Manual de aconselhamento pastoral · Capítulo 5 de 14

A visita ao doente terminal, passo a passo

Uma boa visita ao doente terminal é curta, preparada e centrada nele. O pastor chega sabendo o essencial, escuta mais do que fala, cuida do corpo e da alma, envolve a família e sai deixando uma bênção e a data da próxima visita.

Antes da visita

Durante a visita

  1. Bata, identifique-se e peça licença, mesmo com a porta aberta: “Sou o pastor Fulano, da Igreja Metodista Livre. Posso entrar?”. Se a equipe de saúde estiver atendendo, espere do lado de fora.
  2. Cumprimente pelo nome, sente-se e olhe nos olhos. Não se sente na cama nem mexa em aparelhos.
  3. Comece pelo corpo, como ensinava Wesley: “Como o senhor está hoje? Tem sentido dor? Conseguiu dormir?”. Pergunte também se falta alguma coisa em casa, no remédio ou no transporte.
  4. Escute. Siga o assunto que o doente escolher, com as perguntas abertas do capítulo 3.
  5. Pergunte pela alma com delicadeza, usando como guia as perguntas do quadro abaixo. Não é um questionário para aplicar inteiro, mas um mapa para a conversa.
  6. Ofereça a Palavra e a oração: uma leitura curta e uma oração pelo nome, com os pedidos que o doente fez.
  7. Envolva a família presente. Pergunte também como estão os cuidadores, que quase nunca são perguntados.
  8. Despeça-se com uma bênção (Nm 6.24-26) e diga quando voltará. Não prometa o que não poderá cumprir.
  9. Observe o cansaço. Olhos que se fecham, respostas curtas e dor que aumenta são sinal para encerrar, mesmo que a visita tenha acabado de começar.

Perguntas para conhecer a vida espiritual do doente

As perguntas abaixo adaptam dois roteiros usados em hospitais no mundo inteiro: o FICA, de Christina Puchalski e Anna Romer (2000), e o HOPE, de Gowri Anandarajah e Ellen Hight (2001).

O que se quer saber Perguntas possíveis
Fontes de esperança e força “O que tem dado força ao senhor nestes dias?” “O que o ajuda a continuar?”
Fé e crenças “A fé tem sido importante na sua vida?” “Como está a sua relação com Deus agora?”
Importância e influência “A sua fé tem ajudado a enfrentar a doença? Em algum momento ela pesou?”
Comunidade “O senhor faz parte de uma igreja? Quem da igreja o senhor gostaria de ver?”
Práticas pessoais “Que leitura, hino ou oração fazem bem ao senhor?”
Efeitos no cuidado “Há alguma coisa da sua fé que os médicos ou a família precisam saber? Alguma decisão que o preocupa?”

Depois da visita

Cada lugar pede um cuidado

Lugar Cuidados próprios
Enfermaria ou quarto Fale baixo, respeite os outros pacientes e use a cortina quando houver. Ore com voz que o doente ouça, sem fazer um culto no quarto.
UTI As visitas são curtas e seguem regras rígidas. O doente pode estar sedado: fale com ele assim mesmo, leia um salmo perto do ouvido e ore. A maior parte do trabalho pastoral acontece na sala de espera, com a família.
Casa Há mais tempo e mais intimidade. Respeite a rotina, observe o cansaço do cuidador e veja o que a igreja pode assumir. A equipe de atenção domiciliar é parceira.
Casa de repouso Muitos moradores recebem poucas visitas. Hinos antigos e o Pai-Nosso costumam alcançar quem já tem a memória comprometida.

O doente que não pode responder

Um estudo publicado em 2020 na revista Scientific Reports registrou, por eletroencefalograma, respostas do cérebro a sons em pacientes de cuidados paliativos que já não respondiam. A amostra foi pequena e não prova que eles compreendiam, mas confirma o conselho antigo de falar com o doente como quem pode ouvir.

Quando o doente não é cristão ou está afastado

A teologia wesleyana ensina que a graça de Deus vai adiante de nós e já está agindo em toda pessoa, antes que o pastor chegue. Por isto a visita começa com respeito e escuta, não com cobrança. Pergunte pela história de fé da pessoa e ofereça oração.

Quando houver abertura, apresente o evangelho com simplicidade: Deus ama esta pessoa, Cristo morreu e ressuscitou por ela, e ela pode confiar nele agora, com arrependimento e fé, como Wesley orientava no Sermão 98. O malfeitor na cruz mostra que nunca é tarde (Lc 23.42-43). O capítulo 13 traz uma oração simples para quem deseja entregar-se a Cristo.

O evangelho se oferece com mansidão (1Pe 3.15-16), nunca com pressão, nunca usando o medo e nunca diante de um companheiro de quarto que não pediu. Se a pessoa pertence a outra religião e não deseja a visita, respeite; se pedir um líder da sua tradição, ajude a família a encontrá-lo.

Com o crente afastado, a atitude é a do pai que correu ao encontro do filho (Lc 15.20). Acolha sem cobranças, ofereça a confissão e o perdão (1Jo 1.9) e lembre que o Manual prevê a restauração de quem se afastou (§120).

A unção com óleo

“Alguém de vocês está doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor” (Tg 5.14). O texto continua com a promessa de que a oração da fé salvará o enfermo e com o convite à confissão mútua de pecados (Tg 5.15-16). Os discípulos de Jesus já ungiam e curavam muitos enfermos (Mc 6.13).

O óleo não tem poder em si mesmo, e a unção não é sacramento: os sacramentos da igreja são o batismo e a Ceia do Senhor (§123). O óleo é sinal de consagração e da presença do Espírito, e o poder é do Senhor, que pode curar o corpo agora, dar paz e perdão, e trará a cura completa na ressurreição.

Muitos brasileiros associam a unção à “extrema-unção” e se assustam quando o pastor a oferece. Explique que ela é para os enfermos, em qualquer fase da doença, e não um rito de despedida.

  1. A unção acontece a pedido do doente ou da família, pois Tiago diz “chame”.
  2. O pastor explica em poucas palavras o que vai fazer e pergunta se o doente deseja antes um momento a sós para confessar algum peso (Tg 5.16).
  3. Lê Tg 5.14-16.
  4. Toca a testa do doente com um pouco de óleo, dizendo: “Fulano, eu o unjo com óleo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.
  5. Impõe as mãos, com permissão, junto com os irmãos presentes, e ora pela cura, pela paz, pelo perdão e pela força, entregando o resultado a Deus.
  6. Encerra com a bênção.

O texto fala dos presbíteros da igreja; na prática, o pastor conduz a unção, acompanhado de irmãos que oram com ele. O Manual do Pastor traz também um culto de oração pela cura para a congregação reunida.

A Ceia do Senhor junto ao leito

A Ceia é meio de graça pelo qual Deus vivifica, fortalece e confirma a nossa fé (§123), e Wesley insistia em que fosse recebida com frequência (Sermão 101). Para o doente que já não vai ao templo, receber a Ceia em casa ou no hospital é participar da mesa do Senhor com toda a igreja.

Organizador: Bispo Ildo Mello. Texto preparado com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do organizador. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA).