Batalha EspiritualEstudo 5

O Valente Amarrado: o Reino entre as Vindas

“Chegou a hora de ser julgado este mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo.”João 12.31 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Mt 12.22-29; Mt 13; Rm 8.18-25

Série Batalha Espiritual — os 12 estudos

1 · Maldição Hereditária2 · Herança Familiar3 · Batalha Inicial4 · Batalha Decisiva5 · O Valente Amarrado6 · A Batalha Final7 · Contra quem Lutamos?8 · Sedução e Disfarce9 · Ataques à Mente e ao Coração10 · Vencendo a Carne11 · Vencendo o Mundo12 · Nossas Armas

Para começar

As perguntas que nos guiam

Antes da última batalha, precisamos entender os abalos que a Primeira Vinda de Cristo provocou no domínio das trevas — e a autoridade espiritual conferida aos que são de Cristo, que atuam como bons e bem armados soldados nesta guerra (2Tm 2.3-4; Ef 6.11; 2Co 10.4).

1

O que significa “amarrar o valente”?

Jesus usou a expressão para explicar suas expulsões de demônios (Mt 12.29) — e o Apocalipse usa o mesmo verbo (Ap 20.2).

2

Se Satanás está preso, por que o mal cresce?

O joio cresce junto com o trigo (Mt 13.30): o realismo bíblico evita o ufanismo e a acomodação.

3

O que já podemos experimentar da vitória?

As primícias: os primeiros frutos de uma colheita cuja plenitude ainda vem.

Mt 12.22-29

A Primeira Vinda amarrou Satanás

Jesus mesmo disse que expulsar demônios pelo Espírito de Deus era sinal claro de que o Reino já havia chegado — pois o “valente”, clara referência a Satanás, havia sido primeiramente amarrado, sem poder impedir que sua casa fosse saqueada (Mt 12.28-29).

É interessante notar que o mesmo termo grego usado em Mateus 12 para o aprisionamento do valente (o verbo deo, “amarrar”, em Mt 12.29: dese) é usado em Apocalipse 20 para o aprisionamento de Satanás (Ap 20.2). Este aprisionamento deve ser entendido em termos da restrição do seu poder: ele não pode mais enganar as nações como fazia até a Primeira Vinda de Cristo (Ap 20.3). Amarrado, não pode impedir o avanço de Cristo e da sua Igreja — as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16.18; 24.14; 28.18-20; Mc 13.10; At 1.8). Pois Jesus veio ao mundo para desfazer as obras do diabo (1Jo 3.8).

Jesus deixou claro que sua tarefa messiânica incluía mais do que evangelização, envolvendo também a libertação dos cativos e oprimidos, com restauração da saúde e da justiça: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18-19). A Igreja, Corpo de Cristo, segue na mesma missão, sem poder ser definitivamente impedida pelas forças do inferno: “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18); “a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela” (Jo 1.5). Jesus é o Rei — e tem todo o poder no céu e na terra (Mt 28.18).

Lucas 10.17-24 — Satanás caindo do céu. No mesmo contexto de expulsão de demônios, os discípulos voltam alegres por exercerem autoridade sobre os espíritos. Jesus descreve a perda de poder de Satanás com outra imagem: “Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago” (Lc 10.18) — sinal evidente de que seu poderio fora tremendamente abalado. E confirma: “Tudo me foi entregue por meu Pai” (Lc 10.22), concedendo aos discípulos “autoridade… sobre todo o poder do inimigo” (Lc 10.19).
João 12.31-32 — “Agora será expulso”. A queda e o aprisionamento de Satanás estão diretamente associados à atividade missionária de Jesus e dos seus: “Chegou a hora de ser julgado este mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim”. Jesus não disse que a expulsão se daria após a Segunda Vinda — é enfático no advérbio “agora”: há um sentido real em que Satanás foi expulso e amarrado já nesta era, por ocasião da Primeira Vinda, quando não só judeus, mas gentios de todas as nações passaram a ser atraídos a Cristo.
2Pe 2.4 e Judas 6 — presos em trevas. Pedro fala dos anjos que pecaram como já precipitados no inferno, “entregues a abismos de trevas, reservados para o juízo”; e Judas, dos que abandonaram seu domicílio, “guardados sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia”. Repare: é a mesma linguagem de Apocalipse 20 — tratada como algo passado, não futuro.

