Manual do Pastor Metodista Livre · Parte II · Capítulo 9
A Igreja tem dois sacramentos, o batismo e a Ceia do Senhor, e o pastor os ministra com reverência, sem cobrar nada e segundo o Manual da Igreja. A unção dos enfermos com óleo não é sacramento, mas é prática bíblica que o pastor oferece a quem a pede. Onde o Manual se cala, valem a Escritura, a herança wesleyana e as orientações do Bispo. Os textos dos ritos estão nos capítulos 13 a 16.
“O batismo nas águas e a Ceia do Senhor são os sacramentos da Igreja, ordenados por Cristo. Eles são meios de graça mediante a fé, símbolos da nossa profissão de fé cristã e sinais do ministério gracioso de Deus para conosco” (§123). No mesmo sinal há duas direções: Deus age, e o crente responde com fé. Pelos sacramentos, Deus “opera em nós para vivificar, fortalecer e confirmar a nossa fé” (§123) e “promete satisfazer graciosamente a pessoa que fielmente participa desses sacramentos” (§3230). O ensino de Wesley sobre os meios de graça está no capítulo 2.
O batismo é ministrado “aos crentes como declaração de sua fé em Jesus Cristo como Salvador” e também às crianças, como se verá adiante (§124). Na Ceia, “Cristo, conforme Sua promessa, está realmente presente no sacramento. Mas o Seu corpo é oferecido, recebido e comido tão somente de maneira celestial e espiritual” (§125). Os elementos não mudam de natureza e “nunca devem ser considerados objetos de veneração” (§125).
Quem ministra explica o que faz, pois os sacramentos devem ser ministrados “numa linguagem compreensível ao povo” (§122). Palavra e sacramento andam juntos no culto (capítulo 6).
| Quem | O que o Manual permite | Base |
|---|---|---|
| Presbítero ou presbítera | Administra o batismo e a Ceia; designado para uma igreja local, cumpre os deveres de pastor. | §8300 |
| Candidato ao ministério no Concílio designado pastor titular | Ministra o batismo e a Ceia com a aprovação do superintendente. | §8210 |
| Pastor credenciado | Ministra o batismo e a Ceia. | §8640 |
| Diácono ou diaconisa | Administra os sacramentos “somente quando autorizados por um Presbítero”. | §6610 |
| Assistentes leigos | Ajudam a distribuir os elementos da Ceia, escolhidos pelo pastor oficiante. | §9100 |
| Ecônomos | Preparam os elementos para a Ceia. | §6900 |
A presidência da Ceia não cabe a qualquer um. O Bispo responde com clareza: “Não é apropriado que qualquer pessoa ministre a Santa Ceia” (Qualquer pessoa pode ministrar a Santa Ceia?). A Ceia é ato da igreja reunida; por isso é presidida por quem a Igreja autorizou, para que tudo seja feito com decência e ordem (1Co 14.40). O pastor que autoriza um diácono continua responsável pelo culto (§6900; capítulo 6). Numa igreja sem pastor, cabe ao superintendente “encarregar-se das Igrejas sem pastores” (§5110); combine com ele quem celebrará a Ceia e os batismos. As categorias de ministros estão no capítulo 1.
Nas questões secundárias a Igreja pratica a liberdade, e o Manual põe entre elas a forma do batismo e o batismo de crianças (§9010). Os adultos escolhem entre “imersão (mergulho), aspersão (pouca água sobre a cabeça) ou efusão (derramar água sobre o corpo)” (§9010), e o pastor batiza na forma combinada com o candidato (§9060). O essencial é a água e o nome do Deus triúno: Jesus mandou fazer discípulos, “batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19). O batismo é sempre gratuito (§9010).
A quantidade de água não decide a validade. A Igreja antiga já batizava enfermos no leito, derramando água sobre eles, como mostra a aula A Forma do Batismo. Por isso o pastor pode batizar quem crê e está acamado, em casa ou no hospital, por aspersão ou efusão, a pedido da pessoa e dentro das regras da casa.
Como até as crianças pequenas estão incluídas na redenção, “elas podem ser batizadas a pedido dos pais ou responsáveis, os quais deverão garantir por elas o treinamento cristão necessário” (§124). Os pais escolhem entre o batismo e a dedicação, “sabendo que nossos Artigos de Religião claramente recomendam o batismo como preferencial” (§9010). O Manual traz os dois ritos (§9020 e §9030; capítulos 13 e 14). A preferência é da Igreja; a decisão é dos pais.
Para orientar os pais:
Quando a criança tem de sete a doze anos e consegue responder por si mesma, o Manual permite que o pastor lhe faça cinco perguntas no lugar das perguntas aos pais (§9040). Prepare-a em alguns encontros curtos, com linguagem simples: quem é Jesus, o que é o batismo, o que ela promete. Faça isto com o acordo dos pais e na presença deles.
Quem foi batizado criança e não respondeu por si faz depois a sua profissão: essas pessoas “precisam fazer por si mesmas uma afirmação dos votos de batismo antes de serem recebidas na membresia plena da Igreja, a partir dos dezesseis anos” (§9050). Antes dos dezesseis anos, a criança que já crê pode ser recebida como membro júnior, respondendo ela mesma às perguntas do rito (§6120, §9820). O caminho da membresia está nos capítulos 15 e 36.
O batismo de adultos pede preparo. O pastor:
Quem já recebeu o batismo cristão em outra igreja, inclusive na Igreja Católica e na infância, não é batizado de novo. O Bispo orienta que se reconheça “como batismo cristão válido aquele que foi administrado com água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, com intenção de ministrar o batismo cristão” (Orientações Pastorais sobre a Recepção de Fiéis Oriundos da Tradição Católica Romana e a Validade do Batismo Cristão). Repetir o sacramento obscurece a verdade que ele anuncia: “Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo” (Ef 4.5).
| Situação | O que fazer |
|---|---|
| Batizado com água e em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, em qualquer igreja cristã, criança ou adulto | Reconheça o batismo e receba a pessoa por profissão de fé e recepção de membros. Quem é membro em boa relação de uma igreja evangélica é recebido ao cumprir o §151 (§6110). |
| Pede novo batismo por causa de uma conversão recente | Acolha o fervor e explique, com amor, que a graça recebida não falhou. Ofereça a afirmação dos votos de batismo, com profissão pública de fé; o rito do §9050 pode ser adaptado. |
| O rito anterior não foi feito com água e em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo | Batize: não é rebatismo, mas o primeiro batismo cristão. |
| Nunca foi batizado | Prepare a pessoa e batize. |
Em todos os casos, pergunte onde e quando a pessoa foi batizada e anote a data no registro.
A Junta Administrativa Local mantém um registro permanente dos membros, com as datas de nascimento e de batismo (§6300). Anote cada batismo logo depois do culto e entregue o certificado. O site traz modelos em Word e PDF do certificado de batismo, do certificado de batismo infantil e do certificado de dedicação de criança (Modelos de credenciais e certificados); troque o logotipo pelo da igreja ou da Conferência. A dedicação se registra como dedicação. A guarda dos dados pessoais está no capítulo 44.
O Manual não fixa a frequência da Ceia. A Disciplina de 1860 mandava “cuidar que o sacramento seja administrado pelo menos uma vez a cada três meses” (Disciplina de 1860: Capítulo III. Dos oficiais e ministros, Seção X), e o Manual do Pastor de 1998 ainda trazia a regra: “a cada trimestre, e com mais frequência quando possível” (O pastor no cuidado do rebanho). Wesley defendeu a comunhão constante: “Esta é a verdadeira regra: devemos participar sempre que Deus nos concede oportunidade” (Sermão 101 · O dever da comunhão constante, I.3). Aos presbíteros da América, Wesley aconselhou celebrá-la “em todo Dia do Senhor” (carta aos irmãos na América, 1784, tradução nossa).
Ofereça a Ceia em datas conhecidas, para que o povo se prepare com exame e oração, e organize o culto em função dela. O tempo da Ceia na ordem do culto está no capítulo 7.
“Todas as pessoas devidamente incluídas no convite geral poderão tomar a Ceia do Senhor entre nós” (§9100). O convite alcança quem se arrepende sinceramente dos pecados, vive em amor e paz com o próximo e pretende andar em nova vida (§9110). A mesa está aberta a quem atende ao convite, membro ou não da igreja local; nas palavras do Bispo, ela é “meio de graça oferecido a discípulos arrependidos” (Sermão 101 · O dever da comunhão constante).
Muitos crentes se afastam da mesa por medo de comer indignamente. Wesley mostrou que Paulo condena o modo indigno de participar, como a desordem de Corinto, e não a pessoa que se reconhece indigna (Sermão 101, II.8). O pastor ensina o exame que Paulo pede: “Que cada um examine a si mesmo e, assim, coma do pão e beba do cálice” (1Co 11.28).
Ao mesmo tempo, o pastor guarda a mesa. O Manual manda “não permitir a qualquer pessoa reconhecidamente vivendo uma vida imoral, ou praticante de atos repreensíveis, participe da mesa do Senhor entre nós, até que dê evidências satisfatórias de arrependimento e mudança de vida” (§9100). Quem foi excluído depois de julgamento só volta aos sacramentos com arrependimento, confissão e correção de vida (§7400). Faça isto em conversa particular, antes do culto, e nunca com exposição pública (capítulos 3 e 34). O alvo é a volta da pessoa: quem caiu deve arrepender-se e aproximar-se, e não ficar longe da mesa (Sermão 101, II.10).
O Manual não trata da participação das crianças; fala apenas do convite geral. O Bispo defende que “crianças batizadas, sob devida orientação pastoral e familiar, podem e devem ser acolhidas à Mesa do Senhor” (Crianças na Santa Ceia: uma defesa bíblica, histórica e pastoral). Para ele, 1Coríntios 11 trata da divisão e do desprezo pelos irmãos, e não de idade, e a criança aprende participando. O caminho proposto tem três passos: o batismo como base, a catequese contínua e o envolvimento da família.
O Manual de 1998 registra que a Igreja dos EUA, em 1979, concluiu que não podia proibir aos pais cristãos o privilégio de trazer os filhos consigo à mesa, e pediu a pastores, pais e professores que os instruíssem conforme a idade (Manual do Pastor (1998): A Ceia do Senhor). Traz também três perguntas para os pais: o meu filho quer participar? Tem um relacionamento pessoal com Jesus? Entende o significado básico da Ceia? Na prática, converse com os pais, ensine as crianças antes, cuide da reverência e sirva porções pequenas.
O Manual fala do pão e do vinho (§125) e não diz se o vinho é fermentado. O estudo do Bispo lembra que a maioria das igrejas evangélicas usa suco de uva, o que favorece a participação das crianças; a prática combina com a abstinência de bebidas alcoólicas que a Igreja defende (§3390). Na prática:
“Para o doente que já não vai ao templo, receber a Ceia em casa ou no hospital é participar da mesa do Senhor com toda a igreja”, diz o manual Porque tu estás comigo (Manual de aconselhamento pastoral: A visita ao doente terminal, passo a passo). O pastor usa o rito da Ceia do Manual (§9110; capítulo 16), conforme as condições do doente e as regras do hospital; a visita hospitalar está no capítulo 33. Na prática:
Fora do Brasil, como no Concílio Angolano, valem as leis locais e as normas de cada hospital.
Tiago orienta: “Alguém de vocês está doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará. E, se houver cometido pecados, estes lhe serão perdoados” (Tg 5.14-15). O Manual exorta os pastores “a darem oportunidades ao doente e ao aflito de virem diante de Deus na comunhão da Igreja, com a firme fé de que o Deus e Pai de Jesus Cristo é capaz e está desejoso de curar” (§3260).
“O óleo não tem poder em si mesmo” (Porque tu estás comigo). Ele é sinal de consagração e da presença do Espírito; o poder é do Senhor. Muitos brasileiros associam a unção à extrema-unção e se assustam quando o pastor a oferece. Explique que ela é para os enfermos em qualquer fase da doença, e não um rito de despedida.
O roteiro do manual Porque tu estás comigo:
O texto de Tiago fala dos presbíteros; na prática, o pastor conduz a unção, acompanhado de irmãos que oram com ele. No hospital, use pouco óleo, longe de curativos e cateteres, e peça licença à equipe na UTI.
O mesmo §3260 lembra que Deus cura também por cirurgia, medicação e aconselhamento, e que “Ele pode não conceder cura física para todos nesta vida” (§3260). Por isso o pastor nunca desaconselha o tratamento, não liga a doença, sem mais, ao pecado de quem sofre (Jo 9.1-3) nem à falta de fé, e não promete o que Deus não prometeu. Do ministro, diz o Bispo: “Não garante resultados; intercede com fé, humildade e reverência” (Cuidado com a linguagem que usamos no ministério). Não anuncie a doença no culto, na transmissão ou em grupos de mensagem sem licença do doente: dado de saúde é dado sensível (capítulo 44).
Base deste capítulo: Manual da Igreja, §122 a §125, §151, §3230, §3260, §3390, §5110, §6110, §6120, §6300, §6610, §6900, §7400, §8210, §8300, §8640, §9010 a §9060, §9100, §9110 e §9820; Manual do Pastor (EUA, 1998), O pastor no cuidado do rebanho e A Ceia do Senhor; Disciplina de 1860, cap. III, Seção X; Wesley, Sermão 101, carta aos irmãos na América (Bristol, 10 de setembro de 1784, Letters, ed. Telford, vol. VII, p. 238-239, tradução nossa) e O Culto Dominical dos Metodistas (1788), Comunhão dos Enfermos; Orientações Pastorais, Tema V; estudos Crianças na Santa Ceia e Cuidado com a linguagem que usamos no ministério; aulas Por que batizamos os nossos filhos e A Forma do Batismo; Porque tu estás comigo, cap. 5.
Organização: Bispo Ildo Mello. Baseado no Manual do Pastor da Igreja Metodista Livre dos EUA (Junta de Bispos, 1998), no Manual da Igreja Metodista Livre do Brasil e em pesquisa nova. Texto preparado com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do organizador. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA).