O que significa “amarrar o valente”?
Jesus usou a expressão para explicar suas expulsões de demônios (Mt 12.29) — e o Apocalipse usa o mesmo verbo (Ap 20.2).
“Chegou a hora de ser julgado este mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo.”João 12.31 · NAA
Série Batalha Espiritual — os 12 estudos
Para começar
Antes da última batalha, precisamos entender os abalos que a Primeira Vinda de Cristo provocou no domínio das trevas — e a autoridade espiritual conferida aos que são de Cristo, que atuam como bons e bem armados soldados nesta guerra (2Tm 2.3-4; Ef 6.11; 2Co 10.4).
Jesus usou a expressão para explicar suas expulsões de demônios (Mt 12.29) — e o Apocalipse usa o mesmo verbo (Ap 20.2).
O joio cresce junto com o trigo (Mt 13.30): o realismo bíblico evita o ufanismo e a acomodação.
As primícias: os primeiros frutos de uma colheita cuja plenitude ainda vem.
Mt 12.22-29
Jesus mesmo disse que expulsar demônios pelo Espírito de Deus era sinal claro de que o Reino já havia chegado — pois o “valente”, clara referência a Satanás, havia sido primeiramente amarrado, sem poder impedir que sua casa fosse saqueada (Mt 12.28-29).
É interessante notar que o mesmo termo grego usado em Mateus 12 para o aprisionamento do valente (o verbo deo, “amarrar”, em Mt 12.29: dese) é usado em Apocalipse 20 para o aprisionamento de Satanás (Ap 20.2). Este aprisionamento deve ser entendido em termos da restrição do seu poder: ele não pode mais enganar as nações como fazia até a Primeira Vinda de Cristo (Ap 20.3). Amarrado, não pode impedir o avanço de Cristo e da sua Igreja — as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16.18; 24.14; 28.18-20; Mc 13.10; At 1.8). Pois Jesus veio ao mundo para desfazer as obras do diabo (1Jo 3.8).
Jesus deixou claro que sua tarefa messiânica incluía mais do que evangelização, envolvendo também a libertação dos cativos e oprimidos, com restauração da saúde e da justiça: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18-19). A Igreja, Corpo de Cristo, segue na mesma missão, sem poder ser definitivamente impedida pelas forças do inferno: “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18); “a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela” (Jo 1.5). Jesus é o Rei — e tem todo o poder no céu e na terra (Mt 28.18).
Conclusão do bloco: o ensino do Novo Testamento é que Jesus amarrou Satanás e inaugurou o seu Reino na Primeira Vinda. Agora, “é necessário que ele reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo dos seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte” (1Co 15.25-26) — e a morte cai na Segunda Vinda, quando “a morte foi tragada pela vitória” (1Co 15.54). Satanás recebeu um golpe mortal (Gn 3.15; Cl 2.15); aos discípulos foi dada autoridade sobre todo o poder do inimigo (Lc 10.19); os cristãos foram comissionados na autoridade daquele que tem todo o poder no céu e na terra (Mt 28.18). As portas do inferno estão destinadas a cair, uma após a outra (Mt 16.18); a Igreja será bem-sucedida em testemunhar a todas as nações antes do fim (Mc 13.10), pois nos céus haverá uma multidão incontável de todos os povos (Ap 6.9; 7.9) — e “a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Is 11.9).
Mt 13
Todos esses textos devem nos deixar bastante confiantes. Mas há outros ensinos bíblicos que apontam para um avanço do mal — e não devemos privilegiar um texto em detrimento do outro: é preciso combinar ambos, sem descartar nenhum.
Isto tem a ver com a natureza paradoxal do Reino de Deus. O assunto não é simples — por isso Jesus falou mais sobre ele do que sobre qualquer outro tema; mesmo após a ressurreição, durante quarenta dias, esteve ensinando os discípulos “acerca do Reino de Deus” (At 1.3). O Reino foi inaugurado na Primeira Vinda: “É chegado o Reino de Deus” (Mt 12.28); e Jesus falou dele em termos espirituais e em ação já na presente era: “O Reino de Deus não vem com visível aparência… porque o Reino de Deus está entre vocês” (Lc 17.20-21).
Satanás está amarrado no sentido de não poder mais enganar as nações como fazia até o nascimento do Cristo (Ap 20.1-3). “A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram” (Jo 1.5). Estar amarrado não significa que ele não continue exercendo certo poder e influência neste mundo; significa que foi ferido mortalmente pelo nascimento, vida, morte e ressurreição do legítimo Rei, que se manifestou para destruir as obras do diabo (1Jo 3.8) — de modo que as portas do inferno não têm poder para impedir o sucesso da missão da Igreja de resgatar vidas, fazer discípulos de todas as nações e promover a justiça e o bem. Ele venceu na cruz (Cl 2.13-15) — e a cruz deve ser também característica marcante dos seus seguidores (Lc 9.23). O poder se aperfeiçoa na fraqueza (2Co 12.9); o tesouro foi posto em vasos de barro (2Co 4.7).
Recebemos uma grande missão: fomos enviados a este mundo assim como Jesus o foi (Jo 20.21). E sabemos “como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder: ele andou por toda parte fazendo o bem e curando todos os oprimidos do diabo, porque Deus estava com ele” (At 10.38). Jesus não estava preocupado apenas com as almas: mostrou preocupação significativa com a pessoa como um todo. Seu ministério de compaixão não foi isca para pescar almas — boa parte dos que foram curados acabou não o seguindo; alguns nem voltaram para agradecer (Lc 17.17-18). Isso mostra que o ministério de compaixão tem valor em si mesmo, porque pertence à natureza real do Reino de Deus, que é amor — e é da natureza deste amor fazer o bem. E a Igreja será bem-sucedida na missão de pregar o evangelho a todas as nações antes do fim (Mt 24.14): porque todo o poder foi dado a Jesus, que garantiu estar sempre conosco (Mt 28.18-20); porque receberíamos o poder do Espírito para testemunhar (At 1.8); porque as portas do inferno não prevalecerão (Mt 16.18); e porque Jesus cuidou de amarrar o valente e concedeu aos discípulos autoridade sobre os demônios e sobre todo o poder do inimigo (Mt 12.28; Lc 10.18-19).
Nm 28.26
A grande vitória de Cristo na cruz nos garante uma colheita completa de bênçãos — cujos primeiros frutos já podem ser experimentados na era presente.
Isso lembra a Festa das Primícias (Nm 28.26), também conhecida como Festa das Colheitas, pois marcava o início da colheita em Israel — motivo de grande festa! Ela também era chamada de Pentecostes, por acontecer cinquenta dias após a Páscoa. E é significativo o paralelo entre a Páscoa e o Pentecostes judaicos e a Páscoa e o Pentecostes cristãos: a morte de Cristo coincidiu com a celebração da Páscoa; o corpo de Cristo serviu como semente plantada que germinou e produziu os primeiros frutos de uma grande colheita, cuja plenitude ainda está por vir (Jo 12.24; 1Co 15.20, 23). Ali mesmo nasceu a Igreja, pelo derramamento do Espírito Santo (At 2.1-4). Paulo afirma que nós, os cristãos, já possuímos as primícias do Espírito (Rm 8.23); no Apocalipse, Deus declara que está fazendo novas todas as coisas (Ap 21.5) — e os redimidos são chamados “primícias” dele (Ap 14.4), os primeiros a experimentar o poder renovador de Jesus, tornando-se novas criaturas.
O inventário
Como resultado da grande vitória de Cristo na cruz, muitas bênçãos do porvir já invadiram o hoje:
1Co 13.13
O que temos recebido representa uma amostra das bênçãos futuras. A plenitude ainda está por vir — e a esperança segue sendo uma das três principais virtudes cristãs (1Co 13.13). Se esperamos algo, é porque ainda não o recebemos integralmente.
Vejamos a tensão. Já ressuscitamos espiritualmente — mas ainda esperamos a ressurreição física. Já somos novas criaturas — mas seguimos habitando uma tenda frágil que se deteriora; por isso suspiramos por um corpo novo, condizente com a nova condição (2Co 5.1-4). Jesus já carregou sobre si as nossas dores e enfermidades, e pelas suas pisaduras fomos sarados (Is 53.4-5) — mas ainda gememos, aspirando à redenção do nosso corpo, sujeito à dor, à enfermidade e à morte (Rm 8.23; 1Co 15.54). Estamos assentados com Cristo, acima de todo principado — mas nossos pés ainda pisam esta terra, sujeitos às tentações e aflições. Temos muito ânimo, porque Jesus venceu o mundo — mas ainda teremos aflições no mundo (Jo 16.33). Em Cristo somos mais que vencedores — mas há muitas batalhas a vencer. Nada disso deve ser motivo de desânimo, e sim de paciente esperança. Paulo até exultava diante deste “dilema” cristão: “como desconhecidos, porém bem conhecidos; como se estivéssemos morrendo, e eis que vivemos; como castigados, porém não mortos; entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo” (2Co 6.9-10).
Concluindo
Na atual era, o cristão vive sob a sombra da cruz e à luz da ressurreição: a cruz representa a nossa jornada nesta era; a ressurreição, a bendita esperança que se concretizará na vindoura.
E, em boa medida, o poder da ressurreição já está disponível: fomos ressuscitados espiritualmente e estamos assentados com Cristo acima de todo principado e potestade (Ef 2.6; 1.21). Os cristãos vivem em duas eras simultaneamente: desfrutam dos poderes da era vindoura enquanto vivem no fim desta era. Exercemos nosso papel como sal da terra e luz do mundo, embaixadores do Reino, testemunhas de Cristo e pregadores do evangelho — soldados de Cristo que marcham contra as cidadelas do inferno, investidos da autoridade do Senhor dos Exércitos. Segundo Pedro, a Segunda Vinda está relacionada à realização dos propósitos de Deus vinculados à missão do Espírito e da Igreja: é nossa responsabilidade “apressar” a vinda do Senhor (2Pe 3.12). O período antes do fim não é espera infrutífera, mas tempo de cumprir a missão. A semente do Reino já foi plantada, e há muito que podemos e devemos fazer para a expansão do Reino de Deus aqui na terra. Enquanto aguardamos o Grande Dia — quando ele virá sobre as nuvens, com grande poder e glória —, devemos nos preparar e agir para vencer.
Do livro
Dois blocos de perguntas encerram estas seções no livro. Responda por escrito, diante de Deus.
Fixação
Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.
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Para pensar e conversar
Tarefas
Ler Mt 12.22-29, Lc 10.17-24, Jo 12.31-32, 2Pe 2.4 e Jd 6, anotando o que cada texto afirma sobre a situação atual de Satanás; conferir na sua Bíblia as dez bênçãos do inventário, marcando as referências; e escrever, a partir da questão 3, o seu compromisso de soldado de Cristo — datado e assinado.
Estudo 6
A Batalha Final: o Armagedom, o Juízo, a ressurreição do corpo e o contraste completo entre as conquistas da Decisiva e da Final. Ir para o Estudo 6 →
Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello