Batalha EspiritualEstudo 4

A Batalha Decisiva: o Dia D da Cruz

“Despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.”Colossenses 2.15 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Cl 2.8-15; Hb 2.5-9; 1Co 15.20-28

Série Batalha Espiritual — os 12 estudos

1 · Maldição Hereditária2 · Herança Familiar3 · Batalha Inicial4 · Batalha Decisiva5 · O Valente Amarrado6 · A Batalha Final7 · Contra quem Lutamos?8 · Sedução e Disfarce9 · Ataques à Mente e ao Coração10 · Vencendo a Carne11 · Vencendo o Mundo12 · Nossas Armas

Para começar

As perguntas que nos guiam

A Batalha Decisiva é a maior e mais importante de todas: foi travada na cruz, onde Cristo, nascido de mulher, pisou a cabeça da serpente, cumprindo a promessa feita no Éden (Gn 3.15; Rm 5.17).

1

Se Cristo venceu, por que a guerra continua?

Um paradoxo que a própria Bíblia formula — e resolve — em Hebreus 2.8.

2

Cristo já reina — ou reinará?

1Co 15.25-26 responde: ele reina agora, até pôr todos os inimigos debaixo dos pés.

3

Por que Deus adiou o fim?

Duas razões — e as duas têm tudo a ver com você.

Cl 2.15

O Dia D da história: a vitória da cruz

Na cruz, Jesus triunfa sobre os seus inimigos e promove a redenção humana da maldição decorrente do pecado original: “despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (Cl 2.15; Gl 3.13).

Mas a guerra não terminou na batalha da cruz. Como bem observou o teólogo Oscar Cullmann, numa guerra nem sempre a última batalha é a mais importante e decisiva. Pode ser que uma batalha intermediária tenha sido tão avassaladora que não exista mais como reverter a situação — não restando nenhuma esperança de vitória para o exército inimigo, por suas forças terem sido profundamente minadas. E, mesmo assim, outras batalhas ainda podem ser necessárias, porque o inimigo pode insistir em lutar, recusando-se a reconhecer a derrota.

Foi exatamente o que aconteceu na Segunda Guerra Mundial. A batalha decisiva, que ficou conhecida como o “Dia D”, não foi a última. Mas a vitória alcançada pelas forças aliadas naquele desembarque foi tão tremenda que já não havia como o inimigo reverter o quadro: as batalhas seguintes serviram para consolidar uma vitória que já era certa. O mesmo se deu na guerra entre Jesus e Satanás: a batalha decisiva foi travada na cruz, onde Jesus venceu (Cl 2.15); mas a batalha final, a batalha do Armagedom, ainda está por vir, quando “então será revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro da sua boca e destruirá pela manifestação da sua vinda” (2Ts 2.8). Quem joga xadrez conhece o padrão: a maioria das partidas é vencida muito antes do xeque-mate — mas nem todo adversário reconhece o evidente fracasso, e muitos insistem em jogar até o movimento final.

Hb 2.8

O paradoxo do “já e ainda não”

Jesus é o legítimo Rei; mas o usurpador, mesmo derrotado, ainda insiste em ocupar um lugar que não lhe pertence.

Por isso o autor de Hebreus escreve: “Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas” (Hb 2.8). O paradoxo é evidente: “todas as coisas sujeitas” versus “ainda não vemos”. Afinal, estão ou não estão todas as coisas debaixo dos pés de Cristo? A resposta é, ao mesmo tempo, sim e não. Sim, no sentido de que ele triunfou sobre o mal, vencendo a grande batalha; e não, no sentido de que a guerra ainda não acabou — pois o inimigo, mortalmente ferido, insiste em não reconhecer a derrota. Ainda que Cristo já tenha triunfado na Batalha Decisiva, há outras batalhas até o dia final, o Dia do Senhor.

Paulo, em 1Co 15.25-26 e 54-55, descreve a manifestação paulatina do Reino de Deus no período que vai da Primeira à Segunda Vinda. Não há como evitar a conclusão de que o período em que Jesus “deve reinar até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés” é a presente época, antes da Segunda Vinda — porque é apenas na Segunda Vinda que a morte, o último inimigo, será destruída. Observe: a Segunda Vinda marca o ápice, e não o início, do reinado de Jesus neste mundo. Hebreus descreve o mesmo quadro: “Tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à direita de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés” (Hb 10.12-13).

Paulo diz que os crentes já foram transportados para o Reino de Cristo: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13). E não esqueçamos: a declaração mais primitiva e fundamental da fé cristã é “Jesus é o Senhor” (1Co 12.3). Ele é Senhor já no presente — não o será apenas no futuro. Isto tem muitas implicações, sociais e também políticas; muitos cristãos morreram por causa desta “mera” confissão, pois ela significa mais do que dizer que Jesus é o Senhor da minha vida: significa que ele é o Senhor de todo o mundo. Por isso é chamado Rei dos reis (Ap 19.16).

O adiamento

Duas razões por que a Decisiva não foi a Final

Se a vitória já é certa, por que Deus não encerrou a guerra na própria cruz? O livro aponta duas razões — e ambas têm o nosso nome.

Jesus lutou por nós, mas também quer que lutemos com ele. Ele nos envia ao campo de batalha, como ovelhas entre lobos, para que vençamos fundamentados na sua tremenda vitória (Mt 10.16; Rm 8.37). “Paz seja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu também os envio. E, tendo dito isto, soprou sobre eles e disse: Recebam o Espírito Santo” (Jo 20.21-22). Em Cristo, combatemos o bom combate e conservamos a fé, a fim de receber a coroa da justiça preparada para todos os vencedores (2Tm 4.7-8; Ap 2.10-11; 3.11-12). Deste modo, através da sua Igreja — que recebeu o seu Espírito e por isso é chamada seu Corpo —, Jesus segue gradativamente reinando e subjugando um a um os seus inimigos, até o dia glorioso em que o último inimigo, a morte, será definitivamente tragado pela vitória (1Co 15.25-26, 54).

Do livro

Questões para reflexão

Responda por escrito, com honestidade, diante de Deus.

1. Por que será que a batalha decisiva da cruz não produziu o final da guerra, com a destruição definitiva de todo o mal? Por que ainda temos de esperar?
2. Qual é o nosso papel como cristãos que vivemos entre a primeira e a segunda vindas de Cristo — entre a Batalha Decisiva e a Final?
3. De que modo a vitória de Cristo na cruz nos anima diante das tribulações e batalhas da nossa própria existência?
4. Faça uma lista do que já recebemos em Cristo e outra com aquilo que ainda está por vir.
5. O que significa buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça (Mt 6.33)?
6. As bem-aventuranças são para agora ou apenas para uma era futura?

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

“Por que a batalha decisiva da cruz não produziu o final da guerra? Por que ainda temos de esperar?” — a primeira questão do livro. Medite antes de abrir a resposta sugerida.Ver resposta sugerida
A espera não é atraso de Deus — é estratégia de amor. Primeiro, porque o modo divino de vencer é atrair, não coagir (Jo 12.32; Zc 4.6): encerrar a guerra na sexta-feira da cruz significaria fechar a porta antes de bilhões entrarem; a “demora” é longanimidade que não quer que ninguém pereça (2Pe 3.9). Segundo, porque o Pai quis filhos vencedores, não espectadores: “assim como eu venci… ao vencedor darei” (Ap 3.21) — o intervalo é a arena onde a Igreja participa da vitória como cooperadora (1Co 3.9). Note que Pedro chega a dizer que podemos “apressar” o Dia (2Pe 3.12): a espera tem a nossa missão dentro dela. E há um consolo embutido: se a vitória já foi selada no Dia D, cada batalha nossa é luta de consolidação, não de incerteza — combatemos a partir da vitória, não em busca dela (Rm 8.37). Quem entende isso troca a pergunta “por que ainda não acabou?” por “quem ainda falta eu alcançar antes que acabe?”.
Um irmão desanimado diz: “Se Jesus venceu na cruz, por que minha vida parece um campo de derrotas?” Como aplicar Hb 2.8 ao coração dele?Ver resposta sugerida
Mostre que a Bíblia já validou a percepção dele: “ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas” (Hb 2.8) — o Novo Testamento nunca prometeu que a era presente pareceria vitória por todos os lados. Mas o versículo seguinte dá o antídoto: “vemos, todavia, aquele que… foi coroado de glória e de honra: Jesus” (Hb 2.9). A fé não nega o campo de batalha; muda o ponto de observação — do noticiário para o trono (Cl 3.1-2; Hb 10.12-13). Depois, ofereça as âncoras do estudo: a analogia do Dia D (batalhas duras podem seguir-se a uma vitória irreversível), Jo 16.33 (“no mundo, passam por aflições; mas tenham bom ânimo: eu venci o mundo”) e Rm 8.37 (“em todas estas coisas somos mais que vencedores” — em todas, não fora delas). Por fim, dê-lhe futuro na promessa mais pessoal do tema: “em breve o Deus da paz esmagará Satanás debaixo dos pés de vocês” (Rm 16.20) — os pés do texto são os nossos. A derrota aparente é cenário de guerra em consolidação, não veredicto.

Para casa e próxima aula

Tarefas

Ler Cl 2.8-15 e Hb 2.5-9, sublinhando cada verbo de vitória já consumada; responder por escrito à questão 4 do estudo (a lista do “já” e a do “ainda não”), que será a espinha dorsal do Estudo 5; e memorizar Cl 2.15 e Rm 8.37.

Estudo 5

O valente amarrado, a natureza paradoxal do Reino entre as duas Vindas e as primícias da vitória que já podemos experimentar. Ir para o Estudo 5 →

Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello