Batalha EspiritualEstudo 7

Contra quem Lutamos?

“Porque a nossa luta não é contra a carne, e, sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.”Efésios 6.12 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Ef 6.10-18; Mt 5.38-48; Rm 12.14-21

Série Batalha Espiritual — os 12 estudos

1 · Maldição Hereditária2 · Herança Familiar3 · Batalha Inicial4 · Batalha Decisiva5 · O Valente Amarrado6 · A Batalha Final7 · Contra quem Lutamos?8 · Sedução e Disfarce9 · Ataques à Mente e ao Coração10 · Vencendo a Carne11 · Vencendo o Mundo12 · Nossas Armas

Para começar

As perguntas que nos guiam

Antes de aprender a lutar, é preciso saber contra quem se luta. Errar o alvo aqui custa caro: gasta-se munição contra quem deveria ser amado e baixa-se a guarda diante do verdadeiro adversário.

1

Quem são os nossos verdadeiros inimigos?

Paulo responde em Efésios 6.12 — e a resposta exclui, de saída, um alvo que muitos elegem.

2

O que são os principados e poderes?

Bem mais do que anjos caídos: toda espécie de poder que se deturpa a serviço do pecado e da morte.

3

E os inimigos de dentro?

A carne e as atrações do mundo completam o campo de batalha — o combate é externo e interno ao mesmo tempo.

O alvo certo

Cuidado para não lutar contra os inimigos errados

Quem são os nossos verdadeiros inimigos? É importante saber isto para não incorrermos no erro de lutar contra os inimigos errados.

Lembre-se de que estamos tratando aqui de batalha espiritual, como disse Paulo: “Porque a nossa luta não é contra a carne, e, sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6.12).

A nossa luta não é contra a “carne”, que neste contexto significa outros seres de carne e osso, visto estar em contraste com seres espirituais do mal. O que Paulo está dizendo é que nossa luta não é contra outros seres humanos, ainda que eles possam agir como nossos inimigos. Somos exortados a batalhar contra os espíritos malignos, e não contra as pessoas.

“Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não os amaldiçoem (…) Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: Minha é a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor. Ao contrário: Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele. Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem” (Rm 12.14-21)

Eis o teste do alvo: se a minha “batalha espiritual” me leva a odiar gente, errei de inimigo. A pessoa hostil não é o adversário — é alguém por quem se ora, se abençoa e, se preciso, se dá de comer. O adversário é outro, e opera em outro plano.

O adversário

Principados e poderes

Paulo ensina que nossa luta é “contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6.12). Estes termos abrangem muito mais do que seres angelicais caídos: incluem toda espécie de poder que se deturpa para o uso e a promoção do pecado e da morte.

Os seres humanos foram criados para o bem, mas se desviaram para o mal. Também os principados e poderes foram criados por Deus e para Deus — foram criados para o bem, mas se corromperam e se desviaram dele: “pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele” (Cl 1.16).

Satanás e seus demônios atuam como dominadores deste mundo tenebroso fazendo uso de toda e qualquer espécie de poder que possa ser corrompido para cumprir os intentos destruidores do mal. Paulo denomina Satanás “o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência” (Ef 2.2), e Jesus o descreve como príncipe deste mundo (Jo 12.31; 14.30; 16.11).

Como estes poderes operam? Os principados e poderes operam por meio de sistemas políticos, econômicos, sociais, religiosos, culturais e humanos em geral. Embora imateriais, agem como poderes autômatos no mundo concreto e natural. Devemos discernir o método e as artimanhas do diabo para combatê-los com firmeza.

Um exemplo: a ligação do ser humano com o dinheiro costuma ir além da manipulação de uma coisa inanimada e neutra. O dinheiro possui um poder sedutor, controlador e corruptor. Pode voltar-se para a caridade como pode se transformar em um deus dominador e destruidor — até a subjugação a uma entidade espiritual denominada Mamom, que atua por meio dele e de tudo o que ele pode representar para alguém. O mesmo se pode dizer da ciência, da tecnologia, da internet, do cinema, da televisão, dos meios de comunicação em geral. É óbvio que Satanás e seus demônios se valem destes poderes para a difusão do mal no mundo.

Os principados e poderes malignos promovem toda espécie de injustiça e opressão. Combatem a liberdade religiosa e perseguem a Igreja — ao longo da história e ainda hoje, em muitos países cujas leis e governos são anticristãos. Promovem também tendências destruidoras: a pornografia, a infidelidade conjugal, o egoísmo, a dissolução da família, o hedonismo, o consumismo, a ganância, a inveja, a exploração e a coisificação de pessoas, os vícios, o fanatismo, a violência, o ódio, o racismo, a mentira, as superstições, as heresias, as idolatrias, o culto de si mesmo.

A cruz expõe os poderes

Jesus os desmascarou triunfando sobre eles

Jesus expôs os principados e poderes triunfando sobre eles na cruz (Cl 2.15; 1Pe 3.22). A corrupção das autoridades políticas e religiosas foi exposta por Cristo em sua morte (1Co 2.8). O amor ao dinheiro — motivo da traição de Judas — também foi ali exposto, junto com a injustiça, os conchavos secretos, a manipulação da ignorância das multidões, a maldade e a crueldade da natureza humana. Até a covardia dos discípulos emergiu: fugiram e mentiram para salvar a própria pele.

Cl 2.15 · 1Co 2.8 · 1Pe 3.22

O apóstolo Pedro destaca o Diabo como o nosso adversário: “Sede sóbrios e vigilantes. O Diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé…” (1Pe 5.8-9a). O Diabo ruge para nos intimidar, mas nos foi dada autoridade para agir com coragem, resistindo-lhe firmemente na fé. Tiago também nos encoraja: “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).

A batalha tende a ficar mais acirrada à medida que nos aproximamos do fim, pois está escrito: “Ai da terra e do mar, pois o Diabo desceu até vós, cheio de grande cólera, sabendo que pouco tempo lhe resta” (Ap 12.12). Paulo pinta o retrato dos finais dos tempos para Timóteo: homens egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, sem amor pela família, caluniadores, cruéis, traidores, “mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus” (2Tm 3.1-4).

Podemos resistir ao Diabo porque estamos sujeitos a Deus e revestidos da armadura divina. Pois, “se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8.31). Jesus já amarrou e expulsou o príncipe deste mundo, e Satanás já foi visto caindo como um relâmpago (Jo 12.31; Mt 12.29; Lc 10.17-19) — como vimos no Estudo 5 desta série. A visão do Apocalipse confirma: o grande dragão foi lançado fora, e os irmãos “o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do testemunho que deram; diante da morte, não amaram a própria vida” (Ap 12.7-11).

O inimigo de dentro

A carne

O diabo não teria possibilidade alguma de sucesso contra nós não fosse a nossa natureza humana com propensão para o pecado.

Tiago chega a dizer que somos tentados pelas nossas próprias cobiças, dando a entender que o diabo tem pouco trabalho neste sentido: “Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. Então esse desejo, tendo concebido, dá à luz o pecado, e o pecado, após ter se consumado, gera a morte” (Tg 1.14-15).

Temos, então, de lutar contra as inclinações da nossa própria carne. Eis aí outro adversário a ser combatido: “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja do vosso querer” (Gl 5.17).

1. Reconhecer a propensão de nossa natureza humana para o pecado (Gl 5.19-21).
2. Despojar-se da velha natureza, considerando-nos mortos para o pecado (Rm 6.5-6; Gl 5.24).
3. Andar no Espírito, cultivando o seu fruto (Gl 5.22-23).

O terceiro front

Os poderes e as atrações do mundo

Por conta de nossa natureza humana, somos atraídos pelas coisas deste mundo: riquezas, prazeres, poderes e glórias.

Combatemos as paixões mundanas não nos conformando com este século, sendo transformados em nossa mente e coração (Rm 12.2), conscientes de nossa nova identidade em Cristo. Estamos no mundo, mas não somos do mundo. Jesus nos enviou como sal da terra e luz do mundo.

Dois “mundos” diferentes. “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo 2.15). Como conciliar isto com “Deus amou o mundo de tal maneira…” (Jo 3.16)? A resposta é que se trata de mundos diferentes. O mundo amado é o que Deus criou — o planeta, seus reinos e, principalmente, os seres humanos criados à imagem de Deus, por quem Jesus deu a vida. Mas “mundo” também designa todo um sistema de valores social, político e cultural corrompido a partir da entrada do pecado — o mesmo mundo que Jesus diz ter vencido (Jo 16.33). Este, não devemos amar.

Desse sistema corrompido brotam ganância, ódio, guerras, opressão, racismo, injustiças, agressão à natureza, desestruturação da família, imoralidades e vícios destruidores da vida e da dignidade humana. No Estudo 11 desta série, veremos como enfrentar as tentações e os poderes do mundo caído.

