Manual do Pastor Metodista Livre · Parte V · Capítulo 38

O ministério de ensino: crianças, adolescentes e jovens

A fé passa de uma geração à outra pela casa e pela igreja, nesta ordem. Os pais são os primeiros mestres dos filhos; a igreja os ajuda com a escola dominical, o culto infantil, os grupos de adolescentes e jovens e a instrução dos membros juniores. O pastor responde por este ministério junto com a Comissão de Educação Cristã, que indica os professores: ajuda a escolhê-los e a formá-los, cuida do currículo, visita as classes e leva os jovens a Cristo, à membresia e ao serviço. A segurança vem antes de tudo e está no capítulo 27.

Por que ensinar a nova geração

Quando os discípulos repreendiam os que traziam as crianças, Jesus se indignou e disse: “Deixem que os pequeninos venham a mim; não os impeçam, porque dos tais é o Reino de Deus” (Mc 10.14). As crianças estão “reconhecidamente incluídas na redenção” (§124), e a graça de Deus as alcança antes que saibam responder. Por isto o Manual declara que “nossas Igrejas fazem dos ministérios com crianças e jovens uma prioridade”, para conduzi-los a Cristo e “envolvê-los na membresia da Igreja e no ministério” (§3450).

A criança cresce por etapas, e o ensino acompanha cada uma: “E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2.52). Timóteo conhecia as sagradas letras “desde a infância” (2Tm 3.15), e a sua fé habitara antes na avó Loide e na mãe Eunice (2Tm 1.5).

Wesley perguntou aos seus pregadores: “Mas o que faremos pela nova geração? Se não cuidarmos disso, o presente avivamento durará apenas a vida de um homem.” Pediu que se reunissem com as crianças toda semana, conversassem com elas nas casas, orassem por elas e instruíssem os pais, e a quem alegava falta de dom respondeu: “Com dom ou sem dom, você tem de fazê-lo” (Atas das conferências de Wesley, 1789, P. 33, tradução nossa). A Disciplina de 1860 mandava “formar escolas dominicais em todas as nossas congregações onde se possam reunir dez crianças” e “pregar sobre as escolas dominicais e a instrução religiosa em cada congregação pelo menos uma vez a cada seis meses” (Disciplina de 1860: Capítulo III. Dos oficiais e ministros, Seção XIV).

O alvo do ensino é que a criança conheça Cristo. Charles Wesley pôs na boca dela este pedido: “e Jesus me ensine a orar, / e Jesus me ensine a viver” (Hinos para Crianças · Parte 1, Hino X). E o Bispo lembra: “Ensinar uma criança não é um passatempo enquanto os adultos cultuam; é obra de valor eterno” (Ministério Infantil).

A família, primeira escola

“Estas palavras que hoje lhe ordeno estarão no seu coração. Você as inculcará a seus filhos, e delas falará quando estiver sentado em sua casa, andando pelo caminho, ao deitar-se e ao levantar-se” (Dt 6.6-7). O Manual “vê a educação de suas crianças como responsabilidade paterna”, que pode ser em parte delegada às escolas, “mas não abandonada”, e diz que a Igreja “deseja estar interativamente envolvida com os pais no ensino e educação de todas as crianças nos fundamentos da fé cristã” (§3450). Na página do Ministério Infantil, o Bispo escreve que a igreja “ajuda, mas não substitui os pais, que são os primeiros discipuladores dos filhos”.

No Sermão 94 · Sobre a religião familiar, Wesley pede aos pais que ensinem cedo, com palavras que a criança entenda, com frequência e com paciência, e que perseverem: “Lembrem-se de quanto tempo Deus precisou suportar a ignorância e a lentidão de vocês” (III.6-10). Pais fiéis também choram por filhos que se afastam, e Wesley adverte que Provérbios 22.6 não deve ser lido “de maneira absoluta, como se nenhuma criança educada no caminho correto pudesse algum dia afastar-se dele” (Sermão 95 · Sobre a educação dos filhos, 1). O pastor não culpa estes pais: ora com eles e lembra que a semente pode brotar muito depois (Sermão 94, III.11). A fé não se impõe; ensina-se pelo exemplo e pelo amor, e cada filho responderá por si (Cabe aos pais escolher a religião dos filhos?; capítulo 4).

O que a igreja oferece às famílias:

A correção dos filhos, com limites e sem violência nem humilhação, está nos capítulos 4 e 27.

A escola dominical e o ensino por idade

A Comissão de Educação Cristã reúne o diretor de educação cristã, os diretores dos ministérios infantil, de jovens e de adultos e o superintendente da escola dominical; o pastor é membro ex officio. Com a autorização da assembleia, a comissão indica os professores e os líderes da escola dominical, dos programas para adolescentes e jovens, da Escola Bíblica de Férias, do coro júnior e do culto infantil, ou leva os nomes à assembleia, se a igreja preferir elegê-los (§6900). O Manual põe na comissão também o diretor da Cruzada Juvenil Cristã (CJC), programa que ele não descreve; o cargo só se preenche onde o programa existir, e o superintendente pode dizer se existe no seu Concílio. Pela agenda que o Manual sugere, a assembleia elege o diretor de educação cristã (o pastor pode indicar o nome), os diretores dos ministérios e o superintendente da escola dominical (§6250), e a Junta pede à comissão o seu relatório (§6300). A igreja pequena pode ter comissão menor, “mas visando uma estrutura básica de faixas etárias, à medida que esses ministérios se tornem necessários e haja pessoas disponíveis para cada cargo” (§6900).

O quadro é orientação pastoral, não norma do Manual.

Idade Como aprende O que ensinar
Até 3 anos Pelo afeto, pela rotina e pela repetição Cânticos curtos, oração breve, “Deus ama você”, com os pais por perto
4 a 6 anos Por histórias curtas, gestos e perguntas simples As grandes histórias da Bíblia, um versículo por mês
7 a 11 anos Pela narrativa inteira, pela memória e pelo “por quê?” A Bíblia em ordem, versículos decorados, a fé e a história da Igreja; preparo para o batismo (§9040) e para membro júnior
12 a 15 anos Pela conversa, pelo grupo e pelo exemplo As perguntas da fé, a vida cristã prática, a instrução dos membros juniores
16 anos em diante Pela responsabilidade e pelo serviço A afirmação dos votos (§9050), a membresia plena, cursos de doutrina e liderança

As lições do site seguem um bom roteiro de aula: objetivo, passagem bíblica, história, o que aprendemos, perguntas para conversar, atividade, versículo para guardar, oração e um desafio para a semana, com uma nota “Para quem ensina”.

A criança pertence à assembleia (capítulo 6). Na prática:

Professores: escolha, formação e supervisão

Ensinar é encargo sério (Tg 3.1). O Manual pede líderes e professores que “possuem uma viva experiência cristã”, que “são fiéis na sua frequência à Igreja e na comunhão com os membros”, que “são diligentes na oração” e que “estão de acordo com a doutrina da Igreja Metodista Livre” (§6900). Acrescente amor pelas crianças e pelos jovens, pontualidade e disposição para aprender. Ninguém ensina só por falta de outro: é melhor juntar turmas do que entregar uma classe a quem não está pronto. A ficha, a entrevista, as referências, as certidões, o código de conduta e a regra dos dois adultos estão no capítulo 27.

No começo do ano, lembre aos professores que o alvo do ensino é que a criança conheça Cristo e que ensiná-la é obra de valor eterno.

A comissão deve “se assegurar de providenciar treinamento para os obreiros de educação cristã, inclusive seminários e certificados” (§6900). Na prática:

  1. Antes de assumir uma classe, o professor estuda a doutrina da Igreja, aprende como a sua faixa etária aprende, prepara uma aula sob orientação e faz o treinamento de proteção.
  2. Começa como auxiliar de um professor experiente.
  3. Os professores se reúnem uma vez por mês para orar, planejar e avaliar, e fazem um treinamento por semestre.
  4. O pastor e o superintendente da escola dominical visitam as classes; a Disciplina de 1860 já pedia aos pregadores que visitassem as escolas “tantas vezes quanto possível”.
  5. Ninguém ensina todos os domingos sem descanso nem culto: o professor também precisa ser alimentado. Faça escala e agradeça em público.
  6. Quem diverge da doutrina ou não cumpre o combinado é ouvido em particular e, se preciso, deixa a classe por decisão da comissão.

Currículo e recursos do site

A comissão deve “implantar o currículo denominacional em todos os esforços de educação cristã” (§6900), e o Manual do Pastor de 1998, escrito para as igrejas dos Estados Unidos, pedia o material de escola dominical da Igreja em todas as classes. O Manual da Igreja não diz qual é este currículo no Brasil: pergunte ao superintendente se há material indicado. O site oferece material gratuito:

Ao copiar versículos para cartazes e cartões de memorização, confira o texto na NAA.

Membros juniores

Os membros juniores, com menos de dezesseis anos, e o caminho deles até a membresia plena estão no capítulo 36; os ritos, nos capítulos 13 e 15. Ao ensino cabe a instrução que eles prometem no rito de recepção: frequentar “as aulas de instruções sobre como viver uma vida cristã e servir a Deus através de sua Igreja” (§9820). A igreja precisa, portanto, oferecer estas aulas, e a Junta pergunta se “os membros juniores estão recebendo instrução sobre a vida cristã e sobre as condições para ser membro da Igreja” (§6300). O Manual não define o conteúdo nem a duração delas; o material do site, acima, serve para isto.

Adolescentes e jovens

“Ninguém o despreze por você ser jovem; pelo contrário, seja um exemplo para os fiéis, na palavra, na conduta, no amor, na fé, na pureza” (1Tm 4.12). Escreve o Bispo: “O jovem não quer apenas ser entretido; quer ser desafiado e ter um lugar. Por isso não os deixamos na arquibancada: nós os discipulamos, damos responsabilidade e os enviamos a servir e evangelizar” (Ministério de Juventude). O grupo se reúne toda semana com Bíblia, oração e conversa franca; serve no culto, nas visitas e na missão; e tem adultos do mesmo sexo que acompanham cada um de perto, em lugar visível e com o conhecimento dos pais. Classes e bandas de adolescentes seguem os capítulos 27 e 37.

Namoro. O Manual espera que os crentes “se casem somente com crentes” e que os jovens que planejam casar procurem “aprovação dos pais” (§3440). Converse com os adolescentes, e com os pais, sobre amizade, maturidade e pureza no namoro; o modo de fazê-lo é orientação pastoral, não norma do Manual. Nenhum líder adulto namora adolescente do grupo (capítulo 27); o preparo dos noivos está no capítulo 25.

Sexualidade. “A visão bíblica para a intimidade sexual santificada é que ela é um presente de Deus reservado para o casamento entre um homem e uma mulher” (§3410), e o Manual pede: “Rogamos que nossas Igrejas providenciem instrução para educação sexual e preparação para o casamento” (§3440). Ensine com clareza e sem vergonha, com o conhecimento dos pais; nos temas mais íntimos, separe moças e rapazes, com líderes do mesmo sexo. Para quem caiu, ofereça a graça que perdoa e recomeça (Sexualidade santificada). Abuso e violência seguem o capítulo 27; a pornografia, o capítulo 30.

Redes e telas. O Manual lembra que muitos entretenimentos estão dentro de casa, inclusive a internet, e que, “No caso de crianças e jovens que moram com os pais, devem prevalecer nossas convicções como pais cristãos” (§3380). Ensine os adolescentes a usar as perguntas do mesmo parágrafo: “Esta atividade aumenta ou diminui meu testemunho como cristão? Ela é contrária aos ensinos da Bíblia? A minha consciência está limpa? Participar dela vai me expor desnecessariamente à tentação? Esta atividade é, em qualquer sentido, viciante?” Os Posicionamentos recomendam filtros e limites nos aparelhos, prestação de contas a um irmão de confiança e pais atentos ao que os filhos acessam (Pornografia e pureza digital). No grupo, ninguém humilha ninguém, nem na conversa de mensagens. No Brasil, a intimidação sistemática é crime, e a feita “por meio da rede de computadores, de rede social, de aplicativos, de jogos on-line” tem pena maior (Código Penal, art. 146-A). As mensagens entre líderes e adolescentes seguem o capítulo 27; ansiedade, automutilação e pensamentos de morte, o capítulo 29.

Gravidez na adolescência. A proteção vem primeiro. Gravidez de menina com menos de 14 anos é sinal de violência sexual e se comunica às autoridades (capítulo 27). Dos 14 anos em diante, havendo indício de abuso, de exploração ou de relação com um adulto, vale também antes de tudo o capítulo 27: o pastor acolhe sem interrogar e comunica ao Conselho Tutelar, que avalia o caso. Fora disso, acolhe a adolescente e a família com discrição (capítulo 3), sem exposição nem humilhação, ajuda a garantir o pré-natal e a continuação dos estudos e a mantém no grupo. Ouve também os pais e os ajuda a amparar a filha. Se o pai da criança também é adolescente, ele e a família dele recebem cuidado e são chamados à responsabilidade. O Manual afirma: “Alternativas compassivas e cuidado de longo prazo devem ser oferecidos a mulheres que cogitam o aborto” (§3420). O casamento não é saída automática, e a lei brasileira não o permite antes dos 16 anos, nem com gravidez (capítulo 25).

Vocação. Samuel ouviu o chamado ainda menino e precisou de Eli para reconhecer a voz de Deus; por fim respondeu: “Fala, porque o teu servo ouve” (1Sm 3.10). O Bispo tira daí uma lição: Deus usa líderes espirituais para ajudar a discernir a sua voz (Fala que teu servo ouve). Todo cristão é chamado a servir; a alguns Deus chama ao ministério ordenado. Ao jovem que sente o chamado, dê ocasião de pregar, de ajudar nas visitas e de dirigir partes do culto, como o Manual do Pastor de 1998 pedia para os candidatos locais ao ministério (Manual do Pastor (1998): O pastor no cuidado do rebanho), e converse com o superintendente (capítulo 1). A Comissão de Missões deve “encaminhar ao Departamento de Missões do Concílio Regional os nomes e endereços de jovens da Igreja local que se sentem vocacionados para o serviço missionário” (§6900; capítulo 40). A formação de líderes está no capítulo 39.

Na prática

O ano do ministério de ensino

Igreja pequena. Com poucas crianças, forme uma só classe de idades misturadas, com dois adultos, a lição pensada para os menores e tarefas extras para os maiores; os pais se revezam na equipe. Adolescentes e jovens podem estudar com os adultos ou formar um grupo pequeno próprio. As lições do site, em PDF, suprem a falta de revista.

Pastor bivocacional. Entregue a organização ao superintendente da escola dominical e guarde três coisas: a participação, com a comissão, na escolha dos professores; a oração mensal com eles; e a instrução dos membros juniores.

Para aprofundar

Base deste capítulo: Manual da Igreja, §124, §3380, §3410, §3420, §3440, §3450, §6120, §6250, §6300, §6900, §9030, §9040, §9050 e §9820; Manual do Pastor (EUA, 1998), O pastor no cuidado do rebanho, deveres 28 a 31; Disciplina de 1860 (referência histórica), cap. III, Seção XIV; John Wesley, Atas (1789), P. 33, em tradução nossa, e Sermões 94 e 95; Charles Wesley, Hinos para Crianças (1763), Hino X; Bispo Ildo Mello, páginas Ministério Infantil e Ministério de Juventude, estudos Cabe aos pais escolher a religião dos filhos? e Fala que teu servo ouve, e Posicionamentos; Código Penal, art. 146-A; legislação conferida em novembro de 2026.

Organização: Bispo Ildo Mello. Baseado no Manual do Pastor da Igreja Metodista Livre dos EUA (Junta de Bispos, 1998), no Manual da Igreja Metodista Livre do Brasil e em pesquisa nova. Texto preparado com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do organizador. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA).