O amor perfeito torna quem o possui manso como um cordeiro e ousado como um leão. Ao mesmo tempo que inspira amor e brandura, ensina uma oposição intransigente a toda injustiça. Faz de quem o possui um soldado de Cristo ardente, brilhante, amoroso, combatente e vitorioso.
Disseram que Jesus, manso e humilde, tinha demônio. John Wesley foi acusado sem cessar, durante anos, de ser teimoso, voluntarioso, presunçoso, censurador e intolerante. Ele podia ser conduzido por um fio de cabelo na direção certa, mas todas as forças da terra e do inferno juntas não conseguiam movê-lo uma polegada contra as suas sinceras convicções de dever. O diabo achou John Wesley um caso difícil de manejar, e quisera Deus que tivéssemos mais homens da sua têmpera no ministério.
Se manter-se firme e reto por Deus, amar tudo o que ele ama, odiar tudo o que ele odeia e se opor a todo pecado, dentro ou fora da igreja, faz de alguém um cristão combativo, espero viver e morrer como tal. Que não se entenda, porém, que somos a favor do uso de quaisquer armas carnais nesta guerra.
131. Por que os inteiramente santificados ainda precisam dos méritos da expiação?
1. Os seus melhores serviços são tão indignos que só são aceitáveis quando oferecidos em nome de Cristo.
2. Os inteiramente santificados têm consciência de inúmeras fraquezas e deficiências, que tornam o sangue expiatório constantemente necessário.
3. A santidade é o resultado de permanecer em Cristo. A alma santificada conserva a sua pureza pelo poder de Cristo, que permanece nela, age no seu interior, a guarda e opera nela. Jesus nunca é tão estimado, tão intensamente amado e tão afetuosamente obedecido como quando a alma é mantida em estado de santidade.
“Meu Salvador que morreu, e meu Deus!
Fonte para a culpa e o pecado!
Asperge-me sempre com o teu sangue,
E purifica-me e guarda-me limpo.” Wesley.
132. O estado de inteira santificação não leva ao orgulho e à justiça própria?
Não mais do que a virtude leva ao vício, a saúde à doença ou a força à fraqueza. A inteira santificação é a melhor salvaguarda possível contra o orgulho e a justiça própria. É a perfeita antítese de toda justiça própria e de todo orgulho, e ninguém pode entrar no estado de inteira santificação senão pela extirpação do pecado inato. Tornar-se perfeitamente humilde nunca conduz ao orgulho.
133. O pecado na alma não serve para nos manter humildes e nos levar a Cristo?
Não, nunca! O pecado nunca produz humildade, mas exatamente o contrário. O orgulho é a própria essência do pecado, e ele não humilha a alma nem a leva a Cristo. É a graça, não o pecado, que humilha o coração e conduz ao Salvador. O pecado nunca humilhou alma alguma. Ele incha a alma de orgulho, e a sua tendência é sempre para longe de Deus. Nunca odiaremos o pecado com ódio perfeito, nem amaremos a Deus com amor perfeito, enquanto restar algum pecado no nosso coração.
134. Não há grande perigo de colocar o padrão da santidade alto demais?
Há muito mais perigo de colocá-lo baixo demais. Não há perigo de colocá-lo alto demais, se nos mantivermos fiéis às Escrituras. O padrão bíblico é a santidade, a simples pureza. “O cumprimento da lei é o amor” (Rm 13.10), o amor puro. O Salvador deu o padrão da seguinte forma: “Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e com toda a sua força”, e “ame o seu próximo como você ama a si mesmo” (Mc 12.30-31). Penso que há pouco perigo de colocar o padrão mais alto que isso.
135. Pelo que deve ser limitada a perfeição cristã, ou o amor perfeito nos crentes?
A santidade no homem precisa necessariamente ser limitada pelas capacidades e aptidões da natureza humana decaída. Essas capacidades e faculdades são criadas e, necessariamente, finitas. A perfeição cristã não faz do homem um anjo perfeito, nem um Adão perfeito, mas um cristão perfeito.
136. Não devemos distinguir com cuidado entre o pecado inato e as fraquezas inocentes da natureza humana decaída?
Devemos; do contrário, poderemos, de um lado, culpar-nos e afligir-nos sem necessidade, ou, de outro, isentar-nos de culpa quando somos de fato culpados. O cristão inteligente e fiel saberá discernir com sabedoria entre eles, buscará a extirpação de um e suportará com paciência os fardos do outro.
O pecado inato é um princípio ou raiz carnal que permanece no coração não santificado e lança brotos de amargura que se agarram aos desejos e apetites e guerreiam contra a alma. É o fundamento de todos os males morais, como a inveja, o orgulho, a obstinação, a malícia, a ira, o ciúme, a incredulidade, a irritabilidade, a impaciência, a vingança, a cobiça e tudo o que se opõe à vontade de Deus.
As fraquezas humanas são variadas e numerosas, como desvios mentais, raciocínios falaciosos, memória traiçoeira, imaginação errante, ignorância involuntária e todas aquelas fragilidades e defeitos que podem coexistir com as melhores intenções.
São Paulo reconhece essa distinção; ele escreve a Timóteo: “Quanto aos que vivem no pecado, repreenda-os na presença de todos, para que também os demais temam” (1Tm 5.20); e, no entanto, escreve aos romanos: “nós que somos fortes na fé temos de suportar as debilidades dos fracos” (Rm 15.1). Eis aqui dois mandamentos claros: o primeiro, não suportar os pecados; o segundo, suportar as fraquezas. (Veja a Seção IV, Pergunta 16.)
137. A simples pureza, ou santidade, é um estado de graça muito elevado?
Em si mesma é um estado grande e glorioso; mas, quando comparada com “a largura, o comprimento, a altura e a profundidade” (Ef 3.18) que a alma pode alcançar pela rica e abundante graça de Deus, não é um estado de graça muito elevado. A simples pureza, ou santidade, é apenas um estado de graça baixo em comparação com ficar “cheios de toda a plenitude de Deus” (Ef 3.19).
O estado apenas regenerado é bendito e inclui uma obra grande e preciosa na alma. O estado santificado é ainda maior e mais glorioso; mas mesmo este pode ser considerado, em termos comparativos, um nível não elevado de realização religiosa.
A maior parte do nosso progresso em conhecimento, amor e santidade deveria vir depois da purificação, da extirpação completa do pecado do nosso coração. Assim foi com Wesley, Fletcher, Clarke, Bramwell, Stoner, Carvosso, a sra. Hester Ann Rogers, a sra. Fletcher e Lady Maxwell; e assim deveria ser com todo cristão esclarecido. Um triste engano de milhões na igreja de Deus tem sido considerar a santidade um estado de graça muito elevado e situar o crescimento na graça principalmente entre a regeneração e a inteira santificação, quando ele deveria vir sobretudo depois de sermos purificados de todo pecado. Não sei se esse triste engano não poderá atrasar o milênio em mil anos.
138. O sr. Wesley temia que o povo chamado metodista deixasse de existir algum dia?
“Não tenho medo de que o povo chamado metodista deixe de existir algum dia, seja na Europa, seja na América. Mas tenho medo de que venha a existir como uma seita morta, tendo a forma da religião sem o poder. E isso sem dúvida acontecerá, a menos que se apeguem firmemente à doutrina, ao espírito e à disciplina com que começaram.”
A clara visão espiritual do sr. Wesley enxergou o grande ponto de perigo a que a igreja estava exposta, e ele temia que o espírito do metodismo simples e despretensioso se afastasse dela e que o espírito do mundo tomasse o seu lugar.
Se ele deixasse a sua morada junto ao trono e visitasse as igrejas metodistas da América nos dias de hoje, receamos que teria motivo para clamar, em muitos lugares, com as palavras do venerável Asbury. Pouco antes de morrer, Asbury pregou em Baltimore, na igreja da Rua Eutaw, com grande franqueza; e, depois de expressar o seu receio de que os habitantes de Baltimore estivessem se afastando da simplicidade do metodismo, levantou a voz e clamou bem alto: “Voltem! Voltem!! VOLTEM!!!”
139. O estado de santificação pode ser perdido e o estado de justificação conservado?
O dr. Foster diz: “Nem tudo o que mancharia um caráter perfeitamente santo destruiria a relação filial do crente; assim como essa relação existia antes da inteira santificação, pode permanecer quando esse estado é manchado, isto é, deixa de existir. Ou a perda da inteira santificação pode vir acompanhada, ou seguida de imediato, de atos que destroem por completo também a bênção anterior e inferior da justificação.”
Um autor moderno diz o seguinte sobre esta questão: “Talvez seja possível que alguém afrouxe de tal modo o apego da fé ao grande agente santificador e à plenitude da expiação, que fique desprovido dos frutos positivos da santidade sem cair em condenação; mas, quando a santificação, tanto a positiva quanto a negativa, se perde por completo, a justificação também se perde. Isto é, quando a impureza é de novo admitida no coração, é admitida por algum ato que traz condenação. Como a condenação e a justificação não podem existir ao mesmo tempo em relação ao mesmo indivíduo, é evidente que todos os que caíram em condenação perderam o seu estado de justificação, pois um desses estados exclui necessariamente o outro.”
140. Você poderia me dar a sua interpretação de Marcos 11.24? “Tudo o que vocês desejarem quando orarem, creiam que o estão recebendo, e o terão” (Mc 11.24). [N. do T.: a NAA traz “tudo o que pedirem em oração, creiam que já o receberam, e assim será com vocês”. A explicação de Wood, logo abaixo, depende da redação da King James, no presente: “believe that ye receive”.]
Tem havido alguma divergência de opinião quanto ao sentido desta passagem; e, para que ninguém pareça ter motivo para levantar um espantalho e despedaçá-lo, permitam-me dizer:
1. Não supomos que esta passagem ensine que alguma bênção possa ser recebida independentemente das condições estabelecidas para a sua concessão.
2. Ninguém crê que ela ensine que a fé no fato de receber uma bênção seja a condição para recebê-la. Tal fé envolveria o absurdo de crer que a coisa está feita e que será feita. O esforço da fé não consiste em abraçar o fato de receber uma bênção, de modo a fazer da crença de que recebemos a condição pela qual recebemos.
3. Esta passagem não ensina que alguém deva crer que recebe sem uma fé presente, simples e apropriadora nos méritos de Cristo.
4. Ela não ensina que alguém deva crer que recebe sem causa razoável e adequada para isso. Quando uma alma tem clara consciência de ter cumprido os termos da salvação, a promessa e a garantia de Deus tornam segura e adequada a crença de que ele agora a aceita e a salva.
5. “Creiam que o estão recebendo.” Quando? Exatamente quando você cumpre as condições; não antes de cumpri-las, nem depois de tê-las cumprido. Você não deve crer que recebe as bênçãos depois de já as ter obtido, de um lado, nem antes de obtê-las, de outro.
6. “E o receberão.” Quando? Não antes de você crer, mas exatamente quando você crê. “Creiam que o estão recebendo”; não que receberão, não que receberam, mas que estão recebendo agora mesmo, enquanto creem. “Que se faça com vocês conforme a fé que vocês têm” (Mt 9.29) é a ordem estabelecida por Deus; e o crer e o receber, no sentido do evangelho, estão inseparavelmente unidos e não podem ser separados.
7. “Devo crer que recebo a bênção agora mesmo, sem evidência de que agora a estou recebendo?” De modo algum você deve crer sem evidência; mas as evidências em que a sua fé deve se apoiar para receber a bênção agora são a promessa, a fidelidade e a certeza da palavra de Deus, e não os seus sentimentos ou imaginações, que podem enganá-lo. Você deve crer que recebe com base na autoridade de Jesus Cristo, tendo cumprido, da sua parte, as condições estabelecidas por Deus.
8. A fé que salva, que reivindica a promessa, que se apoia na palavra de Deus e avança sobre ela, precisa vir antes da consciência ou do testemunho interior da posse. Não pode haver lugar para a fé salvadora depois de manifestações visíveis ou palpáveis, ou depois de recebida a bênção. Aí já é questão de conhecimento.
O sr. Fletcher diz: “Cuidado para não procurar paz ou alegria antes de crer; e que isso esteja em primeiro lugar na sua mente.”
Você diz: “Não vejo nenhuma evidência, não sinto nenhuma evidência de que recebo a bênção.” Se você se submeteu completamente a Deus, deve crer, e não tem o direito de duvidar da palavra de Deus por causa de alguma ausência de sentimento. A sua fé para a salvação não deve se apoiar na vista nem no sentimento. A Bíblia diz que a fé é a convicção de fatos que não se veem (Hb 11.1). A fé no sentimento, ou na vista, ou no testemunho do Espírito, não salva; mas a fé, a fé simples e despida na palavra de Deus, salva.
9. Ver, sentir e possuir as evidências da salvação há de vir depois de recebê-la. A bênção está condicionada à fé, e essa fé precisa se apoiar na verdade de Deus, uma vez que as evidências de possuir a bênção não podem existir antes que a bênção seja recebida.
O dr. True diz: “Não conheço outro modo de obter esta salvação senão seguir as instruções exatas que foram dadas: ‘Creia que recebe, e você terá.'”
Só podemos obter a salvação crendo em Deus e confiando nele. E a crença e a confiança evangélicas em Deus só podem ser exercidas em conjunto com a completa submissão a ele.
10. Os homens são propensos a viver pelos sentidos, e não pela fé, e inclinados a confiar em todas as coisas e em todas as pessoas, menos em Deus. Esta passagem ensina o grande e importante dever de confiar em Deus e crer nele de modo puro.
Concluo esta resposta com o seguinte trecho daquela obra excelente e competente, The New Testament Standard of Piety [O padrão de piedade do Novo Testamento], do rev. W. McDonald:
“Se eu não puder crer para a inteira santificação até que a evidência de possuí-la esteja clara, nunca poderei crer para ela; pois a evidência da sua posse há de vir depois da posse, a menos que recebamos primeiro a evidência e depois a bênção. A ordem bíblica é: a fé primeiro, a bênção em seguida, e a evidência por último. Mas, para muitos, é a evidência primeiro, a bênção em seguida, e a fé por último.
“Essa dificuldade nasce de confundir a fé com a evidência. O que nos assegura que a bênção é nossa é a evidência que Deus dá, o testemunho do Espírito. E, se não crermos até que essa evidência seja recebida, nunca creremos; pois essa evidência que tanto desejamos está condicionada à fé, e essa fé precisa ser exercida antes que a bênção seja recebida.”
O dr. True diz: “Você não precisa ter medo de crer que recebe enquanto ora; pois, segundo o testemunho de milhares, você receberá em seguida o testemunho direto do Espírito. É isso que você esperava receber primeiro, para então crer; mas ele vem, se é que vem, como confirmação da sua fé.”
141. Qual é o descanso que a alma santificada desfruta?
O Salvador diz: “a minha paz lhes dou” (Jo 14.27). “O efeito da justiça [santidade] será paz, e o fruto da justiça será repouso e segurança, para sempre” (Is 32.17).
1. Não é um estado em que deixamos de nos solidarizar com as alegrias e as tristezas dos outros.
2. Não é um estado de isenção do sofrimento físico ou mental.
3. Não é um estado de isenção da guerra cristã, nem um estado de comodidade inglória, livre do trabalho e do dever cristão.
4. É um estado de satisfação firme e completa em Deus, sendo ele “tudo em todos” (1Co 15.28) para a alma.
5. É um estado de descanso da antiga escravidão às dúvidas, aos medos e ao pecado inato.
6. É um estado de descanso em que o tumulto do coração foi silenciado na calma, e o medo, a tristeza e o remorso deram lugar ao repouso e à segurança.
7. É um estado de profundo e permanente sossego e segurança em relação a todos os nossos interesses, temporais e eternos.
8. É um estado de doce descanso de todo conflito, não com os poderes das trevas, mas entre a vontade e a consciência. “O corpo do pecado” foi “destruído” (Rm 6.6), e a alma tem paz consigo mesma: sossego interior.
“Agora descansa, meu coração tanto tempo dividido;
Fixo neste centro bendito, descansa;
E nunca te afastes do teu Senhor,
Possuidor, com ele, de todo bem.”
142. Quais são as características distintivas do amor perfeito?
1. O amor perfeito é perfeito em qualidade. É puro, sem mistura; não tem liga.
2. O amor perfeito é perfeito em quantidade. É assim porque enche o coração. Ele governa, empunha o cetro; é supremo. “Deixem-se encher do Espírito” (Ef 5.18).
3. O amor perfeito é amor constante. Se não é constante, não é perfeito. Nem sempre haverá alegria extática, mas sempre haverá uma preferência suprema por Deus.
4. O amor perfeito é amor progressivo. Não pode existir sem crescimento. Nem sempre pensaremos que estamos progredindo, mas isso não depõe contra o fato.
5. O amor perfeito lança fora todo medo, todo medo servil e nocivo, como o que os culpados sentem. Lança fora o medo dos homens, da necessidade, da morte, do inferno, e todo medo servil de Deus. “Quem teme não é aperfeiçoado no amor” (1Jo 4.18). Não lança fora o temor da cautela, nem o temor amoroso e filial de Deus. Ele produz esse tipo de temor. Guarda contra a presunção, de um lado, e contra o desânimo, de outro.
“Um coração renovado em cada pensamento,
E cheio de amor divino;
Perfeito, e reto, e puro, e bom,
Uma cópia, Senhor, do teu.”
143. Quais são os indícios naturais e necessários de um coração puro?
O Salvador diz: “Pelos seus frutos vocês os conhecerão” (Mt 7.16). Os riachos precisam ter a natureza da fonte. O coração dá caráter à vida por uma lei de necessidade. Ele se exala em todas as nossas atividades e dá caráter a todas as nossas energias e ações. Um coração puro se manifestará:
1. Por uma conversa pura e santa. “A boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12.34). Se o coração é reto, a conversa será doce, verdadeira, humilde, celestial e santa.
2. Pela oposição a toda impureza. Um coração puro detesta o pecado e não tem afinidade com ele. Foge dele como um verme fugiria do fogo. Abomina-o e recua diante dele.
3. Por uma vigilância completa. O amor à pureza leva instintivamente à vigilância contra a impureza. A alma santa é levada à vigilância, neste mundo poluído, pelos seus próprios instintos.
4. Pela relutância em se misturar com os frívolos, os vaidosos e os mundanos. Ela não tem afinidade moral com essa companhia, nem gosto por essas convivências. O encanto do mundo foi quebrado. O coração puro tem gostos, motivos, comunhões e prazeres totalmente diferentes dos do homem mundano.
“Que as mentes mundanas busquem o mundo;
Ele não tem encantos para mim;
Outrora eu também admirava as suas ninharias,
Mas a graça me libertou.”
5. Pelo caráter dos seus prazeres. Ela anseia pelo espiritual, pelo santo e pelo divino. Os seus prazeres são puramente religiosos; são buscados na oração, na leitura das Escrituras, nas meditações piedosas e nos atos de dever e de utilidade cristã. Os prazeres de um coração puro são doces, racionais e não se esgotam.
144. Um estado de espírito adequado é necessário para o exercício da fé salvadora?
O dr. Foster responde a esta pergunta da seguinte forma: “A fé, para ser exercida, pressupõe certo estado da mente e dos afetos, e sem eles não pode existir; a sua própria existência os inclui. Isto é, nos termos mais breves, ela supõe o conhecimento do pecado e a tristeza por ele; o conhecimento de que há um Salvador e a disposição de abraçá-lo.”
O bispo Hedding diz: “A fé que é a condição desta inteira santificação só é exercida por um coração arrependido, um coração disposto a separar-se para sempre de todo pecado e decidido a fazer a vontade de Deus em todas as coisas.”
145. Em que sentido a fé é dom de Deus?
A fé é dom de Deus quase no mesmo sentido em que ver, andar e comer são dons de Deus. São dons de Deus num sentido tal que nenhuma dessas coisas pode ser feita sem ele, e, no entanto, ele não faz nenhuma delas por nós. Os objetos da vista e o poder de ver, o chão sobre o qual andar e o poder de andar, o alimento que comemos e o poder de comer, tudo isso vem de Deus, num sentido importante. Mas os atos de ver, de comer e de andar são nossos. Ele não vê, não anda nem come por nós; e, no entanto, não podemos fazer nenhuma dessas coisas sem ele. Assim é com a fé. Deus dá a verdade, que é o objeto da fé, e a graça da fé, ou o poder de crer; mas não crê por ninguém. Embora ele ajude o crente, o ato de crer é puramente do crente e é voluntário, não necessitado.
146. Em que sentido a fé envolve um exercício voluntário da mente?
Na atenção, no assentimento e na submissão. Primeiro, somos voluntários ao dar a devida atenção à verdade e às suas evidências; segundo, somos, em certa medida, voluntários ao dar assentimento e crédito à verdade compreendida; terceiro, somos voluntários na recepção prática da verdade e na submissão às suas exigências, que envolvem confiança e dependência.
O eixo sobre o qual gira a salvação da alma é a sua submissão às exigências da verdade. Somos salvos pela fé na verdade. A verdade exige atenção e submissão. A rejeição inteligente e voluntária das exigências da verdade, percebidas e reconhecidas, constitui o pecado mais terrivelmente condenatório que já se cometeu. A incredulidade é a rejeição voluntária da verdade. A fé é a submissão voluntária às suas exigências. A fé e a incredulidade são os eixos em torno dos quais gira toda felicidade ou desgraça verdadeira.
147. Por que precisamos buscar a santidade, se podemos morrer salvos em estado de justificação?
Um autor competente diz bem: “Os casos em que pessoas justificadas morreriam salvas são aqueles em que não houve tempo para avançar a este estado mais elevado, ou em que o assunto não foi apresentado de modo a dar o senso da sua importância. Os que tiveram tempo concedido e estão convencidos da necessidade de um coração puro não conservarão a sua justificação, a menos que, segundo a sua capacidade, andem na luz que lhes é dada. E aqui, que fique bem entendido, está um ponto de imensa importância.
“Se alguém que tem a evidência da justificação, e está, no entanto, convencido das suas corrupções interiores e da exigência divina de que ame a Deus de todo o coração, se recusasse a atender a essa exigência, embora as provisões e as promessas completas do evangelho lhe tivessem sido plenamente apresentadas, perderia a sua justificação por entristecer o Espírito Santo e por negligenciar esta ‘tão grande salvação’ (Hb 2.3).”
O sr. Fletcher diz: “Enquanto o crente cristão busca com sinceridade a perfeição cristã, está seguro, porque está no caminho do dever; e, se viesse a morrer à meia-noite, antes da meia-noite Deus certamente o levaria à perfeição cristã, ou levaria a perfeição cristã até ele.”
O dr. Dempster diz: “Embora seja verdade que nenhum crente se perde e que ninguém com impureza se salva, é igualmente verdade que ninguém que conserve a sua justificação morre sem a santificação. Apostasia ou pureza é a única alternativa possível depois da regeneração.”
John Fletcher diz que Philip Doddridge e o arcebispo Leighton duvidavam de que tenham a graça salvadora os que não aspiram sinceramente à perfeição. A alma justificada não pode se perder, se não cair; mas corre grande perigo de cair, se a santidade não for buscada constantemente. (Veja a Seção XVII.)
148. Quanto tempo depois da sua conversão William Carvosso buscou a santidade?
O velho Carvosso nos conta que buscou e obteve esta bênção menos de cinco meses depois da sua conversão. A evidência que tinha da graça regeneradora era tão clara e forte que ele afirma: “Nunca tive uma única dúvida da minha aceitação, e o próprio Satanás sabia que era inútil atacar-me por esse lado.”
Logo depois da sua conversão, ele diz: “O que eu queria agora era a santidade interior.” Ele a buscou, a obteve e nos dá um testemunho claro a respeito da pureza da sua alma pelo poder santificador de Cristo. Não se esqueça que ele ouviu a pregação do sr. Wesley durante vinte anos e mil vezes, com lágrimas correndo dos olhos, louvou a Deus por ter enviado o sr. Wesley à Cornualha.
149. Quais são os principais obstáculos à promoção da santidade na igreja?
1. Há muito ensino deficiente e falho a respeito dela. Isso atrasa muito a obra.
2. Há grande falta de testemunhas claras e decididas da santidade no ministério. Não se pode esperar que os leigos vão à frente do ministério em piedade. “Tal sacerdote, tal povo” vale também neste ponto.
3. As extravagâncias e incoerências de alguns que testemunham o amor perfeito muito fizeram para impedir a obra da santidade.
4. A oposição e o preconceito contra ela no coração de muitos professantes mundanos e não santificados são um grande obstáculo ao seu progresso.
Removam-se esses obstáculos e impedimentos do caminho, e a experiência e o testemunho do amor perfeito seriam tão comuns na igreja quanto a falta dele é agora.
150. Qual é o grande obstáculo principal ao exercício da fé simples e despida?
O desejo de possuir os frutos da fé antes de crer. Queremos nos guiar pelos sentidos e sentir primeiro. Muitos se preocupam mais com o sentimento do que com a fé. Queremos ver sinais e prodígios antes de crer. Não temos o direito de esperar o sentimento, que é fruto da fé, antes de crer. Seria o mesmo que querer sentir o gosto da comida antes de comê-la.
Jamais convém fazer dos nossos sentimentos um Salvador. Muitas pessoas gastam o seu tempo em esforços vãos para se forçar a um estado correto de sentimento. Os sentimentos não resultam de um esforço direto para sentir, mas da verdadeira fé. Se quisermos ser salvos, precisamos parar de brigar com os nossos sentimentos e confiar tudo, agora e para sempre, à imutável palavra de Deus, e teremos exatamente o tipo certo e a medida certa de sentimento.
Tradução para o português a partir de J. A. Wood, Perfect Love; or, Plain Things for Those Who Need Them (Filadélfia, Samuel D. Burlock, 1861), conferida com as imagens das páginas; domínio público. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.