Com que armas você tem lutado?
Davi recusou a armadura humana: “tu vens contra mim com espada e lança; eu vou contra ti em nome do Senhor” (1Sm 17.45).
“As armas com as quais lutamos não são humanas; pelo contrário, são poderosas em Deus, para destruir fortalezas.”2 Coríntios 10.4 · NAA
Série Batalha Espiritual — os 12 estudos
Para começar
As batalhas espirituais somente podem ser vencidas pelo poder sobrenatural de Deus. Jesus não enviou os discípulos ao campo dizendo que se virassem: subiu aos céus, mas não nos deixou órfãos — enviou o seu Espírito, que confere poder à Igreja (At 1.8). “Sem mim, vocês não podem fazer nada” (Jo 15.5).
Davi recusou a armadura humana: “tu vens contra mim com espada e lança; eu vou contra ti em nome do Senhor” (1Sm 17.45).
Se o cerne da guerra é o relacionamento com Deus, as armas decisivas são as que nos aproximam dele.
Nada de misticismo esotérico: Paulo a descreve em termos bem práticos de vida cristã.
Deus nos concede armas especiais para batalhar contra o diabo (1Pe 5.8; Ef 6.12), contra as influências negativas do mundo (1Jo 2.15-17) e contra as paixões desordenadas da nossa própria carne (Cl 3.5; Tg 1.14). “As armas com as quais lutamos não são humanas; pelo contrário, são poderosas em Deus, para destruir fortalezas” (2Co 10.4). Nesta guerra, somos protegidos e assistidos pelo Senhor: “Graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Co 15.57).
A primeira arma
Se a questão do nosso relacionamento com Deus está no cerne da guerra espiritual, então entre as principais armas contra o mal estão exatamente aquelas que nos aproximam do Criador: a Palavra e a oração, os atos de amor e a fé — não como mera crença, mas como confiança e lealdade.
Paulo diz que o amor é a maior de todas (1Co 13.13): vencemos tudo pelo amor a Deus e ao próximo, pois o amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” e “jamais acaba” (1Co 13.7-8). O amor a Deus nos ajuda a suplantar o apego às coisas terrenas (1Jo 2.15-17); os que estão ocupados em amar não têm o que temer, pois o amor lança fora o medo (1Jo 4.18); quando amamos uns aos outros, Deus permanece em nós (1Jo 4.12) — e “se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8.31); “maior é aquele que está em vocês do que aquele que está no mundo” (1Jo 4.4). Quem ama guarda os mandamentos (1Jo 5.3). Portanto, vencemos o maligno cumprindo o mandamento de Jesus: “O meu mandamento é este: que vocês amem uns aos outros, assim como eu os amei” (Jo 15.12).
Amor com as mãos. Combatemos a pobreza e as injustiças sociais com ações concretas de generosidade e justiça — não com caminhadas de oração pela cidade para “expulsar o demônio da pobreza”, nem com “atos proféticos” ou declarações vazias, divorciadas de atos concretos de amor.
O arsenal
Para decepção dos místicos sensacionalistas e esotéricos, Paulo descreve a armadura de Deus em termos bem práticos de vida cristã: fé, Palavra da verdade, oração, salvação, prática da justiça e pregação do Evangelho.
“Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo (…) Assim, mantenham-se firmes, tendo cingido os lombos com a verdade, vestindo a couraça da justiça e calçando os pés com a preparação do evangelho da paz. Além disso, tomem o escudo da fé, com o qual poderão apagar todas as setas inflamadas do Maligno. Tomem também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus. Orem no Espírito em todo tempo, com toda oração e súplica…” (Ef 6.11-18)
O diabo é o pai da mentira (Jo 8.44) e de todas as heresias destruidoras: deturpa a verdade, confunde e aprisiona as pessoas à escravidão da ignorância, da superstição e do erro. Falsos mestres introduzem dissimuladamente heresias destruidoras (2Pe 2.1-3), e o Espírito avisa que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e ensinos de demônios (1Tm 4.1) — pois as pessoas, não suportando a sã doutrina, amontoarão mestres que digam o que elas querem ouvir, e não o que precisam escutar (2Tm 4.3).
Mas, enquanto a mentira escraviza, a verdade liberta: “conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” (Jo 8.32); “nada podemos contra a verdade, senão pela verdade” (2Co 13.8). Colocar o cinto da verdade é ser envolvido pelo próprio Cristo, que é a verdade (Jo 14.6) — “para que não sejamos mais como crianças, agitadas de um lado para outro e levadas ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha das pessoas, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef 4.14).
As peças
Em Cristo fomos justificados — linguagem forense: a justiça nos foi imputada, fomos declarados justos. Mas a salvação não termina na justificação: fomos também regenerados pelo poder santificador do Espírito, derramado abundantemente sobre nós na conversão (Tt 3.5-6). Não somos apenas chamados filhos de Deus — recebemos o poder de nos tornar filhos de Deus (Jo 1.12).
Ser como Cristo é humanamente impossível — mas “o que é impossível para os homens é possível para Deus” (Mc 10.27)! Jesus não é apenas o modelo de justiça: é a própria fonte dela. Ele é, ao mesmo tempo, o alvo e o caminho (Jo 14.6). Santidade não é obra da carne, mas do Espírito (Gl 5.16): “Deus é quem efetua em vocês tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13).
O evangelho completo
Jesus não apenas realizou uma obra a favor de nós — opera uma obra dentro de nós (Tt 3.5). Não apenas perdoa pecados: transforma vidas — pescadores comuns em pescadores de homens, Simão em Pedro, Saulo em Paulo. Não apenas justifica: regenera (2Co 5.17). Não apenas nos declara santos: nos torna santos (Jo 15.3). Não apenas nos livra da condenação do pecado: livra-nos do domínio do pecado (Rm 6.14). Não apenas é Salvador: é Senhor (Rm 10.9). Não apenas convida a crer: conclama ao arrependimento (Mc 1.15). Não basta crer — é necessário obedecer (Jo 14.21); não basta ser crente — é necessário ser discípulo (Lc 9.23); não basta receber o amor — é necessário amar (1Jo 3.16, 23); não basta receber o perdão — é necessário perdoar (Mt 6.14-15), sob o risco de o Supremo Credor cancelar o perdão dos que se recusam a perdoar (Mt 18.23-35).
Deus “nos deu todas as coisas que conduzem à vida e à piedade” (2Pe 1.3), para vivermos como filhos e escaparmos da corrupção deste mundo (2Pe 1.4). E o trabalho de Deus a nosso favor é a base e o incentivo do nosso próprio empenho: “por isso mesmo, empenhem-se…” (2Pe 1.5); “purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2Co 7.1). Somos chamados a lutar contra o pecado em todas as suas manifestações, no âmbito individual e no social — com a armadura que Isaías descreve como pertencente ao próprio Deus, que a vestiu para batalhar contra a injustiça: “usou de justiça como couraça e pôs o capacete da salvação na cabeça” (Is 59.15-17).
A expressão evoca Isaías: “Como são belos sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O seu Deus reina!” (Is 52.7). Eis uma arma de guerra que promove a paz: o Evangelho é o anúncio da chegada do Príncipe da Paz, que reconcilia o homem com Deus e com o próximo (2Co 5.18-19; Rm 12.18; Cl 1.20).
Jesus promove cura e justiça para que o oprimido desfrute da paz: “Venham a mim, todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mt 11.28). Pois sem justiça não há paz — por isso o Príncipe da Paz veio proclamar libertação aos cativos e anunciar o ano aceitável do Senhor (Lc 4.18-19), o Jubileu que visava pôr fim às desigualdades. O Evangelho é boa notícia para os pobres (Mt 11.5) — e a igreja de Pentecostes o cumpriu: “não havia entre eles necessitado algum”, pois vendiam propriedades e repartiam com todos (At 2.45; 4.34). Impossível hoje? “O que é impossível para os homens é possível para Deus” (Mc 10.27).
O exemplo de Wesley
Para John Wesley, fundador do movimento metodista, a generosidade é a prova final da vida cheia do Espírito: a graça recebida deve tornar-se, espontaneamente, graça repartida. Contra a enorme corrupção social da Inglaterra, Wesley viveu o fruto do Espírito: embora tenha se tornado um dos homens de maior renda do país, viveu com apenas 28 libras anuais até a morte, entregando o restante aos pobres. A terrível pobreza que campeia o mundo coloca uma interrogação sobre o estilo de vida de muitos cristãos: o sinal da salvação de Zaqueu foi partilhar espontaneamente o dinheiro; a ambição foi o sinal da condenação do jovem rico. Carecemos de um avivamento que nos mova a um estilo de vida simples, para dar mais aos pobres e à missão.
A bota é também arma de avanço: “Vão por todo o mundo e preguem o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Comissionados na autoridade daquele que tem todo o poder (Mt 28.18-19), com o poder do Espírito (At 1.8) e autoridade sobre todo o poder do inimigo (Lc 10.19), avançamos sobre as cidadelas do inferno para libertar os cativos — e as portas do inferno não prevalecerão (Mt 16.18). A Igreja cumprirá sua missão antes do fim (Mc 13.10): nos céus haverá uma multidão incontável de todos os povos (Ap 7.9), e “a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Is 11.9).
As peças
Os verdadeiros cristãos enfrentam muitas crises de fé (Mc 4.40; Mt 14.28-31) — mas não estão sós: Jesus prometeu estar conosco (Mt 28.20) e ouviu a oração dos apóstolos: “aumenta a nossa fé!” (Lc 17.5). Sigamos o exemplo dos pais de Moisés, que pela fé protegeram o filho, sem temer o decreto do rei (Hb 11.23). Não tenha medo — tenha fé!
A fé está entre as três maiores virtudes do cristianismo (1Co 13.13) — ao lado do amor e da esperança. Muitos falam de fé e desprezam o amor; outros a tratam como varinha de condão para todos os desejos e se esquecem da esperança. Fé não existe apenas para conquistar coisas: é também escudo para suportar adversidades e apagar os dardos inflamados do maligno. Na galeria de Hebreus 11, homens e mulheres de Deus, pela fé, suportaram perseguições e até a morte. Resista ao diabo usando a fé, que é a vitória que vence o mundo (1Jo 5.4)!
Como vimos no Estudo 9, uma das principais metas de Satanás é nos convencer de que a conversão foi mero momento de emoção e de que nada mudou. Ele quer que nos sintamos excluídos e abandonados por Deus — longe de Deus, longe da Bíblia e longe da Igreja (Hb 10.25). Por isso é fundamental o capacete: proteger a mente dos ataques que visam nos afastar de Deus. “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus” (Fp 4.7).
Confie em Deus, “que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça” (2Tm 1.9). Firme-se na palavra de Cristo: “quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24). João escreveu sua primeira carta justamente para dar certeza da salvação: “Estas coisas escrevi a vocês que creem no nome do Filho de Deus, para que saibam que têm a vida eterna” (1Jo 5.11-13).
Ataque e defesa
A armadura serve para atacar e para defender: “com as armas da justiça, quer ofensivas, quer defensivas” (2Co 6.7). Jesus usou a Palavra como defesa, combatendo as mentiras de Satanás com o célebre “está escrito” (Mt 4.4) — e como arma de ataque para libertar cativos: “conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” (Jo 8.32).
“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Hb 4.12)
A Palavra é poderosa para produzir fé (Rm 10.17); para regeneração (Tg 1.18); para conversão, pois não volta vazia (Is 55.11; At 19.20); para santificação, capacitando o crente e a comunidade a viverem a ética do Reino (Jo 15.3; 17.17; Ef 5.26); para vencer a tentação (Lc 4.4) e o maligno (Ef 6.17); para curar (Mt 8.8); para criar e sustentar todas as coisas (Hb 11.3). E, além de tudo, a Bíblia nos revela a Deus em Cristo — seu ser, seu caráter, sua missão, sua Igreja e seu Reino. Nela encontramos graça, força, direção, inspiração, esperança e a nossa razão de ser. O Deus que operou poderosamente em outros tempos está vivo, e sua Palavra continua viva e eficaz para atuar em nós e através de nós nesta geração.
Ao lado da Palavra está a oração — poderosa para buscar que a vontade de Deus se faça na terra (Mt 6.10). Deus é afetado positivamente por nossas orações: “tudo o que vocês ligarem na terra terá sido ligado nos céus” (Mt 18.18). A oração tem poder até sobre os fenômenos naturais: “Elias era humano como nós; orou, com fervor, para que não chovesse, e não choveu sobre a terra durante três anos e seis meses” (Tg 5.17).
Devemos batalhar em oração pelo bem e pela salvação de outras pessoas. Mônica, mãe de Agostinho, chorava mais pela conversão do filho do que as mães costumam chorar a morte física dos seus — e batalhou em oração persistente até contemplá-lo resgatado das garras do pecado. “Peçam e receberão, para que a alegria de vocês seja completa” (Jo 16.24); “peçam, e lhes será dado; busquem e acharão; batam, e a porta lhes será aberta” (Mt 7.7). E é maravilhoso saber que não oramos sós: Jesus intercede por nós (Rm 8.34), e o Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26-27).
Outra arma importantíssima contra o maligno é um coração agradecido. Paulo escreve: “Dediquem-se à oração, estejam alerta e sejam agradecidos” (Cl 4.2 — NVI). E liga a gratidão ao fortalecimento espiritual: “sendo fortalecidos com todo o poder… dando graças ao Pai, que os fez dignos de participar da herança dos santos na luz. Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor” (Cl 1.11-14). Aos efésios, associa o encher-se do Espírito ao “dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai” (Ef 5.18-20). Pois “a alegria do Senhor é a força de vocês” (Ne 8.10).
Concluindo
Com tantas armas e recursos espirituais a nosso favor, temos motivos para estar confiantes diante dos embates da vida. Se você não está conseguindo vitória nas batalhas, repare nas armas que tem usado. Não lute segundo a carne; não confie em armaduras humanas, nem em carros e cavalos de guerra, nem no socorro do “Egito” (Is 31.1). Revista-se de toda a armadura de Deus e aprenda a confiar e a esperar nele: “No arrependimento e no descanso está a salvação de vocês; na tranquilidade e na confiança, a sua força” (Is 30.15). Quando esperamos e confiamos em Deus, resistimos bravamente ao diabo — e o Senhor peleja por nós, dando-nos a vitória (Is 31.8-9)!
Do livro
Responda por escrito, diante de Deus.
Fixação
Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.
0 de 5
Para pensar e conversar
Tarefas
Ler Ef 6.10-18 diariamente durante a semana, um dia para cada peça, anotando como vesti-la em atitudes concretas. Escrever o testemunho pedido na questão 2 do livro — uma batalha vencida com as armas de Deus — e guardá-lo como memorial (1Sm 7.12). E escolher uma ação de generosidade e justiça, ao estilo de Wesley, para praticar ainda nesta semana.
Próximo estudo
Você concluiu os doze estudos da série Batalha Espiritual! Quando novos capítulos do livro forem preparados, a série continuará. Reveja todos os estudos e cursos em Lições →
Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Do livro do Bispo Ildo Mello · Editoras No Cenáculo e Filhos da Graça