O passado manda em você?
Não podemos mudar a forma de agir dos nossos antepassados. Podemos mudar a nossa, no presente.
“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”2 Coríntios 5.17 · NAA
Série Batalha Espiritual — os 12 estudos
Para começar
Tem gente que lida muito mal com os problemas derivados de sua herança familiar. Este estudo é para quem carrega esse peso — e para quem pastoreia quem carrega.
Não podemos mudar a forma de agir dos nossos antepassados. Podemos mudar a nossa, no presente.
Saul nasceu bem e desviou-se; Josias nasceu num lar perverso e rompeu o ciclo. A Bíblia desmonta o fatalismo pelos dois lados.
Séculos de escravidão contaminaram a autoestima de um povo — mas não a de Josué e Calebe. Qual foi o segredo deles?
O quadro
Alguns vivem a lamentar o infortúnio de terem nascido num lar desajustado, onde não receberam o devido amor e cuidado, sofrendo com a pobreza e a falta de oportunidades.
Alguns foram abandonados por seus pais, ou tiveram pais desajuizados, viciados em álcool ou drogas, imorais, egoístas, avarentos, mentirosos, infiéis, irresponsáveis, violentos, ignorantes, idólatras, envolvidos com ocultismo e bruxarias — ou ateus, profanos e debochados em relação às coisas de Deus. Pode ser também que você tenha chegado à conclusão de que isto não é novo em sua família, por identificar um padrão semelhante na vida de seus avós. Para piorar, você pode ter percebido que não é apenas vítima passiva, mas que também possui a tendência de reproduzir o mesmo mau comportamento — e essa sina parece perpetuar-se na família como uma verdadeira maldição. É muito difícil definir até que ponto isto é produto do meio, se existe algum componente genético ou se tem a ver com alguma maldição particular que recaiu sobre a família.
Diante de um quadro destes, o importante não é ficar olhando para trás, lamentando porque as coisas tiveram de ser assim e não de outro jeito. Você não pode voltar ao passado para mudar a forma de agir dos seus antepassados — mas pode, muito bem, mudar a sua forma de agir no presente. Não podemos nos sentir reféns do nosso passado. Não devemos culpar os outros e o passado por todas as nossas mazelas do presente, nem usar isto para justificar nossas falhas e fracassos. Ainda mais se já fomos salvos por Cristo.
A virada
Em vez de ficar olhando para o que os nossos antepassados fizeram, ou para o que o diabo fez, devemos olhar para o que Cristo fez por nós!
Se havia alguma maldição, ela já foi quebrada na cruz (Gl 3.13). Se, através de meus pais, eu nasci desta ou daquela maneira — em Cristo, eu já nasci de novo! “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6). Acompanhe a troca:
1Sm 9–15 · 2Rs 21–22
A Bíblia desmonta o fatalismo pelos dois lados — com um rei que nasceu bem e caiu, e outro que nasceu no pior berço possível e rompeu o ciclo.
Saul
Nasceu numa boa família e teve boa formação (1Sm 9.1-2); foi escolhido, ungido e equipado por Deus (1Sm 10.1-2) — e, mais adiante, desviou-se, a ponto de o Senhor declarar: “Arrependo-me de haver constituído Saul rei” (1Sm 15.11). Nascer numa família abençoada é grande vantagem, mas não garante o futuro.
Josias
Nasceu num lar cuja perversidade atravessava gerações — Manassés, seu avô, encheu Jerusalém de sangue e idolatria (2Rs 21) — mas decidiu não se tornar prisioneiro do passado: “Fez o que o Senhor aprova e andou nos caminhos de Davi” (2Rs 22.1-2).
Repare no detalhe de 2Rs 22.2: Josias não seguiu o exemplo dos seus antepassados mais imediatos; resolveu imitar um predecessor bem mais antigo, que jamais conheceu, mas cuja história inspirou a sua existência — Davi. Assim como os descendentes de Davi puderam rebelar-se contra Deus, tornando-se injustos e perversos, Josias pôde romper com o ciclo de perversidade, voltando-se para Deus e fazendo jus ao legado de Davi. Portanto, não está decretado o destino dos que nasceram em lares perturbados — nem garantido o dos que nasceram em lares abençoados. Não precisamos aceitar que o passado determine o nosso futuro. Bênção e maldição estão muito mais diante de nós do que atrás de nós: “Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição” (Dt 11.26).
Nm 13–14
Séculos de escravidão podem ser devastadores para a autoestima de um povo. Mas a confiança em Deus resgatou a autoestima de Josué e Calebe.
Sigamos o exemplo corajoso de Josué e Calebe, que não se deixaram condicionar pelo complexo de inferioridade que contaminou seus compatriotas depois de séculos de escravidão no Egito. Enquanto todo o povo chorou amedrontado diante do desafio de conquistar Canaã, sentindo-se como diminutos gafanhotos diante de gigantes (Nm 13.33), Josué e Calebe disseram: “Se o Senhor se agradar de nós, ele nos fará entrar nessa terra, onde manam leite e mel, e a dará a nós. Somente não sejam rebeldes contra o Senhor. E não tenham medo do povo da terra, porque nós os devoraremos como se fossem pão. A proteção deles se foi, mas o Senhor está conosco. Não tenham medo deles!” (Nm 14.8-9).
Águias, mesmo criadas ciscando como se fossem galinhas, seguem sendo águias — com potencial para voar muito alto. Nunca se esqueça de que você foi criado por Deus! Ainda que o diabo o tenha atacado, promovendo escravidão, Jesus veio para desfazer as obras do diabo (1Jo 3.8), restaurando a nossa sorte e nos tornando filhos de Deus. Pois “os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam” (Is 40.31). Note de onde vem a diferença: os dez espias e o povo mediram os gigantes com a régua de si mesmos (“éramos aos nossos próprios olhos como gafanhotos”); Josué e Calebe mediram os gigantes com a régua de Deus (“o Senhor está conosco”). O complexo de inferioridade se cura trocando de régua.
Rm 8.28
Precisamos buscar discernir a mão de Deus em todas as adversidades da vida, pois Deus, em sua soberania, é capaz de utilizar todas as coisas para o nosso benefício (Rm 8.28).
Como disse Jesus: “O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois” (Jo 13.7). Por isto Paulo nos exorta: “Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus” (1Ts 5.18). Podemos, portanto, olhar com outros olhos o nosso passado, discernindo a boa mão de Deus e o seu cuidado para conosco, sendo gratos a ele por tudo — até mesmo pelos infortúnios do passado —, crendo que existe um propósito que ultrapassa os limites da nossa compreensão. Lembrando as palavras do apóstolo, que se gloriou no seu espinho na carne, conscientes de que o poder de Deus se aperfeiçoa nas nossas fraquezas (2Co 12.9-10), todos nós — até os mais fracos do ponto de vista da herança familiar — somos encorajados a louvar a Deus como cantou o salmista: “Pois tu formaste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” (Sl 139.13-14).
Do livro
As perguntas abaixo encerram o capítulo no livro. Responda-as por escrito, com honestidade, diante de Deus.
Fixação
Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.
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Para pensar e conversar
Tarefas
Responder por escrito às cinco Questões para Reflexão do estudo; ler 2Rs 22–23 e anotar três decisões concretas de Josias que romperam o ciclo da família; e escrever a “troca de régua”: numa coluna, como você se vê olhando para a sua herança; na outra, como Deus o vê segundo Rm 8.15-17, 29 e Sl 139.13-14.
Estudo 3
A guerra espiritual desde a origem: as Três Grandes Batalhas, o porquê da liberdade e o Pai que cativa pelo amor (Gn 3; Lc 15). Ir para o Estudo 3 →
Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello