Batalha EspiritualEstudo 9

Estratégias de Satanás: os Ataques à Mente e ao Coração

“E não deem lugar ao diabo.”Efésios 4.27 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Nm 20.1-13; Hc 3.16-19; 1Pe 5.6-11

Série Batalha Espiritual — os 12 estudos

1 · Maldição Hereditária2 · Herança Familiar3 · Batalha Inicial4 · Batalha Decisiva5 · O Valente Amarrado6 · A Batalha Final7 · Contra quem Lutamos?8 · Sedução e Disfarce9 · Ataques à Mente e ao Coração10 · Vencendo a Carne11 · Vencendo o Mundo12 · Nossas Armas

Para começar

As perguntas que nos guiam

O sedutor também é acusador. Depois das iscas — orgulho, distração, disfarce, sexo, ídolos e dinheiro —, o manual de táticas continua com armas mais silenciosas: as que miram a mente e o coração.

1

Que imagem de Deus você carrega?

O diabo patrocina a ignorância de Deus — e um Deus deturpado é meio caminho para a escravidão.

2

Ira, rancor e medo abrem que portas?

Emoções mal geridas dão “lugar ao diabo” (Ef 4.27) — até Moisés, o mais manso, caiu aqui.

3

Quem diz quem você é?

O “se tu és” do deserto continua em uso. A resposta vem da voz do Pai, não da voz do acusador.

Estratégia 8

Deturpando a visão que temos de Deus

Deus lamentou que o seu povo estivesse morrendo por não o conhecer devidamente (Os 4.6; Is 5.13). E Jesus segue suspirando: “Se você conhecesse, ainda hoje, o que é bom para a paz! Mas isto está agora oculto aos seus olhos” (Lc 19.42).

O diabo patrocina a ignorância de Deus para poder escravizar, oprimir e destruir as pessoas. Por isso os apóstolos trabalhavam duro para desfazer os falsos argumentos que deturpam o conhecimento de Deus: “Destruímos sofismas e toda arrogância que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo” (2Co 10.5).

Foi assim no Éden: Satanás insinuou a Eva que Deus estaria privando-a de algo excelente, deturpando o mandamento e lançando dúvidas sobre as reais motivações de Deus. Enquanto a proibição visava livrá-los da morte, o diabo pintou um Deus egoísta que reservava o supremo conhecimento só para si.

Os “deuses pequenos” de J. B. Phillips. No livro Seu Deus é Pequeno Demais, Phillips denuncia conceitos inadequados de Deus que atravancam o relacionamento com ele: o Policial Onipresente (a consciência transformada em Deus) · Tal Pai, Tal Deus (a transferência da imagem paterna) · o Idoso Antiquado (um “Papai Noel” ultrapassado) · o Manso e Suave (bonzinho, que nunca repreende) · o Deus do 100% (exigente e implacável, sem misericórdia) · o Deus do Escapismo (procurado só na hora do aperto) · o Deus Capturado (trancado nas quatro paredes de uma igreja ou de um grupo) · o Diretor-Presidente (grande demais para se importar conosco) · o Deus de Segunda Mão (conhecido só pelo que os outros dizem) · o Deus da Desilusão (o culpado da oração não respondida) · o Deus Negativo (que não permitiria alegria nem êxito) · a Imagem Projetada (Deus à imagem de nós mesmos) · o Deus da Barganha (obedecido só em troca de benefícios).

Jesus veio revelar o caráter e o coração de Deus: “Porque Deus, que disse: ‘Das trevas resplandecerá a luz’, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo” (2Co 4.6). “O Filho é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hb 1.3). Portanto, conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor (Os 6.3) — é o que o diabo mais teme e o que Deus mais deseja. Quanto mais conhecemos a Deus, mais motivos temos para admirá-lo e amá-lo.

O legalismo, subproduto da ignorância

O legalismo é um subproduto da falta de conhecimento de Deus. Ele leva ao orgulho espiritual e produz apenas santidade exterior: cristãos de fachada, sepulcros caiados. A verdadeira santidade é produto da graça, fruto do Espírito — de modo que não temos do que nos gabar. Ela é humilde e misericordiosa, mansa e pacífica, compassiva e sofredora, como ensinou Jesus no início do Sermão do Monte (Mt 5.1-12). Não nos coloca acima dos fracos, mas a serviço deles; não é elitista, é solidária; não é cheia de condenação, é repleta de compaixão. A santidade é amor.

Estratégias 9 e 10

Ira e rancor: as portas emocionais

“Se vocês ficarem irados, não pequem. Que o sol não se ponha sobre a ira de vocês, e não deem lugar ao diabo” (Ef 4.26-27).

Eclesiastes adverte que “a ira se abriga no íntimo dos tolos” (Ec 7.9), e as consequências são graves — podem até interromper nossas orações, como Pedro adverte aos maridos que não tratam a esposa com honra (1Pe 3.7).

Moisés é conhecido pela mansidão (Nm 12.3) — e, mesmo assim, já no fim da vida, caiu no pecado da ira. Números 20 conta: após o funeral de Miriã, o povo murmurava pela falta d’água. Deus mandou que Moisés falasse à rocha. Mas Moisés, amargurado e irritado ao ver a nova geração repetindo a incredulidade dos pais, perdeu a paciência, falou irrefletidamente e feriu a rocha duas vezes com o bordão — desobedecendo e desapontando a Deus (Nm 20.10-12). O salmista comenta: “Foram rebeldes contra o Espírito de Deus, e Moisés falou irrefletidamente” (Sl 106.32-33).

Por que o mais manso se irou?

Uma ira que não era pura

Quarenta anos haviam se passado desde sua última atitude intempestiva — e motivos para irar-se não faltaram. Por que agora? Não teria Moisés sido tomado por uma sensação de fracasso pessoal, achando que todo o esforço de quatro décadas fora em vão? Eu mesmo, guardadas as proporções, passei por algo parecido: dediquei mais de seis meses a evangelizar e discipular um locutor da rádio onde eu trabalhava. Ele abandonou os vícios e progrediu muito — e, um dia, retrocedeu abruptamente para o pecado. Indignado, zanguei-me com ele. E ele me disse, para minha surpresa: “Você não está triste pelo meu estado em si, mas pelo seu fracasso em me conquistar para Cristo, pelo seu tempo perdido!” Ele percebeu que minha ira não era pura. Assim também podemos supor da ira de Moisés — o que não justifica a desobediência.

A Bíblia ensina a controlar a ira por vários caminhos: não permitir que ela domine depressa o espírito (Ec 7.9), aprender a perdoar (Ef 4.32), cultivar a resposta branda que desvia o furor (Pv 15.1), buscar a sabedoria que dá paciência (Pv 19.11) e renovar a mente (Rm 12.2). “Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tg 1.20) — quando a tentação vier, lembremos que Deus nos chama a responder com amor e paciência (Ef 4.2) e a deixar a justiça com ele (Rm 12.19). Moisés perdeu a paciência, mas segue sendo um dos maiores líderes da história bíblica: até os mais mansos podem ser tentados — e podemos confiar em Deus para vencer.

Rancor: a brecha que apodrece

O rancor abre grandes brechas na vida dos crentes, dando vantagem ao diabo sobre nós. Paulo identifica que uma das intenções de Satanás é justamente promover mágoas e ressentimentos (2Co 2.9-11), que levam à amargura, contaminam a muitos e podem nos afastar da graça de Deus (Hb 12.15).

O remédio é o perdão. Jesus ensina: se perdoarmos, nosso Pai celestial também nos perdoará; se não perdoarmos, não seremos perdoados (Mt 6.14-15; 18.23-35). O perdão não é uma opção, mas uma obrigação — por amor a Cristo e para que Satanás não tenha vantagem sobre nós. Quando perdoamos, libertamos a nós mesmos e aos outros da amargura, seguindo o exemplo de Cristo, que perdoou até os que o crucificaram (Ef 4.32).

Estratégias 11 e 12

Medo e dúvida: o cerco à confiança

O medo é uma das armas mais utilizadas por Satanás para intimidar e assombrar a vida das pessoas. Ele quer nos fazer acreditar que o inimigo é forte e que Deus não é real.

Mas quem confia no Senhor não tem o que temer: “Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor. Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor” (Jr 17.7-8). O medo adoece o corpo e a mente — gera estresse e ansiedade —, e o antídoto bíblico é a oração com gratidão: “Não andem ansiosos por coisa alguma; pelo contrário, em tudo, sejam conhecidas, diante de Deus, as suas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus” (Fp 4.6-7).

“Não te mandei eu?” — “Seja forte e corajoso; não fique apavorado, nem desanime, porque o Senhor, seu Deus, estará com você por onde você andar” (Js 1.9).
“Eles são o nosso pão.” Josué e Calebe diante dos gigantes: “não temam o povo desta terra… o Senhor está conosco” (Nm 14.9).
“Nesta batalha vocês não precisarão lutar.” A palavra a Josafá: “fiquem parados e vejam o livramento que o Senhor lhes dará” (2Cr 20.17).
“Com ele está o braço de carne.” Ezequias diante da Assíria: “conosco está o Senhor, nosso Deus, para nos ajudar e para guerrear por nós” (2Cr 32.8).
“Os que estão conosco são mais.” Eliseu em Dotã: “não tenha medo, porque os que estão conosco são mais do que os que estão com eles” (2Rs 6.16).

Davi diante de Golias nos lembra que Deus é maior do que qualquer desafio, e o Salmo 91 apresenta o Altíssimo como esconderijo e refúgio dos que nele confiam (Sl 91.1-2). Não deixemos que o medo nos paralise: nossa força está em Deus, que guerreia por nós.

Dúvidas sobre a existência, o poder e o amor de Deus

O inimigo também costuma lançar dúvidas sobre o amor e o cuidado de Deus, principalmente nas duras provações — como se insinuasse que Deus não existe ou não se importa. Ele quer que nos sintamos excluídos e abandonados, sem esperança, para que a única saída pareça ser a conformação com este século. Ele quer que você perca a paciência e desista de lutar, de orar, de ler a Bíblia e de congregar (Hb 10.25) — quer demovê-lo da fé. Mas “o justo viverá pela fé” (Hb 10.38), que é a certeza das coisas que não se veem (Hb 11.1).

“Mesmo que a figueira não floresça, nem haja fruto na videira; ainda que a colheita da oliveira falhe, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas desapareçam do aprisco, e nos currais não haja gado, ainda assim eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha fortaleza…” (Hc 3.17-19)

Faça como Habacuque: diante de calamidades acumuladas, professe fé e confiança no amor cuidadoso de Deus — é isso que sustenta a alma enquanto se aguarda a manifestação da justiça e do socorro do Senhor.

Estratégia 13

“Se tu és”: o ataque à identidade

Uma clara estratégia de Satanás é colocar areia na engrenagem do relacionamento de Deus com os homens.

No Éden, ele deturpou o mandamento e insinuou que Deus privava Adão e Eva de algo muito bom. Diante de Jó, levantou suspeitas sobre a integridade do seu amor, insinuando que Jó não passava de um interesseiro. E, ao tentar Jesus no deserto, usou a expressão “Se tu és o Filho de Deus…”, lançando dúvida sobre a sua identidade.

O “se tu és” segue em uso — especialmente contra adolescentes e jovens: “Se você for homem…” A masculinidade, a coragem, o amor, a esperteza, tudo vira elemento de pressão. Satanás segue instigando moços e moças com muitos “ses” como condição para serem aceitos no grupo, para provarem que não são caretas, para conquistarem a pessoa amada, o corpo perfeito, status, fama e dinheiro. Nesse jogo arriscado rola de tudo: imoralidades sexuais, pornografia, álcool, drogas, anabolizantes, vandalismo, violência, direção irresponsável e toda espécie de crimes.

Paulo, sabedor desta estratégia, procurou fortalecer, logo no início de suas cartas, a identidade dos crentes em Cristo. Se o diabo ataca a nossa identidade para nos conduzir à escravidão do pecado, as Escrituras nos ajudam a compreender quem realmente somos em Cristo Jesus, para termos forças de andar como dignos filhos de Deus.

Uma das principais metas de Satanás é nos convencer de que fracassamos ao ponto de não haver recuperação. Ele é o acusador: lança na nossa cara os nossos pecados para provar que não temos vocação para Deus. Está sempre sussurrando: “Você errou de novo. Viu? Não tem jeito mesmo. Esta é a sua sina. Aquele papo de conversão foi balela; o novo nascimento, papo furado — as coisas velhas continuam aí, vivas como nunca.”

Ele quer que você perca a confiança em Deus, desista da batalha, abandone a Igreja e se conforme com este mundo (Hb 10.25; Rm 12.1-2). A mente é um campo de batalha, e a nossa grande defesa é o escudo da fé. Imagine o que passou pela cabeça de Pedro quando começou a afundar na caminhada sobre as águas: “Isto contraria as leis da física… está ventando forte… acho que não vou conseguir… socorro!” (Mt 14.28-31). Jesus o salvou — e perguntou: “Por que você duvidou?”

Use o escudo da fé para apagar os dardos inflamados do maligno. Firme-se na Palavra: foi assim que Jesus resistiu ao “se tu és”. Enquanto o diabo questionava a identidade do Filho, o Pai declarava: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado” (Mt 3.17). Confie no amor e na fidelidade de Cristo: “se formos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo” (2Tm 2.13); “se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar” (1Jo 1.9); e, “se o nosso coração nos condenar, Deus é maior do que o nosso coração” (1Jo 3.20).

Confesse os pecados, aceite o perdão, reafirme que Jesus é o seu Senhor e Salvador — e erga-se no caminho da luz, como filho da luz que você é: “Vocês todos são filhos da luz e filhos do dia” (1Ts 5.5); “antes vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz” (Ef 5.8).

Estratégia 14

Obstáculos e tribulações para gerar desânimo

Satanás sabe que, se conseguir gerar desânimo e desesperança, poderá nos afastar do caminho do Senhor. Uma de suas maneiras é criar obstáculos e tribulações no caminho.

A Bíblia está cheia de servos que enfrentaram isso: Jó perdeu família, bens e saúde, e manteve-se fiel; José foi vendido pelos irmãos, acusado injustamente e preso, e não largou a confiança em Deus; Paulo enfrentou perseguições, prisões, enfermidades e naufrágio, e nunca se entregou ao pessimismo — combateu o bom combate e cumpriu a missão.

Deus não prometeu vida sem tribulações; prometeu estar conosco em todas elas (Mt 28.20). “No mundo, vocês passam por aflições; mas tenham bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33). E “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28): mesmo nas tribulações, Deus nos molda à imagem do seu Filho. O poder de Deus é infinitamente maior do que o de Satanás.

Testemunho do autor

Milagres no caminho da missão

Em 1992, na manhã de uma viagem missionária ao campo de Estrela do Norte, no interior de São Paulo, acordei com febre e dor de garganta — pela terceira vez isso acontecia às vésperas daquela missão. Decidi não desistir. Tomei um remédio e fui à rodoviária; o ônibus já havia partido, e o próximo sairia só ao meio-dia — quatro horas de espera para oito de viagem, numa semana em que eu nem tivera tempo de estudar para o exame final do curso de inglês. Abri o livro de inglês para aproveitar a espera — e um homem pediu para trocar de lugar e sentar-se ao meu lado: um pastor americano, no Brasil para ensinar inglês através da Bíblia. Conversamos a viagem inteira sobre o ministério; um casal de jovens que falava inglês se aproximou, e Deus nos concedeu a graça de evangelizá-los. Quando me dei conta, a febre e a dor de garganta haviam desaparecido. Cheguei a Estrela do Norte revigorado no corpo e no espírito e comecei a série de mensagens contando: “O diabo quis impedir que eu estivesse aqui, mas Deus me deu vitória!”

A experiência me ensinou: quando buscamos o Reino de Deus em primeiro lugar e confiamos nele, Deus cuida das outras coisas (Mt 6.33). No egoísmo, nós nos perdemos; no serviço a Deus e ao próximo, nós nos encontramos como pessoas e nos realizamos como filhos de Deus.

A exortação-síntese

Não deem lugar ao diabo

O apóstolo Paulo adverte os cristãos a não darem lugar ao diabo (Ef 4.27) nem ocasião à vontade da carne. O autor de Eclesiastes ensina algo parecido: “Quem cava um poço pode cair nele; quem derruba um muro pode ser picado por uma cobra” (Ec 10.8) — e cobras costumam estar associadas a espíritos malignos nas páginas da Bíblia (Gn 3.1; Lc 10.19). Todo cuidado é pouco.

Brechas que os cristãos abrem para os ataques do diabo: superstições, ocultismo e esoterismo (Dt 18.10-14; Is 8.19); heresias e idolatria; orgulho espiritual; preguiça e negligência da oração, do estudo bíblico e da frequência às reuniões da igreja; deixar de confessar os pecados e de participar da Ceia do Senhor; amargura, ódio, a inveja pela qual Caim matou Abel, ciúmes, fofoca, falta de amor e misericórdia; a rebelião contra a Palavra — que é como o pecado de feitiçaria (1Sm 15.23) e levou Saul a afastar-se de Deus e perder o reino; desobediência aos pais; infidelidade conjugal, mentiras, embriaguez, drogas, jogos de azar; a cobiça pela qual Judas traiu a Jesus; vingança, furto, violência.

Josué afirma que um único servo de Deus põe para correr mil inimigos — mas adverte para o risco do pecado que abre brechas: “Um só homem dentre vocês fará fugir mil, pois o Senhor, o seu Deus, é quem luta por vocês, como já lhes disse. Portanto, empenhem-se em amar o Senhor, o seu Deus. Porque, se vocês se desviarem e se apegarem ao restante destas nações… tenham certeza de que… elas se tornarão laço e armadilha para vocês, açoite nas suas costas e espinhos nos seus olhos” (Js 23.10-13). A bênção de Deus está atrelada à nossa obediência e lealdade.

“Humilhem-se, portanto, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, os exalte. Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês. Sejam sóbrios e vigiem. O diabo, inimigo de vocês, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar. Resistam a ele, firmes na fé…” (1Pe 5.6-9)

E Tiago faz exortação semelhante: “Sujeitem-se, portanto, a Deus; mas resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês” (Tg 4.7). Como o cerne da batalha espiritual reside no relacionamento do homem com Deus — e o propósito de Satanás sempre foi separar o homem de Deus através do pecado —, a maneira de resistir ao diabo só poderia ser uma aproximação maior de Deus, numa humilde sujeição. Diante das tentações, Jesus agarrou-se à Palavra, humilde e submisso à vontade do Pai — e Satanás se afastou derrotado (Mt 4.1-11). Quanto mais próximos de Deus, tanto mais o diabo foge de nós.

Do livro

Questões para reflexão

As perguntas abaixo encerram o capítulo no livro. Responda por escrito, diante de Deus.

1. Quais são as estratégias de Satanás contra a sua vida que você consegue identificar — e como você tem batalhado contra estes ataques?
2. Você saberia citar de cor alguns textos bíblicos que nos ajudam a compreender quem realmente somos em Cristo Jesus, para que possamos ter forças de andar de modo digno de um filho de Deus? Se não, estude os primeiros capítulos das Epístolas aos Efésios e aos Colossenses e assinale os versículos que falam de quem somos e do que possuímos em Cristo.
3. Que medidas você tem tomado para não dar lugar ao diabo?

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Reflexão pastoral: depois de uma queda, o sussurro chega — “não tem jeito mesmo, esta é a sua sina”. Como distinguir a voz do acusador da voz do Espírito? Medite antes de abrir.Ver resposta sugerida
As duas vozes falam do mesmo pecado — mas em direções opostas. A convicção do Espírito é específica, aponta a saída e conduz a Cristo: produz “tristeza segundo Deus”, que gera arrependimento sem remorso paralisante (2Co 7.10). A acusação do diabo é vaga e totalizante: não mira o pecado, mira a identidade (“você é assim mesmo”, “sua conversão foi balela”) e empurra para longe de Deus, da Bíblia e da igreja (Hb 10.25). O teste prático: para onde a voz o leva? Se leva ao trono da graça, é o Espírito; se leva ao esconderijo e ao abandono, é o acusador. A resposta bíblica tem três passos: confessar — “ele é fiel e justo para nos perdoar” (1Jo 1.9); apelar ao Advogado — “se alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1Jo 2.1); e levantar — “ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei” (Mq 7.8). Knockdown não é nocaute. E, quando o coração ainda condenar, há uma instância superior: “Deus é maior do que o nosso coração” (1Jo 3.20). A palavra final sobre você não é o sussurro — é a declaração do Pai sobre os que estão em Cristo: filho amado (Mt 3.17; 1Ts 5.5).
Um jovem confidencia: “No grupo dizem que, se eu for homem de verdade, tenho de provar — beber, ficar, arriscar.” Como ajudá-lo a responder à pressão do “se tu és”?Ver resposta sugerida
Primeiro, dê nome à tática: “se tu és” é literalmente a fórmula que o diabo usou contra Jesus no deserto (Mt 4.3, 6) — quem exige que você prove quem é está aplicando o método mais velho do inimigo. Depois, mostre a lógica do golpe: a prova exigida sempre destrói exatamente aquilo que promete afirmar — a “coragem” proposta escraviza, a “liberdade” vicia, o “amor” usa e descarta. Jesus não provou nada saltando do pináculo: respondeu com o “está escrito” e saiu do deserto mais forte do que entrou (Mt 4.10-11). Terceiro, ofereça o fundamento: identidade não se conquista por desempenho diante da plateia — recebe-se por declaração do Pai. Antes de qualquer obra, Jesus ouviu: “Este é o meu Filho amado” (Mt 3.17); em Cristo, o jovem já é filho da luz (1Ts 5.5; Ef 5.8) e não precisa do aval do grupo para ser alguém. Por fim, aponte a companhia certa: ninguém vence pressão de grupo sozinho — Daniel tinha três amigos (Dn 1.8; 3.16-18). Firmeza sem arrogância: “quem me define não é o desafio de vocês; é Aquele que me chamou”.

Para casa e próximo estudo

Tarefas

Estudar os capítulos iniciais de Efésios e Colossenses, assinalando os versículos que dizem quem somos e o que possuímos em Cristo — e decorar dois deles. Listar por escrito as brechas do estudo que se aplicam à sua vida e fechar uma delas nesta semana, com uma medida concreta (uma conversa de perdão, a volta à Ceia, o fim de uma prática supersticiosa).

Estudo 10

A série continua com Vencendo a Carne: as lutas de Pedro, João e Paulo contra o inimigo de dentro. Ir para o Estudo 10 →

Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Do livro do Bispo Ildo Mello · Editoras No Cenáculo e Filhos da Graça