O que acontece na volta de Cristo?
Armagedom, juízo, ressurreição: o Novo Testamento descreve a sequência com clareza.
“O último inimigo a ser destruído é a morte.”1 Coríntios 15.26 · NAA
Série Batalha Espiritual — os 12 estudos
Para começar
A humanidade perdeu a primeira batalha; a redenção veio na grande e decisiva batalha da cruz. Mas, por mais devastadora que tenha sido a vitória de Jesus, a guerra segue até o Grande Dia do Senhor.
Armagedom, juízo, ressurreição: o Novo Testamento descreve a sequência com clareza.
A parábola das dez virgens responde — e a resposta é solene.
Um contraste ponto a ponto entre o que a cruz já conquistou e o que a Vinda consumará.
Ap 19–20
A guerra segue até o Grande Dia do Senhor, na Segunda Vinda de Cristo, quando Jesus destruirá o anticristo e todos os seus inimigos, naquela que será a última batalha — a batalha do Armagedom (Ap 16.16; 17.14; 18.2, 8, 20-24; 19.11-21; 20.9-10).
Como vimos, o principal motivo de a Batalha Decisiva não ter sido a última diz respeito ao propósito de Deus de salvar mais e mais pessoas: a aparente demora do retorno de Cristo tem a ver com a longanimidade de Deus, que deseja que todos sejam salvos (2Pe 3.9; cf. Jo 12.32). O intervalo entre a Decisiva e a Final deve ser preenchido pela missão evangelizadora da Igreja. O segundo grande motivo do adiamento é conceder aos filhos de Deus a oportunidade de se engajarem na grande batalha contra as trevas, atuando como luz do mundo e sal da terra (Mt 5.14-16). Jesus venceu por nós e quer vencer através de nós — por isso compartilhou conosco a missão de buscar e salvar o perdido. Antes da Segunda Vinda, é necessário que o evangelho do Reino seja pregado a todas as nações — missão delegada aos que já se tornaram filhos de Deus (Mt 24.14; 26.13; At 1.8; 9.15; 22.15).
Pedro ensina que podemos fazer algo para “apressar” a vinda do Senhor (2Pe 3.12), de alguma maneira atrelada à missão da igreja e ao número de convertidos (At 3.19-21; Ap 6.9-11). Em outras palavras: Deus deu uma missão à Igreja e concede tempo para que seja concluída. E sabemos que a Igreja será bem-sucedida, pois o Apocalipse descreve uma multidão inumerável de todos os povos, tribos e nações na presença de Jesus nos céus (Ap 6.9; 7.9-17).
Mt 25.31-46
Em Mateus 25.31-46, lemos que, com a Segunda Vinda, se dará o Juízo Final, com a separação entre bodes e ovelhas: os primeiros irão para o castigo eterno; os demais, para a vida eterna.
O Novo Testamento sempre coloca o Juízo Final em seguida à Segunda Vinda (2Ts 1.7-10; Mt 16.27; 25.31-32; Jd 14-15; Ap 22.12) — e o Credo Apostólico estabelece a mesma relação: “de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos”. A Segunda Vinda é também chamada O Dia do Senhor, pois traz consigo o juízo contra todo o mal: “Vocês sabem muito bem que o Dia do Senhor virá como ladrão de noite. Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de modo nenhum escaparão” (1Ts 5.2-3). Paulo ensinou que Jesus retornará “em chama de fogo”, para julgar (2Ts 1.7-10) — como já dissera Isaías: “Porque eis que o Senhor virá em fogo, e os seus carros, como um torvelinho, para tornar a sua ira em furor e a sua repreensão em chamas de fogo. Porque com fogo e com a sua espada entrará o Senhor em juízo com toda a carne” (Is 66.15-16). Jesus não é ajudado por labaredas de fogo — ele retorna à terra em labaredas de fogo!
Diante da Segunda Vinda, os pecadores não têm diante de si a esperança de um reino milenar, mas a terrível expectativa do juízo. Jesus ensinou que a sua vinda precipitaria imediatamente o Juízo Final: “Quando o Filho do Homem vier na sua majestade, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória, e todas as nações serão reunidas na sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas… Então dirá aos que estiverem à sua esquerda: Apartem-se de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos… E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna” (Mt 25.31-46). A parábola das dez virgens ensina que não há esperança de vida nem de salvação para os perdidos após a Segunda Vinda de Jesus (Mt 25.1-13) — ficando descartada a ideia de uma segunda oportunidade após o arrebatamento da Igreja.
Duas perguntas que ajudam a ler Apocalipse 20: por que razão Jesus, após a sua vinda gloriosa, ainda teria de governar sobre inimigos com vara de ferro e esmagar uma absurda rebelião no fim de um milênio? Por que haveria espaço para mais uma rebelião e mais uma guerra após a destruição do último inimigo — a morte — na Segunda Vinda (1Co 15.26)? Por isso entendo que Apocalipse 20 não ensina nada novo nem diferente do que Jesus e os apóstolos deixaram claro: a Primeira Vinda inaugurou o Reino; Jesus reina do trono celestial, pondo um a um os inimigos debaixo dos pés; e o último inimigo, a morte, será destruído na Segunda Vinda — única, pessoal, visível, portentosa, em labaredas de fogo, promovendo a ressurreição geral de todos para o Juízo Final, quando o joio será separado do trigo e os bodes, das ovelhas. Os mortos em Cristo ressuscitarão com corpos incorruptíveis, capacitados para a eternidade na Jerusalém celestial. Não pertencemos à Jerusalém terrena: nossa cidadania é celeste (Fp 3.20)! Aguardamos novos céus e nova terra — a morada que Jesus foi preparar (Jo 14.2-3; 2Pe 3.13). Registro, como sempre, que cristãos fiéis leem o milênio de Apocalipse 20 de modos diferentes; apresento aqui, sem dogmatismo, a leitura amilenista que me convence — e que nenhuma dessas leituras toca a fé essencial na volta gloriosa de Cristo.
Ef 1.21
O pensamento bíblico vê o tempo como linear, contrastando a era presente com a que há de vir — a perspectiva de Paulo ao dizer que Cristo está acima de todo principado “não só no presente século, mas também no vindouro” (Ef 1.21).
Esta era presente é caracterizada pelas consequências danosas da derrota humana no Éden e pelos primeiros frutos da vitória de Cristo na cruz. A era vindoura será iniciada pela Segunda Vinda, que vencerá a última batalha e trará a plenitude do Reino, quando Satanás e todos os inimigos de Deus serão destruídos e o mal já não existirá. É possível estabelecer o seguinte contraste:
“Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade” (Ap 20.6). Quem nasceu de novo — quem ressuscitou espiritualmente, recebendo a vida de Cristo — ainda está sujeito à morte física, mas não sofrerá o dano da segunda morte, que é a condenação do inferno: nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, pois já passaram da morte para a vida (Jo 5.24; Rm 8.1).
Do livro
Responda por escrito, diante de Deus.
Fixação
Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.
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Para pensar e conversar
Tarefas
Ler Mt 25 inteiro (as três parábolas da prontidão) e 1Ts 4.13–5.11, anotando o que cada texto pede de quem espera; montar, a partir do contraste do estudo, um quadro pessoal de duas colunas — “já recebi” e “ainda aguardo” —, usando-o como pauta de gratidão e de esperança na oração desta semana.
Estudo 7
A série continua com Contra quem Lutamos? — o mapa do campo de batalha: quem são os nossos inimigos, o que são os principados e potestades, e por que nossa luta não é contra pessoas. O drama de Jó ganhará um estudo próprio mais adiante. Ir para o Estudo 7 →
Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello