Quatro perguntas para a semana
O que acontece comigo quando não sou reconhecido? Consigo alegrar-me quando outro recebe o destaque que eu esperava? Como reajo quando alguém demonstra que eu estava errado? Quem pode discordar de mim sem medo?
“Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.”Tiago 4.6 · NAA
Para começar
É possível falar muito de Deus e continuar profundamente voltado para si mesmo? Alguém pode dedicar a vida à igreja e, ao mesmo tempo, usar a religião para conquistar admiração e controlar os outros? Como distinguir a firmeza pastoral do autoritarismo? E como examinar tudo isso sem transformar o discernimento em acusação precipitada?
Essas perguntas não são novas. A Bíblia trata com muita seriedade do uso da religião para promover a própria importância, e a resposta que ela dá passa pelo arrependimento pessoal, mas não para aí: alcança também o modo como a comunidade exerce a autoridade e cuida das pessoas. Como o centro da vida cristã é o amor a Deus e ao próximo, na forma em que o vemos no caráter de Jesus, é por esse centro que toda prática religiosa, inclusive a minha e a sua, precisa ser medida.
Este curso tem sete aulas. Nesta primeira, procuro esclarecer o que estou chamando de narcisismo religioso e o que não estou, olhar cinco retratos bíblicos desse orgulho que se veste de religião e ler dois textos de Paulo que dão ao problema o seu nome teológico: a forma de piedade sem poder e a idolatria de si mesmo. As aulas seguintes percorrem o fariseu e o publicano, a devoção que quer ser vista, os primeiros lugares de Mateus 23, Diótrefes, os pastores de Ezequiel 34, os textos sobre autoridade, a resposta da graça e, por fim, o que o Manual da Igreja prevê para que a comunidade cuide de todos.
Uma advertência antes de começar. Este curso não é um teste para rotular pessoas, nem uma arma contra pastores, nem um escudo para eles. É um exame que começa em quem o faz. Se em algum momento você se surpreender pensando “isso descreve exatamente fulano”, pare e pergunte primeiro se não descreve também você. Foi assim que eu o escrevi, e é assim que peço que ele seja lido.
Como usar esta aula. Leia antes as passagens da leitura prévia, que estão no alto da página. O texto traz as passagens principais por inteiro, na Nova Almeida Atualizada, e alguns casos para conversar. No fim há cartões de memorização, uma avaliação com comentário em cada alternativa, perguntas para reflexão com resposta sugerida e o texto em PDF, para quem prefere ler no papel ou usar em grupo.
Definição
A expressão não aparece na Bíblia. Antes de usá-la, é preciso dizer o que ela designa e, com o mesmo cuidado, o que ela não designa.
Uso a expressão para designar um padrão de atitudes em que a pessoa se serve da fé, do conhecimento bíblico, da posição eclesiástica ou da imagem de santidade para sustentar a própria superioridade, obter admiração e manter o controle sobre os outros. Note as três finalidades: superioridade, admiração e controle. A religião continua presente, às vezes com muito fervor. O que mudou foi o lugar que a própria pessoa passou a ocupar nela.
O nome vem do mito grego de Narciso, o jovem que se apaixonou pela própria imagem refletida na água e morreu contemplando-a. A psicologia tomou o nome emprestado, e a linguagem comum o espalhou. Nós o usamos aqui com um sentido moral e espiritual bem delimitado, sem pretensão clínica.
Aparecem em qualquer cristão, a começar por mim. Precisam ser confrontadas com a Palavra, e o remédio é o arrependimento e a graça. Um episódio de vaidade não faz de ninguém um narcisista.
Não são um deslize, mas um modo repetido de tratar as pessoas. Exigem duas coisas ao mesmo tempo: proteção para quem sofre e responsabilização para quem pratica. As aulas 3, 4 e 5 tratam disso.
É uma condição de saúde mental, e a sua identificação depende de avaliação clínica feita por profissional. A Associação Americana de Psiquiatria o descreve como um padrão abrangente de grandiosidade, necessidade de admiração e dificuldade de empatia. Uma discordância, uma decisão firme ou um episódio de vaidade não bastam para caracterizá-lo.
Por isso não vamos diagnosticar personagens bíblicos nem oferecer um teste para rotular pessoas. O que nos interessa é o comportamento moral e espiritual que as Escrituras descrevem e condenam. Pela mesma razão, não devemos reduzir uma condição de saúde mental a uma explicação exclusivamente moral, nem supor que toda pessoa que recebeu esse diagnóstico pratique abuso religioso.
Também não se trata de negar o valor de ninguém. Fomos criados à imagem de Deus: “Assim Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.27). E Paulo, ao advertir contra a autoexaltação, não pede que ninguém se anule; pede medida: “digo a cada um de vocês que não pense de si mesmo além do que convém. Pelo contrário, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um” (Rm 12.3). O problema começa quando a própria importância se torna a medida de todas as relações, de modo que Deus passa a ser invocado para confirmar as minhas pretensões e as pessoas passam a valer conforme me admiram ou me servem.
A pergunta inicial
Guarde essa pergunta para a semana inteira. Ela volta nas reflexões do fim da aula e atravessa o curso.
A Bíblia conhece o fenômeno
A Bíblia não usa a palavra narcisismo, mas conhece muito bem o que ela descreve. Cinco homens, em épocas diferentes, mostram o mesmo movimento: a bênção recebida vira monumento a si mesmo.
Depois de desobedecer à ordem do Senhor, Saul “levantou para si um monumento” (1Sm 15.12) e explicou a desobediência com religião: o gado poupado seria para sacrificar. Samuel lembrou de onde ele viera: “mesmo sendo pequeno aos seus próprios olhos, você foi colocado por cabeça das tribos de Israel” (1Sm 15.17), e deu a sentença que vale para todo culto usado como cobertura: “o obedecer é melhor do que o sacrificar” (1Sm 15.22). O rei que era pequeno aos próprios olhos passou a ser grande demais para ouvir.
Uzias foi um rei bom por décadas, “até se tornar muito poderoso” (2Cr 26.15). Então o texto marca a virada: “depois que Uzias se tornou poderoso, o coração dele se exaltou para a sua própria ruína” (2Cr 26.16). Ele entrou no templo para queimar incenso, função que não era sua. Oitenta sacerdotes o confrontaram, e a reação dele é o detalhe mais revelador da história: “Uzias se indignou” (2Cr 26.19). A lepra apareceu na testa no exato momento da indignação. Quem se enfurece ao ser corrigido já respondeu à pergunta que a correção fazia.
Passeando no terraço do palácio, o rei disse: “Não é esta a grande Babilônia que eu construí para a casa real, com o meu grandioso poder e para glória da minha majestade?” (Dn 4.30). Antes de terminar a frase, veio a voz do céu. Sete tempos depois, o mesmo homem escreveu a confissão que fecha o capítulo: “Ele tem poder para humilhar os orgulhosos” (Dn 4.37). A história de Nabucodonosor é a mais dura e a mais esperançosa das cinco, porque termina em restauração.
Em Samaria, Simão “dizia ser alguém muito importante” (At 8.9), e o povo o chamava de “o Grande Poder”. Ele creu e foi batizado, mas, ao ver o Espírito concedido pela imposição das mãos dos apóstolos, quis comprar a capacidade de fazer o mesmo. Não queria o dom; queria ser visto dando o dom. Pedro leu o coração: “o seu coração não é reto diante de Deus” (At 8.21). E, mesmo assim, abriu a porta: “arrependa-se desse mal e ore ao Senhor” (At 8.22).
Vestido de traje real, Herodes discursou, e o povo gritou: “É voz de um deus, e não de um homem!” (At 12.22). Ele não corrigiu ninguém. Lucas registra a causa da morte com precisão: “por ele não haver dado glória a Deus” (At 12.23). Aceitar a adoração é o último degrau de uma escada que começa bem antes, em pequenos elogios não devolvidos a Deus.
O que os cinco têm em comum não é a falta de religião. Saul sacrificava, Uzias queria queimar incenso, Simão fora batizado, Herodes falava a um povo religioso, e o próprio Nabucodonosor tinha visto o Deus de Daniel agir. O que eles têm em comum é o movimento: aquilo que receberam virou monumento a si mesmos, e a religião passou a ser cobertura ou instrumento. Note também onde a graça aparece: Nabucodonosor foi restaurado, Simão ouviu um chamado ao arrependimento, e a Uzias foi dado tempo de viver, ainda que fora do templo. A porta nunca se fechou antes da hora.
Um líder de louvor recebe elogios depois do culto e responde, como sempre, “a glória é de Deus”. Na semana seguinte, outro músico conduz o louvor e é muito elogiado. O primeiro passa a criticar em particular a escolha das canções, a afinação e a “falta de unção” do colega. O que a segunda semana revela sobre a frase da primeira? Em qual dos cinco retratos essa história cabe melhor?
2 Timóteo 3.1-5
Paulo descreve os “tempos difíceis” dos últimos dias com uma lista de dezenove traços. Ela começa no egoísmo e termina numa religiosidade de fachada.
1 Mas você precisa saber disto: nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis.
2 Pois os seres humanos serão egoístas, avarentos, orgulhosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios,
3 sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem,
4 traidores, atrevidos, convencidos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus,
5 tendo forma de piedade, mas negando o poder dela. Fique longe também destes.
2 Timóteo 3.1-5 · NAA
A lista começa justamente pelos “egoístas”, e não é por acaso. Todos os traços seguintes derivam desse primeiro: avarentos, orgulhosos, arrogantes, ingratos, sem afeição natural, sem domínio de si, cruéis, convencidos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus. O que mais chama a atenção, porém, é o fecho: tudo isso convive com a “forma de piedade”. O apóstolo não está falando de gente sem religião, mas de uma religiosidade cuja expressão exterior não corresponde a uma vida transformada.
Note-se que Paulo termina mandando Timóteo ficar longe dessas pessoas: “Fique longe também destes.” Isso mostra que elas já estavam no horizonte do jovem pastor, em Éfeso, no primeiro século. A passagem, portanto, não serve apenas para denunciar uma geração futura. Ela tem aplicação presente e começa pelo exame da nossa própria comunidade.
A forma
Culto frequentado, vocabulário correto, cargos, jejuns, ofertas, versículos decorados, aparência de santidade. Nada disso é mau em si. Tudo isso pode existir sem o poder.
O poder
A vida transformada pelo Espírito: domínio próprio, afeição, gratidão, verdade, amor a Deus acima dos prazeres. É exatamente o que a lista de Paulo diz que falta, item por item.
Uma leitura útil é ler a lista de trás para a frente. Cada traço negativo aponta para o fruto que o Espírito produz em quem se rende a ele (Gl 5.22-23): onde Paulo escreve “sem domínio de si”, o Espírito produz domínio próprio; onde escreve “implacáveis”, o Espírito produz mansidão; onde escreve “ingratos”, produz gratidão. A aula 6 voltará a esse ponto, porque a resposta ao narcisismo religioso não é uma técnica de humildade, mas o poder que a forma nega.
Romanos 1.21-25
Do ponto de vista teológico, o narcisismo religioso é uma forma de idolatria: a criatura ocupando o lugar do Criador, com vocabulário inteiramente cristão.
21 Porque, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças. Pelo contrário, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, e o coração insensato deles se obscureceu.
22 Dizendo que eram sábios, se tornaram tolos
23 e trocaram a glória do Deus incorruptível por imagens semelhantes ao ser humano corruptível, às aves, aos quadrúpedes e aos répteis.
24 Por isso, Deus os entregou à impureza, pelos desejos do coração deles, para desonrarem o seu corpo entre si.
25 Eles trocaram a verdade de Deus pela mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito para sempre. Amém!
Romanos 1.21-25 · NAA
Paulo descreve o movimento em três tempos: conhecer a Deus e não o glorificar como Deus (v. 21), trocar a glória do Deus incorruptível por imagens da criatura (v. 23) e, por fim, adorar e servir a criatura em lugar do Criador (v. 25). Quando a criatura em questão sou eu mesmo, o resultado é o que estamos chamando de narcisismo religioso. Os afetos e as relações se desordenam, exatamente como o texto diz, porque tudo passa a girar em torno de um centro errado.
No ambiente religioso, essa inversão pode acontecer sem que o vocabulário deixe de ser cristão. A pessoa atribui os seus êxitos a Deus e, ainda assim, recebe toda crítica como ofensa intolerável; defende a santidade e, ao mesmo tempo, considera-se dispensada das regras que cobra dos outros; fala de servir e organiza tudo para ser servida. A incoerência costuma aparecer no momento em que a verdade cobra um preço pessoal.
Um pastor conduz uma campanha de arrecadação exemplar e, ao apresentar o resultado, repete várias vezes que “a glória é de Deus”. Semanas depois, um membro pergunta em reunião como o dinheiro foi aplicado. O pastor responde que a pergunta é falta de fé e de respeito, e o membro passa a ser tratado com frieza. O que revela mais: a frase sobre a glória de Deus ou a reação à pergunta?
Jesus tocou nesse ponto com uma pergunta que atravessa os séculos: “Como podem crer, vocês que aceitam glória uns dos outros e não procuram a glória que vem do Deus único?” (Jo 5.44). E deu o critério para distinguir quem fala em nome de Deus de quem fala em nome próprio: “Quem fala por si mesmo está buscando a sua própria glória; mas o que busca a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro, e nele não há falsidade” (Jo 7.18). Paulo aplicou o mesmo critério a si mesmo, sem concessões: “Se ainda estivesse procurando agradar pessoas, eu não seria servo de Cristo” (Gl 1.10). E lembrou aos tessalonicenses o que a pregação dele nunca fora: “nunca usamos de linguagem de bajulação, nem de pretextos gananciosos”, “jamais andamos buscando elogios das pessoas” (1Ts 2.5-6).
Para guardar
Aceitar elogio não é pecado; Herodes pecou por aceitar adoração. Buscar reconhecimento não é pecado em si; o pecado é fazer dele o motor da vida religiosa. O critério de Jesus é simples de enunciar e difícil de viver: de quem eu procuro a glória?
Jo 5.44; Jo 7.18; Gl 1.10
Aplicação
O orgulho cresce tanto no púlpito quanto nos bancos, tanto em quem exerce autoridade quanto em quem se orgulha de combater autoridades.
Seria cômodo terminar esta aula com uma lista de sinais para identificar narcisistas na igreja. Seria também uma traição ao texto. A parábola do fariseu e do publicano, que veremos na próxima aula, pode ser lida de modo farisaico: basta agradecer a Deus por não sermos como o fariseu. O mesmo vale aqui. Quem denuncia o orgulho alheio com prazer já está dentro do problema.
Há um narcisismo do púlpito, que usa o cargo. Há um narcisismo dos bancos, que usa a crítica e se sente superior por “não se deixar enganar”. Há um narcisismo do zelo doutrinário, que despreza quem ainda não entendeu. E há um narcisismo da humildade exibida, que faz da modéstia uma vitrine. O discurso de modéstia não comprova humildade, assim como a segurança ao falar não comprova orgulho. O que revela o coração é a conduta ao longo do tempo e, sobretudo, a resposta à correção.
Jeremias sabia disso: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto. Quem poderá entendê-lo? Eu, o Senhor, sondo o coração” (Jr 17.9-10). Por isso a atitude adequada não é a autoconfiança nem o desespero, mas a oração de Davi: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139.23-24).
O que acontece comigo quando não sou reconhecido? Consigo alegrar-me quando outro recebe o destaque que eu esperava? Como reajo quando alguém demonstra que eu estava errado? Quem pode discordar de mim sem medo?
Escolha um serviço e faça-o sem que ninguém saiba. Depois observe o que sente quando ninguém agradece. Jesus recomendou exatamente esse exercício (Mt 6.3-4), e a aula 2 vai tratar dele.
Para usar em grupo. Leiam juntos 2 Timóteo 3.1-5 e peçam que cada um escolha, em silêncio, o traço da lista que mais o incomoda em si mesmo, não nos outros. Depois leiam Salmo 139.23-24 em voz alta, como oração. Só então conversem sobre os cinco retratos bíblicos: o que Saul, Uzias, Nabucodonosor, Simão e Herodes têm em comum, e onde a graça aparece na história de cada um. Terminem com a pergunta inicial da aula, sem obrigar ninguém a responder em voz alta.
Fixação
Toque no cartão para ver o outro lado. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Seis questões, com nota ao final. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe.
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Para pensar e conversar
Uma pergunta para dentro e outra para a conversa com quem pensa diferente. Cada uma traz uma resposta sugerida.
Responda por escrito, e com exemplos recentes, não com princípios. Um princípio (“devemos nos alegrar com o sucesso dos outros”) não revela nada; um episódio revela muito: a reunião em que outro foi elogiado, a crítica que recebeu na semana passada, o convite que não veio.
Observe três coisas em cada episódio: o que você sentiu na hora, o que fez com o sentimento (calou, justificou, atacou, procurou um aliado) e quanto tempo levou para se recompor. O sentimento em si não é pecado; Jesus foi entristecido e irado. O que revela o coração é o que fazemos com ele e quanto ele governa a conduta.
Depois, leve o resultado a Deus com a oração do Salmo 139. O exame não termina em nós mesmos; termina em quem sonda o coração e dá graça aos humildes.
Comece reconhecendo o que há de verdadeiro na objeção. A palavra é moderna, vem da psicologia e pode ser usada de modo leviano, como rótulo para qualquer pessoa de quem discordamos. A aula diz isso desde o início e recusa esse uso.
Depois, mostre que a coisa é antiga, ainda que a palavra seja nova. Paulo descreve pessoas com forma de piedade que negam o poder dela (2Tm 3.5); João fala de Diótrefes, que gosta de exercer a primazia (3Jo 9); Ezequiel fala de pastores que apascentam a si mesmos (Ez 34.2). A Bíblia trata o assunto com mais dureza do que qualquer manual de psicologia. Estudar isso não é desrespeitar pastores; é levar a sério o que a Escritura exige de quem pastoreia.
Por fim, convide o irmão a fazer o curso junto, com o compromisso que a aula pede: começar o exame por si mesmo. Quem faz assim não sai da aula com uma lista de nomes; sai com uma lista de perguntas para o próprio coração.
A firmeza explica as razões e as submete a exame; a indignação de Uzias trata a correção como afronta à posição. Os sacerdotes não questionaram o reinado de Uzias; questionaram um ato específico, com base na lei, e ofereceram a saída (“saia do santuário”). A resposta firme seria ouvir, conferir a lei e recuar. A resposta de Uzias foi levantar o incensário.
Na prática, três sinais ajudam. Primeiro: a pessoa responde ao conteúdo da correção ou à pessoa que a fez? Segundo: ela consegue dizer, com precisão, em que ponto foi corrigida e o que vai mudar? Terceiro: como ela trata quem a corrigiu nas semanas seguintes? A firmeza não precisa ter razão sempre; precisa ser capaz de reconhecer quando não tem.
Isso vale para o líder e para quem o corrige. Corrigir com base na Palavra, com respeito pela função e com uma saída concreta, como fizeram os sacerdotes, é muito diferente de acusar. A aula 5 tratará dos textos bíblicos sobre a correção de dirigentes.
O que é narcisismo religioso · Aula 1 de 7 do curso Narcisismo religioso. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada.