Manual do Pastor Metodista Livre · Parte IV · Capítulo 22
O pastor conhece as ovelhas pelo nome e vai até elas. Quem foi recebido como membro pleno do Concílio prometeu visitar dentro e fora da Igreja, e nenhum sermão supre a falta desta presença. Para cumprir a promessa, precisa de um rol vivo e bem guardado, de um plano simples de visitas, de uma equipe que divida o trabalho e de atenção especial aos que se afastaram.
Jesus disse: “Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem” (Jo 10.14). O Manual pede este conhecimento a toda a igreja: “Para experimentar a comunhão cristã, devemos conhecer uns aos outros bem o bastante para compartilhar vitórias e fraquezas, alegrias e tristezas” (§6020).
O ponto de partida é o rol. A Junta deve manter “um registro permanente de nomes e endereços de todos os membros”, com as datas de recepção, nascimento e batismo, a classe de membros concluída e, quando for o caso, a data e o motivo da saída (§6300). Ao rol, o pastor acrescenta uma ficha simples de cada família, para uso pastoral:
A Disciplina de 1860 mandava o pregador “Fazer uma lista regular das sociedades nas vilas e cidades, de acordo com as ruas em que os membros moram” (Disciplina de 1860: Capítulo III. Dos oficiais e ministros, Seção X). Organizado por bairro, o rol vira roteiro de visitas e, nas mãos de quem intercede, lista de oração (capítulo 2).
Estes dados pedem cuidado. O rol revela a fé de cada um, e a convicção religiosa é dado sensível para a lei, como a saúde e a vida sexual (LGPD, art. 5º, II). A lei manda limitar o tratamento “ao mínimo necessário para a realização de suas finalidades” (art. 6º, III) e adotar medidas “aptas a proteger os dados pessoais de acessos não autorizados” (art. 46).
A lei citada vale no Brasil; no Concílio Angolano, segue-se a de Angola. O detalhe está no capítulo 44.
Paulo lembrou aos presbíteros de Éfeso que ensinara “publicamente e também de casa em casa” (At 20.20). Quem foi recebido como membro pleno do Concílio Regional assumiu o mesmo encargo e respondeu “Assim o farei” à pergunta “Você visitará, ministrando àqueles dentro e fora da Igreja?” (§9710).
A Disciplina de 1860, seguindo as Atas de Wesley, resumiu o método: “vá a cada casa, por ordem, e ensine todos os que nela estiverem, jovens e velhos, a serem cristãos por dentro e por fora” (Seção XIII). B. T. Roberts, em 1878, escreveu: “Mais pregadores fracassam por falta de visitação pastoral do que por falta de capacidade no púlpito”, e lembrou que a visita social, para o próprio prazer, não basta (Pescadores de Homens: B. T. Roberts (1878), cap. 14).
As Atas de 1789 descrevem o método de Wesley em onze passos (P. 13, tradução nossa), resumidos no quadro com a aplicação de hoje.
| O que Wesley pedia | Como fazer hoje |
|---|---|
| Ir a cada casa com a lista dos membros e tratá-los “com brandura, para que a notícia disso desperte nos outros o desejo da sua visita”. | Seguir a lista por bairro, avisar antes e chegar com afeto. |
| Depois de “algumas palavras amorosas a todos na casa”, conversar à parte, em outro cômodo, com cada pessoa “do seu pecado, da sua miséria e do seu dever”. | Conversa pessoal, sim, mas em lugar visível, e nunca a sós com criança, adolescente ou pessoa vulnerável. |
| Ouvir o que as crianças decoraram, ver se entenderam e tratar “com extrema ternura” quem não consegue se expressar. | Conversar com as crianças, diante dos pais, sobre o que aprendem na escola dominical, sem constrangê-las. |
| Perguntar pelo estado da alma de cada um; com quem não se converteu, “chegue ao coração, ou nada terá feito”. | Perguntar pela fé com respeito e oferecer Cristo sem pressão. |
| Concluir com exortação e com um compromisso diante de Deus. | Encerrar com uma palavra breve da Escritura e oração. |
| Pedir ao chefe da família que reúna todos aos domingos para repetir o que aprenderam. | Incentivar o culto doméstico (Sermão 94 · Sobre a religião familiar). |
A Igreja é zelosa “pelo crescimento espiritual de todos os que estão sob nossa responsabilidade, sejam não convertidos, novos convertidos ou cristãos de longa data” (§6040). O Manual não fixa a frequência das visitas; o quadro é orientação pastoral. Nas crises, vale o conselho do Manual do Pastor de 1998: “Não hesite. Vá imediatamente. Console o seu povo” (Manual do Pastor (1998): O pastor no cuidado do rebanho).
| Quem | Quando | Onde há mais |
|---|---|---|
| Família em crise (acidente, desemprego, filho em dificuldade, conflito) | Logo que souber | Capítulos 23 e 26 |
| Doente | Logo que souber; com mais frequência se for grave | Capítulos 24 e 33 |
| Enlutado | Nos primeiros dias e ao longo do primeiro ano | Capítulo 24 |
| Novo convertido | Na primeira semana e com regularidade nos primeiros meses | Capítulo 35 |
| Visitante | Contato na mesma semana, se ele permitiu; visita só se aceitar | Capítulos 7 e 35 |
| Idoso ou acamado | Ao menos uma vez por mês | Capítulos 9 e 32 |
| Membro que começou a faltar | Depois de duas ou três ausências seguidas | Seção sobre os afastados, abaixo |
| Cada família do rol | Pelo menos uma vez por ano | Plano no fim do capítulo |
A visita a doentes graves, terminais e enlutados tem roteiro próprio, com unção, Ceia e acompanhamento do luto (capítulo 24).
Algumas visitas pedem cuidados de proteção:
Ninguém visita sozinho uma igreja inteira, e o Manual não pede isto. “A Junta deve organizar uma Comissão para Cuidado de Membros” (§6300), formada “pelo(s) pastor(es) da Igreja e até cinco membros leigos, escolhidos pela comprovada maturidade espiritual, com representação de homens e mulheres” (§6330). Entre as suas tarefas, ela “revisará o rol de membros pelo menos anualmente” e “proverá ministério contínuo com os ex-membros ou membros inativos” (§6330). “Onde não for possível ter uma Comissão para Cuidado de Membros, seus deveres poderão ser atribuídos à Equipe Ministerial” (§6300). A equipe ministerial já ajuda o pastor “levando ao conhecimento do pastor, as condições preocupantes dentro da Igreja que afetam o seu relacionamento com os membros” (§6320). Aos ecônomos o Manual pede “confortar os enfermos e os enlutados” e “auxiliar os idosos” (§6900).
Em Londres, quando os ecônomos não davam conta dos doentes, Wesley escolheu quarenta e seis voluntários, “os que julguei ter o espírito mais terno e amoroso”, dividiu a cidade em vinte e três partes e enviou dois a cada uma (Explicação sobre o povo chamado metodista, XI). O Ministério de Visitação segue este caminho. Nas palavras do Bispo, ele “Não substitui o pastor, mas amplia o seu cuidado”, e quem visita “informa ao pastor as situações que pedem cuidado pastoral, sem expor a pessoa”.
A equipe que acompanha doentes graves e enlutados recebe formação própria, descrita em Manual de aconselhamento pastoral: Quem cuida também precisa de cuidado.
Jesus fala do homem que, perdendo uma ovelha, “vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la” (Lc 15.4). O Manual distingue três situações.
| Situação | O que o Manual manda | Base |
|---|---|---|
| Membro distante: mora longe ou deixou de frequentar | Manda ao pastor, ao menos uma vez por ano, testemunho escrito da sua participação numa igreja de doutrina semelhante. Sem o testemunho ou sem sustentar a igreja de origem, pode ser retirado do rol de ativos pela Junta depois de um ano. A igreja procura todos os ausentes uma vez por ano. | §6110.F |
| Membro que não guarda a Aliança | O pastor e a Comissão de Cuidado de Membros procuram “restaurá-los em amor”; se recusarem, segue-se o processo da Igreja (capítulo 34). | §155; §6110.G |
| Membro inativo: saiu por qualquer motivo, menos morte ou transferência | O nome vai para a lista de inativos, que não entra nas estatísticas oficiais. “O pastor deve manter essa lista consigo na esperança de restaurá-los à condição de membros ativos e à comunhão da Igreja.” Quem saiu sem queixas pode ser readmitido pela Junta, com fé atual em Cristo e reafirmação da Aliança. | §6110.H; §6110.E |
Buscar não é pressionar. Para procurar quem se afastou:
Mensagens, chamadas e vídeo mantêm o contato entre as visitas e alcançam quem mora longe ou trabalha em horário difícil. Wesley, porém, distinguia o socorro enviado da visita: “Enviar auxílio é, portanto, completamente diferente de visitar. A primeira coisa deve ser feita, mas a segunda não deve ser deixada de lado” (Sermão 98 · Sobre visitar os enfermos, I.2). A tela completa a presença e não a substitui, sobretudo na doença, no luto e na crise.
Um registro simples impede que alguém seja esquecido e dá continuidade ao trabalho da equipe. Basta um caderno ou uma planilha.
| Anote | Não anote |
|---|---|
| Data, pessoa ou família, quem visitou | Confissões e conversas íntimas |
| Motivo geral, em uma linha | Diagnósticos e detalhes de saúde |
| Pedidos de oração que a pessoa autorizou partilhar | Dívidas, conflitos e juízos sobre alguém |
| Próximo passo e data | O que você não gostaria que a pessoa lesse |
Guarde o registro com as mesmas regras do rol. O que se ouve em aconselhamento tem outro registro e outras regras (capítulo 23). Na troca de pastor, o registro de visitas ajuda o sucessor (capítulo 46).
Igreja pequena
Pastor bivocacional
Base deste capítulo: Manual da Igreja, §155, §6020, §6040, §6110, §6140, §6300, §6320, §6330, §6900 e §9710; Manual do Pastor (EUA, 1998), O pastor no cuidado do rebanho; Disciplina de 1860, cap. III, Seções X e XIII; John Wesley, Atas (1789), P. 13, em tradução nossa, Sermões 94 e 98 e Explicação sobre o povo chamado metodista, XI; B. T. Roberts, Pescadores de Homens, cap. 14; Orientações Pastorais, Tema VII; Porque tu estás comigo, cap. 3; LGPD (Lei 13.709/2018), arts. 5º, 6º e 46; legislação conferida em novembro de 2026.
Organização: Bispo Ildo Mello. Baseado no Manual do Pastor da Igreja Metodista Livre dos EUA (Junta de Bispos, 1998), no Manual da Igreja Metodista Livre do Brasil e em pesquisa nova. Texto preparado com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do organizador. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA).