Batalha EspiritualEstudo 6

A Batalha Final: o Grande Dia do Senhor

“O último inimigo a ser destruído é a morte.”1 Coríntios 15.26 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Mt 25.31-46; 1Ts 5.1-11; Ap 20–22

Série Batalha Espiritual — os 12 estudos

1 · Maldição Hereditária2 · Herança Familiar3 · Batalha Inicial4 · Batalha Decisiva5 · O Valente Amarrado6 · A Batalha Final7 · Contra quem Lutamos?8 · Sedução e Disfarce9 · Ataques à Mente e ao Coração10 · Vencendo a Carne11 · Vencendo o Mundo12 · Nossas Armas

Para começar

As perguntas que nos guiam

A humanidade perdeu a primeira batalha; a redenção veio na grande e decisiva batalha da cruz. Mas, por mais devastadora que tenha sido a vitória de Jesus, a guerra segue até o Grande Dia do Senhor.

1

O que acontece na volta de Cristo?

Armagedom, juízo, ressurreição: o Novo Testamento descreve a sequência com clareza.

2

Haverá segunda chance depois?

A parábola das dez virgens responde — e a resposta é solene.

3

O que muda da Decisiva para a Final?

Um contraste ponto a ponto entre o que a cruz já conquistou e o que a Vinda consumará.

Ap 19–20

A última batalha

A guerra segue até o Grande Dia do Senhor, na Segunda Vinda de Cristo, quando Jesus destruirá o anticristo e todos os seus inimigos, naquela que será a última batalha — a batalha do Armagedom (Ap 16.16; 17.14; 18.2, 8, 20-24; 19.11-21; 20.9-10).

Como vimos, o principal motivo de a Batalha Decisiva não ter sido a última diz respeito ao propósito de Deus de salvar mais e mais pessoas: a aparente demora do retorno de Cristo tem a ver com a longanimidade de Deus, que deseja que todos sejam salvos (2Pe 3.9; cf. Jo 12.32). O intervalo entre a Decisiva e a Final deve ser preenchido pela missão evangelizadora da Igreja. O segundo grande motivo do adiamento é conceder aos filhos de Deus a oportunidade de se engajarem na grande batalha contra as trevas, atuando como luz do mundo e sal da terra (Mt 5.14-16). Jesus venceu por nós e quer vencer através de nós — por isso compartilhou conosco a missão de buscar e salvar o perdido. Antes da Segunda Vinda, é necessário que o evangelho do Reino seja pregado a todas as nações — missão delegada aos que já se tornaram filhos de Deus (Mt 24.14; 26.13; At 1.8; 9.15; 22.15).

Pedro ensina que podemos fazer algo para “apressar” a vinda do Senhor (2Pe 3.12), de alguma maneira atrelada à missão da igreja e ao número de convertidos (At 3.19-21; Ap 6.9-11). Em outras palavras: Deus deu uma missão à Igreja e concede tempo para que seja concluída. E sabemos que a Igreja será bem-sucedida, pois o Apocalipse descreve uma multidão inumerável de todos os povos, tribos e nações na presença de Jesus nos céus (Ap 6.9; 7.9-17).

Mt 25.31-46

A última batalha e o Juízo Final

Em Mateus 25.31-46, lemos que, com a Segunda Vinda, se dará o Juízo Final, com a separação entre bodes e ovelhas: os primeiros irão para o castigo eterno; os demais, para a vida eterna.

O Novo Testamento sempre coloca o Juízo Final em seguida à Segunda Vinda (2Ts 1.7-10; Mt 16.27; 25.31-32; Jd 14-15; Ap 22.12) — e o Credo Apostólico estabelece a mesma relação: “de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos”. A Segunda Vinda é também chamada O Dia do Senhor, pois traz consigo o juízo contra todo o mal: “Vocês sabem muito bem que o Dia do Senhor virá como ladrão de noite. Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de modo nenhum escaparão” (1Ts 5.2-3). Paulo ensinou que Jesus retornará “em chama de fogo”, para julgar (2Ts 1.7-10) — como já dissera Isaías: “Porque eis que o Senhor virá em fogo, e os seus carros, como um torvelinho, para tornar a sua ira em furor e a sua repreensão em chamas de fogo. Porque com fogo e com a sua espada entrará o Senhor em juízo com toda a carne” (Is 66.15-16). Jesus não é ajudado por labaredas de fogo — ele retorna à terra em labaredas de fogo!

Diante da Segunda Vinda, os pecadores não têm diante de si a esperança de um reino milenar, mas a terrível expectativa do juízo. Jesus ensinou que a sua vinda precipitaria imediatamente o Juízo Final: “Quando o Filho do Homem vier na sua majestade, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória, e todas as nações serão reunidas na sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas… Então dirá aos que estiverem à sua esquerda: Apartem-se de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos… E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna” (Mt 25.31-46). A parábola das dez virgens ensina que não há esperança de vida nem de salvação para os perdidos após a Segunda Vinda de Jesus (Mt 25.1-13) — ficando descartada a ideia de uma segunda oportunidade após o arrebatamento da Igreja.

Duas perguntas que ajudam a ler Apocalipse 20: por que razão Jesus, após a sua vinda gloriosa, ainda teria de governar sobre inimigos com vara de ferro e esmagar uma absurda rebelião no fim de um milênio? Por que haveria espaço para mais uma rebelião e mais uma guerra após a destruição do último inimigo — a morte — na Segunda Vinda (1Co 15.26)? Por isso entendo que Apocalipse 20 não ensina nada novo nem diferente do que Jesus e os apóstolos deixaram claro: a Primeira Vinda inaugurou o Reino; Jesus reina do trono celestial, pondo um a um os inimigos debaixo dos pés; e o último inimigo, a morte, será destruído na Segunda Vinda — única, pessoal, visível, portentosa, em labaredas de fogo, promovendo a ressurreição geral de todos para o Juízo Final, quando o joio será separado do trigo e os bodes, das ovelhas. Os mortos em Cristo ressuscitarão com corpos incorruptíveis, capacitados para a eternidade na Jerusalém celestial. Não pertencemos à Jerusalém terrena: nossa cidadania é celeste (Fp 3.20)! Aguardamos novos céus e nova terra — a morada que Jesus foi preparar (Jo 14.2-3; 2Pe 3.13). Registro, como sempre, que cristãos fiéis leem o milênio de Apocalipse 20 de modos diferentes; apresento aqui, sem dogmatismo, a leitura amilenista que me convence — e que nenhuma dessas leituras toca a fé essencial na volta gloriosa de Cristo.

Ef 1.21

Contraste entre as conquistas das Batalhas Decisiva e Final

O pensamento bíblico vê o tempo como linear, contrastando a era presente com a que há de vir — a perspectiva de Paulo ao dizer que Cristo está acima de todo principado “não só no presente século, mas também no vindouro” (Ef 1.21).

Esta era presente é caracterizada pelas consequências danosas da derrota humana no Éden e pelos primeiros frutos da vitória de Cristo na cruz. A era vindoura será iniciada pela Segunda Vinda, que vencerá a última batalha e trará a plenitude do Reino, quando Satanás e todos os inimigos de Deus serão destruídos e o mal já não existirá. É possível estabelecer o seguinte contraste:

Satanás: amarrado e preso no abismo na Primeira Vinda (Ap 20.2-3; Mt 12.29; Lc 10.18-19; Is 14.12; Jd 6; 2Pe 2.4; Jo 12.31-32; Mt 16.18-19) — e lançado no lago de fogo na Segunda (Ap 20.10).
O golpe: na Decisiva, Satanás é ferido mortalmente (Cl 2.15) — na Final, será destruído totalmente (Ap 20.10).
A ressurreição: a primeira, espiritual — o novo nascimento —, é promovida na Primeira Vinda (Cl 2.12-13; 3.1-2; Lc 20.38; Ap 20.6; 1Jo 3.14; Rm 6.4, 8; Ef 2.4-6; Jo 5.24-26) — a Final trará a segunda, a do corpo (Ap 20.11-15; Dn 12.2; Ap 1.7; Mt 25.31-46; Jo 5.28-29; Jó 19.25-27; Is 26.19; At 24.14-15; Rm 8.11, 23; Fp 3.20-21; 1Ts 4.16; 2Pe 3.10-12).
O Reino: a Decisiva o inaugurou (Ap 20.1-6; Mt 12.28; 28.18; Lc 17.20-21; Rm 14.17; Cl 1.13; Mt 13; 1Co 15.25-26; Ef 2.6; Hb 2.8; 10.13) — a Final trará a sua plenitude (Ap 21; 2Pe 3.13; 2Co 5.1).
A colheita: a Decisiva concedeu os primeiros frutos (Rm 8.23; 11.16; Tg 1.18; 1Co 13.9-10) — a Final trará a colheita plena (Ap 21–22; 1Co 13.10; Ef 1.10, 14; 2Pe 3.13).
A cura: na Decisiva, Jesus carregou sobre si as nossas dores e enfermidades; nesta vida recebemos porções de alívio e cura como sinal do que virá, pois ainda gememos nesta carne fraca, aspirando à redenção do corpo (Is 53.4-5; Rm 8.23) — só na Final o efeito pleno da cruz será alcançado, com um corpo incorruptível à dor, à doença, à degradação e à morte (Ap 21.4; 1Co 15.54).
O Espírito: a Decisiva trouxe o cumprimento da promessa do derramamento do Espírito Santo (Jl 2.28-29; At 2.16-21) — a Final resultará no cumprimento pleno de todas as promessas (Ap 21–22).
O conflito: a Decisiva garante a vitória, mas não pôs fim ao conflito; no final da era inaugurada pela Primeira Vinda, Satanás é solto por pouco tempo, no período da grande tribulação (Ap 20.7-9; 6.9-11; 7.14; 12.12; 13; 2Ts 2; Dn 12.1-2; Mt 24.21-22) — a Final, no Armagedom, promoverá a vitória concreta e cabal contra todas as forças satânicas (Ap 16.16; 17.14; 19.11-21; 20.9-10).
Os juízos: a Decisiva trouxe juízos preliminares (Ap 8.7–9.18; Mt 23.35-38; 24.2; Lc 19.44) — a Final trará o Juízo Final (Ap 20.11-15).

“Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade” (Ap 20.6). Quem nasceu de novo — quem ressuscitou espiritualmente, recebendo a vida de Cristo — ainda está sujeito à morte física, mas não sofrerá o dano da segunda morte, que é a condenação do inferno: nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, pois já passaram da morte para a vida (Jo 5.24; Rm 8.1).

Do livro

Questões para reflexão

Responda por escrito, diante de Deus.

1. Por que é importante compreender o que já possuímos em Cristo e o que ainda está por vir?
2. Como isto pode nos ajudar a enfrentar os conflitos da vida e o sofrimento humano?
3. Como a esperança na Segunda Vinda de Cristo o ajuda a resistir e superar as aflitivas batalhas da vida?

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

“Como a esperança na Segunda Vinda de Cristo o ajuda a resistir e superar as aflitivas batalhas da vida?” (questão 3 do livro). Medite antes de abrir a resposta sugerida.Ver resposta sugerida
A esperança da Vinda trabalha em nós de três modos. Primeiro, ela relativiza o peso presente: “a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória” (2Co 4.17) — quem sabe que a dor tem prazo de validade sofre a mesma dor com outra postura (Rm 8.18). Segundo, ela garante justiça: nenhuma lágrima ficará sem resposta e nenhum mal, impune ou eterno — o Juiz vem, e “enxugará dos olhos toda lágrima” (Ap 21.4; 2Ts 1.6-7); isso liberta o coração da vingança (Rm 12.19) e sustenta os perseguidos. Terceiro, ela dá tarefa à espera: não aguardamos de braços cruzados, mas apressando o Dia pela missão (2Pe 3.12) — e a ocupação santa é o melhor antídoto contra o desespero. Por isso Paulo chama a esperança de capacete (1Ts 5.8): protege exatamente a cabeça, onde as batalhas costumam ser perdidas. Pratique-a como disciplina: diante de cada aflição, pergunte “o que isto será à luz daquele Dia?” — e descobrirá, com o apóstolo, que os sofrimentos do tempo presente não são dignos de comparação com a glória a ser revelada em nós.
Alguém pergunta: “E o milênio? Vocês não creem que Cristo reinará mil anos na terra depois que voltar?” Como responder com mansidão e firmeza?Ver resposta sugerida
Comece pelo que nos une: todo cristão fiel crê que Cristo voltará pessoal, visível e gloriosamente, que haverá ressurreição e juízo, e que reinará para sempre — isso é o essencial, e nisso não há divergência (At 1.11; Ap 11.15). A diferença está em como ler os mil anos de Ap 20 — e irmãos piedosos leem de modos distintos. A leitura que me convence, sem dogmatismo, é a amilenista: o “amarrar” de Ap 20.2 usa o mesmo verbo de Mt 12.29, e Jo 12.31 diz “agora será expulso”; a primeira ressurreição corresponde ao novo nascimento (Ef 2.4-6; Jo 5.24-25), reservando-se a ressurreição do corpo para a Vinda (Jo 5.28-29); e o Novo Testamento sempre emenda a Vinda ao Juízo (Mt 25.31-32; 2Ts 1.7-10), sem intervalo — como confessa o Credo: “de onde há de vir para julgar”. Some as duas perguntas do estudo: por que uma rebelião depois da destruição do último inimigo (1Co 15.26)? Por que vara de ferro depois da glória? Dito isso, conclua como se deve: essa é uma conversa de família, entre irmãos debruçados sobre o mesmo livro — que ela nunca esfrie o que importa: “Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20).

Para casa e próxima aula

Tarefas

Ler Mt 25 inteiro (as três parábolas da prontidão) e 1Ts 4.13–5.11, anotando o que cada texto pede de quem espera; montar, a partir do contraste do estudo, um quadro pessoal de duas colunas — “já recebi” e “ainda aguardo” —, usando-o como pauta de gratidão e de esperança na oração desta semana.

Estudo 7

A série continua com Contra quem Lutamos? — o mapa do campo de batalha: quem são os nossos inimigos, o que são os principados e potestades, e por que nossa luta não é contra pessoas. O drama de Jó ganhará um estudo próprio mais adiante. Ir para o Estudo 7 →

Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello