Manual de aconselhamento pastoral · Capítulo 12 de 14

Quem cuida também precisa de cuidado

Quem acompanha a morte e o luto dos outros é afetado por eles. O pastor precisa cuidar da própria alma e do próprio corpo, reconhecer o próprio luto e, sobretudo, não fazer esse trabalho sozinho: a igreja precisa de uma equipe de visitação preparada, como a que Wesley organizou em Londres.

O peso de quem cuida

Acompanhar sofrimento todos os dias pode produzir o que se chama de fadiga por compaixão. Os sinais são conhecidos: cansaço que o descanso não resolve, irritação, frieza diante da dor alheia, vontade de adiar visitas, insônia, imagens de casos difíceis voltando à mente, exagero na comida, nas telas ou em outros escapes, oração seca.

Cada funeral também pode reabrir os lutos do próprio pastor. Chorar num culto fúnebre não é falta de compostura (Jo 11.35), mas a família enlutada não pode ter de cuidar do pastor. Quando um caso toca demais numa ferida pessoal, peça a um colega que divida o atendimento.

A Bíblia mostra Deus cuidando de quem cuida. Elias, esgotado e desejando morrer, recebeu sono, comida e a presença do Senhor antes de uma nova tarefa (1Rs 19.4-8). Jesus se retirava para lugares solitários para orar (Lc 5.16). Jetro mostrou a Moisés que o fardo precisava ser dividido (Êx 18.17-23).

Práticas de autocuidado

Os visitadores de enfermos de Wesley

Em Londres, os ecônomos da sociedade metodista não davam conta de visitar os doentes: alguns estavam à beira da morte antes que alguém soubesse da doença. Wesley expôs o problema a toda a sociedade e pediu voluntários. Escolheu quarenta e seis, “os que julguei ter o espírito mais terno e amoroso”, dividiu a cidade em vinte e três partes e enviou dois visitadores para cada uma (Explicação sobre o povo chamado metodista, XI).

A função do visitador, descrita por Wesley, continua atual:

Wesley não lhes deu um regulamento extenso, apenas quatro regras: “Seja simples e franco no trato com as almas; Seja brando, terno, paciente; Seja asseado em tudo o que fizer pelos doentes; Não seja melindroso”. O Manual da Igreja conserva essa herança ao incluir entre os deveres da Junta de Ecônomos “confortar os enfermos e os enlutados” (§6900).

Como formar a equipe de visitação da igreja local

  1. Selecionar. Convide pessoas maduras na fé, discretas, emocionalmente estáveis e com o “espírito terno e amoroso” que Wesley procurava. Quem passou por uma grande perda recente deve, de preferência, esperar um tempo antes de assumir essa tarefa.
  2. Formar. Estude com a equipe os capítulos 1 a 3, 5 e 9 deste manual. Pratique a escuta em simulações, combine as regras de sigilo e de higiene hospitalar e faça visitas acompanhadas antes que cada um visite sozinho.
  3. Organizar. Divida a lista de enfermos e enlutados por bairro ou por família, como Wesley dividiu Londres. Visite em duplas, com escala e ficha de visita.
  4. Comunicar. Combine o que deve chegar ao pastor no mesmo dia: risco de vida, piora grave, pedido de unção ou de Ceia, morte, necessidade urgente.
  5. Cuidar da equipe. Reúna os visitadores uma vez por mês para oração, formação e partilha, sem quebrar o sigilo. Quando um assistido morre, lembre que o visitador também está de luto.
  6. Avaliar. Uma vez por ano, reveja com a equipe o que funcionou e o que precisa mudar.
Função Pastor Equipe de visitação
Visitas regulares de presença, escuta e oração Sim Sim
Ajuda prática (refeições, transporte, companhia, documentos) Coordena Sim
Unção com óleo Conduz Acompanha em oração
Ceia do Senhor Ministra Acompanha
Culto fúnebre Conduz Serve no velório e acolhe a família
Crises e risco de suicídio Assume e encaminha Percebe, permanece com a pessoa e avisa o pastor
Acompanhamento do primeiro ano de luto Visitas principais Contatos intermediários e lembrança das datas

Organizador: Bispo Ildo Mello. Texto preparado com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do organizador. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA).