Batalha EspiritualEstudo 2

Herança Familiar: da Sina à Nova Identidade

“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”2 Coríntios 5.17 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: 2Rs 22.1-2; Nm 13–14; Sl 139

Série Batalha Espiritual — os 12 estudos

1 · Maldição Hereditária2 · Herança Familiar3 · Batalha Inicial4 · Batalha Decisiva5 · O Valente Amarrado6 · A Batalha Final7 · Contra quem Lutamos?8 · Sedução e Disfarce9 · Ataques à Mente e ao Coração10 · Vencendo a Carne11 · Vencendo o Mundo12 · Nossas Armas

Para começar

As perguntas que nos guiam

Tem gente que lida muito mal com os problemas derivados de sua herança familiar. Este estudo é para quem carrega esse peso — e para quem pastoreia quem carrega.

1

O passado manda em você?

Não podemos mudar a forma de agir dos nossos antepassados. Podemos mudar a nossa, no presente.

2

Berço é destino?

Saul nasceu bem e desviou-se; Josias nasceu num lar perverso e rompeu o ciclo. A Bíblia desmonta o fatalismo pelos dois lados.

3

Gafanhoto ou águia?

Séculos de escravidão contaminaram a autoestima de um povo — mas não a de Josué e Calebe. Qual foi o segredo deles?

O quadro

Quando a herança pesa

Alguns vivem a lamentar o infortúnio de terem nascido num lar desajustado, onde não receberam o devido amor e cuidado, sofrendo com a pobreza e a falta de oportunidades.

Alguns foram abandonados por seus pais, ou tiveram pais desajuizados, viciados em álcool ou drogas, imorais, egoístas, avarentos, mentirosos, infiéis, irresponsáveis, violentos, ignorantes, idólatras, envolvidos com ocultismo e bruxarias — ou ateus, profanos e debochados em relação às coisas de Deus. Pode ser também que você tenha chegado à conclusão de que isto não é novo em sua família, por identificar um padrão semelhante na vida de seus avós. Para piorar, você pode ter percebido que não é apenas vítima passiva, mas que também possui a tendência de reproduzir o mesmo mau comportamento — e essa sina parece perpetuar-se na família como uma verdadeira maldição. É muito difícil definir até que ponto isto é produto do meio, se existe algum componente genético ou se tem a ver com alguma maldição particular que recaiu sobre a família.

Diante de um quadro destes, o importante não é ficar olhando para trás, lamentando porque as coisas tiveram de ser assim e não de outro jeito. Você não pode voltar ao passado para mudar a forma de agir dos seus antepassados — mas pode, muito bem, mudar a sua forma de agir no presente. Não podemos nos sentir reféns do nosso passado. Não devemos culpar os outros e o passado por todas as nossas mazelas do presente, nem usar isto para justificar nossas falhas e fracassos. Ainda mais se já fomos salvos por Cristo.

A virada

Olhe para o que Cristo fez por você

Em vez de ficar olhando para o que os nossos antepassados fizeram, ou para o que o diabo fez, devemos olhar para o que Cristo fez por nós!

Se havia alguma maldição, ela já foi quebrada na cruz (Gl 3.13). Se, através de meus pais, eu nasci desta ou daquela maneira — em Cristo, eu já nasci de novo! “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6). Acompanhe a troca:

Você nasceu com a aparência dos seus pais — mas renasceu espiritualmente à imagem e semelhança do seu Criador, sendo conformado à imagem do Filho (Rm 8.29).
Geneticamente, herdamos um corpo frágil, sujeito às enfermidades e à morte — mas agora recebemos a vida eterna: somos herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (Rm 8.17).
Se a nossa família não foi lá grandes coisas — hoje pertencemos à família de Deus (Ef 2.19).
Se os nossos pais não foram bons exemplos — temos agora um Pai exemplar, a quem imitamos como filhos amados (Ef 5.1), e um Irmão mais velho que nos serve de modelo impecável (Rm 8.29; Hb 2.11).

1Sm 9–15 · 2Rs 21–22

Saul e Josias: berço não é destino

A Bíblia desmonta o fatalismo pelos dois lados — com um rei que nasceu bem e caiu, e outro que nasceu no pior berço possível e rompeu o ciclo.

Repare no detalhe de 2Rs 22.2: Josias não seguiu o exemplo dos seus antepassados mais imediatos; resolveu imitar um predecessor bem mais antigo, que jamais conheceu, mas cuja história inspirou a sua existência — Davi. Assim como os descendentes de Davi puderam rebelar-se contra Deus, tornando-se injustos e perversos, Josias pôde romper com o ciclo de perversidade, voltando-se para Deus e fazendo jus ao legado de Davi. Portanto, não está decretado o destino dos que nasceram em lares perturbados — nem garantido o dos que nasceram em lares abençoados. Não precisamos aceitar que o passado determine o nosso futuro. Bênção e maldição estão muito mais diante de nós do que atrás de nós: “Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição” (Dt 11.26).

Nm 13–14

Gafanhotos e águias: a autoestima resgatada

Séculos de escravidão podem ser devastadores para a autoestima de um povo. Mas a confiança em Deus resgatou a autoestima de Josué e Calebe.

Sigamos o exemplo corajoso de Josué e Calebe, que não se deixaram condicionar pelo complexo de inferioridade que contaminou seus compatriotas depois de séculos de escravidão no Egito. Enquanto todo o povo chorou amedrontado diante do desafio de conquistar Canaã, sentindo-se como diminutos gafanhotos diante de gigantes (Nm 13.33), Josué e Calebe disseram: “Se o Senhor se agradar de nós, ele nos fará entrar nessa terra, onde manam leite e mel, e a dará a nós. Somente não sejam rebeldes contra o Senhor. E não tenham medo do povo da terra, porque nós os devoraremos como se fossem pão. A proteção deles se foi, mas o Senhor está conosco. Não tenham medo deles!” (Nm 14.8-9).

Águias, mesmo criadas ciscando como se fossem galinhas, seguem sendo águias — com potencial para voar muito alto. Nunca se esqueça de que você foi criado por Deus! Ainda que o diabo o tenha atacado, promovendo escravidão, Jesus veio para desfazer as obras do diabo (1Jo 3.8), restaurando a nossa sorte e nos tornando filhos de Deus. Pois “os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam” (Is 40.31). Note de onde vem a diferença: os dez espias e o povo mediram os gigantes com a régua de si mesmos (“éramos aos nossos próprios olhos como gafanhotos”); Josué e Calebe mediram os gigantes com a régua de Deus (“o Senhor está conosco”). O complexo de inferioridade se cura trocando de régua.

Rm 8.28

Discernir a boa mão de Deus — até no passado difícil

Precisamos buscar discernir a mão de Deus em todas as adversidades da vida, pois Deus, em sua soberania, é capaz de utilizar todas as coisas para o nosso benefício (Rm 8.28).

Como disse Jesus: “O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois” (Jo 13.7). Por isto Paulo nos exorta: “Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus” (1Ts 5.18). Podemos, portanto, olhar com outros olhos o nosso passado, discernindo a boa mão de Deus e o seu cuidado para conosco, sendo gratos a ele por tudo — até mesmo pelos infortúnios do passado —, crendo que existe um propósito que ultrapassa os limites da nossa compreensão. Lembrando as palavras do apóstolo, que se gloriou no seu espinho na carne, conscientes de que o poder de Deus se aperfeiçoa nas nossas fraquezas (2Co 12.9-10), todos nós — até os mais fracos do ponto de vista da herança familiar — somos encorajados a louvar a Deus como cantou o salmista: “Pois tu formaste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” (Sl 139.13-14).

Do livro

Questões para reflexão

As perguntas abaixo encerram o capítulo no livro. Responda-as por escrito, com honestidade, diante de Deus.

1. Como é que você se sente em relação ao seu passado?
2. Você tem sido controlado por seu passado?
3. Você se vale de seu passado ou herança familiar para justificar suas falhas e fracassos?
4. Você já sofreu alguma espécie de complexo de inferioridade?
5. O que o novo nascimento significa para você e como isto o ajuda a enfrentar traumas e complexos do passado (2Co 5.17)?

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

0 de 5

Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

“O que o novo nascimento significa para você — e como isto o ajuda a enfrentar traumas e complexos do passado?” (2Co 5.17). Esta é a última questão do livro; medite numa resposta antes de abrir a sugerida.Ver resposta sugerida
O novo nascimento significa que a minha identidade mais profunda não é mais herdada — é recebida. Nasci da carne com o rosto, os genes e as feridas da minha família (Jo 3.6); nasci do Espírito com a imagem do Filho sendo formada em mim (Rm 8.29). Isso não apaga a história: apaga a sentença. O trauma vira cicatriz em vez de cadeia, porque quem define quem eu sou deixou de ser o que me fizeram e passou a ser o que Cristo fez por mim (Gl 3.13; Cl 2.13-14). Na prática, isso muda três coisas: o espelho (não me vejo mais como gafanhoto, Nm 13.33, mas como filho, Rm 8.17), a régua (meço os gigantes pelo “o Senhor está conosco”, Nm 14.9) e a direção do olhar (de Fp 3.13: esqueço o que ficou para trás e avanço). E, quando a dor antiga volta a doer — porque volta —, o novo nascimento me dá um Pai a quem correr, uma família onde me curar (Ef 2.19) e a promessa de que até aquilo cooperará para o bem (Rm 8.28).
Um irmão diz: “Pastor, sou grato a Deus, mas não consigo agradecer pelo meu passado; apanhei demais. Sou menos espiritual por isso?” Como responder com mansidão?Ver resposta sugerida
Comece tirando o peso falso: não, ele não é menos espiritual — e a Bíblia está cheia de oração honesta sobre dores reais (Salmos de lamento, Lm 3). Depois, ajude-o a distinguir: 1Ts 5.18 manda dar graças em todas as circunstâncias, e isso não é chamar de bom o que foi mau, nem negar a dor; José chamou de mal o que os irmãos fizeram — “vocês planejaram o mal contra mim” — e, no mesmo fôlego, adorou a soberania que o tornou em bem (Gn 50.20). Gratidão bíblica é confiança de que a última palavra sobre a história dele não pertence a quem o feriu, mas a quem o teceu no ventre (Sl 139.13-14). Sugira um caminho concreto: começar agradecendo não pelo mal, mas no meio dele — pela sobrevivência, pela conversão, pelas pessoas que Deus usou, pelo propósito que ainda se revela (Jo 13.7). Com o tempo e com cura, muitos descobrem que conseguem olhar até para as cicatrizes com o louvor do salmista. E lembre-o de que o próprio Senhor conhece traição, abandono e violência por dentro (Is 53.3): ele não exige gratidão de longe — acompanha de perto.

Para casa e próxima aula

Tarefas

Responder por escrito às cinco Questões para Reflexão do estudo; ler 2Rs 22–23 e anotar três decisões concretas de Josias que romperam o ciclo da família; e escrever a “troca de régua”: numa coluna, como você se vê olhando para a sua herança; na outra, como Deus o vê segundo Rm 8.15-17, 29 e Sl 139.13-14.

Estudo 3

A guerra espiritual desde a origem: as Três Grandes Batalhas, o porquê da liberdade e o Pai que cativa pelo amor (Gn 3; Lc 15). Ir para o Estudo 3 →

Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello