J. A. Wood · Amor Perfeito · Seções V a VII

A santidade pode ser alcançada: quando e como

A santidade pode ser alcançada nesta vida; o tempo entre a regeneração e a inteira santificação; por que ela não se obtém pelo simples crescimento na graça.

Seção quinta

A santidade pode ser alcançada

34. Você pode apresentar algumas provas de que a santidade pode ser alcançada?

A Bíblia ensina claramente: (1) que Deus nos ordena ser santos; (2) que Deus nos exorta a ser santos; (3) que Deus nos promete a santidade; (4) que todos os mandamentos e promessas a respeito da santidade se correspondem uns aos outros; (5) que Cristo e os apóstolos oraram por ela; (6) que ela foi experimentada; (7) que Deus fez ampla provisão para ela no evangelho; (8) que ela é o grande objetivo pelo qual o Espírito Santo habita no coração do cristão; (9) que ela é o grande objetivo de um ministério instituído; (10) a Bíblia ensina que Deus encoraja todos os cristãos a buscá-la e a esperá-la; (11) as declarações ocasionais da Bíblia ensinam que ela pode ser alcançada; (12) a Bíblia não nos permite admitir que Deus possa atormentar o seu povo com esperanças e promessas vãs, nem que possa impor-lhe coisas impossíveis de fazer; (13) afirmamos que a santidade pode ser alcançada por causa da natureza da obra e dos meios pelos quais ela se realiza.

1. Argumentamos que é possível alcançar esse estado pelo fato de que Deus o ordena expressamente. “Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e com toda a sua força”, e “ame o seu próximo como você ama a si mesmo” (Mc 12.30-31). “Sejam santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16). “Sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês, que está no céu” (Mt 5.48).

Daria Deus ordens impraticáveis? Esses mandamentos têm tanta autoridade quanto qualquer outro da Bíblia; e, se a santidade não puder ser alcançada, Deus ordena o impossível.

2. Argumentamos que é possível alcançar esse estado pelo fato de que somos expressamente exortados a ser santos. “Portanto, meus amados, tendo tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2Co 7.1). “Por isso, deixando os princípios elementares da doutrina de Cristo, avancemos para o que é perfeito” (Hb 6.1). Todas as exigências de Deus se baseiam na capacidade que o homem tem pela graça. Deus não exige coisas impossíveis.

3. Argumentamos que é possível alcançar esse estado pelo fato de que ele é expressamente prometido nas Escrituras. “Então aspergirei água pura sobre vocês, e vocês ficarão purificados. Eu os purificarei de todas as suas impurezas e de todos os seus ídolos” (Ez 36.25). “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça [santidade], porque serão saciados” (Mt 5.6). “Eu os livrarei de todas as suas impurezas” (Ez 36.29). Temos provas tão fortes de que a santidade é prometida aos cristãos quanto de que ela lhes é exigida. As promessas da inteira santificação estão entre as promessas mais completas e expressas da Bíblia. Será que Deus pretende atormentar o homem com essas promessas?

Podemos insistir com os cristãos e exortá-los a se apoderarem de Cristo para receber a graça santificadora com a mesma coerência e esperança com que exortamos os pecadores a se apoderarem de Cristo para receber o perdão e a regeneração.

4. Argumentamos que o estado de inteira santificação pode ser alcançado pelo fato de que os mandamentos e as promessas de Deus se correspondem uns aos outros. O que Deus ordena, ele promete nos ajudar a fazer.

Mandamento: “Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração” (Dt 6.5) etc.

Promessa: “O Senhor, seu Deus, circuncidará o coração de vocês e o coração dos seus descendentes, para que vocês amem o Senhor, seu Deus, de todo o coração e de toda a alma, para que vocês tenham vida” (Dt 30.6).

Mandamento: “Sejam santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16).

Promessa: “Eu os purificarei de todas as suas impurezas e de todos os seus ídolos” (Ez 36.25).

Mandamento: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso; ande na minha presença e seja perfeito” (Gn 17.1).

Promessa: “A minha graça é o que basta para você” (2Co 12.9); e “Fiel é aquele que os chama, o qual também o fará” (1Ts 5.24).

A Bíblia impõe o dever, mas nunca sem a promessa de toda a graça necessária para cumpri-lo. Entendemos que essa é uma lei universal da economia do evangelho. As promessas, como os mandamentos, estão no tempo presente. Estão à disposição imediata.

5. Argumentamos que é possível alcançar esse estado pelas declarações das Escrituras. “Cristo Jesus se tornou para nós, da parte de Deus, sabedoria, justiça, santificação e redenção” (1Co 1.30). “E a se revestir da nova natureza, criada segundo Deus, em justiça e verdadeira santidade” (Ef 4.24) [N. do T.: a NAA traz “em justiça e retidão procedentes da verdade”.]. “A fim de que o coração de vocês seja fortalecido em santidade, isento de culpa, na presença de nosso Deus” (1Ts 3.13). “Pois Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação” (1Ts 4.7). Se essas declarações, e outras semelhantes, são verdadeiras, a santidade pode ser alcançada. Se não são verdadeiras, a Bíblia é uma invenção.

6. Argumentamos que é possível alcançar a santidade pelo fato de que Cristo e os apóstolos oraram por ela. “Santifica-os na verdade” (Jo 17.17). “Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; livra-nos do mal” (Mt 6.10, 13). “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável” (Sl 51.10). “O mesmo Deus da paz os santifique em tudo. E que o espírito, a alma e o corpo de vocês sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 5.23).

Os homens inspirados fazem da santidade objeto de oração definida, fervorosa e insistente. Se não cressem que a santidade pode ser alcançada, não teriam orado por ela. Se não cressem que ela pode ser alcançada, seriam culpados de uma zombaria solene. Quem está disposto a crer nisso?

7. Argumentamos que a santidade pode ser alcançada pelo fato de que a Bíblia ensina que ela foi experimentada. “Alguns de vocês eram assim. Mas vocês foram lavados, foram santificados” (1Co 6.11). “Porque Herodes temia João, sabendo que era homem justo e santo” (Mc 6.20). “Ambos [Zacarias e Isabel] eram justos diante de Deus, vivendo de forma irrepreensível em todos os preceitos e mandamentos do Senhor” (Lc 1.6). “Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este modo de pensar” (Fp 3.15) [N. do T.: a NAA traz “que somos maduros”.]. “Vocês e Deus são testemunhas de como nos portamos de maneira piedosa, justa e irrepreensível em relação a vocês, os que creem” (1Ts 2.10).

Essas passagens não precisam de comentário; são claras e positivas.

8. Argumentamos que a santidade pode ser alcançada pelo fato de que Deus fez provisão para ela no evangelho. “Porque aquilo que a lei não podia fazer, por causa da fraqueza da carne, isso Deus fez, enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no que diz respeito ao pecado. E assim Deus condenou o pecado na carne, a fim de que a exigência da lei se cumprisse em nós, que não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rm 8.3-4). A Bíblia afirma positivamente que no evangelho foi feita provisão para a nossa santificação. “Carregando ele mesmo, em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça” (1Pe 2.24). “O qual se tornou para nós, da parte de Deus, sabedoria, justiça, santificação e redenção” (1Co 1.30). “Por isso, também Jesus, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da cidade” (Hb 13.12). Os meios que Deus providenciou são amplos em todos os sentidos. O sangue de Cristo expia a nossa culpa; o seu mérito obtém para nós toda a graça necessária, e o seu Espírito pode iluminar a nossa mente, renovar-nos segundo a imagem de Deus e encher-nos de todos os frutos da justiça. Temos na Bíblia a mesma prova de que foi feita provisão para a inteira santificação dos cristãos que temos de que foi feita provisão para a regeneração e a justificação dos pecadores.

9. Argumentamos que a santidade pode ser alcançada pelo fato de que ela é o objetivo declarado pelo qual o Espírito Santo habita no coração do cristão. “Por essa razão, eu me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toda a família, nos céus e na terra, recebe o nome. Peço a Deus que, segundo a riqueza da sua glória, conceda a vocês que sejam fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito, no íntimo de cada um. E assim, pela fé, que Cristo habite no coração de vocês, estando vocês enraizados e alicerçados em amor. Isto para que, com todos os santos, vocês possam compreender qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que vocês fiquem cheios de toda a plenitude de Deus” (Ef 3.14-19).

10. Argumentamos que a santificação pode ser alcançada pelo fato de que Deus nos deu a Palavra como meio instrumental para realizá-la. “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). “Vocês já estão limpos por causa da palavra que lhes tenho falado” (Jo 15.3). “Toda a Escritura é inspirada por Deus, a fim de que o servo de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16-17). A Palavra declara a sua necessidade e aponta para o sangue que purifica e para o Espírito Santo como o agente eficaz. “Pela santificação do Espírito e fé na verdade” (2Ts 2.13).

11. Argumentamos que a santidade pode ser alcançada pelo fato de que ela é o grande objetivo de um ministério instituído. “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de pessoa madura, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.11-13).

12. Argumentamos que a santidade pode ser alcançada pelo fato de que só a possibilidade de alcançá-la oferece um fundamento adequado para esforços vigorosos e acompanhados de oração para ser santo. Todos admitem que somos obrigados a ter a santidade como alvo. Ter como alvo um estado sem esperança de alcançá-lo é tarefa dura e só pode tirar a força dos nossos esforços. Se a santidade não pode ser alcançada nesta vida, buscá-la é agir contra um princípio que se considera necessário para a ação eficaz em qualquer outro assunto.

Seção sexta

O tempo entre a regeneração e a inteira santificação

35. Quanto tempo depois da regeneração a alma pode ser inteiramente santificada?

1. As Escrituras não fixam nenhum prazo que deva passar depois da conversão antes que a alma possa ser inteiramente santificada. Quanto ao tempo, o único pré-requisito para buscar a santidade é o estado justificado e regenerado. Até as “crianças em Cristo” (1Co 3.1) são exortadas a “avançar para o que é perfeito” (Hb 6.1), e todos os crentes estão incluídos no mandamento: “Sejam santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16). A grande declaração “a vontade de Deus é a santificação de vocês” (1Ts 4.3) sempre foi verdadeira para todo crente e foi dirigida originalmente a convertidos dentre os gentios que eram apenas crianças em Cristo. “Hoje” (Hb 3.7), o tempo presente, é a voz tanto da Lei como do Evangelho a respeito da nossa santificação. É dever e privilégio de todos os crentes ter agora o coração purificado do pecado e cheio de amor.

2. Logo que somos convertidos, devemos avançar para a boa terra que mana leite e mel. Então, quando o reino de Deus acaba de ser estabelecido no nosso coração, o caminho é curto e as dificuldades são comparativamente poucas, e nunca é cedo demais nem há zelo demais nesse assunto.

A distância entre a regeneração e a inteira santificação não é grande e pode ser percorrida depressa, se obedecermos ao nosso guia espiritual e não entristecermos o Espírito Santo nem cairmos em pecado.

Todo o acampamento de Israel gastou apenas cerca de onze dias na viagem de Horebe a Cades-Barneia, que ficava bem na fronteira de Canaã, à vista das belas colinas daquela terra que manava leite e mel. Os israelitas passaram quarenta longos anos no deserto, quando poderiam ter entrado em menos de um mês na Canaã tão longamente prometida. Em nossa humilde opinião, há hoje bem uns seiscentos mil crentes na Igreja Metodista que deveriam atravessar para Canaã em menos de um mês. Alguns deles estão há mais de quarenta anos no deserto! Peço ao Senhor que levante no ministério mil Calebes e Josués para conduzir o povo na travessia.

3. Como esta questão é de enorme importância, permita-me apresentar a você várias autoridades a respeito dela.

John Wesley diz: “Tenho pensado bastante, ultimamente, num ponto em que talvez todos nós tenhamos sido falhos. Não temos tido por regra lembrar as pessoas, logo que são justificadas, de ‘avançar para a perfeição’. No entanto, esse é justamente o tempo preferível a todos os outros. Elas têm então a simplicidade das criancinhas; e são fervorosas de espírito, prontas a cortar a mão direita ou a arrancar o olho direito. Mas, se deixarmos uma vez esse fervor esfriar, teremos bastante dificuldade para trazê-las de novo mesmo até esse ponto.

“Todo aquele que, embora nasça de Deus num instante, sim, e seja santificado num instante, ainda assim sem dúvida cresce, por graus lentos, tanto depois da primeira como depois da segunda mudança. Mas daí não se segue que deva haver um espaço de tempo considerável entre uma e outra. Um ano ou um mês é o mesmo, para Deus, que mil. Por isso, é nosso dever orar e esperar a plena salvação a cada dia, a cada hora, a cada momento, sem aguardar até que tenhamos feito ou sofrido mais.

“Muitos em Macclesfield creram que o sangue de Cristo os havia purificado de todo pecado. Falei com esses, quarenta ao todo, um por um. Alguns disseram que receberam essa bênção dez dias, outros sete, outros quatro, outros três dias depois de terem encontrado a paz com Deus, e dois deles no dia seguinte.” Ele dá o notável exemplo de Grace Paddy, que foi “convencida do pecado, convertida a Deus e renovada no amor em doze horas”.

“Para Deus um dia é como mil anos. Daí se segue claramente que a quantidade de tempo nada é para ele. Séculos, anos, meses, dias, horas e momentos são exatamente o mesmo. Por consequência, ele pode santificar tanto um dia depois de sermos justificados como cem anos depois. Não há diferença alguma, a não ser que o suponhamos semelhante a nós. De fato, vemos que algumas das testemunhas mais incontestáveis da graça santificadora foram santificadas poucos dias depois de terem sido justificadas.” Não admira que ele exclame: “Ah, por que não encorajamos todos a esperar essa bênção a cada hora, desde o momento em que são justificados?”

O sr. Wesley escreveu a Freeborn Garrettson: “Será bom, logo que alguém que busca encontre a paz com Deus, exortá-lo a avançar para a perfeição.”

A sra. H. A. Rogers diz, a respeito da obra de santificação em Dublin: “A obra da santificação, ou amor perfeito, como algo recebido num momento e somente pela fé, tinha encontrado grande oposição aqui até que o sr. Fletcher veio e insistiu nela de modo claro, pleno e constante.”

4. O rev. Asa Kent, que pertenceu à Conferência de Providence, diz: “Há cinquenta e sessenta anos, os jovens convertidos eram exortados a aproveitar o seu ‘primeiro amor’ (Ap 2.4), enquanto o coração estava aquecido, buscando a plena santificação; diziam-lhes que isso os impediria de se desviar e lhes garantiria uma paz interior permanente. Antes de completar um ano na sociedade, a minha alma tinha fome e sede de um coração puro, e eu estava decidido a nunca descansar sem ele.”

5. O rev. Benjamin Abbott diz de uma das suas reuniões: “E antes de terminar a reunião, seis ou sete declararam ter recebido a santificação da alma, entre eles a esposa do sr. J. Brick, que tinha sido justificada apenas oito dias antes.”

6. O rev. Luther Lee diz: “Essa obra progressiva pode ser abreviada e concluída a qualquer momento, quando a inteligência compreende claramente os defeitos do estado presente e se exerce a fé, que compreende o poder e a disposição de Deus de nos santificar inteiramente e de fazê-lo agora.”

7. O dr. Jesse T. Peck diz: “Certamente as Escrituras não fixam nenhum prazo que deva passar antes que a obra possa ser realizada. O Salvador ora pelos seus discípulos: ‘Santifica-os na verdade’ (Jo 17.17), supondo que todos eles estavam, naquele momento, em condições de receber essa grande bênção. … De fato, tem havido tanta variedade nos prazos da inteira santificação que fica claro que nenhum tempo específico precisa passar antes que o homem convertido possa entrar no descanso do amor perfeito.”

8. O presidente Mahan diz: “Este é exatamente o sentimento que o Espírito de Deus imprime invariavelmente no jovem convertido no calor do seu primeiro amor. A linguagem e o sentimento de todo coração assim é:

‘Senhor, eu me entrego por completo;
Que todo pensamento e toda força sejam teus,
Inteiramente teus,
Teus por todas as eras eternas.’

Para o jovem convertido, isso não é uma hipérbole poética, mas o sentimento e a convicção reais do coração.”

9. O rev. James Caughey diz: “Apressar-se a atravessar para a Canaã espiritual está entre as primeiras lições do Espírito Santo depois da conversão.”

A Bíblia diz: “Eis agora o tempo oportuno! Eis agora o dia da salvação!” (2Co 6.2). O mandamento “Sejam santos” (1Pe 1.16) está no tempo presente e obriga todos os crentes, sem levar em conta quanto tempo passou desde a sua conversão. Paulo escreveu a convertidos dentre os gentios, na cidade de Tessalônica, que não tinham mais de seis meses de fé: “Esta é a vontade de Deus: a santificação de vocês” (1Ts 4.3). Qualquer adiamento da inteira santificação além do tempo necessário para conhecer a sua necessidade, a sua natureza e as condições para alcançá-la deve ser posto, com justiça, na nossa própria conta.

36. As imagens que as Escrituras usam para ilustrar a obra da inteira santificação sugerem rapidez e presteza?

Sugerem. As imagens empregadas são a da mortificação, a da morte por crucificação, a do refino de metais, a da ação do fermento e a da purificação do leproso.

“Façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena” (Cl 3.5). “A nossa velha natureza foi crucificada com ele” (Rm 6.6). “Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo” (Sl 51.7). “O Reino dos Céus é semelhante ao fermento que uma mulher pegou e misturou em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado” (Mt 13.33). “Voltarei a minha mão contra você, purificando-a da sua escória como se faz com potassa e tirando de você todo metal impuro” (Is 1.25).

Em todos esses casos o processo é rápido e logo se completa. Em nenhum deles dura sequer uma semana. A obra de mortificar, de crucificar, de refinar metais e de levedar toda a massa geralmente se completa em menos de vinte e quatro horas e nunca se estende por uma série de anos. “Eis agora o dia da salvação!” (2Co 6.2).

Seção sétima

A santidade não se obtém pelo crescimento na graça

37. É possível buscar com êxito alcançar gradualmente a inteira santificação?

Não; e, entre outras, pelas seguintes razões:

1. Quem busca alcançar gradualmente a inteira santificação busca necessariamente algo menos do que a inteira santificação agora; isto é, não busca de modo algum a inteira santificação.

2. Quem não procura extirpar agora todo pecado do seu coração tolera agora algum pecado no seu coração. Mas quem tolera pecado no coração não está em condições de oferecer a Deus uma oração aceitável. “Se, no coração, eu tivesse contemplado iniquidade, o Senhor não teria me ouvido” (Sl 66.18). O dr. F. G. Hibbard diz: “Negamos que algum homem jamais tenha vencido qualquer pecado enquanto a sua vontade o retinha, ainda que com a aprovação mais secreta ou tácita. Deus quer uma obra completa; e a plena salvação nunca será dada a não ser sob a condição do abandono inteiro, universal e incondicional de todo pecado, e da aceitação e aprovação de toda a vontade de Deus. Então, e só então, virá a palavra que nos declara sãos.”

3. Buscar uma pureza gradual torna impossível alcançar a inteira santificação. Isso porque exclui as condições da inteira santificação. A fé, que é a condição imediata da inteira santificação, só pode ser exercida junto com a renúncia a todo pecado e a completa submissão a Deus. A confiança consciente e a culpa consciente não podem existir no mesmo coração ao mesmo tempo; a primeira exclui a segunda.

38. É possível alcançar o estado de inteira santificação apenas pelo crescimento na graça?

Como esta é uma questão controvertida, além de importante, permita-me dar uma resposta um tanto longa e apresentar a você várias citações dos principais escritores da igreja sobre ela. Tornou-se bastante comum, entre os professantes, a opinião de que podem obter o livramento do pecado e um estado de pureza cristã pelo crescimento na graça. Considero isso um erro sério e causador de muito mal. Considero-o antiwesleyano e antibíblico.

O pecado que permanece no crente que não está inteiramente santificado consiste na corrupção inata. Não é pecado propriamente dito, mas corrupção interior, ou depravação, o efeito natural do pecado propriamente dito. (Veja a seção IV, pergunta 16.) Ela pode permanecer na alma depois da regeneração e se manifestar na forma de paixões, inclinações e apetites pervertidos, que às vezes lutam para ser satisfeitos e para dominar. Ela não reina; se reinasse, o pecado seria cometido, a justificação seria perdida e se lançaria o fundamento para o arrependimento de obras mortas. Embora às vezes possa se levantar, lutar pelo predomínio e afligir a alma, se a alma mantiver a sua integridade e a vontade permanecer firme, nenhum pecado é cometido, por mais depravação que se sinta. “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado” (1Jo 3.9) e “aquele que pratica o pecado procede do diabo” (1Jo 3.8). “Nisto [em cometer ou não pecado] são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo” (1Jo 3.10).

Certamente nenhum homem pode amar a Deus de todo o coração, ou estar inteiramente santificado, enquanto essa depravação, ou pecado que habita em nós (como costuma ser chamada), não for removida. Esse inimigo interior precisa ser expulso antes que se possa desfrutar do amor perfeito. O crescimento na graça trará luz crescente e dará força crescente para vencer o pecado inato e mantê-lo submetido, mas não o erradica.

A questão é esta: o pecado inato pode ser exterminado apenas pelo crescimento na graça?

1. Observo, em primeiro lugar, que o crescimento na graça envolve exatamente o que os seus termos indicam: um aumento e aperfeiçoamento da graça que temos agora, e não o extermínio do pecado remanescente. Devemos crescer na graça, mas não crescer até entrar nela. A cada esforço e ato da alma para resistir à tentação de fora, ou aos impulsos da depravação de dentro, ela ganha força crescente, mas isso não extirpa o pecado que nela habita. Enquanto uma alma regenerada conserva o estado justificado, a sua luz e a sua graça aumentarão, mesmo que o seu pecado inato não seja removido. A luz crescente revelará com mais clareza a deformidade e o pecado que restam no coração, embora não possa removê-los. Um aumento de paciência dará uma vitória mais fácil e completa sobre a impaciência; mas isso não remove do coração o pecado inato, a causa da tendência à impaciência, que é inerente à alma e não pode ser removida pelo simples aumento ou aperfeiçoamento de qualquer graça.

Um aumento de amor garantirá uma vitória mais fácil e perfeita sobre todas as influências contrárias a ele no coração, mas não remove a causa dessas influências contrárias.

O rev. William Reddy diz: “Esta salvação não se alcança ‘crescendo até ela’, nem pelas obras, ‘como os pelagianos falam em vão’. As ervas daninhas de uma horta não desaparecem com o crescimento das plantas e hortaliças úteis; precisam ser cavadas ou arrancadas. O pecado que resta no coração não é removido pelo crescimento das virtudes cristãs.”

A dificuldade que o mero crescimento na graça não alcança é a depravação inerente, enraizada no fundo da alma, que se mostra nos apetites, afeições e tendências do coração não santificado. A remoção dessa corrupção interior, causa fecunda desses impulsos, desejos e tendências ilícitos, não é obra do crescimento na graça, por mais que esse crescimento possa atordoá-la, diminuir o seu poder e impedir a sua ação.

Pelo crescimento na graça podemos aumentar em conhecimento; os hábitos de virtude podem se fortalecer; as graças do Espírito, em certa medida, podem se tornar cada vez mais maduras, firmes e fortalecidas; e, ainda assim, a alma pode continuar não salva do seu pecado inato. A remoção dele é uma obra instantânea, e não gradual. A preparação para extirpá-lo pode ser gradual; mas a sua expulsão e o recebimento de um estado purificado são instantâneos.

O rev. Timothy Merritt responde à ideia de uma santificação gradual, obtida pelo crescimento na graça pouco a pouco, da seguinte maneira: “A obra pode ser realizada num dia ou numa hora e, ainda assim, ser uma obra gradual ou progressiva. Não é necessário muito tempo para uma obra gradual desse tipo. As etapas podem ser as seguintes:

1. “A luz é comunicada à alma.

2. “A convicção se fixa na consciência.

3. “Brota o desejo de ser liberto de todo pecado.

4. “Ele confessa e ora pedindo livramento.

5. “Ele se convence de que não pode purificar o próprio coração e, por isso, se lança na misericórdia de Deus para isso.

6. “A obra é realizada nele. Ora, é evidente que essas várias ações podem ser realizadas em pouco tempo.”

Observamos: se esse processo é correto, e afirmamos que é, fica claro que a alma não está sendo santificada de modo algum durante o chamado processo gradual, ou durante as cinco primeiras etapas mencionadas! Obter luz, receber a convicção, ter fome de pureza, confessar e orar não são, em sentido algum, a obra de santificar a alma. Tudo isso pode existir, e a alma ainda continuar não santificada. Essas coisas precedem a santificação; mas não a produzem, e certamente não constituem a sua essência. O pecador passa por um processo semelhante antes da sua conversão; mas receber luz e convicção, confessar, orar e arrepender-se não o convertem. Apenas precedem a sua conversão.

O leitor queira notar com atenção o seguinte, da pena de John Wesley: “De fato, essa é uma verdade tão evidente que quase todos os filhos de Deus espalhados pelo mundo, por mais que divirjam em outros pontos, em geral concordam nisto: embora possamos, ‘pelo Espírito, mortificar os feitos do corpo’ (Rm 8.13), resistir ao pecado exterior e interior e vencê-lo; embora possamos enfraquecer os nossos inimigos dia após dia, não podemos expulsá-los. Com toda a graça que é dada na justificação não podemos extirpá-los. Por mais que vigiemos e oremos, não podemos purificar inteiramente nem o nosso coração nem as nossas mãos. Com toda a certeza não podemos, até que agrade ao nosso Senhor falar outra vez ao nosso coração, falar pela segunda vez: Fique limpo; e só então a lepra é purificada. Só então a raiz má, a mente carnal, é destruída; o pecado inato deixa de subsistir. Mas, se não houver essa segunda mudança, se não houver um livramento instantâneo depois da justificação, se não houver nada além de uma obra gradual de Deus (que existe uma obra gradual, ninguém nega), então temos de nos contentar, como pudermos, em continuar cheios de pecado até a morte.” Isso é claro e vai direto ao ponto.

As lutas do pecado inato pelo domínio podem cessar gradualmente; e, por essa razão, alguns crentes chegaram a pensar que o seu livramento do pecado é um processo gradual. Embora as suas lutas por satisfação ilícita possam cessar gradualmente, ele ainda existe no coração em estado de atordoamento ou adormecimento. Pode ser dominado e mantido sob domínio, e ainda assim não estar nem morto nem expulso do coração. O sr. Wesley diz: “Com que naturalidade os que experimentam essa mudança [a regeneração] supõem que todo pecado se foi, que ele foi inteiramente arrancado do seu coração e já não tem lugar nele! Com que facilidade tiram esta conclusão: Não sinto pecado algum, logo não tenho nenhum; ele não se mexe, logo não existe; não tem movimento, logo não tem existência! Mas raramente demora muito para que se desenganem, descobrindo que o pecado estava apenas suspenso, não destruído. As tentações voltam e o pecado revive, mostrando que antes estava atordoado, e não morto.”

O cristão que cresce pode muitas vezes ter uma vitória tão completa sobre o pecado, e o pecado pode ficar tão quieto no seu coração, que ele é levado a pensar que o pecado foi removido, quando está apenas submetido, tendo cessado por algum tempo as suas lutas por satisfação.

Crescer na graça não é o processo de separar da alma o pecado, nem antes nem depois da inteira santificação. Crescer na graça é aperfeiçoar o estoque de graça que há agora no coração. Isso produz uma aversão crescente ao pecado, um conhecimento crescente de Deus, de nós mesmos e do nosso dever. Produz um aumento de força em todas as graças do Espírito. Produzirá um apego crescente a Cristo e à sua causa. Mas tudo isso não extirpa o pecado inerente; apenas o mantém submetido e torna a vitória sobre ele mais fácil e completa. O seu extermínio não deve ser esperado do crescimento na graça, mas do poder que cria e purifica.

O rev. F. G. Hibbard diz: “Há muito tempo nos parece que muitos que buscam a inteira santidade confundem o dever de crescer gradualmente na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo com um gradual sair do pecado pelo crescimento. Parecem pensar que uma coisa envolve a outra, e que, assim como devem sempre crescer em Cristo em todas as coisas, devem também, por graus, sair crescendo da escravidão, da culpa e da contaminação do pecado.” … “Ora, a todos esses diríamos uma palavra de advertência. Não existe um sair gradual do pecado pelo crescimento. Tudo o que participa da natureza própria do pecado em vocês precisa ser perdoado e lavado pela fé no sangue do Cordeiro. Quando isso é feito, é uma obra instantânea.” … “O pecado não é algo de que se sai crescendo, mas algo que deve ser perdoado e purificado.” … “Nessa visão da perfeição [o aperfeiçoamento e a maturidade das graças do Espírito], há graus e etapas progressivas; mas na obra de simplesmente purificar de todo pecado, tanto ‘da carne como do espírito’ (2Co 7.1), o pecado inato e o manifesto, não há graus nem etapas progressivas: a obra é completa desde o início e instantânea quanto ao tempo, realizada pelo Espírito Santo exatamente no momento em que a alma sobrecarregada tem fé para ser curada por completo.”

O sr. Wesley diz: “Procurando saber [em 1761] por que em todas essas regiões tínhamos tão poucas testemunhas da plena salvação, recebi constantemente uma só e a mesma resposta: ‘Vemos agora que a buscávamos pelas nossas obras; pensávamos que ela viria gradualmente; nunca esperamos que viesse num momento, pela simples fé, exatamente do mesmo modo como recebemos a justificação.’ Que admira, então, que vocês tenham passado todos esses anos lutando como quem dá golpes no ar!”

2. Observo, em segundo lugar, que o fato de o pecado inato ser uma unidade, um princípio simples do mal, prova que não podemos ficar livres dele pelo crescimento na graça. Embora possa ter mil manifestações variadas, é o mesmo princípio mau em todas as formas da sua ação. Embora possa impregnar a alma inteira, tem os seus canais principais, e estes variam de pessoa para pessoa. São Paulo descreve em particular as correntes que brotam dessa fonte: “imoralidade sexual, impureza, libertinagem, rixas, ciúmes, iras, discórdias, divisões, facções, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas” (Gl 5.19-21).

O sr. Wesley, falando das almas regeneradas mas não santificadas, diz: “Elas agora sentem em si dois princípios claramente contrários um ao outro.” A esses princípios ele chama “natureza” e “graça”. Paulo os chama “carne” e “espírito”. O sr. Wesley atribui a esse princípio mau os sentimentos de orgulho, obstinação, ira, incredulidade e todos os apetites e tendências ilícitos. Ele diz: “O pecado permanece nele [no justificado e regenerado], sim, a SEMENTE DE todo pecado, até que ele seja santificado por inteiro.” São Paulo diz: “Se vocês viverem segundo a carne, caminharão para a morte” (Rm 8.13); e ainda: “Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8.14).

Esse “princípio”, ou “carne”, ou “natureza”, ou “pecado inato”, ou como quer que se chame, não é removido por nenhum processo gradual. A graça, o princípio que se opõe a ele, não foi implantada na alma gradualmente; tampouco o pecado inato, o antagonista da graça, é exterminado da alma gradualmente. Assim como houve um processo gradual antes que o princípio da graça fosse implantado, pode haver um processo preparatório antes que o pecado seja exterminado. O processo gradual, no primeiro caso, não quebrou o poder do pecado nem implantou a graça; tampouco a obra preparatória, no segundo, extermina o pecado e garante a pureza.

O pecado inerente não pode ser removido secando os seus canais principais, nem pode ser dividido e subdividido e removido da alma por partes. O dr. Adam Clarke diz: “Devemos vir a Deus em busca de uma purificação instantânea e completa de todo pecado, assim como em busca de um perdão instantâneo. Em nenhuma parte das Escrituras somos orientados a buscar a remissão dos pecados seriatim [um após outro], um agora e outro depois, e assim por diante. Nem em parte alguma somos orientados a buscar a santidade por graus. Nem um perdão por graus nem uma purificação por graus existem na Bíblia.”

Deus não purifica um apetite depravado e depois outro, e assim por diante, até que todo o pecado inato tenha sido removido da alma. Esse princípio mau, que é a dificuldade, está por trás desses apetites e inclinações; e, embora estes possam ser gradualmente subjugados e dominados, a remoção do pecado da alma é uma operação instantânea.

O sr. Wesley diz: “Você pode obter uma vitória crescente sobre o pecado desde o momento em que é justificado. Mas isso não basta. O corpo do pecado, a mente carnal, precisa ser destruído; o velho homem precisa ser morto, ou não podemos nos revestir do novo homem, que é criado segundo Deus (ou que é a imagem de Deus), em justiça e verdadeira santidade; e isso é feito num momento. Falar dessa obra como gradual seria um disparate, tanto quanto se falássemos de uma justificação gradual.”

O rev. James Caughey diz: “Eu perguntaria se os pecados de um penitente que crê são perdoados gradualmente, isto é, um por um, um agora e outro depois, ou en masse [em bloco], todos juntos e de uma vez, isto é, instantaneamente. Se você afirmar a segunda alternativa, então não é preciso mais nenhum argumento para provar que a bênção da ‘inteira santificação’ também é recebida instantaneamente, visto que o instrumento (a fé) é o mesmo, diferindo apenas no objeto pelo qual é exercida: o penitente crê para receber o perdão; o crente justificado, para receber a pureza.”

O sr. Wesley diz: “Quanto ao modo, creio que essa perfeição é sempre operada na alma por um simples ato de fé; por consequência, num instante.” E diz mais: “Espere por ela a cada dia, a cada hora, a cada momento. Por que não nesta hora, neste momento? Certamente você pode esperá-la agora, se crê que ela é pela fé. E por este sinal você pode saber com certeza se a busca pela fé ou pelas obras. Se for pelas obras, você quer que alguma coisa seja feita primeiro, antes de ser santificado. Você pensa: Tenho de ser ou fazer isto ou aquilo. Então você a está buscando pelas obras até hoje. Se a busca pela fé, você a espera tal como você é; e, se tal como você é, então espere-a agora. É importante observar que há uma ligação inseparável entre estes três pontos: espere-a pela fé, espere-a tal como você é e espere-a agora. Negar UM É NEGAR TODOS.”

A força e a vitalidade do pecado podem ser cada vez mais paralisadas e atordoadas e, ainda assim, permanecer as mesmas em natureza, possuindo todos os seus elementos essenciais enquanto tiver alguma existência, ou até que seja extirpado. Enquanto o princípio vital da graça não é implantado na alma regenerada, nenhum homem é cristão; e enquanto o princípio contrário do pecado que habita em nós não é removido do coração não santificado, nenhum cristão está inteiramente santificado, ou é “limpo de coração” (Mt 5.8).

3. Os homens não podem crescer até a santidade, pelo fato de que, em sua natureza, o crescimento e a santidade são coisas distintas: crescimento é desenvolvimento e aperfeiçoamento; santidade é pureza, liberdade do pecado. Enquanto a maturidade é o resultado do crescimento e do aperfeiçoamento, a pureza é o resultado de um poder que purifica e extirpa. Se quisermos ter uma visão clara deste assunto, é muito importante ter em mente a ideia de que pureza e maturidade são duas coisas distintas. Até as crianças em Cristo podem se tornar puras pelo poder purificador de Jesus; mas não podem se tornar cristãos maduros de uma vez. Isso exige desenvolvimento, experiência e aperfeiçoamento. O dr. Clarke não diz, na citação que demos, que a Bíblia não contém uma maturidade por graus, mas que ela não ensina uma pureza por graus. A pureza é uma das maiores ajudas para a maturidade, e a impureza é um dos seus principais obstáculos. É por isso que o cristão puro cresce ou amadurece mais depressa do que o não santificado.

A obra da maturidade pode prosseguir indefinidamente, tanto antes como depois da inteira santificação. Antes da inteira santificação ela é necessariamente mais lenta, instável e difícil, e em alguns aspectos e até certo ponto limitada. Depois da inteira santificação ela se torna rápida, fácil, natural e ilimitada. Misturar pureza e maturidade deu origem a muitas noções estranhas a respeito deste assunto.

A natureza do pecado e da depravação é tal que exclui a ideia de aperfeiçoá-los em qualquer sentido. O pecado é mal, e somente mal, raiz e ramo, broto, flor e fruto: uma coisa abominável e maldita, que Deus odeia. Não devemos cometer o primeiro e devemos nos livrar da segunda. O melhor que podemos fazer com o pecado inato é, pela graça de Deus, resistir a ele e mantê-lo submetido até que seja extirpado. Ele não pode ser podado, nem mudado, nem dirigido, nem corrigido para proveito algum; precisa ser morto e expulso do coração. Podemos progredir nos hábitos de virtude, em resistir à tentação, em obedecer a Deus, em acumular conhecimento, e em vencer o pecado e obter sobre ele vitórias mais fáceis; mas tudo isso nem o melhora nem o extermina.

O dr. George Peck observa bem: “A destruição do pecado na alma e o crescimento da santidade são duas coisas distintas. … Uma é instantânea; a outra, gradual; e é por isso que às vezes dizemos, com propriedade, que a obra da inteira santificação é ao mesmo tempo gradual e instantânea.”

O crescimento na graça é essencialmente o mesmo antes e depois da inteira santificação. A única diferença é que, num caso, o domínio da graça é um tanto limitado, e ela tem um poderoso inimigo interior contra o qual lutar, além dos de fora. No outro caso, a graça tem domínio ilimitado na alma, e o seu crescimento não é impedido por nada dentro do coração. Ela encontra obstáculos ao seu crescimento fora do coração, e sempre os encontrará enquanto estivermos em período de prova; mas dentro tudo é pacífico, amigável e em ordem. Os obstáculos interiores ao crescimento da alma não santificada são o fruto ou a ação do pecado inerente; e, embora o cristão que cresce possa vencer esses obstáculos, a causa deles, o grande inimigo íntimo, o pecado inato, precisa ser lançado fora. Permita-me repetir aqui: o crescimento na graça não é o processo de separar da alma o pecado, nem antes nem depois da inteira santificação. É o processo de desenvolvimento e amadurecimento, mas não de purificação.

4. Os mandamentos e as promessas de Deus me autorizam a dizer que a pureza não se obtém pelo crescimento na graça. Deus deseja, ordena e espera obediência imediata. Isso não pode acontecer se a santidade for alcançada por crescimento. Deus diz: “Sejam santos” (1Pe 1.16); “sejam perfeitos” (Mt 5.48); e: “Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração” (Mt 22.37). Tão certo quanto Deus deseja e nos ordena que sejamos santos agora, tão certo é que a obra de destruição do pecado e de purificação do coração é instantânea.

Há uma discrepância séria e irreconciliável entre os ensinos das Escrituras e um processo gradual de purificação. Tome-se esta preciosa promessa e santa aliança: “o juramento que fez a nosso pai Abraão, de conceder-nos que, livres [não crescidos] das mãos de inimigos, o adorássemos sem temor, em SANTIDADE e JUSTIÇA diante dele, TODOS OS NOSSOS DIAS” (Lc 1.73-75). Esta passagem está em conflito direto com a ideia de levar cinco, dez, vinte ou trinta anos para alcançar a pureza por um processo gradual, ou por crescimento.

Um dos maiores e mais graves erros de milhões na igreja de Deus tem sido considerar que o crescimento na graça se dá principalmente entre a regeneração e a inteira santificação, quando deveria dar-se sobretudo depois da pureza completa. Receio que esse erro tenha arruinado milhões. Multidões imensas na igreja parecem supor que entre a regeneração e a inteira santificação deve haver uma vida inteira de crescimento na graça.

O dr. Adam Clarke diz: “Todo penitente é exortado a crer no Senhor Jesus Cristo, para que receba a remissão dos pecados: ele não entende, nem pode entender, que a bênção assim prometida não deve ser recebida hoje, mas em algum tempo futuro. Da mesma forma, a todo crente o novo coração e o espírito reto são oferecidos no momento presente, para que possam ser recebidos nesse momento. Pois, como a obra de purificar e renovar o coração é obra de Deus, o seu poder onipotente pode realizá-la num momento, num abrir e fechar de olhos. E, como é nosso dever neste momento amar a Deus de todo o coração, e não podemos fazê-lo até que ele purifique o nosso coração, segue-se que ele está pronto a fazê-lo neste momento, porque quer que neste momento o amemos perfeitamente. . . . Neste momento, portanto, podemos ser esvaziados do pecado, cheios de santidade, e tornar-nos verdadeiramente felizes.”

O sr. Fletcher diz: “Admite-se, creio, de todos os lados que ‘somos salvos’, isto é, santificados tanto quanto justificados, ‘mediante a fé’ (Ef 2.8). Ora, aquele grau particular de santificação, aquela plena ‘circuncisão do coração’ (Rm 2.29) que purifica a alma em seu centro, brota de um grau peculiar de fé salvadora e de uma operação particular do ‘espírito de ardor’ (Is 4.4) [N. do T.: a NAA traz “Espírito purificador”]; operação rápida esta, que é comparada a um batismo de fogo, e às vezes se mostra tão aguda e penetrante que um homem sadio e forte mal consegue suportá-la.”

A pureza não é questão de tempo; o crescimento na graça é. Os crentes são libertados do pecado inato em todos os períodos depois da conversão, de um dia a cinquenta anos. Não preciso provar que muitos crentes não são inteiramente santificados senão num período distante da sua conversão. Isso é tão geral, tão evidente e tão vergonhosamente verdadeiro que dispensa prova.

Os crentes são alguma vez inteiramente santificados logo depois da conversão? Que o sr. Wesley responda: “Muitos em Macclesfield creram que o sangue de Cristo os havia purificado de todo pecado. Falei com eles, quarenta ao todo, um por um. Alguns disseram que receberam essa bênção dez dias, outros sete, outros quatro, outros três dias depois de terem achado paz com Deus, e dois deles no dia seguinte.” Ele nos dá o relato de Grace Paddy, que foi “convencida do pecado, convertida a Deus e renovada no amor, em doze horas”. Em defesa desses fatos, diz: “Para Deus, um dia é como mil anos; segue-se claramente que a quantidade de tempo nada é para ele. Séculos, anos, meses, dias, horas e momentos são exatamente o mesmo; por conseguinte, ele pode tanto nos santificar um dia depois de sermos justificados quanto cem anos depois. Não há diferença nenhuma, a não ser que o suponhamos alguém como nós. Assim, vemos de fato que algumas das testemunhas mais incontestáveis da graça santificadora foram santificadas poucos dias depois de serem justificadas.” Em harmonia com essas ideias do sr. Wesley, os mandamentos, convites e promessas das Escrituras sobre este assunto estão todos no tempo presente. Estão tão estritamente nele quanto os que se referem à justificação e à regeneração. Quanto ao tempo, a sua linguagem unânime é: “Eis agora o tempo oportuno! Eis agora O DIA DA SALVAÇÃO!” (2Co 6.2).

A maturidade, ou crescimento na graça, é, num sentido importante, questão de tempo; mas a pureza não é. Uma salvação livre e plena de todo pecado é privilégio e dever presente e constante de todos os crentes. Isso garantirá um crescimento na graça rápido, sólido e constante. O dr. Hibbard diz: “E é somente quando todo pecado propriamente dito é purificado do coração, quando todo o desejo se concentra em Deus e todo o consentimento da vontade abraça cada um e todos os mandamentos de Deus, que as virtudes de Cristo ou as graças do Espírito podem crescer num progresso sem impedimentos.”

5. As Escrituras ensinam que a santidade é alcançada por um poder que cria e purifica, e não pelo crescimento na graça. O salmista ora: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro” (Sl 51.10). Paulo diz: “Somos feitura dele, criados em Cristo Jesus” (Ef 2.10). Ele afirma que o novo homem de Deus “é criado em justiça e verdadeira santidade” (Ef 4.24) [N. do T.: a NAA traz “criada segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade”]. As Escrituras também ensinam que a santidade é resultado de um poder purificador, e não de crescimento ou aprimoramento. A promessa do Antigo Testamento é: “Aspergirei água pura sobre vocês, e vocês ficarão purificados. Eu os purificarei de todas as suas impurezas e de todos os seus ídolos” (Ez 36.25).

Paulo diz: “Meus amados, tendo tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2Co 7.1). Esta passagem indica, com todas as letras, que ser purificado do pecado é ser perfeito em santidade. Não faz nenhuma alusão a crescimento. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9). “E o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1Jo 1.7). A ideia nestas e em todas as passagens semelhantes é a pureza por extirpação, não por crescimento. Essa extirpação é realizada pelo poder criador e pelo sangue purificador de Cristo, buscados com esse fim específico, por meio da consagração, da oração e da fé.

Em harmonia com isso, o dr. Bangs diz: “Os que ensinam que devemos crescer gradualmente até um estado de santificação, sem jamais experimentar uma mudança instantânea do pecado inato para a santidade interior (mudança que se mostrará pelos seus frutos), devem ser rejeitados como doutrinariamente errados, antibíblicos e antimetodistas.”

Charles Wesley diz, num dos seus belos hinos:

“Espero até que ele me toque e me purifique,
e me conceda vida e poder,
e me dê a fé que expulsa o pecado
e purifica o coração.”

O leitor verá o mesmo sentimento ensinado nas seguintes linhas da pena daquela santa mulher, a sra. Hester Ann Rogers: “É verdade que podemos mortificar, resistir e manter sob controle esses males; mas só Jesus pode arrancar e destruir toda planta e raiz que seu Pai não plantou. Podemos crescer gradualmente na graça e na santidade, e com isso avançar em submeter vitoriosamente o inimigo interior; mas só Jesus pode matar o homem do pecado.”

O rev. Daniel Wise diz: “Uma das principais razões [por que muitos crentes não são santos] é que essas pessoas que buscam muitas vezes se esforçam para remendar o seu caráter religioso, em vez de visar à purificação do coração; ou, para dizê-lo de outro modo, visam à purificação do coração aperfeiçoando o caráter, esforçando-se por subjugar pecados particulares.”

O dr. Foster diz que a santificação é “distinta, em oposição à ideia de que seja mera regeneração, sustentando que é algo mais e adicional; instantânea, em oposição à ideia de um crescimento gradual até a maturidade ou o amadurecimento; sustentando que, embora seja maturidade do caráter cristão, amadurecimento das graças, e embora haja progresso em direção a ela, a sua obtenção não é mero amadurecimento resultante de crescimento gradual, mas se dá pela ação direta do Espírito Santo e é operada instantaneamente na alma, por mais tempo que a alma tenha estado progredindo em direção a ela.”

O sr. Fletcher ensina que o crescimento na graça, ou o processo gradual, não é a condição da inteira santificação. Ele diz: “Deus costuma dar um tempo considerável para que os homens recebam luz, cresçam na graça, façam e sofram a sua vontade, antes de serem justificados ou santificados.” Aqui o sr. Fletcher ensina que a recepção da luz, o crescimento na graça e o fazer e sofrer a vontade de Deus, como processo gradual, costumam preceder tanto a justificação quanto a santificação; mas esse processo não santifica a alma mais do que a regenera. Ele sem dúvida usou a expressão “crescer na graça” num sentido restrito, já que ninguém pode, propriamente falando, crescer na graça antes de ser justificado.

6. A experiência uniforme de todos os que obtiveram a inteira santificação fala de modo decisivo sobre a questão de obtê-la pelo crescimento na graça. O testemunho de todos os que têm clareza no testemunho da inteira santificação é que ela foi buscada como bênção distinta e obtida soltando-se de tudo, menos de Cristo, e mergulhando de uma vez na fonte. Podemos razoavelmente supor que a grande massa da igreja anseia por crescer na graça; mas com que rapidez estão obtendo um coração puro por esse crescimento? Que respondam as vastas multidões da Igreja Metodista Episcopal que vêm tentando crescer na graça durante cinco a quarenta anos e ainda estão sem o testemunho do Espírito de que o seu coração foi purificado. Falem, meus irmãos; pois “vocês são as minhas testemunhas, diz o Senhor” (Is 43.10).

O sr. Wesley diz: “Só em Londres encontrei seiscentos e cinquenta e dois membros da nossa sociedade que eram extremamente claros na sua experiência, e de cujo testemunho eu não via razão para duvidar. . . . E cada um deles (depois da mais cuidadosa investigação, não encontrei uma única exceção, nem na Grã-Bretanha nem na Irlanda) declarou que a sua libertação do pecado foi instantânea, que a mudança foi operada num momento. Se metade deles, ou um terço, ou um em vinte, tivesse declarado que ela foi operada gradualmente, eu teria acreditado nisso quanto a eles, e pensado que alguns eram santificados gradualmente e outros instantaneamente. Mas, como não encontrei, em tão longo espaço de tempo, uma só pessoa falando assim, e como todos os que creem estar santificados declaram a uma só voz que a mudança foi operada num momento, não posso deixar de crer que a santificação é comumente, se não sempre, uma obra instantânea.”

O fato de que alguns talvez não consigam saber o momento exato em que o pecado que habita neles foi extirpado não prova uma pureza gradual mais do que o mesmo fato, em relação à justificação, prova uma regeneração gradual. Enquanto muitos não conseguem fixar o momento exato em que foram regenerados, são poucos os que têm o testemunho da inteira santificação e não sabem dizer o momento exato em que o inimigo foi exterminado. A bela analogia entre as condições e a experiência da regeneração e da inteira santificação favorece a ideia de uma santificação instantânea, semelhante à regeneração.

Pode-se perguntar: “A inteira santificação não é uma morte para o pecado? E morrer não é um processo gradual?”

Se por morrer se entende a separação entre a alma e o corpo, respondo: não, estritamente falando, não é. A aproximação da morte pode ser gradual; mas o homem não morre, nem está morto, até que a sua alma deixe o corpo; e isso acontece num único instante. É claro que a morte é instantânea, embora a aproximação dela muitas vezes seja gradual. Enquanto a alma permanece no corpo, ela permanece inteira; quando sai, sai inteira. Como a alma não sai por partes, tudo o que é essencial à vida existe enquanto houver alguma vida; e no momento da morte acontece algo que não acontecia antes, e que é essencialmente diferente de tudo o que há na aproximação da morte. Milhões morrem sem processo gradual algum. A alma não deixa o corpo durante a aproximação gradual da morte; e, assim como há um último momento em que a alma possui o corpo, há um primeiro momento em que o corpo fica sem morador.

Desde o instante em que o pecador arrependido é justificado, a obra gradual de crescimento na graça, de mortificação do pecado e de luz crescente pode avançar na alma. Como no caso do moribundo mencionado, ele se aproxima gradualmente, cada vez mais, da hora e do momento da libertação do pecado que nele habita. Mas a sua aproximação gradual desse momento é algo muito diferente do fato da sua libertação. Alguns homens chegam muito perto da morte, por um processo muito gradual ou muito curto, e contudo não morrem, mas vivem muitos anos. Assim, muitos crentes chegam muito perto do extermínio do pecado, e contudo ele não é destruído, e continuam vivendo com a sua presença interior por longos anos.

Pode-se objetar que a obra da graça no coração é ilustrada pelo crescimento no reino vegetal: “primeiro aparece a planta, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga” (Mc 4.28). Essa figura ensina e ilustra a maturidade cristã, mas não ensina a pureza cristã. Há nas Escrituras duas classes de mandamentos e figuras a respeito do caráter e do dever cristão. Uma classe contém mandamentos e figuras que ordenam e ilustram o crescimento na graça e a maturidade. A outra ordena e ilustra a santidade ou pureza cristã. Por isso algumas figuras das Escrituras ensinam um crescimento e uma maturidade na graça. Isso admitimos tanto antes quanto depois da inteira santificação. Deduzir uma purificação gradual de uma figura das Escrituras destinada a ilustrar e recomendar o crescimento na graça e a maturidade é tirar conclusões que as premissas não autorizam. Repetimos: a ideia de santidade é a de pureza, e não de maturidade; e a questão não é se podemos crescer na graça antes de sermos feitos puros de coração, mas se esse crescimento extermina o pecado que habita em nós.

O sr. Wesley diz: “A santificação é tanto precedida quanto seguida por uma obra gradual.” Mas observe: ele não diz que aquilo que chama de “pecado que habita em nós”, ou “natureza”, ou “mente carnal”, ou “a semente de todo pecado”, é retirado gradualmente. Isso ele apresenta como um processo instantâneo. Para concluir esta resposta, digo: o processo de purificar e extirpar o pecado é uma coisa, e o crescimento ou maturidade na graça é outra bem diferente. Essas duas coisas não devem ser misturadas nem confundidas. Deus nunca realiza na alma, pelo poder purificador, aquilo que cabe ao crescimento na graça realizar. Por outro lado, o crescimento na graça não pode efetuar aquilo que é obra do poder que cria e purifica. Uma é obra instantânea, a outra, obra gradual.

Tradução para o português a partir de J. A. Wood, Perfect Love; or, Plain Things for Those Who Need Them (Filadélfia, Samuel D. Burlock, 1861), conferida com as imagens das páginas; domínio público. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.