Patrística · século V

Agostinho de Hipona, Enquirídio

Manual a Laurêncio sobre a fé, a esperança e o amor

Antes de ler

Agostinho (354-430) nasceu em Tagaste, no norte da África. Professor de retórica em Cartago, Roma e Milão, converteu-se em 386, depois de longa busca que ele mesmo narrou nas Confissões, e foi batizado por Ambrósio. Voltou à África e foi bispo de Hipona de 395 até a morte. Nenhum outro Pai latino marcou tanto a teologia do Ocidente.

O Enquirídio (palavra grega que significa manual, livro que se traz à mão) foi escrito por volta de 421, a pedido de um cristão chamado Laurêncio, que queria um resumo do que se deve crer e esperar e de como se deve amar. Agostinho responde seguindo o Credo e a Oração do Senhor: fala de Deus criador, do mal, do pecado original, da encarnação e da obra do Mediador, da Igreja, do perdão dos pecados, da ressurreição e do juízo, e termina com o amor, que é o cumprimento da lei.

Na lista dos Pais que o ministro do evangelho deve conhecer, no seu Discurso ao clero (1756), John Wesley inclui Agostinho. Wesley o tinha por homem santo e grande mestre da graça, mas rejeitava a sua doutrina da predestinação incondicional, que aparece em vários capítulos deste livro (por exemplo, nos capítulos 98 a 103). O leitor encontrará também o batismo das crianças entendido como regeneração e a ideia de um fogo purificador depois da morte, que mais tarde serviria à doutrina do purgatório. A tradução apresenta o texto tal como é, sem atenuar nem comentar.

A tradução foi feita da versão inglesa de J. F. Shaw (1887), conferida com as páginas impressas; é, portanto, tradução de tradução. Os títulos dos capítulos e o argumento inicial são do tradutor inglês.

Parte 1

Capítulos 1 a 21

O pedido de Laurêncio; a verdadeira sabedoria é a piedade; Deus é cultuado pela fé, pela esperança e pelo amor; o Criador fez boas todas as coisas e o mal é ausência do bem; o erro e a mentira.

Parte 2

Capítulos 22 a 45

A mentira nunca é lícita; a queda dos anjos e de Adão e a corrupção de toda a sua descendência; salvos pela graça, e não pelas obras; a fé é dom de Deus; o Mediador nascido da Virgem; o batismo.

Parte 3

Capítulos 46 a 71

O pecado original e a condenação dos nascidos de Adão; a obra de Cristo e a sua volta; o Espírito Santo e a Igreja; os anjos; o perdão dos pecados e a penitência; a fé sem obras; o fogo de 1Co 3; as esmolas e a oração diária.

Parte 4

Capítulos 72 a 97

Os vários tipos de esmola e o perdão aos inimigos; pecados leves e graves; ignorância e fraqueza; o pecado contra o Espírito Santo; a ressurreição do corpo e as suas questões; a segunda morte; a permissão do mal.

Parte 5

Capítulos 98 a 122

A predestinação e a vontade de Deus; a liberdade antes e depois da queda; o estado das almas antes da ressurreição; o castigo eterno; a esperança e a Oração do Senhor; o amor, fim de todos os mandamentos.

Tradução para o português a partir da versão inglesa de J. F. Shaw (Nicene and Post-Nicene Fathers, 1ª série, vol. 3, Nova York, 1887), conferida com as imagens das páginas; domínio público. O original é latino: esta é, portanto, tradução de tradução. Os títulos dos capítulos e o argumento inicial são do tradutor inglês. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando Agostinho cita o texto bíblico tal como o conhecemos; quando cita pela antiga Bíblia latina, segue-se a redação dele. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.