William Arthur · A Língua de Fogo · Capítulo VIII
Os benefícios permanentes do Pentecostes para a igreja: a presença e a operação do Espírito, a comunhão de Deus com o homem, a verdade em demonstração do Espírito e o progresso da graça entre os homens.
Benefícios permanentes que resultam para a Igreja
Entre os benefícios permanentes que resultam do Pentecostes, não podemos incluir a chama visível. Dela nunca mais encontramos menção alguma no curso da história apostólica; parece relacionar-se com a dispensação cristã assim como os fogos do Sinai se relacionaram com a mosaica: o sinal solene do poder sobrenatural no dia de sua inauguração.
Também não temos razão para considerar o “dom de línguas” um dos privilégios permanentes da igreja. Apenas duas vezes, em todo o livro de Atos dos Apóstolos, encontramos registro de que ele acompanhou a primeira introdução do cristianismo num lugar, e ambos os casos são muito peculiares. O primeiro foi na casa de Cornélio, quando Pedro, pregando ao seu auditório italiano, sentiu certa hesitação, receando estar talvez fazendo algo errado se os incluísse no rebanho da igreja; mas viu uma grande mudança se operar nos homens que estavam diante dele, ouviu-os começar a falar em outras línguas, e assim viu que, como a eles próprios no princípio, também aos gentios o Senhor havia agora concedido um Pentecostes. O outro caso é aquele em que os discípulos de Éfeso, que tinham sido instruídos no batismo de João, mas nem mesmo tinham “ouvido que existe o Espírito Santo” (At 19.2), receberam a palavra das mãos de Paulo e começaram a falar em outras línguas. Excetuados esses dois casos, nunca lemos que esse dom miraculoso tenha acompanhado imediatamente as conversões realizadas pela pregação dos apóstolos. Não seria justo concluir dessa circunstância que esses foram os únicos casos em que o dom foi concedido; mas podemos ao menos concluir que ele não acompanhava invariavelmente a primeira aparição do cristianismo, nem mesmo nos dias apostólicos.
Levanta-se uma dúvida considerável sobre se ele foi destinado a ser um dom permanente da igreja pelo que São Paulo diz sobre esse dom em particular na sua carta aos coríntios. Já se observou que ali ele mostra que esse dom é destituído de qualquer poder de edificação para a igreja e, portanto, não é um dom que provavelmente continuaria onde todos estivessem convencidos da verdade do cristianismo. “As línguas constituem um sinal não para os que creem, mas para os que não creem” (1Co 14.22). O único uso específico atribuído ao milagre é ser um sinal para os que não creem. Numa comunidade, portanto, em que toda a população se tornou crente, esse sinal deixava de ser necessário.
Parece que muitas vezes se dá por certo que o principal valor do dom de línguas era capacitar os que o possuíam a pregar o evangelho aos naturais de países cuja língua de outro modo não entendiam. Mas isso nunca é apresentado, no livro de Atos dos Apóstolos, como razão do dom. Um estrangeiro solitário que possuísse o dom de línguas e entrasse num país cuja língua de outro modo lhe fosse desconhecida teria nesse dom uma grande vantagem; mas, como já se observou, não a vantagem de impressionar com isso o povo do país com o senso do milagre (pois provavelmente pensariam que ele tinha aprendido a língua deles), e sim a de poder prosseguir imediatamente com a sua obra e missão. Deve-se notar, porém, que nunca encontramos essa vantagem citada como um dos resultados do dom. Excetuado o caso em que o dom de línguas serviu de sinal aos discípulos de que os gentios eram admitidos na dispensação e na comunidade do Espírito, o dom não era sinal “para os que creem” (1Co 14.22). O seu único uso era como “sinal” para os incrédulos, e mesmo para estes não em circunstâncias comuns; pois para eles a profecia, e não as línguas, era o dom proveitoso. Não sendo próprio para edificar a igreja, nem para levar ao arrependimento os incrédulos ignorantes, e servindo apenas de sinal em circunstâncias excepcionais, esse dom não parece claramente destinado a ser universal nem perpétuo.
Não somos chamados a dizer que ele nunca será restaurado à igreja, pois isso nunca é dito na palavra de Deus; nem devemos ridicularizar ou falar com desrespeito da fé de qualquer cristão que espera devotamente a sua restauração. Tudo o que dizemos é que não temos fundamento bíblico para reivindicá-lo como um dos dons permanentes do Espírito; e podemos acrescentar que, se algum dia voltar à igreja, será não uma mistificação, mas um milagre, um verdadeiro falar em “outras línguas” (At 2.4), e não um falar em alguma língua inaudita e desconhecida.
Tendo dito isso de antemão, chegamos à questão séria: a igreja cristã obtém alguma vantagem da dispensação do Espírito, além da de olhar para trás, para um período glorioso de milagre e poder na sua origem, um período que ela não pode considerar como a aurora de um longo dia cada vez mais claro, mas como um tempo maravilhoso de mistérios e prodígios, que não haveriam de ter lugar permanente na igreja? Pode parecer estranho formular a questão tão abertamente, perguntando se o cristianismo tem de fato algum benefício que resulte permanentemente do Pentecostes; mas é necessário fazê-lo, para enfrentar com honestidade não tanto opiniões bem digeridas e formalmente expressas, quanto um modo de sentir que muitas vezes prevalece entre ramos e membros professos da igreja cristã.
Nada é mais comum do que encontrar todo o sistema do cristianismo, como organização destinada a recuperar a humanidade de sua condição pecaminosa, mencionado, tratado e objeto de confiança como se estivesse claramente averiguado que ele não passa de um depósito de doutrina divina lançado sobre a terra, abandonado pelo Poder divino e deixado a abrir caminho entre os homens como pudesse, pela força inerente da verdade e pela permissão de circunstâncias favoráveis. Apresentam-se casos em que se dá por certo que o cristianismo não pode avançar, simplesmente porque existem dificuldades naturais tais que não se pode razoavelmente esperar que um agente natural as vença. Qualquer coisa que se pareça com uma confiança coerente num poder superior que age com a verdade e a faz triunfar sobre dificuldades invencíveis em termos naturais é tratada com desdém, como própria daqueles cuja religião não tem direito à veneração que o cristianismo, com o passar dos séculos, conquistou da humanidade.
Em tudo, a prática corre perigo se a teoria é falseada; e, depois de abandonada a teoria certa, a manutenção da prática certa é sempre precária e nunca dura muito. Se a verdadeira teoria do cristianismo é que o poder vivo do Espírito Santo, somado à ação pastoral, somado à verdade bíblica, somado a toda doutrina e a toda ordenança, um poder pelo qual a verdade é aplicada e o agente é vivificado para a sua obra, não deve ser esperado como continuamente presente e atuante na igreja, essa teoria deveria ser declarada com clareza e reconhecida formalmente por todos os cristãos. Se não é a verdadeira teoria, devemos cuidar para que ela não dê cor a nenhum dos nossos hábitos de pensamento.
Uma religião sem o Espírito Santo, ainda que tivesse todas as ordenanças e todas as doutrinas do Novo Testamento, certamente não seria o cristianismo. Nele, a presença e o poder do Espírito são sempre tidos como o elemento vital. O nosso mundo sem a sua atmosfera, ainda que fosse o mesmo globo, com as mesmas características físicas, seria outro mundo; e, se fosse habitado, teria de sê-lo por uma raça governada por leis inteiramente diferentes daquelas sob as quais se sustenta a vida humana. A mudança da igreja do Novo Testamento para uma igreja sem o Espírito Santo certamente não seria menor, em seu gênero, do que essa.
Todos os que tratam seriamente do cristianismo precisam reconhecer a presença do Espírito como parte integrante do seu sistema e do seu poder; mas, se essa presença há de residir de algum modo oculto e inconcebível numa igreja abstrata; não nos corações dos crentes individuais, não no templo vivo de corpos animados e almas santificadas, mas numa igreja santa composta de membros profanos, num ministério sagrado composto de pessoas mundanas, em casas santas onde se reúnem multidões mundanas e em livros santos manuseados por eclesiásticos ímpios; se essa há de ser a presença do Espírito, então a discussão sobre se ela deve ou não ser esperada perpetuamente pouco interesse precisa despertar.
Se a sua presença há de autorizar os homens a promulgar novas doutrinas contrárias às que já foram reveladas em sua própria palavra, e até a privar a massa dos seus semelhantes dessa palavra, sob o pretexto de lhes negar um guia enganoso e substituí-lo por um infalível, então a sua presença se tornaria uma contradição consigo mesma e um perigo. Sob nenhuma dessas luzes temos na palavra de Deus a menor razão para esperar a presença do Espírito. Ali não ouvimos falar dele como habitando em outro lugar senão no corpo dos crentes, nem como concedendo às gerações futuras o direito de se afastar dos caminhos antigos e da revelação clara do Filho de Deus.
Também não encontramos a promessa da sua presença dada de tal forma que toda ação e todo esforço da parte dos cristãos devam depender, a cada momento, da impressão pessoal de cada um sobre o movimento do Espírito dentro de si.
Mas, se por um lado não esperamos a presença permanente do Espírito com a igreja no sentido romanista, nem no sentido sustentado pelos estimáveis cristãos da Sociedade dos Amigos, por outro lado precisamos sustentar, como já dissemos, que sem a sua presença e operação nos corações dos crentes e nos agentes cristãos não podemos ter a religião cristã. Não esperamos sinais visíveis nem dons miraculosos, pois estes não eram a bênção e a graça substanciais concedidas no Pentecostes, mas eram apenas os seus arautos e introdutores. A graça e a bênção reais estavam naquilo que chamamos a influência espiritual do Espírito Santo, que age no coração do crente; a sua influência ministerial, que age na igreja; a sua influência convertedora, que age no mundo. Estas, sustentamos, são necessárias à identidade da religião cristã, foram concedidas para todas as épocas e, até o fim do mundo, serão derramadas sobre os que perseverantemente “esperam” (At 1.4) o batismo de fogo.
De onde nasce uma convicção que raramente encontramos formulada, mas cujo rastro achamos constantemente nas palavras de homens ponderados: a de que a nossa mente está cortada da comunhão com a Mente Pai e, embora capaz de extrair conhecimento dos objetos físicos e da mente dos homens, não tem nenhum acesso à Fonte do espírito, nem nenhuma luz reconhecível vinda dele? Em que palmo de terreno, em todo o reino da razão, podemos apoiar a noção de que o Espírito de Deus não se comunica ativa e diretamente com o espírito do homem? Será que somos tão completamente proscritos que, embora sem dúvida capazes de receber a ação do Ser divino para fins divinos, ele não queira tocar em súditos tão vis? Isso seria o dobre de finados do intelecto e da moral; pois, se estivéssemos assim cortados da Fonte da luz, nossas almas acabariam perdidas nas trevas. O senso do pecado dá à consciência uma sensação de exílio, cuja única resposta está na redenção. É inútil responder a ele com a simples razão, pois a razão não oferece apoio a esse sentimento, a não ser num terreno que a revelação primeiro descobre e depois transpõe pela cruz.
Será que todas as nossas percepções mentais vêm por meio de órgãos físicos, e que, não havendo nenhum desses órgãos como canal entre Deus e a alma, nenhuma comunicação pode acontecer? Poucos seriam ousados a ponto de dizer isso; muitos são ousados o bastante para supô-lo. Como! Nenhuma comunicação a não ser por órgãos físicos? Esses órgãos nunca explicam a comunicação; apenas aumentam o mistério. É verdade que os órgãos físicos só recebem ação de fora, de objetos físicos; e todas as nossas sensações vêm por esses órgãos. Mas eles mesmos nunca têm sensações. O órgão recebe um impulso da luz, do ar ou de outro objeto exterior e transmite esse impulso ao cérebro, produzindo ali uma vibração; mas que abismo entre uma vibração num cérebro e uma sensação da alma, ou uma ideia do céu, ou uma emoção de alegria!
Não parece mistério que dois homens sejam capazes de se comunicar, mas parece grande mistério que possam fazê-lo por um fio de ferro, estando a mil milhas de distância. Um deles faz um fogo secreto levar um pensamento da sua mente, por um fio, até a mente do outro; produz-se uma sensação, e seguem-se uma ideia e uma emoção; mas o fio não sente nenhuma delas. O impulso passa por ele; e a mente interpreta esse impulso e o transforma na imagem de um pai moribundo, de um bebê recém-nascido, de uma fortuna arruinada, ou de um soberano que diz: “Muito bem!” Toda a sensação, a percepção, a emoção estão dentro da mente, nenhuma delas no fio. O mesmo acontece com os órgãos: transmitem impulsos, mas nada sabem, nada sentem e nada explicam. O poder de comunicação é um poder mental. O espírito conhece e dá conhecimento. O espantoso não é que uma mente possa transmitir as suas ideias a outra mente semelhante a ela, mas que, estando encerrada numa câmara silenciosa da qual partem fios incapazes de um só pensamento ou sentimento, possa derramar por eles um fogo vivo e mutável que leva os seus sentimentos a outra.
“Quem conhece as coisas do ser humano”, diz Paulo, tocando nesse assunto, “a não ser o próprio espírito humano, que nele está?” (1Co 2.11) Para vocês, todas as mentes são invisíveis. É verdade que a mente do seu vizinho é em tudo semelhante à de vocês; contudo, vocês não podem dizer o que há dentro dela. Ela pode estar formando planos para a ruína ou para o bem de vocês; mas isso está além do olho, do ouvido ou da adivinhação do coração. Todo homem habita no invisível e muitas vezes se alegra em olhar para fora, para uma raça em que ninguém pode olhar para dentro dele. Mais vezes ainda, porém, ele se alegra em derramar-se nos outros e multiplicar os seus próprios sentimentos nos espíritos à sua volta. Quando o invisível “espírito humano” quer dar a conhecer “as coisas do ser humano”, tem à sua disposição meios fáceis, embora misteriosos.
Um homem está sentado no seu quarto, e coisas profundas passam pela sua mente. Sua mãe vê que ele está pensando; mas peçam-lhe que diga os pensamentos dele, e ela fica sem saber. Sua esposa o olha nos olhos e sabe que ele está sentindo algo; mas perguntem-lhe qual é a fonte e o curso da sua emoção, e ela está às escuras. Sua filhinha vê algo de elevado na fronte do pai, mas não sabe o que é. Pouco depois, mil pessoas estão diante dele, e “o espírito humano” se abre. Uma corrente de pensamento jorra dele, pensamento que vai dos objetos mais familiares ao alcance da mão até os que estão escondidos no seio da eternidade. E todos esses pensamentos, misturados com a emoção apropriada, passam diretamente da sua alma invisível para as almas das mil pessoas. Como isso se realiza?
Entre ele e elas flutua algo que chamamos “som”. O olho mais penetrante não o pode ver; o tato, o olfato ou o paladar mais delicados não acham nenhum vestígio dele. Enquanto ele se lança sobre o ouvido, o olho e a mão o procuram em vão. Contudo, ele está levando pensamento invisível, de uma alma invisível, por canais invisíveis, aos lugares silenciosos de muitas almas, onde os pensamentos que desperta são invisíveis ao vizinho mais próximo, até que se expressem em olhares ou palavras. A mente de quem fala envia uma sucessão de impulsos, por cordas ocultas, à sua língua e aos seus lábios; estes ferem o ar, no qual o golpe produz uma onda; esta bate no tímpano do ouvido, o que causa um estremecimento de um nervo por trás, e este um estremecimento do cérebro; e então a alma, lá dentro, vê uma imagem de Estêvão morrendo, ou de Paulo caindo na estrada, ou de Elias subindo, ou de Jesus à direita do Pai! Que ligação existe entre uma onda de ar, um estremecimento do cérebro e uma ideia de céu ou de inferno, de pecado ou de santidade? Que a ligação existe, é claro; mas COMO? Expliquem como “o espírito humano”, que “conhece as coisas do ser humano” (1Co 2.11), pode revelá-las dentro de outros espíritos. Tudo o que podemos dizer é que Deus estabeleceu um canal de comunicação, deu ao espírito meios de EXPRESSÃO e aos seus semelhantes meios de PERCEPÇÃO. Com esse fato diante de nós, ilustrado não só na forma que acabamos de citar, mas em mil formas todos os dias, com que pretexto levantamos um clamor de mistério quanto à comunicação do Espírito de Deus com o homem? O absurdo não pode chegar a limite mais extremo do que supor que o intelecto central não conhece nenhum caminho até todo intelecto; isto é, que lhe faltam meios de expressão. O desespero não pode lançar a humanidade mais baixo do que dizer que Deus, sendo capaz de ter comunhão com ela, iluminá-la, renová-la e impulsioná-la, ainda assim se mantém distante. Pois, se não existe comunicação, a razão está nele. Dizer que a falha não está no seu poder de expressão, mas no nosso poder de percepção, não muda nada: se ele não pode “revelar as coisas de Deus” (1Co 2.10-11) ao homem, com os poderes de percepção que o homem tem, não pode adaptar a expressão da sua própria vontade à nossa condição.
Muitos que evitam o extremo de negar que Deus tem de fato comunhão com as almas humanas cobrem, no entanto, a verdade com um manto macio, mas frio, um manto de neve, falando sempre em voz alta do mistério. Qual é o caminho do Espírito? Como pode o homem reconhecer a voz, o olhar, o semblante de Deus? Como é possível sentir a sua ira ou o seu favor, a sua presença ou o seu afastamento? Não é um mistério?
Sim, é um mistério; mas não é nada mais que isso. O mistério é aquilo a que estamos mais acostumados. Não conheço uma só coisa que conheça perfeitamente. Conheço dez mil que estão cheias de mistérios. A unha do meu dedo é um mistério: o fato é manifesto, o modo é indescobrível; sobre a minha mão posso fazer mais perguntas do que toda a humanidade pode responder; pulso, braço, ombro, todos têm mistérios; quando me aproximo do coração, do cérebro, que multidões de perguntas se levantam e são detidas pela conhecida impossibilidade de resposta! Se “o caminho do Espírito” (Ec 11.5) [N. do T.: Arthur segue a King James, “the way of the spirit”; a NAA traz “o caminho do vento”] pudesse ser perfeitamente explicado, o universo inteiro seria um enigma; pois por que aquilo que é tão elevado seria plenamente conhecido, e toda coisa comum diante dos nossos olhos conteria mistérios? O mistério envolvido na comunicação do Senhor com qualquer das suas criaturas é muito menor que o da nossa comunicação uns com os outros. Ele é de inteligência infinita; ele fez o ouvido; ele deu a fala ao homem; portanto, comunicar-se com qualquer espírito existente deve ser para ele mais fácil do que para o sol brilhar.
“Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Co 2.9).
O apóstolo não diz isso do céu; nem sequer alude a ele, pois o céu é “a glória a ser revelada” (Rm 8.18), ao passo que das “coisas boas” aqui em vista ele diz: “Deus, porém, revelou isso a nós por meio do Espírito” (1Co 2.10). Essas coisas boas, portanto, não são ensinos, pois destes o olho, o ouvido e a mente tomam conhecimento; nem o céu, pois ainda não foi revelado; mas aquelas bênçãos que estão “preparadas” para os que atendem ao chamado do Senhor: o perdão, a adoção e o favor de Deus. Antecipando a pergunta: “Como podem ser essas coisas? Como podem atos de misericórdia que se passam no mundo invisível ser revelados a nós?”, o apóstolo dá esta ilustração simples: “Pois quem conhece as coisas do ser humano, a não ser o próprio espírito humano, que nele está? Assim, ninguém conhece as coisas de Deus, a não ser o Espírito de Deus” (1Co 2.11). Se as coisas de Deus estão além do nosso olho, do nosso ouvido ou do nosso discernimento, assim também estão as de um homem; e, se o homem pode dar a conhecer a sua mente, quanto mais o Sábio supremo! “E nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente” (1Co 2.12). A adoção é um ato que nenhum homem vê; e, se nenhuma comunicação dele fosse feita àquele em cujo favor foi realizado, este jamais poderia descobri-lo pelos sentidos ou pela razão. Mesmo adotado, permaneceria no espírito de escravidão. Mas, para que não ignoremos essa mudança essencial na nossa relação com o nosso Pai celestial, para que não ignoremos as coisas que a sua graça nos concedeu, ele providenciou um Consolador, cuja obra benigna é consolar o nosso coração, fazendo-nos “conhecer” o que o Senhor fez por nós.
A crença de que Deus não tem comunhão com o homem não é resultado da razão. A razão não lhe dá apoio algum. Na verdade, mal chega a ser uma crença; é um sentimento, seguido de uma espécie de conclusão mental vista pela metade. Um menino, consciente de merecer a ira do pai, de algum modo pensa que não será recebido em casa. Os homens, conscientes de estarem afastados de Deus, recuam diante do pensamento de que o próprio peito em que engaiolaram coisas impuras possa ser um santuário da sua presença. Um sentimento de improbabilidade moral, de inadequação, leva a mente a fugir de tal esperança. Esperança, aliás, a princípio não parece: o menino esquece quanto há de esperança em estar ao lado do pai, por medo de ficar sob o seu olhar; esquece a alegria de recuperar o seu favor, no calor da inimizade contra o seu governo e as suas restrições.
Nunca existiu uma dificuldade natural à comunhão do Criador com as suas criaturas racionais. Uma dificuldade moral existiu; e nunca houve problema tão profundo como este: como poderia o Santo tomar o impuro nos braços e continuar sendo o Santo? Esse problema foi resolvido. O Santo se encontra com o profano sobre o sangue da expiação. Há morte para o malfeitor, ira contra a iniquidade, e, no entanto, misericórdia para o que se arrepende. O pecado não é encorajado, a inocência não é confundida com a culpa; e, ainda assim, os caídos são levantados. Vencida essa dificuldade moral, e nunca tendo existido uma dificuldade natural, se o Senhor não tivesse comunhão com a alma do homem como com a sua própria “geração” (At 17.28), a única razão teria de ser que lhe aprouve excluí-lo de tal comunhão. Afirmar isso seria entrar em oposição frontal a todo o propósito da revelação.
Não poucos daqueles que, se expressassem formalmente a sua crença, sustentariam que o Espírito deve permanecer com a igreja em todas as épocas, que a impossibilidade de ele ter comunhão com o homem é um absurdo e que o clamor de mistério não tem sentido, ainda assim, na prática, excluem a ação dele da própria visão e da visão dos que estão sob a sua influência, falando continuamente da verdade, e só da verdade, como o poder que há de renovar este mundo pecador. Longe de nós menosprezar a santa verdade, e, acima de tudo, a verdade que flui sem mancha da fonte da inspiração; mas uma verdade, mesmo quando divina, nunca é mais que a declaração do que é. Ela não é o poder que renova a alma humana, mas o instrumento desse poder; não a corrente elétrica, mas o condutor pelo qual a corrente passa. É necessária, tão necessária quanto o fio de metal para o telégrafo; mas, sozinha, é tão ineficaz quanto o fio quando o poder oculto não o percorre.
Vocês podem ensinar a um homem as verdades mais santas e, ainda assim, deixá-lo um homem miserável. Muitos que aprendem na infância que “Deus é amor” (1Jo 4.8) vivem desprezando a Deus e morrem blasfemando contra ele. Milhares que são cuidadosamente ensinados: “Creia no Senhor Jesus e você será salvo” (At 16.31) desprezam tão grande salvação todos os seus dias. Alguns dos seres mais perversos e miseráveis que andam sobre a terra são homens em cuja consciência, quando ainda jovens e ingênuos, a verdade foi cuidadosamente incutida. Se a simples verdade bastasse para renovar, há cidades, distritos, e até países, onde todos seriam santos.
Sem atentar para isso, e sem considerar o perigo de desviar a fé do poder para o instrumento, por mais belo e perfeito que o instrumento seja, muitos homens bons, por uma desatenção culpável, falam constantemente como se a verdade tivesse um domínio inerente sobre o homem e certamente fosse prevalecer quando apresentada com justeza. Temos ouvido isso até ficarmos prontos a perguntar: “Será que tomam os homens por anjos, para que a simples verdade os cative com tanta certeza?”, e até a perguntar: “Será que eles já ouviram que existe o Espírito Santo?” (At 19.2)
Certa ocasião, coube-nos ouvir um pregador de renome, pregando diante de uma grande sociedade missionária, sobre o texto: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra” (Lc 12.49). Tendo escolhido interpretar o fogo mencionado nessa passagem como o poder que haveria de purificar e renovar a terra, declarou de imediato que esse poder era a verdade e desenvolveu o seu tema com toda a coerência, sem jamais olhar para coisa alguma além do instrumento. Depois, ouvindo os méritos do sermão discutidos por alguns dos mais eminentes ministros da sua própria denominação, e não encontrando nenhuma alusão à sua teologia, perguntamos: “Vocês não notaram nenhum defeito teológico?” Ninguém havia notado nenhum, até que o ministro de alguma obscura congregação do interior rompeu o silêncio, pela primeira vez, dizendo: “Sim; não havia nele uma só palavra sobre o Espírito Santo.”
A crença de que a verdade é poderosa e, em razão do seu poder, há de prevalecer é tão falaciosa no abstrato quanto é contrária aos fatos da história humana e à palavra de Deus. Aceitaríamos a máxima de que a verdade há de prevalecer como perfeitamente correta, se apenas nos dessem uma comunidade de anjos em que experimentar a verdade. Com todo intelecto lúcido e todo coração reto, sem dúvida a verdade logo seria discernida e, uma vez discernida, abraçada de coração. Mas a verdade, ao descer entre nós, não vem para o meio de amigos. O coração humano oferece um terreno em que ela enfrenta o erro em desvantagem incomensurável. As paixões, os hábitos, os interesses, e até a própria natureza, pendem para o lado do erro; e, ainda que o juízo possa dar assentimento à verdade, o que nem sempre acontece, o erro pode alcançar uma vitória tanto mais notável por causa desse obstáculo. A verdade é poderosa nas naturezas puras; o erro, nas depravadas. Os que elogiam a Verdade pelo seu poder precisam de muito sangue-frio. Em que mundo vivem, para poderem proferir tal lisonja sob o olhar claro e sóbrio dela? Que são essas nações que ainda desprezam a verdade comercial e política, embora todos os seus interesses as convidem a abraçá-la? Que são essas populações “esclarecidas” diante das quais a verdade religiosa foi apresentada repetidas vezes, mas que a rejeitaram com raiva, mesmo atraindo sobre si inúmeras desvantagens sociais? Onde está a cidade em que a verdade sempre prevalece, ou a aldeia em que o erro não alcança vitórias? Será que os que melhor conhecem a natureza humana, quando têm um objetivo político a alcançar, confiam acima de tudo no poder da verdade sobre um eleitorado? Ou não teriam muito mais confiança na corrupção e na farra? Toda a história do homem é uma repreensão melancólica aos que falam com a boca cheia do poder da verdade. “Mas”, dizem eles, “a verdade há de prevalecer a longo prazo.” Sim, bendito seja Deus, há de prevalecer; não, porém, por causa do seu próprio poder sobre a natureza humana, mas porque o Espírito será derramado do alto, abrindo os olhos dos cegos e desimpedindo os ouvidos dos surdos.
As Sagradas Escrituras, embora sempre nos levem a considerar a verdade como o único instrumento da conversão do pecador e da santificação do crente, estão muito longe de proclamar o seu poder sobre a natureza humana simplesmente por ser verdade. Pelo contrário, mostram-nos muitas vezes que esse mesmo fato despertará contra ela as paixões da humanidade e provocará inimizade em vez de aprovação. Somos sempre orientados para além da verdade, para Aquele que é a Fonte e o Doador da verdade; e, embora tivéssemos apóstolos para anunciar o evangelho, somos sempre levados a não julgar suficiente que ele venha “somente em palavra, mas em demonstração do Espírito e de poder” (1Ts 1.5; 1Co 2.4).
Bem sabemos que muitos dos que falam da verdade como se ela realizasse tudo não querem dizer a verdade sem o Espírito para aplicá-la; mas o que se quer dizer deve ser dito. Retenham firmemente a verdade como instrumento divinamente adequado e absolutamente necessário; mas, ao engrandecer o instrumento, nunca esqueçam nem deixem de lado o agente. O Espírito é a verdade, no pregador, no ouvinte; o Espírito em primeiro lugar, o Espírito em último lugar, deve ser lembrado, objeto de confiança, exaltado, e não posto de lado por nenhum nome mais atraente. Nunca deve haver nem a aparência distante de querer evitar a confissão de uma crença no sobrenatural, ou de reduzir o cristianismo a um sistema capaz, em todos os pontos, de análise metafísica. Se não se espera que nenhum poder sobrenatural acompanhe o evangelho, a sua proclamação é ao mesmo tempo insincera e inútil.
Em sua relutância em reconhecer qualquer elemento sobrenatural na religião, muitos se refugiam na ideia de que, afinal, não devemos esperar o que os cristãos primitivos desfrutaram. Se isso significa que não devemos esperar milagres, não temos a menor objeção. Se significa que devemos esperar menos graça, não lhe podemos dar crédito algum. Nada pode ser mais contrário a todo o espírito e índole da religião revelada do que associar o avanço dos anos e dos acontecimentos a uma quantidade cada vez menor de vida e graça divinas entre os homens. Todas as coisas nos prometem progresso, não retrocesso. Nenhum princípio do cristianismo e nenhuma passagem das Escrituras cristãs autorizam a expectativa de que o sistema há de declinar com a idade e empalidecer antes do fim do seu dia. O modo de pensar a que nos referimos agora parece estar intimamente ligado à ideia favorita da incredulidade no mundo: a de que o Todo-Poderoso “deixa”, como dizem os homens, uma e outra província dos seus domínios aos cuidados de princípios e poderes secundários.
Limitada como é a mente humana, a ideia de combinar a atenção ao geral e ao particular sempre lhe apresenta uma dificuldade extrema. Em sua própria experiência, quando tem uma visão geral, ela necessariamente perde de vista os particulares; quando atende minuciosamente aos particulares, necessariamente perde de vista o geral. Transferindo inconscientemente ao Poder supremo a ideia da sua própria limitação, ela gostaria de livrá-lo da tarefa incompreensível de cuidar minuciosamente de cada átomo e, ao mesmo tempo, governar gloriosamente o universo. Mas, na presença do universal, a distinção entre o particular e o geral desaparece. As luzes artificiais ou brilham num aposento em particular, deixando a rua escura, ou brilham sobre a rua em geral, deixando escuro cada aposento das casas. Mas, quando nasce a Luz universal, ela não conhece distinção entre iluminação geral e particular. Cada janelinha do mundo é tão iluminada quanto o amplo vale do Ganges, e cada margarida solitária recebe a luz como se não houvesse nenhuma outra coisa na terra a iluminar.
“Ele deixa, ele deixa, ele cria e deixa, deixa ao curso da natureza, deixa às leis gerais.”
Essa é a linguagem tosca que ouvimos continuamente de homens que querem transferir as pequenas ideias dos sentidos humanos para a esfera infinita da Divindade. A ideia de o Onipresente deixar, abandonar qualquer parte dos seus próprios domínios, impondo um limite a si mesmo e criando, na verdade, a mais incompreensível de todas as coisas incompreensíveis, um lugar onde não estivesse o Criador; a ideia de que a sua presença seja um esforço, ou de que o seu abraço e a sua supervisão da natureza sejam uma tarefa, é indigna até da dignidade da ciência física, quanto mais da amplitude do pensamento humano.
Nas asas do vento, no fluxo universal da força elétrica, nos raios velozes do sol, que enchem de uma vez, com uma infinidade finita, toda a extensão do sistema solar, na luz de uma estrela fixa, presente ao nosso olho e, no mesmo instante, presente, através de um espaço inconcebivelmente imenso, em cada ponto entre o nosso olho e a estrela, e depois igualmente longe além dela, e em volta, e de novo em volta, em todos os pontos concebíveis da circunferência, de todos os lados: nesses objetos reconhecidamente finitos o nosso pensamento pode repousar e subir degrau por degrau, até saltar com facilidade para a ideia de um Infinito completo e coerente, uma presença literalmente em toda parte, um poder constante como a eternidade, uma atividade para a qual a inação seria esforço, um olho para o qual a atenção não passa de natureza, para o qual o sono seria uma interrupção do repouso.
Os que querem excluir o Ser divino do seu próprio universo têm sido muitas vezes alvo de protestos, e com justiça; mas quanto mais merecem protestos os que querem excluí-lo da sua própria igreja e da comunhão com os seus filhos? Se o seu poder se tivesse esgotado no ato de criar e estabelecer a igreja, e se então ele tivesse entregado o curso futuro dela ao desenvolvimento das leis naturais e ao poder inerente da verdade, retirando-se ele mesmo de toda ação na grande batalha em que pôs os seus servos, poderíamos razoavelmente considerar o cristianismo uma religião talvez melhor que as outras, mais útil aos interesses sociais dos que a abraçam e de influência mais benéfica sobre o destino da humanidade; mas uma religião em cuja propagação nenhum motivo mais elevado que esses poderia inspirar-nos, e nenhuma força acima da natureza poderia fortalecer os obreiros. Longe, porém, de ser esse o caso, a promessa expressa a respeito do Espírito foi que ele estaria “com vocês para sempre” (Jo 14.16); e, quando estava para deixar os discípulos quanto à sua presença corporal, o Salvador disse: “E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos” (Mt 28.20). Essa presença é melhor que uma presença corporal: uma presença pelo seu Espírito e pelo seu poder, pela qual as almas dos seus filhos se alegram e os seus corações se fortalecem, não em alguma aldeia solitária da Galileia por uma tarde, mas na mesma hora em toda a terra, onde quer que estejam dois ou três reunidos em seu nome. Essa presença nunca será retirada enquanto houver um crente cujo coração abrace a promessa; e tais crentes não faltarão enquanto o mundo existir. Longe de haver na Escritura qualquer coisa que favoreça a ideia de que os cristãos de todas as épocas posteriores seriam privados daquele auxílio divino que constituía a força e a santidade dos discípulos primitivos, não temos nenhuma indicação de que eles seriam sequer inferiores em conquistas espirituais. Pelo contrário, tudo favorece a expectativa de que, à medida que uma geração sucede a outra, a influência da fé santa e do exemplo santo tenderá constantemente a elevar o padrão.
À medida que o cristianismo avança numa população, cada novo lar que se impregna dele é uma força a mais para elevar o padrão de caráter naquela vizinhança. É impossível calcular a influência exercida, mesmo num país como o nosso, onde a religião ainda tem tanto a fazer, sobre os que ainda são ímpios. Em muitos pontos, a consciência deles foi educada, pela força do exemplo e do preceito, a uma sensibilidade e a uma atividade que só a doutrina cristã poderia dar; e, à medida que as gerações passam e a proporção entre santos e pecadores se altera, diminuindo estes e crescendo aqueles, a imagem de Deus no homem será vista com brilho cada vez maior, se não de modo mais notável em alguns indivíduos raros e abençoados, ao menos de modo muito mais geral, como ornamento e glória comuns da natureza humana. Que um cristão espere hoje ser feito tão santo pela graça de Deus quanto os santos do Novo Testamento, longe de ser presunção, mal chega a ser uma medida digna de fé. Pode-se dizer com justiça que, se não somos melhores que os que nos precederam, não somos tão bons quanto eles; pois a própria luz do seu exemplo lança sobre nós uma influência à qual nada de correspondente foi lançado sobre eles, e assim nos dá uma clara vantagem, pela qual, com uma medida semelhante de graça, deveríamos apresentar um caráter mais completo.
Se alguma vez se provasse que a nossa força moral nos dias de hoje é natural, então, sim, poderíamos razoavelmente limitar as nossas expectativas, mas não a conquistas parciais e a uma santidade incompleta; pois, nessa base, o limite razoável não seria: “Alcançaremos muito, embora não tanto quanto os primeiros cristãos”, mas sim: “Não alcançaremos nada”. A palavra do nosso Senhor não é: “Sem mim vocês podem fazer pouco!”, mas: “Sem mim vocês não podem fazer nada” (Jo 15.5). Se, então, está estabelecido que nesta época, como na primeira, a nossa força não vem da natureza, mas do Senhor, o alcance razoável da nossa expectativa, agora como então, deve ser medido pelo seu glorioso poder. A pergunta já não é: de que somos capazes em nós mesmos ou por nós mesmos? Mas: o que ele pode realizar? E até que ponto pode manifestar a sua glória fazendo de nós monumentos do seu poder ou espelhos que exibam a sua imagem? Aquela graça sua, derramada com tanta abundância sobre os crentes dos primeiros dias, não é um brilho intermitente, como o relance de um olho humano, mas é constante como a glória que jorra da face do sol. Não conhece declínio nem esgotamento; e, de época em época, de geração em geração, os seus santos irão amadurecendo cada vez mais, a vida humana refletirá cada vez mais a glória do Senhor e mostrará o seu poder de tornar mortais fracos, cercados de tentação, aptos a participar da herança dos santos na luz.
Tradução para o português a partir de William Arthur, The Tongue of Fire; or, The True Power of Christianity (1856), na edição de Londres (C. H. Kelly, c. 1885), conferida com as imagens das páginas; domínio público. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.