Conclusão do bloco: o ensino do Novo Testamento é que Jesus amarrou Satanás e inaugurou o seu Reino na Primeira Vinda. Agora, “é necessário que ele reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo dos seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte” (1Co 15.25-26) — e a morte cai na Segunda Vinda, quando “a morte foi tragada pela vitória” (1Co 15.54). Satanás recebeu um golpe mortal (Gn 3.15; Cl 2.15); aos discípulos foi dada autoridade sobre todo o poder do inimigo (Lc 10.19); os cristãos foram comissionados na autoridade daquele que tem todo o poder no céu e na terra (Mt 28.18). As portas do inferno estão destinadas a cair, uma após a outra (Mt 16.18); a Igreja será bem-sucedida em testemunhar a todas as nações antes do fim (Mc 13.10), pois nos céus haverá uma multidão incontável de todos os povos (Ap 6.9; 7.9) — e “a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Is 11.9).

Mt 13

A natureza do Reino: a guerra ainda não acabou

Todos esses textos devem nos deixar bastante confiantes. Mas há outros ensinos bíblicos que apontam para um avanço do mal — e não devemos privilegiar um texto em detrimento do outro: é preciso combinar ambos, sem descartar nenhum.

Isto tem a ver com a natureza paradoxal do Reino de Deus. O assunto não é simples — por isso Jesus falou mais sobre ele do que sobre qualquer outro tema; mesmo após a ressurreição, durante quarenta dias, esteve ensinando os discípulos “acerca do Reino de Deus” (At 1.3). O Reino foi inaugurado na Primeira Vinda: “É chegado o Reino de Deus” (Mt 12.28); e Jesus falou dele em termos espirituais e em ação já na presente era: “O Reino de Deus não vem com visível aparência… porque o Reino de Deus está entre vocês” (Lc 17.20-21).

O joio cresce com o trigo (Mt 13.24-30). Na parábola, paralelamente ao crescimento do trigo, observa-se também o crescimento do joio. As portas do inferno não prevalecem contra o avanço da Igreja — mas isso não significa que estejam inoperantes. O realismo bíblico evita dois extremos perigosos: o ufanismo, de um lado; e, do outro, a acomodação dos que adiam a inauguração do Reino para depois da Segunda Vinda.
A mostarda e os pássaros (Mt 13.31-32). O Reino é como o grão de mostarda: pequena semente que cresce até se tornar a maior das hortaliças. Mas a parábola não para aí: fala dos pássaros que vieram aninhar-se sob a folhagem. Os pássaros, nestas parábolas do Reino, representam o maligno (cf. Mt 13.4, 19), movidos por interesses mesquinhos: querem destruir a semente quando pequena — e associar-se a ela quando vira árvore frondosa, para tirar partido da sombra e dos frutos. A história da igreja mostra exatamente isso: terrivelmente perseguida quando era um pequeno grupo; e, quando se tornou grande, os “pássaros” buscaram associar-se a ela. Quanto joio não há no meio do trigo hoje!
A rede (Mt 13.47-50). O Reino é como a rede lançada ao mar, que apanha peixes de toda espécie, bons e maus. Tal é a natureza paradoxal e complexa do Reino — que muitos, por isso, ignoram e desprezam. Mas não se despreze o poder do pequeno grão de mostarda: em seu DNA está o destino de crescer, com a missão de ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-16).

Satanás está amarrado no sentido de não poder mais enganar as nações como fazia até o nascimento do Cristo (Ap 20.1-3). “A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram” (Jo 1.5). Estar amarrado não significa que ele não continue exercendo certo poder e influência neste mundo; significa que foi ferido mortalmente pelo nascimento, vida, morte e ressurreição do legítimo Rei, que se manifestou para destruir as obras do diabo (1Jo 3.8) — de modo que as portas do inferno não têm poder para impedir o sucesso da missão da Igreja de resgatar vidas, fazer discípulos de todas as nações e promover a justiça e o bem. Ele venceu na cruz (Cl 2.13-15) — e a cruz deve ser também característica marcante dos seus seguidores (Lc 9.23). O poder se aperfeiçoa na fraqueza (2Co 12.9); o tesouro foi posto em vasos de barro (2Co 4.7).

Recebemos uma grande missão: fomos enviados a este mundo assim como Jesus o foi (Jo 20.21). E sabemos “como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder: ele andou por toda parte fazendo o bem e curando todos os oprimidos do diabo, porque Deus estava com ele” (At 10.38). Jesus não estava preocupado apenas com as almas: mostrou preocupação significativa com a pessoa como um todo. Seu ministério de compaixão não foi isca para pescar almas — boa parte dos que foram curados acabou não o seguindo; alguns nem voltaram para agradecer (Lc 17.17-18). Isso mostra que o ministério de compaixão tem valor em si mesmo, porque pertence à natureza real do Reino de Deus, que é amor — e é da natureza deste amor fazer o bem. E a Igreja será bem-sucedida na missão de pregar o evangelho a todas as nações antes do fim (Mt 24.14): porque todo o poder foi dado a Jesus, que garantiu estar sempre conosco (Mt 28.18-20); porque receberíamos o poder do Espírito para testemunhar (At 1.8); porque as portas do inferno não prevalecerão (Mt 16.18); e porque Jesus cuidou de amarrar o valente e concedeu aos discípulos autoridade sobre os demônios e sobre todo o poder do inimigo (Mt 12.28; Lc 10.18-19).

Nm 28.26

Um modelo de vitória: a Festa das Primícias

A grande vitória de Cristo na cruz nos garante uma colheita completa de bênçãos — cujos primeiros frutos já podem ser experimentados na era presente.

Isso lembra a Festa das Primícias (Nm 28.26), também conhecida como Festa das Colheitas, pois marcava o início da colheita em Israel — motivo de grande festa! Ela também era chamada de Pentecostes, por acontecer cinquenta dias após a Páscoa. E é significativo o paralelo entre a Páscoa e o Pentecostes judaicos e a Páscoa e o Pentecostes cristãos: a morte de Cristo coincidiu com a celebração da Páscoa; o corpo de Cristo serviu como semente plantada que germinou e produziu os primeiros frutos de uma grande colheita, cuja plenitude ainda está por vir (Jo 12.24; 1Co 15.20, 23). Ali mesmo nasceu a Igreja, pelo derramamento do Espírito Santo (At 2.1-4). Paulo afirma que nós, os cristãos, já possuímos as primícias do Espírito (Rm 8.23); no Apocalipse, Deus declara que está fazendo novas todas as coisas (Ap 21.5) — e os redimidos são chamados “primícias” dele (Ap 14.4), os primeiros a experimentar o poder renovador de Jesus, tornando-se novas criaturas.

O inventário

Dez bênçãos da era vindoura que já entraram na presente

Como resultado da grande vitória de Cristo na cruz, muitas bênçãos do porvir já invadiram o hoje:

1. “Os fins dos séculos já chegaram sobre nós” (1Co 10.11): os cristãos vivem na presente era, já impactados pela era vindoura.
2. O Reino de Deus, cuja plenitude pertence à era vindoura (Mt 25.34; 1Co 15.50), já invadiu a presente era, antecipando suas bênçãos (Mt 12.28; Lc 17.20-21; Cl 1.13; Rm 14.17).
3. Já somos novas criaturas (2Co 5.17): a nova criação já é realidade nos que possuem as primícias do Espírito (Rm 8.23), que por isso já participam da natureza divina (2Pe 1.4) e receberam o poder de serem feitos filhos de Deus (Jo 1.12).
4. Já fomos espiritualmente ressuscitados e estamos assentados com Cristo, acima de todo principado e potestade (Ef 2.6; cf. 1.21).
5. A salvação que pertence ao futuro (Rm 13.11; 1Pe 1.5, 9) já pode ser experimentada no presente (2Co 6.2; Ef 2.8).
6. A vida eterna, que pertence à era vindoura, é dádiva que já nos foi dada (Jo 3.36; 6.47).
7. A justificação — ser inocentado no juízo final — já é graciosamente oferecida: nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (Rm 3.24; 5.1; 8.1).
8. Já fomos libertos do domínio da presente era má (Gl 1.4; Cl 1.13).
9. Já provamos os poderes da era vindoura (Hb 6.5).
10. Já possuímos cidadania celeste (Fp 3.20): por isso não devemos nos conformar com esta era, mas viver de modo digno da nossa grande vocação, honrando o nome do nosso Pai (Rm 12.1-2; 2Co 6.2; Ef 4.1).

1Co 13.13

A tensão da esperança: amostra não é plenitude

O que temos recebido representa uma amostra das bênçãos futuras. A plenitude ainda está por vir — e a esperança segue sendo uma das três principais virtudes cristãs (1Co 13.13). Se esperamos algo, é porque ainda não o recebemos integralmente.

Vejamos a tensão. Já ressuscitamos espiritualmente — mas ainda esperamos a ressurreição física. Já somos novas criaturas — mas seguimos habitando uma tenda frágil que se deteriora; por isso suspiramos por um corpo novo, condizente com a nova condição (2Co 5.1-4). Jesus já carregou sobre si as nossas dores e enfermidades, e pelas suas pisaduras fomos sarados (Is 53.4-5) — mas ainda gememos, aspirando à redenção do nosso corpo, sujeito à dor, à enfermidade e à morte (Rm 8.23; 1Co 15.54). Estamos assentados com Cristo, acima de todo principado — mas nossos pés ainda pisam esta terra, sujeitos às tentações e aflições. Temos muito ânimo, porque Jesus venceu o mundo — mas ainda teremos aflições no mundo (Jo 16.33). Em Cristo somos mais que vencedores — mas há muitas batalhas a vencer. Nada disso deve ser motivo de desânimo, e sim de paciente esperança. Paulo até exultava diante deste “dilema” cristão: “como desconhecidos, porém bem conhecidos; como se estivéssemos morrendo, e eis que vivemos; como castigados, porém não mortos; entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo” (2Co 6.9-10).

Concluindo

Sob a sombra da cruz, à luz da ressurreição

Na atual era, o cristão vive sob a sombra da cruz e à luz da ressurreição: a cruz representa a nossa jornada nesta era; a ressurreição, a bendita esperança que se concretizará na vindoura.

E, em boa medida, o poder da ressurreição já está disponível: fomos ressuscitados espiritualmente e estamos assentados com Cristo acima de todo principado e potestade (Ef 2.6; 1.21). Os cristãos vivem em duas eras simultaneamente: desfrutam dos poderes da era vindoura enquanto vivem no fim desta era. Exercemos nosso papel como sal da terra e luz do mundo, embaixadores do Reino, testemunhas de Cristo e pregadores do evangelho — soldados de Cristo que marcham contra as cidadelas do inferno, investidos da autoridade do Senhor dos Exércitos. Segundo Pedro, a Segunda Vinda está relacionada à realização dos propósitos de Deus vinculados à missão do Espírito e da Igreja: é nossa responsabilidade “apressar” a vinda do Senhor (2Pe 3.12). O período antes do fim não é espera infrutífera, mas tempo de cumprir a missão. A semente do Reino já foi plantada, e há muito que podemos e devemos fazer para a expansão do Reino de Deus aqui na terra. Enquanto aguardamos o Grande Dia — quando ele virá sobre as nuvens, com grande poder e glória —, devemos nos preparar e agir para vencer.

Do livro

Questões para reflexão

Dois blocos de perguntas encerram estas seções no livro. Responda por escrito, diante de Deus.

1. O que Jesus quis dizer com as expressões que indicam o aprisionamento e a expulsão de Satanás? (Mt 12.28-29; Ap 20.1-3; Jo 12.31-32; Lc 10.17-24)
2. E o que isto significa para nós? Que relevância tem para as batalhas que travamos contra o mal e para a nossa missão no mundo?
3. Você compreendeu que existe uma dimensão eterna na batalha espiritual travada por cada cristão e cristã hoje. A vitória de cada um, individual e comunitariamente, significa um dia a menos para a volta de Cristo e um avanço real da presença de Deus na vida das pessoas e das sociedades, para a salvação. Faça um compromisso com Deus de se empenhar, como soldado de Cristo, em lutar a real batalha espiritual — uma vida entregue aos pés da cruz, comprometida com os valores do Reino. Que falta para que isso seja realidade em sua vida?
4. Como a igreja pode assumir hoje seu posicionamento na luta contra as hostes espirituais do mal?
5. Que ações concretas demonstram a vitória da igreja neste tempo e no futuro?
6. De que maneiras a igreja se apropria da autoridade de Cristo para vencer na batalha espiritual e espalhar o Reino de Deus sobre a terra?
7. De que maneira o caminho do discipulado pode ajudar as pessoas a vencer na batalha espiritual em nível pessoal, comunitário (família da fé) e social (sociedade em geral)?

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

“O que Jesus quis dizer com o aprisionamento e a expulsão de Satanás — e que relevância isto tem para as nossas batalhas e a nossa missão?” (questões 1 e 2 do livro). Medite antes de abrir.Ver resposta sugerida
Amarrar o valente (Mt 12.29) não significa que Satanás ficou inativo — significa que ficou impotente para o essencial: ele não pode mais impedir o saque da sua casa nem enganar as nações como antes (Ap 20.3). Os quatro textos convergem: o mesmo verbo “amarrar” de Mt 12 reaparece em Ap 20.2; a queda como relâmpago (Lc 10.18) acompanha a autoridade dada aos discípulos (Lc 10.19); e o “agora será expulso” de Jo 12.31 está colado ao “atrairei todos a mim” — a prisão do enganador é a liberação da missão. A relevância prática é dupla. Para as batalhas: lutamos contra um inimigo já mortalmente ferido, cujo alcance é restrito; nossa autoridade não vem da nossa força, mas do Rei que tem todo o poder (Mt 28.18; Lc 10.19) — resistimos firmes na fé, sem pânico nem fascínio (1Pe 5.8-9; Tg 4.7). Para a missão: se as portas do inferno não prevalecerão (Mt 16.18), então evangelizar, discipular, libertar e fazer o bem não são tentativas de resultado incerto — são o saque da casa do valente já amarrado. A igreja tímida esqueceu a prisão do inimigo; a igreja triunfalista esqueceu que o joio ainda cresce. O caminho é o do estudo: à sombra da cruz, à luz da ressurreição.
Um irmão enfermo pergunta: “Se Jesus já levou minhas enfermidades (Is 53.4-5), por que não fui curado quando orei com fé?” Como responder à luz das primícias?Ver resposta sugerida
Comece afirmando o que é verdade e ele precisa ouvir: a cruz comprou, sim, a cura integral dele — Is 53 está garantido e nenhuma promessa cairá no chão. A questão não é “se”, é “quando e quanto, nesta era”. O modelo das primícias responde: recebemos agora os primeiros frutos (Rm 8.23) — perdão pleno, vida eterna, novo nascimento, e também curas reais, que Deus concede como sinais e amostras; mas a colheita plena do corpo — incorruptível, sem dor, sem morte — pertence à ressurreição (1Co 15.54; Ap 21.4). Por isso o mesmo Paulo que curava enfermos deixou Trófimo doente (2Tm 4.20), recomendou vinho a Timóteo (1Tm 5.23) e ouviu do Senhor, sobre seu próprio espinho, “a minha graça te basta” (2Co 12.9). Orar com fé não é decretar a antecipação da colheita; é pedir com ousadia (Tg 5.14-15), receber com gratidão o que vier como primícia e, quando a cura não vem, gemer com esperança (Rm 8.23-25) — sabendo que a resposta definitiva já tem data marcada: “o que é mortal será absorvido pela vida” (2Co 5.4). A fé dele não falhou; a plenitude é que ainda não chegou — e chegará.

Para casa e próxima aula

Tarefas

Ler Mt 12.22-29, Lc 10.17-24, Jo 12.31-32, 2Pe 2.4 e Jd 6, anotando o que cada texto afirma sobre a situação atual de Satanás; conferir na sua Bíblia as dez bênçãos do inventário, marcando as referências; e escrever, a partir da questão 3, o seu compromisso de soldado de Cristo — datado e assinado.

Estudo 6

A Batalha Final: o Armagedom, o Juízo, a ressurreição do corpo e o contraste completo entre as conquistas da Decisiva e da Final. Ir para o Estudo 6 →

Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello