Patrística · século IV
Seis livros em forma de diálogo sobre o ministério pastoral
João nasceu em Antioquia, na Síria, em 347. Estudou retórica com Libânio, o mais célebre mestre do seu tempo, e depois de batizado entregou-se à vida ascética. Foi presbítero em Antioquia e, a partir de 398, bispo de Constantinopla, onde enfrentou a oposição de poderosos e foi exilado duas vezes; morreu no exílio em 407. A eloquência dos seus sermões deu-lhe o nome pelo qual é conhecido: Crisóstomo, “boca de ouro”.
Sobre o Sacerdócio, escrito quando João era diácono (entre 381 e 386), é um diálogo em seis livros entre ele e o seu amigo Basílio. Por volta de 374, quando se espalhou que os dois poderiam ser escolhidos e ordenados à força para o episcopado, como então acontecia, João combinou com Basílio que agiriam juntos, mas escondeu-se, e Basílio foi ordenado. No primeiro livro João defende esse estratagema; nos outros, explica por que fugiu: a grandeza do ministério, o amor a Cristo que ele exige, os perigos da ambição e da vanglória, o cuidado com as viúvas e as virgens, a disciplina do rebanho, a defesa da fé contra as heresias, o trabalho da pregação e a conta que o pastor dará das almas no último dia.
O “sacerdócio” de que Crisóstomo fala é o ministério do bispo e do presbítero, o pastor do povo; muitas das suas observações servem a todo aquele que cuida de almas. Traduzimos com fidelidade, sem atenuar nem comentar, inclusive o que ele diz do altar, do sacrifício e do poder de ligar e desligar. A tradução foi feita da versão inglesa de W. R. W. Stephens, na coleção Nicene and Post-Nicene Fathers (1889), conferida com as páginas impressas; as notas são de Stephens.
A amizade de João e Basílio, as súplicas da mãe viúva, o plano de agirem juntos e o estratagema pelo qual João fugiu da ordenação e deixou o amigo ser ordenado.
Livro IIQuando o engano é lícito; o sacerdócio como prova do amor a Cristo ('Pedro, você me ama?'); como é difícil curar as almas, que não podem ser tratadas à força.
Livro IIIO sacerdócio pertence às coisas do céu: o altar, o poder de ligar e desligar, o novo nascimento. Os perigos da vanglória, da ambição e da ira, e o cuidado com as viúvas e as virgens.
Livro IVQuem aceita o ofício responde por ele; a Igreja, como um corpo, sofre muitas doenças, e o único remédio é a palavra: o pastor precisa saber ensinar e defender a fé contra judeus, pagãos e hereges.
Livro VO trabalho da pregação: desprezar a inveja e os louvores do povo, estudar sempre e falar para agradar a Deus.
Livro VIA conta que o sacerdote dará das almas no último dia; por que é mais difícil governar a Igreja do que viver como monge; o temor de João e o pedido final ao amigo.
Tradução para o português a partir da versão inglesa de W. R. W. Stephens (Nicene and Post-Nicene Fathers, 1ª série, vol. 9, Nova York, 1889), conferida com as imagens das páginas; domínio público. É, portanto, tradução de tradução. As notas são do tradutor inglês. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando Crisóstomo cita o texto bíblico tal como o conhecemos; quando cita de outro modo, segue-se a redação dele. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.