John Fletcher · O Retrato de São Paulo · Introdução e prefácio
O sumário da obra, a introdução de Joshua Gilpin, que conta como o manuscrito foi encontrado e traduzido, e o prefácio de Fletcher, que explica o propósito do livro.
Introdução.
Prefácio do autor.
Traço I. A piedade de São Paulo na juventude.
II. Sua piedade cristã.
III. Sua união íntima com Cristo pela fé.
IV. Sua vocação extraordinária para o santo ministério, e em que consiste principalmente esse ministério.
V. Sua inteira dedicação a Jesus Cristo.
VI. Sua força e suas armas.
VII. Seu poder de ligar, de desligar e de abençoar em nome do Senhor.
VIII. O empenho com que começou e continuou a cumprir os deveres de sua vocação.
IX. A divisão de seu tempo entre a oração, a pregação e as ações de graças.
X. A fidelidade com que anunciou as severas ameaças e as promessas consoladoras do evangelho.
XI. Sua profunda humildade.
XII. A maneira franca com que reconhecia e reparava seus erros.
XIII. Sua aversão ao espírito de partido e às divisões.
XIV. Sua recusa dos louvores.
XV. Seu amor universal.
XVI. Seu amor particular pelos fiéis.
XVII. Seu amor por aqueles cuja fé vacilava.
XVIII. Seu amor por seus compatriotas e por seus inimigos.
XIX. Seu amor por aqueles que conhecia apenas de ouvir falar.
XX. Sua caridade para com os pobres, dando ou obtendo para eles socorro material.
XXI. Sua caridade para com os pecadores, oferecendo-lhes toda ajuda espiritual.
XXII. A condescendência cativante de sua humilde caridade.
XXIII. Sua coragem na defesa da verdade oprimida.
XXIV. Sua prudência em frustrar os planos de seus inimigos.
XXV. Sua ternura para com os outros e sua severidade para consigo mesmo.
XXVI. Seu amor nunca degenerou em covardia, mas repreendia e consolava conforme a ocasião exigia.
XXVII. Seu perfeito desprendimento.
XXVIII. Sua condescendência em trabalhar às vezes com as próprias mãos, para pregar o trabalho tanto pelo exemplo como pelo preceito.
XXIX. O respeito que demonstrou pelo santo estado do matrimônio, enquanto a prudência cristã o levava a viver no celibato.
XXX. O ardor de seu amor.
XXXI. Seus temores generosos e as consolações que se seguiram.
XXXII. O grande motivo de sua glória, e a maneira evangélica com que manteve sua superioridade sobre os falsos apóstolos.
XXXIII. Sua paciência e firmeza nas mais duras provações.
XXXIV. Sua firmeza modesta diante dos magistrados.
XXXV. Sua coragem em consolar seus irmãos perseguidos.
XXXVI. Sua humilde confiança ao apresentar os selos de seu ministério.
XXXVII. Sua disposição de selar com o próprio sangue as verdades do evangelho.
XXXVIII. A doce indecisão de sua escolha entre a vida e a morte.
XXXIX. A constância de seu zelo e de sua diligência até o fim de sua carreira.
XL. Seu triunfo sobre os males da vida e os terrores da morte.
Capítulo I. O retrato dos ministros mornos.
II. O retrato dos falsos apóstolos.
III. Resposta à primeira objeção que se pode fazer contra o retrato de São Paulo.
IV. Uma segunda objeção refutada.
V. Resposta a uma terceira objeção.
VI. Refutação de uma quarta objeção.
VII. Continuação do mesmo assunto.
VIII. Nova resposta à mesma objeção.
IX. Nova refutação da mesma objeção.
X. Resposta a uma quinta objeção.
XI. Resposta à última objeção levantada contra o retrato de São Paulo.
As doutrinas de um pastor evangélico.
Ele prega o verdadeiro arrependimento para com Deus.
Como o pecado e a necessidade do arrependimento entraram no mundo.
Esta doutrina é sustentada por todas as igrejas cristãs.
Sem o arrependimento evangélico, a fé viva em Cristo e a regeneração pelo Espírito Santo parecerão não apenas desnecessárias, mas absurdas.
Como o pastor fiel conduz os pecadores ao arrependimento.
Como os profetas, Jesus Cristo, seu precursor e seus apóstolos prepararam os pecadores para o arrependimento.
Observações sobre o arrependimento dos homens mundanos.
O segundo ponto de doutrina em que insiste o verdadeiro ministro é a fé viva.
O verdadeiro ministro passa a anunciar uma esperança viva.
O verdadeiro ministro prega o amor cristão.
O verdadeiro ministro crê e prega as três grandes promessas de Deus, junto com as três grandes dispensações da graça.
O verdadeiro ministro estuda as diferentes dispensações, a fim de se habilitar para cumprir todas as partes de seu dever.
As diferentes dispensações procedem daquela encantadora variedade com que o Todo-Poderoso se agrada em distribuir seus favores.
Os diferentes pregadores sob essas diferentes dispensações.
A dispensação do Espírito Santo está agora em vigor, e o ministro que prega essa dispensação não pode, com justiça, ser tido por entusiasta.
O pastor evangélico defende essas dispensações contra todos os opositores.
Observações preliminares.
Capítulo I. Os filósofos, assim chamados, levantam-se sem razão contra as doutrinas do evangelho.
II. As doutrinas da religião natural e da filosofia são insuficientes para produzir no coração o verdadeiro amor.
III. A grande influência das doutrinas sobre a moral.
IV. Como as doutrinas do evangelho vêm em socorro da moral.
V. Reflexões sobre o Credo Apostólico.
VI. A ligação da moral com a segunda parte do Credo Apostólico.
VII. A ligação da moral com a terceira parte do Credo Apostólico.
VIII. Consequências das observações precedentes.
IX. Um apelo à experiência.
X. Resposta a uma objeção que se pode tirar da má conduta dos cristãos não santificados, para provar a inutilidade das doutrinas do evangelho.
XI. Continuação do mesmo assunto.
XII. Outras razões da pouca influência que as doutrinas precedentes parecem ter sobre os cristãos em geral.
XIII. As doutrinas do cristianismo têm um lado obscuro. Razões dessa obscuridade. Erros de alguns filósofos a esse respeito.
XIV. Os benefícios da redenção estendem-se, em diferentes graus, a toda a humanidade, em todos os períodos do mundo.
XV. Reflexões sobre o perigo a que se expõem os deístas modernos.
A obra que se segue foi iniciada e quase concluída durante a última estada do sr. Fletcher em Nyon, onde ocupou boa parte de seus trabalhos particulares, num longo e doloroso afastamento das funções públicas. De volta à Inglaterra, ele deixou o manuscrito guardado consigo, em estado muito solto e desordenado, com a intenção de traduzi-lo e prepará-lo para o prelo quando tivesse tempo. Nesse meio-tempo, lançou-se à árdua tarefa de rever e ampliar um poema francês que havia pouco publicara em Genebra com o título de La Louange, e que foi reimpresso em Londres no ano de 1785 com o título de La Grâce et la Nature. A segunda aparição desse poema foi logo seguida pela morte do autor. Pouco depois desse triste acontecimento, a sra. Fletcher, examinando os papéis do falecido, descobriu a primeira parte do Retrato de São Paulo e teve a bondade de permitir que o tradutor o lesse; este, achando-o uma obra de importância nada comum, prontamente se dispôs a vertê-lo para o inglês. De tempos em tempos foram sendo descobertas outras partes da obra e, embora o manuscrito fosse tão incorreto e confuso que muitas vezes abalava a resolução do tradutor, a forte convicção de que a obra era capaz de produzir os efeitos mais desejáveis animou-o a perseverar até concluir o empreendimento.
Quase não é preciso informar ao leitor inteligente que o Retrato de São Paulo foi originalmente destinado à publicação na terra natal do autor, à qual seus argumentos e citações se aplicam com particular propriedade. Talvez seja mais necessário observar que, se a vida do sr. Fletcher se tivesse prolongado, os traços do caráter moral de São Paulo teriam ficado muito mais copiosos e completos.
Muitos escritores célebres ofereceram ao público excelentes tratados, uns sobre o caráter do verdadeiro cristão, outros sobre os deveres do bom pastor. Seria de desejar que esses dois objetos estivessem tão estreitamente unidos que pudessem ser vistos sob um mesmo ponto de vista; e efetuar essa união é o propósito desta obra, na qual se poderá ver, num só olhar, o que foram os cristãos primitivos e os pastores apostólicos, e o que devem ser aqueles que são chamados a segui-los no progresso da piedade.
Como o exemplo é mais poderoso que o preceito, era necessário escolher alguém que fosse, ao mesmo tempo, um excelente cristão e um eminente ministro de Jesus Cristo. A pessoa que escolhemos é São Paulo, em quem esses dois caracteres estiveram notavelmente unidos, e de cujo admirável retrato procuramos apresentar um esboço nas páginas seguintes. Quando se considera esse apóstolo como cristão, sua diligência em cumprir os deveres de sua vocação, sua paciência nos tempos de provação, sua coragem em meio aos perigos, sua perseverança no bem, sua fé, sua humildade, seu amor, tudo suavemente harmonizado, fazem dele um modelo admirável para todo cristão. E quando o consideramos como despenseiro dos mistérios de Deus, seu apego inviolável à verdade e seu zelo invencível, igualmente distante do fanatismo e da indiferença, merecem ser imitados por todo ministro do evangelho.
As Sagradas Escrituras fornecem material abundante para a presente obra: os Atos dos Apóstolos, a partir do capítulo 8, quase não contêm outra coisa senão a narrativa dos trabalhos de São Paulo ou um resumo de seus sermões e defesas. O Novo Testamento, além de Atos, contém vinte e dois livros diferentes, catorze dos quais foram compostos por esse mesmo apóstolo, com toda a franqueza própria do estilo epistolar e com todos os pormenores pessoais em que ele precisou entrar ao escrever, numa variedade incomum de circunstâncias, a seus amigos, a seus irmãos e a seus filhos espirituais. É nessas ocasiões que um homem tem mais probabilidade de revelar o que realmente é; e é nessas ocasiões que o pintor moral pode surpreender um autor nas posições mais interessantes, a fim de delinear com exatidão seus sentimentos, suas circunstâncias e sua conduta.
Não se diga que, ao propor esse apóstolo como modelo aos cristãos, apenas lançamos desânimo no caminho daqueles que estão imensamente atrás dele, tanto em graça como em diligência. A mestria que Rafael e Rubens mostraram em suas obras não serve para desanimar os pintores modernos, que antes se esforçam por se formar segundo tão grandes modelos. Os poetas e oradores não perdem o ânimo diante das obras-primas de poesia e eloquência que Homero e Virgílio, Demóstenes e Cícero transmitiram à posteridade. Por que, então, havíamos de desanimar ao considerar as virtudes eminentes e os trabalhos incansáveis desse grande apóstolo? Quanto maior a excelência do modelo proposto, menor a probabilidade de que a cópia, trabalhada com esmero, fique incompleta.
Admite-se que nem todos os fiéis são chamados a ser ministros, e que nem todos os ministros são designados, como São Paulo, para fundar novas igrejas; mas sustenta-se que todos os cristãos, em seus diferentes estados, devem estar cheios da piedade desse apóstolo. Se ao mais insignificante comerciante entre nós não se permite dizer: “Negocio apenas com artigos de pouco valor e, por isso, deveriam tolerar-me uma balança falsa”; se de tal comerciante se exige que seja tão justo em sua loja quanto um juiz em seu tribunal; e se o mais humilde voluntário de um exército é chamado a mostrar, em seu modesto posto, tanta bravura quanto um oficial general em sua posição mais elevada, o mesmo raciocínio pode aplicar-se à igreja cristã. Assim, ao seu mais jovem comungante não é permitido dizer: “Minha juventude, ou a fraqueza do meu sexo, dispensa-me de exercer o amor, a humildade, a diligência e o zelo que as Escrituras prescrevem.”
Deve-se estabelecer como verdade incontestável que o mesmo zelo que São Paulo manifestou pela glória de Deus, e o mesmo amor que demonstrou, como apóstolo, no vastíssimo campo de seus trabalhos, o ministro é chamado a exercer, como pastor, em sua paróquia, e o particular, como pai de família, em sua própria casa. Mais ainda: toda mulher, na medida de sua capacidade e conforme lhe permitam os outros deveres de seu estado, deveria sentir o mesmo ardor em promover a salvação de seus filhos e criados que São Paulo mostrou outrora em promover a dos antigos judeus e gentios. Observe, no campo da colheita, o que acontece com os trabalhadores quando os ameaça um aguaceiro impetuoso. Nem todos atam e carregam os pesados feixes. Cada um se ocupa segundo sua posição, sua força, sua idade e seu sexo; e todos estão em ação, até as pequenas respigadoras. A verdadeira igreja se parece com esse campo. Os fiéis de toda condição, idade e sexo têm um só coração e uma só alma. Conforme seu estado e o grau de sua fé, todos estão animados a trabalhar na causa de Deus, e todos se esforçam por salvar da ira vindoura comunidades, famílias ou indivíduos, assim como os ceifeiros e as respigadoras se esforçam por pôr a salvo da tempestade que se forma os ricos feixes e até as espigas soltas.
Se, no decorrer desta obra, forem propostas algumas verdades que pareçam novas ao leitor cristão, apele ele com franqueza, quanto à validade delas, às Sagradas Escrituras e ao testemunho da razão, apoiado pelas autoridades mais respeitáveis, como as confissões de fé adotadas pelas igrejas mais puras, junto com as obras dos pastores e professores mais célebres que explicaram essas confissões.
Entre outros fins excelentes que se têm em vista ao publicar as folhas que se seguem, espera-se que elas possam reconduzir os teólogos intolerantes à moderação evangélica, e reconciliar, ou ao menos aproximar uns dos outros, o professo ortodoxo, o cristão imperfeito e o deísta sincero.
Tradução para o português a partir de John Fletcher, The Portrait of St. Paul: or, The True Model for Christians and Pastors, versão inglesa de Joshua Gilpin (1790) do manuscrito francês do autor, na edição de Nova York (B. Waugh e T. Mason, 1834), conferida com as imagens das páginas; domínio público. Por isso esta é tradução de tradução. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.