Concluindo

Três frentes, uma só vigilância

Nossa luta é contra os principados malignos que se valem da fraqueza de nossa carne e atuam através dos poderes e das atrações deste mundo. O combate é tanto externo quanto interno: contra os principados que agem através de poderes corrompidos e corruptores, e contra os maus desejos do nosso próprio coração, que se sente atraído pelas coisas deste mundo.

Sejamos sempre vigilantes para não dar lugar ao diabo e para não cair em tentação (Mt 26.41; Ef 4.27). Se tais exortações existem, é porque o perigo é real. Devemos nos sujeitar a Deus para resistir ao diabo, mortificando a carne para não assumir os contornos deste mundo.

Do livro

Questões para reflexão

Responda por escrito, diante de Deus.

1. Quais são os nossos maiores adversários no campo da batalha espiritual?
2. Como é que você tem enfrentado estes inimigos?
3. A Bíblia diz que a maldade tende a aumentar à medida que nos aproximamos da Segunda Vinda de Cristo. Você tem observado esta tendência nos dias de hoje? Em caso afirmativo, quais seriam as evidências de que isto está acontecendo?
4. Será que, como cristãos, temos um papel a desempenhar para conter o avanço da iniquidade — ou devemos nos conformar com a situação, alegando que tem de ser assim mesmo para o cumprimento das profecias?

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

0 de 5

Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Reflexão pastoral: há alguém de carne e osso que hoje ocupa, no seu coração, o lugar de inimigo? Medite antes de abrir.Ver resposta sugerida
Comece nomeando a pessoa diante de Deus — sem eufemismo. Depois, separe os planos: o que ela fez pode ter sido injusto de verdade, e Deus não pede que você chame o mal de bem; pede que você não assuma o papel de juiz e vingador, “pois está escrito: Minha é a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.19). O passo prático de Jesus é a oração: “orem por aqueles que os perseguem” (Mt 5.44) — é quase impossível seguir odiando alguém por quem se ora com sinceridade todos os dias. Em seguida, procure um gesto concreto de bem (Rm 12.20): a “brasa viva” do amor inesperado é a arma que desarma. Por fim, lembre-se do alvo certo: por trás da hostilidade humana operam poderes que querem exatamente isto — vê-lo consumido em rancor, lutando contra gente e desarmado diante do verdadeiro adversário (Ef 6.12; 2Co 2.11). Perdoar não é declarar o mal inocente; é entregá-lo ao Juiz justo e recusar-se a dar lugar ao diabo (Ef 4.26-27).
Alguém questiona: “Essa história de ‘batalha espiritual’ não acaba virando caça às bruxas — demonizar pessoas, partidos e adversários?” Como responder com mansidão?Ver resposta sugerida
Reconheça que o risco é real — e que o texto-chave da batalha espiritual foi escrito justamente para evitá-lo. Efésios 6.12 começa negando: a nossa luta não é contra pessoas. Quem demoniza gente está, por definição, lutando contra os inimigos errados. O ensino bíblico aponta na direção oposta: ao inimigo humano, amor, bênção, pão e água (Mt 5.44; Rm 12.14-21); ao inimigo espiritual, resistência firme na fé (1Pe 5.8-9; Tg 4.7). Acrescente que os principados operam por sistemas e estruturas corrompidas (Ef 2.2) — por isso o cristão combate a injustiça, a mentira e a opressão sem odiar os que estão enredados nelas: pessoas não são o alvo, são o resgate. A cruz é a prova: ali Jesus expôs e desarmou os poderes (Cl 2.15) enquanto orava pelos homens que o crucificavam (Lc 23.34). Batalha espiritual bem compreendida produz gente mais mansa, não mais raivosa.

Para casa e próximo estudo

Tarefas

Ler Ef 6.10-18 e Rm 12.14-21, anotando o que cada texto manda fazer com o inimigo espiritual e com o inimigo humano. Depois, escrever numa folha os três fronts do estudo — principados, carne e mundo — e, ao lado de cada um, a brecha que mais o ameaça hoje. Levar essa folha para a oração da semana.

Estudo 8

A série continua com as estratégias de Satanás: sedução e disfarce — do orgulho que derruba líderes ao falso anjo de luz. Ir para o Estudo 8 →

Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Do livro do Bispo Ildo Mello · Editoras No Cenáculo e Filhos da Graça