Batalha EspiritualEstudo 8

Estratégias de Satanás: Sedução e Disfarce

“…para que Satanás não tenha vantagem sobre nós; porque não ignoramos os seus desígnios.”2 Coríntios 2.11 · ARA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Mt 4.1-11; 2Co 11.1-15; 1Tm 6.6-10

Série Batalha Espiritual — os 12 estudos

1 · Maldição Hereditária2 · Herança Familiar3 · Batalha Inicial4 · Batalha Decisiva5 · O Valente Amarrado6 · A Batalha Final7 · Contra quem Lutamos?8 · Sedução e Disfarce9 · Ataques à Mente e ao Coração10 · Vencendo a Carne11 · Vencendo o Mundo12 · Nossas Armas

Para começar

As perguntas que nos guiam

Mesmo após a conversão, a natureza humana ainda pode ser tentada pelo maligno. Satanás é um adversário astuto e implacável, que busca de todas as formas nos afastar da luz e do caminho da verdade. Conhecer suas linhas de ataque é parte da armadura.

1

Por que o orgulho vem primeiro?

É o pecado mais elementar — “a galinha sob a qual todos os outros são chocados”, como escreveu C. S. Lewis.

2

Como o inimigo se esconde?

Duas táticas opostas: passar despercebido, como se não existisse, ou disfarçar-se em anjo de luz.

3

Quais são as iscas prediletas?

Sexo, ídolos e dinheiro: três seduções antigas que seguem derrubando gente moderna.

Uma leitura que ajuda. Para conhecer as principais linhas de ataque de Satanás, vale a leitura de Cartas de um Diabo a Seu Aprendiz, de C. S. Lewis — uma visão aguda das táticas usadas pelo inimigo para nos desviar do caminho da verdade e da justiça.

Estratégia 1

O orgulho

O orgulho é considerado o primeiro e mais elementar de todos os pecados, pois é a raiz de todos os outros.

O profeta Isaías informa que a soberba foi a principal causa da queda de Satanás (Is 14.11-15): ele se achava melhor que Deus e quis exaltar-se acima das estrelas de Deus — e a soberba o levou à ruína.

O orgulho se manifesta de muitas maneiras e costuma se disfarçar. Podemos nos orgulhar de realizações, dons, talentos ou conhecimento. Quando nos sentimos superiores, quando olhamos os outros de cima e os tratamos com desprezo, arrogância ou crítica constante, o sinal está aceso.

O apóstolo Paulo sofreu tentação nesta área devido às maravilhosas revelações que recebeu; Deus providenciou um espinho na carne para que ele não se ensoberbecesse (2Co 12.7). Homem culto e de posição, Paulo percebeu que tudo isso não tinha valor diante da grandeza de Cristo: “Pois quem é que faz distinção entre você e os outros? E que é que você tem que não tenha recebido? E, se o recebeu, por que se orgulha, como se não o tivesse recebido?” (1Co 4.7). “Mas longe de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo” (Gl 6.14).

Saul, o primeiro rei de Israel, começou humilde e obediente — mas o orgulho foi tomando conta dele, levando-o a agir contra a vontade de Deus. O Espírito se retirou, e um espírito maligno passou a atormentá-lo. O orgulho abriu caminho para a inveja, que gerou ódio e desembocou em perdição. Como Saul, muitos escolhidos por Deus para grandes obras caem na armadilha do orgulho e da autossuficiência.

Fora das Escrituras

“Eu sou o maior!”

Muhammad Ali, lenda do boxe, era conhecido pela habilidade e pela autoconfiança — “Eu sou o maior!”, repetia. Após a aposentadoria, debilitado por uma doença degenerativa, arrependeu-se amargamente de ter se exaltado tanto: “Eu era jovem, bonito, rico e famoso. Mas eu estava errado. A humildade é a chave para a grandeza.”

Testemunho do autor

Quando o orgulho subiu comigo ao púlpito

Eu mesmo já fui vítima do orgulho — e a lição me custou caro.

Até então, eu era muito tímido e humilde, com medo até de fazer uma simples oração em público. Mas, por um conjunto de circunstâncias, me vi alçado à liderança da mocidade da igreja: o presidente, o vice e o diretor espiritual haviam renunciado, e eu, que era apenas o diretor esportivo, acabei me tornando o líder — mesmo sem querer.

Liguei para todos os líderes marcando uma reunião no templo para que retomassem seus postos. Ninguém apareceu. Não desisti e marquei nova reunião na casa de um dos jovens — e a mocidade compareceu em peso. Os pais do anfitrião, pensando que se tratava de um culto, convidaram os vizinhos, e a casa ficou abarrotada. Percebi que precisávamos mudar os planos e fazer um culto evangelístico. Procurei os líderes mais experientes, mas todos disseram que não estavam preparados para pregar.

Foi então que me senti desafiado a pregar a Palavra de Deus pela primeira vez na vida. Um milagre aconteceu: eu, que era tão tímido, preguei com desenvoltura e autoridade espiritual. Os dez visitantes se converteram, e cinco se mantiveram firmes no compromisso de seguir Jesus. Um dos convertidos me convidou para pregar a mesma mensagem aos familiares; mais pessoas se converteram, mais famílias pediram cultos em suas casas. Logo eu pregava duas e até três vezes por semana. A mocidade experimentou um renovo espiritual, fizemos três retiros só naquele ano, e os cultos de sábado à noite ficaram cheios de jovens.

Com o tempo, porém, o orgulho espiritual começou a tomar conta de mim. Eu me sentia mais espiritual do que os outros e achava que já não bastava pregar nas casas e nos sábados: me sentia pronto para o culto principal de domingo. Ofereci-me ao pastor, e ele me concedeu a oportunidade. Os jovens, animados, passaram a orar e jejuar por mim — e eu me via como o estopim do avivamento da igreja.

Quando terminei de “pregar”, eu estava quebrantado. Não tinha coragem de encarar os irmãos a quem tanto havia ofendido. Completamente humilhado, dizia a mim mesmo que nunca mais ousaria pregar. Levei mais de doze meses para ter coragem de voltar ao púlpito.

Não faltaram oração e jejum — o que faltou foi humildade. Obcecado pela ideia de que Deus me usaria poderosamente e de que eu seria a chave do avivamento, esqueci que tudo isso só se alcança pela graça e na humildade. Aprendi uma lição valiosa: sem humildade, tudo o que fazemos é em vão. Tiago nos ensina o caminho: humilhar-se diante de Deus e resistir ao diabo — e Deus nos exaltará no momento certo (Tg 4.6-10).

Estratégia 2

Rotina e distrações do “mundo real”

C. S. Lewis, no primeiro capítulo de suas cartas diabólicas, descreve uma das principais estratégias de Satanás: desviar a atenção das pessoas para que não atentem às realidades espirituais.

Ele conta como um demônio impediu que um ateu, que lia e refletia sobre as grandes questões da existência, viesse a crer em Deus — simplesmente lembrando-lhe de que estava na hora de almoçar: “Basta! Isto é algo importante demais para se meditar num final de manhã…”

De fato, Satanás se vale das nossas necessidades físicas, dos apetites da carne, da rotina do cotidiano e de todos os apelos do “mundo real” para nos afastar de Deus. Quanto mais ocupados e distraídos estamos, menos tempo e espaço deixamos para Deus.

“…mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera.” (Mc 4.19)

A rotina e as distrações podem sufocar a fé e impedir que a Palavra frutifique. Satanás, “o príncipe da potestade do ar” (Ef 2.2), “anda em derredor, como leão que ruge, procurando alguém para devorar” (1Pe 5.8) — sempre à espreita. Mas, em Cristo, podemos vencer (Jo 16.33; Tg 4.7). O caminho é a prioridade certa: “Busquem, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas” (Mt 6.33) — “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé” (Hb 12.2).

Estratégias 3 e 4

Passar despercebido — ou brilhar como anjo de luz

Os demônios adaptam-se às culturas e alternam as táticas conforme o adversário: exibicionistas e espetaculosos onde isso rende; sorrateiros, sutis e discretos onde convém.

O objetivo de Satanás é convencer o mundo de que ele não existe, de que não há forças espirituais malignas em ação. Ele gosta de se disfarçar e passar despercebido, pois sabe que, se ignorarem sua existência e seus intentos, as pessoas baixam a guarda. Por isso os cristãos não devem ignorar seus ardis, sob pena de se tornarem presas fáceis (2Co 2.11). Suas tentações seguem o mesmo padrão sutil: mostram primeiro apenas o lado atraente e sedutor, para só mais tarde revelar as garras.

Como Satanás não consegue afastar todo mundo da religião, ele decidiu infiltrar-se para deturpar a fé. Ele é o pai da mentira e o pai de todas as heresias destruidoras: “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, também entre vocês haverá falsos mestres, os quais introduzirão dissimuladamente heresias destruidoras, chegando até a negar o Soberano Senhor que os resgatou” (2Pe 2.1).

Jesus quer seguidores prudentes, que não se deixem enganar (Mt 10.16), e João pede critério no exame dos que se dizem espirituais: “Amados, não creiam em qualquer espírito; pelo contrário, examinem os espíritos para ver se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora” (1Jo 4.1).

Sobrenatural não é sinônimo de divino. Há muito engano nesta área (Dt 13.1-5; Mt 24.24; At 13.6; Ap 19.20). Nem toda atividade espiritual é boa, pois nem tudo que reluz é ouro: existem lobos disfarçados de ovelhas (Mt 7.15; At 20.29). Não devemos ser crédulos nem incrédulos — mas criteriosos. É tão certo que não devemos apagar o Espírito nem desprezar as profecias (1Ts 5.19-20) quanto é certo que devemos provar tudo (1Ts 5.21; 1Co 14.29). Espíritos malignos inspiram os falsos mestres — e a idolatria é inspirada pelos demônios (1Co 10.20).

Ferramentas

Como discernir entre o verdadeiro e o falso?

Como é importante o dom de discernir os espíritos (1Co 12.10)! Devemos “provar” os líderes espirituais (1Jo 4.1; 1Ts 5.21) e “julgar” as profecias e os ensinos (1Co 14.29). Sete princípios bíblicos:

1. O exame dos ensinos sobre Cristo. O que alguém pensa e diz sobre Cristo revela que espírito há nele (1Jo 4.2). O Espírito Santo veio glorificar a Cristo e conduzir-nos a ele (Jo 15.26; 16.13-15; 1Co 12.3). Os falsos profetas geralmente tropeçam negando a humanidade e/ou a divindade de Jesus (1Jo 2.18-23; 4.1-3): quem nega o Filho não tem o Pai.
2. A perseverança na doutrina dos apóstolos. Os verdadeiramente espirituais não ficam inventando moda nem trazendo doutrinas novas (At 2.42): “Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve… Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro” (1Jo 4.6).
3. Frutos, não dons. Não é pelos dons que se conhece o profeta (Mt 7.22-23), mas pelos frutos: “Assim, pelos seus frutos vocês os conhecerão” (Mt 7.20). Dons podem ser falsificados; frutos, não. Os falsos costumam parecer mais profetas do que os verdadeiros, pois são exibicionistas.
4. O teste do amor. Amar é o testemunho da verdadeira espiritualidade — o termo domina 1Jo 4.7-21. O amor é humilde, não é soberbo, não procura os próprios interesses, não chama a atenção para si (1Co 13). Examine os que se apresentam como profetas à luz destes sinais.
5. A vida, não só o discurso. Os verdadeiramente espirituais não vivem na prática do pecado (1Jo 5.18), pois quem ama a Jesus obedece aos seus mandamentos (Jo 14.21-24; Lc 6.46; Mt 7.23).
6. O bolso. O falso pastor é mercenário (Jo 10.12-13) e mercadeja as coisas espirituais (2Co 2.17). O verdadeiro servo não é “cobiçoso de sórdida ganância” (Tt 1.7; 1Pe 5.2; Jd 11).
7. O cumprimento. A máscara cai quando qualquer profecia não se cumprir (Dt 18.20-22).

As Escrituras enaltecem os cristãos criteriosos na análise dos que se intitulam apóstolos, profetas e pastores (Ap 2.2; At 17.11). Portanto, não tenha receio de testar, provar e julgar os líderes espirituais e seus ensinos à luz das Escrituras, para a segurança de nossas almas.

Estratégias 5, 6 e 7

As iscas antigas: sexo, ídolos e dinheiro

Outra estratégia é seduzir através das paixões da carne — e três iscas atravessam toda a história bíblica.

Tentações sexuais

Os pecados de cunho sexual eram tratados com grande rigor na Lei mosaica, porque se reconhecia neles uma grande estratégia para destruir o povo de Deus (Dt 22.20-29). Foi por isso que o mercenário Balaão instruiu o rei Balaque a enviar mulheres midianitas para seduzirem os homens de Israel — muitos caíram e morreram numa praga: “Eis que estas, por conselho de Balaão, levaram os filhos de Israel a se rebelarem contra o Senhor, no caso de Peor, e houve aquela praga entre a congregação do Senhor” (Nm 31.16).

Marido e mulher cristãos não devem privar um ao outro do sexo, para não dar ocasião aos ataques de Satanás: “Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio” (1Co 7.5).

Idolatria

Idolatria é a prática de adoração a ídolos, valores e ideias em oposição à adoração ao único Deus verdadeiro. Não se refere apenas aos falsos cultos do paganismo: podemos idolatrar pessoas, riquezas, posição, poder, fama, prazeres — qualquer coisa que passemos a amar mais do que a Deus.

Os dois primeiros dos Dez Mandamentos combatem a idolatria (Êx 20.3-5), e o maior de todos os mandamentos também: “Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento” (Mt 22.37) — contra qualquer coisa que se coloque entre nós e o Criador.

A lição de Israel

O Egito que ficou no coração

O povo hebreu saiu da terra do Egito, mas o Egito não saiu do coração daquele povo — que, por conta disso, pereceu no deserto. A idolatria foi a causa principal da queda do Reino do Norte diante da Assíria (722 a.C.) e da queda de Judá diante da Babilônia (586 a.C.), com a destruição de Jerusalém e do Templo. A idolatria afastou o homem de Deus e da Terra Prometida.

A idolatria segue sendo uma grande estratégia de Satanás. Por isso João nos exorta: “Filhinhos, guardem-se dos ídolos” (1Jo 5.21). E a promessa de Deus é purificação completa: “Aspergirei água pura sobre vocês, e ficarão purificados; de todas as impurezas e de todos os ídolos eu os purificarei” (Ez 36.25).

Amor ao dinheiro

Os pecados nos afastam de Deus: “as suas iniquidades fazem separação entre vocês e o seu Deus” (Is 59.2). É exatamente o que Satanás quer — e uma de suas estratégias mais comuns é usar a riqueza e o amor ao dinheiro para isso: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (1Tm 6.10). Quem se apega ao dinheiro torna-se escravo dele e perde a liberdade em Cristo.

O amor ao dinheiro destrói casamentos e famílias, transforma irmãos em inimigos, produz injustiça, pobreza e opressão. Muitos se prostituem por dinheiro; empresários, políticos e funcionários públicos se corrompem por dinheiro; até líderes religiosos se corrompem, como o mercenário Balaão (Jd 11).

“Ninguém pode servir a dois senhores: ou odiará um e amará o outro, ou será dedicado a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e às riquezas.” (Mt 6.24)

Busquemos a Deus em primeiro lugar, confiando em sua providência e sem nos apegar ao dinheiro. Só assim experimentamos a verdadeira liberdade em Cristo — longe das armadilhas de Satanás.

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Reflexão pastoral: o orgulho espiritual raramente se apresenta pelo nome. Que sinais dele você reconhece no próprio coração — e o que fazer? Medite antes de abrir.Ver resposta sugerida
Alguns sinais de alerta, colhidos do próprio estudo: sentir-se mais espiritual do que os irmãos; enxergar-se como trigo e os outros como joio (Mt 13); dispensar a preparação e a dependência, confiando na “unção” como se fosse propriedade sua; irritar-se quando não é reconhecido; transformar o púlpito, o louvor ou o serviço em palco. O tratamento bíblico tem ordem: primeiro lembrar que tudo o que temos foi recebido (1Co 4.7) — dons, oportunidades e até a fé; depois, descer voluntariamente antes que a queda nos desça à força, pois “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6); então, praticar a humildade em atos concretos — servir sem plateia, pedir avaliação sincera a alguém que tenha liberdade de nos corrigir, celebrar o crescimento dos outros (Fp 2.3). E, se a queda já aconteceu, o testemunho deste estudo mostra o caminho: quebrantamento não é o fim do ministério — pode ser o começo dele. Deus exalta no tempo certo os que se humilham debaixo da sua mão (Tg 4.10; 1Pe 5.6).
Um irmão argumenta: “Se houve milagre, profecia ou manifestação espiritual, então é de Deus — quem somos nós para julgar?” Como responder com mansidão?Ver resposta sugerida
Comece concordando com o que há de certo: não devemos apagar o Espírito nem desprezar as profecias (1Ts 5.19-20) — o erro do cético incrédulo é tão real quanto o do crédulo ingênuo. Mas mostre que é a própria Escritura que ordena o exame: “julguem todas as coisas, retenham o que é bom” (1Ts 5.21); “examinem os espíritos” (1Jo 4.1); “julguem” as profecias (1Co 14.29). Jesus avisou que falsos cristos e falsos profetas fariam “grandes sinais e prodígios” (Mt 24.24), e que muitos dirão “em teu nome não expulsamos demônios e não fizemos muitos milagres?” — e ouvirão “nunca os conheci” (Mt 7.22-23). Logo, sobrenatural não é sinônimo de divino: o critério não é o espetáculo, mas o ensino sobre Cristo (1Jo 4.2), a fidelidade à doutrina dos apóstolos (At 2.42), os frutos (Mt 7.20), o amor (1Jo 4.7-21), a vida santa (1Jo 5.18), o desapego do dinheiro (1Pe 5.2) e o cumprimento do que se anuncia (Dt 18.22). Julgar ensinos não é soberba — é obediência; os bereanos foram elogiados justamente por conferir tudo nas Escrituras (At 17.11).

Para casa e próximo estudo

Tarefas

Reler Mt 4.1-11 observando como cada tentação mostra primeiro o lado atraente. Depois, aplicar os sete critérios de discernimento a um pregador ou ensino que você acompanha — por escrito, com as referências ao lado. Por fim, identificar qual das iscas do estudo (orgulho, distração, sexo, ídolos, dinheiro) mais ronda a sua vida e levá-la à oração diária desta semana.

Estudo 9

A série continua com a segunda parte das estratégias: os ataques à mente e ao coração — do medo ao “se tu és”. Ir para o Estudo 9 →

Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Do livro do Bispo Ildo Mello · Editoras No Cenáculo e Filhos da Graça