Patrística · séculos II e III
Clemente de Alexandria, Tertuliano e Cipriano de Cartago
Esta etapa da série reúne três mestres da Igreja da virada do século II para o século III, um do Oriente grego e dois da África latina. Clemente de Alexandria (c. 150-215) ensinou na escola cristã de Alexandria. Em Quem é o rico que se salva?, uma homilia sobre o jovem rico (Mc 10.17-31), mostra que o Senhor não condena a posse dos bens, e sim o apego a eles, e chama o rico a usar a riqueza no amor ao próximo. A obra termina com a conhecida história do apóstolo João e do jovem que se tornou chefe de salteadores.
Tertuliano (c. 160-220), de Cartago, foi o primeiro grande escritor cristão de língua latina. A Oração é o comentário mais antigo do Pai-nosso que chegou até nós, seguido de conselhos sobre a maneira de orar. Em A Paciência, o autor, que se confessa impaciente, apresenta a paciência como virtude que vem de Deus e se vê em Cristo. Cipriano (c. 200-258), bispo de Cartago e mártir, tinha Tertuliano como mestre. A Unidade da Igreja foi escrita em 251, no tempo dos cismas que se seguiram à perseguição de Décio. A Oração do Senhor, de 252, retoma e aprofunda o comentário de Tertuliano. No capítulo 4 de A Unidade da Igreja, alguns manuscritos trazem acréscimos sobre o primado de Pedro; as notas dos tradutores ingleses os indicam.
Wesley tinha os escritores cristãos dos primeiros séculos como testemunhas do cristianismo primitivo que desejava ver renovado. Os originais são gregos (Clemente) e latinos (Tertuliano e Cipriano); a tradução foi feita das versões inglesas da coleção Ante-Nicene Fathers (1885), conferidas com as páginas impressas. Os autores citam a Escritura de memória, pela Septuaginta ou pela antiga versão latina; quando a citação difere do texto bíblico que conhecemos, seguimos a redação deles. Traduzimos com fidelidade as suas ideias, próprias da época, sem comentários.
O rico não deve desesperar da salvação; o que o Senhor pediu ao jovem rico foi que arrancasse da alma o apego aos bens, e não que se desfizesse deles sem mais.
Clemente de AlexandriaO amor a Deus e ao próximo, o bom uso da riqueza na esmola, o arrependimento depois do batismo e a história de João e do jovem salteador.
TertulianoO Pai-nosso explicado frase por frase, seguido de conselhos sobre a maneira, o lugar e o tempo de orar, e sobre o poder da oração.
TertulianoA paciência que vem de Deus e se vê em Cristo, contra a impaciência que vem do diabo, nas perdas, nas ofensas, no luto e no corpo.
Cipriano de CartagoHá uma só Igreja, como há um só Deus e um só Cristo; quem se separa dela, pelo cisma ou pela heresia, não pode ter Deus por Pai.
Cipriano de CartagoA oração que o próprio Senhor ensinou, explicada pedido por pedido, com a disposição de quem ora e as horas de oração.
Tradução para o português a partir das versões inglesas da coleção Ante-Nicene Fathers (Buffalo, 1885): Clemente de Alexandria por William Wilson (vol. 2), Tertuliano por S. Thelwall (vol. 3) e Cipriano por Ernest Wallis (vol. 5), conferidas com as imagens das páginas; domínio público. É, portanto, tradução de tradução. As notas são dos tradutores ingleses; as do editor americano da coleção foram omitidas. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando o autor cita o texto bíblico tal como o conhecemos; quando cita pela Septuaginta, pela antiga versão latina ou de memória, segue-se a redação dele. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.