Manual do Pastor Metodista Livre · Parte V · Capítulo 35

Evangelização e acolhimento de novos convertidos

O pastor evangeliza pessoalmente e prepara a igreja para evangelizar. A tarefa não termina na decisão: quem crê recebe, desde o primeiro dia, alguém com nome que o acompanhe, entra numa classe, prepara-se para o batismo e, depois, para a membresia. O visitante é acolhido sem pressão e procurado na mesma semana, se permitiu.

Por que a igreja evangeliza

A missão da Igreja Metodista Livre “é fazer conhecido de todas as pessoas, em todo lugar, o chamado de Deus para a perfeição através do perdão e santidade em Jesus Cristo, e convidar para a sua membresia e equipar para o ministério a todos que responderem com fé” (§6010). Na mesma frase estão o anúncio, o convite à membresia e a formação para o serviço. O Manual define o evangelismo como “o trabalho de testemunhar e conduzir as pessoas à fé em Cristo” (§6000) e declara: “A Igreja sinceramente se empenha na evangelização e discipulado” (§6040).

A razão está no próprio Senhor: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lc 19.10). As Atas de Wesley tiraram daí uma regra para os pregadores: “não podemos esperar que nos procurem; por isso devemos ir procurá-los” (Atas de 1789, P. 8, tradução nossa). Quem sai não vai sozinho nem chega primeiro, pois a graça preveniente já trabalha em cada pessoa. Roberts, ao pedir que o pastor não deixasse de procurar ninguém, lembrava: “Você não pode ir aonde o Espírito de Deus não tenha ido antes de você” (Pescadores de Homens: B. T. Roberts (1878), cap. 14). E o Bispo resume: “Evangelizar, portanto, não é uma ideia humana: é a extensão da missão de Cristo no mundo, realizada através da Igreja” (Seja um Evangelista: Missão, Fundamentos e Prática).

Quem foi recebido como membro pleno do Concílio Regional prometeu esforçar-se “para comunicar eficazmente o evangelho” e fazer com que “todas as pessoas sob seus cuidados sejam discipuladas como obedientes seguidoras de Jesus Cristo” (§9710). As duas promessas andam juntas.

A evangelização pessoal

“E não são só os pregadores: todos os cristãos são chamados a trabalhar para ganhar almas para Cristo”, escreveu Roberts (cap. 4). Ele lembra André, que, depois de passar um dia com Jesus, “encontrou primeiro o seu próprio irmão, Simão (…). E o levou a Jesus” (Jo 1.41-42). E conclui: “É assim que os verdadeiros convertidos se multiplicam: tão logo alguém é salvo, procura trazer outro ao aprisco.” Levi fez o mesmo quando abriu a casa para que publicanos e outras pessoas comessem com Jesus (Lc 5.27-32). O Bispo comenta que o novo convertido, “tão feliz e empolgado, levou Jesus para a sua casa, para os seus familiares e amigos” (Os Cinco Aspectos do Chamado de Levi).

Para o Bispo, “Amor, que leva a amizade e a identificar-se com simpatia, mostrando verdadeiro interesse, é a chave para a evangelização” (Aprendendo a Evangelizar: Algumas Dicas). Ele compara a evangelização a uma plantação feita por etapas: preparar o terreno, plantar a semente, regar com paciência e colher quando estiver maduro. Adverte também contra o extremo oposto, o do cristão que, intimidado, fica “imóvel e calado na sua ação evangelizadora”.

Ensine a igreja, e pratique você mesmo:

Pedro manda estar “sempre preparados para responder a todo aquele que pedir razão da esperança que vocês têm. Mas façam isso com mansidão e temor” (1Pe 3.15-16). Pressão e promessa fácil não têm lugar no convite nem na conversa particular (capítulo 7).

A igreja que evangeliza

O Manual põe a Junta Administrativa Local como “a principal líder no evangelismo e crescimento da Igreja” (§6300). A assembleia elege uma comissão de evangelismo e crescimento, e “Em Igrejas menores, a Junta Administrativa Local poderá servir como essa comissão” (§6900). Cabe à comissão estudar bons modelos, preparar alvos com cronograma, que a Junta e a assembleia aprovam e que a Junta avalia a cada trimestre, e motivar o povo; a plantação de igrejas, também tarefa dela, está no capítulo 40. Para que os membros testemunhem, a Igreja oferece “oportunidades para treinamento e prática” (§6000). O Manual do Pastor de 1998 pede ao pastor que acolha “o uso de todos os meios de proclamação e evangelização que possam ser implantados e custeados com eficácia” (Manual do Pastor (1998): O pastor no cuidado do rebanho).

  1. Ore pela cidade e por nomes, no culto de oração e nos grupos.
  2. Forme os membros com o Curso de Evangelização, numa classe ou na escola dominical.
  3. Escolha com a Junta poucos alvos para o ano, com datas e responsáveis, e avalie-os a cada trimestre.
  4. Use as portas que a igreja já tem: as famílias das crianças, as datas do ano cristão (capítulo 11), os grupos nos lares, a ação social (capítulo 40) e a transmissão do culto (capítulo 7).
  5. Antes de qualquer campanha, acampamento ou culto especial, combine quem vai procurar cada pessoa que responder, e quando.
  6. Avalie pelo número dos que perseveram como discípulos. O Bispo resume: “a Grande Comissão manda fazer discípulos, e não obter decisões. Wesley jamais evangelizava uma pessoa para abandoná-la à própria sorte, à mercê do inimigo” (Do encontro ao discipulado).

O visitante depois do culto

A recepção à porta, a acolhida durante o culto, a ficha de visitante e o cuidado de quem vem ao altar estão no capítulo 7. Depois da bênção, o cuidado continua:

A Igreja Metodista Livre nasceu recusando os bancos alugados que afastavam os pobres (capítulo 6). Quem chega pobre recebe a mesma atenção que o rico (Tg 2.1-4), e o idoso, a pessoa com deficiência e o estrangeiro encontram lugar (capítulos 31 e 32).

As primeiras semanas do novo convertido

Wesley observou que, em poucos meses, a maioria dos que tinham começado a buscar a Deus “mas não estavam unidos, esmoreceu e recaiu no que era antes”, enquanto os que estavam unidos perseveravam (Explicação sobre o povo chamado metodista, I.9). Roberts adverte o pastor que, se ele não der “atenção pessoal aos convertidos, eles retrocederão nas suas mãos” (cap. 14). O Manual descreve o caminho: “No fazer discípulos, os convertidos são trazidos para dentro do corpo, batizados, treinados e equipados para o serviço a Cristo” (§6020). E o Manual do Pastor de 1998 põe entre os deveres do pastor “Providenciar a formação dos convertidos, com instrução e encorajamento que os ajudem a prosseguir até uma experiência definida de inteira santificação”.

O Bispo propõe um roteiro para os primeiros meses (Do encontro ao discipulado), resumido no quadro.

Quando O que fazer
No primeiro dia Uma pessoa com nome, e não “a igreja”, assume o acompanhamento; de preferência alguém que já conhecia o novo convertido.
Na primeira semana Firmar a certeza da salvação a partir da Palavra, e não do sentimento (1Jo 5.11-13); ensinar a ler a Bíblia, começando por um Evangelho. O pastor faz uma visita (capítulo 22).
Nas primeiras semanas Ligar a pessoa a um grupo pequeno onde seja conhecida pelo nome; conversar sobre o batismo e começar a preparação, se ainda não foi batizada (capítulo 9).
No primeiro mês Ensinar a orar orando junto; ajudar a pessoa a contar a própria história à família e aos amigos.
Nos primeiros meses Tratar das mudanças de vida “sem lista pronta e sem pressa moralista”; dar cedo uma tarefa real de serviço; convidar para a classe de membros (capítulo 36).

O Bispo faz ainda um alerta: a rede de amizades do novo convertido é o campo mais fértil da igreja naquele ano e costuma se perder em seis meses, quando a agenda da igreja ocupa todo o tempo dele. “Proteja essas amizades de propósito.”

Ponha bons livros nas mãos de quem começa. Wesley escreveu a Asbury: “As pessoas recém-despertadas deveriam, se possível, ser fartamente supridas de livros. Com isso, o despertamento tanto se mantém quanto aumenta” (Cartas sobre a Liderança de Asbury, 30 de setembro de 1785). Além da Bíblia, servem as Perguntas e Respostas, com 23 perguntas para quem começa, e a lição Boas Novas.

O discipulador e a classe

Em Jerusalém, os discípulos tinham medo de Saulo, recém-convertido. “Mas Barnabé, tomando-o consigo, levou-o aos apóstolos” (At 9.27), e contou a história dele. O discipulador faz o mesmo: toma o novo convertido consigo e o apresenta à igreja. O Manual não cria esta função; o que segue é orientação pastoral. Escolha e prepare discipuladores que:

A classe é o lugar natural do novo convertido. O Manual manda formar grupos de crescimento espiritual, ou células, “para a supervisão cuidadosa dos membros e para conduzir os interessados à certeza do perdão de Deus em Cristo”, e diz que as pessoas ainda não crentes “devem ser evangelizadas e convidadas para essa comunhão, assim que manifestem a decisão de servir a Cristo” (§6900). Como fazer, conduzir e multiplicar classes é assunto do capítulo 37. A ordem sugerida para a reunião da Junta pergunta: “Os novos convertidos e os membros juniores estão recebendo instrução sobre a vida cristã e sobre as condições para ser membro da Igreja?” (§6300).

Batismo e membresia como passos

No Pentecostes, “os que aceitaram a palavra de Pedro foram batizados (…). E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At 2.41-42). A conversão leva ao batismo, e o batismo, à vida de ensino e comunhão; entre nós, a instrução prepara também a membresia plena.

Quem vem de outra igreja ou de outra tradição

Muitos chegam de outras igrejas evangélicas ou da tradição católica. Wesley temia “aquele miserável sectarismo que torna tantos tão pouco dispostos a crer que exista alguma obra de Deus fora do seu próprio meio” (Explicação, V). Por isso:

Na prática

Para aprofundar

Base deste capítulo: Manual da Igreja, §6000, §6010, §6020, §6040, §6110, §6300, §6900, §9050, §9710 e §9810; Manual do Pastor (EUA, 1998), O pastor no cuidado do rebanho, deveres do pastor; John Wesley, Atas (1789), P. 8, em tradução nossa, Explicação sobre o povo chamado metodista, I e V, e carta a Asbury de 30 de setembro de 1785; B. T. Roberts, Pescadores de Homens, caps. 4 e 14; Bispo Ildo Mello, Curso de Evangelização (aula 12), estudos Aprendendo a Evangelizar e Seja um Evangelista, e Orientações Pastorais, Temas V e VII.

Organização: Bispo Ildo Mello. Baseado no Manual do Pastor da Igreja Metodista Livre dos EUA (Junta de Bispos, 1998), no Manual da Igreja Metodista Livre do Brasil e em pesquisa nova. Texto preparado com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do organizador. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA).