Manual de aconselhamento pastoral · Capítulo 9 de 14

Depois do funeral

O luto mais solitário começa depois do funeral, quando as visitas param e a casa fica em silêncio. A igreja acompanha o enlutado durante pelo menos o primeiro ano, com contatos planejados, atenção às datas difíceis, ajuda prática e, quando possível, um grupo de apoio.

A página Apoio aos Doentes e Enlutados assume esse compromisso: acompanhar a família “nas semanas e meses seguintes, quando o silêncio pesa e o consolo ainda é necessário”.

Calendário de acompanhamento do primeiro ano

Anote as datas na ficha do enlutado no dia do sepultamento. O que não está na agenda costuma ficar para depois, e depois é tarde.

Quando Quem O que fazer
Primeira semana Pastor Visita breve. Perguntar como estão o sono e a alimentação, ouvir de novo a história da morte, ver as necessidades práticas.
Segunda e terceira semanas Equipe de visitação ou célula Telefonema ou visita, refeições, ajuda com documentos e providências.
Um mês Pastor Visita. Explicar que é normal a dor aumentar quando o choque passa. Convidar para o culto, sem cobrança.
Dois a três meses Equipe Visita ou encontro. É quando quase todos já se afastaram. Convidar para o grupo de apoio.
Seis meses Pastor Visita. Observar como a pessoa está retomando a vida e se há sinais de luto complicado (capítulo 2).
Datas especiais Pastor ou equipe Mensagem ou visita na véspera do aniversário do falecido, do aniversário de casamento, do Dia das Mães ou dos Pais, do Natal e do Ano-Novo. A véspera costuma ser pior que o próprio dia.
Um ano Pastor Visita ou, se a família quiser, um culto em memória. Reconhecer o caminho percorrido e avaliar se é preciso encaminhar.
Depois do primeiro ano Célula e igreja Continuar lembrando as datas e, quando a pessoa desejar, envolvê-la no serviço aos que sofrem.

As datas difíceis

O primeiro Natal, o primeiro aniversário, o primeiro Dia das Mães ou dos Pais trazem de volta a ausência com força. Ajude a família a planejar o dia com antecedência: manter a tradição, mudá-la ou fazer as duas coisas, por exemplo começando a ceia de Natal com uma oração de gratidão pela vida de quem partiu.

O culto também pesa. Um hino que o falecido amava pode desmontar o enlutado, e isso não é problema. Sugira que se sente perto da saída nas primeiras semanas, para sair se precisar, e lembre nas orações públicas, de modo geral, “os que choram”. Nos domingos do Dia das Mães e dos Pais, lembre também os que perderam pais ou filhos.

Uma boa prática é realizar uma vez por ano um culto de consolo e esperança, perto do Dia de Finados ou no fim do ano, para as famílias que perderam alguém. Os nomes dos que morreram podem ser lidos com gratidão, e a oração é feita pelos que choram, à luz da ressurreição, e não pelos mortos.

Necessidades práticas

O luto vem acompanhado de papéis, prazos e decisões financeiras, justamente quando a pessoa tem menos força para enfrentá-los. Um irmão de confiança, com experiência administrativa, pode fazer muita diferença.

Assunto O que saber
Licença do trabalho Pela CLT, o empregado pode faltar até 2 dias consecutivos, sem perder o salário, pela morte do cônjuge, de pais, filhos, irmãos ou dependente declarado na carteira de trabalho (art. 473, I). Servidores públicos e algumas categorias têm regras próprias.
Pensão por morte (INSS) Pedida em até 90 dias do óbito (180 dias para filhos menores de 16 anos), é paga desde a data da morte; depois desse prazo, só a partir do pedido (Lei nº 8.213/1991, art. 74). O pedido é feito pelo Meu INSS ou pela Central 135.
Inventário Deve ser aberto em até 2 meses da morte e concluído nos 12 meses seguintes (Código de Processo Civil, art. 611). Pode ser feito em cartório quando os herdeiros são capazes e estão de acordo (art. 610) e, desde 2024, também com herdeiro menor ou incapaz, sob condições e com manifestação do Ministério Público (Resolução CNJ nº 571/2024). Em muitos estados o atraso gera multa sobre o imposto de transmissão. Procure advogado ou a Defensoria Pública.
Contas, bancos e benefícios Comunicar o óbito aos bancos, ao INSS e a outros órgãos, para evitar pagamentos indevidos que depois precisam ser devolvidos. Verificar seguros de vida, previdência privada e saldos de FGTS.
Famílias de baixa renda O CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) orienta sobre benefícios e apoio do município. A diaconia da igreja também pode ajudar, como prevê o Manual ao confiar aos ecônomos o socorro dos necessitados (§6900).

O cuidado espiritual ao longo do ano

Um grupo de apoio ao luto na igreja

Um grupo de apoio reúne pessoas que perderam alguém para caminhar juntas por algumas semanas. Ele não substitui a visita pastoral nem a terapia, mas rompe o isolamento e mostra ao enlutado que ele não está enlouquecendo.

Encontro Tema Texto
1 A história da nossa perda Jo 11.17-35
2 O que é o luto e por que dói tanto Sl 13; Ec 3.1-8
3 Raiva, culpa e perguntas a Deus Sl 88; Jó 3
4 Saudade e memória (cada um traz uma foto ou um objeto) At 9.36-39
5 A nova rotina e as mudanças práticas Rt 1.1-22; 2.1-12
6 As datas difíceis e o primeiro ano Sl 42
7 A esperança cristã: ressurreição e reencontro 1Ts 4.13-18; 1Co 15.20-26
8 Seguir adiante sem esquecer; culto de gratidão 2Co 1.3-4; Ap 21.1-5

Os facilitadores observam os sinais de risco descritos no capítulo 11 e conversam em particular com quem precisar de encaminhamento.

Organizador: Bispo Ildo Mello. Texto preparado com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do organizador. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA).