Manual de aconselhamento pastoral · Capítulo 5 de 14
Uma boa visita ao doente terminal é curta, preparada e centrada nele. O pastor chega sabendo o essencial, escuta mais do que fala, cuida do corpo e da alma, envolve a família e sai deixando uma bênção e a data da próxima visita.
As perguntas abaixo adaptam dois roteiros usados em hospitais no mundo inteiro: o FICA, de Christina Puchalski e Anna Romer (2000), e o HOPE, de Gowri Anandarajah e Ellen Hight (2001).
| O que se quer saber | Perguntas possíveis |
|---|---|
| Fontes de esperança e força | “O que tem dado força ao senhor nestes dias?” “O que o ajuda a continuar?” |
| Fé e crenças | “A fé tem sido importante na sua vida?” “Como está a sua relação com Deus agora?” |
| Importância e influência | “A sua fé tem ajudado a enfrentar a doença? Em algum momento ela pesou?” |
| Comunidade | “O senhor faz parte de uma igreja? Quem da igreja o senhor gostaria de ver?” |
| Práticas pessoais | “Que leitura, hino ou oração fazem bem ao senhor?” |
| Efeitos no cuidado | “Há alguma coisa da sua fé que os médicos ou a família precisam saber? Alguma decisão que o preocupa?” |
| Lugar | Cuidados próprios |
|---|---|
| Enfermaria ou quarto | Fale baixo, respeite os outros pacientes e use a cortina quando houver. Ore com voz que o doente ouça, sem fazer um culto no quarto. |
| UTI | As visitas são curtas e seguem regras rígidas. O doente pode estar sedado: fale com ele assim mesmo, leia um salmo perto do ouvido e ore. A maior parte do trabalho pastoral acontece na sala de espera, com a família. |
| Casa | Há mais tempo e mais intimidade. Respeite a rotina, observe o cansaço do cuidador e veja o que a igreja pode assumir. A equipe de atenção domiciliar é parceira. |
| Casa de repouso | Muitos moradores recebem poucas visitas. Hinos antigos e o Pai-Nosso costumam alcançar quem já tem a memória comprometida. |
Um estudo publicado em 2020 na revista Scientific Reports registrou, por eletroencefalograma, respostas do cérebro a sons em pacientes de cuidados paliativos que já não respondiam. A amostra foi pequena e não prova que eles compreendiam, mas confirma o conselho antigo de falar com o doente como quem pode ouvir.
A teologia wesleyana ensina que a graça de Deus vai adiante de nós e já está agindo em toda pessoa, antes que o pastor chegue. Por isto a visita começa com respeito e escuta, não com cobrança. Pergunte pela história de fé da pessoa e ofereça oração.
Quando houver abertura, apresente o evangelho com simplicidade: Deus ama esta pessoa, Cristo morreu e ressuscitou por ela, e ela pode confiar nele agora, com arrependimento e fé, como Wesley orientava no Sermão 98. O malfeitor na cruz mostra que nunca é tarde (Lc 23.42-43). O capítulo 13 traz uma oração simples para quem deseja entregar-se a Cristo.
O evangelho se oferece com mansidão (1Pe 3.15-16), nunca com pressão, nunca usando o medo e nunca diante de um companheiro de quarto que não pediu. Se a pessoa pertence a outra religião e não deseja a visita, respeite; se pedir um líder da sua tradição, ajude a família a encontrá-lo.
Com o crente afastado, a atitude é a do pai que correu ao encontro do filho (Lc 15.20). Acolha sem cobranças, ofereça a confissão e o perdão (1Jo 1.9) e lembre que o Manual prevê a restauração de quem se afastou (§120).
“Alguém de vocês está doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor” (Tg 5.14). O texto continua com a promessa de que a oração da fé salvará o enfermo e com o convite à confissão mútua de pecados (Tg 5.15-16). Os discípulos de Jesus já ungiam e curavam muitos enfermos (Mc 6.13).
O óleo não tem poder em si mesmo, e a unção não é sacramento: os sacramentos da igreja são o batismo e a Ceia do Senhor (§123). O óleo é sinal de consagração e da presença do Espírito, e o poder é do Senhor, que pode curar o corpo agora, dar paz e perdão, e trará a cura completa na ressurreição.
Muitos brasileiros associam a unção à “extrema-unção” e se assustam quando o pastor a oferece. Explique que ela é para os enfermos, em qualquer fase da doença, e não um rito de despedida.
O texto fala dos presbíteros da igreja; na prática, o pastor conduz a unção, acompanhado de irmãos que oram com ele. O Manual do Pastor traz também um culto de oração pela cura para a congregação reunida.
A Ceia é meio de graça pelo qual Deus vivifica, fortalece e confirma a nossa fé (§123), e Wesley insistia em que fosse recebida com frequência (Sermão 101). Para o doente que já não vai ao templo, receber a Ceia em casa ou no hospital é participar da mesa do Senhor com toda a igreja.
Organizador: Bispo Ildo Mello. Texto preparado com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do organizador. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA).