Patrística · séculos I e II

Os Pais Apostólicos

Clemente, Inácio, Policarpo, a Didaqué, Barnabé e a Carta a Diogneto, com os prefácios de John Wesley

Antes de ler

Chamam-se “Pais Apostólicos” os escritores cristãos da geração que viveu logo depois dos apóstolos, no fim do século I e na primeira metade do século II. Alguns deles, segundo a tradição antiga, conheceram os próprios apóstolos. Os seus escritos são o testemunho mais antigo da fé, do culto e da vida das igrejas depois do Novo Testamento: cartas pastorais, um manual de instrução cristã, o relato do martírio de um bispo e uma defesa da fé dirigida a um pagão.

John Wesley tinha por esses textos uma estima especial. Em 1749 abriu com eles o primeiro volume da sua Christian Library, a biblioteca de cinquenta volumes que preparou para os metodistas, porque via nos cristãos dos primeiros séculos o retrato mais puro do cristianismo que desejava ver renovado. Por isso esta série começa com os dois prefácios de Wesley a esse volume. Em seguida vêm a carta de Clemente de Roma aos Coríntios (por volta do ano 96), a antiga homília chamada Segunda Carta de Clemente, as sete cartas de Inácio de Antioquia, escritas a caminho do martírio em Roma, a carta de Policarpo de Esmirna e o relato do seu martírio, a Didaqué, a Epístola de Barnabé e a Carta a Diogneto.

Os originais são gregos; a tradução foi feita da versão inglesa de J. B. Lightfoot (1891), um dos maiores estudiosos desses textos, conferida com as páginas impressas. Duas observações para o leitor: os Pais citam a Escritura de memória e, no Antigo Testamento, quase sempre pela Septuaginta, a tradução grega usada pelas igrejas antigas; por isso, quando a citação difere do texto bíblico que conhecemos, seguimos a redação deles, com a referência entre parênteses. E o sinal † marca os poucos trechos em que o texto grego antigo chegou até nós corrompido, como Lightfoot os assinala.

Abertura

John Wesley e os Pais Apostólicos: os prefácios da Christian Library (1749)

O prefácio de John Wesley à sua Christian Library (Kingswood, 1749), em que explica o propósito da coleção, e a sua introdução "Ao Leitor" às cartas de Clemente, Inácio e Policarpo.

Clemente de Roma

Primeira Carta aos Coríntios (capítulos 1 a 32)

A carta da igreja de Roma à igreja de Corinto, dividida por uma sedição: o ciúme e a inveja, o arrependimento, a humildade e a obediência, à luz dos exemplos das Escrituras.

Clemente de Roma (conclusão)

Primeira Carta aos Coríntios (capítulos 33 a 65)

A ordem na igreja, os ministérios estabelecidos pelos apóstolos, o amor que tudo suporta e a grande oração da igreja de Roma.

Homilia antiga

A chamada Segunda Carta de Clemente

Uma das mais antigas pregações cristãs conservadas depois do Novo Testamento: um chamado ao arrependimento, à pureza e à firmeza na esperança.

Inácio de Antioquia

Cartas aos Efésios, aos Magnésios e aos Tralianos

As primeiras cartas de Inácio, bispo de Antioquia, levado preso a Roma: a unidade da igreja em torno dos seus pastores, a verdadeira encarnação de Cristo e a vida em Cristo.

Inácio de Antioquia (conclusão)

Cartas aos Romanos, aos Filadelfianos, aos Esmirniotas e a Policarpo

A célebre carta aos Romanos, em que Inácio pede que não impeçam o seu martírio, e as cartas aos Filadelfianos, aos Esmirniotas e ao bispo Policarpo.

Policarpo de Esmirna

Carta aos Filipenses e o Martírio de Policarpo

A carta de Policarpo, bispo de Esmirna, aos Filipenses, e o relato da sua morte, um dos mais antigos relatos de martírio cristão.

Didaqué

O Ensino do Senhor aos gentios por meio dos doze apóstolos

O antigo manual de instrução cristã: os dois caminhos, o da vida e o da morte, o batismo, o jejum, a oração, a eucaristia e a vida das comunidades.

Epístola de Barnabé

A Epístola de Barnabé

Uma leitura cristã do Antigo Testamento, com a doutrina dos dois caminhos, o caminho da luz e o caminho das trevas.

Carta a Diogneto

A Carta a Diogneto

A bela defesa da fé dirigida a um pagão culto: os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo, e Deus revelou o seu amor enviando o seu Filho.

Tradução para o português a partir da versão inglesa de J. B. Lightfoot (The Apostolic Fathers, Londres, Macmillan, 1891, ed. J. R. Harmer), conferida com as imagens das páginas; os prefácios de Wesley, a partir de A Christian Library, vol. 1 (1749; reimpr. 1755); domínio público. Os originais são gregos: esta é, portanto, tradução de tradução. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando o autor antigo cita o texto bíblico tal como o conhecemos; quando cita pela Septuaginta ou de memória, segue-se a redação dele. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.