Estudos do Bispo Ildo · Escatologia · Ressurreição, Juízo Final e Estado Eterno

Sepultar ou cremar? Por que os cristãos preferem o sepultamento

Desde o princípio, os cristãos sepultam os seus mortos, porque o sepultamento expressa melhor o que a igreja crê sobre o corpo, sobre Cristo e sobre a ressurreição. A cremação não é proibida pela Escritura nem impede a ressurreição, e por isto este estudo defende uma preferência, não uma regra.

1. As perguntas

A pergunta chega quase sempre na pior hora: no hospital, logo depois da morte, quando a funerária quer saber se a família prefere o sepultamento ou a cremação. Nas grandes cidades brasileiras a cremação cresce, e muitas famílias crentes já tomaram esse caminho, às vezes por convicção, às vezes por falta de dinheiro ou de lugar no cemitério.

O cristão pode ser cremado? A cremação atrapalha a ressurreição? A Bíblia proíbe queimar o corpo de quem morreu? Se não proíbe, por que a igreja sepultou os seus mortos durante quase toda a sua história? E o que fazer quando o próprio falecido pediu para ser cremado, ou quando o sepultamento custa mais do que a família pode pagar?

Procurarei responder com equilíbrio. Começo pelo que a Bíblia mostra (seção 2) e pelo testemunho da igreja antiga (seção 3). Depois apresento as razões teológicas do sepultamento (seção 4) e, com a mesma honestidade, o melhor argumento a favor da cremação (seção 5). No fim, deixo clara a posição que defendo e as orientações pastorais que dela decorrem.

Adianto o essencial para que ninguém leia este estudo com o coração apertado: a salvação de quem morreu não depende do que se faz com o seu corpo. O que está em jogo é o testemunho que a igreja dá diante da morte e a sabedoria pastoral com que acompanha as famílias.

2. O que a Bíblia mostra

Na Bíblia, o povo de Deus sepulta os seus mortos. A queima de corpos aparece poucas vezes e, quase sempre, como castigo ou profanação, com uma exceção que precisa ser lida com atenção.

O sepultamento como prática constante

A primeira propriedade que Abraão possuiu na terra prometida foi uma sepultura. “Deixem-me adquirir uma sepultura na terra de vocês, para que eu possa sepultar a minha falecida mulher”, pediu ele aos heteus (Gn 23.4). Naquela caverna de Macpela foram sepultados os patriarcas (Gn 49.29-32), como quem planta a esperança na terra que Deus havia prometido.

José pediu que os seus ossos fossem levados do Egito quando Deus visitasse o seu povo (Gn 50.25), e assim foi feito (Êx 13.19; Js 24.32). A carta aos Hebreus vê nisso um ato de fé: “Pela fé, José, próximo do seu fim, […] deu ordens a respeito de seus próprios ossos” (Hb 11.22). O próprio Senhor sepultou Moisés (Dt 34.6), e a Lei mandava sepultar no mesmo dia até o condenado que fora pendurado no madeiro (Dt 21.23).

No Novo Testamento a prática continua. Os discípulos de João Batista sepultaram o seu mestre (Mt 14.12); homens piedosos sepultaram Estêvão (At 8.2). O corpo de Jesus foi envolvido em lençóis com óleos aromáticos, “como é costume entre os judeus na preparação para o sepultamento” (Jo 19.40), e depositado num túmulo novo aberto na rocha (Mt 27.59-60).

O sepultamento de Cristo entrou no próprio resumo do evangelho: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e […] foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia” (1Co 15.3-4). O Credo dos Apóstolos repete: “crucificado, morto e sepultado”. O túmulo é a prova de que Jesus morreu de verdade e o lugar onde a ressurreição foi anunciada.

As poucas vezes em que corpos são queimados

No Antigo Testamento, queimar um corpo é quase sempre sinal de juízo ou de desonra. Acã foi apedrejado e queimado (Js 7.25); a Lei previa a morte pelo fogo para certos pecados graves (Lv 20.14; 21.9). Moabe foi condenado por um crime que hoje chamaríamos de profanação: “queimou os ossos do rei de Edom, até reduzi-los a cinza” (Am 2.1). Josias queimou ossos sobre o altar de Betel justamente para profaná-lo (2Rs 23.16).

Há textos que parecem falar de cremação de reis, mas não falam. Quando Asa morreu, “foi sepultado no túmulo que ele tinha mandado abrir para si”, sobre um leito de perfumes, e “depois fizeram uma grande fogueira em honra dele” (2Cr 16.14). Jeremias mostra o que era essa honra: “Queimarão perfumes em sua honra, como queimaram em honra aos seus pais” (Jr 34.5). Queimava-se perfume, não o rei.

A exceção é a de Jabes-Gileade. Os filisteus haviam mutilado o corpo de Saul e o exposto, com os corpos dos filhos, na muralha de Bete-Seã (1Sm 31.9-10). Os homens valentes de Jabes caminharam a noite toda, tiraram os corpos dali, “os queimaram” e depois “pegaram os ossos deles e os sepultaram” (1Sm 31.12-13). Davi os abençoou: “Benditos do Senhor sejam vocês, por este ato de bondade para com o seu senhor, para com Saul, pois vocês o sepultaram!” (2Sm 2.5).

Esse texto ensina duas coisas. A queima, numa situação extrema, foi vista como ato de bondade e não como profanação; e, mesmo assim, terminou num sepultamento. Quanto a “entregar o meu próprio corpo para ser queimado” (1Co 13.3), Paulo fala do sacrifício de quem dá a vida, e não de costumes funerários; o versículo não serve a nenhum dos lados deste debate.

O que isto prova e o que não prova

A Escritura descreve o sepultamento como a prática constante do povo de Deus, mas não dá uma ordem como “não cremarás”. Uma prática descrita não é, por si só, um mandamento. Ao mesmo tempo, uma prática que atravessa a Bíblia inteira, de Abraão ao túmulo de Jesus, e que aparece ligada à esperança da promessa tem um peso que não pode ser ignorado.

3. O testemunho da igreja antiga

Os primeiros cristãos viviam num império em que a cremação era comum e, mesmo assim, sepultavam os seus mortos. Ao mesmo tempo, nunca pensaram que os irmãos cujos corpos foram queimados tivessem perdido a ressurreição, e é esse equilíbrio que interessa a este estudo.

Um costume que distinguia os cristãos

No tempo dos apóstolos, muitos romanos cremavam os seus mortos, enquanto judeus e cristãos os sepultavam. No fim do século 2 ou no começo do século 3, o advogado cristão Minúcio Félix escreveu um diálogo, o Otávio, em que um pagão acusa os cristãos de execrar as piras funerárias e condenar a sepultura pelo fogo (Otávio 11).

A resposta do cristão Otávio é um modelo de equilíbrio: “Nem tememos, como vocês pensam, algum dano pela forma da sepultura; seguimos o costume antigo e melhor de sepultar na terra” (Otávio 34, tradução nossa). Observe as duas metades da frase. O cristão não teme que o fogo lhe roube a ressurreição e, ainda assim, prefere o sepultamento, que chama de costume “antigo e melhor”. É exatamente a posição que este estudo defende.

A mudança não foi só cristã: a partir do século 2, o sepultamento voltou a crescer também entre os pagãos do império. Mas a igreja nunca adotou a cremação, e o sepultamento permaneceu a prática do Ocidente cristão até o fim do século 19.

Os cemitérios cristãos

Os cristãos chamaram os seus lugares de sepultamento de koimētērion, palavra grega que significa lugar de dormir e que nos deu “cemitério”. No século 3 esses lugares já eram tão importantes que, na perseguição de Valeriano, as autoridades proibiram os cristãos de “entrar nos chamados cemitérios”, e um decreto posterior do imperador Galieno permitiu aos bispos “retomar a posse dos chamados cemitérios” (Eusébio, História Eclesiástica VII.11 e 13).

Sepultar também era obra de misericórdia

Os cristãos não sepultavam só os seus. Lactâncio, no começo do século 4, incluiu entre as obras de misericórdia o sepultamento dos pobres e dos estrangeiros: “não permitiremos que a imagem e obra de Deus fique exposta como presa de feras e aves, mas a devolveremos à terra, de onde veio; e, ainda que se trate de um desconhecido, cumpriremos o dever dos parentes” (Instituições Divinas VI.12, tradução nossa).

Numa carta atribuída ao imperador Juliano, que no século 4 tentou restaurar o paganismo, o cuidado dos cristãos com as sepulturas dos mortos aparece entre as razões do crescimento da fé cristã, ao lado da hospitalidade aos estrangeiros.

Os mártires de Lião

Em 177, na perseguição de Lião e Vienne, na Gália, as igrejas escreveram que estavam “em profunda aflição por não podermos sepultar os corpos”. Os corpos dos mártires ficaram expostos durante seis dias, “foram depois queimados e reduzidos a cinzas”, e as cinzas foram varridas para o rio Ródano. Os perseguidores fizeram isto “como se pudessem vencer a Deus e impedir o seu novo nascimento”, diziam eles, “para que não tenham esperança de ressurreição” (Eusébio, História Eclesiástica V.1.61-63).

A igreja nunca duvidou de que aqueles mártires ressuscitariam. O episódio mostra, ao mesmo tempo, por que os cristãos preferiam sepultar, já que a queima era usada como zombaria contra a sua esperança, e por que essa esperança não depende do sepultamento.

O equilíbrio de Agostinho

No começo do século 5, Agostinho deu ao tema a formulação mais equilibrada. Os cuidados com o funeral, com a sepultura e com as cerimônias “são mais consolo para os vivos do que ajuda para os mortos” (A Cidade de Deus I.12, tradução nossa). Mesmo assim, “os corpos dos mortos não devem ser desprezados e deixados sem sepultura”, sobretudo os dos fiéis, que o Espírito Santo usou “como seus órgãos e instrumentos para todas as boas obras” (I.13). Por isto, lembra ele, Tobias foi elogiado por sepultar os mortos, e também os que tiraram o corpo de Jesus da cruz e o envolveram com amor.

No tratado Sobre o cuidado devido aos mortos, escrito a Paulino de Nola, Agostinho resume: o que se faz pelo sepultamento do corpo não é auxílio para a salvação, mas um dever de humanidade (cap. 5). A igreja antiga segurou, portanto, duas convicções ao mesmo tempo: o sepultamento é a maneira certa de honrar o corpo, e a ressurreição não depende dele.

4. As razões teológicas do sepultamento

A preferência cristã pelo sepultamento não nasce de costume nem de saudosismo. Ela nasce daquilo que a igreja crê sobre o corpo, sobre Cristo e sobre a ressurreição, e o sepultamento é a forma de despedida que diz essas coisas com mais clareza.

O corpo é obra de Deus e santuário do Espírito

“O Senhor Deus formou o homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida” (Gn 2.7). O corpo não é uma casca que a alma abandona sem valor, como pensavam muitos filósofos gregos. Paulo pergunta aos coríntios: “Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo?” (1Co 6.19). O corpo do crente que morreu foi santuário de Deus, orou, serviu, cantou, abraçou. Deitá-lo com cuidado na terra, como quem acomoda alguém para o descanso, é um gesto coerente com essa dignidade.

Seguimos o caminho de Cristo

Jesus “foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia” (1Co 15.4). O cristão já foi sepultado com ele de modo simbólico: “Fomos sepultados com ele na morte pelo batismo, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós andemos em novidade de vida” (Rm 6.4). Quando a igreja sepulta um irmão, o túmulo dele aponta para o túmulo de Jesus, que ficou vazio.

O corpo é semeado, não descartado

A imagem mais forte vem do próprio Paulo. Para explicar a ressurreição, ele fala de semente: “Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscita em glória” (1Co 15.42-43). Jesus usou a mesma figura: “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto” (Jo 12.24).

O sepultamento põe essa esperança diante dos olhos. A família vê o corpo descer à terra como semente que espera a colheita. A cremação não anula a promessa, mas não a desenha com a mesma clareza.

Os mortos dormem e serão chamados

O Novo Testamento chama os crentes que morreram de “os que dormem” (1Ts 4.13-14), e Daniel já dizia que “muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão” (Dn 12.2). Por isto os primeiros cristãos chamaram os seus lugares de sepultamento de cemitério, palavra que vem do grego e quer dizer dormitório. Jesus prometeu que “todos os que se acham nos túmulos ouvirão a voz dele e sairão” (Jo 5.28-29).

Quem ressuscita é a mesma pessoa

O Manual da Igreja ensina que “o corpo ressurreto será um corpo espiritual, mas a pessoa será íntegra e identificável” (§128). Cristo “transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória” (Fp 3.21). O sepultamento expressa essa continuidade: o corpo que a igreja entrega à terra pertence à pessoa que Deus vai ressuscitar transformada.

O rito da igreja supõe o sepultamento

A tradição metodista sempre teve uma ordem própria para o sepultamento. Wesley a incluiu no Culto Dominical dos Metodistas, a Disciplina de 1860 da Igreja Metodista Livre a conservou no seu capítulo XI, e o Manual atual prevê que se diga junto ao túmulo: “entregamos este corpo mortal à terra, esperando a ressurreição geral no último dia” (§9310). A liturgia ensina o que a igreja crê, e a nossa liturgia foi escrita para um sepultamento.

5. O melhor argumento a favor da cremação

O argumento a favor da cremação é sério e precisa ser apresentado na sua forma mais forte, porque muitos irmãos fiéis já a escolheram para si ou para quem amavam.

A Escritura não proíbe

Como vimos na seção 2, a Bíblia descreve o sepultamento, mas não o ordena, e não há nela nenhuma proibição expressa de cremar. O Manual da Igreja estabelece um princípio claro: “Tudo o que não se encontra na Bíblia, nem pode ser provado por ela, não pode ser exigido como artigo de fé ou como necessário para a salvação” (§108).

Deus ressuscita o que o fogo consumiu

A ressurreição não depende do estado do corpo. Mesmo o corpo sepultado volta ao pó (Gn 3.19; Ec 12.7), e no fim “o mar entregou os mortos que nele estavam” (Ap 20.13). Cristãos morreram queimados por causa da fé, outros se perderam no mar ou em incêndios, e nenhum deles ficou fora da promessa. Paulo lembra que não se semeia “o corpo que há de ser”, porque “Deus lhe dá corpo como ele quer dar” (1Co 15.37-38): a ressurreição é obra criadora de Deus, e não uma remontagem de pedaços.

A igreja antiga já respondia assim. Cirilo de Jerusalém, no século 4, enfrentou a objeção de que certos homens “são consumidos pelo fogo, e as suas próprias cinzas são espalhadas pela chuva ou pelo vento”. A resposta dele: para Deus, que tem toda a terra na concha da mão (Is 40.12), “todas as coisas estão perto” (Catequese XVIII).

O precedente de Jabes-Gileade

Os homens de Jabes queimaram os corpos de Saul e de seus filhos antes de sepultar os ossos, e Davi os chamou de “benditos do Senhor” por esse ato de bondade (1Sm 31.12-13; 2Sm 2.5). Numa situação extrema, a queima não foi tratada como desonra.

Razões práticas que também podem ser amor

Há famílias que não conseguem pagar um sepultamento, cidades onde faltam vagas nos cemitérios, parentes que vivem longe e querem levar as cinzas para perto de si. Em epidemias, a própria lei admite a cremação por interesse da saúde pública. Escolher a cremação por esses motivos pode ser um ato responsável, e não uma negação da fé.

A intenção muda o sentido

A igreja antiga rejeitou a cremação num mundo em que ela estava ligada ao paganismo e, em certos casos, à zombaria contra a ressurreição (seção 3). Quando a cremação moderna surgiu na Europa do século 19, ela também foi promovida por grupos hostis ao cristianismo, e a Igreja Católica chegou a proibi-la. Em 1963, porém, essa mesma igreja passou a permiti-la, desde que não seja escolhida como negação da fé cristã, e hoje muitas igrejas evangélicas a aceitam. Quem escolhe cremar crendo na ressurreição não faz o que faziam os perseguidores de Lião.

Este argumento prova que a cremação é lícita. Não prova que ela expresse a esperança cristã tão bem quanto o sepultamento, e é isto que a seção 6 avalia.

6. Avaliação: doutrina e prática

O debate fica mais claro quando se separa a doutrina da prática. A doutrina é inegociável: haverá “uma ressurreição corporal dentre os mortos” (§128), e nenhum crente perde essa esperança por causa do que se fez com o seu corpo. A prática funerária é outra coisa: ela não salva nem condena, mas ensina, porque os ritos mostram aos vivos aquilo em que a igreja crê.

Paulo respondeu ao lema dos coríntios, “todas as coisas são lícitas”, lembrando que “nem todas convêm” e “nem todas edificam” (1Co 10.23). Os argumentos da seção 5 mostram que a cremação é lícita. Os das seções 2 a 4 mostram que o sepultamento convém mais, porque comunica melhor a esperança cristã.

Critério Sepultamento Cremação
Exemplo bíblico Prática constante, de Abraão ao túmulo de Jesus Aparece como castigo ou profanação, com a exceção de Jabes-Gileade
Mandamento expresso Não há Não há proibição
Ressurreição Não depende do estado do corpo Não depende do estado do corpo
Imagem da esperança Semente semeada, sono, túmulo de Cristo Destruição rápida, que não desenha a promessa com a mesma clareza
Testemunho histórico Prática cristã quase unânime até o século 19 Aceita por muitas igrejas a partir do século 20
Lugar de memória Túmulo com nome, para visitar e orar Depende do destino das cinzas; um columnário pode cumprir esse papel
Custo e espaço Pode ser alto nas grandes cidades Pode ser menor, conforme a cidade

A tabela mostra um empate no que é essencial, a ressurreição, e uma vantagem clara do sepultamento no que é simbólico, bíblico e histórico. As razões práticas da cremação são reais, mas são circunstâncias, e a igreja pode ajudar a família a enfrentá-las.

Tradições que divergem em muita coisa chegaram aqui a uma conclusão parecida. O Código de Direito Canônico da Igreja Católica recomenda vivamente o costume piedoso de sepultar e não proíbe a cremação, salvo quando ela é escolhida por razões contrárias à doutrina cristã (cân. 1176, §3). Entre os evangélicos, David W. Jones chegou a conclusão semelhante num estudo publicado em 2010: a Escritura não proíbe a cremação, mas os exemplos bíblicos e a história da igreja inclinam para o sepultamento.

7. Nossa posição

Sou pastor de tradição armínio-wesleyana e afirmo, com a Igreja Metodista Livre, a ressurreição do corpo como esperança de todo o povo de Deus. A partir dela, a minha posição é esta:

  1. Recomendo o sepultamento como a forma cristã preferencial de despedida, porque segue o exemplo constante da Escritura e o caminho de Cristo, honra o corpo como obra de Deus e pinta diante de todos a imagem da semente que espera a ressurreição.
  2. A cremação não é pecado, não põe em risco a salvação de ninguém e não impede a ressurreição. O Manual é claro: o que não se encontra na Bíblia “nem pode ser provado por ela, não pode ser exigido como artigo de fé” (§108). Por isto nenhum pastor deve constranger uma família que escolheu cremar, nem lançar dúvida sobre a esperança de quem foi cremado.
  3. Quando a cremação for escolhida, que o seja com fé na ressurreição, e não como negação dela, e que o culto fúnebre anuncie essa esperança com a mesma clareza.
  4. Quando o único motivo da cremação for o custo, a igreja deve oferecer ajuda antes de a família decidir, como fazem os ecônomos no socorro aos necessitados (§6900).

Em resumo: o sepultamento é o caminho que melhor convém, e a cremação é um caminho lícito. Entre irmãos que escolhem caminhos diferentes, vale a caridade, e para todos vale a mesma esperança.

8. Orientações pastorais

Referências

As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). As obras antigas que já têm tradução no site da igreja são citadas por ela.

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Igreja antiga

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Texto preparado com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello.

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