Manual do Pastor Metodista Livre · Parte V · Capítulo 36

O caminho da membresia

Ser membro é assumir em público, diante de Deus e da congregação, a Aliança de Membro e um lugar visível no corpo de Cristo. O caminho tem passos conhecidos: conversão, batismo, instrução na classe de membros, aprovação da Junta Administrativa Local e votos públicos. A membresia é a entrada no discipulado, e não um diploma; por isso a igreja recebe com cuidado, acompanha depois da recepção e só desliga pelos caminhos do Manual.

O que é ser membro

Desde o Pentecostes, “o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos” (At 2.47). Quem nasce do Espírito já entrou no corpo de Cristo (1Co 12.13), e a membresia local é “um sinal local e visível da entrada na Igreja universal” (§3460). Por isso a exigência primária é “o padrão do Novo Testamento de arrependimento, fé e batismo”, o que torna a membresia “quase sinônimo de entrar para o corpo de Cristo” (§6100).

A membresia permite ao novo cristão declarar em público o seu amor e lealdade a Cristo e à Igreja e o põe numa comunidade que lhe dá “o senso de prestação de contas tão necessária para o crescimento espiritual” (§6020). Quem vive à parte da igreja, diz o Manual, não perde necessariamente a fé, mas se priva “dos recursos espirituais e das oportunidades que o próprio Deus ordenou” (§3460). Nas palavras do Bispo: “O cristão cresce espiritualmente através da verdade e do amor. Ele não cresce sozinho, independente dos outros, alheio à igreja” (Não Deixemos de Congregar: Hb 10.25). A carta aos Hebreus exorta: “Cuidemos também de nos animar uns aos outros no amor e na prática de boas obras. Não deixemos de nos congregar, como é costume de alguns” (Hb 10.24-25).

O Manual registra uma mudança de visão: “Nossa primeira visão da membresia era como um diploma de graduação ao fim de um processo de discipulado (…). A presente visão da membresia é como a entrada no processo de discipulado” (§3500). Entrada, porém, com compromisso: “A membresia na Igreja é um privilégio e ao mesmo tempo uma grande responsabilidade” (§154).

A herança: sociedade, classe e bilhete

Wesley exigia de quem queria entrar nas sociedades “uma só condição”: “o desejo de fugir da ira vindoura, de ser salvo dos seus pecados”. Esse desejo, porém, “se mostrará pelos seus frutos”: não fazer o mal, fazer o bem e observar as ordenanças de Deus (Regras Gerais das Sociedades Metodistas, 4 a 6). As regras, lembra o Bispo, “não são um caminho para merecer a salvação”: são o fruto de quem já foi tocado pela graça.

A cada três meses, Wesley conversava com cada membro e entregava a quem vivia com seriedade um bilhete com o nome, que valia como esta recomendação: “Creio que o portador deste é alguém que teme a Deus e faz o que é justo.” Quem andava desordenadamente não recebia bilhete novo (Explicação sobre o povo chamado metodista, IV). A Disciplina de 1860 da nossa Igreja pedia seis meses de “período de experiência” na classe antes da plena comunhão (Disciplina de 1860: Capítulo I. Artigos de Religião, Regras Gerais e recepção de membros, Seção III). É referência histórica: o Manual atual não fixa prazo e guarda a substância de outro modo, com classe de preparação, membros em preparação, aprovação da Junta e votos públicos.

A Aliança de Membro

O membro confessa: “Confessamos Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Pela fé, andamos com Ele. Nós nos comprometemos a conhecê-lo em Sua plena graça santificadora” (§156). E assume compromissos em quatro áreas, cada uma encerrada com as palavras “Isto faremos, pela graça e poder de Deus”.

Área Compromissos, em resumo Base
Quanto a Deus Devoção com mútua prestação de contas, oração, Escrituras, culto público e Santa Ceia; o Dia do Senhor; lealdade a Cristo e à Igreja, sem alianças que comprometam o compromisso cristão. §157
Quanto a nós e aos outros Vida íntegra e santa, com misericórdia a todos; liberdade do que corrompe a mente e prejudica o corpo; respeito a toda pessoa; justiça e honestidade nos relacionamentos e negócios. §158
Quanto às instituições de Deus Santidade do casamento e da família; criar os filhos guiando-os à fé; cidadania responsável e oração pelos que lideram. §159
Quanto à Igreja Unidade, com integridade, amor e compreensão; mordomia cristã; ir pelo mundo e fazer discípulos. §160

A Aliança deixou de ser uma longa lista de comportamentos específicos e passou a ser uma base de princípios. O princípio do §158 “mantém a posição da denominação existente há muito tempo de chamar as pessoas a se comprometerem com o viver saudável evitando substâncias que viciam, como álcool e tabaco”, e lembra também de não comer nem trabalhar demais (§3500). Os princípios de conduta dos §3300 a §3470 são “os alvos de uma vida madura para todos os que são convidados à nossa membresia” (§6100). E, “quando nos unimos à Igreja, renunciamos à membresia em qualquer loja ou ordem secreta” (§3330).

Quando um membro habitualmente viola os votos, cabe ao pastor e aos membros “apontar a falha e procurar restaurar o membro em amor” (§155); o processo está no capítulo 34. O Manual do Pastor de 1998 mandava “Usar a Aliança de Membro uma vez por ano em cada igreja local”. O Manual da Igreja não traz esta regra; como orientação pastoral, leia a Aliança com a igreja num culto de domingo, uma vez por ano.

O caminho até a recepção

O §151 fixa os requisitos da membresia plena: batismo cristão, confissão de uma experiência pessoal de regeneração e voto de buscar a inteira santificação; aceitação dos Artigos de Religião, da Aliança de Membro, dos alvos para a conduta cristã e do governo da Igreja; compromisso de sustentar a Igreja, viver em comunhão, participar ativamente do ministério e buscar a glória de Deus; aprovação da Junta Administrativa Local e declaração pública dos votos (§151). Nada no rito pode contrariar estes requisitos (§150). Na ordem normal, que o manual de 1998 admitia mudar conforme a pessoa, os passos são:

  1. Conversa com o pastor sobre a fé, a certeza do perdão, o batismo e a situação de vida (orientação pastoral).
  2. Batismo, se ainda não houve (capítulos 9 e 13). As crianças batizadas que não responderam por si “precisam fazer por si mesmas uma afirmação dos votos de batismo antes de serem recebidas na membresia plena da Igreja, a partir dos dezesseis anos” (§9050).
  3. Classe de membros, com recepção opcional como membro em preparação no início (§9810).
  4. Entrevista com o pastor, com a Comissão de Cuidado de Membros ou com ambos (orientação pastoral, tirada do manual de 1998).
  5. Aprovação pela Junta Administrativa Local, registrada em ata (§151; §6300).
  6. Recepção num culto público, com os votos do §9800 (capítulo 15).
  7. Registro da data e do método de recepção, das datas de nascimento e de batismo e da conclusão da classe (§6300; capítulo 45), e entrega do certificado de membresia, modelo do site que o Manual não exige.

Casos que o Manual não resolve, como o de quem vive em união estável e deseja ser membro, vão do pastor e da Comissão de Cuidado de Membros ao superintendente (§3440; §6330; capítulo 25). A recepção de pessoas com deficiência intelectual que não conseguem responder por si às perguntas está no capítulo 31.

A classe de membros

“Como ajuda ao desenvolvimento cristão, damos instrução em classe de preparação de novos membros, que pode ser seguida pelo ingresso na membresia” (§3460). A preparação tem três propósitos: identificar as questões da vida e receber ajuda; identificar as questões teológicas e doutrinárias e obter respostas; aprender a missão da Igreja e manifestar compromisso com ela (§6100). O rito dos membros em preparação dá a razão: “para que ninguém seja admitido na Igreja Metodista Livre sem receber instrução” (§9810). Roberts insistia: “Grande vigilância deve ser exercida na admissão de membros à igreja” (Pescadores de Homens: B. T. Roberts (1878), cap. 17). Vigilância, contudo, não exige perfeição: a classe aponta o caminho, e a Aliança se aprofunda depois.

O Manual não fixa duração nem programa. Como orientação pastoral, sugerem-se oito encontros semanais:

  1. Boas-vindas, o testemunho de cada um e a família metodista livre.
  2. A Bíblia e o Deus triúno.
  3. O pecado e a graça que salva.
  4. A santificação e o amor perfeito.
  5. Os meios de graça, o batismo e a Ceia.
  6. A Aliança de Membro e os alvos da vida madura.
  7. A igreja local na conexão, o dízimo e os dons.
  8. Conversa pessoal com o pastor sobre as perguntas do §9800.

As doze aulas de Ensinos Fundamentais cobrem os seis primeiros temas, com perguntas e testes; a história e a identidade estão em A Graça em Movimento e em Dez Características de um Metodista Livre. Faça turmas pequenas, em horário possível para quem trabalha, e encontros individuais para quem não pode ir. Dê você mesmo ao menos o encontro sobre a Aliança e a conversa final, e deixe tempo para as questões da vida, que às vezes pedem aconselhamento (capítulo 23).

Membros em preparação

O rito opcional do §9810 recebe quem começa a instrução; o texto está no capítulo 15. O propósito é que os recebidos sejam instruídos e “deem provas, tanto para si mesmos quanto para a Igreja, da sinceridade e da profundidade das suas convicções”. A ordem da reunião da Junta pergunta se houve recepção de membros em preparação e marca a pergunta como opcional (§6300). O Manual não fixa prazo nem define direitos; como a assembleia é composta pelos membros plenos (§6250), o membro em preparação não vota. Como orientação pastoral, e não como norma da Igreja, use o rito quando a preparação for longa, por exemplo para quem ainda vai ser batizado, e combine com a pessoa um prazo de referência. Os seis meses da Disciplina de 1860 são só referência histórica.

Membros juniores

“Todos os membros com menos de dezesseis anos de idade são membros juniores” (§6120). O Manual diz sobre eles o seguinte:

O Manual prevê uma categoria de membresia “para os crentes abaixo dos 16 anos de idade” (§3460), mas não fixa idade mínima, não diz se a Junta aprova antes a recepção do membro júnior (a ordem da reunião só pergunta se houve recepção), não define o período de instrução nem trata do consentimento dos pais. Também não diz que a criança batizada seja, por isso, membro júnior. Como orientação pastoral, e não como norma da Igreja: receba o membro júnior com o conhecimento e o acordo dos pais ou responsáveis, apresente os nomes à Junta antes da recepção e cuide de que as aulas sigam as regras de proteção (capítulos 27 e 38).

Transferência e membros associados

Quando Apolo resolveu ir para a Acaia, “os irmãos o animaram e escreveram aos discípulos para que o recebessem bem” (At 18.27). A carta de transferência continua este cuidado.

Situação O que fazer Base
O membro vai para outra Igreja Metodista Livre O pastor emite a carta, válida por um ano, e avisa logo o pastor de destino. Até ser recebida lá, a pessoa continua membro da igreja que a concedeu. §6140
Chega membro de outra Igreja Metodista Livre Receba a carta, faça a recepção por transferência (capítulo 15) e avise o pastor que a emitiu. §6140; §9830
O membro vai para outra igreja evangélica Em boa relação, tem direito à carta. Unir-se a outra denominação encerra a membresia. §6140; §152
Chega membro de outra igreja evangélica Em boa relação, é recebido depois de cumprir o §151, inclusive a aprovação da Junta, pelo rito de transferência (capítulo 15). Como orientação, adapte a classe ao que a pessoa já sabe. §6110; §9830
Estudante ou militar metodista livre longe da sua igreja, e a família, sem querer transferência definitiva Pode ser membro associado de outra Igreja Metodista Livre, com todos os direitos menos o voto, em rol separado. §6130

Os modelos das cartas e do aviso de transferência efetuada estão no site (Modelos de credenciais e certificados). Quem se muda para onde não há Igreja Metodista Livre é ajudado a achar uma igreja irmã (capítulo 22).

Desligamento e readmissão

A membresia só termina por quatro caminhos (§153):

Como termina O que fazer
Afastamento voluntário, inclusive retirar-se sob protesto Converse antes, ouça a causa e, se a igreja feriu, peça perdão (capítulo 22). Respeite a decisão e leve o caso à Junta.
União com outra denominação, seita ou sociedade secreta Unir-se a outra denominação ou seita anula a membresia sem julgamento (§152). Se for outra igreja evangélica, ofereça a carta.
Negligência constante Conta como afastamento voluntário. Com os membros distantes, siga o caminho do testemunho anual (§6110; capítulo 22).
Expulsão Só “depois de processo sumário apropriado ou de julgamento e condenação” (§153), com direito a julgamento e apelação (§152; capítulo 34).

Quem sai por qualquer motivo, menos morte ou transferência, vai para a lista de inativos, que o pastor guarda na esperança de restaurá-los; morte e transferência levam ao registro de ex-membros (§6110; capítulos 22 e 45). A Comissão de Cuidado de Membros recomenda à Junta a situação de quem aconselhou e mantém ministério contínuo com ex-membros e inativos (§6330; capítulo 22). O registro da Junta guarda a data e o motivo do encerramento (§6300). O manual de 1998 pedia que nenhuma pessoa fosse registrada no rol como “desligada a pedido” antes da aprovação da Junta; o Manual da Igreja não diz isto, e a prática fica como orientação pastoral. Nunca anuncie em público o motivo de uma saída (capítulo 3).

A porta de volta fica aberta. Quem saiu sem queixas pode ser readmitido pela Junta, com evidência de fé atual em Cristo e reafirmação da Aliança (§6110). Quem teve a membresia encerrada por qualquer razão e mostra arrependimento e correção de vida pode pedir a readmissão por escrito; com a recomendação da Comissão de Cuidado de Membros, a Junta decide por escrutínio secreto (§7330; capítulo 34).

O que a igreja espera do membro e o que o membro pode esperar da igreja

Aspecto A igreja espera do membro O membro pode esperar da igreja
Fé e vida A Aliança vivida com a ajuda dos irmãos (§156 a §160) Os sacramentos e as ordenanças (§152), a pregação e o ensino
Comunhão Vida em comunhão com os irmãos e presença no culto público (§151; §157) “compreensão, perdão, disciplina e assistência mútuas” (§6020)
Serviço “tempo, talentos e recursos” para a missão (§9800) Ajuda para reconhecer e usar os dons (§6600)
Recursos “não menos que um décimo de sua renda” (§6430) Contas claras, com relatório mensal à Junta e anual à assembleia (§6300)
Correção Aceitar a admoestação fraterna (§155) Restauração em amor e direito a “julgamento e apelação” (§152)

O membro pleno vota e pode ser eleito “ao alcançar a idade designada pelo Concílio Geral” (§152). Na crise, na doença e no luto, pode contar com a visita do pastor e da equipe (capítulos 22 e 24) e com o sigilo do que confiar ao pastor (capítulo 3).

Na prática

Para aprofundar

Base deste capítulo: Manual da Igreja, §150 a §160, §3330, §3440, §3460, §3500, §6020, §6100 a §6140, §6250, §6300, §6330, §6430, §6600, §7330, §9050 e §9800 a §9830; Manual do Pastor (EUA, 1998), Membresia, liderança e a Junta Administrativa Local, Organização de igrejas e recepção de membros e O pastor no cuidado do rebanho; John Wesley, Regras Gerais (1743) e Explicação sobre o povo chamado metodista, IV; Disciplina de 1860, cap. I, Seção III; B. T. Roberts, Pescadores de Homens, cap. 17; Bispo Ildo Mello, Não Deixemos de Congregar.

Organização: Bispo Ildo Mello. Baseado no Manual do Pastor da Igreja Metodista Livre dos EUA (Junta de Bispos, 1998), no Manual da Igreja Metodista Livre do Brasil e em pesquisa nova. Texto preparado com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do organizador. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA).